Direito do Consumidor
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- Mauro Guterres Araújo
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1 Coleção Resumos para Concursos 38 Organizadores Frederico Amado Lucas Pavione Nathália Stivalle Gomes Direito do Consumidor 2 ª revista, e atualizada _consumidor_iniciais.indd 3 20/10/ :18:02
2 NOTA DA AUTORA À 2ª EDIÇÃO É com muita satisfação que apresentamos a 2ª edição da obra de Direito do Consumidor revista e atualizada com as recentes decisões dos tribunais superiores, em especial STF e STJ, sobre matéria consumerista. A obra faz referência ao posicionamento de doutrinadores renomados visando contribuir para um estudo mais aprofundado dos temas tratados. A 2ª edição aborda além do CDC e as alterações recentes do Código (Lei nº /2017, que altera o rol de cláusulas abusivas do CDC), também legislações especí icas e suas alterações (Lei nº /2017, que estabelece ao fornecedor o dever de informar o consumidor, em local e formato visíveis, eventuais descontos oferecidos em função do prazo ou do instrumento de pagamento utilizado.) A obra não tem a pretensão de esgotar temas e discussões, mas de oferecer um estudo rápido, objetivo e atualizado com o im de auxilar o candidato nas provas dos principais concursos e OAB. Bons estudos Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 7 28/09/ :56:21
3 Capítulo 1 INTRODUÇÃO AO DIREITO DO CONSUMIDOR Leia a lei: Arts. 1º e 7º do CDC; arts. 5º, inciso XXXII, 170, inciso V, da CF e art. 48 de suas Disposições Transitórias 1. NOÇÕES INICIAIS O Código de Defesa do Consumidor (Lei n 8.078/90) constitui um microssistema jurídico, de natureza principiológica, de ordem pública e interesse social, que estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, nos termos dos arts. 5º, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal/1988 e art. 48 de suas Disposições Transitórias. O CDC protege o consumidor, que é a parte vulnerável na relação de consumo, objetivando, assim, o reequilíbrio da relação jurídica entre fornecedor e consumidor, invariavelmente desigual. 2. DEFESA DO CONSUMIDOR E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL A defesa do consumidor tem respaldo na Constituição Federal de 1988, a saber: Art. 5º, inciso XXXII: estabelece a defesa do consumidor como direito fundamental; Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 19 28/09/ :56:22
4 20 vol. 38 DIREITO DO CONSUMIDOR Nathália Stivalle Gomes Art. 170, caput e inciso V: estabelece a defesa do consumidor como princípio da atividade econômica: a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por im assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os alguns princípios, dentre eles, a defesa do consumidor; Art. 48 da ADCT: determinou a elaboração do CDC. Defesa do consumidor e a CF/88 Direito fundamental; Princípio da ordem econômica; 3. PECULIARIDADES DAS NORMAS DE PROTEÇÃO AO CONSUMI DOR O CDC tem as seguintes peculiaridades: CDC é um microssistema jurídico; CDC é lei principiológica; CDC contém normas de ordem pública e de interesse social Microssistema jurídico JOSÉ GERALDO BRITO FILOMENO (2014, p. 12) assinala que o CDC é um microssistema jurídico por conter: (a) princípios que lhe são peculiares (isto é, a vulnerabilidade do consumidor, de um lado, e a destinação inal de produtos e serviços, de outro); (b) por ser interdisciplinar (isto é, por relacionar-se com inúmeros ramos de direito, como constitucional, civil, processual civil, penal, processual penal, administrativo, etc.); (c) por ser também multidisciplinar (isto é, por conter em seu bojo normas de caráter também variado, de cunho civil, processual civil, processual penal, administrativo, etc.). Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 20 28/09/ :56:22
5 Cap. 1 INTRODUÇÃO AO DIREITO DO CONSUMIDOR 21 ATENÇÃO O CDC é um microssistema jurídico que disciplina as relações de consumo, o que não impede, no entanto, de o julgador se socorrer de outras fontes legisla as, que dialogam entre si, para solução mais justa do con ito. ssa técnica é denominada pela doutrina como diálogo das fontes. A teoria do diálogo das fontes foi desen ol ida pelo alemão ri a me e difundida no Brasil pela doutrinadora Claudia Lima Marques. Nas lições de FLAVIO TA T C 2014, p. 15, a ess ncia dessa teoria é de que as normas jurídicas não se excluem supostamente porque pertencentes a ramos jurídicos dis ntos -, mas se complementam. No Brasil, a principal incid ncia da teoria se dá justamente na interação entre o CDC e o CC 2002, em matéria como responsa ilidade ci il e o Direito Contratual..... possí el que a norma mais fa orá el ao consumidor esteja fora da própria Lei Consumerista, podendo o intérprete fazer a opção por esse preceito especí co. Segundo o doutrinador, a teoria do diálogo das fontes tem como fundamento legal o art. 7 do CDC, que adota um modelo a erto de interação legisla a. O art. 7 do CDC esta elece que os direitos pre istos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou con enções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administra as competentes, em como dos que deri em dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade Lei principiológica O CDC é lei principiológica das relações de consumo. Nas lições de NELSON NERY JUNIOR (1999, p. 432), o CDC é uma lei principiológica porque contém preceitos gerais, que ixa os princípios fundamentais das relações de consumo. Segundo o doutrinador, todas as demais leis que se destinarem, de forma especí ica, a regular determinado setor das relações de consumo deverão submeter-se aos preceitos gerais do CDC. Exempli ica: sobrevindo lei que regula, v.g., transportes aéreos, deve obedecer aos princípios gerais estabelecidos no CDC. Não pode, por exemplo, essa lei especí ica, setorizada, posterior, estabelecer responsabilidade subjetiva para acidentes aéreos de consumo, contrariando o sistema principiológico do CDC. Como a regra da lei principiológica (CDC), no que toca à reparação de danos, é a da responsabilidade objetiva pelo risco da atividade (art. 6, n VI, CDC), essa regra se impõe a todos os setores da economia nacional, quando se tratar de relação de consumo. Destarte, o princípio de que a lei especial derroga Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 21 28/09/ :56:22
