Tecnologia da Fabricação do Etanol
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- Tomás Capistrano Padilha
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1 Tecnologia da Fabricação do Etanol
2 Matérias prima e preparo do mosto para produção de etanol
3 A. Matéria prima e preparo do mosto 3 Sacarinas Amiláceas Celulósicas
4 4
5 5 Dried Distillers Grains with Solubles
6 Amido Tratamento da matéria prima 75% Amilopectina Polímeros ligadas por pontes glicosídicas α-1,4, com aproximadamente, 4% Suspensão de farelo + água (12% de amido) α-amilase de α-1,6, dando a ela a estrutura ramificada. ph 5,6 e aquecimento gradual até 45 o C 1 hora com agitação Amiloglucosidase terminal Amiloglucosidase Aquecimento gradual até 90 o C 1 hora com agitação Resfriamento até 60 o C α-amilase Ajuste de ph a 4,5 amiloglucosidase 24 horas/60 o C com agitação Filtragem e prensagem Resíduo fibroso final Hidrolisado
7 Cana-de-açúcar Matérias-primas sacarinas 7
8 8 (%)
9 9
10
11 Álcool a partir da cana de açúcar Trituração Caldo Concentração Cristalização Açúcar cristal Melaço Refinação Açúcar refinado Destilação Mosto Fermentaçãofermentado Etanol Vinhaça Bagaço
12 Produção de etanol acoplada a de açúcar 1000 Kg de cana de açúcar 90 Kg de açúcar 70 L de álcool e 910 L de vinhoto 12 L de álcool e 156 L de vinhoto
13 Produção de etanol: 30,3 bilhões de litros. Álcool hidratado: 18,6 bilhões. Álcool anidro: 11,7 bilhões. Região Norte-Nordeste Safra 2015/16 9,0% Região Centro- Sul = 91%. SP = 58%. 4% 10% 7% MT GO Região Centro-Sul MG MS SP 7% 5% PR 58% Fonte: CONAB Companhia Nacional de Abastecimento.
14 Divisão mundial na produção de etanol
15 TRATAMENTOS INICIAIS 15 PREPARO DO MOSTO
16 B. PREPARO DO MOSTO 16 Líquido açucarado passível de ser fermentado Cuidados: Concentração de açúcares totais Acidez total e ph Suplementação com nutrientes
17 Mosto 17 Condições ótimas: temperatura, ph, nível de oxigênio dissolvido, etc. fontes dos elementos principais C, H, O, N fontes dos elementos secundários P, K, S, Mg vitaminas fontes de elementos traços (quantidades mínimas) Ex. Ca, Mn, Fe, Co, Cu, Zn, etc.
18 Agentes da fermentação 18 alcoólica ESALQ / USP
19 MORFOLOGIA DAS LEVEDURAS 19 leveduras (Saccharomyces cerevisiae) unicelulares, frequentemente ovais, arredondadas e as elípticas. Comprimento: 5-16 micra largura: 3-7 micra
20 CITOLOGIA Diagrama de uma célula de S. cerevisiae 20
21 (1) Parede celular Enzimas Extracelulares: invertase (translocação e desdobramento das fontes para utilização pelo citoplasma). 21
22 (2) Membrana citoplasmática ou plasmalema Integridade e estabilidade Permeabilidade seletiva (controle de translocação de compostos do meio externo ao interior da célula e vice-versa). 22
23 (3) Retículo Endoplasmático Ligada à síntese de proteínas. (4) Vacúolo Armazenador temporário: enzimas 23
24 (5) Mitocôndria é conversão da energia aeróbica (ATP); síntese de proteínas e RNA. (6) A célula contém reserva de nutrientes. Glicogênio, lipídeos,... (7) Núcleo 24
25 REPRODUÇÃO EM LEVEDURAS (a) brotamento ou gemulação (multiplicação vegetativa) - assexuado - (b) esporulação (formação de ascos ) (a) brotamento Ciclo vegetativo de leveduras alcoólicas. 25
26 FISIOLOGIA E E METABOLISMO DAS LEVEDURAS Metabolismo de levedura: catabolismo anabolismo respiração fermentação degradação do substrato libera Energia síntese de material celular uso da energia para síntese (1) Respiração oxidação biológica de substratos orgânicos sob sistemas multienzimáticos que catalisam a oxidação transporte de elétrons na cadeia respiratória onde há ativação do oxigênio (aceptor e-) e formação de água. (2) Fermentação reações em que compostos orgânicos atuam como substratos e como agentes de oxidação, em uma seqüência ordenada de reações enzimáticas. 26
