Pº R.P. 177/2008 SJC-CT- Conversão de prédio ou fracção autónoma para sistema informático na pendência de pedidos de conversão e renovação Apresentação de petição de recurso hierárquico pela via da telecópia Falta de pagamento do emolumento de recurso hierárquico Notificação para pagamento Âmbito do processo de impugnação de decisões registrais. DELIBERAÇÃO Relatório: A. A fracção autónoma descrita na ficha nº 804 - G integra um prédio com registo de aquisição a favor de., Ldª (Ap. 2, de 1994/05/12), de ora em diante designada por LDA. Pela inscrição F-1 (Ap. 20/300698), o ora recorrente obteve registo de arresto daquela fracção autónoma (e de outras) no Pº 310/98 do 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de., em que foi requerida LDA. Pela inscrição F-2 (Ap. 16/090300) a SA obteve registo de penhora da mesma fracção autónoma (e de outras) no Pº nº 435/99, também do 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de, que respeita a autos de execução ordinária (da hipoteca voluntária registada na ficha da descrição genérica Ap. 8 de 1994/12/27?) em que foi executada LDA. Naqueles autos de execução ordinária nº 435/99 a fracção autónoma em causa foi (com outras) adjudicada à SA, tendo a aquisição sido registada na ficha da descrição subordinada em G-1 (Ap. 06/200701). Oficiosamente, foi cancelado o já falado registo de arresto F-1. Em 5 de Novembro de 2002 (Ap. 55) foi registada em F-4, provisoriamente por natureza (art. 92º, nº 2, a)), a penhora da dita fracção autónoma, efectuada em 2 de Outubro de 2002 na execução sumária nº 768-B/1999 do 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de, em que é exequente o ora recorrente e executada LDA. Se bem ajuizamos, resulta da documentação junta aos presentes autos de recurso hierárquico que esta penhora mais não é do que a conversão (em penhora) do já citado arresto registado em F-1 (o Pº 310/98 terá transitado do 2º Juízo para o 1º Juízo do Tribunal Judical de ). 1
Em 07.02.2003 foi anotada àquela inscrição F-4 a data da declaração do titular inscrito (SA) de que o bem lhe pertencia, e em 10.09.2003 foi anotada à mesma inscrição a caducidade do registo. Nesta mesma data (10.09.2003) foi registada em G-2 (Ap. 27) a aquisição da fracção autónoma em causa a favor de Ana Paula. e outros, por compra à SA, e a favor desta hipoteca constituída pelos sujeitos activos daquela inscrição de aquisição (C-1 Ap. 28). Em 15 de Julho de 2004 foi registada em F-5 (Ap. 08), provisoriamente por dúvidas, decisão judicial de declaração de nulidade dos actos de venda/adjudicação de 5 fracções autónomas (D, F, G, X e Y) do prédio da ficha nº 804. Este registo caducou (F-5 An. 02 2005.05.09). Em 9 de Fevereiro de 2006 foi registada em F-6 (Ap. 20) decisão judicial de declaração de nulidade do acto de venda/adjudicação da fracção autónoma G a favor da SA. B. As citadas inscrições de decisão judicial F-5 e F-6 não nos esclarecem sobre os contornos mínimos dos factos inscritos (desde logo, são omissas quanto aos sujeitos), pelo que importa consultar os respectivos títulos. Que nos dizem eles? Desde logo, a decisão judicial é a mesma em cada uma daquelas inscrições (na insc. F-6 limitada à fracção autónoma G). Esta decisão judicial foi proferida em 30.05.2003 no Pº 435-A/, apenso aos já falados autos de execução (hipotecária) ordinária com o nº 435/99, do 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de, a pedido precisamente do ora recorrente, que naqueles autos e na qualidade de credor reclamante arguiu diversas nulidades, dentre elas a nulidade do acto da venda (tratou-se antes, no que toca à fracção G, de adjudicação) da fracção autónoma em causa (e de outras). A douta decisão judicial veio reconhecer que nos autos não foi dado cumprimento ao disposto no art. 869º, nº 3, 2ª parte do C.P.C. (com a redacção dada pelo D.L. nº 38/2003, de 08.03, art. 869º,nº 6, 2ª parte), tendo sido em consequência omitidas formalidades legalmente prescritas (art. 886º-A, do C.P.C.) que podem ter influenciado na decisão da causa, no que à venda se refere, «pelo que se declara a nulidade ( ) e de todo o processado posteriormente, nomeadamente do acto de 2
