Classificação e Caracterização do HIV
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- Samuel Benke Corte-Real
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1 Classificação e Caracterização do HIV Joao Goncalves Professor Associado Faculdade de Farmácia da Universidade Lisboa Instituto de Medicina Molecular
2 Sumário O que é o HIV? O que é SIDA? Pandemia do HIV Transmissão do HIV Patogenia do HIV Estadios da doença 2
3 O que é o HIV? Humano: Infecta humanos Imunodeficiência: Diminui ou reduz a capacidade do corpo de combater as infecções Virus: Agente infeccioso com a capacidade de replicar dentro da célula 3
4 O que é a SIDA? Adquirida: Estar em posse de algo novo. Não é inato Imuno Deficiencia: Diminuição ou incapacidade do organismo para lutar contra as infecções Síndrome: Grupo de sinais e sintomas que ocorrem em conjunto e caracterizam uma patologia SIDA é estadio final de uma doença causada por uma infecção viral pelo HIV. 4
5 Imunodeficiências Imunodeficiências Ausência ou falha do normal funcionamento de um mais elementos do Sistema Imune Primárias Defeitos intrínsecos do Sistema Imune, na sua maior parte geneticamente determinados Secundárias - Células B - Células T - Complemento - Fagócitos - Fármacos imunomoduladores - Esteróides - Má-nutrição (proteínas, Fe, Zn, Se, Cu, vitaminas A, B6, C, E...) - SIDA
6 EPIDEMIOLOGIA
7 HIV: Pandemia Global Western Europe million North America million North Africa & Middle East Caribbean Latin America million Sub-Saharan Africa million Eastern Europe & Central Asia East Asia & Pacific million South & South-East Asia million Australia & New Zealand Adultos e Crianças com HIV/SIDA : milhões 7
8
9 Distribuição por idades, da infecção Portugal, 2010
10 Epidemiologia Mundial Países de elevado rendimento 1.46 milhões de pessoas infectadas no Oeste da Europa e na América do Norte Prevalência está a aumentar modestamente - Prevenção Diminuição da taxa de mortalidade - Terapia anti-retrovirica Terapia anti-retrovirica - maior número de comportamentos de risco sobretudo em relações homossexuais optimismo acerca dos tratamentos e práticas de risco HIV/SIDA nas minorias étnicas e populações mais pobres - a incidência aumenta mais rapidamente América do Norte 920,000 Oeste da Europa 540,000 HIV/SIDA 2000 Australia e Nova Zelandia 15,000
11 Epidemia na Africa Sub-Sariana 11
12 Epidemiologia em Portugal Toxicodependentes: 50% do total de casos notificados em 2011 Categoria com maior número de casos notificados. A proporção de casos tem diminuído desde Heterossexuais: 28.8% do total de casos notificados em A proporção de casos tem vindo a aumentar desde Homossexuais: 14.8% do total dos casos notificados em Total: Decréscimo do número de casos diagnosticados desde 1996 até 2011.
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14 Transmissão Transmissão Sexual - Heterossexual - modo mais comum de infecção no mundo (sobretudo nos países em desenvolvimento) - Homossexual Transmissão por sangue e Hemoderivados - Hemotransfusões (Hemofílicos: menos de 1% dos casos) - Hemoderivados (+/- 1% dos casos) - Transplantes - Compartilhar utensílios de injecção - Toxicodependentes (+/- 25% dos casos) Transmissão Materno - Fetal/Infantil - in utero - via transplacentária - durante o parto - ingestão de leite materno contaminado + comuns
15 Mortes pela infecção do HIV vs Morte por infecção com SIDA * For comparison with data for 1999 and later years, data in the bottom (orange) line for were modified to account for ICD-10 rules instead of ICD-9 rules.
16 Mortes por HIV entre género ( ) Note: For comparison with data for 1999 and later years, data for were modified to account for ICD-10 rules instead of ICD-9 rules. *Standard: age distribution of 2000 US population
17 Mortes por HIV entre idades ( ) Note: For comparison with data for 1999 and later years, data for were modified to account for ICD-10 rules instead of ICD-9 rules.
18 BIOLOGIA DO HIV
19 Biologia do HIV Membro da família dos retrovírus humanos e do género dos lentivírus Transferência do HIV dos símios para os humanos alteração na virulência - mais relacionada com a resposta imune do hospedeiro do que com as propriedades do vírus. HIV-1 - Causa mais comum de doença pelo HIV em todo o Mundo - Compreende vários subtipos
20 Biologia do HIV HIV-2 - Originalmente restringido à África Oriental. - Mais relacionado, filogeneticamente, com o SIV (vírus da Imunodeficiência Símia). - Parece ser menos patogénico - Síndrome mais brando e com evolução mais lenta - Causa mais frequentemente Encefalopatias
21 Disseminação do HIV em Africa ( ) Source: UNAIDS,
22
23 Estrutura do Vírus 2 cópias de RNA 3 enzimas: - Protease - Transcriptase reversa - Integrase p7/p9 - nucleocápside p24 - capsídeo - Ag mais facilmente detectado: diagnóstico p17 - proteína da matriz que rodeia o core gp120 (externa) e gp 41 (transmembranar) - invólucro - fundamentais para a infecção.
