Aula 7 - Primavera Árabe

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Transcrição:

Aula 7 - Primavera Árabe

Árabe ou muçulmano? Árabe: Etnia majoritária na península arábica e norte da África. Podem ou não ser muçulmanos. Há importantes minorias cristãs entre os árabes, podendo chegar a 10% em alguns países como Egito e Síria. Muçulmano ou islâmico: Muçulmano ou islâmico: seguidor da religião islâmica/muçulmana. A religião surgiu entre os árabes, mas hoje engloba diversas outras etnias. Ou seja, nem todo muçulmano é árabe. Irã e Turquia: muçulmanos sem ser árabes.

Primavera Árabe: definição Termo criado pela mídia ocidental para caracterizar as várias revoluções e os protestos que tiveram início em 2011. O termo faz referencia à Primavera dos Povos de 1848 e à Primavera de Praga de 1968. Surgimento de algo novo, renovação, recuperação: movimentos espontâneos e populares de um povo contra o seu próprio governo.

Primavera Árabe: fatores Origem: soma de fatores locais e globais Colonização europeia. Independências negociadas: na maioria dos países a metrópole europeia (em geral Reino Unido e França) escolheu quem seria o novo líder dos países independentes. Formação de governos autoritários pró-ocidentais na maioria dos países (monarquias e ditaduras). Independência política com manutenção de dependência econômica.

Primavera Árabe: fatores Guerra Fria manteve o esquema de dependência em relação a potências externas. Impossibilidade de protestar: ditaduras e governos absolutos não abriram espaço para o diálogo com o povo. Oposição pacífica foi perseguida e destruída ou jogada na marginalidade. Atraso econômico e falta de liberdades civis em todos os campos. Internet: possibilitou uma nova forma de organizar os protestos e veicular as ideias dos manifestantes.

Autoritarismo no mundo árabe Interesse externo/ocidental: manter a exploração econômica que era realizada nos tempos coloniais, apoio a grupos autoritários ao invés de grupos democráticos. Grupos democráticos ou nacionalistas buscariam um novo modelo econômico, mais benéfico para o país e seu povo, prejudicando os interesses externos. Existe uma relação de interdependência e de interesses mútuos entre as elites políticas locais e seus apoiadores externos: elite local precisa do apoio externo; poderes externos mantém e exploração da região.

País - região População Média etária Desemprego Pobreza Marrocos 31 milhões 27 9,80% 15% Argélia 34 milhões 27 10% 23% Tunísia 10 milhões 30 14% 3,80% Líbia 6,4 milhões 24 30% 30% Egito 80 milhões 24 9,70% 20% Jordânia 6,4 milhões 22 13% 14% Iêmen 23 milhões 18 35% 45% Bahrein 740 mil 30 15% n.d. Arábia 25 milhões 25 10% n.d. Síria 22 milhões 21,5 8,30% 11% GAZA 1,6 milhões 17 40% 70% CISJORDÂNIA 2,5 milhões 21 16,50% 46% Iraque 29 milhões 20,5 15% 25%

Primavera Árabe: início Crise econômica nos EUA e Europa afetou diretamente as economias e governos árabes: - Queda no turismo. - Queda nas exportações. - Queda nos investimentos externos. - Desemprego na Europa: queda nas remessas de dinheiro dos imigrantes de volta para suas famílias nos países de origem.

Primavera Árabe: início Alta nos preços dos alimentos também contribui

Tunísia: primeira revolta. Primavera Árabe: início Estopim: suicídio de um vendedor ambulante anteriormente desempregado e agredido pela polícia. Queda do governo tunisiano repercutiu nos países vizinhos e deflagrou protestos semelhantes. Os protestos apresentavam características básicas semelhantes, mas com a adição de fatores locais que devem ser analisados caso a caso. Internet e mídias sociais: mobilização/divulgação.

Primavera Árabe: demandas Emprego. Desenvolvimento social e econômico. Liberdade de expressão. Liberdade política, com redução dos poderes dos monarcas/ditadores e outras mudanças estruturais. Em alguns casos, pediu-se a renúncia do monarca. Cada governo reagiu de uma forma distinta.

