Sistemas Operativos: Processos
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- Rosa Gusmão Sabala
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1 Sistemas Operativos: Processos Pedro F. Souto March 22, 2011
2 Sumário Processos Conceito de Processo Sequencial Multiprogramação Chamadas ao Sistema Rotinas Assíncronas Implementação de Processos Leitura Adicional
3 Processo (Sequencial) 0x0 Representa um programa em execução int main(int argc, char *argv[], char* envp[])} args stack heap data text args Argumentos passados na linha de comando e variáveis de ambiente. stack Registos de activação correspondente à invocação de funções. heap Dados alocados dinamicamente usando malloc. data Dados alocados estaticamente pelo compilador (p.ex. a string Hello, World! ) text Instruções do programa.
4 Stack Região de memória que pode ser acedida apenas numa das suas extremidades, usando as operações push e pop (Fig. 1). Stack Pointer f() g() h() push(n) pop() Stack Pointer Stack Pointer Fig. 1 Fig. 2 Este tipo de acesso é particularmente adaptado para implementar chamada a funções (Fig. 2).
5 Uso da stack em funções de C Em C, o compilador usa a stack para: passar os argumentos; guardar registos do processador; guardar o endereço de retorno; implementar as variáveis locais; passar o valor de retorno; duma função. Cada compilador estabelece uma convenção sobre como esta informação é guardada na stack: a estrutura correspondente designa-se por stack frame ou activation record.
6 Stack Frame do 386
7 Unix/Linux são SOs multiprocesso (XP,Vista,...) i02cu0108:~> ps ax more PID TTY STAT TIME COMMAND 1? S 0:05 init 2? SW 0:00 [kflushd] 3? SW 0:03 [kupdate] 4? SW 0:00 [kpiod] 5? SW 0:00 [kswapd] 82? S 0:00 /sbin/portmap 139? S 0:00 /sbin/syslogd 141? S 0:00 /sbin/klogd 147? S 0:00 /sbin/rpc.statd 149? SW 0:00 [lockd] 150? SW 0:00 [rpciod] 158? S 0:00 /usr/sbin/ypbind --more (63) SOs suportam múltiplos processos (multiprogramação) por razões de eficiência, conveniência e impaciência.
8 Multi-processo e eficiência Problema processos precisam de aceder a dispositivos periféricos de entrada e saída de dados (consola, i.e. o monitor e o teclado, rato, disco, modem, placa de rede, etc): Parâmetro Tempo Ciclo do CPU 1 ns (1 GHz) Acesso à cache ~ 2ns Acesso à memória ~10 ns Acesso ao disco ~10 ms Solução quando um processo inicia uma operação de entrada/saída de dados e fica à espera que ela termine, o sistema operativo atribui o processador a outro processo: quando a operação terminar o periférico gera uma interrupção
9 Multi-processo e conveniência Utilizadores frequentemente necessitam de usar diferentes programas ao mesmo tempo. A especialização dos programas facilita: o seu desenvolvimento; a sua reutilização. Quanto a impaciência...
10 Execução multi-processo (1/2) Em sistemas multiprocessador (i), vários processos podem executar ao mesmo tempo: um em cada processador. Num sistema uniprocessador (ii), o sistema operativo gere a atribuição do processador aos diferentes processos (o processador é um recurso partilhado pelos diferentes processos): pseudo-paralelismo. CPU1 CPU2 P1 P1 P4 P3 CPU3 CPU4 P2 P1 MEM P1 P1 (i) (ii) t
11 Execução multi-processo (2/2) One program counter A B C Process switch A Four program counters B C D Process D C B A D Time (a) (b) (c) O computador é partilhado por 4 processos; O SO dá a ilusão de que cada processo executa isoladamente num CPU, i.e. cada processo executa num CPU virtual.
12 Estados dum Processo Ao longo da sua existência um processo pode estar em 1 de 3 estados: 1 ready running waiting 1. CPU atribuído ao processo (pelo SO); 2. CPU removido do processo (pelo SO); 3. processo bloqueia à espera dum evento; 4. ocorrência do evento esperado. execução(running): o CPU está a executar as instruções do processo; bloqueado(waiting): o processo está à espera de um evento externo (tipicamente, o fim de uma operação de E/S) para poder prosseguir; pronto(ready): o processo está à espera do CPU, o qual está a executar instruções de outro processo.
