GUIA DA AVALIAÇÃO DOS FORMANDOS EFA
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- Mikaela Raminhos Franco
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1 GUIA DA AVALIAÇÃO DOS FORMANDOS EFA CURSOS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS Os Cursos de Educação e Formação de Adultos (cursos EFA) são um instrumento fundamental para a qualificação da população adulta. Os Cursos EFA são destinados a formandos que desejam melhorar os seus níveis de escolaridade e qualificação profissional, sendo que as razões que motivam a procura desta oferta podem ser várias: situação de desemprego e consequente necessidade de reorientação profissional; possibilidade de progressão no local de trabalho; condições de empregabilidade mais abrangentes; resposta a desejos e expetativas pessoais, de atualização, valorização e projeção no futuro. Assistimos, atualmente, à expansão de Cursos EFA em ambientes formais de educação pelo que importa definir os critérios de avaliação dos adultos, no contexto da legislação em vigor e das orientações técnicas enviadas pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional I.P. Princípios: A Avaliação deve ser: a) Processual (assente numa observação contínua e sistemática do processo de formação); b) Contextualizada (consistência entre as atividades de avaliação e as atividades de aquisição de saberes e competências); c) Diversificada (recurso a múltiplas técnicas e instrumentos de recolha de informação); d) Transparente (explicitação dos critérios adoptados); e) Orientadora e reguladora do processo formativo (fornecer informação sobre a progressão das aprendizagens do adulto); f) Qualitativa (concretiza-se numa apreciação descritiva dos desempenhos que promova a consciencialização por parte do adulto do trabalho desenvolvido).
2 Modalidades de avaliação: a) A avaliação formativa, que permite obter informação sobre o desenvolvimento das aprendizagens, com vista à definição e ao ajustamento de processos e estratégias de recuperação e aprofundamento; b) A avaliação sumativa, que tem por função servir de base de decisão sobre a certificação final. Concretizando o processo de avaliação: 1. A AVALIAÇÃO FORMATIVA concretizar-se-á em dois momentos formais de avaliação individual sob a forma de FICHA, TRABALHO ou EXERCÍCIO PRÁTICO sobre a Unidade de Competência (UC), ou Unidade de Formação de Curta Duração, de 50 horas, a avaliar e classificar qualitativamente com a menção de Não satisfaz para apreciação inferior a dez valores, Satisfaz para apreciação igual ou superior a dez valores e Bom para apreciação superior a catorze valores e subsequente devolução e informação ao adulto sobre o seu percurso de formação, ou seja, sobre as potencialidades que já concretizou e sobre as dificuldades que terá de suplantar. Sem prejuízo do disposto anteriormente, haverá, no mínimo, um momento de avaliação formativa por período letivo nas Áreas de Competências-Chave em que a UC se prolongue pelos três períodos do ano letivo (Inglês, por ex.). 2. A AVALIAÇÃO FORMATIVA concretizar-se-á também através de FICHAS ou EXERCÍCIOS referentes a atividades a realizar na sala de formação, em grupo ou individualmente, para exploração, aprofundamento ou consolidação de conteúdos, que deverão ser avaliados e classificados qualitativamente conforme ponto 1 e subsequente informação ao adulto sobre o trabalho desenvolvido. 3. Nos Cursos EFA de nível Secundário, o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA) constitui-se como a prova das aprendizagens efetuadas e instrumento de avaliação por excelência. Na hora da área de PRA, o Mediador acompanha o adulto na construção do PRA, ajudando-o na organização do documento e levando-o a refletir sobre o progresso nas aprendizagens, sobre as relações e conexões entre aprendizagens de Áreas de Competências-Chave diversas e a evidenciação, nesse documento, das UC ou UFCD validadas. É, portanto, um documento retrospetivo (o trabalho desenvolvido) e prospetivo (o trabalho a desenvolver).
3 4. As apreciações avaliativas realizadas ao longo do percurso formativo serão registadas em instrumentos ou suportes físicos adequados relativamente: a) Às Unidades de Competência (Níveis Básico e Secundário) e às Unidades de Formação de Curta Duração; b) Ao desenvolvimento pessoal, social e relacional do formando, tomando como critérios fundamentais da avaliação a relação em grupo, o envolvimento com o processo de formação, a assiduidade e a pontualidade, enquanto vetores do seu empenho e dedicação, bem como a responsabilidade pessoal perante as tarefas propostas. A atividade integradora desenvolvida no nível Básico (no contexto do Tema de Vida) e no nível Secundário (no contexto das Áreas de Competências-chave) deve também ser avaliada com recurso a instrumento próprio. 5. Os instrumentos e suportes físicos referidos são o fundamento da avaliação, servindo de base à validação, ou não, das Unidades de Competências-Chave ou Unidades de Formação de Curta Duração, sem contrariar o caráter processual, orientador e regulador da avaliação, mas garantindo a avaliação formativa concreta ao longo do percurso. NÍVEL BÁSICO: Instrumentos e suportes físicos de fundamento à avaliação: Modelos 1B, 2B, 3B, 4B, 5B. Instrumentos de avaliação da formação: Modelos 6B, 7B. NÍVEL SECUNDÁRIO: Instrumentos e suportes físicos de fundamento à avaliação: Modelos 1S, 2S, 3S, 4S, 5S. Instrumentos de avaliação da formação: Modelos 6S, 7S.
