UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ZOOLOGIA CURSO DE MESTRADO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA ANIMAL COMPORTAMENTO DE FORRAGEIO DO BOTO-CINZA (Sotalia guianensis) EM OLINDA E NO PORTO DO RECIFE, PERNAMBUCO. MILENA SANTOS MONTEIRO RECIFE, 2008.

2 MILENA SANTOS MONTEIRO COMPORTAMENTO DE FORRAGEIO DO BOTO-CINZA (Sotalia guianensis) EM OLINDA E NO PORTO DO RECIFE, PERNAMBUCO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Ciências Biológicas na área de Biologia Animal. ORIENTADORA: Maria Adélia Borstelmann de Oliveira CO-ORIENTADOR: Lídio França do Nascimento RECIFE,

3 Monteiro, Milena Santos Comportamento de forrageio do Boto-cinza (Sotalia guianensis) em Olinda e no Porto do Recife, Pernambuco. / Milena Santos Monteiro. Recife: O Autor, folhas : il., fig. tab. Dissertação (mestrado) Universidade Federal de Pernambuco. CCB. Biologia Animal, Inclui bibliografia. 1. Boto-cinza - comportamento 2. Cetáceos forrageio 3. Sotalia guianensis I. Título CDU (2.ed.) UFPE CDD (22.ed.) CCB

4 MILENA SANTOS MONTEIRO COMPORTAMENTO DE FORRAGEIO DO BOTO-CINZA (Sotalia guianensis) EM OLINDA E NO PORTO DO RECIFE, PERNAMBUCO. BANCA EXAMINADORA Data: 25 de fevereiro de 2008 RECIFE,

5 Dedico esta dissertação à minha mãe, que guiou meus passos e esteve eternamente presente em minha vida. Ao meu namorado e à sua família, que sempre vibraram pela minha felicidade e sucesso. 5

6 AGRADECIMENTOS Meus sinceros agradecimentos: A Deus, por ter iluminado meu caminho e concedido toda a força para que eu superasse todos as dificuldades. A toda minha família, especialmente a minha mãe, Carminha, por todo carinho, amizade, companheirismo e ajuda incansável durante todas as fases desse trabalho. Sem ela sei que nada disso seria possível. A João Paulo, meu eterno companheiro, por todas às vezes, que me incentivou e me ajudou incondicionalmente para que eu realizasse esse sonho. Também não poderia de esquecer de sua família, principalmente do Sr. Severino, seu pai, que tão gentilmente me levava e trazia todos os dias para a Praia de Bairro Novo, sempre na esperança de ver um golfinho. A Maria Adélia, por haver me aceitado como sua orientanda e ajudado para que essa pesquisa acontecesse. Obrigada também, pela amizade e carinho para comigo durante esses anos de convivência. A Lídio França, por mais uma vez, co-orientar-me. Independente da distancia, sempre foi e será para mim um exemplo de dedicação e sabedoria. Ao Profº Manuel Flores e a toda sua equipe do Laboratório de Química, pelas análises de minhas amostras e por todo o conhecimento que me trnsmitiram sobre monitoramento químico. Ao Profº Gabriel Rivas de Melo, a Ricardo Emídio e ao amigo, Fernando Silva, pela ajuda com as análises estatísticas tão importantes para elaboração deste trabalho. A todos os meus queridos estagiários, Adriana, Andressa, Ariane, Bárbara, Elis Carla, Fábio, Fernanda, Georgea, Hugo, Jefferson, Juliana, Julianne, Karla Monique, Maria Priscila, Marília, Raíssa, Regina, Roberta, Sávio, Sérgio e Simone. Todos estes, que praticamente firmaram um pacto de casamento, pois estiveram comigo na alegria de ver os golfinhos e na tristeza de sua ausência, na saúde e na doença, sob o sol escaldante e as sob as chuvas que muitas vezes impediram até de nos alimentarmos. Obrigada a todos. Vocês foram fundamentais na realização deste trabalho. Nunca me esquecerei de todos os momentos em que passamos juntos. À Janaína Araújo, pelos laços de amizade e pelas sugestões e dicas nos momentos de dúvidas e por compartilhar na realização do I Simpósio Nordestino de Mamíferos Aquáticos (SINEMA), aqui em Pernambuco. 6

7 A todos os meus amigos de turma, pelos momentos inesquecíveis de convivência e alegria, pela paciência, incentivo e companheirismo, que sempre guardarei em um cantinho especial do meu coração. Wel, Ana Karla e Vivi, obrigada por me ajudarem sempre nos meus momentos de desespero, vocês são uns anjos da guarda para mim. Ao Sr. Jarbas, por nos transportar todos os dias em seu barquinho Paciência I, com tanto cuidado e competência e por muitas vezes ser o nosso anjo da guarda. A essas criaturinhas tão especiais, os golfinhos, por me proporcionarem momentos tão maravilhosos e mágicos que não me canso de viver. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por financiar o meu Projeto, tornando possível sua realização. 7

8 SUMÁRIO Página LISTA DE FIGURAS 10 LISTA DE TABELAS 12 RESUMO 13 ABSTRACT INTRODUÇÃO 1.1. Aspectos Gerais Sotalia guianensis Comportamento de Forrageio Influência de fatores Ambientais na Ocorrência e Comportamento de Forrageio OBJETIVOS 2.1. Geral Específicos MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Caracterização das Áreas de Estudo Metodologia em Campo Local e Período de Observação Coleta dos Dados Definições Comportamentais Parâmetros Ambientais Composição de Grupo Atividade de Forrageio e Produção de Pescado Análise dos Dados RESULTADOS 4.1. Presença dos Botos-cinza Sazonalidade da Ocorrência dos Botos-cinza Número de Botos Avistados Simultaneamente Comparação entre os Parâmetros Ambientais do Porto do Recife e de 42 Olinda 4.2. Caracterização do Comportamento de Forrageio 49 8

9 4.3. Comportamento de Forrageio e Tamanho de Grupo Influência das Variáveis Ambientais no Comportamento de Forrageio Sazonalidade Maré e Fases Lunares Parâmetros Físicos e Químicos Uso da Área do Porto do Recife para Forrageio DISCUSSÃO 5.1. Ocorrência de Botos-cinza no Porto do Recife e em Olinda Número de Botos Avistados Simultaneamente Caracterização do Comportamento de Forrageio Sazonalidade das Atividades de Forrageio Uso da Área do Porto do Recife para Forrageio CONCLUSÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS 86 9

10 LISTA DE FIGURAS Página Figura 1: Desenho esquemático do boto-cinza (Sotalia fluviatilis). 17 Figura 2: Mapa da distribuição geográfica da espécie Sotalia guianensis. 19 Figura 3. Áreas de estudo: Praia de Bairro Novo e Porto do Recife 26 Figura 4. Foto do Ponto de Observação no Porto do Recife. 28 Figura 5. Foto do Ponto de Observação em Olinda. 29 Figura 6. Estratégias de forrageio utilizadas pelos botos-cinza. 32 Figura 7. Divisão do Porto do Recife em áreas. 35 Figura 8: Freqüência absoluta de horas que os botos-cinza estiveram presentes durante os meses de observação no Porto do Recife e em Olinda. Figura 9: Freqüência absoluta de horas que os botos-cinza estiveram presentes durante os turnos da manhã e tarde no Porto do Recife e em Olinda. Figura 10. Freqüência absoluta do número de botos-cinza observados simultaneamente no Porto do Recife e em Olinda. Figura 11. Variações sazonais dos parâmetros ambientais. 43 Figura 12. Variação dos nutrientes inorgânicos dissolvidos. 45 Figura 13. Variação sazonal na quantidade total de presas do boto-cinza pescadas no Recife e em Olinda nos meses de janeiro a dezembro de Figura 14. Freqüências relativas das famílias de presas do boto-cinza pescadas no Recife e em Olinda. Figura 15. Freqüência relativa do número de comportamentos observados no Porto do Recife e em Olinda. Figura 16. Freqüência relativa dos tipos de comportamentos de forrageio observados no Porto do Recife e em Olinda. Figura 17. Comparação entre as freqüências de saltos na captura de presas pelos botos-cinza no Porto do Recife e em Olinda. Figura 18. Percentagens dos tipos de estratégias alimentares utilizadas pelos botos-cinza no Porto do Recife em Olinda. Figura 19. Freqüências relativas dos comportamentos de forrageio realizados na presença das categorias de número de botos avistados no Porto do Recife e em Olinda

11 Figura 20.Variação das freqüências absolutas de atividades de pesca realizados pelo número de golfinhos forrageando conjuntamente no Porto do Recife e em Olinda. Figura 21. Variação do número de forrageios cooperativos nos diferentes tamanhos de grupos de boto-cinza presentes em Olinda e no Porto do Recife. Figura 22. Variação do número de forrageios observados ao longo dos meses do ano no Porto do Recife e em Olinda. Figura 23. Comparação entre as freqüências de atividades de forrageio nas estações seca e chuvosa no Porto do Recife. Figura 24. Comparação entre as freqüências de forrageios nos turnos da manhã e da tarde no Porto do Recife. Figura 25. Variação no número de comportamentos de forrageio registrados ao longo do dia no Porto do Recife e em Olinda. Figura 26. Freqüências relativas do número de comportamentos de forrageio observados durante os diferentes estados de maré no Porto do Recife. Figura 27. Variação do número de forrageios registrados nos diferentes estados de maré em função das marés de quadratura e sizígia no Porto do Recife. Figura 28. Correlação entre salinidade e o número de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife. Figura 29. Correlação entre os índices pluviométricos mensais e o número de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife. Figura 30. Correlação entre as concentrações de nutrientes inorgânicos dissolvidos e o número de forrageios registrados no Porto do Recife. Figura 31. Correlação entre a quantidade total de presas potenciais do boto-cinza pescadas e o número de forrageios observados no Porto do Recife. Figura 32. Correlação entre o esforço pesqueiro direcionado a espécie Mugil curema e a quantidade de forrageios registrados no Porto do Recife. Figura 33. Número de forrageios realizados pelos botos-cinza em cada área do Porto do Recife. Figura 34. Freqüência absoluta de atividades de forrageio observadas para as diferentes categorias de profundidades no Porto do Recife

12 LISTA DE TABELAS Página Tabela 1. Repertório dos comportamentos de forrageio realizados pelo boto-cinza 31 Tabela 2. Espécies que compõe a dieta do boto-cinza presentes no Recife e 37 Olinda. Tabela 3. Médias dos valores dos parâmetros ambientais no Porto do Recife e em 46 Olinda. Tabela 4. Quantidade de presas do boto-cinza pescadas no Recife durante o 48 período de janeiro a dezembro de Tabela 5. Quantidade de presas do boto-cinza pescadas em Olinda durante o 48 período de janeiro a dezembro de

13 RESUMO O comportamento de forrageio compreende um conjunto de atividades realizadas pelos golfinhos para obtenção de suas presas e pode variar de acordo com características específicas de cada região. O presente trabalho objetivou realizar um estudo comparativo entre o comportamento de forrageio do botocinza em Olinda e no Porto do Recife. A coleta dos dados foi realizada em pontos fixos. Os métodos de amostragem utilizados foram Todas as Ocorrências e Varredura. O estudo foi conduzido entre setembro de 2006 e agosto de 2007, com observações realizadas cinco dias consecutivos por mês no período de 8h às 16 horas. Ao todo foram realizadas 399 horas de esforço amostral em cada área, resultando em 177 horas de observação direta dos animais no Porto do Recife e 13 horas em Olinda. A ocorrência de botos-cinza no Porto foi significativamente maior. O período do ano de maior freqüência de eventos de forrageios do botos-cinza no Porto do Recife foi de setembro a dezembro. Em Olinda, os botos foram observados apenas no período de novembro a fevereiro, sendo este último mês, o de maior freqüência dos registros de forrageio. Em ambas as regiões, os golfinhos foram mais avistados e forragearam mais durante o turno da manhã. Foram registrados ao todo 1264 comportamentos de forrageio no Porto do Recife e 37 em Olinda. No Porto, foram registrados 11 comportamentos de forrageio diferentes e 4 em Olinda. Em ambas as regiões, os eventos de forrageio ocorreram em maior número na presença de 4 a 6 golfinhos. No Porto do Recife, a quantidade de forrageios parece ser influenciada indiretamente por variáveis ambientais, como a estação do ano, os estados de maré, a salinidade, o nível de precipitação pluviométrica e os teores de nutrientes inorgânicos dissolvidos e diretamente pela sazonalidade de ocorrência das presas que compõem sua dieta. Palavras-chave: comportamento; cetáceos; alimentação; ecologia; Sotalia. 13

14 ABSTRACT Foraging behavior includes the assemblage of dolphin s activities to obtain prey and it could vary in dependence to specific characteristics of each region this cetacean lives. The main objective was to realize a compartive foraging behavior study of the estuarine dolphin, Sotalia guianensis, in Olinda and Recife Port. Data were obtained from fixed points. All Occurrence and Scan sampling observations were carried out, five consecutive days per month, from 8:00 to 16:00 hours, totalizing 399 hours of sampling effort for each point, resulting in 177 hours of dolphin direct observations at Recife Port and 13 hours at Olinda (Bairro Novo Beach). These points were monitored between September, 2006 to August, Estuarine dolphin occurrence at Recife Port was significantly bigger. A greater frequency of foraging events of the estuarine dolphin at Recife Port was between September and December. At Olinda the estuarine dolphins were observed only from November to February. This last month reach the greatest frequency of foraging records. On both points the dolphins were visualized and spend more time on foraging at day shift. We recorded 1264 foraging events at Recife Port and 37, at Olinda. Eleven different patterns of foraging behavior were seen at Recife Port and four types at Olinda. For both regions the majority of the foraging events involved 4 to 6 dolphins. At Recife Port the frequency of foraging events seems to be indirectly influenced by environmental parameters as season, tide stage, salinity, rain level, and the amount of dissolved inorganic nutrients; and it seems to be directly influenced by the seasonality of occurrence on the preys that is part of its diet. Key-words: behavior; cetaceans; diet; ecology; Sotalia. 14