27 Vias de degradação de carboidratos e a produção de etanol
28 Energia (ATP) Etanol Açúcares Glicose Frutose Maltotriose CO 2 Ésteres Álcoois superiores 28
29 29
30 DESENVOLVIMENTO DAS LEVEDURAS células totais Desenvolvimento ou crescimento referente aumento populacional (multiplicação celular) Fases de crescimento das leveduras em fermentação Lag-fase 2 - Fase de aceleração do crescimento 3 - Fase exponencial de crescimento 4 - Fase de desaceleração do crescimento 5 - Fase estacionária 6 - Fase de declínio
31 Fatores físicos e químicos que influenciam a fermentação alcoólica
32 Efeitos da temperatura: Temperatura Fatores externos; mudança na temperatura da água, clima, mosto. Fatores intrínsecos; Calor liberado durante a fermentação. Tabela: Influencia da temperatura na variação do tempo de geração e do coeficiente específico de crescimento para a linhagem da levedura Saccharomyces cerevisiae. Temperatura Tempo de geração Coef. Espc. De Cresc. (g/l/h)
33 Temperatura da fermentação Favorece multiplicação bacteriana. Redução da viabilidade de fermentação. Acima de 35 0 C afeta o desempenho da levedura. Diminui rendimento da fermentação. Temperatura ótima; Crescimento 26 a 30 0 C. Fermentação 28 a 34 0 C.
34 Temperatura X Viabilidade
35 Temperatura X Contaminação do vinho
36 ph ph inicial 4,2 a 5,1. Fermentação ph final 3,9 a 4,1.
37 Velocidade relativa da reação Efeito do ph na atividade de invertase da levedura ph
38 Condições ambientais (substrato x produto) Efeito da concentração de etanol e glicose sobre o metabolismo de S. cerevisiae. Efeito Crabtree < 0,9 g/l Efeito Pasteur
39 Efeito da concentração de etanol Inibe a atividade metabólica e leva a morte (sem condições de sobrevivência). Limite do vinho 12% de álcool variável (espécie e linhagem de leveduras e condições da fermentação).
40 Leveduras com alto desempenho fermentativo Suportar os estresses da fermentação Industrial com reciclo de células. Altas temperaturas; Elevados teores alcoólicos; Paradas (falta de açúcar); Agentes tóxicos ( sulfito, alumínio, etc); Pressão osmótica; Contaminação bacteriana. Sustentar alta viabilidade celular durante reciclos e apresentar boa eficiência em etanol.
41 PREPARO DO FERMENTO (1) Fermento Prensado (2) Fermento selecionado (3) Reciclo de células (Processo Industrial Brasileiro) 41
42 (1) Fermento Prensado ou liofilizado Esquema: 20 kg fermento prensado 1000L de mosto filete contínuo (suspenso em (30 C) (1000L mosto) água morna) Brix - 50% v.i <± C> cortes 42
43 (2) Fermento Selecionado 43
44 Processos industriais da condução da fermentação alcoólica Processos de fermentação em batelada alimentada e contínua
45 Processos industriais na condução da fermentação do mosto Classificação das fermentações industriais Regime de alimentação da dorna Reaproveitamento da massa de levedura para próxima rodada Processos descontínuos (batelada) Processos contínuos Processos sem reciclo Processos c/ reciclo de células
46 Processos descontínuos Processos Intermitentes Batelada simples Batelada alimentada A fermentação só tem início após o preenchimento do fermentador, momento em que se mistura o mosto com o fermento. Ideal para fermentações laboratoriais e farmacêuticas (pequena escala). Maior choque osmótico e dificuldade de adaptação. Mistura-se o mosto ao fermento conforme a dorna vai sendo abastecida. Método mais produtivo. Expões as leveduras a menores riscos de se tornarem inativas, comparado com o processo de batelada simples.
