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2. Língua. Os artigos deverão ser escritos preferencialmente em Português, aceitando-se textos em Inglês e Espanhol.

Transcrição:

SUMÁRIO Tarot de Marselha 1. O que é o tarot de Marselha? 2. Um tarot para chamar de clássico. A importância do tarot de Marselha Tarot Rider-Waite 1. O tarot Rider-Waite e sua influência iconográfica 2. Os criadores do tarot mais famoso do mundo. A influência do tarot Rider-Waite na iconografia dos baralhos contemporâneos 4. Arcano 8 ou arcano 11? - A inversão numérica das cartas A Justiça e A Força 5. Uma proposta de observação e estudo. 6. Principais títulos no Brasil para se aprofundar no tarot Rider-Waite Os 22 arcanos maiores Os 56 arcanos menores Naipe de Paus Naipe de Copas Naipe de Espadas Naipe Ouros 4 4 5 6 6 7 7 8 20 21 28 5 42

O que é o Tarot de Marselha? Conhecido no mundo inteiro, o Tarot de Marselha é um dos baralhos mais antigos e ainda hoje usados. Embora não se tenha documentos que atestem sua existência antes do século XIV, é dito que o provável berço do Tarot de Marselha seja o norte da Itália, logo introduzido na França, especificamente no sul, onde passou a ser copiado e comercializado como um instrumento lúdico. Suas imagens são medievais, assim como suas cores primárias, devido aos recursos gráficos da época. Um Tarot para chamar de clássico O Tarot de Marselha é o baralho considerado clássico, estrutural e conceitualmente: são 78 cartas divididas em dois grupos: os 22 Arcanos Maiores e os 56 Arcanos Menores, de acordo com a numeração e a nomenclatura que traz há séculos. Essa estrutura foi e continua sendo a base para a maioria dos baralhos de Tarot lançados a partir do século XVIII. Tanto suas imagens quanto seus significados são mantidos ao longo do tempo e ainda hoje servem de parâmetro para a recriação de baralhos de Tarot. A importância do Tarot de Marselha Existem várias versões do Tarot Clássico, mas a versão marselhesa é, sem dúvida, a mais famosa e difundida. Essas cartas têm sido preteridas às abordagens ilustradas dos Arcanos Menores que começaram a surgir depois do lançamento do Tarot Rider-Waite (também disponível na íntegra como material de apoio). Mesmo assim, a importância do Tarot de Marselha continua inegável para compreender e para utilizar a sabedoria do Tarot sem precisar se valer de correntes esotéricas ou religiosas como a Astrologia ou a Cabala, comumente associadas ao Tarot. A apreensão das cartas do Tarot de Marselha fornece as bases de intepretação de todo e qualquer Tarot que respeite a estrutura tradicional. É imprescindível analisar essas cartas com a devida paciência, mesmo que a princípio os desenhos pareçam pouco chamativos. A interpretação do Tarot exige constante análise das imagens.

O Tarot Rider-Waite e sua influência iconográfica O Tarot Rider-Waite é o baralho mais famoso do mundo, tão importante quanto o Tarot de Marselha e outras versões clássicas. Foi publicado originalmente em Londres no ano de 1910 por William Rider, que coordenava a Editora Rider & Son. Sua fama e relevância devem-se à praticidade impressa em todo o conjunto de cartas e, especificamente, à ilustração dos Arcanos Menores, que traziam imagens no lugar dos simples elementos. Um exemplo: o três de ouros, que antes era representado por três moedas ou discos, no Tarot Rider-Waite apresenta uma cena de trabalho. Essa renovação das imagens abriu um leque ainda maior de possíveis interpretações para os Arcanos Menores, sem comentar na facilidade de leitura devido aos desenhos simples e ao mesmo tempo profundos da artista Pamela C. Smith. TRÊS DE OUROS A representação tradicional (Tarot de Marselha) e a ilustração da carta por Pamela C. Smith para o Tarot Rider-Waite, de 1910 4

