Prova Escrita de História A



Documentos relacionados
Prova Escrita de História A

Prova Escrita de História B

Prova Escrita de História A

Educação para os Media e Cidadania

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 10 de Junho de 2010

Ética no exercício da Profissão

TER NOÇÃO DA CONSTRUÇÃO DE UMA NAÇÃO

DISCIPLINA: História CÓDIGO DA PROVA: 19 CICLO: 3º ANO DE ESCOLARIDADE: 9º

Prova Escrita de Economia A

Prova Escrita de História A

Uma globalização consciente

ignorado, como, muito mais grave ainda, considerado procedimento Desde o dito português de que entre marido e mulher não metas a

Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul Escola-sede: Escola Secundária de São Pedro do Sul

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

- Elaborar sínteses escritas a partir da informação recolhida, com correção linguística e aplicando o vocabulário específico da disciplina.

Declaração Política. (A Ditadura Açoriana)

As decisões intermédias na jurisprudência constitucional portuguesa

Escola Básica 2,3 com Ensino Secundário de Alvide

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO VERSÃO 1

INFORMAÇÃO -PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA DO ENSINO BÁSICO- 3º CEB

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta.

Lição 1 - Apresentando o Evangelho Texto Bíblico Romanos 1.16,17

Ensino Religioso no Brasil

PROPOSTA DE REVISÃO CURRICULAR APRESENTADA PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POSIÇÃO DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

CONCEPÇÃO E PRÁTICA DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: UM OLHAR SOBRE O PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO RAFAELA DA COSTA GOMES

PROVA ESCRITA DE HISTÓRIA

INGLÊS INFORMAÇÃO PROVA. 1. Objeto de avaliação. Prova de Equivalência à Frequência de. Prova Fases 1ª e 2ª. 10.º e 11.º Anos de Escolaridade

20º. COLÓQUIO DA ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES CATÓLICOS [APC] Os 20 anos dos Colóquios APC. Cristina Nobre: Duas décadas revisitadas

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Alunos do 5º Ano Turma B

Recenseamento Geral da População e Habitação 2014

Senhor Presidente e Senhores Juízes do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, Senhores Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal Administrativo,

Biodanza. Para Crianças e Jovens. Manuela Mestre Robert

Arquivo Público do Estado de São Paulo Oficina O(s) uso(s) de documentos de arquivo na sala de aula

76 Anos Educando para a Vida

Por Uma Questão de Igualdade

Informação n.º Data: Para: Direção-Geral da Educação. Inspeção-Geral de Educação e Ciência. AE/ENA com ensino secundário CIREP

INFORMAÇÃO PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA. Disciplina Inglês. Prova Tipo de Prova Escrita e Oral. Ensino Secundário

Colégio Ser! Sorocaba Sociologia Ensino Médio Profª. Marilia Coltri

Projeto de Resolução n.º 1235/XII/4.ª. Em defesa da Escola Pública Inclusiva para todos

Não é permitido o uso de corrector. Em caso de engano, deve riscar, de forma inequívoca, aquilo que pretende que não seja classificado.

Os sistemas de Segurança Social e da CGA utilizados pelo governo como instrumento orçamental

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO VERSÃO 2

PROJECTO DE DELIBERAÇÃO N.º 15/IX ADOPTA MEDIDAS PARA A NÃO DISCRIMINAÇÃO DE CIDADÃOS COM DEFICIÊNCIA OU INCAPACIDADE

Prova Prática de Geometria Descritiva A

A gente tenta acertar, mas o que conseguimos é VERGONHA DECEPÇÃO CULPA MEDO

Regulação Bimestral do Processo Ensino Aprendizagem 3º bimestre Ano: 2º ano Ensino Médio Data:

Processo Seletivo Salesiano

FICHA DE INTERESSE NOVAS MISSÕES SOCIAS NA VENEZUELA: EM DIREÇÃO À SUPREMA FELICIDADE SOCIAL. Governo Bolivariano da Venezuela

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

MENSAGEM DE NATAL PM

UFMG º DIA FILOSOFIA BERNOULLI COLÉGIO E PRÉ-VESTIBULAR

PARECER N.º 104/CITE/2014

Carta de Paulo aos romanos:

Lógicas de Supervisão Pedagógica em Contexto de Avaliação de Desempenho Docente. ENTREVISTA - Professor Avaliado - E 5

Prova Escrita de Português

Aspectos Sócio-Profissionais da Informática

Maurício Piragino /Xixo Escola de Governo de São Paulo.

