PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2005
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- Fátima Sintra Jardim
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1 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2005 Cria a Zona Franca de São Luís, no Estado do Maranhão. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º Fica criada a Zona Franca de São Luís, no Estado do Maranhão, definida como área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, com a finalidade de implantar no município um centro industrial e comercial integrado à Amazônia e às demais regiões do País, bem como promover o desenvolvimento econômico e social do Estado. Art. 2º Aplicam-se à Zona Franca de São Luís os incentivos fiscais previstos nos arts. 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º e 9º e alterações posteriores do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de Parágrafo único. Os incentivos fiscais referidos no caput serão mantidos até o ano de Art. 3º Fica a Zona Franca de São Luís sob a administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), que deverá promover e coordenar sua implantação. Parágrafo único. A concessão dos incentivos fiscais a que se refere o art. 2º estará condicionada à aprovação de projetos pela Suframa. Art. 4º O Poder Executivo regulamentará esta Lei, incluindo a definição da área a ser demarcada para instalação da Zona Franca no Município de São Luís. Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
2 2 JUSTIFICAÇÃO O Estado do Maranhão é, atualmente, o mais pobre da federação, não obstante o esforço hercúleo de alguns dos seus governadores para reverterem tal situação na busca do crescimento. Apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) mais baixo do País (0,636, em 2000) e o menor Produto Interno Bruto per capita (R$ 1.650, em 2002, a preços de 2000). Dos 100 municípios brasileiros com menor renda per capita, 83 são maranhenses. Isto por si mesmo já deveria despertar o interesse da União Federal para resolver tão aflitiva situação. O Maranhão possui uma área de ,293 km² (fonte IBGE), com 5,6 milhões de habitantes em 217 municípios. Sua economia se baseia nos serviços, no extrativismo (babaçu e carnaúba), na indústria (basicamente de transformação de alumínio e alumina, alimentícia e madeireira), na agricultura (soja, mandioca, arroz e milho) e na pecuária. Embora o Maranhão pertença à região Nordeste (mais de dois terços de seu território), situado a oeste do meridiano de 44º, faz parte também da Amazônia Legal. Essa área, localizada a centro-norte e a oeste do Maranhão, é uma espécie de prolongamento da bacia amazônica, constituída por uma grande planície cujo clima vai do equatorial ao tropical úmido, cortada por algumas serras de baixa altitude e atravessada por grandes e perenes rios. A vegetação do Maranhão, a oeste, é de floresta amazônica, cerrado, ao Sul, mangues, no litoral e mata dos cocais, a leste. Apesar de sua importância estratégica e do discurso oficial que propala a necessidade de reduzir os desequilíbrios entre as unidades da federação, o Maranhão tem sido esquecido pelas políticas do Governo Federal. Apenas 7,3% do saldo das aplicações do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), em dezembro de 2004, foram canalizados para esse Estado. Com a extinção da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em 2001, foi cancelado o Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), que beneficiava também a parte do Maranhão que pertence à Amazônia Legal. A carência de recursos para investimentos, a falta de apoio do Governo Federal e a pequena participação da indústria de transformação na atividade econômica (apenas 15% do PIB do Estado, em 2001) têm gerado
3 3 uma situação de baixo crescimento da economia e de exclusão social da maior parte da sua população. A evolução da economia do Maranhão se deu em ritmo similar ao observado no contexto regional e nacional. No entanto, no período em que governei o Estado, de 1991 ao início de 1994, a economia maranhense cresceu igual em ritmo à brasileira e superior à nordestina, conforme demonstram as tabelas anexadas. Tais alterações para melhor foram possíveis graças ao número considerável de obras realizadas. Multiplicamos por três as escolas existentes e, com elas, os professores, e recuperamos ou construímos centenas de quilômetros de rodovias, que se acrescentaram às milhares de outras obras concluídas no período. No meu governo não se contraiu um centavo de dívida pública, e pagamos as mais vultosas, originárias de administrações anteriores. Foi possível, assim, reduzir o estoque daquele imenso contencioso. A Zona Franca de Manaus (ZFM) constitui exemplo bem sucedido da dinamização da economia regional e de geração de milhares de empregos, diretos e indiretos. Com o estímulo proporcionado pela concessão de incentivos fiscais, e sob os cuidados da Superintendência de Desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (Suframa), instalou-se em Manaus um pólo industrial complexo, avançado e diversificado, que atualmente emprega em torno de 75 mil trabalhadores, fatura mais de R$ 10 bilhões ao ano e agrega valor local em índices superiores a 70%. O Estado do Amazonas ocupa a segunda posição entre as economias da Amazônia, sendo o único da região a possuir PIB per capita superior à média nacional. Tendo em vista que o Maranhão não tem conseguido se desenvolver de forma a superar a situação de estado mais pobre do País, é imprescindível incentivar as atividades produtivas que visem à geração de emprego e ao incremento da renda no Estado. Entendemos que a solução mais adequada e eficaz seja a criação de uma zona franca industrial em São Luís, nos moldes da Zona Franca de Manaus. Convém notar que o Estado já conta com algumas pré-condições que facilitarão o escoamento da produção. O Porto de Itaqui, situado na capital, é o porto de águas mais profundas do Brasil, com operacionalidade de baixo custo. Por meio dele, os insumos importados poderão ser internalizados e a produção do parque industrial exportada para outros países. São Luís também conta com uma ferrovia moderna, cujos trilhos se interligam à
4 4 ferrovia Norte-Sul e alcançam grandes rodovias e rios navegáveis. E contamos também com parte da ferrovia transnordestina. A criação de uma Zona Franca em São Luís representaria um impulso significativo para a economia maranhense, com a geração de renda, empregos e melhoria das condições de vida da população. É nesse sentido, que propomos o presente projeto de lei que cria a Zona Franca de São Luís, no Estado do Maranhão, definida como área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, com a finalidade de implantar no município um centro industrial e comercial integrado à Amazônia e às demais regiões do País, bem como promover o desenvolvimento econômico e social do Estado. Os incentivos fiscais a serem concedidos seriam os mesmos da ZFM, nos termos do Decreto-Lei nº 288, de 1967, e alterações posteriores. Ou seja, as empresas a serem implantadas na Zona Franca de São Luís teriam os mesmos benefícios fiscais e as mesmas obrigações daquelas instaladas em Manaus. Os incentivos vigorarão até 2023, a exemplo do que acontece na ZFM. A nossa proposta prevê a demarcação, pelo Governo Federal, de área específica para implantação da Zona Franca no Município de São Luís. A realização de novos investimentos e o incremento da produção e diversificação deverão criar uma base adicional para o erário, nos níveis federal, estadual e municipal, a exemplo do que ocorre no Pólo Industrial de Manaus. De forma a evitar a necessidade de criação de órgão da administração federal para gerenciar a nova zona franca, propomos que a SUFRAMA fique encarregada de promover e coordenar sua implantação. Essa medida irá facilitar, ainda, a compatibilização da política da ZFM com a da Zona Franca de São Luís, uma vez que a SUFRAMA terá também a incumbência de aprovar os projetos a serem beneficiados com os incentivos. Considerando que o presente projeto de lei possibilitará o fortalecimento da economia maranhense e a melhoria das condições socioeconômicas de sua população, peço apoio aos nobres pares para sua discussão e aprovação.
5 5 Sala das Sessões, Senador EDISON LOBÃO
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