Continuação... Processo de Salário Maternidade (aula anterior): 5000574-89.2015.4.04.7201/SC (4 Região JEF/SC) Cálculos Previdenciários Até a edição da MP 871/19, nós só falamos da incidência de prazo decadencial sobre a revisão de ato de concessão. Quando estamos falando de reajustamento, não incide prazo decadencial, porque o art. 103 da LB fala da decadência quando estamos falando do ato de concessão. A MP 871/19 expandiu as hipóteses de incidência de prazo decadencial. Antes da MP 871/19 só incidia prazo decadencial sobre ato de concessão, logo não se fala em aplicar prazo decadencial quando o assunto for concessão de benefício. Revisão de ato de concessão incluindo no processo um fato novo (que não estava na concessão do benefício). Ex.: Em reclamação trabalhista posterior a concessão da aposentadoria, o reclamante obtém mais 2 anos tempos de contribuição. Se incluir esse tempo, na maior parte dos casos, isso vai alterar o valor do benefício. Quando queremos incluir esse período no cálculo do benefício é revisão do ato de concessão? Sim!!!!!! Mas sobre essa questão o INSS não decidiu na origem, inclusive por ser fato novo. Podemos inserir essa informação no ato de concessão sem a incidência do prazo decadencial? A posição do STJ atual entende que sim! Mas temos no STJ o tema 975 pendente de julgamento em que o STJ vai julgar em sede de repetitivo a questão. Fora o tema 975, temos outra possibilidade: decadência e retroação da DIB para concessão de um melhor benefício.
DECADÊNCIA RETROAÇÃO DE DIB MELHOR BENEFÍCIO Até a EC 20/98 tínhamos a aposentadoria por tempo de serviço proporcional. A mulher poderia se aposentar aos 25 anos de tempo de serviço e o homem aos 30 anos. A alíquota na aposentadoria proporcional era reduzida: seria de 70% acrescida de 6% por ano adicional trabalhado até o limite de 100%. A EC20/98 acaba com a aposentadoria por tempo de serviço. Passamos a ter a aposentadoria por tempo de contribuição. Vamos pensar que um homem, um dia antes de EC 20/98 possuía 32 anos de tempo de serviço. Na regra anterior, ele teria direito a uma aposentadoria de 82%. Ele resolve trabalhar um pouco mais para fechar os 100%. Em 2001 ele completa os 35 anos para ter direito a 100%. Em 2001 já tínhamos a EC 20/98, já tínhamos o fator previdenciário. O INSS concede o benefício para ele em 100%, mas com o fator previdenciário que esse exemplo seria de 0,65. Perceba que antes da EC 20/98 ele já tinha direito a concessão de um benefício de 82%. Já em 2001, com 3 anos a mais de contribuição, devido ao fator, o benefício dele seria de apenas 65%. Ele tem o direito à concessão do melhor benefício! A alteração dessa alíquota seria revisão de benefício? Perceba que isso não é uma revisão do ato de concessão, e sim a pretensão de concessão de um benefício mais vantajoso! Se fosse revisão incidiria prazo decadencial, mas não é revisão! É concessão! RE 630.501 RS : Direito Adquirido ao melhor benefício. Porém, no tema 966 o STJ entendeu que se aplica a decadência na concessão do melhor benefício. Se o STJ entendeu que nesse caso se aplica a decadência, corremos um risco grande da decisão ir nesse sentido no tema 975. Novidades da MP 871/19: - Vamos somar as contribuições no cálculo de atividades concomitantes. - O auxílio-acidente não mantem mais a qualidade de segurado. Art. 103 foi muito alterado. Art. 103 da LB: O prazo de decadência do direito ou da ação do segurado ou beneficiário para a revisão do ato de concessão, indeferimento, cancelamento ou cessação de benefício, do ato de deferimento, indeferimento ou não concessão
de revisão de benefício é de dez anos, contado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 871, de 2019) I - do dia primeiro do mês subsequente ao do recebimento da primeira prestação ou da data em que a prestação deveria ter sido paga com o valor revisto; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 871, de 2019) II - do dia em que o segurado tomar conhecimento da decisão de indeferimento, cancelamento ou cessação do seu pedido de benefício ou da decisão de deferimento ou indeferimento de revisão de benefício, no âmbito administrativo. (Incluído pela Medida Provisória nº 871, de 2019) Falamos até agora que apenas haveria incidência de prazo decadencial quando estivéssemos falando de revisão do ato de concessão. Falamos então que não havia prazo decadencial sobre a concessão do benefício. Imagine que seu pai faleceu em 2002, sua mãe poderia hoje requerer o benefício? Sim. Vamos mudar a pergunta: seu pai faleceu em 2002, sua mãe requereu a pensão por morte e o INSS negou. Hoje ela pode fazer uma revisão daquele ato de