ROTEIRO DE ANÁLISE DE POEMAS



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Transcrição:

ROTEIRO DE ANÁLISE DE POEMAS

Apresentamos aqui UM roteiro (possível) de análise. Não é o único, é básico, e você deve partir sempre de suas impressões e experiências.

ANTES DE ANALISAR O TEXTO 1. leia com atenção e faça anotações sobre suas dúvidas ou pontos de interesse; não se esqueça de sublinhar as passagens importantes; 2. recorra ao dicionário para tirar dúvidas; 3. identifique e anote sua primeira impressão a respeito do texto (no final da análise você verificará se essa impressão se confirmou ou não); 4. anote dados preliminares sobre o texto a ser analisado: autor, obra, edição, cidade, editora, ano da publicação, volume, página.

COMEÇANDO DO COMEÇO Verso = linha do poema Estrofe = conjunto de versos

I. DADOS SUMÁRIOS SOBRE O AUTOR E A OBRA

Autor & Obra Autor: Síntese biobibliográfica Obra: dados da obra utilizada resuma as principais idéias contidas em cada estrofe do poema. Ex.: Na primeira estrofe, o eu-lírico expõe o seu encontro com a amada... Na segunda estrofe,...

II. ANÁLISE DO POEMA

ANÁLISE DO POEMA Nível fônico Nível lexical Nível sintático Nível semântico

A. NÍVEL FÔNICO

Fazer a escansão dos versos pára-se na última sílaba tônica quando duas ou mais vogais se encontram no final de uma palavra e início de outra, formam apenas uma sílaba. Não se unem mais de três vogais e a primeira deve ser átona. Não se unem vogais tônicas

Remorso Olavo Bilac Sinto o que esperdicei na juventude; Choro, neste começo de velhice, Mártir da hipocrisia ou da virtude, Os beijos que não tive por tolice, Por timidez o que sofrer não pude, E por pudor os versos que não disse!

Sin - to o - que es per di - CEI - na ju - ven TU [de]; E.R.10(6-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Cho - ro, - nes - te co ME - ço de ve LHI [ce], E.R.10(6-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Már - tir - da hi po cri SI - a ou - da vir TU [de,] E.R.10(6-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Os bei jos que não TI ve por to LI [ce,] E.R.10(6-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Por ti mi DEZ o que so FRER não PU [de,] E.R.10(4-8-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 E por pu dor os VER sos que não DIS se! E.R.10([4]-6-10) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Dois recursos poéticos DIÉRESE SINÉRESE Ditongo cres hiato transformar um hiato em ditongo qui-e-to cruel-da-de

a. use o esquema: E.R. 10 (6-10). Há dois segmentos rítmicos no exemplo dado: o primeiro até a sexta sílaba (primeira cesura), o segundo até a décima.

2. Perceber o ritmo, a cadência, isto é, a alternância de sílabas fortes e fracas. 3. O metro varia de verso para verso? Por quê? 4. Há palavras que se repetem? Quais os efeitos de sentido? 5. Há sons que se repetem? Por quê? 6. Há tensão rítmica, isto é, dubiedade de acento tônico das sílabas poéticas?

7. A tensão rítmica provoca uma tensão semântica? 8. Há rima interna, isto é, no interior dos versos? 9. Há relação entre o ritmo e o tema do texto?

CLASSIFICAÇÃO DOS VERSOS Regulares = Acentuação + rima Livres ou irregular Brancos = Acentuação + sem rima Polimétricos = Acentuação + Tamanho # e rima(?)

