DIRECTRIZ DE REVISÃO/AUDITORIA 872



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Transcrição:

DIRECTRIZ DE REVISÃO/AUDITORIA 872 Revista em Março de 2009 Entidades Municipais, Intermunicipais e Metropolitanas ÍNDICE Parágrafos INTRODUÇÃO 1 8 OBJECTIVO 9 FUNÇÕES EQUIVALENTES AO COMPROMISSO DO REVISOR NAS SOCIEDADES COMERCIAIS 10 12 FUNÇÕES ESPECÍFICAS DO REVISOR 13 27 CONTEÚDO DOS RELATÓRIOS DAS FUNÇÕES ESPECÍFICAS 28-29 ENTRADA EM VIGOR 30 APÊNDICES Apêndice I - Modelo de parecer sobre os instrumentos de gestão previsional Apêndice II - Modelo de parecer sobre as indemnizações compensatórias 1

DIRECTRIZ DE REVISÃO/AUDITORIA 872 Revista em Março de 2009 Entidades Municipais, Intermunicipais e Metropolitanas INTRODUÇÃO 1. A Lei 53-F/2006, de 29 de Dezembro, veio estabelecer o regime jurídico do sector empresarial local o qual integra todas as entidades empresariais constituídas ao abrigo das normas aplicáveis às associações de municípios e às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto para a exploração de actividades de interesse geral, a promoção do desenvolvimento regional e local e a gestão de concessões, revogando a Lei n.º58/98, de 18 de Agosto. 2. Estas entidades, de âmbito municipal, intermunicipal e metropolitana regem-se pela citada Lei, pelos respectivos estatutos e, subsidiariamente, pelo regime do sector empresarial do Estado (Decreto-Lei n.º558/99, de 17 de Dezembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 300/2007, de 23 de Agosto) e, ainda, pelas normas das sociedades comerciais. 3. Nos termos do art.º 3.º da Lei n.º 53-F/2006, são entidades municipais, intermunicipais e metropolitanas: As sociedades constituídas nos termos da lei comercial, nas quais os municípios, associações de municípios e áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, respectivamente, possam exercer, de forma directa ou indirecta, uma influência dominante em virtude de alguma das seguintes circunstâncias: a) Detenção da maioria do capital ou dos direitos de voto; b) Direito de designar ou destituir a maioria dos membros do órgão de administração ou de fiscalização. 2

As pessoas colectivas de direito público com natureza empresarial denominadas «entidades empresariais locais» reguladas no capítulo VII da referida Lei. 4. As entidades referidas no art.º 3 estão sujeitas ao Plano Oficial de Contabilidade, e ao controlo financeiro destinado a averiguar da legalidade, economia, eficiência e eficácia da sua gestão e a sua contabilidade deve responder às necessidades de gestão empresarial, permitindo um controlo orçamental permanente. Porém, não estão obrigadas a possuir uma contabilidade orçamental nem a proceder à prestação de contas relativamente à execução dos orçamentos previstos nos instrumentos de gestão previsional, nos termos regulados para os Municípios e outras Entidades Públicas obrigadas ao POCAL e ao POCP. 5. As entidades referidas no art.º 3 estão sujeitas, entre outras, ao controlo financeiro de legalidade da Inspecção-Geral de Finanças e do Tribunal de Contas (art.º 26.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro) e sujeitas também à fiscalização por parte de um revisor oficial de contas ou sociedade de revisores oficiais de contas. 6. A fiscalização das entidades, por parte de um revisor, está prevista no art.º 28.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro que estipula 1 : A fiscalização da empresa é exercida por um revisor ou por uma sociedade de revisores oficiais de contas, que procederá à revisão legal, a quem compete, designadamente: a) Fiscalizar a acção do conselho de administração; b) Verificar a regularidade dos livros, registos contabilísticos e documentos que lhes servem de suporte; c) Participar aos órgãos competentes as irregularidades, bem como os factos que considere reveladores de graves dificuldades na prossecução do objecto da empresa; 1 Sem prejuízo do referido no texto da alínea e) deste Artigo quanto à figura de região administrativa, entendemos que tal menção não tem aplicabilidade no presente 3

