*** PROJETO DE RECOMENDAÇÃO



Documentos relacionados
(Atos não legislativos) REGULAMENTOS

Prevenção de Acidentes do Trabalho dos Marítimos

Convenção nº 146. Convenção sobre Férias Anuais Pagas dos Marítimos

Este documento constitui um instrumento de documentação e não vincula as instituições

Serviços de Saúde do Trabalho

*** PROJECTO DE RECOMENDAÇÃO

circular ifdr Noção de Organismo de Direito Público para efeitos do cálculo de despesa pública SÍNTESE: ÍNDICE

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

PARLAMENTO EUROPEU. Comissão dos Transportes e do Turismo PROJECTO DE RELATÓRIO

***II PROJETO DE RECOMENDAÇÃO PARA SEGUNDA LEITURA

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988

Resolução da Assembleia da República n.º 56/94 Convenção n.º 171 da Organização Internacional do Trabalho, relativa ao trabalho nocturno

COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS PARECER DA COMISSÃO

EIOPA(BoS(13/164 PT. Orientações relativas ao tratamento de reclamações por mediadores de seguros

Sistema de Incentivos

1 - O novo capítulo IX que se segue é adicionado ao anexo: «CAPÍTULO IX Gestão para a exploração segura dos navios. Regra 1 Definições

Proposta de REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO

10. Convenção Relativa à Competência das Autoridades e à Lei Aplicável em Matéria de Protecção de Menores

PROPOSTA DE REGULAMENTO INTERNO

Princípios ABC do Grupo Wolfsberg Perguntas Frequentes Relativas a Intermediários e Procuradores/Autorizados no Contexto da Banca Privada

SOBRE PROTEÇÃO E FACILIDADES A SEREM DISPENSADAS A REPRESENTANTES DE TRABALHADORES NA EMPRESA

Por despacho do Presidente da Assembleia da República de 26 de Julho de 2004, foi aprovado

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China

MEIO AMBIENTE DE TRABALHO (RUÍDO E VIBRAÇÕES)

C 213/20 Jornal Oficial da União Europeia

REGULAMENTO DE ESTÁGIO. CURSO: Comercio Exterior

PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 43, DE 2015

PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 28/IX SOBRE A REVISÃO DA POLÍTICA COMUM DAS PESCAS

CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA. Bruxelas, 27 de Abril de 2007 (02.05) (OR. en) 9032/07 SCH-EVAL 90 SIRIS 79 COMIX 427

REGULAMENTO DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO REDITUS - SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS, S.A.

Lei n.º 133/99 de 28 de Agosto

REGULAMENTO DA DISCIPLINA ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO DOS CURSOS SUPERIORESDE GRADUAÇÃO DO CEFET-PR. Capítulo I DO ESTÁGIO E SUAS FINALIDADES

Aprovado pelo Decreto Legislativo nº 41, de 10 de junho de DOU de

18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas

SUMÁRIO: Convenção n.º 127 da OIT relativa ao peso máximo das cargas que podem ser transportadas por um só trabalhador.

DECISÃO DE EXECUÇÃO DA COMISSÃO. de

Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo Associação Empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge

JC May Joint Committee Orientações sobre tratamento de reclamações para os setores dos valores mobiliários (ESMA) e bancário (EBA)

SISTEMA REGULATÓRIO PARA A AEB. 1 - Introdução

TÍTULO DA APRESENTAÇÃO 20 Dezembro Jornada de Prevenção FDL

CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIRIZAÇÃO PARA PRODUTOS FARMACÊUTICOS NO ÂMBITO DO MERCOSUL

MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO

Instrumento que cria uma Rede de Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional dos Países de Língua Portuguesa

disponibiliza a LEI DO VOLUNTARIADO

ANEXOS COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO. relativa à iniciativa de cidadania «Um de nós»

DECRETO N.º 418/XII. Cria o Inventário Nacional dos Profissionais de Saúde

RECOMENDAÇÃO N.º 1/2012 INFORMAÇÃO DO IMPOSTO ESPECIAL DE CONSUMO NA FATURA DE ELETRICIDADE

SECRETARÍA DEL MERCOSUR RESOLUCIÓN GMC Nº 26/01 ARTÍCULO 10 FE DE ERRATAS ORIGINAL

Tarefas de manutenção críticas

Artigo 7.º Fiscalização

O NOVO ENQUADRAMENTO JURIDICO DAS EMPRESAS DE ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Certificados de Capacidade dos Pescadores

CUMPRIMENTO DOS PRINCIPIOS DE BOM GOVERNO DAS EMPRESAS DO SEE

Regulamento. Foremor

FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS CONTABILISTAS

L 306/2 Jornal Oficial da União Europeia

C 326/266 Jornal Oficial da União Europeia PROTOCOLO (N. o 7) RELATIVO AOS PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES DA UNIÃO EUROPEIA CAPÍTULO I

