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Transcrição:

Lembranças de uma vida Memórias criadas Isabela Morais

Isabela Morais Lembranças de uma vida Memórias criadas

Desejo que todos possam ter uma boa leitura. [ 3 ]

Antônia Viver em paz ou morrer em guerra? Era essa a questão de Antônia. Dias e mais dias procurando uma viva alma, de morta bastava ela ou quase morta. Mais um dia de silêncio, ela desejava gritos, risadas, cheiro dos filhos. E que filhos? Onde estão? Ela não gostava de pensar sobre isso. - Ocupados! Diria ela. Engana-se ou apenas esquece. Era mais um dia, até quando? Não se sabe. Torcia para o carteiro chamar, alguém gritar o seu nome, um flerte de atenção. "Antônia". Murmurava, apenas para não esquecer o som da palavra. [ 4 ]

Ida Desta vez tiveram que me deixar ir, Indo embora aos poucos. Deixando apenas a memória, curta. Também irá sumir, é como uma nuvem no céu que vai desaparecendo no horizonte e quando paramos para lembrar: Que nuvem? Como era? Vou sumindo lentamente como essa nuvem fui indo. Fui embora e dessa vez sem dor, graças a Deus...a Deus, Adeus! [ 5 ]

Olhos Eram dois olhos que fitava através do espelho. Dois olhos sinceros, nada serenos. Apenas olhos, olhos crus. Tudo ao redor sumindo, se esfumaçando aos poucos. Enquanto os dois olhos fitavam os meus. Olho, são olhos meus. [ 6 ]

Mudança Era uma mudança, muitas caixas. Algumas ainda vazias esperando desapegar. Caixas grandes, pequenas, lacradas... Tudo uma bagunça que aos poucos estavam ficando mais em ordem. Era uma mudança, uma mudança para onde eu não sei. Sempre há coisas para jogarmos fora. [ 7 ]

A Descoberta A gente nunca sabe se é amor ou se é paixão. Quando nos deparamos estamos amando, estamos apaixonados. Depois tudo acaba e no final saberemos se era amor ou paixão. Como saber? Paixão acaba. E amor? Também. [ 8 ]

Coleção Costumava guardar coisas, colecionar fotos, discos e livros. Costumava colecionar pessoas sem importância, tristeza da infância e mágoas da vida. Mas eu me tornei tão sofrida que resolvi me desapegar, joguei minhas coleções mesmo quebrando ilusões, eu resolvi agir. Continuo com meus discos, minhas fotos e meus livros e agora já sei sorrir. [ 9 ]

Vida A vida é um sopro, num piscar de olhos passamos por ela. A vida é um vendaval, mexe com tudo. Nos leva muita coisa, nos leva. A vida é como o mar, não se sabe o fim. O mar é como a vida, nos arrasta até o fim. [ 10 ]

Cem anos Lá se vão 100 anos, cem anos sem veredas. E em meio a natureza trago a incerteza de que terá outra volta. Debruçado na varanda varria a casa inteira sem pressa pois passaram cem anos. Der-te-ei o esboço como testemunho, vendo o rascunho do desenho que esqueci de terminar na mesa. Passaram 100 anos e eu não sabia de que. [ 11 ]

Novo Era tudo tão novo que no segundo olhar voltou a ser velho, o velho cachorro deitado no tapete, a mesa com tudo e o tudo mudado, não parecia eu e nem mais meu. Quero tudo de novo, quero tudo novo, quero eu novo, quero o mundo novo. A vida envelheceu, menos a minha agonia de voltar ao novo que não passou. Mas doeu tanto voltar que voltei e acabei chorando deitado na cama esperando que o tempo pare de correr para eu conseguir ficar de pé. [ 12 ]

Farol Olhos tristes são os seus. Me comove esses olhos tristes, tão belo e tão profundo. Como um farol solitário sem navio para guiar mas sempre aceso. [ 13 ]

Grito Era grito entalado no peito, É um grito oco, persistente. Não sei se é um grito, na verdade nem grito é. Tem um silêncio no peito, é um silêncio desolador. [ 14 ]

Retrato Sentou-se ao lado pegou um retrato e olhou. Era uma figura inocente, jovial e contente que já era tão desconhecido para mim. Deitou na cama e cobri o rosto com muito desgosto não conseguia mais se reconhecer, mas não era a velhice que dormia na face. Era a mudança de caráter que a vida obrigou a ter. [ 15 ]

Porta Desceu lentamente apoiando-se nas escadas, Ajeitou o que lhe restou pelo tempo. Acariciou os ralos fios brancos e abriu a porta deixando a úmida sala empoeirada ser iluminada pelos primeiros raios de sol. A esperança mais uma vez gritou ao seu ouvido, Não era ninguém de volta. Apenas mais um eco do passada que bateu a sua porta. [ 16 ]

Vento E o vento vinha novamente com mais força, Balançava o balanço de madeira, espalhava as folhas secas pelo chão. Recordava-me do meu tempo enquanto os galhos flutuavam pelo ar. Eu voltava a balançar de um lado para o outro como uma porta velha. [ 17 ]

Multidão O sol forte queimada o meu rosto, Ardia minha pele e me deixava cega na multidão. Era mais um dia, apenas mais um dia. Procurei alguma sombra, Observei a passarela, todos desconhecidos. De lá pude me enxergar, vi com clareza, era tanta gente. De longe podemos ver melhor o mundo, de perto somos ele. Têm dias que é melhor ficar na sombra. [ 18 ]

Um livro é uma vida, não o deixe desaparecer. [ 19 ]

Até breve, Isabela Morais. [ 20 ]