Cultivo do Milho

Documentos relacionados
Cultivo do Sorgo

Doenças do Milho. Introdução. Introdução. Introdução. Enfezamentos. Enfezamentos 06/06/2017. Centro Universitário do Triângulo

Comunicado Técnico 72

DOENÇAS FOLIARES DO MILHO: Sintomatologia

Impacto potencial das mudanças climáticas sobre as doenças do sorgo no Brasil

Epidemias Severas da Ferrugem Polissora do Milho na Região Sul do Brasil na. safra 2009/2010

Orientações sobre o controle químico de doenças fúngicas para o milho

Cultivo do Milho. Sumário. Doenças. Rayado Fino Virus)

GUIA DE SEMENTES 2016

CARACTERIZAÇÃO DE GRUPOS DE GENÓTIPOS DE MILHO SAFRINHA AVALIADOS EM DOURADOS, MS

Semeadura direta muda estratégias de controle de doenças

CONTROLE DE DOENÇAS EM MILHO SAFRINHA

Capa (Foto: Ricardo B. Pereira).

Manejo de doenças em sorgo sacarino. Dagma Dionísia da Silva Pesquisadora em fitopatologia - Embrapa Milho e Sorgo

SEEDCORP HO UMA PLATAFORMA INTEGRADA DE SEMENTES

MANEJO DA MANCHA DE RAMULÁRIA E MOFO BRANCO

Principais Doenças Foliares da Cultura do Milho no Estado do Tocantins

SEVERIDADE DE DOENÇAS EM VARIEDADES DE MILHO CRIOULO

Controle químico de doenças fúngicas do milho

Influência da Safrinha na Eficiência de Produção do Milho no Brasil

Doenças na Cultura do Milho 83

RESISTÊNCIA DE CULTIVARES DE MILHO SAFRINHA TRANSGÊNICO A MANCHAS FOLIARES NO ESTADO DE SÃO PAULO

Doenças da Parte Aérea

BRS 3040 Híbrido Triplo de Milho

CONTROLE QUÍMICO DE DOENÇAS FOLIARES NO MILHO SAFRINHA

SEVERIDADE DE Puccinia polysora Underw. EM MILHO NO ESTADO DE SÃO PAULO, NA SAFRA 2015/2016 INTRODUÇÃO

PARA SUA PRODUTIVIDADE CONTINUAR CRESCENDO, NOSSA TECNOLOGIA NÃO PARA DE AVANÇAR.

DOENÇAS DE PLANTAS CULTIVADAS

Agiberela, conhecida também por fusariose, é uma

Doenças da Pupunha no Estado do Paraná

14/05/2012. Doenças do cafeeiro. 14 de maio de Umidade. Temperatura Microclima AMBIENTE

Doença de plantas é definida como qualquer alteração

02/03/2017. Introdução. Doenças do Milho: etiologia, sintomatologia, epidemiologia e controle Fitopatologia Aplicada. Introdução.

INFLUÊNCIA DE FATORES ABIÓTICOS NA OCORRÊNCIA DE PRAGAS E DOENÇAS. Programa da aula

INFLUÊNCIA DE FATORES ABIÓTICOS NA OCORRÊNCIA DE PRAGAS E DOENÇAS. Renato Bassanezi Marcelo Miranda

GASTOS COM INSETICIDAS, FUNGICIDAS E HERBICIDAS NA CULTURA DO MILHO SAFRINHA, BRASIL,

Reação de Cultivares de Milho à Ferrugem- Polissora em Casa de Vegetação

Identificação e Controle de Doenças na Cultura do Milho

NTX 468 PRODUTIVIDADE, DEFENSIVIDADE E QUALIDADE DE GRÃOS

Doenças Fúngicas na Cultura da Soja:

AUMENTO DOS PROBLEMAS COM DOENÇAS NO CERRADO DO BRASIL

BRS 1031 Híbrido Simples de Milho

DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DAS SEMENTES DE SOJA COLHIDAS NA SAFRA 2014/15. Ademir Assis Henning Embrapa Soja