POSIÇÃO DA UGT Audição sobre o Futuro da Europa

MARPOL 73/78 ANEXO III REGRAS PARA A PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO POR SUBSTÂNCIAS DANOSAS TRANSPORTADAS POR MAR SOB A FORMA DE EMBALAGENS

implementação do Programa de Ação para a Segunda Década de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial,

Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Regulamento de Atribuição de Bolsa de Apoio Social

MARPOL 73/78 ANEXO III REGRAS PARA A PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO POR SUBSTÂNCIAS DANOSAS TRANSPORTADAS POR MAR SOB A FORMA DE EMBALAGENS

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA BULGÁRIA SOBRE CONTRATAÇÃO RECÍPROCA DOS RESPECTIVOS NACIONAIS.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China

PARECER N.º 45/CITE/2011

COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

CHECK - LIST - ISO 9001:2000

Proposta de DIRETIVA DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO

RESOLVEU: I - probidade na condução das atividades no melhor interesse de seus clientes e na integridade do mercado;

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras

SÚMULA DAS NORMAS REGULAMENTADORAS NR S. Objetivo: Instruir quanto ao campo de aplicação das NR s e direitos e obrigações das partes.

FICHA DOUTRINÁRIA. Diploma: CIVA Artigo: 29º, 36º e 40º

27. Convenção da Haia sobre a Lei Aplicável aos Contratos de Mediação e à Representação

ANEXOS. Proposta de decisão do Conselho

REGIMENTO DO ESTÁGIO CURRICULAR CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DE TURISMO DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

REGULAMENTO SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELO REVISOR OFICIAL DE CONTAS E PELO AUDITOR EXTERNO DOS CTT-CORREIOS DE PORTUGAL, S.A. I.

Reabilitação Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China

Acabar com as disparidades salariais entre mulheres e homens.

Características Gerais dos Seguros de Transportes Internacionais: I Condições Gerais;

Transcrição:

PARLAMENTO EUROPEU 2014-2019 Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais 2013/0285(NLE) 5.2.2015 *** PROJETO DE RECOMENDAÇÃO sobre o projeto de decisão do Conselho que autoriza os Estados-Membros a tornarem-se parte, no interesse da União Europeia, na Convenção Internacional da Organização Marítima Internacional sobre Normas de Formação, de Certificação e de Serviço de Quartos para os Marítimos dos Navios de Pesca (15528/2014 C8-0295/2014 2013/0285(NLE)) Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais Relatora: Sofia Ribeiro PR\1048820.doc PE549.095v01-00 Unida na diversidade

PR_NLE-AP_LegAct Legenda dos símbolos utilizados * Processo de consulta *** Processo de aprovação ***I Processo legislativo ordinário (primeira leitura) ***II Processo legislativo ordinário (segunda leitura) ***III Processo legislativo ordinário (terceira leitura) (O processo indicado tem por fundamento a base jurídica proposta no projeto de ato). PE549.095v01-00 2/7 PR\1048820.doc

ÍNDICE Página PROJETO DE RESOLUÇÃO LEGISLATIVA DO PARLAMENTO EUROPEU...5 JUSTIFICAÇÃO SUCINTA...6 PR\1048820.doc 3/7 PE549.095v01-00

PE549.095v01-00 4/7 PR\1048820.doc

PROJETO DE RESOLUÇÃO LEGISLATIVA DO PARLAMENTO EUROPEU sobre o projeto de decisão do Conselho que autoriza os Estados-Membros a tornarem-se parte, no interesse da União Europeia, na Convenção Internacional da Organização Marítima Internacional sobre Normas de Formação, de Certificação e de Serviço de Quartos para os Marítimos dos Navios de Pesca (15528/2014 C8-0295/2014 2013/0285(NLE)) (Aprovação) O Parlamento Europeu, Tendo em conta o projeto de decisão do Conselho (15528/2014), Tendo em conta o pedido de aprovação que o Conselho apresentou, nos termos dos artigos 46., 53., n. 1, e 62. e do artigo 218., n.º 6, segundo parágrafo, alínea a), subalínea v), e n. o 8, primeiro parágrafo, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (C8-0295/2014), Tendo em conta o artigo 99.º, n.º 1, primeiro e terceiro parágrafos, e n.º 2, bem como o artigo 108.º, n.º 7, do seu Regimento, Tendo em conta a recomendação da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais (e o parecer da Comissão das Pescas) (A8-0000/2015), 1. Aprova o projeto de decisão do Conselho; 2. Encarrega o seu Presidente de transmitir a posição do Parlamento ao Conselho e à Comissão, bem como aos governos e parlamentos dos Estados-Membros. PR\1048820.doc 5/7 PE549.095v01-00

