Arte Rupestre de Angola
|
|
|
- Kátia Candal Botelho
- 9 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 Instituto Politécnico de Tomar (Departamento do Território, Arqueologia e Património da ESTT) Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Departamento de Geologia) Master Erasmus Mundus em QUATERNÁRIO E PRÉ-HISTÓRIA Arte Rupestre de Angola Um contributo para o seu estudo numa abordagem à arqueologia do território Cristina Augusta Pombares da Silva Martins Orientador: Professor Doutor Luiz Oosterbeek Ano académico 2007/2008
2 Arte Rupestre de Angola 2 Agradecimentos O trabalho aqui apresentado contou com a cooperação de algumas pessoas que, de várias formas, contribuíram para o que aqui é exposto. A todos, uma singela palavra de agradecimento, muito em particular: - ao nosso orientador, Professor Doutor Luiz Oosterbeek, pela confiança e apoio que nos ofereceu; - à Dra. Mila Simões de Abreu pelo apoio dado e pelo material que disponibilizou; - ao Instituto de Investigação Científica e Tropical (IICT), em particular, à Dra. Lívia Ferrão pelo acolhimento, disponibilidade e ajuda oferecida; - ao Professor Doutor Pedro Proença Cunha, graças ao qual nos foi concedido acesso ao arquivo da Biblioteca do Departamento de Ciências da Terra, da Universidade de Coimbra, e pela sua disponibilidade e apoio; - aos membros da Gipri Colômbia, Guillermo Muñoz e Judith Trujillo, que muito nos ajudaram com os seus conselhos e experiência.
3 Arte Rupestre de Angola 3 Abstract The Republic of Angola is a country in south-central Africa with a territory of km 2, bordering Namibia to the south, Democratic Republic of the Congo to the north and northeast, Zambia to the east and with a west coast along the Atlantic Ocean. The enclave province of Cabinda has a border with the Republic of the Congo and the Democratic Republic of the Congo. Angola has a vast and diverse archaeological wealth, but barely studied in recent decades due to the conflict that has been devastating the country for almost thirty years. This country had a singular human evolution over the millennium - the occupation of desert places, the mixing of different ethnic cultures and the adoption of Bantu people`s culture. Archaeological traces as buildings in stone (e.g. tombs, walls) lithics artefacts, rock art, ceramics, metallurgy and some fossils were made known mainly during the twentieth century, until the middle of the 70`s. However, the principal subject of this work is rock art. A view of the Angolan artistic events,shows that they go far beyond the rock art; many other (masks, body paintings, for example) are given to know through the reports of the first Europeans to come to that country, and by the traces which were found (e.g.: Fragments of sculptures or pipes). The rock art manifests itself in the form of painting and engraving, very diversified either on the motif that it presents, the chronology or the places where it appears open-air or in shelters. There are 34 sites listed, although some require confirmation and there are others to be added. This work aims to be the beginning of an investigation that from now on will be developed in Angolan territory. In this sense, it involves the development of a specific
4 Arte Rupestre de Angola 4 research project to be presented to the competent authorities. This project involves a continuous and systematic search of the Angolan archaeological heritage, which will lead to its preservation and will increase people's knowledge about it. Palavras-chave: História; Arqueologia; Arte Rupestre; Etnologia;África Central. Keywords: History; Archaeology; Rock Art; Ethnology; Central Africa.
5 Arte Rupestre de Angola 5 Índice Introdução I Povoamento 1. Contexto histórico Contexto etnológico II Território 1. Território Geomorfologia Rede hidrográfica Clima Flora Zonas fitogeográficas Fauna Áreas protegidas População Grupos etnolinguísticos III Arqueologia 1. História da investigação arqueológica Terminologia Sucessão Cultural Zonas ecológicas Vestígios arqueológicos Indústria lítica Cerâmica e terracota Construções em pedra Fundos de cabana
6 Arte Rupestre de Angola Fortificações Túmulos Túmulos de Quibaxe Túmulos da Quibala Necrópole de Kapanda Metalurgia Fósseis Arte Rupestre IV Arte Rupestre 1. Arte Rupestre em África Manisfestações artísticas primeiras informações História das descobertas Estações de Arte Rupestre Pedra do Feitiço Quissádi Musseque Alto Zambeze Caninguiri Quissanje Pedra Quinhengo Ebo Éuè iam Sineuia Galanga Cambambi Chitandalucua Serra do Hôndio Tchipòpilo Macahama Haï
7 Arte Rupestre de Angola 7 Tchitundo-hulo Tchitundo-hulo (gravuras) Tchitundo-hulo (pinturas) Pedra da Lagoa Pedra das Zebras Monte Negro Luxilo Datação Conclusões V - Projecto de Investigação I Parte: O Projecto II Parte: Descrição da área a estudar Bibliografia Anexos
8 Arte Rupestre de Angola 8 Índice de ilustrações Figuras Fig. 1 - Mapa de Angola Fig. 2 - Provícias de Angola Fig. 3 Mapa etnolinguístico Fig.4 Indústria Olduvaense (Palmeirinhas) Fig. 5 Acheulense evoluído (Capangombe) Fig. 6 - Fauresmith (Munhino 9) Fig. 7 Machadinhas (Mavoio 5) Fig. 8- Stillbay (Munhino 10) Fig. 9 O Magosiense do Sul de Angola Fig Indústria lupembo-tshitolense (Barra do Cuanza) Fig.11 Quatro exemplares de fácies neolítica Fig.12 - Mapa das zonas ecológicas Fig. 13 Fragmentos de cerâmica (Caninguiri) Fig Fragmento de cerâmica do abrigo I de Macahama Fig. 15 Fundo de cabana (Tchitundo-hulo Mulume) Fig. 16 Túmulo da Quibala Fig. 17- Um túmulo de Kapanda Fig. 18 Instrumentos em ferro (Féti) Fig.19 - Mapa com a distribuição das estações de arte rupestre Fig Figurações da Pedra do Feitiço Fig Figurações da Pedra do Feitiço Fig Pinturas de Quissádi Fig. 23 Pintutas de Quissádi Fig Pinturas de Quissádi Fig.25 Gravura de Bambala Fig Gravuras de Campelo Fig. 27 Trecho das gravuras de Calola Fig. 28 -Gravura de Calola Fig Quiocos do sudoeste da Lunda com pinturas Fig Ensaio de reconstituição das Pinturas de Caninguiri Fig. 31 Caninguiri: Pinturas do Grupo I Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo II Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo III Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo IV Fig Pinturas Pedra Quissange Fig Pedra Quinhengo Fig Pinturas de Quissanga