d) Proceder à verificação dos valores patrimoniais da empresa, ou por ela recebidos em garantia, depósito ou outro título; e) Remeter semestralmente ao órgão executivo do município, da associação de municípios ou da região administrativa, consoante o caso, informação sobre a situação económica e financeira da empresa; f) Pronunciar-se sobre qualquer assunto de interesse para a empresa, a solicitação do conselho de administração; g) Emitir parecer sobre os instrumentos de gestão previsional, bem como sobre o relatório do conselho de administração e contas do exercício; h) Emitir parecer sobre o valor das indemnizações compensatórias a receber pela empresa; i) Emitir a certificação legal das contas. 7. As funções referidas naquele artigo integram: a) as funções do revisor integrado num órgão de fiscalização previstas para as sociedades comerciais (as constantes das alíneas a) b) c) d), f) e i)); b) funções de fiscalização específicas para este tipo de entidades (as constantes das alíneas e), g), e h)). 8. Os documentos de prestação de contas destas entidades, sobre os quais o revisor tem de emitir a sua opinião são os previstos no art.º 29.º da já referida Lei: a)balanço; b)demonstração dos resultados; c)anexo ao balanço e à demonstração dos resultados; d)demonstração dos fluxos de caixa; e)relação das participações no capital de sociedades e dos financiamentos concedidos a médio e longo prazos; f) Relatório sobre a execução anual do plano plurianual de investimentos; g)relatório do conselho de administração e proposta de aplicação dos resultados;... 4

OBJECTIVO 9. A presente DRA tem como objectivo proporcionar orientação aos revisores em exercício de funções de Fiscal Único nas entidades definidas no anterior art.º 3, relativamente à fiscalização regulada na Lei 53-F/2006, de 29 de Dezembro. FUNÇÕES EQUIVALENTES AO COMPROMISSO DO REVISOR NAS SOCIEDADES COMERCIAIS 10. No exercício das funções de fiscalização equivalentes ao compromisso do revisor nas entidades abrangidas por esta DRA, o revisor deverá efectuar o seu trabalho de acordo com as Normas e Directrizes Técnicas da Ordem aplicáveis. 11. No exercício das funções referidas no parágrafo anterior compete ao revisor emitir os seguintes relatórios: - Certificação Legal das Contas; - Relatório e parecer do Fiscal Único. 12. A emissão da Certificação Legal das Contas deve obedecer às disposições constantes da DRA 700 Relatório de Revisão/Auditoria, com as necessárias adaptações. FUNÇÕES ESPECÍFICAS DO REVISOR Informação Semestral 13. A alínea e) do art.º 28.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, estipula que compete ao revisor: 5

Remeter semestralmente ao órgão executivo do município, da associação de municípios ou da região administrativa, consoante o caso, informação sobre a situação económica e financeira da empresa 14. O objectivo da disposição referida no parágrafo anterior é dotar os órgãos competentes de informação sobre a situação económica e financeira intercalar. Neste contexto, o trabalho a realizar pelo revisor inclui a elaboração de relatório com o relato do trabalho inerente ao acompanhamento da actividade da entidade e informações factuais da actividade exercida por esta. 15. A informação sobre a situação económica e financeira poderá ser suportada com base nomeadamente nos seguintes procedimentos: - análise de cumprimento das disposições legais e estatutárias; - análise de rácios; - revisão sumárias das principais rubricas que compõem a informação económica e financeira; - comparação dos valores orçamentados com os valores executados; - análise e teste de elementos de custos, proveitos, perdas e ganhos registados no semestre; - análise e teste de elementos relevantes de activos e passivos; e - análise de investimentos e desinvestimentos. Estes procedimentos não são exaustivos mas apenas ilustrativos da natureza das tarefas que podem consubstanciar esta informação. 16. Outra situação é a que consubstancia uma emissão de um parecer sobre contas semestrais elaboradas por uma entidade que tenha especialmente solicitado a emissão de parecer sobre as referidas contas. 17. Nestas circunstâncias e para orientações adicionais sobre a informação financeira a elaborar, a metodologia a seguir para a sua elaboração e o trabalho a efectuar pelo revisor, deve ser utilizada, com as devidas adaptações, a Recomendação Técnica (RT) 5 Revisão de Demonstrações Financeiras Intercalares. 6