indeferimento? Olhando para a nova redação do art. 103 da LB, não poderia. Mas ela pode fazer um novo pedido de benefício? Se respondermos que ela não pode fazer um requerimento novo, temos a decadência do ato de concessão Muitos professores estão entendendo que não poderia fazer o pedido novamente. O professor, porém, não se convenceu dessa posição. O Professor defende que o art. 103 diz que está escrito que só não pode mais revisar o ato de indeferimento depois de 10 anos. Ele entende que não poderia ingressar com o pedido visando a revisão do ato de indeferimento, mas que poderia fazer um pedido novo. Ex.: Seu pai faleceu em 2002 e ela tomou ciência do indeferimento também em 2002. O prazo decadencial expiraria em 2012. Porém, nessa época não havia prazo decadencial! Professor defende que o prazo começa a contar do dia em que o segurado tomou ciência do indeferimento. Então, nesse caso, o prazo decadencial passaria a contar desde quando? O art. 103 da LB na sua redação original tem vigência com a MP 1523/97. Vimos na aula passada que para os benefícios que foram concedidos antes dessa MP a regra é de que eles nunca deveriam estar sujeitos a prazo decadencial. Mas o STF decidiu que incide, mas que o prazo decadencial começaria a contar da MP 1523. Professor acredita que devemos aplicar essa mesma lógica.
PRAZO PRESCRICIONAL Afeta apenas as parcelas devidas no período anterior a 5 anos. A prescrição surgiu no Decreto 20.910/1932 e ela sempre foi de 5 anos. Prescrição não afeta o fundo de direito e sim as parcelas devidas e não pagas no período oportuno. Art. 573, 3º, da IN 77/2015: Na restituição de valores pagos indevidamente em benefícios será observada a prescrição quinquenal, salvo se comprovada má-fé. Perceba que a IN 77/18 diz que não incide prescrição se comprovada a máfé. Nesse caso, se agiu de má-fé, a IN entende que você deveria devolver todas as parcelas! O inverso também deveria ser aplicado contra o INSS, e quando o INSS age de má-fé? Quando não cumpre a lei! SÚMULA 85 STJ: Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a fazenda pública figure como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior a propositura da ação. Perceba que a redação diz: se o direito não foi negado, conta-se 5 anos. E ao mesmo tempo, no inverso diz: se o direito foi negado não aplico a partir da propositura. Ex.: benefício concedido em 2010. Em maio de 2019 entrei com a ação judicial, a princípio, só poderia pedir as parcelas a partir de maio de 2014, ou seja, a partir da distribuição da ação. Ex2.: Mesmos períodos do exemplo acima, porém, em maio de 2017 entrei com o pedido de revisão administrativo no INSS. Quando fazemos esse pedido de revisão, a prescrição suspende. A revisão foi negada em maio de 2018. Nesse caso, eu poderia cobrar os últimos 5 anos a partir do pedido de revisão administrativo, ou seja, a partir de maio de 2017, então tenho direito aos atrasados desde maio de 2012. Então se tenho um pedido administrativo negado, o prazo prescricional conta dos 5 anos anteriores ao pedido de revisão administrativo.
Se não pedi a revisão administrativamente, o prazo começa a contar do ajuizamento da ação. Suspensão do prazo prescricional: Ex.: O segurado entrou com pedido de revisão do IRSM. Em 2016 o INSS aplicou a revisão por determinação judicial. Mas o INSS aplicou também a revisão do teto. E elevou o benefício para R$ 4mil. Na execução o contador fez o calculo aplicando as duas revisões (o teto não era objeto da ação). O INSS questionou, pois o teto não era objeto da ação. O juiz deu razão ao INSS, já que o teto de fato não era objeto da ação. Deveria ser discutido em outra ação. Mas e a prescrição? Durante o período em que o INSS está calculando o que te deve não incide prescrição (art. 4º, Dec. 20.910/1932) Art. 4º, Dec. 20.910/1932: Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. Ao fazer o requerimento, o prazo de prescrição suspende. Não importa quando tempo demorar. A não ser que a demora ocorra por causa do segurado. Art. 240, 1º do CPC - A prescrição se interrompe pela citação válida. Se relaciona com a súmula 85 do STJ. 1º do CPC diz que é a citação que interrompe, só que posteriormente o CPC também vai dizer que os efeitos retroagem a data da propositura da ação. Art. 7º, Dec. 20.910/1932 A prescrição não será interrompida se por qualquer motivo o processo tenha sido anulado. A interrupção da prescrição só pode ocorrer uma única vez - Art. 8º, Dec. 20.910/1932 c/c Art. 3º do Dec.-Lei 4.597/1942 c/c Art. 202 do CC. Se a autarquia revisar o benefício administrativamente por ato inequívoco, também suspende a prescrição. Art. 202, VI, do CC.
REINÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL INTERROMPIDO OU SUSPENSO Quando a prescrição é interrompida, a prescrição recomeça a correr do ato que a interrompeu ou do último ato do processo para a interromper. Se recomeça é do início. Art. 202, único, do CC. Art. 9º, Dec. 20.910/1932: A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Ex. O INSS revisou meu benefício em 2016 interrompendo a prescrição. Ele deveria pagar os atrasados desde 2011. Só que até hoje, em 2019 ele ainda não pagou. Pergunta, podemos entrar com ação para cobrar esses atrasados oriundos dessa revisão administrativa? Se a prescrição foi interrompida ela começa a contar como? Recomeça pela metade. Logo de 2016, teríamos mais 2 anos e meio. Terminaria em meados de 2018. Professor entende que mesmo assim em 2019 poderíamos entrar com a ação, já que o art. 4º, Dec. 20.910/1932 vai dizer que não ocorre a prescrição enquanto a administração está apurando os valores. Súmula 383 STF: A prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a interrompa durante a primeira metade do prazo. Ex. Em jan/2010 o benefício foi concedido. Em jan/2012 o benefício foi revisto. Pelo Art. 9º, Dec. 20.910/1932, para achar a prescrição, deveria contar 2,5 anos dali. Porém, o prazo prescricional nunca pode ser menor que 5 anos. Nesse exemplo entre jan/2010 e jan/2012 temos 2 anos. Se somarmos com 2,5 anos chegamos a 4,5 anos. Então não vou contar 2,5 anos após jan/2012 e sim 3 anos, para fechar os 5 anos
Necessidade de Prévio Requerimento Administrativo Tema 350 do STF. 1) Não é necessário o exaurimento da via administrativa. 2) A exigência de prévio requerimento administrativo não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado 3) Na hipótese de pretensão de revisão, restabelecimento ou manutenção de benefício anteriormente concedido, considerando que o INSS tem o dever legal de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser formulado diretamente em juízo salvo se depender da análise de matéria de fato ainda não levada ao conhecimento da Administração. Alíquotas de Benefícios Auxílio-Acidente (B/36 ou B/94) 50% Auxílio-Doença (B/31 ou B/91) 91% Aposentadoria Por Invalidez (B/32 ou B/92) 100% Aposentadoria Por Tempo de Cont. (B/42) 100% Aposentadoria Especial (B/46) 100% Aposentadoria Por Idade (B/41) A partir de 70% até no máximo 100% Pensão Por Morte (B/21 ou B/93) e Auxílio-Reclusão (B/25) 100% Salário de Benefício: média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição e se for o caso, multiplicado pelo fator previdenciário. RMI: Salário de Benefício X Alíquota do benefício. O salário de contribuição não pode ser menor que o salário mínimo e nem maior do que o teto.
A atual forma de cálculo do salário de benefício passou a vigorar em nov/1999, com a publicação da Lei 9.876/99. Antes o salário de benefício era calculado pela média aritmética simples dos últimos 36 salários de contribuição. Aposentadoria por tempo de contribuição Revisão de fato Professor disponibilizou uma carta de concessão na plataforma. Analisando essa carta de concessão, observamos que o segurado possui 259 salários de contribuição após jul.1994. Vamos descartar os 20% menores. Então vamos usar os 207 maiores salários de benefício. Somando todos os 207 salários de contribuição encontramos o valor de R$ 997.982,59. Dividindo esse valor por 207 encontramos R$ 4.821,17. R$ 4.821,17 equivale a média, para achamos o salário de benefício, preciso pegar esse valor e multiplicar pelo fator previdenciário que nesse caso é de 0,7256. Logo, o salário de benefício é R$ 3.498,24. Para achar o RMI, pego o SB e multiplico pela alíquota do benefício, nesse exemplo é de 100%. Logo, a RMI é R$ 3.498,24.
O fator previdenciário na aposentadoria por idade só se aplica se ele for positivo.