9 Arte Rupestre de Angola 9 Fig Pinturas de Quissanga Fig Pinturas de Delambira Fig Pinturas de Delambira Fig Pinturas do abrigo do Caiombo Fig.42 - Vista parcial da Éuè ia Sineuia Fig Figuras da Éuè ia Sineuia Fig. 44- Pinturas de Galanga Fig Pinturas do abrigo de Galanga Fig.46 - Pinturas de Cambambi Fig Pinturas de Chitandalucua Fig.48 Figuras do abrigo da Serra do Hôndio Fig.49 - Gravuras do Tchipòpilo Fig. 50 Pinturas do Abrigo I de Macahama Fig. 51 Pinturas do Abrigo I de Macahama Fig Pinturas do abrigo 1 de Macahama Fig. 53 Tchitundo-hulo Mulume Fig Complexo do Tchitundo-hulo Fig. 55- Gravuras do Tchitundo-hulo Fig Tchitundo-hulo: Conjunto I Fig. 57- Gravuras do Tchitundo-hulo Fig Tchitundo-hulo: Conjunto II Fig Tchitundo-hulo: Conjunto III Fig. 60- Entrada do abrigo Tchitundo-hulo Opeleva Fig. 61- Abrigo Tchitundo-hulo Opeleva Fig. 62 Pinturas de Tchitundo-hulo Opeleva (reconstituição) Fig Pinturas de Opeleva Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume I Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume II Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume III Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume IV Fig. 68 Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume V Fig. 69 As gravuras da Pedra da Lagoa Fig.70 Gravuras do Monte Negro Fig. 71 Gravura do Monte Negro I Fig Gravuras do Monte Negro II Fig. 73 Gravuras do Monte Negro III Fig. 74 -Gravuras de Monte Negro IV Fig A pedra gravada do Luxilo Fig Estações de arte rupestre com representações de armas de fogo Fig Cronologia relativa da Arte Rupestre de Angola
10 Arte Rupestre de Angola 10 Fig.78 Angola- Localização geográfica Fig. 79 Mapa de Angola Fig Localização e pormenor da zona delimitada Fig Mapa com a distribuição das estações de arte rupestre Fig Mapa da área de investigação Quadros Quadro 1 Divisão Administrativa Quadro 2 Divisão da Terminologia Quadro 3 Correlação das terminologias Europeia e Africana Quadro 4 Locais com indústrias da ESA Quadro 5 Locais com indústrias do FIP Quadro 6 Locais com indústrias da MSA Quadro 7 Locais com indústrias do SIP Quadro 8 Locais com indústrias da LSA Quadro 9 Primeira tábua da Pedra do Feitiço interpretações Quadro 10- Segunda tábua da Pedra do Feitiço interpretações Quadro 11 - Comparação tatuagens da Lunda / gravuras de Bambala Estampas Est. I Carta Hipsométrica de Angola (1940) Est. II Esboço meteorológico de Angola Chuva Média Anual (1940) Est.III Esboço meteorológico de Angola Temperatura Média Anual (1940) Est.IV Carta Fitogeográfica de Angola
11 Arte Rupestre de Angola 11 Introdução A História Universal, dominada pelo pensamento eurocêntrico, apresenta uma evolução linear: Pré-História, Antiguidade Clássica, Idade Média, Idade Moderna, e Idade Contemporânea. No entanto, este modelo de periodização não é ajustável a África; os povos deste continente trilharam os seus próprios caminhos na História da Humanidade, muito antes de esses mesmos caminhos se cruzarem com os Europeus. Nem a História de África se pauta por critérios homogéneos; não se trata de uma unidade cultural ou geográfica, mas de um complexo conjunto de identidades diversas povos de pequena constituição física (os pigmeus Mbuti da África equatorial), os homens mais altos da Terra (os Watutsi do Ruanda) bem como de geografia variada o maior deserto do mundo, o Sahara; a vasta floresta equatorial; o Kilimanjaro coberto de neve; as praias quentes do litoral. Na realidade, existem muitas Áfricas : a do Norte, a Ocidental, a Equatorial, a Oriental, a Central e a do Sul, tão distintas, quanto interessantes. No que respeita à África Central, onde se insere Angola, não pode ser esquecida a singular evolução humana que se arrastou por milénios, pelo que deve ser tida em conta uma periodização específica. A ocupação de lugares desertos ou de fraca densidade populacional, a miscigenação, a adopção da cultura e da língua por parte dos povos autóctones terá dado lugar a uma bantoização progressiva das populações. Não é possível conhecer-se um país, sem compreender a sua História e saber das suas gentes, pelo que o I capítulo é-lhes dedicado. O Território ocupa o capítulo seguinte, numa abordagem que o pretende caracterizar de diversos pontos de vista: da geomorfologia, da biodiversidade, da população que o habita, com as suas particularidades culturais e linguísticas.
12 Arte Rupestre de Angola 12 Angola possui uma riqueza diversificada e abundante no que respeita à arqueologia construções em pedra (túmulos, muralhas, fundos de cabana), artefactos líticos, arte rupestre, cerâmica, metalurgia e alguns fósseis revelada ao longo do III capítulo, após uma viagem pela história da investigação arqueológica naquele país. A terminologia usada para designar os períodos mais antigos do passado de toda a África subequatorial é a mesma adoptada para Angola: Earlier Stone Age, Middle Stone Age e Later Stone Age, sendo que o país se apresenta dividido em três grandes zonas ecológicas: a Zona Congo, a Zona Zambeze e a Zona Sudoeste para o estudo da ocupação humana no território. Sendo a arte rupestre o objecto central deste trabalho, foi-lhe dedicado em exclusivo o IV capítulo. Diversas manifestações artísticas africanas (máscaras, pinturas corporais) chegaram até nós ora pelos relatos dos primeiros Europeus a chegar àquele país, ora por vestígios entretanto encontrados (fragmentos de esculturas e cachimbos). Com a interacção com os Europeus, essas manifestações vão desaparecendo por imposição destes, para quem a arte africana era uma arte primitiva e contrária à fé cristã, ou vai adoptar aspectos da cultura europeia (por exemplo: surgem pérolas de Veneza em contextos funerários; representações de espingardas aparecem em pinturas rupestres). No que respeita à arte rupestre, as informações orais mostram que ainda hoje os sítios onde surge estão relacionados com a vida das populações locais (como referência espacial, limitação geográfica; ligada a rituais de passagem ou relacionada com certas profissões, por exemplo, ferreiros e pastores). Esta arte traduz-se tanto em gravuras como em pinturas, muito diversificada quer pelos motivos que apresenta, quer pela cronologia, quer ainda pelos locais onde surge (ao ar livre ou em abrigos).
