MEDIUNIDADE & ESPIRITUALIDADE
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- Ana Júlia Fernandes Castelo
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1 Curso Online MEDIUNIDADE & ESPIRITUALIDADE com Maísa Intelisano Aula 02 - O que é Mediunidade Bloco 02 Maísa Intelisano
2 AULA 2 O QUE É MEDIUNIDADE BLOCO 2 Definição de mediunidade Conceitos de mediunidade natural e mediunidade de prova ou tarefa Olá. Neste bloco, vamos falar um pouco sobre o conceito de mediunidade. Embora o fenômeno de comunicação com o mundo dos espíritos seja tão antigo e tão disseminado e diversificado quanto a própria humanidade, como vimos no bloco anterior, o termo médium só foi criado por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, em 1861, quando publicou a primeira edição de O Livro dos Médiuns, em que, no item 159, ele diz: Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo, não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Tirada do mesmo termo em latim, a palavra médium significa intermediário, aquele que está entre, que serve de conexão ou meio de contato. E, para Kardec e os espíritas, o termo médium passou a designar todo aquele que serve de intermediário, de intérprete, de meio de comunicação entre o mundo dos espíritos ( mortos ou desencarnados) e o mundo dos homens ( vivos ou encarnados). No entanto, mais adiante, no mesmo item, Kardec define, de forma mais clara, a quem, de fato, se deve aplicar o termo médium: Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva. De acordo com Kardec, portanto, devem ser chamadas de médiuns somente aquelas pessoas que, de forma mais intensa, ostensiva e clara, apresentam fenômenos que permitem a comunicação direta entre o mundo dos espíritos e o mundo dos homens. A essa definição, ele acrescenta: Deve-se notar ainda que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. Ou seja, existem tantos tipos de mediunidade quanto sejam os tipos humanos e, com certeza, não conhecemos ainda todos os tipos de fenômenos. A partir desse ponto, Kardec faz, então, extensa classificação da mediunidade, de acordo com os fenômenos que presenciou, os médiuns que encontrou e os efeitos que observou e registrou em seus apenas 15 anos de estudos, realizados no fim do século XIX. Acontece, porém, que, embora o termo tenha se tornado muito popular a partir de então, especialmente no Brasil, os fenômenos espirituais são muito mais antigos do que isso, tão antigos quanto o próprio ser humano e anteriores a qualquer religião, e sempre estiveram presentes, de forma muito natural, nas mais diferentes tradições, épocas e culturas, como os celtas, os hebreus, os gregos, os romanos, os sírios, os persas, os hindus, os egípcios, os chineses, os xamãs das mais diversas origens, etc. O contato com o mágico, com o mundo espiritual, foi sempre muito comum, principalmente nos meios religiosos, embora tivesse outros nomes e objetivos. Nas tribos humanas primitivas, as manifestações mágicas qua- 2
3 se sempre vinham acompanhadas da presença de espíritos ( almas ou sombras dos mortos, ancestrais). Nas atividades religiosas das civilizações antigas, a consulta e a comunicação com deuses e forças espirituais eram comuns, ainda que não se falasse exatamente em médiuns e mediunidade, uma vez que, naqueles tempos, as pessoas com a faculdade de se comunicar com espíritos ou forças correspondentes eram chamadas de outros nomes, como sacerdotes, magos, feiticeiros, pajés, santos, profetas, oráculos, pitonisas e outros tantos termos, o que não impedia, no entanto, que a capacidade de comunicação espiritual estivesse presente, em diversos graus, em todas as pessoas. Kardec teve, sem dúvida, o grande mérito de ter sido o primeiro a sistematizar o estudo desses fenômenos e das pessoas com quem eles ocorriam, coletando, organizando, classificando e, principalmente, popularizando informações que estavam dispersas pelos mais variados pontos do mundo e da história, e em poder de alguns poucos privilegiados, mas não criou os fenômenos. Por isso, embora o termo médium seja relativamente recente e, talvez, o mais popular hoje, o fenômeno, em si, é tão antigo quanto a própria humanidade, independente de região, época, cultura e religião, e sempre foi vivenciado de forma muito natural. É por essa razão que a mediunidade não pode e nem deve ser encarada como algo religioso, nem como propriedade ou produto de qualquer religião, e muito menos como patologia, mas apenas como uma das manifestações transcendentes da consciência, com aspectos que envolvem não só a dimensão espiritual do homem, mas também sua dimensão física e psicológica, devendo ser