24 Estrutura genética do Vírus
25 25
26 Ciclo de Replicação Células CD4+ Linfócitos T-helper após activação Monócitos/ Macrófagos Células Dendríticas Extensa replicação viral Lise Infecções oportunísticas e neoplasias Extensa replicação viral Reservatório Transporte para o cérebro As celulas de Langerhans capturam o vírus e transportam-no para os gg linfáticos onde infectam as células T CD4+ Reservatório
27 1) Infecção de Células Robbins, 2010
28 HIV Receptors HIV Receptors HIV and Cellular Receptors 28
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30 2) Integração Robbins, 2010
31 Ciclo de Replicação Provírus integrado pode permanecer em infecção latente durante meses a anos. Para completar o ciclo de vida é necessário que ocorra: activação celular por LINFÓCITOS T CD4+ MACRÓFAGOS estimulação antigénica citoquinas citoquinas TRANSCRIÇÃO DO DNA PROVIRAL FUNÇÃO T DIMINUÍDA LISE DAS CÉLULAS T PRODUÇÃO DE VIRIÕES
32 3) Ativação da Replicação Robbins, 2010
33 4) Produção e Libertação Robbins, 2010
34 Saída do HIV dos linfócitos CD4+ Courtesy of CDC 34
35
36
37 Ciclo de Replicação
38 Ciclo de Replicação HIV DC-SIGN Ligam o HIV pelos receptores DC-SIGN MIGRAÇÃO PARA OS GANGLIOS LINFÁTICOS Célula Dendritica Levam dos pontos de entrada das mucosas para os gg linfáticos - infecção de linfócitos
39 Expansão no organismo Celula dendrítica na apresentação do vírus às céls. T CD4+
40 Expansão no organismo - Imunodeficência - Reservatório
41 Células infectadas pelo HIV Cérebro: macrófagos e células gliais Gânglios linfáticos e timo: linfócitos e células dendríticas Sangue, sémen, fluidos vaginais: macrófagos Medula óssea: linfócitos Pele: Células de Langerhans Cólon, duodeno, recto: células cromafins Pulmão: macrofagos alveolares 41
42 Transmissão Tropismo viral Os Vírus transmitidos normalmente têm tropismo para os macrófagos Tipicamente utilizam o receptor de quimiocinas CCR5 para ajudar à entrada na célula (juntamente com o CD4) Os pacientes homozigóticos para a mutação delta32 CCR5 são relativamente resistentes à transmissão 42
43 Não progressores impedem replicação do HIV 43
44 Diversidade O GRAU DE DIVERSIDADE GENOMICA QUE O HIV ORIGINA NUM ÚNICO INDIVÍDUO PODE SER MAIOR QUE A DIVERSADE MUNDIAL DO VÍRUS INFLUENZA DURANTE UMA EPIDEMIA.
45 Dinâmica Virus-Hospedeiro 10 mil milhões de viriões são produzidos diariamente Tempo de vida médio de um virião de HIV no plasma é de ~ 6 horas Tempo de vida médio de um linfócito CD4+ infectado pelo HIV é ~ 1,6 dias HIV pode permanecer latente dentro de uma célula, durante muitos anos, especialmente em células T CD4+ 45
46 Diversidade HIV-1 - Grupo M (major) - Responsável pela maioria das infecções no Mundo - Grupo O (outlier) - Raro. Encontrado originalmente na República dos Camarões, Gabão e França. - Grupo N - Identificado pela primeira vez numa mulher oriunda da República dos Camarões.
