O que são os «OGM s»???

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Transcrição:

O que são os «OGM s»??? Em Portugal, como em toda a União Europeia, apenas está autorizada a libertação deliberada no ambiente para o cultivo do milho geneticamente modificado, ou como vulgarmente é denominado, milho BT, ou milho OGM, o seguinte evento: Designação do OGM: Evento MON810 Característica Inserida: Resistência a insetos da ordem Lepidóptera. O milho, evento MON810, consiste numa proposta alternativa para o controlo de importantes pragas da cultura do milho, e baseia-se na utilização de híbridos de milho geneticamente modificado para resistir ao ataque dessas pragas. Para o efeito, foi inserido o gene cry1ab de Bacillus thuringiensis subsp. Kurstaki (Bt), linhagem HD-1, a mesma utilizada em formulações comerciais de Bacillus thuringiensis de ampla utilização na agricultura. (Armstrong et al., 1995). O Bacillus thuringiensis é uma bactéria de solo específica para insetos Lepidópteros (lagartas) (lagarta-do-cartucho, lagarta-da-espiga e lagarta-do-colmo) Ostrinia Nubilalis (Hübn.) e Sesamia Nonagrioides Lef., com o nome vulgar de Brocas do Milho, não possuindo efeito tóxico para dípteros (moscas, abelhas, e outros) ou Coleópteros (besouros, joaninhas e outros). (Agbios, 2007). O milho Bt é portanto caracterizado pela inserção de um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), que induz a planta a produzir uma proteína tóxica apenas para determinadas pragas. Assim, o milho Bt permite reduzir os ataques de insectos à cultura do milho até 90% e diminui, consequentemente, a probabilidade de crescimento de fungos na espiga, a partir dos locais perfurados pelos insectos (Fig. 1). Esses fungos produzem micotoxinas, substâncias extremamente prejudiciais para o homem e para os animais, pois atuam diretamente no fígado, inibindo a síntese de proteínas, causando queda no nível de anticorpos e enzimas (biotechbrasil, 2006). Fig. 1 À esquerda, milho convencional, atacado por lagartas, apresenta crescimento de fungo que produz micotoxina. À direita, milho Bt (Fonte: CIB RR Página 1

Legislação aplicável O cultivo de variedades de milho geneticamente modificadas tem vindo a ser realizado em Portugal desde o ano de 2005. Portugal foi um dos primeiros países a estabelecer os procedimentos e as normas técnicas a aplicar ao cultivo de variedades geneticamente modificadas e a adoptar a legislação mais completa sobre a matéria, tendo para o efeito publicado: - O Decreto-Lei n.º 160/2005, de 21 de Setembro que regula de variedades geneticamente modificadas, visando assegurar a sua coexistência com culturas convencionais e com o modo de produção biológico. -A Portaria n.º 904/2006, de 4 de Setembro, que estabelece as condições e o procedimento para o estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas. -O Decreto-Lei n.º 387/2007, de 28 de Novembro, que cria o Fundo de Compensação destinado a suportar eventuais danos, de natureza económica, derivados da contaminação acidental do cultivo de variedades geneticamente modificadas. -A Portaria nº 1611/2007, de 20 de Dezembro, que altera a Portaria nº 904/2006, de 4 de Setembro, que estabelece as condições e o procedimento para o estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas Em complemento a esta legislação existe, ainda, no âmbito da inscrição de variedades vegetais, do comércio de semente certificada e no âmbito do cultivo de variedades geneticamente modificadas, os seguintes diplomas base: - O Decreto-Lei n.º 154/2004, de 30 de Junho, que estabelece o regime geral do Catálogo Nacional de Variedades. -O Decreto- Lei n.º 144/2005, de 26 de Agosto, referente à produção, certificação e comercialização de semente de espécies agrícolas e hortícolas. RR Página 2

Aplicações dos OGM A biotecnologia baseia-se num conjunto de técnicas que permitem alterar as características de um organismo mediante a modificação dirigida e controlada do seu genoma, acrescentando, eliminando ou modificando alguns dos seus genes. Deste modo, a biotecnologia permite eliminar uma característica não desejada de um organismo, e igualmente permite introduzir uma nova característica numa espécie, como seja a resistência a um inseto, copiando o gene correspondente. (Nogueira, et al., 2005) A biotecnologia tem sido utilizada não apenas no desenvolvimento de plantas, como também em animais e micro organismos. Os seus benefícios já podem ser observados nas mais diversas áreas, com por exemplo: - Na Alimentação: Segundo cib.org.br. (2009) há mais de duas décadas, bactérias, leveduras e fungos geneticamente modificados actuam directamente nos processos de fermentação, preservação e formação de sabor e aromas de muitas bebidas e alimentos do nosso dia-a-dia, a exemplo de: Iogurtes Queijos Enchidos Picles Pão e Massas Cerveja Vinho - Sumos - Na Medicina: A produção da insulina humana com base em microorganismos transgénicos foi uma das primeiras aplicações comerciais da biotecnologia na saúde e também uma das mais úteis. (Cib.org.br, 2009) - O arroz dourado, arroz geneticamente modificado que contém uma grande quantidade de vitamina A, ou, mais corretamente, o arroz que contém o elemento betacaroteno, que é convertido no organismo em Vitamina A. - Na Indústria farmacêutica: Actualmente, mais de 400 medicamentos são produzidos por meio da aplicação da biotecnologia, entre eles, vitaminas, anticorpos e remédios para o combate ao HIV (Sida). A biotecnologia também contribui para o fabrico de kits para diagnósticos de doenças: a hormona do crescimento contra o nanismo que afecta 10 mil crianças brasileiras, é de origem transgénica. O Instituto Butantan produz, anualmente, cerca de 50 milhões de doses da vacina contra a hepatite B, desenvolvida por meio da engenharia genética. (cib.org.br Transgénicos - A Ciência em favor do consumidor) - Na Indústria de alimentos: O milho, colza, algodão, soja e cana do açúcar, como exemplos de espécies com plantas geneticamente modificadas pelos cientistas para tolerar a aplicação de alguns pesticidas. - O tomate, morango, ananás, pimento e banana, são exemplos de produtos alimentares geneticamente modificados pelos cientistas para se manterem frescos durante mais tempo. -Na Indústria de produtos de higiene: Os microorganismos têm sido melhorados geneticamente não apenas para a produção de alimentos e RR Página 3