15 1. INTRODUÇÃO: 1.1. Aspectos Gerais: A ordem Cetacea é representada por mamíferos adaptados à vida aquática. Compreendem baleias, golfinhos, botos e toninhas (PINEDO et al., 1992). No mundo existem cerca de 79 espécies de cetáceos, (CASTELLO, 1996) e no Brasil chegam a 37 espécies descritas (IBAMA, 2001). São encontrados em todos os oceanos do mundo, desde as águas geladas dos pólos até as águas quentes dos trópicos, bem como em estuários e rios (PINEDO et al., 1992). A ordem Cetacea está dividida em três sub-ordens: Archaeoceti, que compreende todos os cetáceos extintos que viveram no Eoceno (55-38 m.a.) e no Oligoceno (38-28 m.a.). Os Archeoceti deram origem aos cetáceos pertencentes às outras duas sub-ordens, os Misticetos e Odontocetos (FORDYCE & BARNES, 1994). A sub-ordem Mysticeti é composta por quatro famílias e distribuída em onze espécies de grandes baleias, que na sua fase embrionária possuem um germe dentário, que é reabsorvido durante o desenvolvimento embrionário e, na fase adulta, adquirem barbatanas córneas de queratina utilizadas para filtrar seu alimento. Possuem dois orifícios respiratórios, os ossos da mandíbula são ligados frouxamente e os ossos do crânio são simétricos (SIMÕES-LOPES, 2005). Alimentam-se de cardumes de pequenos peixes, plâncton (microalgas e pequenos crustáceos como o krill e copépodos). Geralmente têm hábito solitário, sendo apenas encontradas em grandes grupos durante migrações nos períodos de alimentação, para altas latitudes, e de reprodução, para as baixas latitudes (HETZEL & LODI, 1993). A sub-ordem Odontoceti compreende os cetáceos com dentes e apresentam apenas uma abertura nasal, porém possuem duas passagens respiratórias cranianas. Os ossos da mandíbula são fusionados e o crânio é assimétrico em alguns grupos e, em outros, não (SIMÕES-LOPES, 2005). Alimentam-se de peixes, lulas, crustáceos e em alguns casos, de aves marinhas e de mamíferos marinhos (PINEDO et al., 1992). Geralmente não apresentam diferenças entre machos e fêmeas. Apenas os Odontocetos possuem um sistema de ecolocalização, que é utilizado para informar distância, tamanho, forma e textura (SIMÕES-LOPES, 2005). Existem oito famílias e 66 espécies descritas para a sub-ordem Odontoceti (PINEDO et al., 1992). A família Delphinidae é a maior família de odontocetos, possuindo 32 espécies, dentre elas as mais conhecidas popularmente são: o golfinho-rotador (Stenella longirostris), o golfinho 15

16 nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), a Orca (Orcinus orca), e o boto-cinza (Sotalia guianensis) (PINEDO et a.l, 1992; HETZEL & LODI, 1993) Sotalia guianensis No gênero Sotalia GRAY, 1866, foram reconhecidas inicialmente 58 formas nominais, das quais 22 foram transferidas para o gênero Souza GRAY, 1866 (HERSHKOVITZ, 1966 apud SIMÕES-LOPES, 2006). De acordo com a distribuição geográfica, foram consideradas posteriormente três espécies, Sotalia fluviatilis (na Amazônia), Sotalia guianensis (na Guiana Francesa) e Sotalia brasiliensis (no Brasil), e duas subespécies, S. fluviatilis guianensis (marinho) e S. fluviatilis fluviatilis (fluvial) (ALVES-JÚNIOR & MONTEIRO-NETO, 1999). Contudo, recentes estudos morfométricos (MONTEIRO-FILHO et al., 2002) e com DNA mitocrondial (CUNHA et al., 2005), evidenciaram a existência de duas espécies distintas: uma fluvial denominada de tucuxi (Sotalia fluviatilis), endêmica à bacia dos rios Amazonas e Orinoco e o boto-cinza (Sotalia guianensis), espécie marinha que ocorre na costa das Américas Central e do Sul (BOROBIA et al., 1991; DA SILVA & BEST, 1996; ALVES-JÚNIOR & MONTEIRO-NETO, 1999). O boto-cinza é uma das menores espécies de delfinídeos existentes, tendo em média 1,7 metros, podendo atingir até no máximo 2,2 metros de comprimento (HETZEL & LODI, 1993; DA SILVA & BEST, 1996). Apresenta como características morfológicas: nadadeira dorsal triangular, pequena, elevada e situada no centro do dorso; melão arredondado e bem distinto do rostro; apresenta uma coloração que varia do tom cinza escuro no dorso a tonalidades mais claras na região lateral do corpo, podendo a região ventral apresentar-se na cor branca ou rosa, sendo a última, mais comum em animais imaturos (PINEDO et al., 1992; HETZEL & LODI, 1993; DA SILVA & BEST, 1996) (Fig. 1). 16

17 Figura 1: Desenho esquemático do boto-cinza (Sotalia fluviatilis) (Projeto MAQUA). O boto-cinza distribui-se geograficamente desde o litoral norte de Honduras, na América Central ( S; W; DA SILVA & BEST, 1996) até o Estado de Santa Catarina, no Brasil (27 o 35 S; 48 o 34 W; SIMÕES-LOPES, 1988), apresentando uma distribuição extensa e possivelmente contínua ao longo da costa brasileira (PINEDO et al., 1992) (Fig. 2). Habita regiões costeiras, principalmente baías, canais entre baías e mar aberto, entradas de rios e áreas próximas a manguezais (HOELZEL, 1991; TORRES & BEASLEY, 2003; FAVARO, 2004). A dieta do boto-cinza é composta em grande parte por peixes das famílias Sciaenidae, Haemulidae, Gerreidae, Mugilidae, Paralechtidae, Batrocoididae e Trichiuridae, sendo a maioria desses demersais, associados a fundos arenosos ou barrentos, indicando a distribuição costeira dessa espécie. Em menor proporção, o boto alimenta-se de cefalópodes (Lolligunla brevis Loliginidae) e crustáceos das espécies Penaeus paulensis, Penaeus schmitii. A presença de espécies pelágicas e demersais na dieta do boto-cinza demostra que esses golfinhos podem se alimentar em diversas profundidades. (BOROBIA & BARROS, 1989; DI BENEDITTO et al., 2001; ZANELATTO, 2001; SANTOS et al., 2002). Geralmente, os botos-cinza são encontrados em grupos de dois a cinco animais, porém podem formar grupos de dezenas de indivíduos, como foi reportado por GEISE et al. (1999) no sudeste do Brasil. São extremamente sociais entre si, apresentando padrões de comportamento sociais bastante variados, principalmente entre adultos, juvenis e filhotes, que podem constituir desde simples deslocamentos até comportamentos de brincadeiras e forrageio (GEISE, 1991; SPINELLI et al., 2002). Não se tem registro de predadores para o boto-cinza, no entanto o tubarão-cabeça-chata (Carcharinus leucas), que utiliza sistemas estuarinos, além de tubarões costeiros de outras espécies e a orca, que habitam a costa da América Central e do Sul, podem constituir predadores potenciais desses golfinhos (DA SILVA & BEST, 1996). 17

18 Por ser uma espécie costeira, o boto-cinza vem sofrendo uma crescente ameaça decorrente do aumento das atividades humanas na costa e conseqüente degradação do seu habitat. Dentre essas ameaças, as principais são urbanização e industrialização das regiões costeiras; poluição do ambiente marinho por produtos químicos e orgânicos; exploração inadequada de manguezais e estuários; aumento do tráfego de barcos pesqueiros e turísticos; e as capturas acidentais por redes de pesca (DI BENEDITTO et al., 2000; LODI, 2003). A falta de informação levou o boto-cinza a ser classificado como espécie insuficientemente conhecida na Lista Vermelha de Animais Ameaçados da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, 2007); como espécie ameaçada de extinção no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES, 2003); no Plano de Ação do Ibama para Mamíferos Aquáticos do Brasil (IBAMA, 2001); e espécie com estado de conservação desfavorável no Apêndice II da Convenção para Conservação de Espécies Migratórias de animais Selvagens (CMS, 2002). 18

19 Figura 2: Mapa da distribuição geográfica da espécie Sotalia guianensis (Lídio França). 19

20 1.3. Comportamentos de Forrageio: De maneira geral, os comportamentos estudados em Sotalia guianensis e em outros cetáceos compreendem atividades aéreas (saltos, cambalhotas, spy hoping e batidas de partes do corpo), deslocamentos (rápido, lento, mergulho em velocidade) e atividades de forrageio (perseguição, bote, manipulação da presa, e estratégias de forrageio individuais ou em grupo). (ANDRADE et al., 1987; GEISE, 1991; HAYES, 1999; ARAÚJO et al., 2001; MONTEIRO-FILHO, 1991; NASCIMENTO, 2002; SPINELLI et al., 2002; POLETTO, 2003; SOUZA, 2004). O termo forrageio tem sido utilizado para descrever um conjunto de atividades comportamentais realizadas por cada golfinho ou por um grupo de golfinhos para obtenção de suas presas (HAYES, 1999). As estratégias de obtenção de alimento podem ser divididas em duas grandes categorias: os padrões de busca de alimento e os padrões de captura (SIMÕES-LOPES, 2005). Alguns autores consideram uma fase intermediária, que é a de detecção de presas, porém esta categoria é bastante difícil de ser distinguida dos padrões de captura (BEL KOVICH et al., 1991). Essas atividades de alimentação na superfície consistem em deslocamentos na superfície da água, seguidos de mergulhos para captura de presas, perseguições a presas, arremesso da presa, mergulho em áreas com possível abundância de alimento e consumação da presa (ARAÚJO et al., 2001; BEL KOVICH et al., 1991; GEISE, 1991; NASCIMENTO, 2002; NOWACEK, 2002). Estratégias alimentares são reportadas para muitas espécies de cetáceos em todo o mundo. Algumas são bastante peculiares, podendo até ocorrer variações entre populações diferentes de uma mesma espécie. SAULITIS et al. (2000) observaram que a população residente de orcas (Orcinus orca) captura salmões (Oncorhynchus tshanytscha) por meio de estratégias de agrupamentos e botes individuais na superfície da água, enquanto mamíferos marinhos são obtidos por orcas transientes através de movimentos de caça coordenados de vários membros de um mesmo grupo. Golfinhos pintados do Atlântico (Stenella frontalis) formam sub-grupos associados entre si para cercar e conduzir cardumes de peixes para a superfície da água produzindo bolhas de ar e utilizando saltos e batidas de cauda (FERTL &WÜRSIG, 1995). O golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) apresenta um vasto repertório comportamental de forrageio, utilizando várias estratégias de caça. BEL KOVICH et al. (1991) reportaram em seu estudo, vários tipos de estratégias individuais e em grupo. NOWACEK (2002) descreveu e analisou cinqüenta e sete seqüências de comportamento de forrageio que antecediam o sucesso na captura de peixes por 20

21 golfinhos-nariz-de-garrafa na Baía de Sarasota. Técnicas de observações embaixo da água permitiram a visualização de Golfinhos-nariz-de-garrafa procurando e escavando o sedimento com o rostro e parte do corpo para capturar peixes bentônicos próximo à ilha de Bahamas (ROSSBACH & HERZINC, 1997). As primeiras descrições de estratégias alimentares do boto cinza se referem a dois tipos básicos de comportamento: a Pesca ao acaso ou aleatória e a Pesca cooperativa ou comunitária (ANDRADE et al., 1987; GEISE, 1991; MONTEIRO-FILHO, 1992). MONTEIRO-NETO et al. (1996), reportaram duas modalidades de comportamentos de pesca para botos-cinza: a Pesca Individual ou Sincrônica, quando o indivíduo forrageia sem nenhuma organização aparente entre os demais golfinhos presentes, e a Pesca em Grupo ou Sincrônica, quando vários golfinhos são avistados trabalhando juntos para concentrar e cercar cardumes. ROSSI-SANTOS (1997) registrou a ocorrência de seis estratégias de pesca para o boto-cinza em Santa Catarina, as quais foram denominadas: Pesca aleatória individual, Pesca aleatória em grupo, Pesca cooperativa em leque, Pesca cooperativa circular, Pesca cooperativa cruzada e Pesca cooperativa em Zigue-Zague. Na Praia de Pipa - RN (MONTEIRO et al., 2006), em Cananéia SP e Ilha da Peças PR (DOMIT, 2006), os botos-cinza apresentaram um rico repertório comportamental de caça, no qual foram observados 18, 20 e 19 comportamentos, respectivamente, relacionados à atividade de forrageio. Esses comportamentos caracterizaram-se por um conjunto de diversas condutas, tais como saltos, batidas com partes do corpo e periscópios realizadas individualmente ou em grupo, que também são comuns em outros padrões comportamentais como deslocamentos e brincadeiras. 21

22 1.4. Influência de fatores Ambientais na Ocorrência e Comportamento de Forrageio As estratégias alimentares adotadas pelos golfinhos podem variar de acordo com vários fatores, tais como: espécie e tamanho do grupo de presas; seu habitat, comportamento e capacidade de fuga; agilidade de perseguição do predador; experiência de vida adquirida; tamanho e interação do grupo de predadores. (NASCIMENTO, 2002; NOWACEK, 2002; SOUTO, 2003). A dispersão e densidade de recursos disponíveis em um ambiente variam espacial e temporalmente. Estas flutuações quantitativas e qualitativas produzem mudanças em relação ao que é consumido, influenciando o comportamento alimentar de vários mamíferos (OATES, 1987 apud DAURA-JORGE et al., 2004). Assim, variáveis abióticas podem influenciar diretamente variáveis bióticas, tais como distribuição e abundância de recursos alimentares, e, indiretamente, o comportamento de forrageio dos predadores (WURSIG; WURSIG, 1980). Alguns estudos relacionam a ocorrência, distribuição, uso do habitat e comportamento dos botoscinza com variáveis ambientais, como fotoperíodo (GEISE et al., 1999; HAYES, 1999; ARAÚJO, 2001; LODI, 2002; SANTOS & LE PENDU, 2007), estado da maré (ARAÚJO, 2001; ROSSI-SANTOS, 2006), fases da lua (ROSSI-SANTOS, 2006), profundidade (GEISE et al, 1999; ROSSI-SANTOS, 2006), temperatura da água (DAURA-JORGE et al., 2004), salinidade (ROSSI-SANTOS, 2006), estações do ano (HAYES, 1999; LINK, 2000; LODI, 2002), topografia e morfologia de fundo (DOMIT, 2006; ROSSI- SANTOS, 2006), variações nas características físicas regionais (LODI, 2002) e tamanho de grupos (POLETTO, 2003; LODI, 2003; DOMIT, 2006; ROSSI-SANTOS, 2006). Dessa forma, o comportamento de forrageio pode apresentar variações de acordo com características topográficas e hidrodinâmicas específicas de cada região. Em geral, áreas costeiras com formação de baías, estuários e desembocaduras de rios são utilizadas pelo boto-cinza como áreas de descanso, interação social, reprodução, cuidado parental e alimentação, pois representam áreas com águas calmas, com risco mínimo ou ausente da ação de predadores e com grande quantidade de recursos alimentares (BOROBIA et al., 1991; DA SILVA & BEST, 1996; GEISE et al., 1999; ARAÚJO, 2001; NASCIMENTO, 2002; LODI, 2003; DAURA-JORGE et al., 2004; FLORES & BAZZALO, 2004; ROSSI-SANTOS, 2006; CREMER, 2007). O sucesso do gerenciamento de áreas ambientais depende da qualidade de informações disponíveis. Para a preservação de regiões habitadas por cetáceos, é necessário o conhecimento sobre uso de área e de 22

