Do Céu Caiu Uma Estrela
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- Luciana Brás Zagalo
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1 Do Céu Caiu Uma Estrela Nuno Peixinho Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra Departamento de Matemática Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra
2 Nilus: Origone / Bertrand Editores
3 Olhemos a Lua
4 Lua Olhando a Lua vemos que os impactos por pequenos corpos são ou foram frequentes.
5 Que vemos? Não há cones vulcânicos. Elevado número de crateras de impacto: Crateras simples: D<10-15 km. Crateras complexas: D>10-15 km. Bacias: D> km.
6 Cratera Complexa Que vemos? Não há cones vulcânicos. Elevado número de crateras de impacto: Crateras simples: D<10-15 km. Crateras complexas: D>10-15 km. Bacias: D> km. Cratera Simples Bacia
7 E na Terra?
8 Meteoróides e chuvas de estrelas Os cometas libertam poeiras durante as suas passagens. Essas poeiras quando entram na atmosfera da Terra criam as chuvas de estrelas.
9 Meteoróides e chuvas de estrelas Os cometas libertam poeiras durante as suas passagens. Essas poeiras quando entram na atmosfera da Terra criam as chuvas de estrelas.
10 A que velocidade andam? Os meteoros vêm a uma velocidade de 10 a 70 km/s. Num planeta/corpo sem atmosfera nada pára o meteoro antes deste embater no solo.
11 A que velocidade andam? Os meteoros vêm a uma velocidade de 10 a 70 km/s. Num planeta/corpo sem atmosfera nada pára o meteoro antes deste embater no solo. Qual a energia de um meteoro? Energia de 1 kg a 30 km/s: Energia de 1 kg de TNT: Ec = 1/2 mv 2 = 450 Mega Joule E = 4.7 MJ Energia de 1 kg de dinamite: E = 7.5 MJ
12 Porque não nos afectam os pequenos objectos? Na Terra, a atmosfera cria um forte atrito aerodinâmico: esse atrito tende a pará-los, pois perdem energia; a forte pressão a que ficam sujeitos tende a fragmentá-los; sendo supersónicos, a onda de choque aquece-os até ºC vaporizando-os. Qual o tamanho do maior objecto que a atmosfera consegue parar? Numa aproximação grosseira, quando a massa da coluna de ar da atmosfera é igual à massa do objecto.
13 ρo
14 a H Volume da coluna de ar: Var = π a 2 H ρo Massa da coluna de ar: Mar = π a 2 H ρo
15 Volume do meteoro: Vm= 4/3 π a 3 Massa do meteoro: Mm = 4/3 π a 3 ρ a ρ a H Volume da coluna de ar: Var = π a 2 H ρo Massa da coluna de ar: Mar = π a 2 H ρo
16 Então: π a 2 ρo H 4 3 π a 3 ρ a ρo H ρ Se para a Terra: H =10 km (espessura da atmosfera) ρo =1kg/m 3 (densidade do ar) e para o meteoro: ρ =3000 kg/m 3 (densidade de rocha) ρo Temos: a 3 m
17 A atmosfera da Terra protege-nos dos meteoros de alguns metros de diâmetro. ρo
18 Que acontece se o objecto for maior? Felizmente a pressão do ar sobre o objecto é tão forte que o pode fragmentar. Tipicamente, apenas objectos maiores que m conseguirão atingir o solo com grande estrago.
19 Que acontece se o objecto for maior? Felizmente a pressão do ar sobre o objecto é tão forte que o pode fragmentar. Tipicamente, apenas objectos maiores que m conseguirão atingir o solo com grande estrago. Mas... e se for ainda maior? Bom... esperemos que caia nos Estados Unidos, como todos os filmes indicam.
20 Que acontece se o objecto for maior? Felizmente a pressão do ar sobre o objecto é tão forte que o pode fragmentar. Tipicamente, apenas objectos maiores que m conseguirão atingir o solo ainda inteiros causando grandes estragos. Formação de Panqueca Fragmentação pela força de pressão Afastamento
21 Como se fragmentam? (1) O meteoro intercepta uma certa massa de ar à taxa temporal de: m t = dm dt = π a2 ρ v v
22 Como se fragmentam? (1) O meteoro intercepta uma certa massa de ar à taxa temporal de: m t = dm dt = π a2 ρ v v A força a que está sujeito é a variação do momento por unidade de tempo: p t = (mv) t = m dv dt + v dm dt = π a2 ρ vv= π a 2 ρ v 2 0
23 Como se fragmentam? (1I) Essa força leva a uma pressão (aero)dinâmica: P ram = F A = π a2 ρ v 2 π a 2 = ρ v 2 v
24 Como se fragmentam? (1I) Essa força leva a uma pressão (aero)dinâmica: P ram = F A = π a2 ρ v 2 π a 2 = ρ v 2 Exemplos: Bola de futebol: v Pram 1kg/m 3 x 40 km/h 1kg/m 3 x 10 m/s = 100 N/m 2 Impacto cósmico: Pram 1kg/m 3 x km/h 1kg/m 3 x m/s = 1000 bar Se a pressão for maior que a força de coesão, o meteoro parte-se.
