PATRÍCIA SABOYA GOMES



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Transcrição:

PARECER N, DE 2005 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em caráter de decisão terminativa, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, que autoriza o Poder Executivo a criar o Programa Nacional de Inclusão Social da População de Rua. RELATORA: Senadora PATRÍCIA SABOYA GOMES Relator ad hoc : Senador EDUARDO AZEREDO I RELATÓRIO Vem à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para exame em caráter de decisão terminativa, o Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, de autoria do Senador Paulo Paim, que autoriza o Poder Executivo a criar o Programa Nacional de Inclusão Social da População de Rua e dá outras providências. Composto de cinco artigos, o projeto em exame, de caráter autorizativo, tem por objetivo criar o Programa de maneira a proporcionar assistência, condições para inclusão social e oportunidades de qualificação profissional aos moradores de rua (art. 1º). Para efeitos da lei, o projeto considera moradores de rua as pessoas cuja renda per capita seja inferior à linha de pobreza, que não possuem domicílio e pernoitam nos logradouros das cidades, nos albergues ou qualquer outro não destinado à habitação. O Programa deverá ser implementado mediante convênios entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, podendo deles participar as entidades não-governamentais de assistência aos moradores de rua (art. 2º).

2 Os recursos para o financiamento do Programa virão do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (art. 3º). Em sua justificação, o autor enfatiza que, sem que existam políticas efetivas e abrangentes de acolhimento aos moradores de rua, estes ficam expostos a situações humilhantes, dificultando ainda mais o reencontro com a auto-estima e com a dignidade. Tudo isso, sem falar nos casos recentes de extermínio daqueles que tiveram a vida ceifada pelo simples motivo de não possuir um teto que os abrigue durante a noite. Complementa, ainda, ser necessário que iniciativas emergenciais sejam adotadas em escala compatível com a gravidade do problema. À proposição não foram apresentadas emendas. II ANÁLISE Cabe a esta Comissão emitir parecer terminativo sobre a constitucionalidade, juridicidade, regimentalidade e também sobre o mérito da proposição em exame. Da análise jurídica da proposta, não se vislumbra inconstitucionalidade material, mas cabe-nos analisar se o projeto encontra respaldo formal na Constituição Federal e não constitui afronta ao ordenamento jurídico interno. Importa lembrar que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania desta Casa já se pronunciou quanto à constitucionalidade e juridicidade dos projetos de lei ditos autorizativos, quando aprovou, em 1998, o Parecer nº 527, do eminente jurista Senador Josaphat Marinho. De acordo com o referido documento, o apoio doutrinário, jurídico e legal de que gozam as leis autorizativas administrativas, orçamentárias e tributárias revela que a iniciativa do Legislativo, nesses casos, não configura ingerência em matérias de atribuição do Executivo, mas sim prova da colaboração real entre Poderes autônomos e harmônicos, que podem e devem alertar-se mutuamente sobre a necessidade da prática de certos atos.

3 O Projeto em tela tem por objetivo alterar a lógica perversa de exclusão social dos moradores de rua ao indicar a ação que se espera do governo. Propõe a criação de um programa destinado a proporcionar assistência, condições para inclusão social e oportunidades de qualificação profissional a esses cidadãos. Concorre, assim, para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, para a erradicação da pobreza e da marginalização, além da redução das desigualdades sociais. Dessa forma, é inegável que contribui efetivamente para a concretização da justiça social a que se referem os arts. 1º, 3º, 170 e 193 da Lei Maior brasileira. Contudo, a redação dada ao art. 2º do projeto afasta-se do caráter autorizativo da proposição e ordena, de maneira indevida, a forma de implementação do programa e sua instância de coordenação, sendo pois merecedora de reparos. Em primeiro lugar, o dispositivo deverá manter o caráter autorizativo e estabelecer que o Programa poderá ser implantado mediante convênios. Segundo, tendo em vista que o programa será financiado com recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, previsto na Constituição Federal, art. 79 (ADCT), inserido por meio da Emenda Constitucional nº 31, de 2000, a coordenação do programa deverá seguir as normas estabelecidas na Lei Complementar nº 111, de 2001, que regula o Fundo. Nesse sentido, a coordenação compete ao órgão gestor do Fundo, em conformidade com o art. 5º da referida lei complementar. Por último, há reparos a fazer quanto à juridicidade e a técnica legislativa. Cabe registrar que, de acordo com a Lei Complementar nº 95, de 1998, não cabe o estabelecimento de prazo para a regulamentação da lei pelo Executivo, devendo o art. 4º do projeto ser, assim, suprimido. Ainda, para manter a unidade e a coerência do texto, há de se efetuar um pequeno ajuste, com relação ao nome do Programa. De acordo com a ementa, o nome seria Programa Social da População de Rua, no entanto, o nome constante dos vários dispositivos da proposição é outro: Programa de Inclusão Social dos Moradores de Rua. Dessa forma, a ementa também deverá ser alterada. Nessa alteração, aproveitamos a oportunidade para mudar a denominação do programa para Programa de Inclusão Social da População em Situação de Rua mais coerente com a realidade. Afinal, a população não é da rua, mas está, por circunstâncias alheias a sua vontade, numa situação provisória, vivendo nas ruas.

4 Sobre o mérito da proposta, louve-se o seu enorme alcance social, uma vez que beneficia um segmento populacional extremamente vulnerável. Trata-se dos moradores de rua, pessoas que estão fora do lugar, discriminados socialmente por ocupar um espaço sujo e perigoso que, inevitavelmente, os transformam em cidadãos excluídos. III VOTO Em face do exposto, e não havendo qualquer óbice de natureza constitucional, jurídica, regimental e de técnica legislativa na proposição, que ademais é extremamente meritória, somos pela aprovação do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, com as seguintes emendas: Dê-se à Ementa do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, a Autoriza o Poder Executivo a criar o Programa de Inclusão Social da População em Situação de Rua e dá outras providências. Dê-se ao art. 1º do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, a Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a criar o Programa de Inclusão Social da População em Situação de Rua, com o objetivo de proporcionar assistência, condições para inclusão social e oportunidades de qualificação profissional à população em situação de rua.

5 Parágrafo único. Para efeitos desta Lei, considera-se população em situação de rua as pessoas cuja renda per capita é inferior à linha de pobreza, que não possuem domicílio e pernoitam nos logradouros da cidade, nos albergues ou qualquer outro lugar não destinado à habitação. Dê-se ao art. 2º do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, a Art. 2º O Programa de Inclusão Social da População em Situação de Rua poderá ser implementado mediante convênios a serem celebrados entre a União, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. Entidades não-governamentais de assistência à população em situação de rua poderão participar do programa e sua atuação estará subordinada ao órgão responsável pela execução do Programa. Dê-se ao art. 3º do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, a Art. 3º O Programa de Inclusão Social da População em Situação de Rua será financiado com recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. 1º O Programa será coordenado pelo órgão gestor do Fundo, nos termos do art. 5º da Lei Complementar nº 111, de 6 de julho de 2001. 2º Na implementação do Programa a que se refere o caput, os recursos do Fundo serão direcionados a ações que tenham como alvo as populações de municípios e localidades urbanas ou rurais, isoladas ou integrantes de regiões metropolitanas, que apresentem insuficiência de renda.

6 Suprima-se o art. 4º do Projeto de Lei do Senado nº 299, de 2004, renumerando-se o artigo subseqüente. Sala da Comissão, 01 de dezembro de 2005., Presidente, Relatora, Relator ad hoc

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