4 6. No final de cada período letivo ocorrerá uma reunião para registo formal das Unidades de Competência-Chave validadas (nível Básico), dos Resultados de Aprendizagem demonstrados e Unidades de Competências validadas (nível Secundário) e Unidades de Formação de Curta Duração demonstradas, por formando. Estas reuniões são determinantes na evolução do percurso formativo, na medida em que permitem: a) identificar potencialidades e constrangimentos dentro do grupo de formação; b) registar as validações obtidas num determinado período de formação; c) reorientar as estratégias de formação de acordo com os resultados que forem sendo evidenciados, tanto a nível individual como relativamente ao grupo de formandos; d) refletir sobre as práticas de formação, como forma de promoção de ajustamentos no desempenho de cada um dos elementos da equipa pedagógica a cada realidade em concreto. A avaliação deve refletir os momentos de trabalho específico da formação em que se desenvolveram competências das diferentes áreas da formação. Das reuniões de avaliação a realizar no fim de cada período letivo, e de outras que aconteçam, resultarão registos tais como atas e pautas onde se identificarão claramente as atividades realizadas em cada uma delas, criando-se um historial que permitirá explicitar e fundamentar todas as decisões tomadas em equipa. 7. Outras reuniões a realizar durante a formação: 7.1. Reuniões iniciais: pode ser necessária a realização de mais do que uma, num curto período de tempo, na medida em que o intuito principal é o de preparar todo o percurso formativo. Nestas reuniões, cada elemento da equipa colabora no sentido de: Conhecer o perfil genérico dos formandos candidatos ao grupo de formação; Promover métodos de articulação com todos os elementos da equipa, com vista à definição de estratégias de trabalho conjunto; Definir o cronograma de desenvolvimento do curso; Planificar as atividades iniciais do percurso formativo; Projetar as primeiras sessões de PRA, no caso dos cursos de nível secundário; Calendarizar as reuniões de equipa, com uma periodicidade preferencialmente mensal.
5 7.2.- Reuniões periódicas: estes momentos de trabalho em equipa realizar-se-ão de acordo com uma periodicidade preferencialmente mensal e implicam: Planificar as atividades integradoras de acordo com cada fase do percurso formativo; Aferir sobre as condições de funcionamento do curso, nomeadamente quanto a equipamentos e recursos; Fazer um balanço sobre o envolvimento e resultados que cada formando do respetivo grupo de formação vai demonstrando, com efeitos na programação das atividades individuais e conjuntas a realizar; Caracterizar periodicamente o grupo de formação quanto a parâmetros como a assiduidade, a pontualidade, o relacionamento interpessoal, a colaboração em trabalhos de grupo e a responsabilidade pessoal; Desenvolver outras atividades que decorram do processo formativo e que sejam consideradas importantes para o sucesso do mesmo. 8. Condições de certificação: 8.1. Nível Básico: no caso dos Cursos EFA de nível Básico e de certificação escolar, considera-se que a conclusão com aproveitamento destes Cursos implica a validação de todas as Unidades de Competência que constituem cada Área de Competências-Chave (inclusive Aprender com Autonomia) Nível Secundário: no caso dos Cursos EFA de nível Secundário e de certificação escolar, considera-se que a conclusão com aproveitamento dos percursos formativos S Tipo A (com o 9º ano de escolaridade) implica que a validação da Unidade de Competência se suporte na demonstração de dois dos quatro Resultados de Aprendizagem de cada uma das Unidades de Competências-Chave (UC). Assim, num Curso EFA - Nível Secundário em que o formando faça a totalidade do plano curricular de certificação escolar (22 UC) é-lhe exigido que evidencie 44 dos 88 Resultados de Aprendizagem que o constituem (no mínimo dois Resultados de Aprendizagem por cada UC). Na Área de PRA exige-se também aprovação. Relativamente aos percursos de dupla certificação de nível secundário, e no que concerne às UC da componente de formação de base, a certificação está dependente da evidenciação/demonstração de todos os 4 Resultados de Aprendizagem definidos para cada UC. Quanto à componente da formação tecnológica destes cursos, a certificação depende da comprovação de aprendizagens que abranjam todos os conteúdos formativos contemplados nas UFCD que compõem
6 cada um dos planos curriculares. Igual disposição se aplica aos percursos em que seja desenvolvida apenas a componente tecnológica de um Curso EFA, isto é, exige-se aproveitamento em todas as Unidades de Formação de Curta Duração desta componente para efeitos de certificação. A Área de PRA e a componente de Formação Prática em Contexto de Trabalho exigem também aproveitamento. Última atualização: 4/11/2016. Joaquim Teixeira, Coordenador do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional da Escola Secundária de Felgueiras.
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