10. Os versos são: A. regulares (= distribuição regular de sílabas tônicas e rimas); a. brancos (= distribuição regular de sílabas tônicas, mas sem rimas); a. polimétricos (= seguem a acentuação, mas tamanhos diferentes. Podem ou não ter rimas); B. Livres/irregulares (= não obedecem a nenhuma regra preestabelecida).

versos Regulares Irregulares ou Livres Brancos Polimétricos

Obs.: Esquema rítmico clássico dos versos regulares ou brancos: NÚMERO DE SÍLABAS SÍLABAS ACENTUADAS uma (monossílabo) 1 duas (dissílabo) 2 três (trissílabo) 3 ou 1 e 3 quatro (tetrassílabo) 1 e 4 ou 2 e 4 cinco (pentassílabo) 2 e 5 ou 3 e 5 ou 1, 3, e 5 seis (hexassílabo) 3 e 6 ou 2 e 6 ou 2, 4 e 6 ou 1, 4 e 6 sete (heptassílabo) qualquer sílaba e a 7a. oito (octossílabo) 4 e 8 ou 2, 6 e 8 ou 3, 5 e 8 ou 2, 5 e 8 nove (eneassílabo) 4 e 9 ou 3, 6 e 9 dez (decassílabo) 6 e 10 ou 4, 8, e 10 onze (hendecassílabo) 5 e 11 ou 2, 5, 8 e 11 ou 2, 4, 6 e 11 doze (dodecassílabo) 6 e 12 ou 4, 8 e 12 ou 4, 6, 8 e 12

OUTROS NOMES DOS VERSOS cinco (pentassílabo) REDONDILHA MENOR Medida velha sete (heptassílabo) REDONDILHA MAIOR dez (decassílabo) 6 e 10 = HERÓICO 4, 8, e 10 = SÁFICO 3, 6 e 10 = Martelo 4, 7 e 10 = Gaita Galega ou Moinheira doze (dodecassílabo) ALEXANDRINO

11. Qual o tipo de estrofe que o poeta escolheu? Existe alguma relação dessa escolha com a significação geral do poema?

Obs.: nome das estrofes em relação ao número de versos NÚMERO DE VERSOS NOME DA ESTROFE 2 dístico 3 terceto 4 quadra ou quarteto 5 quinteto ou quintilha 6 sexteto ou sextilha 7 sétima ou septilha 8 oitava 9 novena ou nona 10 décima

12. Há refrão no poema? Quais os efeitos de sentido provocados por ele? 13. Há unidade temática ou rítmica em uma ou mais estrofes? O que você pode deduzir disso? 14. Como podem ser classificadas as rimas utilizadas? Qual a relação dessa escolha com o sentido do poema?

TIPOS DE RIMA: CLASSIFICAÇÃO QUANTO A posição no verso TIPOS DE RIMA interna ou externa Quando alta noite n'amplidão flutua Pálida a lua com fatal palor, Não sabes, virgem, que eu te suspiro E que deliro a suspirar de amor. (Castro Alves) semelhança de letras consoante (ou perfeita) - rima consoantes/vogais toante (ou imperfeita) - rima apenas a vogal tônica Ex.: vivo / dia Ex.: Senta-te nesta cadeira E aceita nosso jantar. Tranqüilo: em casa mineira Nunca faltou um lugar. Drummond

TIPOS DE RIMA: CLASSIFICAÇÃO QUANTO A TIPOS DE RIMA distribuição ao longo do poema cruzadas/alternadas - ABABAB interpoladas emparelhadas A... A - AA BB CC misturadas -

DISTRIBUIÇÃO AO LONGO DO POEMA Nas nossas ruas, ao anoitecer Há tal soturnidade, há tal melancolia Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer A B B A O sentimento dum ocidental Cesário Verde A rimas B são emparelhadas. As rimas A são interpoladas.

Rimas misturadas Vento Perdido (Pedro Bandeira) Vem que vem o vento, Vem que sopra num momento; Vou montado num jumento, Cavalgar o arco-íris. A A A B

Obs.: resumo dos tipos de rima: CLASSIFICAÇÃO QUANTO A TIPOS DE RIMA categoria gramatical pobre - mesma categoria gramatical rica - categoria gramatical diferente rara - com vocábulos pouco usados ou palavras com diferentes estruturas gramaticais. Ex.: estrela com vê-la. extensão dos sons que rimam pobre - identidade da vogal tônica em diante vida/descida rica - identidade desde antes da vogal tônica lento/relento

Quanto à tonicidade Agudas ou masculinas: rima entre palavras oxítonas ou monossilábicas. Ex.: Valor/Amor, és/viés Graves ou femininas: rima palavras paroxítonas. Ex.: Santa/planta, mala/sala, toque/choque. Esdrúxulas: rima palavras proparoxítonas. Ex.: Mágico/Trágico, Fábula/tábula.