venda/adjudicação das fracções D, F, G, X e Y identificadas a fls 56-57 (art. 909º, nº 1, c) do Código de Processo Civil), bem como o consequente cancelamento de eventuais registos entretanto efectuados quanto às referidas fracções», «tudo sem prejuízo do estabelecido no art. 909º, nº 3, do Código de Processo Civil, bem como eventualmente do art. 887º, nº 2 [com a Reforma do citado D.L. nº 38/2003, art. 887º, nº 3] do Código de Processo Civil». Esta decisão proferida, como se disse no Pº 435-A/ transitou em julgado em 23.06.2003. Porém, em 05.03.2004, o Mmo. Juiz, considerando aquela decisão tomada no apenso, veio no Pº 435/ proferir novo despacho. Neste despacho - considerando que, em face daqueloutra decisão de 30.05.2003, haveria que proceder ao cancelamento dos registos efectuados, bem como à inscrição de tal decisão no registo o Mmo. Juiz mandou oficiar à Conservatória do Registo Predial de a fim de «( ) 3) Quanto à fracção G, por ora 3.1) fazer constar do registo a decisão proferida a fls 179, nomeadamente, que no âmbito do Processo nº 435/ do 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de.foi declarado nulo o acto de adjudicação a favor da SA da fracção G (a fracção G havia sido adjudicada à Exequente SA. Compulsada a certidão registral, constata-se que a Exequente SA vendeu entretanto a fracção G. Assim, por ora, afigura-senos que deverá ser inscrita no registo a decisão proferida a fls 179)». Neste novo despacho, o Mmo. Juiz mandou solicitar à Conservatória do Registo Predial de.certidão dos documentos que estiveram na origem do registo de aquisição G-2 (Ap. 27/20030910), já referido. Para completa compreensão deste douto despacho, importa ainda referir que, relativamente a outras fracções autónomas atingidas pela declaração de nulidade da adjudicação/venda executiva, o Mmo. Juiz não tomou exactamente a mesma posição. Por exemplo, relativamente à fracção autónoma Y, mandou que se solicitasse à Conservatória não só o registo da decisão judicial mas também o cancelamento da inscrição a favor do adquirente na venda executiva e o cancelamento de dois averbamentos, dentre os quais o averbamento de cancelamento do registo de arresto (não confirmámos se se trata do mesmo registo de arresto a favor do ora recorrente). Mas quanto à fracção autónoma X, em que a venda executiva não tinha ainda sido registada, entendeu o Mmo. Juiz 3
que, apesar disso, a decisão judicial, mas apenas esta, deveria ser registada. Este despacho transitou em julgado em 25.03.2004. O registo da decisão judicial F-6 foi pedido pelo Tribunal Judicial da Comarca de, com base em certidões dos despachos anteriormente referidos e ainda em certidão do despacho de 10.10.2005 proferido nos mesmos autos de execução ordinária nº 435/1999, do qual consta que os sujeitos activos da inscrição G-2 (Ap. 27/20030910) vieram pedir «a declaração da inoponibilidade da decisão de 23.5.2003 [mais exactamente, de 30.05.2003] que anulou a venda judicial [mais exactamente, a adjudicação] da fracção G( )» e que «Antero, credor reclamante, pronunciou-se pelo indeferimento do requerido e pela renovação do pedido de cancelamento do registo de aquisição a favor da SA e dos requerentes» (sublinhado nosso), e ainda o seguinte: «A questão que se nos coloca não pode ser decidida nos presentes autos de execução. Carece de formalismo processual adequado ao reconhecimento do direito