BRS 1060 Híbrido Simples de Milho

USO DE ADUBAÇÃO FOLIAR ASSOCIADA A FUNGICIDAS NO CONTROLE DE DOENÇAS FÚNGICAS EM MILHO 2ª SAFRA NO MATO GROSSO

A Cercosporiose na Cultura do Milho

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E SAZONAL DA FAVORABILIDADE CLIMÁTICA À OCORRÊNCIA DA SARNA DA MACIEIRA NO BRASIL

Obtenção e avaliação de híbridos de milho visando resistência a doenças e tolerância à seca

Epidemiologia Vegetal. Etiologia é o estudo da doença, que envolve a relação ciclo patógeno-hospedeiro-ambiente

BRS 1035 Híbrido Simples de Milho

Manchas de Phoma. Manchas de Phoma. Cercosporiose Mancha de Olho Pardo Mancha de Olho de Pomba

GRUPO DE DOENÇAS. Grupo de Doenças. Profª. Msc. Flávia Luciane Bidóia Roim. Universidade Norte do Paraná

7.6. PRINCIPAIS DOENÇAS DO MILHO E SEU CONTROLE

PRINCÍPIOS GERAIS DE CONTROLE

Amaldo Ferreira da Silva Antônio Carlos Viana Luiz André Correa. r José Carlos Cruz 1. INTRODUÇÃO

Análise do Custo de produção por hectare de Milho Safra 2016/17

Sementes de. A Linha de Sementes de Soja Dow AgroSciences avança sem parar. Com um portifólio adaptado para as principais regiões do país e variedades

Cultivo do Milho

Cultivo do Milheto. Sumário. Doenças. Ergot (Claviceps fusiforms Loveless)

PORT FÓLIO DE CULTIVARES

REFÚGIOMAX AS SEMENTES QUE AJUDAM A PRESERVAR O POTENCIAL DE PRODUTIVIDADE DA SUA LAVOURA RR RR RR RR RR2

Cultivares comerciais de milho não transgenico de instituições publicas

O clima e as epidemias de ferrugem da soja

Controle Químico de Doenças na Cultura do Milho Josemar Stefanello 1, Lilian Maria Arruda Bacchi 2, Walber Luiz Gavassoni 2 e Lucia Mayumi Hirata 3

FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: Impacto da entrada da doença no Brasil. Rafael Moreira Soares Fitopatologista - EMBRAPA SOJA

Disciplina: Fitopatologia Agrícola CONTROLE CULTURAL DE DOENÇAS DE PLANTAS

Dispêndios com Inseticidas, Fungicidas e Herbicidas na Cultura do Milho no Brasil,

Dinâmica e manejo de doenças. Carlos A. Forcelini

PORTIFÓLIO DE VARIEDADES

Doenças do Milho Safrinha

6.4 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

RELATÓRIO TÉCNICO. Avaliação do comportamento de HÍBRIDOS DE MILHO semeados em 3 épocas na região Parecis de Mato Grosso.

BRENO AUGUSTO DA CUNHA OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE DOENÇAS DO MILHO NA REGIÃO NORTE DO PARANÁ

Transcrição:

1 de 7 23/5/2011 14:41 Sumário Apresentação Economia da produção Zoneamento agrícola Clima e solo Ecofisiologia Manejo de solos Fertilidade de solos Cultivares Plantio Irrigação Plantas daninhas Pragas Colheita e pós-colheita Mercado e comercialização Coeficientes técnicos Referências Glossário Foliares Cultivo do Milho Embrapa Milho e Sorgo Sistemas de Produção, 2 ISSN 1679-012X Versão Eletrônica - 4 ª edição Set./2008 Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis) Carlos Roberto Casela Alexandre da Silva Ferreira Fernando Tavares Fernandes Nicécio F. J. A. Pinto Importância e Distribuição: A doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás em Rio Verde, Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente a doença está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%. Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por manchas de coloração cinza, retangulares a irregulares com as lesões desenvolvendo-se paralelas às nervuras. Pode ocorrer acamamento em ataques mais severos da doença (Fig. 1). Expediente Fig. 1 Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis) Epidemiologia: A disseminação ocorre através de esporos e restos de cultura levados pelo vento e respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte local e fonte para outra áreas. Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Evitar a permanência de restos da cultura de milho em áreas em que a doença ocorreu com alta severidade, para reduzir o potencial de inóculo. Realizar rotação com culturas como soja, sorgo, girassol, algodão e outras, uma vez que o milho é o único hospedeiro da Cercospora zeae-maydis. Para evitar o aumento do potencial de inóculo da Cercospora zeae-maydis deve - se evitar o plantio de milho após milho. Plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época de plantio. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnica para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho, favoráveis ao desenvolvimento desse patógeno, principalmente a relação nitrogênio/potássio. Para que essas medidas sejam eficientes recomenda-se a sua aplicação regional (em macro - regiões) para evitar que a doença volte a se manifestar a partir de inóculo trazido pelo vento de lavouras vizinhas infectadas. Mancha de phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis) Importância e Distribuição: A doença apresenta ampla distribuição no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores a 60% em determinadas situações. Sintomas: As lesões iniciais apresentam um aspecto de encharcamento (anasarca),

2 de 7 23/5/2011 14:41 tornando-se necróticas com coloração palha de formato circular a oval com 0,3 a 2cm de diâmetro. Há coalescência de lesões em ataques mais severos (Fig. 2). Fig. 2 Mancha branca (Pantoae ananas) Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14 º C são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases inciais da doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo. Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14 º C são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases inciais da doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo. Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.) Importância e Distribuição Geográfica: No Brasil, foram já determinados danos de 44,6%, à produção de milho pelas ferrugens branca e polissora, sendo a maior parte atribuída a P. polysora e parte a Physopella zeae. A doença está distribuída por toda a região Centro-Oeste, Noroeste de Minas Gerais, São Paulo e parte do Paraná. Sintomas: Pústulas circulares a ovais, marron claras, distribuídas na face superior das folhas e, com muito menor abundância na face inferior da folha (Fig. 3).

3 de 7 23/5/2011 14:41 Fig. 3 Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.) Epidemiologia: A ocorrência da doença é dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700m. Altitudes acima de 1200m são desfavoráveis ao desenvolvimento da doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética. Ferrugem Comum (Puccinia sorghi) Importância e Distribuição: No Brasil a doença tem ampla distribuição com severidade moderada, tendo maior severidade nos estados da região Sul. Sintomas: As pústulas são formadas na parte área da planta e são mais abundantes nas folhas. Em contraste com a ferrugem polissora, as pústulas são formadas em ambas as superfícies da folha, apresentam formato circular a alongado e se rompem rapidamente (Fig. 4). Fig. 4 Ferrugem Comum (Puccinia sorghi) Epidemiologia: Temperaturas baixas (16 a 230 º C) e alta umidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimento da doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética. Epidemiologia: Temperaturas baixas (16 a 230 º C) e alta umidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimento da doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética. Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae) Importância e Distribuição:No Brasil, encontra-se distribuída no Centro - Oeste, e Sudeste (Norte de São Paulo). O problema é maior em plantios contínuos de milho, principalmente áreas de pivot. Sintomas: Pústulas brancas ou amareladas, em pequenos grupos, de 0,3 a 1,0mm de comprimento na superfície superior da folha, paralelamente às nervuras (Fig. 5).