RIMA PERDIDA OU RIMA ÓRFÃ Vaga saudade, tanto Dóis como a outra que é A saudade de quanto Existiu aqui ao pé. Tu, que é do que nunca houve, Punges como o passado A que existir não aprouve. Rima perdida ou órfã Fernando Pessoa

RESUMO DOS TIPOS DE RIMA CLASSIFICAÇÃO QUANTO A posição no verso semelhança de letras distribuição ao longo do poema categoria gramatical extensão dos sons que rimam tonicidade TIPOS DE RIMA interna ou externa consoante - rima consoantes/vogais toante - rima apenas a vogal tônica cruzadas - ABABAB interpoladas - ABBA emparelhadas - AA BB CC misturadas - pobre - mesma categoria gramatical rica - categoria gramatical diferente rara - com vocábulos pouco usados ou palavras com diferentes estruturas gramaticais. Ex.: estrela com vê-la. pobre - identidade da vogal tônica em diante rica - identidade desde antes da vogal tônica Aguda, Grave, Esdrúxula

15. Há figuras de efeito sonoro no poema? Quais os efeitos de sentido criados? 16. Elas criam tensão (= ambigüidade, duplicidade de sentido) com o sentido geral do poema? 17. Teria o eu-lírico jogado com sons semelhantes no interior de palavras diferentes? Que sentidos são criados?

PRINCIPAIS FIGURAS SONORAS ALITERAÇÃO ASSONÂNCIA ANÁFORA ONOMATOPÉIA

Obs.: principais figuras sonoras aliteração - repetição de sons consonantais assonância - repetição de sons vocálicos anáfora - repetição da mesma palavra na mesma posição onomatopéia - os sons da palavra imitam o objeto nomeado

18. Qual a forma/gênero do poema? Quais os efeitos de sentido decorrentes dessa escolha?

ALGUMAS FORMAS POÉTICAS SONETO QUADRINHA BALADA VILANCETE ODE CANÇÃO MADRIGAL ELEGIA IDÍLIO, ÉGLOGA OU PASTORAL RONDÓ OU RONDEL EPITALÂMIO HAICAI

Obs.: rápida descrição de algumas formas poéticas SONETO - a forma mais conhecida. Compõem-se de dois quartetos e dois tercetos. Geralmente os versos são de dez ou doze sílabas. E as rimas são AB nos quartetos, e CD nos tercetos, geralmente.

QUADRINHA - a forma mais popular. É um quarteto de sentido completo. Eu tenho um colar de pérolas Enfiado para te dar: As per'las são os meus beijos, O fio é o meu penar. Fernando Pessoa

BALADA - feita para ser cantada. São, geralmente, três oitavas de versos de oito sílabas, sendo que o mesmo verso ou idéia repete-se no final de cada estrofe.

Vi-te pequena: ias rezando Para a primeira comunhão: Toda de branco, murmurando, Na fronte o véu, rosas na mão. Não ias só: grande era o bando Mas entre todas te escolhi: Minha alma foi-te acompanhando, A vez primeira em que te vi. Tão branca e moça! o olhar tão brando! Tão inocente o coração! Toda de branco, fulgurando, Mulher em flor! flor em botão! Inda, ao lembrá-lo, a mágoa abrando. Esqueço o mal que vem em ti, E, o meu rancor estrangulando, Bendigo o dia em que te vi. Rosas, na mão, brancas... E, quando Te vi passar, branca visão, Vi, com espanto, palpitando Dentro de mim, esta paixão... O coração pus ao teu mando E, porque escravo me rendi, Ando gemendo, aos gritos ando, - Porque te amei! porque te vi! Depois fugiste... E, inda te amando, Nem te odiei, nem te esqueci: - Toda de branco... ias rezando... Maldito o dia em que te vi. (Olavo Bilac)

VILANCETE - começa com um mote, posteriormente desenvolvido. Quando se volta, repete-se um dos versos do mote.