ora invocado. E, por isso, indefiro a requerida declaração de inoponibilidade. Notifique. Por outro lado, foi proferido nos presentes autos despacho judicial, transitado em julgado, que se impõe registar. Notificados que foram [forem] os titulares inscritos no registo, expeça certidão à Conservatória do Registo Predial fazendo menção desse facto, a fim de se dar cumprimento ao ordenado a fls 277v [despacho de 05.03.2004, em que manda solicitar o registo da decisão judicial] ( )». C. O registo da conversão do arresto lavrado pela inscrição F-1 (Ap. 20/300698) tem por base certidão extraída do Pº 768-B/1999, do 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de, que contém cópia do auto de arresto de 29.06.98 no Pº 310/98 2º Juízo Cível no qual foi exarada a seguinte cota: «a) Convertido em penhora por despacho proferido a folhas 5 dos autos de Execução de Sentença apenso B 2002.10.02». Os pedidos de registo (de conversão do arresto em penhora e da renovação do registo, agora de penhora) foram recusados. O primeiro porque esta inscrição já não está em vigor, por ter sido cancelada na 4
dependência da Ap. 6 de 2001/07/20 [art.s 10º, 68º, 69º, nº 2, e 101º, nº 2, a), do C.R.P.), e o segundo precisamente pela mesma razão (a inscrição já não está em vigor art.s 10º, 12º, 68ºe 69º, nº 2, do C.R.P.). A ficha da fracção autónoma foi convertida para o sistema informático. Na nova ficha não foi reproduzida a inscrição de arresto F-1 e os averbamentos das respectivas vicissitudes (Av. 1, de conversão em definitivo, e Av. 2, de cancelamento), mas apenas anotada a recusa da conversão do arresto em penhora e a recusa da renovação do registo. D. Dos despachos de qualificação vem interposto o presente recurso hierárquico, cujos termos aqui se dão por integralmente reproduzidos. A Senhora Conservadora exarou despacho de sustentação das qualificações impugnadas, cujos termos também aqui se dão por integralmente reproduzidos. A Senhora Conservadora refere que a petição de recurso foi enviada por telecópia em 14.08.2008 e que, atendendo à hora em que foi recebida (15.28) decidiu apresentar a petição, apesar de ter dúvidas quanto à aplicação ao caso do disposto nos art.s 41º-C, nº 2, do C.R.P., e 6º da Portaria nº 621/2008, de 18.07. Refere ainda a recorrida que, contactado o recorrente, este juntou em 22.08.2008 o original da petição de recurso e pagou o emolumento do art. 27º, 5.1 do R.E.R.N.. O que figura nos presentes autos de recurso hierárquico é o original da petição. E. Questões prévias. Partindo do pressuposto que se nos afigura incontroverso de que ao processo de impugnação das duas decisões registais se aplica o regime que resulta da Reforma do Registo Predial introduzida pelo D.L. nº 116/2008, de 4 de Julho, ainda que ao correspondente processo de registo tenha sido aplicado o direito pregresso, os autos suscitam-nos duas questões prévias. Brevitatis causa tentaremos abordá-las. 5
1ª. Como se interpõe (apresenta) a petição de recurso hierárquico ou a petição de impugnação judicial? O título VII do Código do Registo Predial, que regula o processo de impugnação das decisões do conservador, é (e era) omisso a tal respeito. Apenas nos diz que a interposição do recurso hierárquico ou da impugnação judicial considera-se feita com a apresentação da petição no serviço de registo (cfr. Art. 142º, nº 2, do C.R.P.). O direito subsidiário é agora o Código do Procedimento Administrativo (cfr. Art. 147º-B, do C.R.P.), e este diz-nos que a possibilidade de remessa do requerimento por via postal está condicionada pelo seu envio registado e com aviso de recepção, excluindo a expressão correio, ínsita na lei, o recurso a telecópias ou telegramas (cfr. Art. 79º do CPA, e Esteves de Oliveira et alli, in Código do Procedimento