47 Tipos de processo de fermentação Batelada Alimentada (Melle-Boinot) Com centrifugação
48 Fermentação continua Todas as dornas ligadas entre si, como se fora uma única, do fundo de uma à metade da seguinte. As primeiras recebem a alimentação e as demais operam como de fermentação final.
49 Fermentação descontínua x Fermentação continua Pontos a considerar Fermentação descontínua: 89 a 92% -menor consumo de ácido sulfurico - controle 75 a industrial 80% mais difícil - maior segurança - dificuldade de re-centrifugação - menor produtividade - instalação maior e ampla Fermentação continua: 97,5 a 98% 99% -maior consumo de ácido sulfúrico - controle industrial mais fácil - menor segurança - facilidade para re-centrifugação - maior produtividade - instalação compacta
50 Fermentação continua - Usina São Manoel 50
51 Vantagens: 1) Reduz a contaminação bacteriana pelo abaixamento de ph. Recuperação de fermento Centrífuga Conc. de 50% a 70% de células Leite de levedura Cuba de tratamento de fermento 2) Latência de bactérias láticas. Vinho H 2 SO 4 Conc. Água 3) Limpeza da superfície celular das leveduras. Dorna Volante Leite de levedura Dorna Destilação Vinho delevurado Mosto Vinho
52 Destilação Etanol - 5 a 10% (v) Vinho Líquida Sólida Gasosa Água Outras substâncias (ácidos succínico e acético, glicerina, furfurol, alcoóis homólogos superiores - amílico, isoamílico, propílico, isopropílico, butílico, aldeído acético, acetato de etila, etc.) a) Suspensão: células de leveduras, bactérias, substâncias não solúveis (bagacilho, etc). b) Solução: açúcares não fermentados, substâncias infermentescíveis, matérias albuminóides, sais minerais, etc. CO 2
53 Destilação Do ponto de vista de volatilidade das substâncias do vinho (grupos): Voláteis: etanol, água, aldeídos, alcoóis superiores, ácido acético, etc. Fixas: extrato do mosto, células de leveduras e de bactérias, etc. Para separação do álcool dos demais componentes do vinho: Baseado na diferença do ponto de ebulição das substâncias voláteis. Baseado na solubilidade preferencial das substâncias voláteis no álcool ou na água a quente.
54 Compostos Ponto de ebulição ( o C) Aldeído acético 24 Metanol 76 Acetato de etila 77 Propanol 80 Ácido acético 118 Álcool isoamílico 132 Acetato de isoamila 137 Furfural 167 Carbamato de etila
55 3. DESTILAÇÃO 3.1. CONSIDERAÇÕES TÉORICAS: EVAPORAÇÃO P p,onde: Q q P = quantidade de álcool (vinho) Q = quantidade de água (vinho) p = quantidade de álcool (destilado) q = quantidade de água (destilado) 55
56 56
57 % Álcool (vol) Ponto de ebulição ( o C) Destilado (% álcool vol) Água pura 100,0 0 5% 95, % 92, % 88, % 85, % 82, % 78,1 96 Álcool puro 78,
58 AZEOTROPISMO: mistura [água+etanol (96% vol)] possui ponto de ebulição (78,1ºC) menor que o dos componentes puros (água = 100ºC; etanol = 78,3ºC). Portanto, os vapores provenientes da destilação da mistura azeotrópica possuem a mesma composição da mistura. Assim, não há ganho de grau alcoólico com a destilação. 58
59 FATORES DE DESTILAÇÃO 2 o : solubilidade preferencial da substância no álcool ou na água a quente * Grupo 1: substâncias mais voláteis que o etanol (aldeídos, ésteres, metanol) cabeça * Grupo 2: etanol coração * Grupo 3: substâncias menos voláteis que o etanol (furfural, ácido acético, álcoois superiores ) cauda
60 Funcionamento: Destilação A - Coluna de destilação E - Aquecedor de vinho T E1 - Condensador auxiliar R - Resfriadeira T - Trombeta P - Proveta P Coluna de baixo grau (60% Vol.) Figura Esquema de coluna de destilação clássica.