13 Arte Rupestre de Angola 13 Datações por Carbono 14 de camadas arqueológicas demonstram que certos sítios com arte rupestre são frequentados pelo ser humano há mais de anos (Caninguiri, por exemplo) enquanto outros o são há pouco mais de anos (Tchitundo-hulo, por exemplo). No entanto, são ainda poucas as datações que permitem estabelecer cronologias para a arte rupestre angolana. Angola viveu em guerra quase três décadas e com isso a arqueologia estagnou. Desapareceram os investigadores e, desde a década de 90, apenas Manuel Gutierrez tem realizado alguns trabalhos no terreno. É premente, portanto, realizar uma pesquisa sistemática e contínua do património arqueológico de Angola qua ainda tanto tem para oferecer. Essa investigação metódica não só acrescentará novos dados ao conhecimento como é imprescindível à conservação do património do país. Nesse sentido foi realizado este trabalho que pretende ser o corpo teórico em que assentará o trabalho no terreno próxima etapa do nosso estudo. Este exaustivo levantamento bibliográfico permitiu recolher dados que culminaram na elaboração de uma proposta de investigação que será apresentada às autoridades competentes. No V e último capítulo é exposta essa intenção de estudo.
14 Arte Rupestre de Angola 14 I Povoamento
15 Arte Rupestre de Angola Contexto histórico Angola, país da África Austral (Fig. 1), foi colónia portuguesa até 11 de Novembro de 1975, altura em que obteve a Independência. A Pré-história de Angola, inclui um período que vai desde a Idade da Pedra ao Neolítico (de há ± 40 mil anos até cerca de 1000 d.c.), pelo que abarca a Proto-história dos povos pré-bantos Khoisan, Pigmeus, Cuissis e Cuepes. Os primeiros Bantos terão chegado à região no séc. XIII (Estermann, 1983:23). Durante a Idade da Pedra, o litoral angolano foi muito favorável à ocupação humana, como resultado do aumento da pluviosidade e da moderação da temperatura. No que respeita ao Paleolítico encontramos evidência das culturas Olduvaense e Acheulense no ângulo leste das Lundas, no Calumbo, nas Palmeirinhas, em Luanda, no Uíge e na orla costeira, Benguela, Baía Farta, Limagens, Ponta do Giraúl, Namibe e Tombwa (Ervedosa, 1980: 89). No Planalto da Huíla (Leba, Lubango e Matala) e no planalto do Huambo foram também encontrados alguns materiais deste período. Evidências das culturas Sangoense (± a.c. a ± a.c.), Lupembense (±36000 a.c. a ± a.c.), Lupembo-Tshitolense (± a.c. a ± 9000 a.c.) encontram-se nas Lundas, em Luanda, Galange e em Menongue. Ainda um destaque para a cultura Tshitolense (± a.c a ±45000 a.c.) também importante no território (Clark, 1963: 210). No período que vai de ±8000 a.c. a ±2000 a.c., mudanças climáticas impeliram os Mbuti (Pigmeus) a recuar mais para norte, para as terras mais baixas da bacia do Zaire. Os primeiros sinais de cultivo de plantas e de domesticação de animais remontam ao séc. III a.c., na bacia do rio Zaire (Ervedosa, 1980: 22).
16 Arte Rupestre de Angola 16 Nas margens do rio Cuanza, em Mbanza Congo e na estação do Féti, no Galangue, foram encontrados instrumentos de pedra polida, como machados e enxadas (Ervedosa, 1980:166). Os novos métodos de cultivo e de produção de ferramentas atraíram mais tarde os povos Bantos à região, coagindo os Khoisan a retirarem-se para zonas mais hostis dos quadrantes sudeste e sudoeste do actual território angolano (Clark, 1963: 221). No Período Pré-colonial podemos incluir a Idade do Ferro, as grandes migrações dos povos Bantos, a formação de diversos reinos, pelos povos Bantos, Ambundos e Bakongo, até à chegada dos Portugueses (Santos, 1969:31), pelo que estamos a falar, em termos de cronológicos, de um período que vai sensivelmente desde o ano 1000 d.c. até finais do séc. XV. O Período Colonial, balizado entre 1482 e 1975, compreende a chegada dos Portugueses ao Antigo Reino do Congo e a data em que Angola, enquanto colónia portuguesa adquiriu a independência, tornando-se um estado soberano, a 11 de Novembro de 1975 Os Portugueses chegaram à foz do rio Zaire em 1482, sob comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II. Estabeleceram uma aliança com o reino do Congo que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros: o de Ndongo e o de Matamba, os quais se fundiram, dando origem ao reino de Angola (expressão que deriva de N`gola, significando título real na língua Quimbundo). Na segunda metade do séc. XVI, os Portugueses estabeleceram-se na região de Angola, tendo sido o seu primeiro governador, Paulo dias de Novais. Em 1576, fundaram São Paulo da Assunção de Luanda, a actual Luanda.