Administrativo, 2ª ed., 2005, pág. 391). Mas deverá ser aplicado, nesta sede, o disposto no art. 79º do CPA? Salvo melhor opinião, cremos que não deve. O citado art. 147º-B do Código do Registo Predial não manda aplicar directa ou automaticamente o Código do Procedimento Administrativo ao processo de impugnação das decisões registais. A aplicação daquele Código é subsidiária, portanto, apenas nos casos em que no Código do Registo Predial não existam normas que, por aplicação directa ou teleológica, abranjam as situações de facto em presença. Ora, o Código do Registo Predial prevê no art. 41º-B diversas modalidades de «apresentação» do pedido de registo (pessoal, por via electrónica, pelo correio, por telecópia e por via imediata). Retorquir-seá: mas a petição de recurso hierárquico ou de impugnação judicial não é um pedido de registo. Realmente não é, verdadeiramente, um pedido de registo, antes será pedido de requalificação de pedido de registo já «apresentado». No entanto, tal petição sempre contém um pedido (implícito) de registo, que é o de anotação na ficha do prédio da interposição do recurso hierárquico ou da impugnação judicial (cfr. Art. 148º, nº 1, C.R.P.). De qualquer modo, a unidade do sistema registral demanda que sejam as mesmas as vias de «apresentação» no serviço de registo dos pedidos de registo e das petições de impugnação das decisões registais. Em face do exposto, é nossa convicção que a petição de recurso hierárquico ou de impugnação judicial pode ser «apresentada» por 6
telecópia, nos termos do disposto no art. 6º da Portaria nº 621/2008, de 18 de (cfr. art. 41º-C, nº 2, do C.R.P.).. Dos autos não consta a cópia (enviada por fax) da petição de recurso. No entanto, o original está subscrito por advogado e contém o respectivo carimbo, pelo que é legítimo presumir que o envio por telecópia da petição de recurso foi efectuado por advogado. Por outro lado, o documento que instruiu a petição de recurso, e que também foi transmitido por telecópia, é da autoria do serviço de registo recorrido, pelo que se torna no caso irrelevante a omissão na petição de recurso de que os documentos transmitidos por telecópia estão conformes com o respectivo original (cfr. art. 6º, nº 2, da citada Portaria nº 621/2008). 2ª. Quando deve ser pago o emolumento devido pela interposição do recurso hierárquico? Para respondermos, teremos de responder previamente àqueloutra questão de saber se a interposição de recurso hierárquico é um «acto» para efeitos do disposto no art. 151º, nº 1, do C.R.P., que nos diz que os emolumentos e taxas devidas pelos actos praticados no serviço de registo são pagos em simultâneo com o pedido ou antes deste. A resposta afigurase-nos linear: a interposição de recurso hierárquico é um acto (aliás, como já anteriormente referimos, contém um pedido implícito de registo) praticado no serviço de registo, pelo que o emolumento deve ser pago no acto de «apresentação» da petição de recurso ou antes dele. Concluímos, assim, que o emolumento deveria ter sido pago por transferência bancária para a conta indicada no sítio www.predialonline.mj.pt, nos termos previstos no nº 4 do art. 6º da citada Portaria nº 621/2008. Não tendo sido pago o emolumento, seria caso de rejeição da apresentação nos termos do disposto no art. 66º, nº 1, e), do C.R.P.? Dentro da linha de raciocínio que temos vindo a adoptar de que a interposição da impugnação contém um pedido de registo seríamos tentados a aplicar esta norma. Não está em tabela a apreciação das consequências da rejeição da apresentação de documentos para registo, mormente por causa de não terem sido pagas as quantias devidas, uma vez que não é esta a hipótese dos autos. 7
