SISTEMA DE PLANEJAMENTO DO EXÉRCITO
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- Orlando Alencastre da Silva
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1 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO SISTEMA DE PLANEJAMENTO DO EXÉRCITO MISSÃO DO EXÉRCITO - SIPLEx
2 SUMÁRIO DA MISSÃO DO EXÉRCITO - SIPLEx 1 1. GENERALIDADES MARCO LEGAL 12 a. Constituição Federal 12 b. Lei Complementar 12 c. Estratégia Militar de Defesa 13 d. Doutrina Militar de Defesa ENUNCIADO DA MISSÃO SERVIDÕES 14 a. Defender a Pátria 14 b. Garantir os Poderes Constitucionais 15 c. Garantir a Lei e a Ordem 15 d. Participar de Operações Internacionais 15 e. Cumprir Atribuições Subsidiárias 15 f. Apoiar a Política Externa do País 16 11
3 MISSÃO DO EXÉRCITO 1. GENERALIDADES A Missão do Exército norteia todas as atividades da Instituição e é orientada, primordialmente, pela Constituição Federal e pela Lei Complementar que estabelece as normas gerais adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas. As políticas e as estratégias implementadas pelo Comandante Supremo das Forças Armadas, bem como as estratégias e doutrinas elaboradas pelo Ministério da Defesa, condicionam o detalhamento da Missão. 2. MARCO LEGAL a. Constituição Federal A Carta Magna de 1988, no seu artigo 142, estabelece a destinação constitucional das Forças Armadas isto é, a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e da lei e da ordem. Art As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. b. Lei Complementar A Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, alterada pela Lei Complementar nº 117, de 2 de setembro de 2004, dispõe sobre a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas. Nessa norma, pela relevância para a Missão do Exército, devem ser destacados os artigos 13, 16 e 17A. O artigo 13 dispõe que o preparo é focado no cumprimento da destinação constitucional das Forças Armadas e cabe, no âmbito do Exército, ao Comandante da Instituição. Art. 13. Para o cumprimento da destinação constitucional das Forças Armadas, cabe aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica o preparo de seus órgãos operativos e de apoio, obedecidas as políticas estabelecidas pelo Ministro da Defesa. O artigo 16 estabelece a atribuição subsidiária geral que cabe às Forças Armadas. Art. 16. Cabe às Forças Armadas, como atribuição subsidiária geral, cooperar com o desenvolvimento nacional e a defesa civil, na forma determinada pelo Presidente da República. 12
4 O artigo 17A estabelece as atribuições subsidiárias particulares que cabem ao Exército. Art. 17A. Cabe ao Exército, além de outras ações pertinentes, como atribuições subsidiárias particulares: I contribuir para a formulação e condução de políticas nacionais que digam respeito ao Poder Militar Terrestre; II cooperar com órgãos públicos federais, estaduais e municipais e, excepcionalmente, com empresas privadas, na execução de obras e serviços de engenharia, sendo os recursos advindos do órgão solicitante; III cooperar com órgãos federais, quando se fizer necessário, na repressão aos delitos de repercussão nacional e internacional, no território nacional, na forma de apoio logístico, de inteligência, de comunicações e de instrução; IV atuar, por meio de ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira terrestre, contra delitos transfronteiriços e ambientais, isoladamente ou em coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, executando, dentre outras, as ações de: a) patrulhamento; b) revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de aeronaves; c) prisões em flagrante delito. c. Estratégia Militar de Defesa A Estratégia Militar de Defesa, oriunda do Ministério da Defesa, estabelece os seguintes aspectos, dentre outros: a concepção estratégico-militar brasileira, as Hipóteses de Emprego (HE), as capacidades desejadas e as ações estratégicas orientadoras do planejamento das Forças Armadas. Tais aspectos são apresentados no SIPLEx 4 (Estratégias), sendo que as HE também são objeto de consideração no SIPLEx 2 (Avaliação). d. Doutrina Militar de Defesa A Doutrina Militar de Defesa, também oriunda do Ministério da Defesa, prevê que o emprego das Forças Armadas pode ocorrer nas situações de guerra e de não-guerra, como apresenta o quadro a seguir. Situação Emprego Guerra - Defesa da Pátria - Garantia dos poderes constitucionais. - Garantia da lei e da ordem. - Atribuições subsidiárias. Não-guerra - Prevenção e combate ao terrorismo. - Ações sob a égide de organismos internacionais. - Em apoio à política externa em tempos de paz e de crise. - Outros empregos de não-guerra (*). (*) Inclui a operação de salvaguarda de pessoas, dos bens, dos recursos brasileiros ou sob jurisdição brasileira, fora do território nacional. 13
