PPP. Registro de passivos e Limites



Documentos relacionados
PPP Aspectos Contábeis. Coordenação Geral de Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação STN/CCONF

A contabilização das PPP pelo Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP), publicado pela STN. Henrique Ferreira Souza Carneiro

Dommo Empreendimentos Imobiliários S.A.

ESTADO DE GOIÁS PREFEITURA MUNICIPAL DE CATALÃO LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL L O A EXERCÍCIO DE de 13

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS RISCOS FISCAIS

RESOLUÇÃO Nº Da Alocação dos Recursos e da Política de Investimentos. I - as disponibilidades oriundas das receitas correntes e de capital;

CONTABILIZAÇÃO DE CONSÓRCIOS PÚBLICOS PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO CONTÁBIL

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR

IFRS TESTE DE RECUPERABILIDADE CPC 01 / IAS 36

ORIENTAÇÕES ACERCA DA APLICAÇÃO DA LEI DE 2014

RESOLUÇÃO CFC N.º 1.409/12. Aprova a ITG 2002 Entidade sem Finalidade de Lucros.

PROJETO DE LEI DAS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA - SP CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Prof. Izilda Lorenzo. Resumo 3

Instrumentos Financeiros

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

Contabilidade Decifrada AFRFB 2009 II Benefícios a Empregados e Passivo Atuarial

Pesquisa sobre bens a serem ativados Contabilizados no Ativo Imobilizado

Boletim. Contabilidade Internacional. Manual de Procedimentos

LEI Nº 9.038, DE 14 DE JANEIRO DE O Povo do Município de Belo Horizonte, por seus representantes, decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

LEI Nº 1047/2012. O Prefeito do Município de Pinhalão, Estado do Paraná. Faço saber que a Câmara Municipal decreta, e eu, sanciono a seguinte Lei:

TÓPICO ESPECIAL DE CONTABILIDADE: IR DIFERIDO

(iii) Ofereçam opção de resgate nos próximos 30 dias (Art. 14, 2º);

Objetivos da Oficina 22 Contas a Pagar, Passivos por Competência, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes:

LEI Nº 9.548, DE 22 DE ABRIL DE A CÂMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA, Estado de Goiás, aprova e eu, PREFEITO MUNICIPAL, sanciono a seguinte Lei:

Basileia III e Gestão de Capital

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 07. Subvenção e Assistência Governamentais

Diretrizes para os Serviços Públicos de Saneamento Básico

Modelo de Projeto de Lei (Origem Poder Executivo) Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da lei orçamentária de 2011.

IBRACON NPC nº 25 - CONTABILIZAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONSTRIBUIÇÃO SOCIAL

Contribuir, mensalmente, para o Plano de Aposentadoria com:

Relatório dos auditores independentes. Demonstrações contábeis Em 31 de dezembro de 2014 e 2013

EDITAL FACEPE 14/2008 PROGRAMA DE BOLSAS DE INCENTIVO ACADÊMICO - BIA

RIO GRANDE DO NORTE DECRETO Nº , DE 10 DE FEVEREIRO DE 2012.

PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE

ITR - Informações Trimestrais - 30/06/ DOMMO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A Versão : 1. Composição do Capital 1. Balanço Patrimonial Ativo 2

EDITAL Verde-Amarelo/ Parques Tecnológicos: FINEP 04/2002

EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

Instituto Odeon - Filial Demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2012 e relatório de revisão dos auditores independentes

VALORA GESTÃO DE INVESTIMENTOS LTDA

ATIVO Explicativa PASSIVO Explicativa

Fundação Amazonas Sustentável Demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2008 e parecer dos auditores independentes

I - o modelo de gestão a ser adotado e, se for o caso, os critérios para a contratação de pessoas jurídicas autorizadas ou credenciadas nos termos da

MANUAL DE PREENCHIMENTO DOS QUADROS DO FIP REFERENTES AO CAPITAL ADICIONAL PARA COBERTURA DO RISCO DE CRÉDITO meses de referência: jan a maio/11