MOTE As férias que me dareis, Quando eu para vós tornar, Descontarão meu penar. VOLTAS Nem sei que são alegrias, Mas sim aborrecimentos. Para compensar os tormentos Destes cento e vinte dias, Dou curso a mil fantasias Pensando no que fareis... Nas férias que me dareis Se a paixão vos faz vassala De mim, em tão longa ausência, Trago uma reminiscência De tudo o que de vós fala Se hoje a esta dor nada iguala, Os beijos quando eu voltar, Descontarão meu penar. (Goulart de Andrade)

ODE - poema lírico que celebra os grandes sentimentos da alma humana. Divide-se em estrofes iguais pela natureza e pelo número de versos. MADRIGAL - composição curta para homenagem, galanteio ou confissão de amor. Geralmente se constrói com redondilha, mas pode ser usado uma mescla de versos de 6 e 10 sílabas.

CANÇÃO - composição curta de teor melancólico ou satírico. Canção do Tamoio (Natalícia) Gonçalves Dias I Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos Só pode exaltar. II Um dia vivemos! O homem que é forte Não teme da morte; Só teme fugir; No arco que entesa Tem certa uma presa, Quer seja tapuia, Condor ou tapir.

III O forte, o cobarde Seus feitos inveja De o ver na peleja Garboso e feroz; E os tímidos velhos Nos graves concelhos, Curvadas as frontes, Escutam-lhe a voz! IV Domina, se vive; Se morre, descansa Dos seus na lembrança, Na voz do porvir. Não cures da vida! Sê bravo, sê forte! Não fujas da morte, Que a morte há de vir!

ELEGIA - exprime tristeza ou melancolia.

Lenta, a raça esmorece, e a alegria É como uma memoria de outrem. Passa Um vento frio na nossa nostalgia E a nostalgia torna-se desgraça. Pesa em nós o passado e o futuro. Dorme em nós o presente. E a sonhar A alma encontra sempre o mesmo muro, E encontra o mesmo muro ao dispertar. Quem nos roubou a alma? Que bruxedo De que magia incognita e suprema Nos enche as almas de dolencia e medo Nesta hora inutil, apagada e extrema?

Os heroes resplandecem a distancia Num passado impossivel de se ver Com os olhos da fé ou os da ancia. Lembramos nevoa, sombras a esquecer. Que crime outrora feito, que peccado Nos impoz esta esteril provação Que é indistinctamente nosso fado Como o pressente nosso coração? Que victoria maligna conseguimos Em que guerra, com que armas, com que armada? Que assim o seu castigo irreal sentimos Collado aos ossos d'esta carne errada?

IDÍLIO, ÉGLOGA OU PASTORAL - celebra a vida no campo, a natureza, o bucolismo.

As abelhas nas azas suspendidas Tiram, Marilia, os sucos saborosos Das orvalhadas flores; Pendentes de teus lábios graciosos, O mel não chupam, chupam ambrosias Nunca fartos amores. O vento, quando parte em largas fitas As folhas que meneia com brandura, A fonte cristalina Que sobre as pedras cai de imensa altura, Não formam som tão doce, como forma A tua voz divina. O cisne, quando corta o manso lago, Erguendo as brancas azas e o pescoço, Ah não, que longe passa, Quando o vento lhe enfuna o pano grosso, O teu garbo não tem, minha Marilia, Não tem a tua graça! Tomás Antônio Gonzaga

RONDÓ OU RONDEL - repetição de quadras ou estrofes maiores em versos de sete sílabas. Os dois primeiros versos de uma estrofe são retomados em outra.

MARINHA Sobre as ondas oscila o batel docemente... Sopra o vento a gemer... Treme enfunada a vela... Na água clara do mar, passam tremulamente Áureos traços de luz, brilhando esparsos nela. Lá desponta o luar... Tu, palpitante e bela, Canta! chega-te a mim! dá-me essa boca ardente! Sobre as ondas oscila o batel docemente... Sopra o vento a gemer... Treme enfunada a vela... Vagas azuis, parai! Curvo céu transparente, Nuvens de prata, ouvi!... Ouça do espaço a estrela Ouça de baixo o oceano, ouça o luar albente: Ela canta... e, embalado ao som do canto d'ela, Sobre as ondas oscila o batel docemente... Olavo Bilac

EPITALÂMIO - celebra o casamento. HAICAI - anotação poética de um momento especial. Compõe-se de 17 sílabas, divididas em 3 versos de 5, 7 e 5 sílabas cada um.