remédios, como também para favorecer as indústrias de papel, têxtil, química, petrolífera, ambiental e mineira. - No nosso dia-a-dia, convivemos com inúmeros produtos industriais fabricados por meio da aplicação de microorganismos transgénicos, como roupas e produtos de limpeza como no sabão em pó, por exemplo, enzimas produzidas por bactérias geneticamente modificadas usadas para degradar a gordura dos tecidos e resistir às condições do processo de lavagem. (Cib.org.br, 2009). No contexto agrícola mundial é importante lembrar que os transgénicos são apenas uma das aplicações da biotecnologia, que está a contribuir para melhorar a qualidade de vida em diversos aspectos. RR Página 4

Os Milhos Geneticamente Modificados em Portugal Fig.2 Evolução das áreas semeadas com OGM. Fig. 3 Evolução do número de notificações de milho OGM no Alentejo. RR Página 5

NOTIFICAÇÕES DE CULTIVO POR REGIÃO em 2014 NORTE ALENTEJO..1.276,70 HA ALENTEJO CENTRAL. 1.401,54 HA BAIXO ALENTEJO. 1.207,84 HA ALENTEJO LITORAL....1.570,62 HA ÁREA TOTAL..5.456,70 HA Nº DE NOTIFICAÇÕES 129 Fig. 4 Mapa de localização dos campos de milho OGM. RR Página 6

Conclusão Actualmente, uma das áreas do conhecimento em que se verificam análises e debates mais activos no mundo da agricultura é o da produção de alimentos. Ninguém discute o seu uso na medicina, onde toda a insulina, enzimas, hormonas e a maioria das vacinas são transgénicas, na indústria têxtil, onde cerca de 60% do algodão utilizado no mundo é transgénico, ou inclusivamente na alimentação animal, onde 100% das rações utilizadas contém na sua composição produtos transgénicos (Jubete, 2009) O científico valenciano Premio Príncipe de Asturias de Investigación Científica y Técnica, Santiago Grisolía, referiu que os organismos modificados geneticamente permitem obter, alimentos que fornecem novas propriedades nutricionais e, por isso, devem ser analisados e considerados. Os alimentos derivados de organismos modificados geneticamente são tão seguros como os convencionais, não devemos esquecer que o risco zero não existe em nada neste mundo, nem na alimentação nem em nenhum outro terreno. Quando se avança numa tecnologia há que obter tudo o positivo que esta nos pode dar. Para concluir reconheceu que embora os organismos modificados geneticamente permitam melhorar as propriedades sensoriais ou nutritivas dos alimentos e sejam uma resposta mais que eficaz ao repto alimentício com que se enfrenta o mundo, a sua evolução está condicionada pelo desenvolvimento social (Grisolía, 2009). O doutor Francisco García Olmedo, membro da Real Academia de Ingeniería, sobre a agricultura ecológica afirmou que não são nem mais saborosos nem contam com alguma diferença analítica que justifique alguma vantagem nutritiva. Realmente os produtos ecológicos são menos sãos, já que o regulamento europeu permite adubar estes cultivos com matéria orgânica de três dias, uma matéria que necessita no mínimo de um ano de fermentação para que seja segura. Em 25 anos de cultivos transgénicos não surgiu nenhum alerta sanitário alimentar, no entanto com os ecológicos ocorrem todos os anos. O Rapid Alert System for Food and Feed recebeu mais de 20 alarmes no milho por fumonisinas entre 2003 e 2007, RR Página 7

período no qual não se produziu nenhum com os organismos modificados geneticamente (Fundacion ANTAMA, 2009). Qualquer dos textos acima reproduzidos é perfeitamente elucidativo da importância e do impacto que os Organismos Geneticamente Modificados têm actualmente no nosso quotidiano. Também qualquer dos excertos referidos poderia servir para resumidamente concluir sobre os benefícios ou inconvenientes resultantes da sua utilização. Rui Rosado Janeiro/2015 RR Página 8