TEXTO INTEGRAL DA INSTRUÇÃO CVM Nº 247, DE 27 DE MARÇO DE 1996, COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELAS INSTRUÇÕES CVM Nº 269/97, 285/98, 464/08 E

CIRCULAR N Art. 6º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação. Daniel Luiz Gleizer Diretor

COAF - RESOLUÇÃO Nº 20, DE 29 DE AGOSTO DE 2012

PLANO DE INCENTIVOS DE LONGO PRAZO - OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

OPERACIONALIZAÇÃO FISCAL DAS DOAÇÕES HENRIQUE RICARDO BATISTA

FGP FUNDO GARANTIDOR DE PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS CNPJ: / (Administrado pelo Banco do Brasil S.A.)

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS REVISÃO CPC Nº. 2. Pronunciamento Técnico PME Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas e Glossário de Termos

PLANO DE CONTAS E CÁLCULO DE ÍNDICES

Semana Contábil e Fiscal de Estados e Municípios - Secofem

ANEXO II RELAÇÃO DAS INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES AO PROJETO DE LEI ORÇAMENTÁRIA DE 2015

IAS 38 Ativos Intangíveis

A T I V O P A S S I V O CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO CIRCULANTE E EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

O Congresso Nacional decreta:

POLÍTICA DE INVESTIMENTOS PARA 2010

Sumário. 1 Introdução. Demonstrações Contábeis Decifradas. Aprendendo Teoria

Art. 1º - Fica aprovado o Regimento Interno da Central do Sistema de Controle Interno, anexo ao presente Decreto.

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2004 E DE 2003 SOCIEDADE CIVIL FGV DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FGV PREVI

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 114, DE 2015

Inepar Telecomunicações S.A. Demonstrações Contábeis em 31 de dezembro de 2008 e 2007

Eólica Faísa V Geração e Comercialização de Energia Elétrica S.A.

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Notas explicativas às Informações Financeiras Trimestrais em 30 de setembro de 2002 Em milhares de reais

TOMADA DE CONTAS ESPECIAL

XIV SIMPÓSIO NACIONAL DE AUDITORIA DE OBRAS PÚBLICAS

Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes

PÉROLA FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS (CNPJ nº / ) (ADMINISTRADO PELA SOCOPA SOCIEDADE CORRETORA PAULISTA S/A)

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DO EXERCICIO DE 2013 (Valores expressos em R$ mil)

TÓPICO ESPECIAL DE CONTABILIDADE : IMOBILIZADO E DEPRECIAÇÃO - PARTE II

Demonstrações Financeiras Banrisul Foco IRF - M Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo CNPJ: /

CONSELHO DE REGULAÇÃO E MELHORES PRÁTICAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO DELIBERAÇÃO Nº 68

Siconfi/Brasil. Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro

CÓPIA MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

DR - Empresa de Distribuição e Recepção de TV Ltda. Laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil em 30 de Setembro de 2009 para fins de

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS ORIENTAÇÃO OCPC 01 (R1) Entidades de Incorporação Imobiliária

2. IOF na determinação do custo do bem importado.

SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS

CONTRIBUIÇÃO DO GRUPO CMS (CPEE, CSPE, CJE E CLFM) PARA A AUDIÊNCIA PÚBLICA ANEEL No 019/2005

INVESTIMENTO A LONGO PRAZO 1. Princípios de Fluxo de Caixa para Orçamento de Capital

RESOLUÇÃO Nº R E S O L V E U :

Financiamentos para Empreendimentos Públicos de Saneamento e Urbanização

Conselho Federal de Contabilidade Vice-presidência de Controle Interno INSTRUÇÃO DE TRABALHO INT/VPCI Nº 008/2013

Norma do Empréstimo Pré-fixado Plano Prece III

ANEXO VI PROPOSTA COMERCIAL

REGULAMENTO DO PLANO DE GESTÃO ADMINISTRATIVA - PGA ÍNDICE

NOTA CONASEMS Regras para utilização dos recursos transferidos fundo a fundo

NOTA TÉCNICA Nº 007/2009

ção o de Pleitos MIP, da Secretaria do Tesouro Nacional.