Infância Um gosto de amora comida com sol. A vida chamava-se Agora. Guilherme de Almeida

B. NÍVEL LEXICAL

1. Qual o nível de linguagem do poema? É culto ou coloquial? Prove, exemplifique. Qual o efeito de sentido construído por esse nível de linguagem? 2. Há uma categoria gramatical predominante no poema? Como são empregadas? Que sentidos são estabelecidos a partir desse fato? 3. Há predomínio de verbos de ação? Esse predomínio indica dinamismo? 4. Predominam verbos de estado? Isso sugere estaticidade?

5. Predominam substantivos abstratos, indicando generalização ou outro sentido? 6. Ou os concretos, indicando particularização ou outro sentido? 7. Como os substantivos relacionam-se com os adjetivos, locuções adjetivas ou orações adjetivas? 8. O emprego dessas categorias gramaticais é usual ou novo? O que sugere cada termo isoladamente ou em conjunto?

9. Há predominância de algum tempo ou modo verbal? 10. O uso do presente indica proximidade? 11. O uso do passado/futuro indica distância? 12. O modo indicativo estará representando a realidade ou certeza? 13. O modo subjuntivo estará indicando uma possibilidade, um desejo? 14. E o imperativo? 15. Houve o uso de um tempo por outro? Quais os efeitos de sentido criados?

Sete anos de pastor Jacó servia Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prémio pretendia. Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. CAMÕES

Vendo o triste pastor que com enganos Lhe fora assim negada a sua pastora, Como se a não tivera merecida, Começa de servir outros sete anos, Dizendo: Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida!

16. Quais são os advérbios ou locuções adverbiais temporais empregados? O que isso diz sobre o tempo no poema? 17. Há outras marcações de tempo? Que efeitos de sentido são criados? 18. Quais os advérbios ou locuções adverbiais espaciais utilizados? O que isso diz sobre a construção do espaço no poema? 19. Há outras marcações espaciais? Que efeitos de sentido são construídos?

C. NÍVEL SINTÁTICO

1. Como é a pontuação geral do poema? Qual a relação dela com o conteúdo? 2. Há predominância de períodos curtos ou longos? Há frases ou orações isoladas? Que sentidos são estabelecidos a partir disso? 3. Como é o enjambement, encadeamento ou cavalgamento do poema? Esse encadeamento cria tensão entre som, sintaxe e sentido? 4. Há presença de figuras retóricas associadas à sintaxe? Se há, quais os efeitos de sentido decorrentes? 5. Há discurso direto, indireto ou indireto livre no poema? Que sentidos são criados?

Principais figuras ligadas à sintaxe ASSÍNDETO POLISSÍNDETO HIPÉRBATO QUIASMO SILEPSE PARALELISMO

Obs.: principais figuras ligadas à sintaxe ASSÍNDETO - coordenação dos termos da oração sem conetivo. Imprime lentidão no ritmo. POLISSÍNDETO - é o uso de conetivos. Costuma acelerar o ritmo. HIPÉRBATO - inversão brusca dos termos da oração. O termo invertido recebe ênfase.

QUIASMO - inversão leve dos termos da oração em X. SILEPSE - concordância ideológica e não gramatical. Enfatiza-se o gênero, o número ou a pessoa. PARALELISMO - uso da mesma construção sintática.

D. NÍVEL SEMÂNTICO

1. Há presença de figuras ligadas à significação das palavras? Quais os efeitos de sentido construídos?

Principais figuras ligadas ao sentido COMPARAÇÃO METÁFORA SINESTESIA ANTÍTESE PROSOPOPÉIA HIPÉRBOLE METONÍMIA SINÉDOQUE (PT) IRONIA

Obs.: as principais figuras ligadas ao sentido são COMPARAÇÃO, METÁFORA, SINESTESIA, ANTÍTESE, PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO, HIPÉRBOLE.