Primavera Árabe: temores e cenário geral Temor: ascensão de grupos extremistas. Grupos extremistas costumam ser bem organizados, passaram décadas fazendo oposição aos governos e tem popularidade em partes da sociedade. Quando há vácuo de poder ou guerra civil, tais grupos tendem a se destacar. Maioria dos governos afetados pela crise a partir de 2011 permaneceu no poder e fez pequenas concessões. Tensões permanecem e podem levar a novos conflitos mesmo nos países considerados pacificados. Apoio externo aos governos autoritários continua.

Primavera Árabe: temores e cenário geral Temor: ascensão de grupos extremistas. Grupos extremistas costumam ser bem organizados, passaram décadas fazendo oposição aos governos e tem popularidade em partes da sociedade. Quando há vácuo de poder ou guerra civil, tais grupos tendem a se destacar. Maioria dos governos afetados pela crise a partir de 2011 permaneceu no poder e fez pequenas concessões. Tensões permanecem e podem levar a novos conflitos mesmo nos países considerados pacificados. Apoio externo aos governos autoritários continua.

Regiões mais afetadas e sua importância Tunísia: país pioneiro nas revoltas. Hoje a Tunísia é uma democracia apesar de apresentar ainda um cenário econômico e político instável. Única revolta que efetivamente derrubou o governo e instalou uma democracia. Chegada ao poder de um governo moderado gerou revolta em alguns setores mais conservadores religiosamente (grupos que buscavam trocar a ditadura por uma teocracia). Tunisianos são muito comuns em grupos extremistas como o Estado Islâmico.

Regiões mais afetadas e sua importância Egito: queda do governo Mubarak (pró-ocidente), aliado dos EUA e de Israel. O país passou por diversas fases e voltou a ser governado por militares em 2013: marechal Al Sisi. A região da península do Sinai está fora do controle do governo, enfrenta uma revolta por parte de grupos locais e é também utilizada por grupos extremistas. A posição geográfica do Egito é fundamental para a navegação comercial e militar mundial já que o país controla o Canal de Suez.

Regiões mais afetadas e sua importância Síria: Forte repressão do governo Assad se prolonga desde 2011 até hoje. Guerra civil aos poucos foi mudou de natureza e abriu espaço para extremistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico. Refugiados se espalham pela região (destaque para Líbano e Turquia) e chegam à Europa. Apoio externo se divide. Ocidente busca grupos locais moderados, Rússia apoia o governo Assad na luta contra todos os rebeldes.

Regiões mais afetadas e sua importância Líbia: Revolta tornou-se uma sangrenta guerra civil, que terminou com a morte do ditador Kadafi. OTAN apoiou abertamente os grupos rebeldes. País continuou instável após a queda do governo. Presença de grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico. País encontra-se à beira de uma guerra civil, o Estado deixou de ser operante, diversas milícias e grupos armados dividem o território. Líbia é um dos maiores pontos de embarque de clandestinos para a Europa.

Regiões mais afetadas e sua importância Iêmen: a crise levou à deposição do antigo governante após conflitos armados. Novo governo não implantou mudanças: revolta prolongou-se e dividiu a população. Minoria houthi xiita iniciou uma revolta de caráter étnico religioso e hoje controla a capital e partes importantes do país. Envolvimento externo (Irã e Arábia) complica o quadro interno.

Regiões mais afetadas e sua importância Além das revoltas específicas a Primavera Árabe somou-se a outras questões locais preexistentes, agravando algumas questões. Destaques: - Questão curda: curdos são uma etnia sem Estado que luta para criar o Curdistão. Estão presentes na Síria, Iraque, Irã e Turquia. - Guerra civil no Iraque (desde a invasão estadunidense em 2003): instabilidade no Iraque somou-se à instabilidade na Síria e criou o terreno para o surgimento do grupo Estado Islâmico.

Primavera Árabe Principais relações Tunísia Egito Líbia Iêmen Síria Primavera Árabe Síria Guerra civil Refugiados rumo à Europa através dos eixos Turquia- Grécia ou Líbia/Tunísia- Itália Turquia Crise interna Curdos Etnia sem Estado Cessar - fogo Estado Islâmico Extremismo religioso Reivindica ataques na Europa Irã Iraque Guerra civil