JUSTIFICAÇÃO SUCINTA Enquadramento da decisão A Convenção Internacional da Organização Marítima Internacional sobre Normas de Formação, Certificação e Serviço de Quartos para os Marítimos dos Navios de Pesca (doravante designada por «Convenção STCW-F») foi adotada pela Organização Marítima Internacional (OMI) em 7 de julho de 1995, em Londres, tendo contado com a participação de 74 governos, entre os quais os de 22 dos atuais Estados-Membros da União Europeia. Até à presente data, a Convenção STCW-F foi ratificada por 4 Estados-Membros (Espanha, Dinamarca, Letónia e Lituânia). A Convenção STCW-F tem por objetivo garantir que o pessoal embarcado nos navios de pesca possui as qualificações (comprovadas por certificado oficial) e a aptidão necessárias para o trabalho (segundo atestado médico), a fim de reduzir ao máximo as potenciais ameaças para a segurança de vidas humanas ou de bens no mar ou para o meio marinho durante as operações a bordo dos navios de pesca. A Convenção STCW-F exige que o pessoal possua um nível mínimo de conhecimentos em matérias específicas e que tenha desempenhado funções a bordo de um navio durante um período mínimo. Pretende-se, assim, criar e manter um nível de desempenho equitativo no setor das pescas, incentivando a formação profissional, e contribuir para a redução de casualidades. As disposições são obrigatórias unicamente para os navios de comprimento igual ou superior a 24 metros e com uma potência propulsora igual ou superior a 750 kw, e dizem respeito aos capitães, oficiais, oficiais de máquinas e operadores radiotécnicos. No entanto, os governos nacionais são incentivados a proporcionar formação aos marinheiros dos navios de comprimento igual ou superior a 24 metros, uma vez que a formação de base em matéria de segurança é obrigatória para todos os marítimos dos navios de pesca. A União não pode ratificar a Convenção STCW-F, só sendo possível aos Estados-Membros fazê-lo. Contudo, em conformidade com a jurisprudência AETR do Tribunal de Justiça da União Europeia, em matéria de competência externa, os Estados-Membros não podem ratificar a Convenção STCW-F sem a autorização da União, uma vez que as disposições relativas ao reconhecimento das profissões regulamentadas exercidas por cidadãos da União a bordo de navios de pesca afetam o exercício da competência exclusiva da União neste domínio. A presente decisão tem por objetivo autorizar os Estados-Membros a ratificarem a Convenção STCW-F em conformidade com as competências exclusivas da União em matéria de reconhecimento das profissões regulamentadas, exercidas por cidadãos da União a bordo de navios de pesca. Não obstante, e atendendo a que os Estados-Membros são obrigados a cumprir o direito da União, nomeadamente as disposições da Diretiva 2005/36/CE, determina-se, no projeto de decisão em análise, que os Estados-Membros que ratificaram a Convenção STCW-F antes da PE549.095v01-00 6/7 PR\1048820.doc

entrada em vigor da decisão proposta devem depositar junto do Secretário-Geral da OMI uma declaração em que reconhecem que o direito da União prevalece em caso de conflito nas relações entre Estados-Membros. A proposta de decisão deve, assim, encorajar os estados-membros a promoverem, sem demora, todas as diligências necessárias à ratificação da Convenção STCW-F, em análise. Comentários complementares A pesca é a atividade profissional que conhece a taxa mais elevada de acidentes, estimando-se a perda de 24 000 vidas por ano no exercício da atividade. A Convenção STCW-F apenas contém disposições obrigatórias para navios de pesca de comprimento igual ou superior a 24 metros e com uma potência igual ou superior a 750kW, limitando-se a incentivar os países subscritores a aplicarem as normas de formação aos marinheiros dos navios com o mesmo comprimento, mas de potência inferior, não especificando conhecimentos mínimos obrigatórios para os navios de pesca de comprimento inferior a 24m. Importa frisar que a OMI incentiva os Estados signatários a adotarem as suas próprias leis em matéria de formação e de normas de certificação para a tripulação de pequenas embarcações, e que a frequência dos acidentes no mar é mais elevada nestes segmentos de frota. Em paralelo com a formação, que constitui um dos pilares da segurança marítima, deve-se garantir condições mínimas de trabalho e segurança a bordo no âmbito da prevenção dos acidentes de trabalho, o que justifica a uniformização destas normas por todos os Estados- Membros, que se devem reger por recomendações de segurança internacionais, normas estas que também devem ser exigidas às embarcações que operem nas águas da União. Esta uniformização, que respeitaria condições básicas de igualdade no trabalho, foi defendida pela Comissão das pescas, no seu parecer indicado no presente documento, bem como pelos parceiros sociais do sector. Face ao exposto, e porque importa criar um nível mínimo de formação na União, entende o Parlamento Europeu que é oportuno alargar o âmbito de aplicação da Convenção STCW-F ou, pelo menos, adotar disposições regulamentares aplicáveis a navios com menos de 24 metros a nível da União, convidando a Comissão a legislar nesse sentido. Note-se, a este respeito, que tal não significa um aumento dos custos de formação dos Estados-Membros, uma vez que a União já suporta financeiramente a formação no sector das pescas, através do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas. PR\1048820.doc 7/7 PE549.095v01-00