RESOLUÇÃO Nº 350, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2014.

Governo do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Fazenda Departamento Geral de Administração e Finanças TERMO DE REFERÊNCIA

Transcrição:

PPP Registro de passivos e Limites ATENÇÃO: Os exemplos desta apresentação são válidos como regra geral. É possível que peculiaridades de cada contrato impliquem em mudança na necessidade de classificação do ativo no balanço do ente. 1

Registro Básico n 1 Contextualização Deve-se registrar o Ativo da PPP no Ente Público? Art. 4 da Portaria STN n 614/06 2

Registro Básico n 1 Ativo da SPE que suporta materialmente a parceria relacionado à prestação do serviço. Regra: Registro do ativo da SPE no balanço do setor público se este assumir parte relevante do risco de demanda, construção ou disponibilidade. Parte relevante é caracterizada quando o ente assumir mais de 40% do respectivo risco. 3

Registro Básico n 1 Analogia com Arrendamento Mercantil: IPSAS n 13/2001 e CFR n 921/01 Determinam que o ente que estiver arrendando um bem registre-o em suas demonstrações caso o arrendamento seja classificado como financeiro, sendo que a alocação do risco, em especial de desvalorização do bem, é uma das referências utilizadas para definir a natureza financeira do arrendamento. Analogia com SPE: FASB n 46/2003 e Instrução CVM n 408/04 Determinam que empresas de capital aberto integrem em suas demonstrações consolidadas as SPEs que imponham riscos a sua situação financeira. Analogia com a Experiência Internacional em PPP: Reino Unido balanço de risco entre parceiros determina o registro do bem, sendo os riscos acima considerados dentre os mais relevantes. Eurostat utilização dos mesmos riscos acima mencionados, mas com regra mais branda pois permite que setor público assuma risco de disponibilidade ou demanda sem implicar registro do bem em sua contabilidade. 4

Definição de Riscos Portaria STN: (sim) = implica possibilidade de registro no ente público (depende do nível comprometido) Risco de demanda: garantia ao parceiro privado de pagamento independente da utilização efetiva do bem/serviço objeto do contrato. i) Concessão Administrativa com contraprestação fixa (sim) ii) Concessão Administrativa com contraprestação pelo uso pedágio sombra (não) iii) Concessão Patrocinada com contraprestação fixa (sim) iv) Concessão Patrocinada com cláusula de pagamentos condicionados (não) Risco de construção: garantia ao parceiro privado de compensação pela variação dos custos referentes à constituição ou manutenção do bem associado à parceria i) Sobre-custo total em relação ao orçamento original (sim) ii) Distribuição do Sobre-custo entre os parceiros (sim) 5

Definição de Riscos Risco de disponibilidade: garantia ao parceiro privado de pagamento independente da disponibilização do serviço objeto da parceria em desacordo com as especificações contratuais. i) Pagamento em função do serviço contratado ii) Critérios de qualidade e penalidades Demais riscos: existe a possibilidade do setor público assumir diversos outros riscos em contratos de PPP, como no caso da flutuação do câmbio, taxa de juros e do valor residual do bem. 6

Exemplo 1 PPP Administrativa (pagamento fixo), com ente público assumindo todo o sobre-custo até 25% do custo da obra, estimado em R$ 100. Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois risco de demanda é integralmente do setor público (art. 4º, 1º, I). Notar que risco de construção assumido está abaixo do percentual considerado como parte relevante (art. 4º, 1º, II). 7

Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 8

Exemplo 2 PPP Patrocinada, com ente público assumindo obrigação de pagamento de contraprestação fixa, equivalente a 50% da receita esperada com o projeto. Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois setor público garante o pagamento de 50% da receita esperada do projeto independente de sua efetiva utilização pelos usuários, caracterizando parte relevante do risco de demanda (art. 4º, 1º, I). 9

Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 10

Exemplo 3 PPP Patrocinada, com ente público assumindo contraprestação fixa equivalente a 20% da receita do empreendimento e concedendo garantia de indenização ao parceiro privado em função de frustração na demanda de modo a assegurar 50% da receita frustrada, sendo que a receita estimada do projeto é de R$ 500. Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois setor público garante o pagamento de 60% da receita esperada do projeto independente de sua efetiva utilização pelos usuários (20% + ½ x 80%), caracterizando parte relevante do risco de demanda. (art. 4º, 1º, I) 11

Exemplo Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 12

Registro Básico n 2 Contextualização Como registrar os riscos assumidos pelo setor público na PPP? Art. 7 da Portaria STN n 614/06 13

Registro Básico n 2 Riscos devem ser registrados como provisão. Passivo Contingente x Provisão. Diferenciação feita por normas recentes: grau de certeza. Requisito: metodologia estatística. Importância do registro de riscos: desincentivar a assunção de compromissos que não passem pelas formas tradicionais de controle fiscal. Similaridade com os princípios e métodos adotados pelo sistema financeiro Basiléia II. 14

Mensuração dos Riscos Probabilidade de Ocorrência x Valor de perda para cada evento: Ex: Risco de Demanda do setor público se demanda < 80%, ente deve pagar R$ 100. Valor de perda associada = R$ 100. Grau de Confiança do Modelo: mínimo de 85%. Probabilidade de Ocorrência = 30% estimado com modelo que possui grau de confiança de pelo menos 85%. Provisão = 100 x 30% = R$ 30. Modelo com baixo grau de acerto: valor em risco valor da perda com 95% de probabilidade. Provisão = 100 x 95% = R$ 95. 15

Mensuração dos Riscos Inciso VII, Art. 7 da Portaria STN n 614/06 Se não houver modelo, provisionar o maior valor de perda possível. Se a possibilidade da perda não tiver um valor máximo, provisionar o valor do contrato. Objetivo: inibir a assunção de riscos que não podem ser minimamente estimados. No entanto, a segunda parte deste inciso vai de encontro ao princípio explícito no MCASP 2012 de somente reconhecer o passivo oriundo de previsão quando : 1)Uma entidade tem uma obrigação formalizada presente como consequência de um evento passado; 2)É provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; 3)O montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Assim, deve-se sempre buscar a mensuração do maior valor de perda possível e, caso ela não seja possível, justificar devidamente o não provisionamento pelo risco assumido. 16

Exemplo 1 PPP Administrativa (pagamento fixo), com ente público assumindo todo o sobre-custo até 25% do custo da obra, estimado em R$ 100. Registro 1 Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois risco de demanda é integralmente do setor público (art. 4º, 1º, I). Notar que risco de construção assumido está abaixo do percentual considerado como parte relevante (art. 4º, 1º, II). Registro 2 Provisionamento do Risco de Construção (art. 7º, 1º, I). Probabilidade do sobre-custo alcançar até 25% do custo da obra = 70%. Valor esperado do sobre-custo = 70% x R$ 25 = R$ 17,5. 17

Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 Registro do Risco nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 17,5 Passivo Patrimonial = 17,5 Registro Líquido Ativo Patrimonial = 117,5 Passivo Patrimonial = 117,5 18

Exemplo 2 PPP Patrocinada, com ente público assumindo obrigação de pagamento de contraprestação fixa, equivalente a 50% da receita esperada com o projeto. Registro 1 Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois setor público garante o pagamento de 50% da receita esperada do projeto independente de sua efetiva utilização pelos usuários, caracterizando parte relevante do risco de demanda (art. 4º, 1º, I). Registro 2 Provisionamento do Risco de Demanda. Não é o caso, pois o pagamento de contraprestação fixa não configura garantia de pagamento em função de frustração do nível esperado de demanda. 19

Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas = Registro Líquido Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 20

EXCEÇÕES Registro Básico n 1 2 do Art. 4 Registro Básico n 2 3-5 do Art. 7 21

Registro 1 PPP Patrocinada sem contraprestação fixa: Não se registra o ativo da SPE no balanço do setor público (mesmo que este garanta mais de 40% da receita do projeto) se o risco de demanda contemplar somente cláusula de garantia de indenização ao parceiro privado em função de frustração na utilização prevista do bem/serviço objeto do contrato. Objetivos: i) Evitar que PPP patrocinada sem contraprestação fixa seja tratada de forma similar a parcerias em que há contraprestação fixa. ii) Garantir isonomia com concessões tradicionais. 22