13 Processos: Segurança Espaço de endereçamento disjunto Por omissão o espaço de endereçamento dum processo é disjunto do dos restantes processos, e do espaço de endereçamento do kernel Associação a um utilizador Cada processo está associado a um utilizador, o seu dono, podendo executar apenas as operações permitidas ao seu dono Chamadas ao sistema O acesso a recursos do SO e ao HW é mediado pelo kernel.
14 Criação de Processos Durante o arranque do SO: Normalmente estes processos são não -interactivos e designam-se por daemons: Alguns executam sempre em kernel space, p.ex. kswapd; Outros executam normalmente em user space, p.ex. o servidor de HTTP (Web) e o servidor de impressão. Em alguns SOs, conhecidos por microkernel, diferentes serviços são fornecidos por processos especializados. Por invocação da chamada ao sistema apropriada.
15 Criação de Processos em Unix/Linux #include <unistd.h> pid_t fork(void); /* clones the calling process */ O processo criado (filho): executa o mesmo programa que o programa pai; inicia a sua execução na instrução que segue a fork(). O processo filho herda do pai: o ambiente e privilégios de acesso a recursos ; alguns recursos, incluindo ficheiros abertos. Contudo, o processo filho tem os seus próprios identificador; espaço de endereçamento: após a execução de fork(), alterações à memória pelo pai não são visíveis ao filho e vice-versa.
16 Criação de Processos em Unix/Linux (cont.) Problema: Como é que se distingue o processo pai do processo filho? Solução: fork() retorna: o pid do filho ao processo pai; 0 ao processo filho. if( (pid = fork())!= 0 ) { parent(); /* this is executed by the parent */ } else { child(); /* and this by its child */ }
17 Hierarquia de processos em Unix/Linux P1 P1 P2 P3 P2 P4 P5 P6 P3 Em Unix/Linux há uma relação especial: entre o processo pai e os seus filhos; entre processos que têm um pai comum (grupo de processos).
18 pstree init-+--acpid +--atd +--battstat-applet +--bonobo-activati----{bonobo-activati} +--cron +--cupsd +--2*[dbus-daemon] +--dbus-launch +--dd +--events/0 +--firefox-bin-+-acroread +-7*[{firefox-bin}] +--gconfd-2 +--gdm---gdm-+-xorg +-x-session-manag-+-gnome-cups-icon +-gnome-panel---{gnome-pane +-gnome-terminal-+-6*[bash] +-bash---p [...] [...] [...]
19 Execução de programas Problema: Como é que um processo pode executar um programa diferente do do pai? Solução: Usando a chamada ao sistema execve() #include <unistd.h> int execve(const char* filename, char *const argv[], char *const envp[]) args1 stack1 args2 stack2 0x0 heap1 data1 text1 0x0 heap2 data2 text2 Substitui o programa em execução pelo contido em filename; argv e envp permitem especificar os argumentos a passar à função main() do programa a executar.
20 Terminação de Processos Um processo pode terminar por várias causas: 1. decisão do próprio processo, executando a chamada ao sistema apropriada (directa ou indirectamente, p.ex. por retorno de main()); 2. erro causado pelo processo, normalmente devido a um bug, p.ex. divisão por zero ou acesso a uma região de memória que não lhe foi atribuída; 3. decisão de outro processo, executando a chamada ao sistema apropriada (kill em POSIX); 4. decisão do SO (falta de recursos). Note-se que um processo pode terminar voluntáriamente quando detecta um erro, p.ex. um compilador não pode compilar um ficheiro que não existe.
21 Mais chamadas ao sistema #include <unistd.h> void exit(int status) void _exit(int status) pid_t getpid() pid_t getppid() _exit() termina o processo que a invoca; exit() é uma função da biblioteca C (deve usar-se com #include <stdlib.h>): invoca as funções registadas usando at_exit(); invoca a chamada ao sistema _exit(). Após retornar de main(), um processo invoca exit(). getpid() retorna o pid do processo que o invoca. getppid() retorna o pid do processo pai.