23 como os fatores ambientais influenciam na sua distribuição e abundância, permitindo assim, a definição de limites de áreas de preservação adequados (LINK, 2000). Embora alguns trabalhos sobre o comportamento do boto-cinza tenham sido realizados, pouco ainda se sabe sobre essa espécie, principalmente no que diz respeito ao comportamento de forrageio. No litoral de Pernambuco, estudos recentes reportam o uso da região pelo boto-cinza (ARAÚJO et al., 2005), porém ainda não existem dados comportamentais e ecológicos oriundos de um estudo sistemático sobre o botocinza. Dessa forma, o presente trabalho contribuirá para um melhor conhecimento dos aspectos comportamentais e ecológicos do boto-cinza, fornecerá subsídios para elaboração de planos de conservação para tal espécie, bem como fortalecerá a importância de um gerenciamento costeiro da região, uma vez que desse habitat depende a sua sobrevivência. 23

24 2. OBJETIVOS: 2.1 Objetivo Geral: O estudo visou realizar uma comparação do comportamento de forrageio do boto-cinza, Sotalia guianensis entre duas regiões costeiras do estado de Pernambuco, Praia de Bairro Novo e Porto do Recife Objetivos Específicos: Caracterizar o comportamento de forrageio do boto-cinza; Identificar variações na freqüência do comportamento de forrageio do boto-cinza entre dois diferentes habitas; Verificar influências dos parâmetros ambientais (temperatura, salinidade, profundidade, estado da maré, período do dia e nutrientes) sobre a freqüência de atividades de forrageio do boto-cinza; Caracterizar variações na freqüência de forrageio considerando o tamanho de grupo e estratégias utilizadas pelos botos; Verificar a influência da disponibilidade de presas sobre a freqüência de atividade de forrageio do boto-cinza. 24

25 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Caracterização da área de estudo: A Praia de Bairro Novo pertence à cidade de Olinda, enquanto o Porto do Recife à cidade de Recife. As duas regiões estão distantes cerca de 2,4 km uma da outra. A praia de Bairro Novo caracterizase por ser uma praia costeira e o Porto do Recife, uma região estuarina (Fig. 3). O município de Olinda está compreendido entre os paralelos 7 o e 8 o de latitude sul e os meridianos 39 o e 39 o de longitude oeste, perfazendo cerca de 40,83km 2. Limita-se ao norte com o município de Paulista, ao leste com o Oceano Atlântico, a oeste e ao sul com a cidade do Recife (BELTRÃO et al., 1995). A Praia de Bairro Novo compreende o trecho da Rua do Farol com imediação da R. Dr. Manoel Ramos Lima, apresentando uma extensão de aproximadamente 2 km. Apresenta obras de proteção ao litoral com comprimento de cerca de 50m, eqüidistantes 50m uma das outra e construídas perpendicular e paralelamente à praia (GOMES, 2002). O Porto do Recife situa-se na parte interna da Bacia do Pina entre os paralelos 08 o e 08 o Sul e os meridianos 34 o e 34 o Oeste, compreendendo uma região estuarina em plena área urbana, formada pela confluência dos rios Tejipió, Jiguá, Jordão, Pina e pelo braço sul do rio Capibaribe. Limita-se ao norte com os bairros de Cabanga e São José, ao sul com os bairros do Pina e Brasília Teimosa, a oeste com os rios acima mencionados, e a leste com um dique de arrecife de arenito natural. Possui uma extensão de 3,6km aproximadamente, e larguras variáveis 0,26 a 0,86km, perfazendo uma área total de 2,02km 2 (CODEPE, 1980 apud FEITOSA, 1988). Constitui um ambiente hidrodinâmico, cuja salinidade varia entre 0,42 a 37 ups, com profundidade máxima de 18m (FEITOSA, 1988). O clima da região segundo a classificação de Köppen é do tipo As, denominado quente e úmido, caracterizado por dois períodos distintos no regime pluviométrico: uma estação seca, que se prolonga de setembro a fevereiro (primavera-verão), e uma estação chuvosa, de março a agosto (outono-inverno). A temperatura média anual é de 27 o C (FEITOSA, 1988; GOMES, 2002). 25

26 1 2 Figura 3. Áreas de estudo 1. Praia de Bairro Novo; 2. Porto do Recife (Fonte: Carta Náutica Nº 902 DHN, 1989) 26

27 3.2. Metodologia em campo: Local e período de observação: As coletas dos dados foram realizadas em duas regiões: Praia de Bairro Novo, em Olinda, e porto da cidade de Recife. O ponto fixo da Praia de Bairro Novo localiza-se na extremidade de um dique artificial, denominado dique Zé Pequeno (7 o S; 34 o W) (Fig. 4) e o ponto fixo do Porto do Recife, situa-se na extremidade de um arrecife artificial, em um farol no Molhe Sul do referido Porto, que possui uma altura de 10 metros de altura (8 o 2 82 S; 34 o W) (Fig. 5). O estudo foi conduzido durante um ciclo anual, de setembro de 2006 a agosto de 2007, com observações realizadas uma semana (cinco dias consecutivos) nos pontos de coleta. As coletas eram sempre realizadas por dois ou três observadores, devidamente treinados. Em cada mês as semanas de coleta ocorreram alternadamente em cada região. O período de observação foi de sete horas diárias no horário de 8h às 16 horas. Foi realizado um total de 798 horas de esforço amostral, do qual, 399 horas foram de observação no Porto do Recife, totalizando 177 horas de observação efetiva dos animais e 399 horas de observação em Olinda, sendo 13 horas de observação efetiva dos animais. 27

28 Foto: Flávio R. Berger Figura 4. Foto do Ponto de Observação no Porto do Recife. 28

29 Figura 5. Foto do Ponto de Observação em Olinda. 29

30 Coleta dos dados: Os dados foram coletados utilizando-se os métodos amostrais de todas as ocorrências (ALTMAN, 1974), para registro das atividades relacionadas ao comportamento de forrageio, e, varredura (ALTMAN, 1974), para verificar a presença e localização dos botos dentro das áreas em estudo. Os registros de Varredura foram obtidos a cada dez minutos, e, após um período de trinta minutos sem a presença de golfinhos foi considerado como ausência até que os botos fossem novamente avistados. Para facilitar a visualização dos animais e dos comportamentos, foi utilizado um binóculo SAKURA RD 10x 90x80. As observações dos tipos de comportamentos, número de indivíduos, composição dos grupos, localização do animal no local de observação, hora e data foram registrados em um gravador portátil. Posteriormente foram passadas para planilhas pré-estabelecidas (Anexo) e, finalmente, analisadas estatisticamente Definições Comportamentais: As estratégias foram denominadas de sincrônicas ou cooperativas, quando envolveram atividades realizadas por grupos de golfinhos, e de pesca assincrônica, quando os botos forrageavam sem nenhuma correlação aparente entre os demais botos presentes. As descrições dos comportamentos de forrageio utilizadas nesta pesquisa estão listadas na tabela 1 e ilustradas na Figura 6. 30

31 Tabela 1. Repertório dos comportamentos de forrageio realizados pelo boto-cinza (adaptado de MONTEIRO et al., 2006). Tipos de Bote sem Salto Lateral O Golfinho emerge o rostro movimentando-o lateralmente e captura a presa com a boca. Vertical* O golfinho emerge verticalmente parte do seu corpo (do rostro até nadadeiras peitorais) e captura o peixe de baixo para cima. Em baixo da Água O golfinho desloca-se com velocidade em direção à região mais rasa, mergulha, captura o peixe em baixo da água e emerge com a presa na boca. 360º O golfinho emerge verticalmente, expondo parte do seu corpo e realizando um giro de 360 o captura a presa de baixo para cima. Tipos de Botes com Salto De baixo para cima* O golfinho executa um salto total ou parcial no momento em que a presa está no ar e a captura de baixo para cima. Adiantado* O golfinho persegue a presa de ventre para cima adianta-se em relação ao peixe, então realiza um salto total ou parcial e de frente para a presa, a captura. Com salto rasante O golfinho realiza um salto parcial com o corpo posicionado lateralmente, e parcial lateral* captura a presa no ar ou na superfície da água. Com salto de ventre O golfinho realiza um salto parcial de ventre para cima e captura a presa no ar. para cima* Estratégias de Forrageio Cooperativas Pente* Um grupo de golfinhos desloca-se paralelamente um em relação aos outros, direcionando os peixes para barreiras. Cerco* Um grupo de botos cerca um cardume, e logo após os golfinhos mergulham independentes e emergem com um peixe em sua boca. Atividades aéreas como saltos e batidas de cauda podem ser realizadas. Controle de Presa O golfinho joga o peixe para cima e antes que o animal caia na água, o golfinho o captura novamente, prendendo-o em sua boca. * Vertical = Log jump; Baixo para cima = Horinzontal leap; Adiantado = Wall; Salto rasante lateral parcial = 180º turn; Ventre para cima = back jump; Pente = Front formation; Cerco = Horizontal carousel (BEL KOVICH et al., 1991). 31

32 I) VII) II) VIII) III) IV) IV) X) V) XI) VI) Figura 6. Estratégias de forrageios realizadas pelo boto-cinza (MONTEIRO et al., 2006). I) Lateral; II) Vertical; III) Em Baixo da Água; IV) 360º; V) Adiantado; VI) Ventre para Cima; VII) Baixo para Cima com Salto; VIII) Rasante Lateral Parcial; IV) Controle de Presa; X) Cerco; XI) Pente. 32

33 Parâmetros Ambientais: Para localizar os botos em cada área, foram mensuradas as distâncias entre o ponto de observação e o boto, com um binóculo BUSNELL YARDAGE PRO 800 telêmetro laser 8x. Além disso, foi obtido o ângulo em que o boto encontra-se em relação ao observador, com o auxílio de uma bússola portátil. Essas medidas foram plotadas na Carta Náutica número 902 da Diretoria de Recursos Hídricos e Navegação da Marinha do Brasil (DHN, 1989), que contêm as profundidades de cada região em estudo. Os estados da maré foram caracterizados como: alta (30 minutos antes e após o maior pico da maré), vazante (30 minutos após a maior maré e 30 minutos antes da menor altura), baixa (30 minutos antes e depois do menor pico da maré) e enchente (30 minutos após a menor e 30 minutos antes da maior altura de maré) (PEREIRA, 1999 apud LODI, 2002). A altura das marés foi baseada na Tábua de Maré da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil, conforme a Tábua de Maré do Porto de Recife (08º03',4S; 034º52',0W). A temperatura foi medida com um termômetro de mercúrio, com escala de -10 a 110 ºC, e a salinidade com um refratômetro manual (RST-101ATC, com escala de 0,0 a 100,0) em todos os dias de observações nas duas localidades em estudo. Os índices pluviométricos foram obtidos das Plataformas de Coleta de Dados (PCD) de Olinda e de Recife. Esses dados foram provenientes do banco de dados do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (LAMEPE) do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP, 2007). Para a análise de sais nutrientes inorgânicos, foram coletadas amostras de 1 litro de água no canal principal do Porto do Recife e na zona de arrebentação da Praia de Bairro Novo, nos meses de setembro a outubro de 2006 e de junho a agosto de 2007, durante o período do da baixa-mar. As amostras foram congeladas e posteriormente levadas ao laboratório de Química do Departamento de oceanografia da UFPE, para serem processadas. Os teores de nitrito (NO 2 ), nitrato (NO 3 ) e fosfato (PO 4 ) dissolvidos na água foram determinados de acordo com procedimentos descritos por STRICKLAND e PARSONS (1972), e o Silicato (SiO 2 ) através das técnicas utilizadas por GRASSHOFF et 33

34 al. (1983). O potencial hidrogeniônico (ph) foi determinado com o auxílio de um ph-metro Beckman, tipo Zeromatic II. Em decorrência da diversidade morfológica, o Porto do Recife foi dividido em 5 áreas, delimitadas por linhas imaginárias referentes a marcos já existentes no local e com características ambientais peculiares a cada área. A área I compreendeu a parte mais interna do Porto, onde está presente o canal do estuário dos rios Capibaribe e Beberibe; a área II caracteriza-se por ser a região entre dois diques artificiais, o Molhe de Olinda, ao norte, e o Molhe do Pina, ao sul, denominada popularmente de Boca da Barra ; a área III refere-se a uma região de grande influência marítima, não apresentando barreira física; a área IV caracterizou-se pela presença de um dique artificial de contenção na área mais externa do Porto, o qual possui dois faróis Náuticos em suas extremidades e a área V, localiza-se na entrada principal do Porto do Recife em um canal entre o farol de observação e o dique de contenção (Fig. 7). 34

35 Figura 7. Divisão do Porto do Recife em áreas. 35

36 Composição do Grupo: Os animais foram considerados formando um grupo quando eram visualizados juntos (cerca de 10 metros de distância), apresentando atividades coordenadas, podendo ou não estar se deslocando para uma mesma direção (MANN et al., 2000). O número de botos em cada grupo foi estimado através da contagem direta dos animais que os compunha. O número de botos avistados simultaneamente nos locais de estudos foi agrupado em cinco categorias: 1 a 3 indivíduos; 4 a 6; 7 a 10; 11 a 15 e 16, de acordo com os critério adotados por ROSSI-SANTOS (2006): Atividade de forrageio e produção de pescado: As freqüências de comportamentos de forrageio foram analisadas e comparadas mensalmente com a quantidade de pescado no litoral de Olinda e Recife. As espécies de presas utilizadas para as análises foram determinadas de acordo com a composição alimentar descrita na literatura para o boto-cinza em outras regiões do Brasil. Os dados de produção de pescado em Recife e em Olinda do ano de 2004 foram obtidos através de uma pesquisa no banco de dados do Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral do Nordeste CEPENE/IBAMA e no Boletim Estatístico da Pesca Marítima e Estuarina do Nordeste do Brasil - ESTATPESCA (Brasil, 2005). A utilização dos dados referentes ao ano de 2004 ocorreu devido à ausência do registro dos dados de 2007 e a semelhança no regime pluviométrico entre os dois anos ao longo dos meses. As espécies de peixes que foram analisadas neste estudo estão listadas na tabela 2. 36

37 Tabela 2. Espécies que compõem a dieta do boto-cinza presentes no Recife e Olinda e que foram analisadas no banco de dados do CEPENE/IBAMA e no ESTPESCA (BRASIL, 2005). FAMÍLIA NOME COMUM ESPÉCIE CLASSIFICAÇÃO ECOLOGICA* FOTO Centropomidae Camurim ou Robalo Centropomus undecimalis 7 Marinha Dependente Clupeidae Sardinella brasiliensis 2 Marinha Visitante Sardinha Harengula clupeola 2 Marinha Visitante Engraulidae Manjuba Anchoa filifera 2 Marinha Dependente Haemulidae Biquara Haemulon steindachneri 3 Marinha Visitante Sapuruna Haemulon aurolineatum 3 Marinha Visitante Lutjanidae Cioba- Vermelha Lutjanus analis 5 Marinha Visitante 37