Exemplo 4 PPP Patrocinada, com ente público concedendo garantia de indenização ao parceiro privado em função de frustração na demanda de modo a assegurar 50% de 90% da receita frustrada, sendo que a receita total estimada do projeto é de R$ 500. Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Não, pois embora setor público garanta o pagamento de 45% da receita esperada do projeto independente de sua efetiva utilização pelos usuários, existe exceção que permite não registrar este ativo nas contas públicas (art. 4º, 2º). 23

Registro 2 PPP Patrocinada com contraprestação fixa e garantia de demanda: Deduzir do valor da provisão decorrente de garantia de demanda, montante equivalente ao valor do ativo da SPE registrado no balanço do ente público. Objetivo: Evitar que PPP patrocinada seja tratada de forma similar a parcerias administrativas, onde o custo financeiro do projeto é integralmente alocado ao setor público. 24

Exemplo 3 PPP Patrocinada, com ente público assumindo contraprestação fixa equivalente a 20% da receita do empreendimento e concedendo garantia de indenização ao parceiro privado em função de frustração na demanda de modo a assegurar 50% da receita frustrada, sendo que a receita estimada do projeto é de R$ 500. Registro 1 Ativo da SPE deve ser registrado no balanço do setor público? Sim, pois setor público garante o pagamento de 60% da receita esperada do projeto independente de sua efetiva utilização pelos usuários (20% + ½ x 80%), caracterizando parte relevante do risco de demanda. (art. 4º, 1º, I) Registro 2 Provisionamento do Risco de Demanda. (art. 7º, 1º, I) Valor esperado da perda = R$ 40 = ½ x probabilidade de frustração da demanda (supor = 80%) x valor da compensação associada (supor = 100). Pode-se descontar o valor do ativo da SPE registrado (art. 7º, 3º). Neste caso, a provisão é igualada a zero (art 7º, 4º), sendo o ativo da SPE o único registro a impactar o balanço do ente público. OBS: Valor máximo da perda = ½ x 80% x 500 = 200 25

Exemplo Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 Registro do Risco Contas Públicas Ativo Patrimonial = 0 Passivo Patrimonial = 40 Ativo SPE = 0 Registro Líquido Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 26

Resumo Objetivo: Evitar que regras de contabilidade imponham incentivos inadequados. Registros Contábeis Ativo SPE Provisão Total PPP Administrativa (com contrap. fixa > 40%) Sim Não Ativo SPE PPP Patrocinada só garantia de demanda Não Sim Provisão só contraprestação fixa > 40% Sim Não Ativo SPE contraprestação fixa + garantia de demanda Sim Sim Maior entre Ativo SPE e Provisão 27

Diferença entre registro do Ativo e do Risco No 1 tipo de registro, os riscos são utilizados somente para permitir inferir a propriedade econômica do ativo, se do parceiro público ou privado. No 2 tipo de registro, os riscos são mensurados e registrados em balanço (provisão) Não existe qualquer correspondência entre o valor do ativo e o valor do risco. 28

Registro Básico n 3 Contextualização Qual a influência das garantias de pagamento na contabilização das PPPs? Art. 11 da Portaria STN n 614/06 29

Garantias de Pagamento Segregação de ativo para lastrear obrigação. Registro em conta redutora do passivo, aplicável a qualquer tipo de obrigação decorrente da parceria em questão. PPP Federal FGP viabiliza fiscalmente o programa de PPP. PPP demais entes assunção de riscos restrita às garantias disponíveis. 30

Exemplo 5 Igual ao Exemplo 1, mas com FGP outorgando garantia de pagamento para todas as obrigações financeiras do ente público, no valor de R$ 200, lastreada em títulos públicos federais. Manter os registros 1 e 2 mencionados no Exemplo 1. Adicionar conta redutora do passivo em função de obrigação financeira assumida pelo FGP, com a disponibilização de ativo adequado e suficiente para liquidar a obrigação (art. 11). 31