METONÍMIA - emprego de um termo pelo outro, numa relação de ordem: causa/efeito, sinal/significado, continente/conteúdo, possuidor/possuído. SINÉDOQUE - emprego de uma palavra por outra, numa relação de compreensão: parte/todo, IRONIA - dizer algo querendo significar o oposto.

2. Que relações podemos fazer entre o poema e o contexto histórico, a época em que foi escrito? 3. Que relações há entre o poema e o período literário a que ele pertence? 4. Que relações podemos estabelecer entre os vários níveis de análise do poema?

5. Que semelhanças e divergências há entre os diversos termos? 6. Que relações há entre o título do poema e o tema? 7. Você conseguiria fazer um paralelo desse poema com outro do mesmo autor ou do mesmo período ou da mesma temática? A que conclusão se chega com essa comparação?

8. Qual o recurso predominante no poema: descrição, narração ou dissertação? Que efeitos de sentido essa preferência provoca? 9. Há Intertextualidade no poema? De que tipo? por paródia ou paráfrase? 10. Qual o percurso passional do poema? Isto é, que tipo(s) de emoção expõe o poema, sobre que detalhes? 11. Há harmonia ou tensão entre a paixão e a forma do poema?

12. O poema é um todo, mas pode ele ser segmentado em unidades semânticas distintas? Terá o eu-lírico mudado o ângulo durante a abordagem do tema? Obs.: Principais formas de segmentação de um texto: TEMA PERSONAGEM TEMPO ESPAÇO

III. IDÉIAS E CONCEPÇÕES

1. Ponto de vista filosófico Revela o autor uma concepção realista, romântica, fantasia, materialista, espiritualista, fatalista, pessimista ou otimista da vida e dos homens? Por quê? Exemplifique.

2. Ponto de vista moral e religioso Tem a obra - no seu conjunto ou em alguma de suas partes - propósito moralizador? Revela o autor preocupação com o problema religioso? Há sinais de intolerância religiosa, de preconceitos de ordem moral, racial, social? Do ponto de vista moral, pode a obra ser considerada imprópria para menores? Por quê? como encara o autor o problema do sexo e do amor em geral?

3. Ponto de vista político e ideológico Deixa o autor perceber claramente suas tendências políticas? Parece-lhe um escritor engajado ( comprometido ) ou alienado? Representa a obra um testemunho ou depoimento sobre sua época e os problemas que afligem a humanidade ou uma parte dela? Faz o autor crítica social, propaganda ou proselitismo? Como? Justifique, ilustre, prove.

IV. OPINIÃO CRÍTICA / CONSIDERAÇÕES FINAIS Gostou? Sentiu-se empolgado pelo poema em si, pela psicologia ou comportamento ou destino de algum personagem? pelo estilo? pelas reflexões do eu-lírico? A leitura o enriqueceu espiritualmente? culturalmente? provocou-lhe reflexões ou foi apenas um passatempo? Leu outras obras do mesmo autor? Leu obras de outros autores, cujo estilo, técnica, tema e/ou enredo se assemelham aos do poema que você acaba de ler e comentar?

Com base nos seus apontamentos, dê sua opinião crítica sobre o texto. Provavelmente você partirá de uma primeira impressão, mas não se esqueça de que, independente da opinião ser ou não favorável, VOCÊ DEVE SUSTENTAR ESTA POSIÇÃO COM ARGUMENTOS LÓGICOS E COM DADOS TIRADOS DO TEXTO. Não há limite de tamanho para uma opinião crítica. Tanto podem ser dez linhas como dez páginas, depende do grau de profundidade da análise.

OBSERVAÇÕES FINAIS 1º) A regra de ouro de qualquer interpretação: SEJA SENSÍVEL; 2º) Quanto mais lermos o texto a ser analisado, mais perceberemos seu sentido profundo; 3º) Não há receitas para se analisar um poema. Não há métodos melhores; 4º) Todo método está sempre aquém do texto literário; 5º) O roteiro é apenas uma forma de focalizarmos nossa atenção e deve ser enriquecido com sua experiência.