38 FAMÍLIA Lutjanidae NOME COMUM Pargo - Verdadeiro ESPÉCIE Lutjanus purpureus 4 CLASSIFICAÇÃO ECOLOGICA* Marinha Visitante FOTO Ariacó Lutjanus synagris 3 Marinha Visitante Dentão Lutjanus jocu 6 Marinha Visitante Mugilidae Tainha ou Saúna Mugil curema 1 Marinha Dependente Scianidae Cynoscion jamaicensis 4 Marinha Visitante Pescada Macrodon ancylodon 3 Marinha Visitante Penaeidae Camarão Rosa Camarãobranco Farfantepenaeus subtilis Litopenaeus schmitti Marinha Dependente Marinha Dependente * Classificação Ecologia: Marinha Dependente: espécies de peixes de origem marinha que, obrigatoriamente, utilizam águas estuarinas para alimentação e/ou para completar seu ciclo de reprodução; Marinha Visitante: espécies de origem marinha que passam maior parte do ciclo de vida no mar, penetrando nas águas estuarinas em períodos regulares ou ocasionais (VASCONCELOS-FILHO, 2001). Fotos: (acesso: 29/12/2007) 1 - Calderón, S.; 2 Carvalho Filho, A.; 3 Flescher, D.; 4 Matsuura, K.; 5 Nirchio, M.; 6 Nunes, J.L.S.; 7 Patzner, R.; 8 Ramjohn, D.D. 38

39 3.3. Análise Estatística: Os comportamentos foram analisados a cada intervalo de uma hora, tanto no período da manhã (8h às 12 horas) como no período da tarde (12h01min até 15 horas em Olinda e 13h as 16 horas no Porto do Recife). Para minimizar os efeitos da diferença de tempo entre o período do dia, bem como entre os estados de maré e, foram calculadas proporções entre o tempo de observação efetiva dos botos pelo tempo total de observação em cada período. Além disso, foram efetuados cálculos de densidade entre o tamanho de cada área e a quantidade de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife, uma vez que as 5 áreas variam de dimensão. Foi utilizado o teste U de Mann-Whitney para comparações entre a ocorrência de botos nas áreas em estudo, realização de saltos durante a captura de presas, freqüência de forrageio entre as estações do ano, período do dia e categorias de profundidade. Os dados de parâmetros ambientais foram comparados as freqüências de comportamento de forrageio utilizando o Teste de Correlação de Spearman. O Teste de Kruskal-Wallis foi usado para verificar a relação entre estados de Marés e comportamento de forrageio e o de Quiquadrado para comparar os comportamentos de forrageio no diferentes categorias de maré (enchente, cheia, vazante e seca), de acordo com as marés de quadratura e sizígia. Em todos os testes foi adotando o índice de significância p 0,05 (bilateral), 39

40 4. RESULTADOS 4.1. Presença dos botos-cinza Sazonalidade da Ocorrência de botos-cinza No período de setembro de 2006 a agosto de 2007, os botos-cinza estiveram presentes no Porto do Recife em 77,2 % dos dias (n = 44) e em 44,4% (177h) do tempo de observação. Em Olinda, os botos estiveram presentes em apenas 19,3% (n = 11) dos dias e em 3,26% (13h) do tempo total de observação na região. O teste de Mann-Whitney demonstrou que a ocorrência de botos-cinza no Porto do Recife é significativamente maior do que em Olinda (n 1 ; n 2 = 12; U = 18,0; p = 0,0018). O Período do ano de maior ocorrência do botos-cinza no Porto do Recife foi de setembro a dezembro (29,3h; 27,0h; 28,3h; 24,3h, respectivamente) e o de menor ocorrência foi de março (6,8h) a abril (4,8h), seguido de maio e junho, onde não foi observada a presença de botos. Em Olinda os botos foram observados apenas no período de novembro de 2006 a fevereiro de 2007, sendo o último mês o de maior ocorrência (6,3h) (Fig. 8). Em ambas as regiões os golfinhos foram mais avistados durante o turno da manhã (Fig. 9). 30 Presença dos botos (h) Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Meses Porto do Recife Olinda Figura 8: Freqüência absoluta de horas que os botos-cinza estiveram presentes durante os meses de observação no Porto do Recife e em Olinda. 40

41 120 Freqüência Absoluta (h) Porto do Recife Olinda Regiões Manhã Tarde Figura 9: Freqüência absoluta de horas em que os botos-cinza estiveram presentes durante os turnos da manhã e tarde no Porto do Recife e em Olinda Número de botos avistados simultaneamente: No Porto do Recife, o número de botos visualizados simultaneamente variou de 1 a 22 animais, sendo que os números de botos mais freqüentes foram 4 (n=165) e 5 (n=171) e os números acima de 11 botos foram os menos freqüentes. Em Olinda, o número de botoscinza registrados simultaneamente variou de 1 a 6 animais, sendo 6 o número de botos mais freqüente na região (n=24) (Fig. 10). 41

42 Frequência Absoluta Número de Botos-cinza Porto do Recife Olinda Figura 10. Freqüência absoluta do número de botos-cinza observados simultaneamente no Porto do Recife e em Olinda Comparação entre os parâmetros ambientais do Porto do Recife e de Olinda Na Praia de Bairro Novo a salinidade foi significativamente maior em relação ao Porto do Recife (n 1; n 2 = 48; U =140,00; p < 0,001). Entretanto, no Porto do Recife a variação sazonal da salinidade foi maior, apresentado flutuações entre os valores de 11,0 (no período chuvoso) a 35,0 (no período de estiagem), enquanto em Olinda houve uma variação menor, permanecendo entre os valores 35,0 e 36,0 com uma diminuição apenas no mês de junho para 25,0 (Fig. 11). A temperatura (mínima de 26 ºC e máxima de 31 ºC para ambas localidades) e o ph (mínimo de 6,7 no Porto e 7,2 em Olinda e máximo de 8,1 para as duas áreas) não apresentaram grandes variações dentro de cada área, não ocorrendo também diferenças significativas entre as duas regiões em estudo. O índice de precipitação pluviométrico foi outra variável abiótica que não apresentou diferenças significativas entre o Porto do Recife e Olinda, porém foi verificada uma forte sazonalidade ao longo dos meses, uma vez que os menores valores foram de 6mm e 11mm no mês de outubro e os maiores de 335,3 mm (abril) e 325 (junho) para o Porto do Recife e para Olinda, respectivamente (Fig. 12). 42

43 I) Salinidade (s.p.) Porto do Recife Olinda II) set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 Meses abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 III) Precipitação Pluviométrica (mm) Temperatura da Água (ºC) set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 Meses abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 Porto do Recife Olinda Porto do Recife Olinda set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 IV) Meses PH Porto do Recife Olinda set/06 out/06 nov/06 jun/07 Meses jul/07 ago/07 Figura 11. Variações sazonais dos parâmetros ambientais durante os meses de setembro de 2006 a agosto de 2007 no Porto do Recife e em Olinda. I) Precipitação pluviométrica; II) Salinidades médias mensais; III) Temperatura médias mensais da água; IV) ph. 43

44 Em relação aos sais nutrientes dissolvidos, não ocorreram diferenças significativas entre as duas regiões, porém considerando as médias dos meses de estudo, os teores obtidos para todos os nutrientes dissolvidos foram mais elevados no Porto do Recife quando comparados a Praia de Bairro Novo (Tab. 3). Além disso, as concentrações de sais tais como o nitrito, nitrato e silicato sofreram variações sazonais inversas nas duas regiões. À medida que no Porto houve uma tendência de redução desses nutrientes durante a estação chuvosa, em Olinda esses teores tenderam a um aumento (Fig. 12) 44

45 I) Nitrito (µ mol.l-1) set/06 out/06 nov/06 jun/07 jul/07 ago/07 Meses Porto do Recife Olinda II) Nitrato µ mol.l set/06 out/06 nov/06 jun/07 jul/07 ago/07 Meses Porto do Recife Olinda III) Fosfato µ mol.l set/06 out/06 nov/06 jun/07 jul/07 ago/07 Meses Porto do Recife Olinda IV) Silicato µ mol.l set/06 out/06 nov/06 jun/07 jul/07 ago/07 Meses Porto do Recife Olinda Figura 12. Variação dos nutrientes inorgânicos dissolvidos na água durante o período de setembro de 2006 a agosto de 2007 no Porto do Recife e em Olinda. I) Nitrito (NO 2 ); II) Nitrato (NO 3 ); III) Fosfato (PO 4 ); IV) Silicato (SiO 2 ). 45

46 Tabela 3. Médias dos valores dos parâmetros ambientais no Porto do Recife e em Olinda. NO2 NO3 PO4 SiO2 ph Pluviometria Temperatura Salinidade MÉDIAS Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Porto Olinda Geral 0,95 0,48 4,13 2,39 3,23 2,09 20,29 14,10 7,58 7,67 163,58 137,42 28,90 29,15 29,27 35,02 Estação Seca 1,64 0,08 5,41 0,08 4,30 0,67 23,34 6,36 7,70 7,49 80,05 56,33 29,31 29,38 32,38 35,66 Estação Chuvosa 0,26 0,89 2,85 4,70 2,16 3,51 17,23 21,84 7,45 7,85 247,12 218,20 28,30 28,78 24,75 33,94 46

47 As variações entre as quantidades de presas do boto-cinza nas áreas em estudo não foram significantes quando comparadas entre si, porém as freqüências de pescados em Olinda permaneceram mais estáveis ao longo do ano do que no Porto do Recife, onde o mês mais representativo em relação à pesca foi o de dezembro (32.313,9 ton) e o de menor foi junho (6.472,8 ton) (Fig. 13) (Tabs. 4 e 5). As famílias mais freqüentes no Porto do Recife foram Lutjanidae (38%), Mugilidae (19,6%) e Clupeidae (18,1%), e em Olinda foram Haemulidae (38,5%), Lutjanidae (36,6%) e Mugilidae (14,5%) (Fig. 14). Quantidade de Pescado (ton) jan/04 fev/04 mar/04 abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 Meses Porto de Recife Olinda Figura 13. Variação sazonal na quantidade total de presas do boto-cinza pescadas no Recife e em Olinda durante o período de janeiro a dezembro de Frequência Relativa (%) Centropomidae Clupeidae Engraulidae Haemulidae Lutjanidae Mugilidae Scianidae Penaeidae Famílias de Presas do Boto Porto do Recife Olinda Figura 14. Freqüências relativas das famílias de presas do boto-cinza pescadas no Recife e em Olinda. 47

48 Tabela 4. Quantidade de presas do boto-cinza em toneladas pescadas em Recife durante o período de janeiro a dezembro de Mês Ariacó Biquara Camurim Cioba Dentão Manjuba Pargo Pescada Sapuruna Sardinha Tainha Camarão Total/Mês jan/04 131,4 407,2 437, , , ,1 821,6 817, ,5 fev/04 159,9 510,4 616, ,5 171, , , ,6 mar/04 512, ,8 42, ,5 196,8 330,0 233,0 27, , , ,8 abr/04 63,0 164,4 667, ,5 65, , , , , , ,2 mai/04 11,7 395,5 37, ,0 136,0 472,5 60, ,0 488, , ,2 jun/04 3,0 289,0 34, , , , ,8 jul/ ,0 50, ,7 200, , ,0 104, ,0 763,0 8817,2 ago/ ,0 46, ,8 36, ,8 841, ,4 861, ,4 set/04 25,0 325,2 124, ,8 118, ,1 163,0 304, , , ,5 out/04 20,0 117, ,3 181,9 0 85, , , ,8 701, ,7 nov/04 30,0 170,3 55, ,4 243, ,6 313, , , , , ,8 dez/04 6,0 289,5 114, ,5 208, ,0 34, , , , , ,9 Total 962, , , , , ,7 931,0 68, , , , , ,6 Tabela 5. Quantidade de presas do boto-cinza em toneladas pescadas em Olinda durante o período de janeiro a dezembro de Mês Ariacó Biquara Camurim Cioba Dentão Manjuba Pargo Pescada Sapuruna Sardinha Tainha Camarão Total/Mês jan/ , ,6 72, ,1 227,7 420,0 95,0 20, ,8 280,0 700, ,7 fev/ , ,0 25,0 2135,1 227,7 845,0 95,0 10, ,8 311,9 704, , ,1 mar/04 512, ,8 42, ,5 196,8 330,0 233,0 27, , , ,8 abr/04 377, ,5 47, ,0 246, ,0 134,7 3, ,6 50,6 603,3 858, ,2 mai/04 285, ,2 56, ,3 243,9 280,3 32,0 55, ,1 25,9 317, ,5 jun/04 146, ,5 64, ,8 101, , ,8 2, , ,3 jul/04 399, ,4 51, , , , , ,1 984, ,4 ago/04 800, ,1 43, ,9 159, ,1 49,7 2, ,2 4, , , ,5 set/04 262, ,4 44, ,4 140, ,8 5,2 7, ,1 7, , , ,9 out/04 142, ,4 31, ,7 155, ,1 5, ,0 75, ,0 666, ,8 nov/04 201, ,8 74, ,4 234,2 17,4 194, ,2 8, , ,4 dez/04 510, ,5 51, ,2 169,0 592,8 12,9 29, ,8 73, ,4 320, ,6 Total 5.696, ,2 603, , , ,4 955,7 204, ,1 839, , , ,4 48