4 de 7 23/5/2011 14:41 Fig. 5 Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae) Epidemiologia: Os uredosporos são o inóculo primário e secundário, sendo transportados pelo vento ou em material infectado. Não são conhecidos hospedeiros intermediários de P. zeae. A doença é favorecida por condições de alta temperatura (22-340 º C), alta umidade relativa e baixas altitudes. Por ser um patógeno de menor exigência em termos de umidade o problema tende a ser a maior na safrinha. Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Os plantios contínuos tendem a agravar o problema causados pelas ferrugens em geral. Recomenda-se a alternância de genótipos e a interrupção no plantio durante um certo período para que ocorra a morte dos uredosporos. Helmintosporiose (Exserohilum turcicum) Importância e Distribuição: No Brasil o problema tem sido maior em plantios de safrinha. As perdas podem atingir a 50% em ataques antes do período de floração. Sintomas: Os sintomas característicos são lesões alongadas, elípticas de coloração cinza ou marrom e comprimento variável entre 2,5 a 15cm. A doença ocorre inicialmente nas folhas inferiores (Fig. 6).

5 de 7 23/5/2011 14:41 Fig. 6 Helmintosporiose (Exserohilum turcicum) Epidemiologia: O patógeno sobrevive em folhas e colmos infectados. A disseminação ocorre pelo transporte de conídios pelo vento a longas distâncias. Temperaturas moderadas (18-270 º C) são favoráveis à doença bem como a presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto. Manejo da Doença: O controle da doença é feito através do plantio de cultivares com resistência genética. A rotação de culturas é também uma prática recomendada para o manejo desta doença. Helmintosporiose (Bipolaris maydis ) Importância e Distribuição: Esta doença encontra-se bem distribuída no Brasil, porém com severidade baixa a média. Sintomas: A Raça 0 produz lesões alongadas, delimitadas pelas nervuras com margens castanhas com forma e tamanho variáveis. O patógeno ataca apenas as folhas. A Raça T produz lesões de coloração marron de formato elíptico, margens amareladas ou cloróticas (Fig. 7)

6 de 7 23/5/2011 14:41 Fig. 7 Helmintosporiose (Bipolaris maydis) Epidemiologia: A sobrevivência ocorre em restos culturais infectados e grãos. Os conídios: são transportados pelo vento e por respingos de chuva. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 22 a 30 º C. A doença é favorecida por alta umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de seca e dias de muito sol entre dias chuvosos são desfavoráveis à doença. Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas. Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora) Importância e Distribuição: Esta doença está presente nos Estados de: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso e na região Sul do país. Apesar de amplamente distribuída, a doença tem ocorrido com baixa severidade até o momento. Sintomas: As lesões são alongadas, grandes, semelhantes as de H. turcicum. Diferem desta por apresentar, em algum local da lesão, pequeno círculo visível contra a luz (ponto de infecção). Podem alcançar até 10 cm de comprimento (Fig. 8). Fig. 8 Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora) Epidemiologia: A disseminação ocorre através dos esporos e os restos de cultura levados pelo vento e por respingos de chuva. Os esporos e os restos de cultura levados pelo vento. Os restos de cultura são fonte local e fonte de disseminação da doença para outra áreas. Manejo da doença: plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas. Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola) Importância e Distribuição: O aumento desta doença está associado ao cultivo mínimo e ao plantio direto e também pela não utilização da rotação de cultura. A doença está presente nos estados de GO, MG, MT, MS, SP, PR e SC.

7 de 7 23/5/2011 14:41 Sintomas: Na fase foliar, a doença caracteriza-se pela presença de lesões de formas variadas, sendo às vezes difícil o seu diagnóstico. Nas nervuras, é comum a presença de lesões elípticas com frutificações (acérvulos do patógeno) (Fig. 9). Fig. 9 Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola) Epidemiologia: A taxa de aumento da doença é uma função da quantidade inicial de inóculo presente nos restos de cultura, o que indica a importância do plantio direto e plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Um outro fator a influir na quantidade de doença é a taxa de reprodução do patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça do patógeno presente. Manejo da doença: Plantio de cultivares resistentes. A rotação de cultura é essencial para a redução do potencial de inóculo presente nos restos de cultura. Embrapa. Todos os direitos reservados, conforme Lei n 9.610. Voltar