Registros Contábeis Registro do Ativo da SPE nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 100 Passivo Patrimonial = 100 Conta Redutora do Passivo Patrimonial (FGP) = -100 Registro do Risco nas Contas Públicas Ativo Patrimonial = 17,5 Passivo Patrimonial = 17,5 Registro Líquido Conta Redutora do Passivo Patrimonial (FGP) = -17,5 Ativo Patrimonial = 117,5 Passivo Patrimonial = 117,5 Conta Redutora do Passivo Patrimonial (FGP) = -117,5 32

Registro Básico n 4 Contextualização Como registrar os aspectos das PPPs que não estão relacionados à prestação de serviços? Arts. 3 e 6 da Portaria STN n 614/06 33

Registro Básico n 4 Ativo que suporta materialmente a parceria não relacionado à prestação do serviço. Ativo é registrado no balanço do setor público, assim como a contrapartida no passivo. Outras obrigações não relacionadas à prestação de serviços igualmente reconhecidas no balanço patrimonial. 34

Aspectos Contábeis Gerais Contextualização 35

Princípios Contábeis Contador do ente é responsável pelo registro e inferência do impacto dos riscos sobre as demonstrações, inclusive sobre o limite da dívida consolidada e operações de crédito. Possibilidade de avaliar a relevância material dos riscos. Exemplo: compromissos que não sejam julgados prováveis, podem não ser provisionados (provisão = 0) ou não implicar registro do ativo da SPE no ente público, desde que este julgamento seja fundamentado. Possibilidade de alterar os registros ao longo do tempo caso a situação concreta se modifique. 36

LIMITES DO ART. 28 DA LEI 11.079/04 Contextualização 37

O QUE REGISTRAR? Art. 28. A União não poderá conceder garantia e realizar transferência voluntária aos Estados, Distrito Federal e Municípios se a soma das despesas de caráter continuado derivadas do conjunto das parcerias já contratadas por esses entes tiver excedido, no ano anterior, a 3% (três por cento) da receita corrente líquida do exercício ou se as despesas anuais dos contratos vigentes nos 10 (dez) anos subsequentes excederem a 3% (três por cento) da receita corrente líquida projetada para os respectivos exercícios. (Redação dada pela Lei nº 12.024, de 2009) O que considerar como despesas de caráter continuado: Contraprestações fixas; Contraprestações variáveis; Pagamentos sistemáticos e continuados decorrentes dos riscos assumidos. O artigo não autoriza qualquer tipo de dedução dos tipos: Valor que seria (ou estava sendo pago) se obra + serviço fosse financiado com orçamento próprio; Parcela referente à ressarcimento de investimentos. Esta deve ser considerada contraprestação fixa. Mesmo que ente entenda que despesa de capital não entre no cômputo do limite para apuração do ano anterior, as futuras despesas de capital previstas podem ser suficientes para ultrapassar o limite pelo critério das despesas anuais projetadas; Observação: O Tesouro Nacional não considera despesas de contratos associados ao da PPP como integrantes do limite. Exemplo: fiscais contratados pela Lei 8666/93 para trabalharem em concessões de PPP. O Tesouro Nacional respeita entendimento diverso dos Tribunais de Contas dos Entes. Em especial, para contratos já em vigor. 38

PAPEL DO TESOURO NACIONAL Art. 28. (...) 1o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que contratarem empreendimentos por intermédio de parcerias público-privadas deverão encaminhar ao Senado Federal e à Secretaria do Tesouro Nacional, previamente à contratação, as informações necessárias para cumprimento do previsto no caput deste artigo. A Secretaria do Tesouro Nacional STN - não aprova previamente projetos. No momento da concessão das garantias ou realização das transferências voluntárias, está sendo considerada a declaração do gestor do ente quanto à não ultrapassagem do limite. O preenchimento do Anexo XVII do RREO é obrigatório quando o ente estiver com contratos de PPP em vigor. 39

ANEXO XVII DO RREO 40