Departamento Jurídico Sector Jurídico e de Contencioso

PROPOSTA DE LEI N.º 233/XII

Política de cotas para mulheres na política tem 75% de aprovação

FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MONTES CLAROS. VESTIBULAR 2012 I Processo Seletivo PROVA II

Prova de Acesso Específico e Maiores de 23. Exame Modelo HISTÓRIA

1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, após encontro com a Senadora Ingrid Betancourt

Informação-Exame de Equivalência à disciplina de: História. 1. Introdução. 3º Ciclo do Ensino Básico. Ano letivo de 2011/12

o alargamento da união europeia em tempos de novos desafios

CARTA INTERNACIONAL. Indice:

Violações das regras do ordenamento do território Habitação não licenciada num parque natural EFA S13 Pedro Pires

CONSELHO DA EUROPA TRIBUNAL EUROPEU DOS DIREITOS DO HOMEM 2ª SECÇÃO. CASO MORA DO VALE E OUTROS contra PORTUGAL. (Queixa n.

E Entrevistador E18 Entrevistado 18 Sexo Masculino Idade 29anos Área de Formação Técnico Superior de Serviço Social

Projecto de Lei n.º 54/X

Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no hotel Skt. Petri

GUIA PRÁTICO PROVA ESCOLAR (Abono de Família para Crianças e Jovens e Bolsa de Estudo)

A dignidade da pessoa humana e os valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Atividade Mercosul da Marcha Mundial das Mulheres uma prática social da educação popular

CABO VERDE: A QUESTÃO UNIVERSITÁRIA E AS INSTÂNCIAS SUPERIORES DE PODER

alemão; espanhol; francês; inglês Dezembro de 2013

A REDAÇÃO PARA O ENEM: COMO FAZER? Professora Maureen

Palavras chave: Direito Constitucional. Princípio da dignidade da pessoa humana.

Seminário internacional Herança, identidade, educação e cultura: gestão dos sítios e lugares de memória ligados ao tráfico negreiro e à escravidão.

José Medeiros Ferreira. os açores. na política. internacional. Elementos. l i s b o a : tinta da china M M X I

PROBLEMA É IMPLEMENTAR LEGISLAÇÃO

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

Transcrição:

Exame Nacional do Ensino Secundário Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março Prova Escrita de História A 12.º Ano de Escolaridade Prova 623/Época Especial 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. 2011 Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta. Não é permitido o uso de corrector. Em caso de engano, deve riscar de forma inequívoca aquilo que pretende que não seja classificado. Escreva de forma legível a numeração dos grupos e dos itens, bem como as respectivas respostas. As respostas ilegíveis ou que não possam ser identificadas são classificadas com zero pontos. Para cada item, apresente apenas uma resposta. Se apresentar mais do que uma resposta a um mesmo item, apenas é classificada a resposta apresentada em primeiro lugar. As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova. Prova 623 Página 1/ 8

GRUPO I ALTERAÇÕES NOS COMPORTAMENTOS E NA CULTURA NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX Este grupo baseia-se na análise dos seguintes documentos: Doc. 1 «Da Dandy» Fotomontagem de Hannah Höch (1919) Doc. 2 As mulheres no tempo da Primeira República Documento 1 «Da Dandy» Fotomontagem de Hannah Höch (1919) Documento 2 As mulheres no tempo da Primeira República Com este ambiente de renovação e mudança, surgiu, em 1911, a primeira mulher funcionária na Junta de Crédito Público. As mulheres começavam a fazer valer os seus direitos. Proeminentes no movimento feminista foram Carolina Beatriz Ângelo, médica, e a escritora Ana de Castro Osório. Todas as crianças da minha geração as conheciam. Era algo de novo. A República mostrava a sua simpatia pela causa das mulheres. Naturalmente, a minha mãe e as senhoras da sua geração olhavam com desdém para estas «mulheres que macaqueiam os homens na rua, em vez de ficarem em casa a coser as meias do marido!» 1. Identifique três das características modernistas presentes no documento 1. 2. Explique, com base nos documentos 1 e 2, três dos aspectos que caracterizavam a nova imagem e o novo papel da mulher nas primeiras décadas do século XX. Identificação das fontes Doc. 1 http://faculty.dwc.edu/wellman/collages_at_this_site.htm (consultado em 4/03/2011) Doc. 2 H umberto Delgado, Memórias de Humberto Delgado, Alfragide, Publicações Dom Quixote, 2009 (edição original publicada em Londres, em 1964) Prova 623 Página 2/ 8