49 4.2. Caracterização do comportamento de forrageio Foram registrados ao todo 1264 (97,16%) comportamentos de forrageio no Porto do Recife e 37 (2,84%) em Olinda (Fig. 15). Destes, foi possível observar 337 sucessos na captura de presas pelos botos no Porto e 18 em Olinda. No Porto do Recife, houve uma maior diversidade de estratégias alimentares do que em Olinda. No Porto do Recife, foram observados oito tipos de botes e duas estratégias de captura em grupo, enquanto em Olinda foram registrados três tipos de bote e uma estratégia em grupo. Apenas no Porto do Recife foi avistado o comportamento de arremesso de presa. Os comportamentos registrados em Olinda foram: forrageio com captura em baixo da água; lateral e de baixo para cima com salto, os quais foram, em ordem decrescente, os mais freqüentes em ambas as localidades. Dos demais comportamentos registrados no Porto do Recife, o forrageio com captura vertical foi o quarto mais freqüente (4,3%) e as capturas com bote adiantado (0,1%) e 360º (0,1%) foram mais raras (Fig. 16). Os comportamentos de forrageios sem utilização de saltos para captura de presas apresentaram uma freqüência significativamente maior do que aqueles com uso de saltos tanto no Porto do Recife (n 1 ;n 2 = 36; U = 120,5; p< 0,001) quanto em Olinda (n 1 ;n 2 = 3; U = 0,00; p =0,05). As investidas dos botos sem utilização de saltos foram significativamente mais bem sucedidas no Porto (n 1 ;n 2 = 31; U = 114,00; p< 0,001) e em Olinda (n 1 ;n 2 = 3; U = 0,00; p= 0,05) (Fig. 17). Diferentes estratégias foram verificadas nas duas regiões: em Olinda, os botos foram observados conduzindo as presas de regiões mais profundas (5m) para regiões mais rasas (menos de 2m) próximas à zona de arrebentação, enquanto no Porto do Recife, os golfinhos eram observados direcionando suas presas aos arrecifes artificiais. Além disso, grupos de botos eram visualizados mergulhando e capturando peixes na zona de turbulência formada pela remoção de substrato durante a passagem de alguns navios cargueiros no canal de entrada do Porto do Recife. Botos-cinza também foram observados forrageando próximos a redes de espera e de embarcações de pesca artesanal, no Porto do Recife. 49

50 Frequência Relativa (%) Porto do Recife Ponto de Observação Olinda Porto do Recife Olinda Figura 15. Freqüência relativa do número de comportamentos observados no Porto do Recife e em Olinda durante o período de setembro de 2006 a agosto de Frequência Relativa (%) AD 360º BC EA LAT RLP VC VET Tipos de Comportamento de Forrageio Porto do Recife Olinda Figura 16. Freqüência relativa dos tipos de comportamentos de forrageio observados no Porto do Recife e em Olinda. AD= Bote adiantado; 360º= Bote com giro de 360º; B/C= Bote de baixo para cima com salto; EA= Bote em baixo da água; LAT= Bote lateral; RLP= Bote rasante lateral parcial; V/C= Bote de ventre para cima; VET= Bote vertical. 50

51 Frequência Relativa (%) Porto do Recife Olinda Sem Salto Com Salto Regiões Figura 17. Comparação entre as freqüências de saltos na captura de presas no Porto do Recife e em Olinda. Ao todo, foram registrados 296 eventos de comportamentos de forrrageio cooperativos no Porto do Recife e 22 em Olinda, sendo estes, de apenas um tipo, o cerco. A estratégia em grupo no Porto do Recife mais representativa foi a de cerco (98,3%) (Fig. 18). Essa estratégia foi realizada por grupos compostos de 2 a 10 indivíduos. As estratégias alimentares assincrônicas foram mais freqüentes no Porto do Recife (76,6%), enquanto que as estratégias realizadas cooperativamente pelos botos ocorreram em maior proporção em Olinda (59,5%) do que no Porto do Recife (23,4%). Frequência de Forrageios (%) Porto do Recife Olinda Regiões Assincrônicas Sincrônicas Figura 18. Percentagens das estratégias alimentares utilizadas pelos botos-cinza no Porto do Recife em Olinda. 51

52 4.3. Comportamento de forrageio e tamanho de grupo As freqüências de comportamento de forrageio variaram de acordo com o número de botos presentes no Porto do Recife (H = 40,77; gl = 5; p< 0,001), ocorrendo o maior número de forrageios quando estavam presentes na região grupos contendo de 4 a 6 golfinhos quando comparado as categorias 1 a 3 (Z = 3,91; p < 0,05), 10 a 12 (Z = 4,05; p < 0,05), 13 a 15 (Z = 4,69; p < 0,05) e 16 (Z = 5,58; p < 0,05). Em Olinda, o teste de Mann-Whitney demonstrou que as freqüências de forrageio observadas foram significativamente maiores para o número de botos entre 4 a 6 animais do que para a categoria de 1 a 3 indivíduos (n 1 ; n 2 = 3; U = 0,00; p = 0,05) (Fig. 19). O número de botos caçando cooperativamente variou de 1 a 10 no Porto do Recife, sendo 4 o número mais freqüente (n= 280), seguido de 2 (n= 255) e 3 (n= 215) e em Olinda o número de botos forrageando juntos variou de 1 a 6 indivíduos, com maior freqüência do número máximo de indivíduos (n= 12) para essa região (Figs. 20 e 21). Frequência Relativa (%) a 3 4 a 6 7 a 9 10 a a Categorias de Grupos Porto do Recife Olinda Figura 19. Freqüências relativas dos comportamentos de forrageio realizados na presença das categorias de número de botos avistados no Porto do Recife e em Olinda. 52

53 Frequência Absoluta de Forrageios Número de Botos Forrageando Juntos Porto do Recife Olinda Figura 20.Variação das freqüências absolutas de atividades de pesca realizadas pelo número de golfinhos forrageando conjuntamente no Porto do Recife e em Olinda. Total 160 Soma de N. Forrageio a 3 4 a 6 1 a 3 4 a 6 7 a 9 10 a a OLINDA P. RECIFE Local Cat grupo Botos FOR juntos Figura 21. Variação do número de forrageios cooperativos nos diferentes tamanhos de grupos de boto-cinza presentes em Olinda e no Porto do Recife. (Barra interna do eixo das coordenadas: número de botos forrageando cooperativamente; Barra externa: tamanho de grupo presente nas regiões). 53

54 4.4. Influências das variáveis ambientais no Comportamento de Forrageio Sazonalidade da ocorrência dos comportamentos de forrageio Os meses com maior freqüência de comportamentos de forrageio foram os de dezembro (n= 375) e setembro (n= 295) no Porto do Recife. Em Olinda, apenas nos meses de janeiro (n= 32) e fevereiro (n= 5) foram observados comportamentos de forrageio (Fig. 22). A ocorrência de comportamentos de forrageio foi significativamente maior na estação seca em relação à estação chuvosa no Porto (n 1 ; n 2 = 29; U =225,5; p= 0,0024) (Fig. 23). Frequência Absoluta Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Meses Porto do Recife Olinda Figura 22. Variação do número de forrageios observados ao longo dos meses do ano no Porto do Recife e em Olinda. Número de Forrageios Seca Chuvosa Estações do Ano Figura 23. Comparação entre as freqüências de atividades de forrageio nas estações seca e chuvosa no Porto do Recife. 54

55 Houve uma preferência dos botos-cinza pelo forragear durante o período da manhã quando comparado ao período da tarde no Porto do Recife (n 1 ; n 2 = 35; U= 413.5; p= ) (Fig. 24), no qual o horário de pico foi entre as 9h e 10 horas (Fig. 25). Em Olinda, não houve diferenças significativas entre os períodos do dia, provavelmente pelo tamanho amostral (apenas 3 dias de observações com registro de forrageio), porém o período com maior freqüência de forrageios foi o da manhã, com o pico às 9 horas (Fig. 25). Frequência Relativa (%) Porto do Recife Olinda Regiões Manhã Tarde Figura 24. Comparação entre as freqüências de forrageios nos turnos da manhã e da tarde no Porto do Recife e em Olinda. I) 350 II) Olinda Frequência Absoluta de Forrageios :00 9:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 Horários do Dia frequência Absoluta de Forrageios :00 9:00 10:00 11:00 12:00 13:00 Horários do Dia Figura 25. Variação no número de comportamentos de forrageio registrados ao longo do dia no Porto do Recife (I) e em Olinda (II). 55

56 Maré e Fases Lunares De acordo com o teste U de Kruskal-Wallis, a quantidade de forrageios observados variou significativamente em relação aos estados de maré no Porto do Recife (H = 8,04; gl = 3; p = 0,05) (Fig. 26). O teste de Dunn demonstrou que na maré vazante ocorre um aumento de atividades de caça quando comparada à maré cheia (Z = 2,64; p < 0,05). Além disso, a maré seca foi a mais representativa em termos de forrageio (22,1%) no Porto. Em Olinda não foi possível realizar testes estatísticos nem cálculos de freqüências em decorrência do número reduzido de eventos de forrageio. No Porto do Recife, as atividades de pesca dos botos-cinza não sofreram influências das fases lunares (Cheia, Minguante, Nova e Crescente) (H = 4,17; gl = 3; p = 0,2433). Contudo, os comportamentos de forrageios variaram em relação aos diferentes estados de maré em função das marés de quadratura e sizígia = 2 א) 241,57; gl = 3; p< 0,001). Assim, as atividades de alimentação foram mais intensas durante a baixa-mar (63,6%) na maré de quadratura e durante a preamar (38,5%) na maré sizígia (Fig. 27). Frequência de Forrageio (%) CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE Estados de Maré Figura 26. Freqüências relativas do número de comportamentos de forrageio observados durante os diferentes estados de maré no Porto do Recife. 56

57 Freqëncia de Forrageio (%) Cheia Vazante Seca Enchente Estados de Maré Quadratura Sizígia Figura 27. Variação do número de forrageios registrados nos diferentes estados de maré em função das marés de quadratura e sizígia no Porto do Recife Parâmetros Físicos e Químicos O teste de correlação de Spearman demonstrou que houve uma correlação positiva entre a salinidade e a quantidade de forrageios no Porto do Recife (n pares = 37; rs = 0,39; p = 0,0157) (Fig. 28) e uma correlação negativa entre as atividades de pesca dos botos com o índice de precipitação pluviométrica da região (n pares = 12; rs = -0,63; p = 0,0268) (Fig. 29). A temperatura da água (n pares = 26; rs = -0,04; p = 0,8317) e o ph (n pares = 6; rs = -0,43; p = 0,3965) não apresentaram correlações significativas com o número de forrageios registrados. Em relação aos teores de nutrientes dissolvidos, verificou-se que a variação entre a freqüência de forrageios e os teores de fosfato (n pares = 6; rs = 0,83; p = 0,0415) e nitrito (n pares = 6; rs = 0,89; p = 0,0188) foram diretamente proporcionais e estatisticamente significativas. Houve uma correlação positiva entre as concentrações de Silicato (n pares = 6; rs = 0,77; p = 0,0723) e as atividades de forrageio, porém esta não foi significativa de acordo com o teste de Spearman (Fig. 30). 57

58 250 Número de Forrageios Salinidade Figura 28. Correlação entre salinidade e o número de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife. 400 Número de Forrageios Índice pluviométrico (mm) Figura 29. Correlação entre os índices pluviométricos mensais e o número de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife. 58

59 I) 350 Número de Forrageios Concentração de Fosfato (µ mol.l -1 ) II) 350 Número de Forrageios III) Número de Forrageios Concentração de Nitrito ( µ mol.l-1) Concentração de Silicato ( µ mol.l-1) Figura 30. Correlação entre as concentrações de nutrientes inorgânicos dissolvidos e o número de comportamentos de forrageio registrados no Porto do Recife. I) Fosfato (PO 4 ); II) Nitrito (NO 2 ); III) Silicato (SiO 2 ). 59

60 A quantidade de forrageios esteve correlacionada positivamente à freqüência mensal da soma de todos os peixes que compõem a dieta do boto-cinza (n pares = 12; rs = 0,58; p = 0,05) (Fig. 31), porém quando analisados separadamente, apenas para a espécie Mugil curema (tainha ou saúna) o teste de Correlação de Spearman demonstrou uma correlação positiva e significante (n pares = 12; rs = 0,64; p = 0,0257) (Fig. 32). Numero de Forrageios Quantidade de Pescado (ton) Figura 31. Correlação entre a quantidade total de presas do boto-cinza pescadas e o número de forrageios observados no Porto do Recife. Número de Forrageios Mugil curema (ton) Figura 32. Correlação entre o esforço pesqueiro direcionado a espécie Mugil curema e a quantidade de forrageios registrados no Porto do Recife. 60

61 4.5. Uso da área do Porto do Recife para Forrageio. No Porto do Recife, a quantidade de forrageios variou significativamente com as áreas (H= 12,59; gl= 4; p= 0,0134), Havendo uma preferência pela alimentação na área II (70,3%), seguido da área V (10,8%) (Fig. 33). Embora o teste de Mann-Whitney não tenha detectado diferenças significativas entre as categorias de profundidades, houve um número maior de forrageios registrados em profundidades de 7 a 10 metros (n=717) quando comparados a profundidades de 3 a 6 metros (Fig. 34). Em Olinda, todos os comportamentos de forrageio foram observados em profundidades entre 3 e 5 metros. Densidade de Forrageio (%) I II III IV V Áreas do Porto do Recife Figura 33. Número de forrageios realizados pelos botos-cinza em cada área do Porto do Recife. Atividades de Forrageio a 6 7 a 10 Profundidades (m) Figura 34. Freqüência absoluta de atividades de forrageio observadas para as diferentes categorias de profundidades no Porto do Recife. 61

62 5. DISCUSSÃO 5.1. Ocorrência de botos-cinza no Porto do Recife e em Olinda Os oceanos formam um ecossistema aquático cujos processos químicos, físicos e biológicos interagem, influenciando toda a comunidade marinha. Os parâmetros mais importantes são a luz, a temperatura, as correntes e os elementos nutrientes, que exercem uma influência direta ou indireta em toda a estrutura oceânica (CARTON, 1997 apud FLORES-MONTES, 2003). A distribuição e abundância de alimento é um dos fatores ecológicos que determinam a utilização de área, a organização social, a composição e o tamanho dos grupos de golfinhos em uma determinada região (DI BENEDITTO et al., 2001). Águas costeiras são formadas por um mosaico de habitats que diferem tanto nos aspectos físicos quanto biológicos. Isto fica ainda mais evidente nos estuários, complexos lagunares, manguezais, pântanos alagados e desembocaduras de rios, devido à grande concentração de nutrientes e produtividade nesses locais (NORIS & DOHL, 1980; SIMÕES-LOPES, 2005). As duas áreas apresentaram características físicas, químicas e biológicas bem distintas. Segundo a classificação das águas adotada durante o Simpósio Internacional sobre Águas Salobras 1958 (Veneza Itália), Olinda se classificaria como uma área de águas euhalinas (teor de salinidade de 30,0 a 40,0), com pouca variação sazonal, e o Porto do Recife como mixohalina (0,5 a 30,0), (MACÊDO, 2004). Os estuários, diferente da plataforma continental, são caracterizados por possuir marcadas variações sazonais mensais e diárias na salinidade, em decorrência da oscilação das marés e pelo influxo de água doce dos rios e drenagem terrestre, ocasionados pelas chuvas (PASSAVANTE & FEITOSA, 2004). Como resultado, os organismos devem estar bem adaptados a estas variações de salinidade, que atuam indiretamente controlando o metabolismo dos seres e, conseqüentemente, a produtividade do ecossistema (NASCIMENTO, 2001). Em relação aos sais nutrientes dissolvidos, o Porto do Recife em média apresentou todos os teores de nutrientes mais elevados em comparação com a Praia de Bairro Novo. NASCIMENTO (2001) caracterizou o Porto como sendo um estuário supereutrofizado. Este fato 62