Instrumentos de Gestão Previsional 18. A alínea g) do art.º 28.º da Lei n.º53-f/2006, de 29 de Dezembro, estipula que compete ao revisor: Emitir parecer sobre os instrumentos de gestão previsional. 19. Os instrumentos de gestão previsional são os previstos nos art.º 27º e art.º 40.º da Lei n.º53-f/2006, de 29 de Dezembro, consoante o tipo de entidades. 20. O trabalho a efectuar pelo revisor relativamente aos instrumentos de gestão previsional enquadra-se na revisão de contas prospectivas, devendo o seu parecer acompanhar os referidos documentos para apreciação e aprovação pelo respectivo órgão competente. 21. É da responsabilidade do conselho de administração das entidades a preparação e apresentação dos instrumentos de gestão previsional, a qual deverá incluir a identificação e divulgação dos pressupostos mais significativos que lhe serviram de base. 22. Para orientações adicionais sobre o trabalho a desenvolver pelo revisor sobre os instrumentos de gestão previsional, deverá ser utilizada a RT 11 Revisão de Informação Financeira Prospectiva, com as necessárias adaptações. Indemnizações Compensatórias 23. A alínea h) do art.º 28.º da Lei 53-F/2006 estipula que compete ao revisor 2 : Emitir parecer sobre o valor das indemnizações compensatórias a receber pela empresa. 2 Sem prejuízo do referido neste texto legal quanto à expressão Indemnização Compensatória, entendemos que esta abrange os subsídios ou outras transferências financeiras provenientes das entidades participantes no capital social das empresas 7

24. As indemnizações compensatórias e os subsídios a receber contratualizados com os municípios para compensar preços estabelecidos com base em critérios sociais, investimentos de rendibilidade não demonstrada ou custos não recuperáveis impostos pela autarquia, são elementos fundamentais para a elaboração dos instrumentos de gestão previsional, pois o valor contratualizado influencia todas as estimativas de exploração e de balanço da entidade. 25. O parecer a emitir pelo revisor, visa apreciar se as indemnizações compensatórias estão suportadas por um Contrato Programa ou por um Contrato de Gestão efectivamente celebrado. Caso o Contrato preveja uma fórmula de cálculo tendo por base indicadores variáveis, deverá o revisor examinar a fundamentação das previsões em que se baseou o cálculo do valor previsto como contrapartida das obrigações assumidas no âmbito do Contrato celebrado com os municípios ou entidades equiparadas. 26. A fundamentação do cálculo das indemnizações compensatórias a receber pela entidade deverá ser elaborada pelo conselho de administração da entidade. 27. Para orientações adicionais sobre o trabalho a efectuar pelo revisor sobre as indemnizações compensatórias previstas, por se aproximar do processo previsto para a análise da informação prospectiva, deverá também ser utilizada a RT 11, com as necessárias adaptações. CONTEÚDO DOS RELATÓRIOS DAS FUNÇÕES ESPECÍFICAS 28. O formato dos relatórios relativos às funções específicas e os termos das conclusões variam conforme os objectivos do compromisso e as especificidades de cada entidade. Não se prescrevem formas padronizadas de relatório mas, para além dos modelos de relatórios já previstos nas normas referenciadas em parágrafos anteriores, sugerem-se os seguintes elementos estruturais básicos para a emissão dos relatórios: 8

