LEONARDO PUCCI STANGLER

Documentos relacionados
TRATAMENTO PRECOCE DA CLASSE II: RELATO DE CASO

DISJUNÇÃO RÁPIDA DA MAXILA REVISÃO DE LITERATURA

ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA - INNOVARE

EXPANSÃO RÁPIDA DA MAXILA: RELATO DE CASO CLÍNICO

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE ODONTOLOGIA PÓS-GRADUAÇÃO

Características oclusais de pacientes com. Classe II, divisão 1, tratados sem e com extrações de dois pré-molares superiores.

Efeitos da expansão rápida maxilar sobre a mandíbula

TRATAMENTO ORTODÔNTICO CLASSE II DE ANGLE: UMA REVISÃO DE LITERATURA ORTHODONTIC TREATMENT ANGLE CLASS II: A LITERATURE REVIEW

TRATAMENTO DA MÁ OCLUSÃO DE CLASSE II COM O APARELHO AEB CONJUGADO

Alterações dentárias decorrentes da expansão rápida da maxila e máscara facial reversa

A r t i g o I n é d i t o

Nely Rocha de Figueiredo. 63a 11m. Atendimento: 2/5/2014. Dr Sergio Pinho

MORDIDAS CRUZADAS. Etiologia

UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP PROGRAMA DE MESTRADO EM ODONTOLOGIA AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE E COMPORTAMENTO

AVALIAÇÃO DA PROFUNDIDADE PALATINA NOS PACIENTES PORTADORES DE MORDIDA CRUZADA POSTERIOR*

Correção da maloclusão Classe II com sobremordida profunda

TRATAMENTO DE MORDIDA CRUZADA ANTERIOR: RELATO DE CASO CLÍNICO

Velocidade de Crescimento Mandibular de Acordo com o Padrão Esquelético

PALAVRAS-CHAVE: Maloclusão de Angle Classe ll; Ortodontia corretiva; Aparelhos ortodônticos funcionais.

Alterações no volume nasal de pacientes submetidos a disjunção da maxila

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE ODONTOLOGIA DEPARTAMENTO DE CIRURGIA E ORTOPEDIA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA

Expansão maxilar rápida não cirúrgica em paciente adulto. Uma alternativa possível

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE ODONTOLOGIA

Interceptação de uma Mordida Aberta Esquelética Associada à Sucção Digital: Relato de um Caso Clínico

Giovana Anzilago Tesser 1, Fabiane Azeredo 1, Juliana Lindemann Rizzato 1, Susana Maria Deon Rizzato 1, Luciane Macedo de Menezes 1 (orientador)

EXPANSÃO RÁPIDA DA MAXILA E SEU EFEITO NA RESPIRAÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA RAPID MAXILLARY EXPANSION AND ITS EFFECT ON BREATHING: LITERATURE REVIEW

Controle vertical no tratamento da maloclusão classe II, divisão 1 de Angle associada à mordida aberta com aparelho extrabucal conjugado

Avaliação da altura facial inferior após expansão rápida da maxila

Utilização da barra transpalatina na correção da má-oclusão de Classe II durante a dentição mista

OCLUSÃO OCLUSÃO ESPECIALIZAÇÃO ORTODONTIA ORTOGEO - SJC MALOCLUSÃO OCLUSÃO OCLUSÃO 10/02/2010

BRUNO NEHME BARBO MODELOS DIGITAIS: COMPARAÇÃO DO ESCANEAMENTO EM DIFERENTES ANGULAÇÕES E DE 4 MÉTODOS DE SOBREPOSIÇÃO

Controle da dimensão vertical com o aparelho removível conjugado à ancoragem extrabucal no tratamento da Classe II, 1ª divisão

Estudo Longitudinal das Alterações no Ângulo ANB em Pacientes Classe II Esquelética, tratados com Aparelho Extra-Oral de Kloehn

Trabalho de Conclusão de Curso

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS FACULDADE DE ODONTOLOGIA AVALIAÇÃO CEFALOMÉTRICA DOS EFEITOS DO TRATAMENTO ORTODÔNTICO COM APARELHOS

SPLINTER DE THUROW MODIFICADO NO TRATAMENTO DA CLASSE II, DIVISÃO I - RELATO DE CASO CLÍNICO

MÁSCARA FACIAL VESUS APARELHO SKYHOOK:

Sala 02 TEMA LIVRE Odontologia Social e Preventiva e Saúde Coletiva

Alterações transversais produzidas pela expansão rápida maxilar com diferentes parafusos expansores em pacientes com fissura de lábio e palato

Alterações dentoesqueléticas da má oclusão de classe II, 1ª divisão

Sistema de. ImplanteDentário. Catálogo 2014 / 2015

Classificação das maloclusões

Interceptação de uma Mordida Aberta Esquelética Associada à Sucção Digital: Relato de um Caso Clínico

Tratamento da má oclusão de classe III por meio de disjunção maxilar e tração reversa da maxila: relato de caso

Respirar pela boca prejudica o desenvolvimento do rosto

Bimax III Uma alternativa para o tratamento ou contenção ativa nos casos de Classe III precoce

Variáveis relevantes no tratamento da má oclusão de Classe II

AVALIAÇÃO DA EXPANSÃO E PROTRAÇÃO MAXILAR EM PACIENTES COM FISSURA LÁBIOPALATINA APÓS 5 ANOS DO TRATAMENTO

EFEITOS CEFALOMÉTRICOS DO APARELHO EXTRABUCAL CONJUGADO (SPLINT MAXILAR) E DO BIONATOR, NO TRATAMENTO DA MÁ OCLUSÃO DE CLASSE II, 1 a DIVISÃO

Distrator palatal ósseo suportado: o passo a passo

CORREÇÃO DA DEFICIÊNCIA TRANSVERSA DA MAXILA POR MEIO DA EXPANSÃO RÁPIDA DA MAXILA CIRURGICAMENTE ASSISTIDA

Tratamento ortodônticocirúrgico. Classe III: relato de caso

CASO 2. SNA = 85 o - maxila moderadamente protruída em relação à base do crânio. Po SNA

Estudo da inclinação do plano palatino em relação à base posterior do crânio em indivíduos portadores de oclusão normal

Má oclusão de Classe II, Divisão 1: avaliação longitudinal pós-contenção

A UTILIZAÇÃO DO ARCO PROGÊNICO NO TRATAMENTO DA MORDIDA CRUZADA ANTERIOR PSEUDO-CLASSE III RELATO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso

DENTAL PRESS INTERNATIONAL

MAÍRA MASSUIA DE SOUZA ALTERAÇÕES DENTÁRIAS E ESQUELÉTICAS DECORRENTES DO TRATAMENTO DA CLASSE II, DIVISÃO 1

Apresentação de uma abordagem corretiva não-convencional da má oclusão de Classe II, divisão 2, em adulto

Genilce Paiva Gonçalves. Expansão Rápida da Maxila

BITE BLOCK. Série Aparelhos Ortodônticos. A mordida aberta é uma má oclusão que preocupa o ortodontista desde os primórdios

Avaliação e mensuração da sutura palatina mediana por meio da radiografia oclusal total digitalizada em pacientes submetidos à expansão rápida maxilar

Tratamento de Classe II, Divisão 1, com ausência congênita de incisivo lateral superior

LAB. - Laboratório multidisciplinar (37) quadro branco e Multimídia B.A. - Banheira para Typodont (04)

Avaliação rotacional mandibular após os efeitos da disjunção rápida da sutura palatina mediana

Os efeitos dos aparelhos funcionais sobre a dimensão transversal da maxila e mandíbula

UNIVERSIDADE PAULISTA FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE

Tratamento de classe III com expansão rápida da maxila associada à máscara facial

Transcrição:

LEONARDO PUCCI STANGLER POSIÇÃO MAXILOMANDIBULAR E DIMENSÕES DA OROFARINGE DE PACIENTES CLASSE II ANTES E APÓS EXPANSÃO RÁPIDA DA MAXILA E USO DO APARELHO EXTRABUCAL Dissertação apresentada como parte dos requisitos obrigatórios para obtenção do grau de Mestre em Odontologia, área de concentração em Ortodontia e Ortopedia Facial, pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidades Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Prof. Dr. Eduardo Martinelli Santayana de Lima Porto Alegre 2016