5 2. ENUNCIADO DA MISSÃO O Exército, sustentado por valores imutáveis, é absolutamente compromissado com o Estado Brasileiro na garantia da soberania, da unidade federativa, da integração nacional e da paz social. A história, as tradições, os princípios das relações internacionais, as necessidades de segurança e defesa e os cenários visualizados para o emprego das Forças Armadas foram considerados pelo legislador no estabelecimento do marco legal em que se baseia o emprego do Exército. A Missão do Exército é resultante da percepção daquele legislador e, por conseguinte, da sociedade brasileira sobre todos esses aspectos. É institucional, tem caráter permanente e sempre é orientada pelos fundamentos legais. O enunciado sintético exprime a Missão do Exército, para que todos os seus integrantes tenham dela pleno conhecimento e, ao mesmo tempo, ao compreendê-la, possam comprometer-se e trabalhar proficuamente, cooperando para o cumprimento da missão. MISSÃO DO EXÉRCITO Preparar a Força Terrestre para defender a Pátria, garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem. Participar de operações internacionais. Cumprir atribuições subsidiárias. Apoiar a política externa do País. 3. SERVIDÕES As servidões, expressas por verbos, apresentam as implicações decorrentes do marco legal e da Missão do Exército. Para atender às servidões impostas pela destinação constitucional, o Exército deverá manter a Força Terrestre em constante e permanente preparo, sobretudo para a defesa da Pátria, de forma coerente com as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Defesa. Com base no preparo para cumprir a destinação constitucional, capacita-se a atender às demais servidões. As servidões são: a. Defendera Pátria 1 Implica derrotar o inimigo que agredir ou ameaçar a soberania, a integridade territorial, o patrimônio e os interesses vitais do Brasil, valendo-se, prioritariamente, das estratégias da ofensiva e da resistência, ou, ainda, da combinação delas. 1 Destinação constitucional essencial. 14
6 Para tanto, desde o tempo de paz, o Exército deve preparar a Força Terrestre para combater, integrando um comando combinado 2, nos ambientes operacionais previstos nas Hipóteses de Emprego. As ações de preparo, em permanente atitude de prontidão, visam à dissuasão 3 de possíveis ameaças. b. Garantir os Poderes Constitucionais Implica empregar a Força Terrestre, nas situações de excepcionalidade definidas em lei, para assegurar 4 as funções 5 estatais dos poderes da União. Para tanto, o Exército deverá estar permanentemente preparado. c. Garantir a Lei 6 e a Ordem 7 Implica empregar a Força Terrestre, nas situações de excepcionalidade definidas no ordenamento jurídico, para assegurar a obediência às leis, manter ou restabelecer 8 a ordem pública e prevenir e combater o terrorismo 9. Para tanto, o Exército deverá estar permanentemente preparado. d. Participar de Operações Internacionais 10 Implica empregar a Força Terrestre: 1) Na defesa dos interesses nacionais afetados por conflitos na América do Sul. 2) Sob a égide de organismos internacionais: - em operações de paz e humanitárias; e - como Força Expedicionária integrando Força Multinacional. 3) Para salvaguardar pessoas, bens e recursos nacionais ou sob jurisdição brasileira, fora do território nacional. e. Cumprir Atribuições Subsidiárias 1) Implica cooperar com: a) o desenvolvimento nacional, participando ou executando atividades nos campos cientifico-tecnológico e sócio-econômico em proveito da sociedade brasileira; b) a defesa civil, prestando socorro às populações vítimas de calamidades; 2 O emprego na defesa da Pátria implica na constituição de um comando combinado. 3 Aplicada em tempo de paz e de crise. O estado de prontidão e a vontade explícita de empregar o Poder Militar devem ser percebidos pelos potenciais oponentes. 4 Proteger as instituições integrantes dos três Poderes. Entende-se por instituição, os seus integrantes e demais meios indispensáveis ao exercício das suas funções. 5 São as funções administrativas (ou executivas), legislativas e judiciárias, típicas ou precípuas de cada Poder. 6 Todo o ordenamento jurídico decorrente do processo legislativo. 7 Significa a ordem pública. 8 Restaurar as condições de paz social e bem-estar da sociedade. 9 O combate ao terrorismo está incluído na Hipótese de Emprego G. 10 Corresponde às Hipóteses de Emprego D, E e F. 15
7 c) órgãos federais, quando se fizer necessário, na repressão aos delitos de repercussão nacional e internacional, no território nacional, na forma de apoio logístico, de inteligência, de comunicações e de instrução; e d) órgãos públicos federais, estaduais e municipais e, excepcionalmente, com empresas privadas, na execução de obras e serviços de engenharia. 2) Implica atuar, por meio de ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira 11 terrestre, contra delitos transfronteiriços e ambientais, isoladamente ou em cooperação com órgãos do Poder Executivo, realizando, dentre outras, ações de patrulhamento; revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de aeronaves; e prisões em flagrante delito. f. Apoiar a Política Externa do País Implica no emprego da Força Terrestre, restrito ao nível aquém da violência, enquanto se desenvolvem ações diplomáticas para a solução do conflito. * * * 11 Embora as operações desenvolvidas sejam do tipo polícia, a LC 97/117 especifica essas ações como atribuição subsidiária particular. As operações de garantia da lei e da ordem e a atuação na faixa de fronteira implicam na execução de operações tipo polícia, mas são enquadradas em artigos diferentes na Lei. Portanto, o emprego dos meios militares, em cada caso, dar-se-á sob amparo jurídico distinto. 16
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