17 Arte Rupestre de Angola 17 Primeiro, aqueles centraram a sua actividade, no antigo Reino do Congo, depois no Reino de Angola, e mais tarde (já nos princípios do Século XVII), no Reino de Benguela (Santos, 1969: 32). O Reino de Benguela foi uma criação dos Portugueses, pois de facto tal reino nunca existiu, e referia-se à região costeira a sul dos reinos da Quissama (na margem Sul da Barra do Cuanza) e do Libolo, passando pela baía do Quicombo, até à foz do Rio Caporolo, a sul da actual cidade de Benguela (Santos, 1969: 66). Essa zona era constituída por um grupo de potência africanas independentes que os Portugueses tentaram dominar com o desígnio de disseminar a captura e troca de escravos para além dos reinos do Congo e de Angola, que depressa perdiam população e que, assim, não podiam garantir uma oferta sustentável de escravos para os engenhos de açúcar do Novo Mundo (Oliver, 1977: 554). Durante a Dinastia Filipina ( ), os Holandeses ocuparam parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire, as barras do Bengo e do Cuanza), procurando expropriar os Portugueses da região. No entanto, já depois da Restauração da Independência, os Holandeses forma expulsos (Dias, 1989: 113). Até aos finais do séc. XVIII, a ocupação dos Portugueses não foi muito além das fortalezas construídas no litoral. No século seguinte, após a Independência do Brasil (1822) efectiva-se a colonização do interior de Angola, como resposta às pretensões de outras potências europeias (Inglaterra, França e Alemanha). No entanto, as fronteiras de Angola só são definidas no fim do séc. XIX. No séc. XX, após a Implantação da República, em Portugal, foram tomadas algumas medidas no que respeita às colónias. Ao nível da Educação, por exemplo, foram criadas escolas; no plano económico intensificou-se a exploração de diamantes; nos finais dos anos 30, incrementou-se a produção de café, sisal, cana-de-açúcar e milho
18 Arte Rupestre de Angola 18 para exportação e desenvolveu-se a exploração dos minérios de ferro. Estas medidas de desenvolvimento económico, acabaram por constituir um incentivo à emigração, atraindo mão-de-obra de Portugal (Bethencourt e Chaudhuri, 1998: 248). Em 1956, foi publicado o 1º Manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Nos anos 60, três movimentos de libertação desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português: UPA/FNLA (União dos Povos de Angola/ Frente Nacional de Libertação de Angola), MPLA e UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). A partir dessa altura, as produções agrícola e industrial conheceram um desenvolvimento impressionante, pois Portugal procurava consolidar a sua presença em território angolano. Após o 25 de Abril de 1974, o governo que saiu da Revolução abriu negociações com os três principais movimentos de libertação Acordos de Alvor, em Janeiro de 1975 (Cardoso, 2005: 224). No entanto, em território angolano, continuou a não haver unidade; os três grupos nacionalistas combatiam entre si. A 11 de Novembro de 1975, foi alcançada a Independência, tendo sido o primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto (até 1979), a quem sucedeu o actual, José Eduardo dos Santos. A guerra entre as diversas facções nacionais continuou, por todo o território. Além das perdas humanas a lamentar e da vitimização das pessoas de diversas formas, as infra-estruturas foram sendo gradualmente destruídas pelo arrastar da guerra. Em 31 de Maio de 1991, com mediação de Portugal, EUA, URSS e da ONU, celebram-se os acordos de Bicesse, terminando com a guerra civil que se arrastava desde 1975 e marcam-se eleições para o ano seguinte.
19 Arte Rupestre de Angola 19 Em 1992, o MPLA ganha as eleições, mas a UNITA não reconhece os resultados eleitorais, o que origina um novo conflito armado. Um novo acordo é assinado na Zâmbia Protocolo de Lusaka entre as duas facções em guerra, em 1994, mas quatro anos depois Angola está de novo em guerra. Em 2002, morre Jonas Savimbi, líder da UNITA. Têm então início as negociações para deposição de armas. A UNITA assume-se como mera força política (Meijer e Birmingham., 2004: 15).
20 Arte Rupestre de Angola 20 Fig. 1 - Mapa de Angola Fonte: Mapsof world.com/ /united_nations
21 Arte Rupestre de Angola Contexto Etnológico Os povos Mbuti (Pigmeus) e Khoisan (Bosquímanos) descendem dos primeiros povos caçadores-recolectores da África Central. Os Mbuti ocupavam as florestas-galeria na metade norte do território de Angola (províncias do Zaire, Uíge, Cuanza-Norte e Lundas), os Khoisan o extenso planalto do interior Províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico, Cuando-Cubango, Cunene, Huíla e Namibe (Guerreiro, 1997: 34). Os primeiros Bantos terão chegado à região no séc. XIII (Estermann, 1983:23). Banto é uma classificação linguística; são diferentes povos que se espalharam pela África Central e Austral e cuja língua tinha uma origem comum a cultura Nok do Nordeste dos Camarões e Sudoeste da Nigéria (Estermann, 1983: 30). Os povos bantos, possuindo tecnologia de fabricação do ferro, impuseram a sua economia e cultura, assimilando simultaneamente os povos Mbuti e Khoisan que há muito viviam no território. Deste cruzamento de culturas surgiram os povos Cuissis e Cuepes, no sudoeste de Angola. Os que não foram assimilados foram empurrados para regiões marginais floresta equatorial, no caso dos Mbuti e inóspitas do leste de Angola estepes, no caso dos Khoisan (Clark, 1963:94). A maioria dos povos Bantos que vieram habitar Angola (à excepção dos Bakongos e talvez dos Ambundos, que seguiram a rota meridional, a oeste da floresta equatorial) eram originários da região dos Grandes Lagos, a leste da floresta equatorial (bacia do Zaire), tendo entrado em Angola através da rota oriental, pela Baixa Cassange (rio Cuango), Lundas, Moxico e Cuando Cubango (Clark, 1963:108). A partir do ano 1000 d.c., dá-se a proliferação de grande número de unidades tribais, na África Austral. Só depois do séc. XI, se começa a verificar a competição pela terra; esta rivalidade é talvez uma das razões do desenvolvimento de numerosas
22 Arte Rupestre de Angola 22 autocracias centralizadas. Todas possuíam uma entidade cultural própria, podendo todavia agrupar-se em unidades mais extensas, com um vasto padrão cultural comum. Assim se construíram o Reino do Congo e o Império do Monomotapa (Zimbabué) (Flint, 1976: 222). Fases da expansão Banto O povo Quicongo ou Kikongo atravessou o rio Zaire já no séc. XIII e instalou-se no Nordeste do actual território angolano.em 1568, um novo grupo entrou pelo Norte os Jagas combateu os Quicongos, empurrando-os para sul, para a região de Kissanje (Flint, 1976: 226). Os Nhanecas ou Vanyanekas entraram pelo sul de Angola. Já no séc. XVI, atravessarm o Cunene e instalaram-.se no Planalto da Huíla. Ainda no séc. XVI, outro povo deixa a região dos Grandes Lagos e entra em Angola os Hereros, povo de pastores. Entraram pelo extremo leste, atravessaram o Planalto do Bié e instalaram-se entre o Deserto de Namibe e a Serra de Chela, no Sudoeste angolano (Estermann, 1983: 21). O grupo Ngangela, deslocou-se para oeste, atravessou o Alto Zambeze até ao Cunene, depois de partirem da região dos grandes Lagos Africanos, no séc. XVII. No séc. XVIII, entraram os Ovambos ou Ambós, especialistas na arte de trabalhar o ferro. Estabeleceram-se entre o Alto Cubango e o Cunene. Nesse mesmo século, os Quiocos abandonaram o Catanga, atravessaram o rio Cassai e instalaram-se na Lunda, no Nordeste, tendo depois migrado para Sul.