GRUPO II CONTINUIDADE E MUDANÇA DO REGIME POLÍTICO PORTUGUÊS APÓS 1945 Este grupo baseia-se na análise dos seguintes documentos: Doc. 1 Salazar e as eleições legislativas de 18 de Novembro de 1945 Doc. 2 O Movimento de Unidade Democrática (MUD) e as eleições legislativas de 18 de Novembro de 1945 Doc. 3 Julgamentos políticos nos Tribunais Plenários do Estado Novo (1945-1968) Doc. 4 Cartaz da candidatura oposicionista de Humberto Delgado à Presidência da República (1958) Documento 1 Salazar e as eleições legislativas de 18 de Novembro de 1945 Continuo a considerar perigosa em Portugal aquela democracia que toma a forma de um parlamentarismo partidário [...]. O meu horror a essa espécie de democracia não mudou. [...] A Constituição foi revista por uma Câmara que para esse efeito tinha [ ] poderes constituintes. Uma das modificações introduzidas foi a do aumento do número de deputados [ ]. O Governo entendeu que, publicando esta alteração, não poderia continuar a funcionar a Assembleia Nacional e propôs ao Chefe de Estado a sua dissolução e consequentemente novas eleições. [ ] Não fazemos eleições por ser moda, porque no-las aconselham ou imponham, mas quando constitucionalmente as devemos fazer [ ]. A novidade está agora apenas em que a lei eleitoral prevê, em vez de um círculo único, tantos círculos quantos os distritos e quantas as colónias. [...] Temos a oportunidade de, sem renunciar aos princípios fundamentais da Revolução Nacional, bater o próprio terreno do adversário. [...] As oposições não só podiam ir às urnas livremente, como se lhes deu inteira liberdade para defenderem as suas candidaturas e criticarem a obra do Governo. Documento 2 O Movimento de Unidade Democrática (MUD) e as eleições legislativas de 18 de Novembro de 1945 Ao iniciar-se o nosso movimento cívico, encontrávamo-nos em presença de uma nova lei eleitoral que tinha tornado possível, em teoria, a eleição de deputados da oposição; Salazar confirmou a intenção do governo de aceitar a discussão pública dos seus actos e de proceder a eleições em que o povo manifestasse livremente a sua vontade. [ ] Com a promulgação da lei eleitoral e dos diplomas anunciados, procurava-se obedecer às exigências do chamado «clima» favorável às democracias para que o país pudesse figurar na comunidade internacional sem o aspecto gritante e desconcertante de sobrevivência de sistemas banidos do convívio mundial. O problema consistia em saber se a obediência às exigências do tal «clima» era apenas formal ou se iria a ponto de permitir uma verdadeira readaptação do país às instituições democráticas. Acumularam-se factos sobre factos demonstrando que o Governo não quer realmente competir nas urnas com a oposição. [...] Salvo erro, começaram por uma intervenção da polícia em certos locais em que se encontravam listas para assinaturas de adesão. Foi o começo da intimidação. [ ] A Censura agravada tem sido um dos mais poderosos elementos de pressão governativa. Prova 623 Página 3/ 8

Documento 3 Julgamentos políticos nos Tribunais Plenários do Estado Novo (1945-1968) 50 Número de julgamentos 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 Anos Documento 4 Cartaz da candidatura oposicionista de Humberto Delgado à Presidência da República (1958) Prova 623 Página 4/ 8

1. Refira, a partir do documento 1, três dos princípios políticos do Estado Novo. 2. Compare, relativamente às eleições legislativas de 18 de Novembro de 1945, a perspectiva expressa no documento 1 com a perspectiva expressa no documento 2. 3. Desenvolva o seguinte tema: A sobrevivência do salazarismo entre 1945 e 1968. A sua resposta deve abordar, pela ordem que entender, três dos aspectos de cada um dos seguintes tópicos de desenvolvimento: mudanças políticas concretizadas pelo Estado Novo no imediato pós-guerra; oposição ao Estado Novo entre 1945 e 1958; manutenção do regime e das suas estruturas repressivas após 1945. Deve integrar na resposta, além dos seus conhecimentos, os dados disponíveis nos documentos de 1 a 4. Identificação das fontes Doc. 1 «O dr. Oliveira Salazar fala sôbre os problemas do momento» (entrevista a António Ferro), in O Século, 14 de Novembro de 1945 (adaptado) Doc. 2 «O Relatório da Comissão Central do M.U.D.», in Seara Nova, n.º 952, 10 de Novembro de 1945 (adaptado) Doc. 3 Fernando Rosas (Coord.), Tribunais Políticos. Tribunais Militares Especiais e Tribunais Plenários durante a Ditadura e o Estado Novo, Lisboa, Círculo de Leitores, 2009 (adaptado) Doc. 4 Cartaz da candidatura de Humberto Delgado (pormenor), in Joaquim Vieira, Portugal Século XX, Crónica em Imagens, 1950-1960, Lisboa, Círculo de Leitores, 2000 Prova 623 Página 5/ 8