47 Diversidade 8 subtipos ou clades ( A, B, C, D, F, G, H e J) HIV-1 Grupo M 4 formas circulantes recombinantes (CRF) (principais) B - Predominante nos EUA, Canadá, América do Sul e Europa Ocidental e Austrália. C - Mais comum no mundo inteiro. Predominante em África e na Índia. E- Predomina no Sudeste Asiático AE - Sudoeste Asiático AG - África Oriental e Central AGI - Chipre e Grécia AB - Rússia
48 Diversidade HIV-1 necessidade do uso de co-receptores para a infecção da cél. alvo diferentes estirpes Coreceptor (citocinas) Tropismo Indução de sincícios Designações Fase da infecção em que predomina CCR5 Macrófagos Não CXCR4 Céls T CD4+ Sim R5 M-tropic X4 T-tropic Inicial Final
49 Diversidade Passagem do HIV para novos terrenos do corpo humano e da população humana Diversidade Genética Selecção Natural em resposta a quando MUTAÇÃO USO DE NOVOS CO-RECEPTORES ALTERAÇÃO DO TROPISMO DA CÉLULA ESCAPE À NEUTRALIZAÇÃO Drogas anti-retrovíricas Resposta Imune Problema do desenvolvimento de uma vacina
50 Diversidade QUÃO CONSERVADO É O FENÓTIPO DO HIV?? ALTERAÇÃO DO MODO DE TRANSMISSÃO
51 Como é que o HIV é transmitido? Contacto sexual desprotegido com um parceiro infectado Exposição de pele ferida a sangue infecado ou fluídos corporais Transfusão com sangue infectado pelo HIV Injecção com objectos contaminados Transmissão mãe-filho durante a gravidez, nascimento ou aleitamento 51
52 Progressão da doença Gravidade da doença é determinada pela quantidade de vírus em circulação (carga viral) e o grau de imunosupressão (decréscimo da contagem de linfócitos T CD4+). À medida que a contagem de linfócitos T CD4+ diminue, a função imunitária também decresce. 52
53 História Natural do HIV Fauci As,
54 Apresentação clínica Fase aguda Fase crónica assintomática prolongada Fase de crise doença sintomática
55 Fase aguda Ocorre 3 a 6 semanas após a infecção primária Síndrome típica de um síndrome viral agudo: Gerais Febre Faringite Linfadenopatia Cefaleias Letargia Anorexia Vómitos/náuseas/ diarreia Neurológicos Meningite Encefalite Neuropatia periférica Cutâneos Exantema maculopapuloso Úlceras cutâneo-mucosas
56 Fase aguda Pico de viremia Anormalidades imunológicas: Diminuição do nº de linfócitos CD4+ Inversão da razão CD4+/CD8+ por elevação de CD8+ e manutenção da depressão CD4+. 3/17 semanas após a exposição: seroconversão produção de céls T CD8+ específicas que vão conter a infecção e diminuir HIV plasmático
57 Fase crónica Estado assintomático prolongado - latência 7 a 10 anos em doentes sem tratamento Diminuição da viremia Continuação da replicação do HIV nos macrófagos e céls T CD4+ (níveis de RNA-HIV por PCR implicação no prognóstico) Perda contínua de céls T CD4+ compensada por regeneração manutenção dos níveis plasmáticos periféricos (50/µl por ano) Até ao aparecimento dos 1º s sintomas constitutivos...
58 Fase de crise Descompensação do sistema imune: Diminuição do nº de céls T CD4+ Aumento da proporção de céls T CD4+ infectadas que sobrevivem Aumento da viremia Linfadenopatia persistente Sintomas constitutivos significativos SIDA - o espectro das doenças observadas muda à medida que a contagem de células T CD4+ cai.
59 Fase de crise Diagnóstico de SIDA: Infecção por HIV Células T CD4+ <200/µl Alteração nas reacções de hipersensibilidade Neoplasias secundárias Ocorrência de infecções oportunistas Candida albicans Pneumocystis carinii Cytomegalovirus Cryptococcus Mycobacterium tuberculosis Mycobacterium avium-intracelulare
60 Mecanismos de deplecção T-CD4+
61 Diminuição súbita e acentuada do nº de linfócitos T CD4+ Há uma proliferação de linfócitos que procura compensar a sua destruição aumentada O nº de linfócitos T CD4+ atinge valores <200 células /µl
62 Possíveis causas para a depleção de células T CD4+ Depleção de células T CD4+ Produção deficiente Destruição aumentada HIV Directamente indirectamente Redistribuição do espaço intravascular para os orgãos linfóides Diminuição de células T CD4+ circulantes Inversão da razão CD4+/CD8+ no sangue: de 2 passa para <0,5 nos doentes com SIDA
63 Resposta imune celular Linfócitos CD8+
64 Infecção aguda por HIV Resposta celular aguda exuberante: 10% das CTL CD8+ envolvidas Viremia diminui assim que a resposta CTL CD8+ atinge o seu máximo Resposta oligoclonal Dependência antigénica
65 Infecção crónica por HIV CTL HIV-específicas mantêm-se em elevadas concentrações 1-2% das CTL CD8+ circulantes e dos gânglios são específicas para o epítopo dominante Dependência antigénica
66 Resposta celular imune ao HIV A resposta celular imune ao HIV é exuberante mas falha completamente o controlo da infecção. Porque é que a resposta celular imune ao HIV falha? % CTL CD8+ que contem perforina Menos de 15% das CTL HIV- específicas 50% das CTL CMVespecíficas Baixos níveis de perforina Menor actividade citotóxica As CTL CD8+ HIV-específicas têm menor actividade citotóxica que as CTL CMV-específicas!
67 Papel das células T Helper CD4+ HIVespecíficas na resposta celular T CD8+
68 Papel das células T Helper CD4+ HIVespecíficas na resposta celular T CD8+ A perda das células T Helper CD4+ é fulcral na patogénese da infecção por HIV e parece ser determinante no insucesso da resposta celular T CD8+ Doentes com níveis elevados de células T Helper CD4+ apresentam baixa carga viral o que revela uma resposta celular mais eficaz e melhor controlo imune da infecção por HIV Tratamento anti-retroviral (HAART- Highly Active Antiretroviral Therapy) permite a manutenção de níveis mais elevados de células T Helper CD4+.
69 Conclusão Infecção das cél. CD4+ Deplecção das cél.th CD4+ Desregulação da resposta celular < actividade citotóxicas das CTL Selecção dos HIV mutantes Latência vírica Replicação virica Imunodeficicência progressiva Infecções oportunistas SIDA
70 Obrigado!
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