23 Arte Rupestre de Angola 23 No séc. XIX, o último povo a instalar-se em Angola foram os Cuangares ou Ovakwangali. Vieram do Oragem, na África do Sul, em 1840, instalaram-se primeiro no Alto Zambeze, com o nome Macocolos. Daí partiram para Cuangar, no extremo sudoeste angolano, onde permanecem entre os rios Cubango e Cuando (Flint, 1976: 245).
24 Arte Rupestre de Angola 24 II Território
25 Arte Rupestre de Angola Território Forma de governo: República presidencial Superfície: km2 População: habitantes Coordenadas: lat. 4º -18º S; long. 12º 24º E Capital: Luanda ( hab.) Unidade monetária: Kuanza A República de Angola fica situada na África Central, a sul do equador, sendo limitada a norte e nordeste pela República Democrática do Congo, ao leste pela Zâmbia, ao sul com Namíbia. A ocidente, pelo Oceano Atlântico, sendo aí banhada, a sul, pela corrente fria de Benguela. A província de Cabinda é um enclave situado entre a República Democrática do Congo e o Congo. O território estende-se entre as latitudes de 4º 21` 26`` e 18º 02` 10``S e os meridianos de 11º 38`40`` e 24º 03`20`` E de Gr, com uma superfície de km 2, dividida em 18 províncias administrativas (Bengo, Benguela, Bié, Cabinda, Cuando, Cubango, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Luanda, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanie, Moxico, Namibe, Uíge e Zaire (Fig. 2)). A sua fronteira marítima de Angola mede cerca de 1560 km, enquanto a fronteira terrestre, 4690 km.
26 Arte Rupestre de Angola 26 Quadro 1 - Divisão Administrativa Província Capital Municípios Bengo Caxito Ambriz; Nambuangongo, Dande,!colo e Bengo, Quigama. Benguela Benguela Lobito, Bocoio, Balombo, Ganda, Cubal, Caimbambo, Benguela, Baia Farta, Chongoroi. Bié Kuito Andulo, N'Harea, Cunhinga, Chinguar, Chitembo, Kuito,.Catabola, Camacupa, Cuemba. Cabinda Cabinda Belize, Buco-Zau, Landana, Cabinda. Cunene Ondjiva Curoca, Cahama, Ombadja, Cuvelai, Cuanhama, Namacunde. Huambo Huambo Tchindjenje, Ukuma, LongonJo, Ekunha, Londuimbali, Bailundo, Mungo, Huambo, Caála, Tchikala- Tcholohnanga, Katchiungo. Huíla Lubango Quilengues, Lubango, Humpata, Chibla, Chiange, Quipungo, Calunquembe, Caconda, Chicomba, Matala, Jamba, Chipindo, Kuvango. Kwanza-Norte N `dalatando Dembos, Bula Atumba, Bolongono, Ambanca, Quiculungo, Samba Cajú, Banga, Gonguembo, Pango Aluquém, Cambambe, Golungo Alto, Lucala, Cazengo. Kwanza-Sul Sumbe Porto Amboim, Sumbe, Seles, Cauda, Amboim, Quilenga, Lobolo, Quibala, Elo, Waku Kungo, Cossongue, Mussende. Kuando Kubango Menongue Cuchi, Menogue, Cuangar, Nankova, Cuito Canaval, Mavinga, Calai Dirico, Rivungo. Luanda Luanda Luanda, Cazenga, Ingombotas, Kilamba Kiáxi, Maianga, Rangel, Samba, Sambizanga, Viana, Cacuaco. Lunda- Norte Lucapa Xá-Muteba, Cuango, Capenda-Camulemba, Lubalo, Caungula, Cuilo, Chitato, Lucapa, Cambulo Lunda-Sul Saurimo Cacolo, Saurimo, Dala, Muconda.
27 Arte Rupestre de Angola 27 Província Capital Municípios Malange Malange Massango, Marimba, Kunda Dia-Baze, Caomba, Calandulo, Cacuso, Malange, Kiwaba Nzogi, Mucari, Quela, Cangandal, Cambundi -Catembo, Luquembo, Quirima. Moxico Luena Luau, Luacano, Alto Zambeze, Lumege, Léua, Camonongue, Moxico, Luchazes, Lumbala NGuimbo. Namibe Namibe Namibe, Camacuio, Bibala, Virei, Tombua Uíge Uíge Maquela do Zombo, Quimbele, Damba, Buengas, Santa Cruz, Sanza Pombo, Alto Cauale, Puri, Bungo, Mucaba, UÍge, Negage, Quitexe, Ambuila, Songo, Bembe. Zaire Mbanza Soyo, Tomboco, Nzeto, Mbanza COligO, Cuimba. Congo Fonte: 1- Bengo 2 - Benguela 3 - Bié 4 - Cabinda 5- Cuando-Cubango 6- Cuanza-Norte 7 - Cuanza-Sul 8 - Cunene 9 - Huambo 10 - Huíla 11 - Luanda 12 Lunda-Norte 13 Lunda-Sul 14- Malange 15 - Moxico 16- Namibe 17 - Uíge 18 - Zaire Fig. 2 - Provícias de Angola. Fonte:
28 Arte Rupestre de Angola Geomorfologia O relevo de Angola é marcado por quatro grandes zonas: a zona litoral, a zona de transição ou subplanáltica, a zona de cadeia de montanhas e a zona planáltica (Ervedosa, 1980: 38). O litoral compreende uma faixa de terras entre o mar e os 400 m, com uma largura bastante variável desde os 15 a 20 km a sul de Benguela, até aos 200 km na bacia do rio Cuanza. A faixa costeira é formada por sedimentos de origem marinha, depositados desde o Cretácico ao Terciário, quando o mar invadiu parte do continente, criando dois grandes golfos Luanda e Namibe que cobrem o antigo soco Pré-câmbrico. Este rompe mais a leste, constituindo a base do planalto angolano, com rochas gnaissícas e graníticas (Sacco, 2005: 248). Avançando para leste, o soco Pré-câmbrico aparece coberto por formações rochosas remontando aos períodos Carbonífero e Permiano; a essas formações seguemse outras formadas por arenários e conglomerados de idade mais recente (Ex: os cascalhos diamantíferos do distrito da Lunda). A zona de transição ou subplanáltica estende-se para o interior, apresentando uma espécie de escadaria, dado ser constituída por uma série de aplanações separadas umas das outras por degraus (Ervedosa, 1980: 38). Na terceira zona encontra-se a Montanha Marginal, constituída por diversas elevações de altitude considerável, sendo que as mais importantes situam-se nas províncias do Huambo e Huíla (Est. I). A zona planáltica ocupa parte do território, caracterizando-se pela monotonia, pois o relevo mantém-se quase invariável ao longo de quilómetros. As suas escarpas