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO... 4 7. CONCLUSÕES... 6 7.1 Alterações nas dimensões da orofaringe... 6 7.2 Alterações na posição maxilomandibular... 6 RESUMO O objetivo deste estudo retrospectivo foi avaliar tridimensionalmente as dimensões da orofaringe e a posição da maxila e mandíbula de pacientes classe II após a expansão rápida da maxila associada ao aparelho extrabucal com tração alta, através de tomografia computadorizada cone beam. A amostra foi constituída por 40 indivíduos, que foram separados em 2 grupos distintos. O Grupo Experimental foi composto por 21 pacientes, portadores de classe II, 1 a divisão e que foram submetidos à expansão rápida da maxila (ERM) associada ao uso do aparelho extrabucal (AEB) com puxada alta e força ortopédica. O Grupo Controle foi formado por 19 pacientes, com deficiência maxilar transversa e que foram submetidos somente à ERM. A avaliação foi realizada em tomografias computadorizadas cone beam de face nos tempos: inicial (T1) e 6 meses após os tratamentos propostos para cada grupo (T2). Foi aplicado o Teste t de amostras emparelhadas para comparações intragrupo. Para a comparação das medidas de T2, foi usado um modelo de análise de covariância (ANCOVA) com ajustes pelas medidas basais. Não foram encontradas alterações nas dimensões da orofaringe do Grupo Experimental (p>0,05). O AEB associado à ERM causou um aumento da inclinação do plano palatal e um deslocamento para baixo do ponto A. Por sua vez, o Grupo Controle apresentou um aumento significativo da área (p=0,040) da orofaringe. A ERM causou o deslocamento do ponto A para baixo. Em nenhum dos grupos houve alterações significativas na mandíbula.

Palavras chave: Má oclusão de Angle Classe II, Orofaringe, Maxila, Base do crânio, Técnica de expansão palatina, Aparelhos de tração extrabucal. ABSTRACT The aim of this retrospective study was to evaluate the oropharyngeal dimensions and the maxillary and mandibular position in class II patients, after rapid maxillary expansion (RME) associated with high-pull headgear. The sample consisted of 40 individuals that were divided into two groups. The experimental group consisted of 21 patients, with Class II Division 1 malloclusion who underwent RME associated with a high-pull headgear. The control group consisted in 19 patients with transverse maxillary deficiency, who underwent only RME. The evaluation was conducted using cone beam computed tomography scans in two different times: initial (T1) and 6 months after the proposed treatments for each group (T2). A pairedsample t test was used for intra-group comparisons. To compare the results (T2), it was used an analysis of covariance (ANCOVA) adjusted by baseline measures. No significant changes were found in the oropharyngeal dimensions of the experimental group (p>0,05). The high-pull headgear associated with RME increased the palatal plane inclination and moved down the maxillary A point. On the other hand, the control group showed a significant oropharyngeal area increase (p=0,040) after the RME. The RME moved downward the maxillary A point. There were no significant mandibular changes in both groups. Keywords: Malocclusion, Angle Class II; Oropharynx; Maxilla; Skull Base; Palatal Expansion Technique; Extraoral Traction Appliances.

1. INTRODUÇÃO Tratamentos ortodônticos de qualidade têm como principais metas a melhora da função e da estética, bem como a manutenção dos resultados ao longo do tempo (Lima Filho e Bolognese, 2007). Para atingir esses objetivos, os ortodontistas usam seu conhecimento para a manipulação do complexo craniofacial com foco na modificação da região dentoalveolar, da articulação temporomandibular e das suturas (Miller et al., 2004). Porém, a obtenção de resultados positivos só acontecerá se o diagnóstico e o planejamento do caso forem executados de maneira correta. A má-oclusão de classe II é um problema ortodôntico difícil de ser tratado e um dos mais frequentes no consultório (Saltaji et al., 2012a; Janson et al., 2013). Esse tipo de má-oclusão é caracterizado pelo posicionamento mais anterior da maxila, pela deficiência de mandíbula ou por ambos, o que leva o paciente a desenvolver um perfil convexo, com desarmonias dentárias e entre os terços faciais (Mcnamara, 1981; Rosenblum, 1995; Proffit et al., 2007). Frente a essas características, o diagnóstico da má-oclusão de classe II é feito pela detecção de alterações nos sentidos anteroposterior e vertical(hunter, 1967; Sassouni, 1970; Mcnamara, 1981; Rosenblum, 1995; Saltaji et al., 2012b). Com certa frequência, os pacientes que apresentam o posicionamento mais posterior da mandíbula (retrognatia) também possuem problemas respiratórios (Li, 2009). Associada a esse tipo de má-oclusão, pode acontecer uma alteração esquelética importante e que muitas vezes é negligenciada pelo ortodontista, que é a alteração da dimensão transversal da maxila (Guest et al., 2010). Esta alteração é amplamente relatada na literatura e caracterizada principalmente pelo significativo