25 A que altura se fragmentam? (I) A densidade da atmosfera diminui com a altitude segundo: H h ρ(h) =ρ o e h H
26 A que altura se fragmentam? (I) A densidade da atmosfera diminui com a altitude segundo: H h ρ(h) =ρ o e h H Quando a presssão dinâmica Pram iguala a força de coesão S o corpo fragmenta-se: P ram (h) =ρ(h) v 2 = ρ o e h H v 2 = S ρo v 2 h = Hln S
27 A que altura se fragmentam? (II) Exemplos: Meteoro de Ferro S =10 8 N/m 2 v = 10 km/s = 10 4 m/s ρo = 1kg/m 3 h = H ln (1x10 8 /10 8 ) = H ln (1) = 0 Rebentaria no mesmo instante em que chega ao solo! S =10 4 N/m 2 v = 10 km/s = 10 4 m/s ρo = 1kg/m 3 Queda de cometa h = H ln (1x10 8 /10 4 ) = H ln (10 4 ) = 100 km Rebenta muito alto!
28 E a cratera? Sabendo a energia cinética do meteoro podemos fazer uma estimativa grosseira do tamanho da cratera. E c = 1 2 m m v 2 = π a3 ρ m v 2 r E p = m e gr 4 3 = π r3 ρ e 2 r gr V esfera = 4 3 π r3 Supondo que toda a energia cinética do meteoro é utilizada no transporte do ejecta vencendo a força de gravidade da Terra para subir uma altura r, temos: 2 3 πρ m a 3 v 2 = 2 3 πρ e gr 4 r = ρ m v 2 a 3 ρ e g
29 E a cratera? Sabendo a energia cinética do meteoro podemos fazer uma estimativa grosseira do tamanho da cratera. 2 3 πρ m a 3 v 2 = 2 3 πρ e gr 4 r = ρ m v 2 a 3 ρ e g Exemplo a =1000 m v = 30 km/s = m/s ρm = ρe = 3000 kg/m 3 g = 9.8 m/s 2 r km
30 Formação da cratera A formação da cratera é um processo bastante complexo e com várias fases.
31 Formação da cratera A formação da cratera é um processo bastante complexo e com várias fases.
32 Formação da cratera A formação da cratera é um processo bastante complexo e com várias fases.
33 Formação da cratera A formação da cratera é um processo bastante complexo e com várias fases. Tempo de formação cratera hemisférica: Exemplo: D=2000 m, g=9.8 m/s 2 tf 14 s t f D g Profundidade final de uma cratera hemisférica: H D 5
34 Formação da cratera A formação da cratera é um processo bastante complexo e com várias fases.
35 Importância do seu estudo Estudar crateras permite-nos estimar a idade da superfície de um objecto. Permite-nos também estimar a rigidez de um objecto. As crateras trazem para a superfície material do subsolo que de outra forma não conseguiríamos estudar.
36 Afinal qual é o perigo? Objectos de 5-10 m de diâmetro: uma vez por ano. Objectos de 50 m: uma vez cada 1000 anos. Objectos de 1 km: uma vez cada meio milhão de anos. Objectos de 5 km: uma vez cada 10 milhões de anos.
37 Grandes Eventos I Há 65 milhões de anos um objecto de cerca de 10 km caiu na Terra e levou à extinção do Cretácico. Esse objecto pode ter sido um fragmento do asteróide Baptistina. Em princípio criou a cratera Chicxulub no Yucatan, México. Não há dúvidas... um asteróide matou os dinossauros!
38 Grandes Eventos II Em 1908, um objecto de tamanho desconhecido explodiu 8 km antes de bater no solo em Tunguska, Rússia, devastando uma área de mais de 2000 km 2.
39 Um Pequeno Evento A 7 de Outubro de 2008, o Near Earth Object (NEO) 2008TC3, de cerca de 5 m, caiu no Sudão, como previsto. O impacto na atmosfera foi detectado. Recuperaram-se mais de 600 fragmentos.
40 De onde vêm?
41 Principalmente: da Cintura de Asteróides Essencialmente estão entre Marte e Júpiter (2-3.5 AU). Distribuição não uniforme. Conhecem-se mais de Mtotal 3.5 x kg ( M ). Os NEA (Near-Earth Asteroids) possuem periélios entre as e AU, portanto, passam muito próximo da Terra: Atens, Apollos, Amors.