63 deve estar relacionado ao aporte de nutrientes carreados pelos rios que deságuam no estuário do Porto e a grande entrada de matéria orgânica decorrente do lançamento diário de esgotos domésticos provenientes dos bairros do Pina, Boa Viagem e parte do centro do Recife (NASCIMENTO, 2001; COSTA et al., 2004). Os grupos fosfatados, nitrogenados e, em menor proporção, o silicato, são elementos estruturais e importantes no metabolismo de diversos organismos, principalmente daqueles da base da cadeia alimentar. As concentrações dos nutrientes limitam a produção dos organismos clorofilados e conseqüentemente os níveis de produção de toda teia trófica (FLORES-MONTES, 2003; MACÊDO, 2004). Apesar de não serem constatadas diferenças entre as espécies de peixes presentes em Olinda e no Porto do Recife, este último apresentou, em geral, maior concentração de presas potenciais dos botos. Das espécies encontradas na plataforma continental, cerca de 60% penetram nos estuários para a reprodução e criação, por ser uma área mais protegida, e para alimentação, e por esta apresentar grande disponibilidade de recursos alimentares, principalmente zooplâncton, fitoplâncton e integrantes da meiofauna (NEUMANN-LEITÃO et al., 2004; SANTOS et al., 2004) Assim, é possível sugerir que a maior ocorrência de botos no Porto do Recife possa estar indiretamente associada a maior disponibilidade de nutrientes e diretamente relacionados à maior concentração de presas nessa região, quando comparada à Praia de Bairro Novo. Provavelmente, a Praia de Bairro Novo seja uma área de passagem dos botos do Porto para regiões mais ao norte do Estado de Pernambuco com características mais favoráveis à alimentação e outras atividades. Além disso, as observações de forrageios registradas em Olinda podem ter sido meramente oportunistas, acontecendo durante esses deslocamentos. Houve evidência de que os mesmos animais ocorrem em Olinda e no Porto do Recife, pois foi possível videoidentificar um animal com marca natural visualizado no Recife e que foi reconhecido, com o auxílio do binóculo, em Olinda. Estudos de fotoidentificação são de grande importância para estimar o tamanho da população e determinar o uso e fidelidade de áreas, assim como padrões de deslocamento do boto-cinza no litoral de Pernambuco. 63

64 MONTEIRO et al. (2006) realizaram um estudo etnobiológico, onde os pescadores das Praias de Rio Doce e Casa Caiada relataram a ocorrência de botos próxima a uma área de desembocadura de rio na Praia do Janga, porém estudos sobre a população de botos em outras regiões costeiras do Estado são necessários para corroborar essa hipótese. Além disso, a altura quase ao mesmo nível do mar do ponto de observação em Olinda, dificultou a visualização dos botos em áreas mais afastadas da costa, onde os botos podem realizar deslocamentos para regiões adjacentes Número de botos avistados No Porto do Recife, o número máximo de botos visualizados simultaneamente foi de 22 animais e em Olinda, o número de botos-cinza variou de 1 a 6 animais. Em geral, os botos-cinza são encontrados em pequenos grupos de 2 a 10 animais (ARAÚJO et al., 2001; REIS, 2002; TORRES & BEASLEY, 2003; SANTOS & LE PENDU, 2007), porém podem formar grupos de dezenas de indivíduos, como foi reportado por ANDRADE et al. (1987) e AZEVEDO et al. (2005) na Baía de Guanabara RJ (2 a 60 indivíduos). O maior tamanho grupo foi constituído de 450 botos, registrado na Baía de Paraty - RJ por LODI & HETZEL (1997). O número de botos observados com maior freqüência no Porto do Recife variou entre 4 e 5 e, em Olinda alcançou 6 indivíduos. Em ambas as regiões, a quantidade de eventos de forrageios foi maior na presença de 2 a 4 indivíduos. Grupos de 2 a 6 animais também foram os mais visualizados em outros trabalhos no litoral do Brasil (ANDRADE et al., 1987; GEISE et al., 1999; ARAÚJO et al., 2001; REIS, 2002). Possivelmente para a região nordeste, esta quantidade de indivíduos em grupo seja suficiente para aumentar a eficiência na procura e captura de presas, sem comprometer as necessidades alimentares dos indivíduos do grupo. 64

65 5.3. Caracterização do comportamento de forrageio No Porto do Recife, os botos forragearam mais e apresentaram um repertório comportamental mais rico quando comparado à Olinda. Talvez, a grande disponibilidade de alimento somada à diversidade de microhabitats nessa região, proporcionem o desenvolvimento de uma série de estratégias alimentares e benefícios energéticos que superem as desvantagens do Porto do Recife ser uma área bastante degradada em decorrência da poluição marinha e do intenso tráfego de embarcações. Comportamentos semelhantes aos registrados no presente trabalho foram também reportados para outras populações de boto-cinza e de outros cetáceos. GEISE (1989) relatou o comportamento de Bote Lateral para o boto-cinza no Rio de Janeiro; DOMIT (2006) descreveu praticamente todos os comportamentos reportados neste estudo para o boto-cinza em Cananéia e Ilha de Perças, porém com diferentes denominações, tais como: perseguição (mistura de bote lateral com controle de presas), perseguição com captura na superfície (Bote lateral); perseguição com giro do corpo (bote com ventre para cima); giro na superfície (bote com giro de 360º); imersão e seqüência de mergulhos profundos (bote em baixo da água). BEL KOVICH et al. (1991) observou tipos de forrageios semelhantes ao rasante lateral parcial (180º turn ), de baixo para cima ( log jump e horizontal leap ) e de ventre para cima ( back jump ) para a população de golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) no Mar Negro. Os tipos de comportamentos mais freqüentes em ambas as localidades foram o forrageio com captura em baixo da água, na lateral e de baixo para cima com salto. Dos comportamentos registrados no Porto do Recife, as capturas com bote adiantado e com giro de 360º foram mais raras. Resultados semelhantes a esses foram verificados na Praia de Pipa RN por MONTEIRO et al. (2006). Os autores sugeriram que as estratégias com bote lateral e de baixo para cima seriam mais comuns por proporcionarem maior velocidade no momento da captura do peixe. O bote adiantado, denominado de wall por BEL KOVICH et al. (1991), foi observado sendo realizado individualmente ou por grupos de golfinhos-naris-de-garrafa, de maneira que um grupo conduzia os peixes para outro grupo que servia como barreira para conter o deslocamento das presas. 65

66 Os botes sem a utilização de saltos foram mais freqüentes e apresentaram maiores índices de sucesso do que os com saltos. Provavelmente os botes sem utilização de saltos proporcionem maior velocidade e agilidade durante a perseguição, permitindo que o golfinho consiga alcançar o peixe mais rapidamente sem muito gasto energético. Além disso, no caso dos Botes em Baixo da Água, a utilização do biosonar pode ajudar na detecção e captura das presas, principalmente quando se trata de águas turvas como as do Porto do Recife. MONTEIRO et al. (2006), sugeriram que os saltos estariam associados às estratégias de fuga dos peixes, porém neste estudo não foram verificadas diferenças significativas entre a utilização de salto dos golfinhos e das suas presas. Provavelmente, a utilização de saltos esteja muito mais associada à experiência do animal ou à escolha deste em relação a maior probabilidade de sucesso na captura da espécie de peixe e das características do habitat onde se encontra. Na conduta controle de presa, observada apenas no Porto do Recife, os botos logo após capturar suas presas realizavam sucessivos arremessos e depois consumiam as presas. Esse comportamento, provavelmente, estaria relacionado ao posicionamento adequado durante a deglutição e ingestão da presa, a fim de evitar que escamas e espinhos danifiquem o trato digestivo dos golfinhos. Por esse motivo o peixe é arremessado algumas vezes para o ar e recapturado em seguida. Outra explicação plausível é a de que os botos tentariam desnortear ou até mesmo matar a presa, com o impacto na água, antes de consumi-la (BEL KOVICH et al., 1991; ARAÚJO, 2001; NASCIMENTO, 2002; SOUZA, 2004). DOMIT (2006) sugeriu que esta conduta seria uma forma de dilacerar e de arrancar pedaços da presa, uma vez que muitas tainhas com marcas de dentes e com pequenas partes do corpo suprimidas foram capturadas por pescadores locais, porém no presente estudo não foi obtido nenhum indício que confirmasse essa hipótese. BEL KOVICH et al. (1991) e ARAÚJO et al. (2001), sugeriram que essa conduta poderia ser utilizada como um comportamento de brincadeira pelos botos-cinza, principalmente na presença de infantes. Em relação aos comportamentos em grupo, a estratégia de cerco utilizada por grupos maiores de golfinhos, foi também denominada de horizontal carousel por BEL KOVICH et al. (1991) de caça em grandes grupos por MONTEIRO-FILHO (1992) e de arrebanhar por DOMIT (2006) e de pesca cooperativa circular por ROSSI-SANTOS (1997). Nesse 66

67 comportamento, esforços simultâneos de membros do grupo são alocados com a finalidade de manter a estrutura do cardume, de modo que, enquanto alguns animais localizados na periferia do cardume tentam manter o cardume coeso, outros golfinhos alimentam-se. Posteriormente, há um revezamento dos golfinhos para que todos possam se alimentar. Além disso, os peixes são conduzidos para a superfície da água, que pode ser utilizada como uma barreira (WÜRSIG, 1986). No presente trabalho a estratégia Em Dupla ocorreu basicamente com a mesmo função, porém envolveu um número reduzido de animais. Na estratégia de pente, a formação paralela dos animais parece estar associada à diminuição do espaço de fuga dos peixes ao mesmo tempo em que as presas são direcionadas a obstáculos ou áreas mais rasas, onde as chances de captura são maiores. Esse comportamento foi reportado para o boto-cinza na Praia de Pipa RN por NASCIMENTO (2002), que o denominou de arrastão e por ROSSI-SANTOS (1997) em Santa Catarina com o nome de pesca cooperativa em leque. Comportamentos cooperativos entre grupos de boto-cinza também foram verificados em Fortaleza (HAYES, 1999), Rio Grande do Norte (ARAÚJO et al., 2001; NASCIMENTO, 2002; MONTEIRO et al., 2006), no Rio de Janeiro (ANDRADE et al., 1987; GEISE, 1989), São Paulo (MONTEIRO-FILHO, 1992), em Santa Catarina (ROSSI-SANTOS, 1997). Outras espécies de cetáceos também foram observadas realizando estratégias em grupo, como as descritas em populações de golfinhos-pintados-do-atlântico no Golfo do México (FERTL & WURSIG, 1995), de orcas em Lofoten (NØTTESTAD et al., 2002), de golfinho-nariz-de-garrafa em águas Oceânicas (WURSIG, 1979), de golfinhos-rotadores no Havaí (NORRIS & DOHL, 1980) e de golfinho-nariz-de-garrafa e boto-de-burmeister (Phocoena phocoena) no Mar Negro (BEL KOVICH et al.,1991). As estratégias alimentares assincrônicas foram mais freqüentes no Porto do Recife, enquanto que as estratégias cooperativas ocorreram em maior proporção em Olinda. DOMIT (2006) verificou que a pesca assincrônica foi a mais freqüente tanto para Cananéia quanto para a Ilha das Peças, seguida pela de pesca em pequenos grupos e pela pesca em grandes grupos. Em áreas abertas, a dificuldade em cercar os cardumes é maior e a formação de grupos pode ser uma maneira de cooperação em busca de maior eficiência de captura e menor gasto energético (SHANE et al., 1986). 67

68 De acordo com SHANE (1990), flexibilidades comportamentais em cetáceos podem ocorrer de três formas distintas: indivíduos da mesma população com diferenças no comportamento; diversos comportamentos com uma função em comum; e diferentes comportamentos com a mesma função, porém sendo desenvolvidos por populações separadas em habitats distintos. Assim, os comportamentos individuais são limitados pela variabilidade genética, características morfológicas e fisiológicas do organismo e pelo habitat, pois dentro da riqueza de comportamentos que o organismo é capaz de realizar, ele seleciona um repertorio mais apropriado quando se encontra em um determinado tipo de habitat ou diante de uma presa (NOWACEK, 2002) NORIS & DOHL (1980) sugeriram que a formação de grupos para forrageio pode indicar mecanismos acústicos de comunicação, que possibilitam uma passagem mais rápida e eficiente de informações de um indivíduo para o outro do grupo durante atividades de forrageio. Além disso, a presença de uma grande quantidade de peixes pode exigir um maior número de golfinhos, para que a pesca seja mais bem sucedida (WURSIG, 1986). Por outro lado, os golfinhos podem efetuar perseguições individuais e obter sucesso, pois nem sempre é possível a presença de um grande grupo de golfinhos no local. O fato de os botos conduzirem as presas de regiões mais profundas para regiões mais rasas próximas a zona de arrebentação em Olinda e aos arrecifes artificiais, ou, forragear próximos a redes de espera e de embarcações de pesca artesanal no Porto do Recife, demonstra a grande capacidade adaptativa que esses animais possuem diante das características ambientais. Em Bairro Novo, por ser uma área de praia, os botos encontraram nos locais mais rasos e de maior turbulência a possibilidade de diminuir o espaço de fuga dos peixes e interromper seus deslocamentos (MONTEIRO et al., 2006). No Porto, ao invés de direcionar os peixes para a zona de arrebentação, os golfinhos os direcionaram para os diques artificiais ou utilizaram peixes presos próximos a redes de pesca na tentativa de diminuir a rota de fuga das presas e de quebrar a estrutura dos cardumes facilitando a captura individual (MONTEIRO-FILHO, 1995). Estratégias semelhantes a essa foram comumente observadas em grupos de orcas (Orcinus orca) à procura de alimento em áreas rasas próximas à costa (HOELZEL, 1993). Para Tursiops truncatus, também existem relatos do comportamento de encurralar cardumes em direção aos 68