De qualquer modo, não nos parece que a razão de ser da citada norma segundo cremos, exigir o pagamento do emolumento como pressuposto da instauração do procedimento registal se estenda à interposição de recurso hierárquico. Este acto é dirigido ao presidente do IRN, I.P. e não ao serviço de registo onde é apresentada a petição, justificando-se por isso que não seja submetido à mesma lógica dos actos praticados no e pelo serviço de registo. Ou seja, entende-se que o pagamento do emolumento não seja pressuposto da instauração do processo de impugnação das decisões registais (não é, seguramente, da impugnação judicial, e mal se compreenderia que o fosse da interposição do recurso hierárquico). Aplicando subsidiariamente o Código do Procedimento Administrativo, nos citados termos do art. 147º-B, do C.R.P., e considerando que o Código do Registo Predial não fixa directamente, no próprio processo de impugnação das decisões registais, o prazo para o pagamento do emolumento, cremos ser possível sustentar a aplicação combinada do nº 2 do art. 71º e do nº 2 do art. 113º, ambos do CPA. De acordo com este normativo, o recorrente deve ser notificado para no prazo de 10 dias pagar o emolumento devido, podendo ainda o recorrente obstar ao indeferimento liminar do recurso hierárquico se realizar o pagamento em dobro da quantia devida nos 10 dias seguintes ao termo do prazo fixado para o seu pagamento. Ambos os prazos serão contados nos termos do art. 72º do CPA. Concluímos assim o percurso argumentativo que ensaiámos: o emolumento devido pela interposição de recurso hierárquico deve ser pago no acto de «apresentação» da petição de recurso no serviço de registo, ou antes dessa «apresentação», consoante a modalidade que para esta for adoptada, mas a lei não liga ao incumprimento desta regra quaisquer consequências; não sendo pago o emolumento até à «apresentação», o recorrente deve ser notificado para no prazo de 10 dias efectuar o pagamento, podendo ainda o recorrente obstar ao indeferimento liminar do recurso se realizar o pagamento do emolumento em dobro nos 10 dias seguintes ao termo daquele prazo inicial de 10 dias. Cremos ser esta a interpretação que, na economia do sistema, melhor garante a posição impugnatória do interessado. 8
No caso dos autos, o emolumento foi pago sem que ao recorrente tivesse sido fixado prazo para pagamento, pelo que inexiste fundamento para o indeferimento liminar do recurso. F. O processo é o próprio, as partes legítimas, o recurso tempestivo, o recorrente está devidamente representado e inexistem outras questões prévias ou prejudicais que obstem ao conhecimento do mérito. A posição deste Conselho vai expressa na seguinte Deliberação 1- Na ficha informática de prédio ou fracção autónoma já descritos (em livro ou em ficha de papel) devem ser reproduzidos a inscrição do arresto e os averbamentos das vicissitudes daquele facto, ainda que se encontre já cancelada e trancada a respectiva cota, se na data em que ocorrer a conversão para o sistema informático estiverem pendentes o pedido de conversão do arresto em penhora e o pedido de renovação do registo (agora de penhora) 1. 2- A apresentação no serviço de registo da petição de recurso hierárquico e da impugnação judicial das decisões registais pode ser efectuada de acordo com as modalidades do pedido previstas no art. 41º-B do C.R.P.; a apresentação por telecópia deve obedecer aos requisitos previstos no nº 2 do art. 41º-C do C.R.P. e no art. 6º da Portaria nº 621/2008, de 18 de Julho. 3- O emolumento devido pela interposição do recurso hierárquico deve ser pago no acto da «apresentação» da petição de recurso no serviço de registo competente ou antes dessa apresentação, consoante a modalidade que para esta for adoptada, mas a lei (art. 151º, nº 1, do C.R.P.) não liga ao incumprimento desta regra, na hipótese considerada, quaisquer consequências; não sendo pago o emolumento até à «apresentação» da petição de recurso, o recorrente deve ser notificado 1 - Cremos que a conclusão do texto não demanda desenvolvimentos. A situação jurídica da fracção autónoma objecto da publicidade registal não pode ser cabalmente apreendida se a ficha apenas contiver a anotação da recusa de conversão do arresto em penhora e da recusa de renovação de um registo que pura e simplesmente é omitido. Importa, assim, observar o disposto na conclusão. 9