22 Sincronização com wait() #include <sys/types.h> #include <sys/wait.h> pid_t wait(int *status) pid_t waitpid(pid_t pid, int *status, int options); Suspende a execução do processo até: um processo filho terminar (wait()); o processo filho especificado em pid terminar (waitpid()); status permite obter informação adicional sobre o processo que terminou. Nomeadamente, o argumento com que invocou a função exit(). options controla o modo de funcionamento de waitpid().
23 Sincronização com wait(): exemplo... int status; pid_t pid;... if( (pid = wait(&status))!= -1 ) { if( WIFEXITED(status)!= 0 ) { printf( Process %d exited with status %d\n, pid, WEXITSTATUS(status)); } else { printf( Process %d exited abnormally\n, pid); } }
24 Eventos Assíncronos em Processos (Sequenciais) Eventos Assíncronos (Sinais em Unix/Linux) Excepções p.ex. divisão por 0, tentativa de acesso a uma posição de memória não válida Notificação de eventos pelo SO, p.ex., fim duma temporização ou da terminação dum processo filho, pressão dum conjunto de teclas Comunicação entre processos Em Unix/Linux é possível um processo notificar um outro processo do mesmo dono Processamento de Eventos Assíncronos Signal Handlers são as rotinas de processamento de sinais Têm que ser registadas no kernel usando uma chamada ao sistema Executam assincronamente ao código do processo (semelhante às rotinas de serviço de interrupção)
25 Implementação de Processos O SO tem que manter para cada processo alguma informação numa estrutura de dados conhecida por process control block (PCB). O PCB inclui, entre outra informação: O identificador do processo. O estado do processo (READY,RUN,WAIT). O evento pelo qual o processo está à espera, se algum. O estado do CPU (PC, SP e outros registos), quando o SO o retirou do processo, i.e. saiu do estado running. As credenciais do processo (incluindo o owner). Informação sobre a memória usada pelo processo. Informação sobre outros recursos usados (p.ex. ficheiros) pelo processo e o estado desses recursos. Os PCBs de todos os processos constituem uma estrutura de dados conhecida por process table.
26 Comutação de Processos (1/3) A comutação entre processos (process switching), consiste em retirar o CPU a um processo e atribuí-lo a outro. É uma função fundamental do kernel em SO multiprocesso. A comutação entre processos inclui: 1. Transferir o estado do processo em execução para a memória (o Process Control Block); 2. Carregar o processador com o estado do processo que passa para o estado de execução; Passar o controlo para o novo processo, possivelmente comutando para user-mode.
27 Comutação de Processos (2/3) P 0 está no estado RUN e passa para o estado READY : queue head null CPU P0 P1 P2 P3 queue head null CPU P1 P2 P3 P0
28 Comutação de Processos (3/3) A parte do SO que faz a comutação de processos designa-se por despacho (dispatcher). A comutação entre processos é feita em instantes "oportunos", incluindo: chamadas ao sistema (p.ex., exit(), read()); interrupções: por dispositivos de E/S; pelo relógio.
29 Processamento de Interrupções Depende do hardware e do SO 1. O hardware salva o estado do CPU na stack 2. O hardware carrega o PC com o vector de interrupção 3. A rotina em assembly guarda registos que o hardware não tenha salvado Primeira parte da comutação de processos 4. A rotina em assembly inicializa uma stack para servir a interrupção (por razões de segurança) 5. A interrupção é servida por uma rotina normalmente em C 6. O despacho é executado para comutar o processo, se necessário Tipicamente, a interrupção altera o estado dum processo de WAIT para READY 7. A rotina em assembly reinicia o (?novo?) processo Segunda parte da comutação de processos
30 Leitura Adicional Secções 2 e 2.1 de Modern Operating Systems, 2nd Ed. Secções 3.1, 3.2, 3.3, 3,4 e 3.6 de José Alves Marques e outros, Sistemas Operativos, FCA - Editora Informática, 2009 Outra documentação (transparências e enunciados dos TPs): via
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