61 Destilação sistemática: Destilação Sifão Calota Nível do líquido Figura: Bandeja de destilação calotada. Janela Chaminé Figura: Esquema de uma bandeja de destilação calotada.
62 Destilação Álcoois superiores
63 Destilação A destilação é processada em três colunas superpostas: A, A 1 e D; Nestas, o etanol é separado do vinho; O vinho é alimentado no topo da coluna A 1, descendo pelas bandejas e sofrendo a epuração, sendo a flegma retirada no fundo desta (bandeja A 1 6) e enviada à coluna B. Os voláteis, principalmente ésteres e aldeídos, são concentrados na coluna D e retirados no seu topo, sendo condensados em dois condensadores R e R 1, onde uma fração deste líquido (90% a 95%) retorna ao topo da coluna D e a outra é retirada como álcool de 2ª.
64 Destilação A finalidade da coluna B é concentrar a flegma a uma graduação de aproximadamente 96º GL e proceder a sua purificação com a retirada das impurezas que a acompanham, como alcoóis homólogos superiores, aldeídos e ésteres. A flegma é alimentada nessa coluna, onde é concentrada e purificada, sendo retirada, sob a forma de álcool hidratado, duas bandejas abaixo do topo da coluna. Os voláteis retirados no topo da coluna B passam por uma seqüência de condensadores onde parte do calor é recuperado pelo vinho, uma fração do condensado é reciclada e outra retirada como álcool de 2ª.
65 Destilação Do fundo da coluna B é retirada uma solução aquosa chamada flegmaça, que foi esgotada e que pode ser reciclada no processo ou eliminada. Os alcoóis homólogos superiores, denominados óleos fúsel e alto, são retirados de bandejas próximas à entrada da flegma. O óleo alto retorna à dorna volante e o óleo fúsel é resfriado, lavado, decantado e armazenado para posterior comercialização. Álcoois superiores
66 Desidratação Álcool retificado 94,0% Vol. INPM Formação de mistura azeotrópica Binária: álcool - água (97,2%v) (2,8%v) estável CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE DESIDRATAÇÃO (PRINCIPIO): 1º Grupo: Processos Azeotrópicos Benzol e Ciclohexano 2º Grupo: Processos Extrativos Marriler (glicerina) e Monoetileno glicol 3º Grupo: Peneira Molecular Zeolitos 4º Grupo: Membrana Seletiva filtro de silicato (sistema à vácuo)
67 Processo Azeotropico Melle Guinot Desidratação Princípio: ciclohexano - formam-se novas misturas azeotrópicas e libera o álcool anidro: ternária (água - álcool - benzol), que tem ponto de ebulição menor que a mistura binária, liberando o álcool P C B A
68 Destilação Álcoois superiores
69 Zeólito tipo 3A Desidratação Poro com 3 Å de diâmetro. Molecula da água tem 2,8 Å de diâmetro. Molecula de etanol tem 4,4 Å de diâmetro. Adsorção = fixação das moléculas, geralmente de um fluxo líquido ou gasoso, na superfície de um sólido sem que as moléculas passem a fazer parte deste sólido.
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