para no prazo de 10 dias efectuar o pagamento, podendo ainda o recorrente obstar ao indeferimento liminar do recurso hierárquico se realizar o pagamento em dobro da quantia devida nos 10 dias seguintes ao termo daquele prazo inicial (de 10 dias) para o seu pagamento, nos termos das disposições combinadas dos art.s 71º, nº 2, e 113º, nº 2, do CPA, contando-se ambos os prazos nos termos do art. 72º deste Código, ex vi do art. 147º-B do C.R.P. 4- Encontrando-se cancelado o registo de arresto, devem ser recusados nos termos do art. 69º, nº 2, do C.R.P. os pedidos de conversão do arresto em penhora e de renovação daquele registo (agora de penhora), os quais, devendo assumir a forma de averbamento [cfr. art. 101º, nº 2, a) e d), do C.R.P., na redacção anterior ao D.L. nº 116/2008, de 04.07], pressupõem naturalmente a existência do registo do facto-base 2. 5- De acordo com o art. 846º do C.P.C., na redacção anterior ao D.L. nº 38/2003, de 08.03, a conversão do arresto em penhora assumia a forma de despacho, pelo que deve ser recusado nos termos do art. 69º, nº 1, b), do C.R.P. o averbamento de conversão de arresto em penhora pedido com base no auto do arresto com simples cota de notícia do despacho de conversão 3. 6- O processo de impugnação das decisões registais previsto e regulado no título VII do Código do Registo Predial não é meio próprio para reagir contra a execução ou o resultado de decisões registais, concretamente da decisão implícita no registo de decisão judicial que declarou a nulidade do acto de adjudicação em processo executivo cujo registo determinou o cancelamento oficioso do registo de arresto referido 2 - Também se nos afigura incontroverso o que se afirma no texto. Aliás, importa acentuar que o recorrente não deduziu argumentação contra a fundamentação dos despachos de qualificação dos pedidos de registo. O que o recorrente fez na petição de recurso foi questionar a prática registal adoptada aquando do registo da decisão judicial lavrado em F-6, em 09.02.2006, como se tentará demonstrar infra (nota 4). 3 - Também se nos afigura suficientemente clara esta conclusão. Se a conversão do arresto em penhora ocorresse com aplicação do citado art. 846º do C.P.C., na redacção do citado D.L. nº 38/2003, aplicar-se-ia pura e simplesmente o disposto no art. 838º do C.P.C. 10
nas conclusões anteriores, registo aquele (de decisão judicial) que não foi acompanhado nem do cancelamento do registo da aquisição (por adjudicação), nem do cancelamento do registo de aquisição entretanto efectuado a favor de subadquirente, nem do cancelamento do averbamento de cancelamento do registo de arresto, aliás em consonância com entendimento judicial expresso 4 5. 4 - Como já se referiu na nota (2), o recorrente assenta toda a argumentação para impugnar as decisões registais na consideração dos efeitos que, no seu entender, decorrem (ou deveriam decorrer) do registo (lavrado em F-6) da decisão judicial de declaração de nulidade do acto de adjudicação registado pela inscrição G-1. De acordo com a tese do recorrente, aquele registo da decisão judicial deveria ter determinado, e efectivamente não determinou, o cancelamento não só daquela inscrição [G-1] como dos averbamentos, inscrições e respectivos averbamentos, posteriores àquele acto