Curso Bíblico Básico
Euaggelion (euaggelion) boa notícia se referia a uma proclamação; Palavra usada para indicar vitória em batalhas, nascimento ou presença de um imperador (mundo romano); Na LXX indica proclamação da vitória de Israel ou da vitória do povo; Talvez Jesus tenha usado esta palavra para indicar o conteúdo da sua pregação; Certamente seus seguidores utilizaram para salientar que as boas-novas implicavam aquilo que Deus fizera em Jesus.
Em Rm 1,1-4 o evangelho de Paulo compreende a dupla identidade de Jesus: filho de Davi e Filho de Deus; Segundo Rm 1,16, o evangelho está centrado no sofrimento, morte e ressurreição de Jesus dentre os mortos e no poder da justificação e salvação definitiva;
Marcos inicia sua narrativa com as palavras: Início do Evangelho de Jesus o Cristo, o Filho de Deus (1,1); A boa notícia do que Deus fez, já proclamada a Israel, agora será proclamada a todas as nações (Mc 13,10); Ela compreende o reinado ou Senhorio de Deus que se atualiza no perdão dos pecados oferecido por Jesus, na cura dos doentes, na saciação dos famintos, na ressurreição dos mortos, etc. Jesus é um rei a quem Deus torna vitorioso mesmo quando os inimigos o crucificam; Em Mateus Jesus proclama o evangelho do reino (Mt 4,23; 9,35; 24,14); Lucas utiliza o verbo euaggelizein ( proclamar a boanova ) para descrever a ação de Jesus (Lc 8,1; 16,16)
O séc. II atesta o uso de euaggangelion para designar escritos cristãos; A existência de mais de um escrito com estas características exigiu a utilização de distinções. Os escritos canônicos da vida de Jesus receberam a introdução: Evangelhos segundo...
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A narrativa de Marcos no seu evangelho não é feita com intuito de apenas oferecer informações mas de receber uma resposta de fé e conduzir à salvação (cf. Jo 20,31); A palavra euaggagelion em Paulo (Rm 1,1-4; 1Cor 15,1-8) indica que Marcos não foi o primeiro a juntar o material sobre Jesus com o propósito salvífico; Alguns estudiosos consideram ficção muito do que Marcos narra (narrativa da paixão, milagres, ressurreição, etc.) A maior parte considera realidade muito do que Marcos narra: batismo por João, proclamação do reino de Deus, liberdade diante da Lei que suscita antipatia dos chefes do povo, desafio a administração do templo por atos e admoestações... Ou seja, o próprio Jesus teria oferecido o material que entrou nos evangelhos;
Podemos distinguir três retratos de Jesus: o real, o histórico e o evangélico Jesus real: incluiria tudo o que fosse interessante a seu respeito (datas exatas, detalhes reveladores sobre seus pais, como e onde trabalhou, preferencias de comidas e bebidas, etc.). Nos evangelhos, nada temos semelhantes a estes detalhes, por isso alguns estudiosos se recusam a descrever os evangelhos como biografias ou vidas de Cristo;
Jesus histórico: construção dos estudiosos baseada na leitura daquilo que jaz sob a superfície do evangelho, despido de todas as interpretações. O retrato do Jesus histórico baseia-se em dados limitados e destinados a produzir uma visão minimalista que pode receber consenso científico. No máximo oferece-nos uma porção mínima da particularidade do Jesus real. O retrato que emerge será privado de profundidade teológica e espiritual, parcialmente distorcido, porque refletirá aquilo que os pesquisadores desejam salientar. A ideia de que a fé cristã depende do Jesus histórico é um perigoso mal-entendido
Jesus evangélico: é o retrato pintado por um evangelista. Provém de um arranjo seletivo do material sobre Jesus a fim de suscitar e fortalecer a fé que conduziria as pessoas para perto de Deus. O evangelista incluía somente informações que eram úteis aos seus objetivos, e as necessidades do público destinatário afetavam o conteúdo e a apresentação
Como os três retratos anteriores combinam com o Jesus verdadeiro? Aspectos importantes do Jesus Real não são narrados e, portanto, são desconhecidos para as gerações posteriores. Funcionalmente, este retrato de Jesus é só parcialmente verdadeiro para a posteridade; A descrição do Jesus histórico é a que está mais longe de oferecer-nos o Jesus verdadeiro porque exclui justamente os elementos de natureza religiosa e teológica. Como o Jesus histórico descrito por alguns estudiosos iria suscitar compromissos tão ardorosos naqueles que o conheceram?; Se os retratos nos evangelhos conservam quantidade significante do Jesus real e se o propósito missionário deles não era estranho ao de Cristo, estão tão perto do Jesus verdadeiro quanto nós poderemos chegar.