GRUPO III O PROBLEMA DAS NACIONALIDADES NO MUNDO ACTUAL Discurso de João Paulo II* no 50.º Aniversário da Organização das Nações Unidas (5 de Outubro de 1995) 1 5 10 15 20 25 30 35 40 Nas vésperas de um novo milénio, somos testemunhas de uma extraordinária e global aceleração da procura de liberdade, que é uma das grandes dinâmicas da história do homem. Este fenómeno não é limitado a uma única parte do mundo, nem é expressão de uma única cultura. [ ] A dinâmica moral da procura universal da liberdade apareceu claramente na Europa Central e Oriental com as revoluções não-violentas de 1989. [ ] Cinquenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, é importante recordar que aquele conflito teve lugar por causa da violação dos direitos das nações. Hoje, o problema das nacionalidades apresenta-se numa nova perspectiva mundial, caracterizada por uma grande «mobilidade», que torna as próprias fronteiras étnico-culturais dos diversos povos cada vez menos definidas, sob a influência de numerosos factores, como as migrações, os mass media e a globalização da economia. E contudo, precisamente nesta perspectiva de universalidade, assistimos ao vigoroso renascimento de uma consciência dos particularismos étnico-culturais, como uma exigência imperiosa de identidade e de sobrevivência e como uma forma de contrabalançar as tendências uniformizadoras. [...] Os «direitos das nações» não são mais do que os «direitos humanos» considerados ao nível específico da vida comunitária. O direito de uma nação à existência é, sem dúvida, anterior a todos os seus outros direitos: ninguém nem um Estado, nem outra nação, nenhuma organização internacional pode legitimamente considerar que uma determinada nação não é digna de existir. Este direito fundamental à existência não exige necessariamente uma soberania estatal, dado que são possíveis várias formas de agregação jurídica entre diferentes nações, como, por exemplo, se verifica nos Estados federais, nas Confederações ou em Estados caracterizados por autonomias regionais alargadas. Podem até existir circunstâncias históricas em que a agregação de diversas nações num único Estado seja mesmo desejável, mas na condição de que isso aconteça num clima de verdadeira liberdade, salvaguardada pelo exercício da autodeterminação dos povos. O direito à existência implica, naturalmente, para cada nação, o direito à língua e à cultura próprias, pelas quais um povo exprime e promove o que eu designaria como a sua originária «soberania» espiritual. A história demonstra que, em circunstâncias extremas (como aquelas que se verificaram na terra onde nasci), é precisamente a sua própria cultura que permite a uma nação sobreviver à perda da sua independência política e económica. Cada nação tem, por consequência, também o direito de modelar a própria vida segundo as suas tradições, excluindo, naturalmente, qualquer violação dos direitos humanos fundamentais e, em particular, a opressão das minorias. Cada nação tem o direito de construir o próprio futuro, oferecendo às gerações mais jovens uma educação apropriada. [ ] Infelizmente, o mundo deve ainda aprender a conviver com a diversidade, como os recentes eventos nos Balcãs e na África Central nos têm recordado de maneira dolorosa. [...] Amplificado por ressentimentos de carácter histórico e exacerbado pelas manipulações de personagens sem escrúpulos, o temor da «diferença» pode levar à negação da própria humanidade do «outro», resultando daí uma espiral de violência [ ]. Isto também é válido, obviamente, quando o próprio princípio religioso é assumido como fundamento do nacionalismo, como infelizmente acontece em determinadas manifestações do chamado «fundamentalismo». * João Paulo II Papa de 1978 a 2005. Prova 623 Página 6/ 8

1. Identifique três dos direitos que, na perspectiva do Papa João Paulo II, devem ser reconhecidos às nações. 2. Explique três dos aspectos que, no contexto do debate do Estado-nação, justificam a afirmação «assistimos ao vigoroso renascimento de uma consciência dos particularismos étnico-culturais» [linhas 12 e 13]. Identificação da fonte In L Osservatore Romano (ed. portuguesa), 14 de Outubro de 1995 (adaptado) FIM Prova 623 Página 7/ 8

COTAÇÕES GRUPO I 1.... 20 pontos 2.... 30 pontos 50 pontos GRUPO II 1.... 20 pontos 2.... 30 pontos 3.... 50 pontos 100 pontos GRUPO III 1.... 20 pontos 2.... 30 pontos 50 pontos TOTAL... 200 pontos Prova 623 Página 8/ 8