69 bancos de areia e em direção à linha de costa (SHANE et al., 1986), assim como para redes de pesca, beneficiando os pescadores artesanais de tainha (Mugil curema) (SIMÕES-LOPES et al., 1998). Grupos de botos foram visualizados mergulhando e capturando peixes na zona de turbulência formada pela remoção de substrato durante a passagem de alguns navios cargueiros no Porto do Recife. À medida que o substrato é removido ocorre a também a remoção de materiais em suspensão, que podem ter proporcionado a atração de peixes para essa zona, uma vez que são utilizados como fonte de alimento por algumas espécies de peixes. SIMÕES-LOPES (2005) descreveu uma estratégia em que três botos-cinza forrageavam utilizando uma nuvem subaquática de lodo. O autor explica que enquanto as presas se aproximavam dessas águas turvas, tornavam-se mais suscetíveis à medida que não podiam enxergar as manobras de ataque dos golfinhos, que possivelmente utilizavam seus sistemas de biosonar para detectá-las e escolher a melhor estratégia de ataque. Além disso, a remoção do substrato pode ter também facilitado a visualização de presas bentônicas que compõem a dieta do boto-cinza Sazonalidade das Atividades de Forrageio Em ambas as regiões, os golfinhos foram mais observados e forragearam mais durante o período da manhã. A preferência de uso do habitat durante o dia corrobora os resultados de GEISE (1999) para Cananéia - SP; HAYES (1999) para Praia de Iracema - CE; ARAÚJO et al. (2001), para Baía dos Golfinhos - RN; LODI (2002) para Baía de Paraty RJ e SANTOS & LE PENDU (2007) para Baía do Pontal - BA. Esses padrões horários podem ser determinados pela utilização de uma área para alimentação, descanso e socialização, pelo tamanho da área e variação diária na disponibilidade de presas devido à influência de variáveis ambientais, tais como corrente, direção do vento e influência das marés (GARCIÁ, 1998 apud REIS, 2002; DAURA-JORGE, et al., 2005). A preferência dos botos em forragear durante as marés seca e vazante, provavelmente, está relacionada à diminuição do volume de água, que proporciona uma maior facilidade em capturar suas presas, uma vez que nessas condições a área de fuga do peixe encontra-se reduzida 69

70 (HAYES, 1999; ARAÚJO et al., 2001; SANTOS, et al., 2007). Além disso, a redução do volume de água proporciona uma maior densidade de presas. Essa relação entre diminuição de volume de água e o aumento na freqüência das atividades de alimentação é ainda mais evidenciada em decorrência durante a baixa-mar, na maré de quadratura. REIS (2002), ROSSI-SANTOS (2006) e DOMIT (2006) verificaram em suas respectivas áreas de estudo, uma maior ocorrência de botos-cinza durante a maré enchente. As variações nas freqüências no uso de uma área em diferentes regimes de marés demonstram que esta espécie explora de maneira oportunista as direções e velocidades das correntes de maré, forrageando a favor ou contra o sentido das correntes em estuários, uma vez que as presas podem utilizar o sentido das correntes para entrar e sair do estuário atraindo os botos para as regiões (ROSSI- SANTOS, 2006). BONIN (2001) observaram que a entrada de grupos de botos-cinza em águas internas dos rios da Baía de Guaratuba (PR) coincidiu com os movimentos de cardumes de peixes na Baía. A dispersão e densidade de recursos disponíveis em um ambiente variam espacial e temporalmente. Estas flutuações quantitativas e qualitativas produzem mudanças em relação ao que é consumido, influenciando o comportamento alimentar de vários mamíferos (OATES, 1987 apud DAURA-JORGE et al., 2004). Assim, variáveis abióticas podem influenciar diretamente variáveis bióticas, tais como distribuição e abundância de recursos alimentares, e, indiretamente, o comportamento de forrageio dos predadores (WURSIG & WURSIG, 1980). A produtividade nos ecossistemas aquáticos depende dos efeitos cinegéticos dos fatores metereológicos, físicos, químicos e biológicos, que limitam ou estimulam a atividade dos organismos de base de cadeia, principalmente os planctônicos autotróficos, e conseqüentemente influenciam direta ou indiretamente toda a cadeia alimentar aquática (FLORES-MONTES, 2003; PASSAVANTE & FEITOSA, 2004). A teia trófica compreende uma série de relações entre os diversos níveis da cadeia alimentar, podendo ser destacados o fluxo pelágico, que se inicia com o fitoplâncton e segue para os copepodos, decapodos e micidaceos, depois para pequenos peixes e posteriormente para grandes predadores; e o fluxo bentônico, que tem origem nos detritos e outras matérias orgânicas, que são consumidas por pequenos peixes, e esses últimos são consumidos por predadores maiores. Porém estes fluxos estão intimamente ligados, pois muitas espécies se alimentam tanto 70

71 de organismos pelágicos quanto de bentônicos, e o consumidor no topo da cadeia é freqüentemente em ambos os fluxos o mesmo animal (VASCONCELOS-FILHO, 2001). Na área estuarina da Bacia do Pina, FEITOSA (1988) verificou que as menores produtividade e biomassa fitoplanctônicas ocorreram no período de maior precipitação (inverno), proporcionando um maior carreamento de nutrientes continentais para o estuário. Como conseqüência, os teores de sais nutrientes e a turbidez foram elevados culminando na redução da camada fótica e, conseqüentemente, da produtividade fitoplanctônica. Assim, estima-se que a abundância de peixes também tenha sofrido uma redução, pois segundo NEUMANN-LEITÃO et al. (2004) é possível estabelecer uma relação estreita entre o índice pluviométrico e a produção de peixes, uma vez que, muitos destes se alimentam de seres fito e zooplânctônicos. Os resultados obtidos nesse estudo parecem corroborar essa hipótese, uma vez que durante a estação chuvosa, as menores freqüências de forrageio no Porto do Recife estiveram correlacionados ao aumento na pluviometria, diminuição na salinidade, redução dos nutrientes dissolvidos e da quantidade de presas potenciais do boto-cinza. O inverso foi verificado durante a estação seca, na qual as atividades de alimentação do boto-cinza apresentaram uma tendência a aumentar conjuntamente com a diminuição dos índices pluviométricos, aumento da salinidade, dos teores de nutrientes dissolvidos e da disponibilidade de presas na região. Embora se esperasse que com o aumento da pluviometria, a quantidade de nutrientes aumentasse devido à lixiviação continental, o ponto de coleta localizou-se na região mais externa do canal, onde ocorre a mistura da água do canal principal do estuário com a água do mar. Desta maneira, com o aumento do volume de água no canal principal, a concentração de sais minerais provavelmente foi diluída. De acordo com NEUMANN-LEITÃO et al. (2004), nos meses chuvosos, áreas costeiras pernambucanas próximas receberam influência da pluma estuarina dos Rios Capibaribe e Beberibe, contendo grandes concentrações de nutrientes e de biomassa fitoplantônica. Larvas de decápodes oriundas do estuário da Bacia do Pina foram predominantes na plataforma durante a estação chuvosa, uma vez que essas larvas servem de alimento para várias espécies de peixes (SCHWAMBORN et al., 1991; VASCONCELOS-FILHO, 2001). A freqüência de botos-cinza foi relacionada à variação sazonal de abundância e distribuição de presas no Rio Grande do Norte (ARAÚJO et al., 2001) em Fortaleza (HAYES, 71

72 1999), no Rio de Janeiro (LODI, 2002; AZEVEDO et al., 2005), em Santa Catarina (DAURA- JORGE et al., 2004). DAURA-JORGE et al. (2004) verificaram que durantes as estações frias (outono e inverno) os botos-cinza percorreram uma área maior e se deslocaram mais intensamente. Os autores sugeriram que o aumento no requerimento espacial e nos deslocamentos seria necessário para compensar a ausência e/ou escassez de suas presas, principalmente aquelas dominantes. A diminuição na ocorrência e na freqüência de forrageio durante o inverno e a ausência do botos-cinza no Porto nos meses de maio e junho, poderiam estar associada ao deslocamento desses animais do Porto para outras áreas costeiras com maior abundância de presas. Na Baía da Babitonga, o inverno e a primavera foram os períodos mais críticos, em termos de recurso alimentar, para as populações de botos-cinza e de toninhas (Pontoporia blaivillei). Assim, ambas as espécies responderam a esta situação dispersando e ampliando sua área de forrageamento. Já as estações de verão e outono apresentaram uma grande disponibilidade de recursos alimentares e as populações das duas espécies se mantiveram mais agregadas em áreas de concentração de presas (CREMER, 2007). Das espécies de presas potenciais do boto-cinza analisadas, apenas a freqüência de pesca da tainha ou sauna (Mugil curema) apresentou uma correlação com a quantidade de eventos de forrageio ao longo dos meses. CREMER (2007) verificou que na Baía de Babitonga M. curema foi a presa de maior relevância, seguida de Micropogonias furnieri (corvina) e Diapterus rhombeus (carapeba). No Rio de Janeiro, as espécies mais representativas foram Trichiurus lepturus (peixe-espada), Porichthys porosissimus (Piramangaba) e Mugil sp. ocupou a 19º posição em relação ao índice de relevância (DI BENEDITTO et al., 2001). Essa relação pode indicar que a tainha seja uma espécie de presa predominante na dieta do boto e que a distribuição, comportamento e abundância do boto seja influenciada pela disponibilidade desse recurso alimentar. Contudo, são necessários estudos sobre o conteúdo estomacal e ecologia alimentar do boto-cinza no litoral de Pernambuco para corroborar essa hipótese, pois muitas espécies que são importantes na dieta desse animal em outras regiões do País, tais como o peixe-espada (Trichiurus lepturus) e a carapeba (Diapterus rhmobeus), habitam a região costeira do Estado (LESSA et al., 2006) e, no entanto, não são registradas no banco de 72

73 dados do CEPENE. Essas espécies, e talvez outras que componham a dieta do boto, não sejam alvos da pesca na região, porém representem grande relevância na alimentação dos botos. Outro fator que pode ter influenciado na redução ou ausência de botos no Porto é a presença de tubarões. HAZIN et al. (2000) registraram a ocorrência de oito espécies de tubarão no litoral pernambucano, Carcharhinus acronotus (Flamengo); Carcharhinus plumbeus (Sucuri) Carcharhinus leucas (Cabeça-chata); Carcharhinus limbatus (Galha-preta); Carcharhinus porosus (Azeiteiro); Galeocerdo cuvier (Tigre); Ginglymostoma cirratum (Lixa) e Sphyrna lewini (Martelo). Os golfinhos são itens alimentares, tanto para o tubarão Cabeça-chata, quanto para o tubarão Tigre (COMPAGNO, 1984). Várias espécies da família Carcharhinidae utilizam berçários, que são áreas geograficamente discretas dentro da distribuição da espécie, para onde as fêmeas migram por ocasião do parto, e onde os filhotes permanecem durante os estágios iniciais do ciclo de vida (CASTRO, 1993 e SIMPFENDORFER & MILWARD, 1993 apud GARLA, 2003). Os berçários normalmente são localizados em regiões costeiras com águas relativamente rasas e oferecem as vantagens seletivas de uma baixa taxa de predação, abundância de presas e hábitat apropriado para os jovens (MORRISSEY & GRUBER, 1993 e MERSON & PRATT, 2001 apud GARLA, 2003). Assim, o Porto do Recife constitui uma área com características atrativas para ser usada como berçários. De acordo com COMPAGNO (1984) o tubarão Cabeça-chata utiliza áreas estuarinas como berçários durante os meses de inverno. Além disso, HAZIN et al. (2000) capturou esses animais em áreas um pouco ao Sul da entrada do Porto, durante os meses de março (n = 1) e em junho (n = 3). Porém, estudos comparativos entre as freqüências de ocorrências dos botos-cinza e de tubarões são necessários para corroborar essa hipótese Uso da área do Porto do Recife para Forrageio. Em relação ao uso das áreas no Porto, houve uma preferência dos botos pelas áreas II e V (vide Fig. 6), que se localiza em canais entre diques artificiais na entrada do Porto. De acordo com LODI (2002), áreas de passagem proporcionam obstruções que agrupam as presas, favorecendo emboscadas e produzem correntes favoráveis que reduzem o custo energético do forrageamento. SHANE (1990), observou que o golfinho-nariz-de-garrafa após um período 73

74 nadando contra a corretenza, mergulhava e emergia com um peixe em sua boca. A autora denominou esse comportamento de alimentação contra corrente e sugeriu que as presas eram arrastadas para o predador devido à força das correntes. SIMÕES-LOPES (2005) relata a ocorrência dessa estratégia pelo golfinho-nariz-de-garrafa na Baía de Tramandaí. Embora o maior número de eventos de forrageio no Porto do Recife tenha sido registrado em profundidades de 7 a 10 metros, não houve diferença significativa entre esta categoria e a de profundidades de 3 a 6 metros. Provavelmente, a maior ocorrência de forrageios em áreas mais profundas, seja devido a essas áreas se localizarem mais próximas à região de mar aberto, favorecendo a concentração de presas marinhas. Em Olinda, os comportamentos foram observados em profundidades de 3 a 5 metros. A preferência de utilização de botos variou com diferentes profundidades em várias regiões do Brasil. ANDRADE et al. (1987), verificaram que os botos ocorrem mais em áreas com profundidades maiores que 5 metros, REIS (2002) e AZEVEDO et al. (2005) relataram a preferência dos botos em águas de 6 a 12m e 10m, respectivamente. Contudo, SIMÃO & POLETTO (2002) constataram que os botos pescam mais nas áreas de profundidade maior que 10 metros durante todo o ano. A presença de espécies de presas tanto pelágicas quanto demersais na dieta do boto-cinza, demonstra que esse golfinho pode se alimentar em diferentes profundidades (DI BENEDITTO et al., 2001). 74

75 6. CONCLUSÕES: Por ser uma área estuarina, com grande disponibilidade de recursos alimentares, o Porto do Recife constituiu um local muito utilizado pelos botos como área de forrageio, enquanto Olinda caracterizou-se como uma área de deslocamento dos botos-cinza entre regiões adjacentes, com atividades de forrageio ocorrendo de maneira oportunista. Os botos-cinza apresentaram um repertório comportamental mais diversificado no Porto do Recife quando comparado a Olinda. Houve uma preferência dos botos por direcionar as presas para regiões mais rasas e com presença de obstáculos, o que possivelmente proporcionou a diminuição da rota de fuga dos peixes e o amento no sucesso da captura. As freqüências de atividades de forrageio sofreram influência de vários fatores ambientais em ambas as regiões, sendo mais freqüentes durante o turno da manhã e no verão. No Porto do Recife, a quantidade de forrageios foi influenciada indiretamente por variáveis ambientais, como a estação do ano, os estados de maré, a salinidade, o nível de precipitação pluviométrica e os teores de nutrientes inorgânicos dissolvidos e, diretamente, pela sazonalidade de ocorrência das presas que compõem a dieta dos botos. Este trabalho constituiu um passo inicial para um melhor entendimento dos aspectos comportamentais e ecológicos do boto-cinza. Porém faz-se necessária a realização de mais estudos sobre a ecologia alimentar, o tamanho da população, o uso e fidelidade de áreas, bem como sobre padrões de deslocamento do boto-cinza no litoral de Pernambuco. Locais de grande importância para a alimentação, como o Porto do Recife, são consideradas como áreas-chave para a conservação de cetáceos. Assim, espera-se que as informações contidas nesta pesquisa forneçam subsídios para elaboração de planos de conservação e de gerenciamento costeiro da região, uma vez que desse habitat depende a sobrevivência da espécie estudada. 75