a) Título um título adequado que ajude à identificação do tipo de compromisso a que o relatório se refere, por exemplo, parecer sobre o valor das indemnizações compensatórias. b) Destinatários Identificação do destinatário(s) a quem o relatório se dirige. c) Descrição do compromisso - Descrição dos objectivos, tipo de serviço, limitações encontradas, período coberto. d) Parágrafo da partilha de responsabilidades Evidência sobre quem foi o responsável pelo facto ou pela prestação da informação a analisar pelo revisor e a responsabilidade deste. e) Identificação das normas aplicáveis ao compromisso - Referência a esta DRA, a outras DRA ou RT nela referidas ou outras quando aplicáveis. f) Critérios usados e metodologias seguidas - Descrição dos critérios usados e metodologias seguidas para obter evidências e suportar as conclusões do relatório. g) Conclusões e reservas às conclusões - Os relatórios terminam com a conclusão do revisor acerca das questões ou informações em avaliação. h) Data do relatório. i) Nome do revisor ou da sociedade de revisores oficiais de contas. 29. No que respeita às conclusões, deverá ter-se em especial atenção o seguinte: - Quando o compromisso tiver vários objectivos deve ser expressa uma conclusão por cada objectivo. - As reservas ou conclusões negativas devem ser claramente expressas e suportadas. 9

ENTRADA EM VIGOR 30. A presente DRA foi aprovada pelo CNSA e aplica-se aos relatórios a emitir em ou após 3 de Abril de 2009. 10

APÊNDICE I - Modelo de parecer sobre os instrumentos de gestão previsional PARECER DO REVISOR OFICIAL DE CONTAS SOBRE OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO PREVISIONAL Introdução 1. Para os efeitos do artigo 28.º, alínea g) da Lei n.º53-f/2006, de 29 de Dezembro, apresentamos o nosso parecer sobre os instrumentos de gestão previsional para o exercício de (a), da (b), consistindo, nos Planos plurianuais e anuais de actividades, investimento e financeiros, Orçamento anual de investimentos, Orçamento anual de exploração, Orçamento anual de tesouraria e balanço previsional. Responsabilidades 2. É da responsabilidade do conselho de administração a preparação e a apresentação da informação previsional, a qual inclui a identificação e divulgação dos pressupostos mais significativos que lhe serviram de base. 3. A nossa responsabilidade consiste em verificar a consistência e adequação dos pressupostos e estimativas contidos nos instrumentos de gestão previsional acima referidos, competindo-nos emitir um relatório profissional e independente baseado no nosso trabalho. Âmbito 4. O trabalho a que procedemos teve como objectivo obter uma segurança moderada quanto a se a informação previsional contida nos instrumentos de gestão anteriormente referida está isenta de distorções materialmente relevantes. (c) O nosso trabalho foi efectuado com base nas Normas Técnicas e Directrizes de Revisão/Auditoria emitidas pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, planeado de acordo com aquele objectivo, e consistiu: a) principalmente, em indagações e procedimentos analíticos destinados a rever: - a fiabilidade das asserções constantes da informação previsional; 11

- a adequação das políticas contabilísticas adoptadas, tendo em conta as circunstâncias e a consistência da sua aplicação; - a adequação da apresentação da informação previsional; b) na verificação das previsões constantes dos documentos em análise, com o objectivo de obter uma segurança moderada sobre os seus pressupostos, critérios e coerência. 5. Entendemos que o trabalho efectuado proporciona uma base aceitável para a emissão do presente parecer sobre os instrumentos de gestão previsional. Reservas (se aplicável) 6. (Descrição das reservas) Parecer 7. (d) Com base no trabalho efectuado sobre a evidência que suporta os pressupostos da informação financeira previsional dos documentos acima referidos, a qual foi executado tendo em vista a obtenção de um nível de segurança moderado, nada chegou ao nosso conhecimento que nos leve a concluir que tais pressupostos não proporcionem uma base aceitável para aquela informação e que tal informação não tenha sido preparada e apresentada de forma consistente com as políticas e princípios contabilísticos normalmente adoptados pela entidade. 8. Devemos contudo advertir que frequentemente os acontecimentos futuros não ocorrem da forma esperada, pelo que os resultados reais poderão vir a ser diferentes dos previstos e as variações poderão ser materialmente relevantes. Ênfases (se aplicável) 9. (e) (Descrição das ênfases). (Data). (Assinatura). (Nome) LEGENDAS (a) Data de referência da informação. (b) Denominação da entidade. 12

