REQUERIMENTO (Do Deputado João Dado) Requer o encaminhamento de Indicação ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, sugerindo o envio, ao Congresso Nacional, de projeto de lei dispondo sobre o enquadramento dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho como Auditores Fiscais do Trabalho. Senhor Presidente: Nos termos do art. 113, inciso I e 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. Exa. seja encaminhada ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, a Indicação anexa, sugerindo o envio, ao Congresso Nacional, de projeto de lei dispondo sobre o enquadramento dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho como Auditores Fiscais do Trabalho. Sala das Sessões, em de de 2009. Deputado JOÃO DADO
INDICAÇÃO Nº, DE 2009 (Do Deputado João Dado) Sugere ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, o envio, ao Congresso Nacional, de projeto de lei dispondo sobre o enquadramento dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho como Auditores Fiscais do Trabalho. Exmo. Sr. Ministro de Estado do Trabalho e Emprego: A Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, organizou, entre outras, a Carreira Auditoria-Fiscal do Trabalho, composta de cargos de Auditor-Fiscal do Trabalho, nos quais foram transformados os cargos efetivos do quadro permanente do Ministério do Trabalho e Emprego de: Fiscal do Trabalho; Assistente Social, encarregado da fiscalização do trabalho da mulher e do menor; Engenheiros e Arquitetos, encarregados da fiscalização da segurança no trabalho; e Médico do Trabalho, encarregado da fiscalização das condições de salubridade do ambiente de trabalho. Aos ocupantes dos cargos de Auditor-Fiscal do Trabalho foram cometidas as atribuições de assegurar, em todo o território nacional: cumprimento de disposições legais e regulamentares, inclusive as relacionadas à segurança e à medicina do trabalho, no âmbito das relações de trabalho e de emprego; a verificação dos registros em Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS, visando à redução dos índices de informalidade; a verificação do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, objetivando maximizar os índices de arrecadação; cumprimento de acordos, convenções e contratos coletivos de trabalho celebrados entre empregados e empregadores;
2 respeito aos acordos, tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário; e a lavratura de auto de apreensão e guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades, bem como o exame da contabilidade das empresas. Foi estabelecido ainda, na referida lei, que o Poder Executivo regulamentaria as atribuições privativas dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho, podendo cometer-lhes outras, desde que compatíveis com atividades de auditoria e fiscalização. Ocorre que os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho, excepcionados no enquadramento efetuado com base no disposto na Lei 10.593/02, sempre exerceram diversas das atribuições cometidas aos Auditores-Fiscais do Trabalho, todas compatíveis com atividades de auditoria e fiscalização. Além disso identificamos, na sequência, diversos fatos que demonstram a equivalência existente entre o exercício do cargo de Agente de Higiene e Segurança do Trabalho e as atribuições dos Auditores-Fiscais do Trabalho, muitos deles registrados em documentos oficiais. São eles: os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho são possuidores da mesma Carteira de Identificação Fiscal dos demais cargos enquadrados como Auditores-Fiscais do Trabalho (Portaria SSST 42/89; Portaria DNSS 4/92; e Portaria SSST 2/93 e seguintes); os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho receberam treinamento em legislação trabalhista e normas de segurança em igualdade com os Agentes da Inspeção, à época da Portaria SSST 6/89; a Portaria MTb 3.311/89 equiparou as atividades dos Fiscais, Engenheiros, Médicos e Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho; os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho exerciam atividades de fiscalização antes da Constituição de 1988; os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho lavravam autos de infração por vários anos, todos referentes à aplicação da legislação trabalhista e das normas de segurança e medicina do trabalho; os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho tiveram suas atividades reconhecidas como de nível superior e com direito à percepção da
3 Gratificação de Estímulo à Fiscalização e Arrecadação GEFA (Parecer CONJUR 202/93); a Exposição de Motivos nº 46, do Ministro do Trabalho, reconheceu o direito, a discriminação e a irrelevância dos custos do pagamento da GEFA aos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho; a Classificação Brasileira de Ocupações - CBO equiparou as atividades dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho e dos Auditores; foram publicadas no site do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, por vários anos, as relações dos Auditores, que incluíam entre eles os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho; a ADIN 2335-7/SC, reconheceu o enquadramento de servidores de nível médio como Auditores-Fiscais da Receita Estadual, de nível superior, devido à semelhança das atividades desenvolvidas; foram reconhecidas as atividades dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho, como próprias de Auditor, pelas autoridades do MTE/SP, com anuência da Advocacia Geral da União; há Acórdão do Supremo Tribunal Federal - STF negando provimento a Recurso de Agravo, em processo proveniente do Rio de Janeiro, segundo o qual é efetivo o direito adquirido antes da Constituição de 1988, caso em que o beneficiado exercia atividades de Auditor-Fiscal; há Parecer do Advogado-Geral da União (Parecer MP/CONJUR/GCG 0890-1.7/2008) sobre Medida Provisória que trata da remuneração das carreiras, favorável ao ingresso dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho na Carreira de Auditor-Fiscal; os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho executaram embargos, interdições e fiscalizações noturnas, rurais, e relativas às necessidades de portadores de deficiência, bem como do comércio (registro e FGTS) e da construção civil, além de participar de mesas redondas, homologações, consultas trabalhistas e outras atividades previstas na CBO para os Auditores-Fiscais e não inseridas no atual Regulamento de Inspeção do Trabalho - RIT; foram incluídos no Sistema Federal de Inspeção do Trabalho SFIT, como Auditores, diversos servidores de órgãos extintos sem nenhuma relação com a fiscalização do trabalho e sem o concurso específico para o novo cargo;
4 há Nota Técnica do MTE reconhecendo as atividades dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho como autônomas e a discriminação contra a categoria, a qual conclui que o Brasil não cumpre a Convenção 81 da OIT; existe Parecer da CONJUR (022/2002), órgão de consulta permanente do Ministro do Trabalho e Emprego, concluindo que houve, de fato, a extinção do cargo de Agente de Higiene e Segurança do Trabalho. Em suma, conclui-se que os Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho são parte ativa da Fiscalização do Trabalho, integrantes do quadro de Agentes de Inspeção do Trabalho, os quais foram investidos como autoridades competentes de execução de fiscalização e auditoria do trabalho. Isto posto, sugerimos a V. Exa. a elaboração e encaminhamento de projeto de lei, para análise do Congresso Nacional, dispondo sobre o enquadramento dos Agentes de Higiene e Segurança do Trabalho como Auditores-Fiscais do Trabalho, por tratar-se de direito adquirido, decorrente da ação fiscalizatória de que foram investidos e que exercem desde a criação de seu cargo. Sala das Sessões, em de de 2009. Deputado JOÃO DADO