42 Principalmente: da Cintura de Asteróides Essencialmente estão entre Marte e Júpiter (2-3.5 AU). Distribuição não uniforme. Conhecem-se mais de Mtotal 3.5 x kg ( M ). Os NEA (Near-Earth Asteroids) possuem periélios entre as e AU, portanto, passam muito próximo da Terra: Atens, Apollos, Amors.
43 Mas também: cometas, vindos de mais longe Bolas/blocos de gelos e poeiras. Originários da Cintura de Kuiper, i.e., de uma cintura de objectos para além de Neptuno (onde pertence Plutão), descoberta apenas em E da Nuvem de Oort, i.e., uma casca esférica em torno do Sistema Solar entre as AU, teorizada em 1950 mas inobservável.
44 Mas também: cometas, vindos de mais longe Bolas/blocos de gelos e poeiras. Originários da Cintura de Kuiper, i.e., de uma cintura de objectos para além de Neptuno (onde pertence Plutão), descoberta apenas em E da Nuvem de Oort, i.e., uma casca esférica em torno do Sistema Solar entre as AU, teorizada em 1950 mas inobservável.
45 Quando inactivos, os cometas parecem asteróides. Os núcleos têm dimensões de 1 a 50 km. Wild 2: Stardust, Nasa Hartley 2: Epoxi, Nasa Inactivo Activo
46 Rebentando com um cometa Em 2005 a sonda Deep Impact lançou um projéctil contra o cometa Tempel 1. O ejecta criado pelo impacto levou à conclusão que provavelmente os cometas são mais bolas de poeira cheias de gelos do que bolas de gelos com poeiras.
47 Fragmentação de cometas e colisões Em 1994 o Shoemaker-Levy 9 foi observado a fragmentar-se e cair sobre Júpiter.
48 E no dia 19 de Julho de 2009 caiu mais qualquer coisa em Júpiter!
49 E no dia 19 de Julho de 2009 caiu mais qualquer coisa em Júpiter!
50 Cometas caindo no Sol Em 1998, ao estudar o Sol, a sonda Soho detecta dois cometas, tendo detectado cerca de 2000 até hoje.
51 Que fazer?
52 Problemas Um objecto com 50 m de diâmetro é difícil de observar excepto quando já está muito perto. Para podermos fazer alguma coisa o pré-aviso tem de ser grande. Nilus: Origone / Bertrand Editores
53 O que está a ser feito?
54 Primeiro: detectar Pan-STARRS O grande projecto de 4 telescópios de 1.8 m, a instalar no Hawaii, cujo principal objectivo é detectar Near Earth Objects que possam causar impactos na Terra. Um está já em funcionamento. O sistema ficará completo em Já existem, no entanto, vários projectos com telescópios automatizados mais pequenos (Spacewatch, LINEAR, LONEOS...) a rastrear constantement o céu, mas não conseguem detectar objectos de centenas de metros com a necessária antecedência.
55 Depois: destruir? Destruir um potencial impactor é muito delicado. Não é fácil acertar numa coisa que anda a mais de 10 km/s. Não é fácil vaporizar um corpo de um ou mais kilómetros de tamanho. Fragmentá-lo pode solucionar o problema, mas também pode piorar.
56 ...ou desviar? Alterar a órbita com uma série de explosões nucleares. Impactor Cinético: alterar a órbita com um impacto de uma sonda de grande massa. Tractor Gravitacional: colocar um satélite em órbita do asteróide com um pequeno propulsor, ao longo dos anos alterará a órbita do asteróide. Focar luz solar no asteroide (com uma lente gigante) levaria a uma leve vaporização e a outros efeitos físicos que alterariam a sua órbita. Ou até pintá-lo de branco para alterar a sua órbita devido ao diferente efeito da radiação solar....
57 Os impactos são sempre maus?
58 Os impactos são sempre maus? Não!
59 Exemplos A estrutura da Cintura de Kuiper implica que os planetas gigantes migraram. Essa migração criou um caos de colisões há cerca de 3.8 mil milhões de anos. Nesse período cairam imensos cometas na Terra podendo ter trazido até 50% da água da Terra (mas mais provavelmente de 5 a 25%).
60 Exemplos A estrutura da Cintura de Kuiper implica que os planetas gigantes migraram. Essa migração criou um caos de colisões há cerca de 3.8 mil milhões de anos. Nesse período cairam imensos cometas na Terra podendo ter trazido até 50% da água da Terra (mas mais provavelmente de 5 a 25%). Os dinossauros eram ruins como as cobras e se ainda andassem por aí era um problema.
61 Mas... a questão é muito séria e se temos tecnologia para isso então temos absolutamente de nos proteger.
62 Mas... a questão é muito séria e se temos tecnologia para isso então temos absolutamente de nos proteger. Pode não cair hoje, nem amanhã, nem daqui a 100 anos... mas um dia cai.
63 Fim
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