Os criadores do Tarot mais famosos do mundo Os precursores do Tarot moderno A. E. Waite e Pamela C. Smith Arthur Edward Waite (02/10/1857 19/05/1942) foi um ocultista inglês. Além de maçom e estudioso do esoterismo, escreveu, traduziu e contribuiu com diversas publicações em vida, além de artigos e ensaios sobre simbologia. Sua intensa atividade no meio místico resultou numa das parcerias mais significativas. Foi com Pamela Colman Smith (16/02/1878 18/09/1951) que seu projeto mais ambicioso veio à luz e determinou os rumos do Tarot moderno: um conjunto de cartas originalmente produzido sob sua orientação para acompanhar seu livro intitulado A Chave para o Tarô (The Key to the Tarot), lançado entre 1909 e 1910. O baralho popularizado como Rider-Waite Tarot e hoje rebatizado pelo público como Smith-Waite Tarot levando luz à sua co-criadora obedece à estrutura tradicional dos arcanos: 78 cartas divididas em dois grupos distintos: 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Embora as cartas originais tenham sido impressas com uma paleta limitada de cores devido às condições técnicas de impressão da época, em 1970 a editora americana US Games Systems, especialista no comércio de cartas, os comprou seus direitos de publicação e difusão do Rider-Waite, mantendo o nome original. As cartas foram coloridas novamente, a partir dos desenhos originais, e lançadas em 1971 no mundo todo, em parceria com a empresa alemã AGM Müller. Até hoje, é um dos baralhos de Tarot mais vendidos de todos os tempos. 5

A influência do Tarot Rider-Waite na iconografia dos baralhos contemporâneos Pode-se dizer que os Arcanos Menores ilustrados do Tarot Rider-Waite provocaram um impacto profundo na maneira de interpretar as cartas e de produzir novos maços. Ele acabou sendo considerado por muitos o primeiro Tarot moderno, um projeto que serviu de base filosófica e estrutural para diversos artistas e autores que vieram em seguida, estilizando seu oráculo à maneira como Waite e Smith fizeram. Os baralhos redesenhados seguindo o padrão Smith-Waite podem ser comparados a uma espécie de fotografia legendada, já que cada autor explana o conceito do arcano de acordo com suas concepções pessoais. Isso pode causar uma redução das múltiplas significações que eram atribuídas ao Tarot considerado clássico, como o Tarot de Marselha, por exemplo. Mesmo assim, deve-se levar em conta que não existe um consenso único e indiscutível a respeito do significado divinatório do Tarot, principalmente quando se trata dos Arcanos Menores. Assim, a leitura de jogo está condicionada às suas ilustrações e ao conhecimento da linguagem simbólica que o leitor possui. Arcano 8 ou Arcano 11? - A inversão numérica das cartas A Justiça e A Força Embora os mais antigos maços de Tarot não tenham uma numeração específica, como o Tarot de Visconti-Sforza, os clássicos possuem uma numeração padronizada desde o início do século XVII, sendo conhecidos por sua estrutura mantida intacta nas mais diversas versões do Tarot de Marselha, por exemplo. Waite fez uma alteração bastante simples que acabou gerando uma mudança substancial nos baralhos subsequentes: a inversão d A Justiça (arcano 8) e d A Força (arcano 11), passando a serem, respectivamente, A Força (arcano 8) e A Justiça (arcano 11). Embora a simbologia clássica de cada arcano tenha sido mantida, de modo que Pamela Smith tenha feito leves alterações na iconografia, a posição tradicional foi alterada. Isso se deve à influência da Ordem Hermética da Aurora Dourada, cujo sistema filosófico era pautado na sabedoria da Cabala. As teorias e práticas de teor iniciático associavam uma letra hebraica a cada arcano do Tarot, daí o motivo principal para a inversão alfabética nos estudos dos adeptos da fraternidade. Mesmo assim, essa alteração numérica, de cunho doutrinário por parte da Aurora Dourada e de Waite, não causa alterações substanciais na estrutura das cartas, nem oferece qualquer relevância direta à prática do Tarot. Mas é importante ressaltar que a alteração indevida da numeração dos Arcanos Menores pode deturpar consideravelmente a estrutura tradicional. 6

uma PROPOsTA de OBsERvAçãO E EsTudO O estudo pormenorizado das lâminas do Tarot Rider-Waite possibilita a compreensão de praticamente todos os baralhos disponíveis no mercado. A maioria das alterações promovidas por Waite e Smith defi niram os rumos iconográfi cos e até mesmo editoriais dos maços subsequentes. Há quem prefi ra o Tarot Rider-Waite ou algum de seus inúmeros clones (baralhos semelhantes que copiam e perpetuam este mesmo arcabouço simbólico) pela relativa facilidade de interpretação dos Arcanos Menores. Ainda que o baralho mais indicado para um primeiro contato com o Tarot seja um do tipo clássico, do estilo Marselha, este é um dos baralhos mais indicados para iniciantes, usado em todo o mundo e tão efi caz quanto os tradicionais. AlguNs dos PRiNCiPAis TÍTulOs disponíveis NO BRAsil PARA se APROfuNdAR NO TAROT RidER-WAiTE BANZHAF, Hajo. O livro do Tarô. Pensamento, 2010. WAITE, AE. Tarô A sorte pelas Cartas. Ediouro, 1985. NAIFF, Nei. Tarô, Simbologia e Ocultismo. Nova Era, 2012. 7