(c) Quando aplicável, inserir as expressões previstas na DRA 700 (limitação do âmbito). (d) Iniciar o parágrafo, quando exista, pelas expressões previstas na DRA 700 (reservas). (e) Iniciar o parágrafo, quando exista, pelas expressões previstas na DRA 700 (ênfases). 13

APÊNDICE II - Modelo de parecer sobre as indemnizações compensatórias PARECER DO REVISOR OFICIAL DE CONTAS SOBRE O VALOR DAS INDEMNIZAÇÕES COMPENSATÓRIAS Introdução 1. Para os efeitos do art.º 28.º, alínea h) da Lei n.º53-f/2006, de 29 de Dezembro, apresentamos o nosso parecer sobre o valor das indemnizações compensatórias a receber pela (a) de (b) com base no Contrato (c) celebrado em (d), no valor de (e) e para o exercício de. 2. Estas indemnizações compensatórias consubstanciadas em subsídios ou outras transferências financeiras das entidades participantes são devidas como contrapartida de obrigações assumidas pela entidade e dizem respeito a (f). Responsabilidades 3. É da responsabilidade do conselho de administração (g) o cálculo do valor da indemnização compensatória com base no citado Contrato e os respectivos pressupostos que lhe estão subjacentes. 4. A nossa responsabilidade consiste em verificar a correcção do cálculo do valor da indemnização compensatória, competindo-nos emitir um relatório profissional e independente baseado no nosso trabalho. Âmbito 5. O trabalho a que procedemos foi efectuado de acordo com as Normas Técnicas e Directrizes de Revisão/Auditoria da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, designadamente a Directriz de Revisão/Auditoria 872 Entidades Municipais, Intermunicipais e Metropolitanas, que exige que: Caso tal Contrato exista e preveja uma fórmula de cálculo tendo por base indicadores variáveis, examine a fundamentação das previsões em que se baseou 14

o cálculo do valor previsto como contrapartida das obrigações assumidas no âmbito do Contrato; e Analise os cálculos da indemnização compensatória com base no citado Contrato e nos pressupostos preparados pelo conselho de administração. Reservas (se aplicável) 6. (Descrição das reservas) Parecer 7. (h) Com base no trabalho efectuado, somos de parecer que o valor das indemnizações compensatórias está adequadamente calculado e decorre dos termos do Contrato (c). 8. Devemos, contudo, advertir que, frequentemente, os acontecimentos futuros não ocorrem da forma esperada, pelo que os resultados reais poderão vir a ser diferentes dos previstos e as variações poderão ser materialmente relevantes. Ênfases (se aplicável) 9. (i) (Descrição das ênfases). (Data). (Assinatura). (Nome) LEGENDAS (a) Denominação da entidade. (b) Identificar o nome da entidade (Município, Associação de Municípios, Região administrativa). (c) Contrato de Gestão ou Contrato Programa (d) Data do Contrato. (e) Valor total previsto das indemnizações compensatórias. (f) Identificar o motivo que deu origem ao Contrato, nomeadamente, objectivos sectoriais, investimentos de rentabilidade não demonstrada ou prática de preços sociais. 15

(g) Identificar o órgão de gestão. (h) Iniciar o parágrafo, quando exista, pelas expressões previstas na DRA 700 (reservas). (i) Iniciar o parágrafo, quando exista, pelas expressões previstas na DRA 700 (ênfases). 16