declarado nulo sujeito a registo pela inscrição G-1 Ap. 06/200701, que desta tenham dependido (cfr. art. 18º da petição de recurso. Pois bem. A merecer acolhimento a tese do recorrente, então teríamos que concluir pela existência de vícios de registo. As inscrições G-1 e G-2 e os averbamentos de cancelamento das inscrições F-1, F-2 e F-3 seriam nulos ou inexactos, consoante a qualificação do vício. Não cremos que esteja no pensamento do recorrente a possibilidade de o conservador, nesta fase, antes de proceder à qualificação dos pedidos de registo, tranquilamente e sem dar satisfação a ninguém, executar a decisão registal implícita no registo F-6, cancelando oficiosamente, por dependência deste registo, aquelas inscrições e averbamentos. Ainda que fosse de concluir que aquela decisão registal implícita no registo da decisão judicial contém o comando (dado pelo conservador ao funcionário que lavrar o registo) para cancelar aquelas inscrições e averbamentos o que aliás não se nos afigura verosímil, como adiante tentaremos demonstrar -, não nos restam dúvidas de que o conservador não pode, pura e simplesmente, riscar da ficha os registos que incomodam o recorrente. Insistimos, portanto, em que na tese do recorrente os citados registos (inscrições e averbamentos) serão nulos ou inexactos. Ora, ainda que descortinássemos nos pedidos de registo ora formulados um (mais um) pedido implícito de sanação (através da figura do cancelamento) daqueles registos irregulares, o certo é que, como se disse na conclusão, o processo de impugnação das decisões registais não é o meio próprio para sanar vícios de registo. 5 - Não obstante o anteriormente exposto, que reafirmamos, não deixaremos de abordar, ainda que superficialmente, a validade e exactidão dos registos (inscrições e averbamentos de cancelamento) que o recorrente pretende ver cancelados. Ou, noutra perspectiva, a correcção da qualificação do registo da decisão judicial F-6. A nosso ver, desde já avançamos, o registo da decisão judicial não deveria determinar, como efectivamente não determinou, o cancelamento de quaisquer registos (inscrições e/ou averbamentos) que se encontravam lavrados na ficha. 11
A Senhora Conservadora procedeu correctamente e interpretou com acerto o conjunto das decisões judiciais que a propósito foram proferidas, e que pormenorizadamente relatámos. Não nos restam dúvidas que o Mmo. Juiz quis que apenas fosse registada a decisão judicial, mantendo-se todos os restantes registos (inscrições e averbamentos). O próprio registo (G-1) do facto (adjudicação) atingido pela declaração de nulidade foi preservado pelo Mmo Juiz. E, na nossa modesta opinião, muito bem. É que o cancelamento da inscrição G-1 provocaria um insustentável estado de incerteza sobre a situação jurídica da fracção autónoma, porquanto seria legítimo questionar a subsistência da inscrição G-2, que na dinâmica do trato sucessivo tem como suporte aquela inscrição G-1. O registo da decisão judicial publicita que foi declarado nulo o acto de adjudicação, facto este objecto imediato da inscrição G-1. Apenas isso. Portanto, é perfeitamente legítimo concluir que ainda não foi judicialmente apreciada a repercussão daquela nulidade no negócio jurídico consequente objecto imediato da inscrição G-2. Isto mesmo, se bem ajuizamos, quis dizer o Mmo Juiz no despacho de 10.10.2005. Daí que tivesse desatendido a pretensão dos sujeitos activos de G-2 em verem judicialmente declarada a inoponibilidade, perante si próprios, da declaração de nulidade do acto da adjudicação registada em G-1 o que significaria o reconhecimento da validade e efcicácia do negócio registado em G-2 -, e não conhecesse do pedido do ora recorrente (na veste de credor reclamente) de cancelamento de G-1 e de G-2. Um breve