29 Arte Rupestre de Angola 29 setentrionais representam a orla meridional da bacia do Congo e para sul descem gradualmente em direcção às depressões continentais do Kalahari (Antunes, 1968: 23). A maior altitude corresponde ao bordo ocidental do planalto Serra de Môco, 2620 m. No interior, o maciço de Bié constitui um importante nó hidrográfico, onde se situam as bacias do Congo, Zambeze e dos rios que se dirigem para o oceano Atlântico (Sacco, 2005: 257). 3. Rede hidrográfica A rede hidrográfica de Angola apresenta-se ligada nomeadamente aos pontos mais elevados do planalto que aparta o país em dois segmentos quase idênticos, desde a Serra da Nave (a sul de Benguela) até ao Bié: a setentrional, na sua maioria afluente da bacia do Congo; a meridional, afluente tanto da bacia do Zambeze como da bacia endorreica do Okavango (Amaral, 2000: 78). Toda a parte ocidental do território, bem como alguns troços do planalto, são directamente tributárias do Atlântico. Dos rios que desaguam no Atlântico, exceptuando o Congo, os mais importantes são o Cuanza e o Cunene. O primeiro tem 960 km de comprimento e uma bacia de cerca de km2, com origem no maciço de Bié; é navegável por cerca de 205 km, desde a foz até perto de Malanje. O segundo, com 945 km de comprimento e uma bacia de km 2, nasce no Bié, perto do Huambo, percorrendo o planalto; é navegável numa parte considerável, por pequenas embarcações. Perto da fronteira com a Namíbia, forma as cataratas do Ruacaná (Antunes, 1968: 39). Só km 2 da bacia do Congo pertencem a Angola.
30 Arte Rupestre de Angola 30 O Cassai atravessa vastas zonas florestais e o Cuango que nasce perto do Cassai tem mais de 1100 km de comprimento, 855 dos quais em território angolano. A bacia do Zambeze pertence à secção sudeste do país; corre 375 km em Angola e tem afluentes muito importantes na margem direita: o Lungué-Bungo e o Cuando. O rio mais comprido de Angola é o Cubango (975 km), também no sudeste (Sacco, 2005: 258). 4. O clima Apesar de se localizar numa zona subtropical Angola tem um clima que não é típico dessa zona, devido à convergência de três factores: a corrente fria de Benguela, ao longo da parte sul da costa, o relevo, no interior, e a influência do deserto do Namibe, a sudeste (Sacco, 2005: 262). Ainda assim, poderemos considerar três grandes tipos de clima: o clima tropical húmido, com a estação das chuvas mais prolongada do que a seca ou do cacimbo (interior centro e leste de Cabinda, Zaire, Uíge, Malange, e Lundas); o clima tropical seco, em que vigora mais tempo a estação seca em detrimento da estação das chuvas (faixa costeira a sul de Luanda até chegar à região do Namibe e restante fronteira sul); e por fim, o clima desértico, com temperaturas elevadas e escassa precipitação (deserto do Namibe). Existem, assim, variações extraordinárias entre o litoral e o interior. Ao norte e no centro interior domina o clima tropical, com temperaturas estáveis ao longo do ano, embora o norte seja mais húmido, típico da selva equatorial; no litoral, este clima modifica-se e torna-se mais suave por receber a influência do oceano; nos planaltos é a altitude que interfere dulcificando o clima; ao sul, muito mais seco passa-se
31 Arte Rupestre de Angola 31 gradualmente para uma região em que as precipitações atmosféricas diminuem até se tornarem quase nulas estepes e deserto (Amaral, 1983: 15). Relativamente à altitude, pode considerar-se uma região costeira até m (o Ambriz, Luanda, Icolo, Bengo, Barras do Bengo e do Dande, Libongo, Benguela e Moçâmedes), a região das florestas de 300 a 750 m (Cazengo, Golungo Alto, Ambaca, Ienza do Golungo e Bumbo), e região mais elevada, acima de 750 m (Pundo Andongo e da Huíla). Existem duas estações em Angola: uma seca e não muito fria, sobretudo no planalto, que vai de Maio a Setembro; e a outra quente e chuvosa, de Outubro a Abril. As máximas variam desde os 23 graus centígrados de Julho e Agosto até os 30 graus de Março (Est. II). A precipitação (Est.III) tende a aumentar à medida que se avança do litoral para o interior, até um máximo de 1500mm anuais, na parte central do planalto e nas regiões do Nordeste (Cruz, 1940: 22). 5. Flora A posição geográfica e extensão de Angola permitem-lhe possuir uma imensa riqueza em espécies vegetais, desde arboretos higrofiticos nas zonas mais húmidas, a xerofiticos na transição para o deserto, a mesofíticos no planalto interior (Fig.3). Pese embora essa magnificência natural, poucos estudos sobre a diversidade botânica do país foram realizados e Angola é o único PALOP sem uma lista de espécies de flora. Em Moçâmedes, seguindo em direcção à Namíbia, encontra-se um autêntico deserto e nele a Welwistschia mirabilis, da família das gnetáceas (Mendonça, 1943:24). No Bumbo, nas orlas da Serra da Chela encontramos vegetação tropical por excelência: melostomáceas, apocináceas e combretáceas, bem como nas florestas do
32 Arte Rupestre de Angola 32 Quisonda até ao Condo, do Luxilo e do Cambambe, nas margens e cataratas do rio Cuanza (Nogueira, 1968:67). Nas margens dos rios, predominam as gramíneas e os prados extensos. Pungo Andongo apresenta uma das mais espantosas zonas florísticas tropicais. A floresta equatorial predomina em toda a parte setentrional do país e no enclave de Cabinda, bem como em toda a faixa costeira setentrional, muitas vezes coberta por mangues (sobretudo junto à foz dos rios) e nas regiões mais húmidas atravessadas pelos principais cursos de água, a floresta-galeria (Nogueira, 1968: 72). Encontram-se ainda todas as espécies de grande flora equatorial (Sacco, 2005: 265): o mogno, a palmeira, o grande tacula e o musuemba, o Trymotococcus africanus (este cresce unicamente na África Ocidental). Latifólias sempre-verdes encontram-se por toda a parte até 350 m de altitude, onde aparece a floresta tropical de montanha, rica igualmente em árvores de grande folhagem persistente (ex: palmeira-dum, bananeira). Acima dos 1000m, predomina a savana, com eufórbias e acácias. A faixa costeira meridional é coberta por uma estepe de eufórbias, Aloé, e Sanseviérica. Mais para o interior e para sul a estepe torna-se ainda mais rala (Nogueira, 1968, 81). A colaboração oficial entre o Conselho da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e o British Museum levou a cabo o Conspectus Flora Angolensis. No entanto, esta obra viu o seu primeiro volume publicado em 1937, mas ainda hoje está por terminar (nota do Jardim Botânico Tropical:
33 Arte Rupestre de Angola Zonas fitogeográficas Angola pode considerar-se dividida em quatro zonas (Est.IV): a zona baixa ou do litoral; a zona rica ou das florestas; a zona alta ou das gramíneas; a zona interior ou da borracha (Barbosa, 1970: 12). A primeira zona, a do litoral, apresenta um relevo caracterizado, em geral, por pequenas altitudes e abrange: - Congo litoral, que confina Santo António, Nóqui e parte do Ambrizete; - Luanda litoral, que compreende Ambriz, Dande e a maior parte de Icolo e Bengo; - Benguela litoral, que abarca Egipto e Benguela. -S. Nicolau, que respeita à região de Moçâmedes e parte de Porto Alexandre. É aqui, sobretudo nos vales e encostas servidas de água, que se dão bem a cana sacarina, o algodão, o arroz, o tabaco, o amendoim, além das palmeiras de dem-dem e todas as culturas intercalares dos países tropicais. A segunda zona é mais extensa e compreende numerosas espécies florestais; aqui se encontram também culturas de tipo misto como as de cacau e café, mas a baixas altitudes. Estão aqui inseridas as zonas: - Chiloango, que compreende Cacongo; - Cabinda; - M Brige, que compreende S. Salvador, Bembe e a quarta parte da circunscrição civil do Ambrizete; - Loge Dande, que abrange o Eucoge e os Dembos; - Alto Lucala, que abarca Ambaca e parte do Duque de Bragança; - Baixo Lucala, que compreende Golungo Alto, Cazengue e Cambangue; - Longa, que abrange uma pequena parte da Quissama e o Libolo;
34 Arte Rupestre de Angola 34 - Cuvo, que confina o Amboim e Seles; -Balombo Queve, que compreende partes importantes do Bailundo e do Huambo; -Catumbela Coporolo, que abrange a Ganda, Quilengues e uma parte de Caconda; -Serra da Chela, que compreende a Bibala e parte dos Gambos além de pequenos territórios contíguos da Chibia ao norte e Porto Alexandre ao sul. Na terceira zona encontram-se culturas de sequeiro, principalmente de milho, mandioca, algodão e também de piteiras, mas obtêm-se ainda outros produtos agrícolas, como o cacau e o café; possui também condições propícias à horticultura e à pomicultura. Estão inseridas nesta zona, as áreas: - Zadi lnquissi, que inclui Maquela do Zombo e a maior parte da Damba; -Cuilo, que inclui o Cuango, Pombo e Sosso; -Cambo, que compreende a maior parte do Duque de Bragança e Holo e Jinga; -Malanje; -Lui, que abrange Bondo e Bangala e Baixo Songo; -Cuanza-Médio, que abrange o Gango e Alto Songo; -Alto Cuanza, que abrange grande parte do Bailundo, do Bié e a circunscrição do Andulo; -Alto Cunene, que abrange grande parte do Huambo, Caconda, Ganguelas e Alto Cunene; -Alto Cubango, que abrange o Alto Cuanza, e grande parte das Ganguelas, além do norte do Cunene; -Caculovar, que abrange a Humpata, o Lubango, a Chibia e o norte dos Gambos;
35 Arte Rupestre de Angola 35 -Médio Cunene, que abrange as capitanias do Alto Cunene (menos a faixa norte), o Evale, o Humbe, o Cuanhama e o Cuamato. Na quarta zona além das plantas borrachíferas, encontram-se culturas autóctones, tais como o arroz, a ginguba, a mandioca, a batata-doce, a massambala, o massango, por exemplo. Esta zona inclui: -Alto Cuango, que corresponde a Camaxilo e Minungo; -Alto Cassai, que corresponde às capitanias do Cuilo-Chicapa e Cassai-Norte Sul; - Luena, que corresponde à capitania do Moxico; -Alto Zambeze; -Lungue-Bungo; -Alto Cuango, correspondente às capitanias do Alto Cuilo e dos Luchazes; - Baixo Cubango; -Cuito; -Baixo Cuando. 7. FAUNA A fauna de Angola é diversificada e abundante. Encontramos, neste país, quase todos os exemplares do ambiente equatorial e tropical (Pirelli, 1964: 6). Na zona da savana e da estepe, abundam os herbívoros, como o hipopótamo (Hippotamus amphibius) e a girafa (Camelopardalis girafa), animais exclusivos da África tropical e austral, o elefante africano (Elephans africanus); o rinoceronte, conhecido por Chucurro, de que existem duas espécies: o rinoceronte branco (Rhinoceros símus), bastante raro, e o rinoceronte preto (R. bicornis); a zebra (Equus zebra), impossível de domesticar; numerosos ruminantes, como o boi doméstico; o
36 Arte Rupestre de Angola 36 carneiro, a cabra, o almiscareiro (Hyaemoschus aquaticus), único ruminante em que cada pata possui quatro dedos completos com os metacárpios completamente desenvolvidos e separados; numerosos representantes da família dos antílopes, como a gazela (Cervicapra bahor), a palanca (Hippotragus equinus), o Quichôbo ou Buzi, mergulhador tal como o hipopótamo, que habita no rio Cuchibi e Alto-Cuando, não se encontrando no Baixo-Cuando nem no Zambeze, pela presença aí de numerosos crocodilos; e outros, de variadas espécies (Sacco, 2005: 270). Os carnívoros abundam nas zonas habitadas pelos herbívoros, dos quais se alimentam. Existem em grande número o leão (Felis leo), o leopardo (Leopardus jubatus), a hiena (Hyaena), a raposa, o chacal e outros. Na zona das florestas são muito abundantes o chimpanzé (Troglodytcs) e os macacos, especialmente dos géneros Crcopitecus e Cynocephalus. De insectívoros e roedores existem numerosas espécies (Sacco, 2005: 271). As aves são muito abundantes, encontrando-se distribuídas em três zonas distintas: a do litoral, fraca em vegetação, alberga cerca de 200 espécies diferentes; a zona média, montanhosa, coberta de magníficas florestas, possui mais de 250 espécies; na zona planáltica, onde a vegetação é muito rica e variada, o número das espécies é superior a 400 (Pirelli, 1964: 32).