6 22 vol. 38 DIREITO DO CONSUMIDOR Nathália Stivalle Gomes a geral não se aplica ao caso em análise, porquanto o CDC não é apenas lei geral das relações de consumo, mas, sim, lei principiológica das relações de consumo Normas de ordem pública e interesse social O art. 1 do CDC estabelece que as normas de proteção e defesa do consumidor são de ordem pública e interesse social, sobrepondo-se a vontade das partes. As normas de ordem pública são indisponíveis e inderrogáveis por convenção das partes, sob pena de nulidade absoluta. Em razão da natureza pública das normas, o juiz deve agir de o ício na apreciação das questões consumeristas. A ressalva a ser feita diz respeito aos contratos bancários, nos quais, segundo entendimento do STJ, é vedado ao juiz apreciar a abusividade das cláusulas sem pedido expresso do consumidor. Relações de consumo ui de e a ir de o cio POSIÇÃO DO STJ - As normas do CDC são de interesse social porque destinadas a tutelar toda uma coletividade de consumidores, garantindo-lhes o acesso à justiça tanto de forma individual quanto coletiva. Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 22 28/09/ :56:22
7 Cap. 1 INTRODUÇÃO AO DIREITO DO CONSUMIDOR 23 Defesa do consumidor e CF/88 Peculiaridades do CDC Introdução ao direito do consumidor de 1988, a saber: - Atenção - diálogo das fontes Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 23 28/09/ :56:22
8 Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 24 28/09/ :56:22
9 Capítulo 2 RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO Leia a lei: Arts. 2º, 3º, 17, 26, I e II e 29 do CDC; art. 3º do CTN 1. FORMAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO Para que uma relação jurídica seja identi icada como de consumo, atraindo a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, devem estar presentes todos os seguintes elementos: subjetivo: são os sujeitos da relação, isto é, consumidor e fornecedor; objetivo: diz respeito ao objeto sobre o qual recai a relação jurídica, isto é, produto ou serviço; : refere-se à inalidade com a qual o consumidor adquire produto ou contrata serviço, isto é, como destinatário inal. Esquematicamente, os elementos da relação de consumo podem ser vistos da seguinte forma: Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 25 28/09/ :56:22
10 26 vol. 38 DIREITO DO CONSUMIDOR Nathália Stivalle Gomes A doutrina costuma analisar a relação jurídica de consumo mediante o desdobramento de cada um dos seus elementos. Vejamos. A igura do consumidor é um dos elementos subjetivos da relação de consumo, assim como o fornecedor. O art. 2º do CDC de ine consumidor como sendo toda pessoa ísica ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário inal. A de inição legal de consumidor ensejou muitas discussões entre os doutrinadores em razão de o CDC ter contemplado expressamente a pessoa jurídica como consumidora de produtos e serviços. Parcela da doutrina sustenta que o CDC se destina à proteção da pessoa ísica, presumivelmente vulnerável, frágil frente ao fornecedor, e não da pessoa jurídica detentora de maiores condições para defender-se. Nesse sentido são as lições de JOSÉ GERALDO BRITO FILOMENO (2014, p. 27): (...) na verdade o critério conceitual do Código brasileiro discrepa da própria iloso ia consumerista ao colocar a pessoa jurídica como também consumidora de produtos e serviços. E isto exatamente pela simples razão de que o consumidor, geralmente vulnerável enquanto pessoa ísica, defronta-se com o poder econômico dos fornecedores em geral, o que não ocorre com esses que, bem ou mal, grandes ou pequenos, detêm maior informação e meios de defender-se uns contra os outros, quando houver impasses e con litos de interesses. Para esse doutrinador somente as pessoas jurídicas sem ins lucrativos são enquadradas no conceito de consumidor. Também na tentativa de compreender o alcance do termo destinatário inal utilizado pelo CDC na de inição do conceito de consumidor surgiram duas teorias. São elas: A) : considera consumidor toda pessoa ísica ou jurídica que se apresente como, isto é, que retira do mercado de consumo (da cadeia produtiva) o bem ou o serviço, independentemente se para o atendimento de necessidades próprias ou pro issionais, com inalidade lucrativa, portanto. Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 26 28/09/ :56:22
11 Cap. 2 RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 27 no de sua produção são consumidores ainda que a retirada do produto - não enxerga o CDC como uma lei de proteção do mais fraco numa rela- - B) : considera consumidor toda pode ser confundida com relação de insumo (consumidor intermedi- Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 27 28/09/ :56:22
12 28 vol. 38 DIREITO DO CONSUMIDOR Nathália Stivalle Gomes ATENÇÃO TEORIA FINALISTA APROFUNDADA, ATENUADA, TEMPERADA OU MITIGADA Porém, a jurisprud ncia, posteriormente, evoluiu para admi r uma certa mi gação da teoria nalista constata-se a vulnerabilidade do consumidor pro ssional ante o fornecedor. No caso, não se aplica a referida mi gação da teoria nalista, pois a contratante do serviço de transporte se uer alegou a sua vulnerabilidade perante a empresa contratada - Resumos p conc v38 -Gomes-Dir Consumidor-2ed.indb 28 28/09/ :56:22
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