parentisis. Acha o recorrente curial defender nesta sede (registal) o cancelamento de G-1 e de G-2 (que, naturalmente, conduziriam ao cancelamento dos averbamentos de cancelamento), quando o Mmo Juiz já tinha recusado o conhecimento do pedido? Retomando o excurso. Não está aqui em tabela apreciar os efeitos do registo da decisão judicial. Mas sempre diremos que um efeito se nos afigura indiscutível tal registo ter produzido. Tendo este registo como conteúdo a decisão que declarou a nulidade do acto de adjudicação registado em G-1, se amanhã viesse a ser declarada a nulidade do negócio jurídico registado em G-2, o registo desta decisão determinaria o cancelamento de G-2, e o registo da decisão F-6 determinaria, agora sim, o cancelamento de G-1. O que vale por dizer que naquele cenário não se assistiria à repristinação de G-1, graças ao registo F-6. Em face do exposto, não vislumbramos qualquer vício de registo, pelo que não temos que propor qualquer inciativa. Referimo-nos, obviamente, aos registos que o recorrente pretende ver cancelados. Quanto ao próprio registo da decisão judicial (F-6), temos dúvidas sobre se a intervenção dos titulares inscritos de G-2, que efectivamente ocorreu no processo judicial, é aquela que é demandada pela regra do trato sucessivo na modalidade da continuidade das inscrições (cfr. art. 34º, nº 2, do C.R.P., na redacção anterior ao D.L. 116/2008). De acordo com a leitura que fazemos das peças processuais juntas aos autos, a inscrição F-5 terá sido provisória por dúvidas por falta de intervenção dos titulares de G-2, e a estes apenas foi dada a possibilidade de intervir através da notificação dos despachos de 30.05.2003 e de 05.03.2004. Portanto, e se bem ajuizamos, não chegaram eles a assumir a posição de partes processuais (por estarmos perante um incidente da acção 12
Nos termos expostos, é entendimento deste Conselho que o recurso não merece provimento. Deliberação aprovada em sessão do Conselho Técnico de 18 de Dezembro de 2008. João Guimarães Gomes de Bastos, relator. Esta deliberação foi homologada pelo Exmo. Senhor Presidente em 19.12.2008. executiva?). Eles lá vieram pedir a declaração de inoponibilidade, mas o Mmo Juiz respondeu que naquele processo não podia conhecer da validade do negócio jurídico registado em G-2. Ora, parece-nos que esta intervenção não vale para efeitos de trato sucessivo, porquanto não permite aos titulares inscritos demonstrarem a validade do do negócio jurídico e pedirem o reconhecimento do seu direito de propriedade. Porém, também neste ponto não propomos qualquer iniciativa, dado que os titulares inscritos se conformaram com o registo da decisão judicial. Mas não deixamos de sublinhar que a situação registal é algo insólita. A nosso ver, tudo se passa como se na acção tivessem sido demandados os titulares inscritos de G-2, mas a decisão tomada se limitasse à declaração de nulidade do acto da adjudicação registada em G-1. Uma nota final se impõe. De acordo com a leitura que fazemos dos documentos juntos aos presentes autos de recurso hierárquico, terá sido a declaração de pertença da Caixa Económica Montepio Geral produzida na Execução Sumária nº 768-B/1999 que motivou o ora recorrente a pedir na Execução Sumária nº 435/99 a declaração de nulidade do acto de adjudicação. Ora, é entendimento deste Conselho (cfr. Pºs R.P. 66/2005 DSJ-CT e R.P. 136/2008 SJC- CT) que o incidente em que se pede a anulação do acto da venda (ou adjudicação) está sujeito a registo como «acção», desde logo e não somente a partir do pedido de restituição do bem a que se refere o nº 3 do art. 909º do C.P.C. Nesta conformidade, bem diferente poderia ter sido a situação tabular da fracção autónoma em causa se a «acção» tivesse sido oportunamente (antes do registo G-2) registada. 13