estudada e trabalhada em conjunto com a Psicologia e a Medicina, principalmente. Hoje, já existem pesquisas científicas nesses campos que apontam o caráter orgânico da mediunidade e dos fenômenos psicoespirituais, obrigando-nos a uma revisão dos conceitos estabelecidos, bem como de todos os procedimentos e modos de se tratar esses fenômenos. Além disso, é preciso observar que muitos fenômenos considerados mediúnicos ou resultantes da influência de espíritos, são, na verdade, fenômenos da consciência, do próprio ser encarnado, cuja dinâmica e sensibilidade levam a entrar em contato direto com aspectos ainda não completamente conhecidos ou compreendidos de sua própria condição humana e espiritual, ou de seu próprio inconsciente. Por isso, antes de trabalhar a mediunidade ou a paranormalidade, é preciso trabalhar o suposto médium, o suposto paranormal, ajudando-o a se equilibrar e entender melhor o que acontece com ele e por que, independentemente de que religião ele professe, ou mesmo de professar qualquer religião. Os chamados fenômenos espirituais são naturais, inerentes à condição humana. É preciso, portanto, uma nova visão sobre a essa capacidade natural que nos coloca frente a frente com a nossa verdadeira essência, proporcionando-nos autoconhecimento e desenvolvimento pessoal e espiritual. Uma visão não só universalista, abrangendo todas as crenças, como também holística, considerando todas as dimensões da experiência humana. No entanto, embora a capacidade seja natural e esteja presente, em algum grau, em todos nós, a forma como ela aparece pode, segundo Edgard Armond e também Ramatis, se dar de duas maneiras. A mediunidade natural, conquista do espírito por seu esforço, evolução e crescimento espiritual. Esse tipo de mediunidade, mais raro, aparece de forma natural, sem sofrimento, sem incômodo, sem medo ou vergonha. É algo tão natural e espontâneo para o indivíduo, que não lhe causa espanto ou necessidade de explicar: os fenômenos simplesmente acontecem sem qualquer preparo, estudo ou desenvolvimento. E se mantêm assim por toda a vida, sem altos e baixos, independentemente de o indivíduo praticá-la de forma regular ou não. E a mediunidade-tarefa ou de prova, concedida ao espírito como ferramenta para acelerar seu crescimento ou aprendizado durante a encarnação, ou para ajudá-lo a corrigir em sua história algo que se encontra em desvio ou equivocado. Nesse caso, como ainda não se trata de conquista, não é algo natural para o espírito e a sensi- 3
4 bilidade sempre se apresenta de forma atribulada, incômoda, causando complicações e dificuldades. Para essa forma de manifestação da mediunidade, o espírito concorda em ser preparado antes de reencarnar, recebendo em seu corpo espiritual modificações de ordem energética que se transferem para o duplo etérico e, consequentemente, para o corpo físico ainda durante a gestação. Para esses casos, sempre há necessidade de estudo, preparo, treino e instrução, pois, como não é algo já conquistado e dominado pelo espírito, precisa ser aprendido e experimentado, para ser usado e usufruído com segurança e benefícios. Na maioria dos casos, destina-se a tarefas de serviço, ajuda ou instrução junto a outras pessoas. É importante observar que o conceito de mediunidade de prova apenas como forma de resgate de dívidas passadas, como vemos nos textos de apoio de Armond e Ramatis, é uma interpretação exclusiva dos espíritas evangélicos brasileiros, cuja formação tem forte influência dos conceitos católicos de pecado e penitência. Não é algo descrito por Kardec e nem que se encontre em outras linhas religiosas. Nas religiões de matriz africana, por exemplo, não há esse conceito de mediunidade como resgate ou pena por erros passados. O médium não é considerado um devedor, mas, no máximo, um missionário, alguém que está a serviço de sua comunidade e, para isso, recebeu uma ferramenta de trabalho. Por isso, no meu entender, mediunidade, muito mais do que pena, castigo ou resgate, é oportunidade de aprendizado, crescimento, serviço e amadurecimento espiritual. Oportunidade, sobretudo, de autoconhecimento, através da espiritualidade. Oportunidade de troca de informações e conhecimentos com outras pessoas, que não se encontram no mesmo plano de manifestação e podem nos trazer dados a que, de outra forma, não teríamos acesso. Sob esse ponto de vista, portanto, o médium é um estudioso e um prestador de serviço, a quem se deu uma ferramenta especial de trabalho, para autoconhecimento e evolução. Dessa forma, mediunidade se torna algo muito mais leve e suave, não concordam? 4
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