76 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALTMANN, J. Observational study of behavior: sampling methods. Behaviour, 49(3/4): ALVES-JUNIOR, T.T. & C. MONTEIRO-NETO. Caracterização morfológica e morfométrica do boto-cinza, Sotalia fluviatilis (Gervais, 1853) da costa do Estado do Ceará, Brasil. Arquivos de Ciências do Mar, Fortaleza, 32: ANDRADE, L.; SICILIANO, S. & CAPISTRANO, L. Movimentos e atividades do boto Sotalia guianensis (Cetacea, Delphinidae) na Baía de Guanabara Rio de Janeiro. In: Reunião de Trabalhos de Especialista em Mamíferos Aquáticos da América do Sul, 2, 1987, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, p ARAÚJO, J. P., PASSAVANTE, J. Z. O., & SOUTO, A. S. Behavior the estuarine dolphin, Sotalia guianensis, at Dolphin Bay Pipa Rio Grande do Norte Brazil. Tropical Oceanography, 29(2), ARAÚJO, P. J.; ARAÚJO, M. E. & FREITAS, D. A. Áreas de ocorrência de Sotalia fluviatilis (Cetácea: Delphinidae) no litoral de Pernambuco. Resumos do VI Encontro Nacional sobre Conservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos, UNIVALI, Itajaí. p AZEVEDO, A. F.; VIANA, S. C.; OLIVEIRA, A. M. & SLUYS, M. V. Group characteristics of marine tucixis (Sotalia fluviatilis) in Guanabara Bay, south-eastern Brazil. Journal of the Marine Biological Association of the Unitede Kingdom, 85: BEL KOVIC, V. M.; IVOVA, E. E.; YEFREMENKOVA, O. V. ; KOZAROVITSKY, L. B. & KHARITONOV, S. P.. Searching, behavior in bottlenose dolphin (Tursiops truncatus) in the Black Sea. In: Prior, K & Norris, K. S. (Eds). Dolphin Societs: Discoveries and Puzzles. University of California Press, Berkeley, C. A p BELTRÃO, A. DE L.; MAIA, J. T. A.& OLIVEIRA, M. L. Diagnóstico ambiental do município de Olinda: uma contribuição ao Plano Diretor. Recife, CPRH p. BONIN, C. A. Utilização de habitat pelo Boto-cinza, Sotalia fluviatilis guianensis (Cetacea, Delphinidae), na porção norte do Complexo estuarino da baía de Paranaguá, PR. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba

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86 A N E X O S 86

87 Planilha 1: Presença, localização e atividades dos botos-cinza, utilizando o método Varredura. Temp: Salin: Índice pluviométrico: Insolação: Tempo: Hora Nº Nº Comportamentos Local Local Local Local boto grupo DE SU ST SP CA PE BC FOR B A D B A D B A D B A D 8:00 8:10 8:20 8:30 8:40 8:50 9:00 9:10 9:20 9:30 9:40 9:50 10:00 10:10 10:20 10:30 10:40 10:50 11:00 11:10 11:20 11:30 11:40 11:50 12:00 12:10 12:20 12:30 12:40 12:50 13:00 13:10 13:20 13:30 13:40 13:50 14:00 14:10 14:20 14:30 14:40 14:50 15:00 15:10 15:20 15:30 15:40 15:50 16:00 LEGENDA: Comportamentos: DE= deslocamento; SU =Surfe; SP= Salto parcial; ST= Salto total; CA= Cambalhota; PE= periscópio; BCD= batida corporais; FOR= Forrageio. Localização: B = Nº de botos; A = ângulo; D = distância do observador. 87

88 Planilha 2: Comportamentos de forrageio utilizando o método amostral Todas as Ocorrências. Data N. ind N. de N. boto em Ativ. Antes N. boto Tipo de Tipo de no local grupos Cada grupo Do For. For. Pers. Desloca Hora In/Fim D V LA R L P Tipos de Bote Ang/dist/prof Tempo Pers Sucesso CP Tipo CP Ativ.depois do For Tipo Fuga Peixe LEGENDA In.= início; N.= número; Ativ.= atividade; For.= Forrageio; Pers.= perseguição; CP= controle da presa; Ang= Ângulo; Dist= Distancia; Prof.= Profundidade Faixa Etária: A= adulto; J= juvenil; F= filhote. Tipo de Perseguição: D= dorso para cima; V= ventre para cima; LA= lateral Tipo de Deslocamento: R= rápido; L= lento; P= porposing (deslocamento rápido com saltos) Tipos de Bote: VERT= Vertical; B/C S= baixo para cima com salto; LA= lateral; V/P= ventre para cima; EA= embaixo da água; AD=adiantado; AL= alicate; RPL= rasante lateral parcial Tipos de Controle da Presa: CA= para cima com recaptura na água; CAR= para cima com recaptura no ar; LA= Lateral; Co= Coletivo. 88

89 Tabela 6. Lista dos itens alimentares reportados na literatura que compõe a dieta de Sotalia guianensis, ao longo da costa brasileira (adaptada de LODI, 2002). ESTADO FAMÍLIA GÊNERO e/ou ESPÉCIE NOME COMUM HÁBITAT (25) PEIXES PR Antheridade Atherinella brasiliensis (23) Peixe-rei PR, SP, RJ Ariidae Bagre bagre (7,21) Sciadeichthys luniscutis (21) Arius spixii (21) Bagre Bagre-cabeçudo Bagre Demersal /Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas PR, SP, RJ, ES PR, SP, ES, BA, RN Batrachoididae (13,15) Carangidae (13,16,19,22) Porichthys porosissimus (2,4,6,7,13,20,21,24) Oligoplites saliens (7) Oligoplites Spp. (23) Selene setapinnisi (23) Chloroscombrus chrysurus (23) Mamangá-liso,Bagre-sapo, Peixe-sapo Guaivira Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico/Áreas neríticas e estuarinas PR, RN Centropomidae (22) Centropomus spp. (17) Robalo Demersal / Áreas neríticas e estuarinas SC, PR, SP, RJ, ES, BA Clupeidae (1,13,14,16,17,19) Pellona harroweri (6,13,21,23) Harengula clupeola (7,11,24) Sardinella brasiliensis (11,21,23,24) Odontognatus mucronatus (21) Olhuda, Apapá,Sardinha Sardinha-cascuda Sardinha-verdadeira Sardinha-dentuça,sardinhade-dente Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas SC, PR, SP, RJ, ES Engraulidae (7,13,15,17) Anchoa spp. (5,13,15,23,24) Anchoa filifera (20,21) Anchoviella epidentostole (3,5) Licengraulis grossidens (10,23) Cetengraulis edentulus (23) Manjuba Manjuba-branca Manjuba Manjuba, manjubão Sardinha-xingó Pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Pelágico / Áreas neríticas e estuarinas RN Exocoetidae (22) Peixe-agulha, Farnangaio Pelágico / Áreas neríticas PR Gadiidae Urophycis brasiliensis (23) Bacalhau Bairdiella ronchus (23) Oveva (CONTINUA) 89

90 ESTADO FAMÍLIA GÊNERO e/ou ESPÉCIE NOME COMUM HÁBITAT SC, PR, SP, BA, AL, RN Gerreidae (14,15,17,22) Gerres sp. (18) Diapterus olisthostomus (9) Diapterus rhombeus (16,19,23) Eucinostomus gula (7) Eucinostomus argenteus (24) Eucinostomus Spp. (23) Carapeba Carapeba Carapeba Parmitunga,Caratinga,Carapicu Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas SC, PR, SP, RJ, ES, BA Haemulidae (13,14,15) Orthopristis ruber (4,21,23,24) Bairdiella rhonchus (18) Haemulon steindachneri (7,23) Conodon nobilis (21) Genyatremus luteus (23) Pomadasys corvinaeformis (23,24) Porichthys porossissimus (23) Roncador-do-fundão Roncador Roncador-das-pedras, Corcoroca-boca-larga Roncador Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico / Áreas neríticas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas RJ,ES Lutjanidae (13,21) Lutjanus spp. Lutjanus griséus (23) Caranha, Pargo, Gariúba,Baúna, Cioba-vermelho Demersal, oceânico / Áreas neríticas e estuarinas SC, PR, SP, RJ, Mugilidae Mugil spp. (7,9, 21, 24) Tainha Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas BA, AL, RN (12,15,17,22) Mugil liza (9) Mugil curema (10,11) Tainha Tainha, Parati ou Saúna Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico / Áreas neríticas e estuarinas RJ Muraenoscidae Ariosoma opisthophthalma (20,21) Congro Demersal / Áreas neríticas e estuarinas PR Ophichthiidae (17) Myrophis punctatus (23) Muçum,Iroró,Cobra-domar,Miriquitis,Muriongo Demersal / Áreas neríticas e estuarinas RJ Phycidae Urophicys brasiliensis (21) Abrotéia Demersal / Áreas neríticas SC Pleuronectidae (10) Linguado Demersal / Áreas neríticas PR, SP Paralichthyidae Paralichthys Spp. (23) Linguado Demersal / Áreas neríticas (15) Paralichthys orbgnyanus (24) Citharicthys Spp. (23) RJ,ES Pomatomidae Pomatomus saltatrix (13,21) Enchova Pelágico / Áreas neríticas (CONTINUA) 90

91 ESTADO FAMÍLIA GÊNERO e/ou ESPÉCIE NOME COMUM HÁBITAT SC, PR, SP, RJ, ES, AL Scianidae (9,13,14,15,17) Stellifer spp. (4,7,9,21,23,24) Stellifer brasiliensis (4,7,15,21,24) Stellifer rastrifer (4,7,15,21,23,24) Cynoscion spp. (1,6,13) Cynoscion leiarchus (1,24) Cabeça-dura, cangoá Pescada Pescada branca Pescada,Maria-mole Pescada,Pescada-goete Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal, Áreas neríticas e estuarinas Demersal, Áreas neríticas e estuarinas Demersal pelágico /Áreas neríticas e estuarinas Demersal pelágico /Áreas neríticas e estuarinas Demersal pelágico /Áreas neríticas e estuarina Demersal pelágico/ Áreas neríticas e estuarinas Cynoscion striatus (2,6,10) Cynoscion jamaicensis (2,6,10,15,21) Cynoscion virencens (21,23,24) Cynoscion guatucupa (21,23) Nebris microps (21) Macrodon ancylodon (21,24) Umbrina coroides (13,21) Ctenosciaena gracilicirrhus (4,13,21,23) Pogonias cromis (6,21) Micropogonias furnieri (4,7,10,15,21,23,24) Menticirrhus spp. (13) Menticirrhus americanus (10,21,23) Paralonchurrus brasiliensis (10,15,20,21,23,24) Larimus breviceps (7,24) Isopisthus parvipinnis (7,15,21,23,24) Pescada Pescada Pescada-banana Pescada-foguete,Pescadacambucu Curvininha,Castanha-baré, Castanhota Miraguaia Corvina Betara Papa-terra Maria-luíza,Roncador Oveva,Cabeça-torta Tortinha,Pescadinha Demersal pelágico/ Áreas neríticas e estuarinas Demersal pelágico/ Áreas neríticas e estuarinas Demersal/ áreas neríticas Demersal pelágico/áreas neríticas e estuarinas Demersal / Áreas neríticas Demersal / Áreas neríticas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Demersal pelágico, Áreas neríticas e estuarinas Demersal, Áreas neríticas e estuarinas Demersal, Áreas neríticas e estuarinas Demersal, Áreas neríticas e estuarinas Demersal/ Áreas neríticas e estuarinas Demersal-pelágico/ Áreas neríticas e estuarinas (CONTINUA) 91

92 ESTADO FAMÍLIA GÊNERO e/ou ESPÉCIE NOME COMUM HÁBITAT SC, PR, SP Serranidae Dules auriga (7) Badejo-fita Demersal-pelágico / Áreas neríticas (14,17) ES, BA Sparidae Pargo,sargo-de-dente, Demersal-pelágico /Áreas neríticas e estuarinas (13,16,19) Peixe-pena,Marimbá RJ Stromateidae Peprilus paru (21) Gordinho Demersal-pelágico / Áreas neríticas PR Synodontidae Synodus foetens Peixe-lagarto SC, PR, SP, RJ, Trichiuridae Trichiurus lepturus Espada Demersal pelágico /Áreas neríticas e estuarinas ES, AL (14,17) (2,6,7,9,10,13,15,16,18,20,21,23, 24) (24) CEFALÓPODES PR Argonautidae Argonauta nodosa (23) Polvo SC, PR, SP, RJ, ES, AL Loliginidae (2,14) Loligo spp. (6,10,13) Loligo plei (4,17,20,23) Loligo sanpaulensis (7,17,20,23) Lolliguncula brevis (6,7,9,15,17,23,24) Dorythenthis plei (7) Lula Lula Lula Lula Demersal/Áreas neríticas e estuarinas Demersal-semipelágica/ Áreas neríticas Demersal / Áreas neríticas e estuarinas Semipelágica / Áreas neríticas Lula SP Ommastrephidae Illex argentinus (8) Lula Demersal / Áreas neríticas e profundidades acima de 200m SC,PR,SP,RJ,ES, BA CRUSTÁCEOS (23) Penaeidae (10,13,15,17,19) Farfantepenaeus brasiliensis (7) Penaeus paulensis (24) Penaeus schmitii (24) Camarão-rosa Áreas neríticas e estuarinas SC = Santa Catarina, PR = Paraná, SP = São Paulo, RJ = Rio de Janeiro, ES = Espírito Santo, BA = Bahia, AL = Alagoas, RN = Rio Grande do Norte Fonte dos dados: 1 - Carvalho (1963), 2 - Borobia (1984), 3 - Andrade et al. (1987), 4 - Siciliano et al. (1988), 5 - Simões-Lopes (1988), 6 - Borobia & Barros (1989), 7 - Schmiegelow (1990), 8 - Geise & Gomes (1992), 9 - Barros & Teixeira (1994), 10 - Emerin (1994, apud. Rossi-Santos 1997), 11- Monteiro Filho (1995), 12 - Rautenberg et al. (1996), 13 - Barros et al. (1997), 14 - Barros et al. (1998), 15 - Bassoi et al. (1998), 16 - Moncôrvo et al. (1998), 17 - Oliveira et al. (1998), 18 - Reis et al. (1998),19 - Pereira et al. (1999), 20 - Di Beneditto et al. (2000a), 21 - Di Beneditto et al. (2001), 22 - Araújo (2001), L. Lodi (obs. pess.: tainha - RJ, BA e RN); 23 - Zenelatto (2001); 24 - Santos et al. (2002). Hábitat : 23 - Williams (1984), 24 - Haimovici et al. (1989), 25 - Carvalho Filho (1999). 92

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