estreitamento da área da maxila (Gabriel De Silva Filho et al., 1991; Tollaro et al., 1996; Mcnamara, 2000). Assim que diagnosticada a atresia maxilar, o tratamento para correção deste problema deve ser iniciado, pois o crescimento da maxila no sentido transversal é o primeiro a cessar (Haas, 1980). A expansão rápida da maxila (ERM), ou disjunção maxilar, é a opção de tratamento consagrada para a correção de mordida cruzada posterior e deficiência maxilar transversa (Smith et al., 2012; Baratieri et al., 2014). Esse tratamento consiste na instalação de um aparelho fixo rígido que transmite forças diretamente para a maxila e para outras estruturas ósseas adjacentes (Jafari et al., 2003). A expansão da base óssea maxilar e do arco dentário obtida com esse tratamento, possibilita um posicionamento mais anterior da mandíbula, causando uma melhora significativa na relação anteroposterior (Haas, 2000; Mcnamara, 2000). Quando o tratamento é analisado sob a perspectiva da melhora da respiração, os estudos apontam um aumento na cavidade nasal (Palaisa et al., 2007; Monini et al., 2009; Zeng e Gao, 2013) e uma redução na resistência ao fluxo de ar pelas vias aéreas, facilitando a respiração pelo nariz (Hershey et al., 1976; Basciftci et al., 2002; Babacan et al., 2006). Isso traz grandes benefícios aos respiradores bucais e é altamente eficaz para o tratamento de pacientes portadores de apneia obstrutiva do sono (Cistulli et al., 1998; Villa et al., 2007; Iwasaki et al., 2014). Após a correção das alterações transversais de maxila inicia-se a correção no sentido sagital, através do uso de um aparelho extrabucal preconizado por Kloehn (1947). Este aparelho ortopédico, quando usado de forma adequada, tem a capacidade de provocar mudanças esqueléticas, como a redução do crescimento anteroposterior da maxila (Firouz et al., 1992; Johnston, 2002; Lima Filho et al., 2003; Nanda e Dandajena, 2006; Alio-Sanz et al., 2012), e dentárias, como a distalização dos molares superiores (Ghafaria et al., 1998; Ashmore et al., 2002; Marchiori Farret et al., 2008). Além disso, a expansão do arco interno deste dispositivo mostrou-se capaz de causar um crescimento na sutura palatina mediana, com consequente aumento da capacidade intranasal (Kirjavainen e Kirjavainen, 2003). Dessa forma, justifica-se a investigação do comportamento das estruturas maxilomandibulares com a base craniana assim como o potencial efeito dos tratamentos propostos, sobre os tecidos orofaríngeos.

7. CONCLUSÕES Com base na metodologia aplicada neste estudo, no qual foram avaliadas tridimensionalmente as dimensões da orofaringe e a posição da maxila e mandíbula de pacientes classe II após a ERM associada ao AEB com tração alta, pode-se estabelecer as seguintes conclusões: 7.1 Alterações nas dimensões da orofaringe A ERM associada ao AEB de tração alta não produziu alterações significativas nas dimensões avaliadas na orofaringe dos pacientes classe II. No grupo em que foi realizado somente a ERM, houve um aumento significativo na área dessa estrutura. 7.2 Alterações na posição maxilomandibular A associação entre a ERM e o AEB com tração alta produziu um aumento significativo no ângulo SN-PP e promoveu o deslocamento do ponto A da maxila para uma posição mais inferior. O grupo da ERM não apresentou alterações angulares, no entanto, também deslocou o ponto A da maxila para baixo. Não foram encontradas diferenças significativas na mandíbula em ambos os grupos.