37 Arte Rupestre de Angola Áreas protegidas Em Angola, existem 37 áreas protegidas, cobrindo Km 2 (cerca de 15.1% do território angolano): -Parque Nacional (6)* -Parque Natural Regional (1)* -Reserva Regional -Reserva Florestal -Reserva Natural Integral (2)* -Reserva Parcial (4)* -Coutada Só estes (*) são zonas de protecção integral da natureza, correspondendo a cerca de Km 2. Existem diversas ameaças à biodiversidade deste país: problemas sociopolíticos/ausência de políticas ambientais adequadas; desertificação; erosão do solo; desflorestação; caça furtiva e exploração dos solos para a agricultura. 9. População Os planaltos interiores e as regiões costeiras pertencem, no que respeita ao povoamento, à faixa centro-meridional de África, que costuma ser atribuída aos Bantos centrais povos geralmente agricultores e sedentários que, por volta do séc. XIII, ocuparam esta região depois de virem do norte, absorvendo lentamente as populações autóctones (Coisans, Bosquímanos e Hotentotes) ou impelindo-as para a periferia ou para áreas onde se tornava pouco viável a prática agrícola (Estermman, 1983: 12). Angola apresenta, pois uma multiplicidade de grupos étnicos (Fig.4) e, com isso, uma diversidade linguística (Fig.3).
38 Arte Rupestre de Angola 38 Os Ambundos representam um dos principais grupos étnicos; vivem na parte central do país e ao longo da costa entre Luanda e Benguela. Os Ovimbundos, outro grupo étnico numeroso, ocupam sobretudo os planaltos de Benguela. Os Ambos (Ovambos), nome genérico de numerosas castas que se estabeleceram mais a sul, são em grande parte de origem banta e, em parte, bosquímana e hotentote. As Congos e Choqwés são estirpes bantas aparentadas com as do baixo Congo que habitam nas zonas setentrionais. Os segundos são provenientes do Alto Cassai e são notáveis no trabalho da madeira, na tecelagem e na metalurgia. Kisama, Libolos e Hkus constituem outros grupos étnicos e vivem na margem direita do Cuanza, enquanto os Balundas surgem no curso superior do Zambeze e os Mambundas na zona entre Cubango e Cuando (Estermann, 1983: 19). Uma pequena parte de angolanos (2%) é de origem mista, europeia e africana. Existe uma pequeniníssima percentagem de pessoas de origem mista cubano-africana, descendentes do pessoal civil e militar cubanos estacionados em Angola nos finais de 70 e os primeiros anos de Grupos etnolinguísticos A língua oficial de Angola é o Português, no entanto existem diversas línguas nacionais, das quais as de maior expressão são: quicongo (kikongo), quimbundo (kimbundu), chocue (tchokwe), umbundo, mbunda e cuanhama (kwanyama ou oxikwnyama) (Redinha, 1969:11). A grande maioria dos Angolanos (cerca de 90%) é de origem banto. O principal grupo étnico banto é o dos ovimbundos (1/3 da população angolana é deste grupo étnico), no centro-sul do país, o qual se expressa em umbundo, a língua nacional com
39 Arte Rupestre de Angola 39 maior número de falantes em Angola e é também falada na Namíbia. É conhecida por outros nomes: m'bundo, ovimbundu, mbundu do sul, nana, mbali, mbari e mbundu de Benguela. A segunda língua nacional mais falada é o quimbundo, falada pelos ambundos, os quais encontramos sobretudo no centro-norte (Luanda-Malange e Cuanza Norte). Era a língua do antigo reino dos N`gola (Santos, 1969:58). No Uíge e Zaire encontramos o quicongo falada pelos bacongos. Apresenta diversos dialectos. Era a língua do antigo reino do Congo. O chocué é utilizado pelos quiocos que ocupam o leste (da Lunda Norte ao Moxico). Cuanhama, nhaneca e mbunda também são línguas de origem banto; já no sul, onde encontramos bosquímanos, povos não bantos, as línguas têm origem khoisan (Almeida, 1994: 35). Resumindo, por áreas (Milheiros, 1967:9), encontra-se o Quicongo em Cabinda e no Noroeste; o Quimbundo entre o mar e o rio Cuango, ultrapassando-o para leste e a sul transpõe o baixo e médio Cuanza. O Lunda-quioco aparece desde o ângulo superior direito do quadrante nordeste até à proximidade da fronteira sul (rio Cubango) e o Umbundo a meio da metade oeste de Angola, subindo da beira-mar para as terras altas. Na fronteira Leste, o Nganguela- Vangangola, desde a bacia do Zambeze ao Cuando e nos ramos superiores do Cubango. O Nhaneca-humbe surge nos territórios do curso médio do Cunene; o Ambó ao longo e ao meio da fronteira sul; o Herero no canto sudoeste de Angola e o Xidonga no ângulo sudeste, entre os cursos do Cubango e do Cuando.
40 Arte Rupestre de Angola 40 A população de origem não banta grupos bosquímano-hotentote (ou Koisan) vive em pequenos núcleos a sul do paralelo 14, dispersando-se pela faixa sul do território. Utilizam uma linguagem de cliques e são representadas pelos grupos Quede e Vátuas Cuíssis ou Cuepes (Clark, 1959: 87). Fig. 3 Mapa etnolinguístico (adaptado:carta Étnica de Angola, 1970/ dados do governo de Angola)
41 Arte Rupestre de Angola 41 III Arqueologia
42 Arte Rupestre de Angola História da investigação arqueológica em Angola A investigação arqueológica em Angola remonta ao séc. XIX. Assim, em 1818 é realizado o primeiro trabalho de reprodução e interpretação de gravuras rupestres encontradas em Angola, por um oficial Inglês, o tenente Hawkey, que integrava uma expedição científica ao curso inferior do rio Zaire (Ervedosa, 1980: 234). Em 1890, Ricardo Severo, arqueólogo português, publica Primeiros vestígios do período neolítico no Estado de Angola, mas o seu estudo baseia-se na fotografia de dois prováveis instrumentos de pedra polida provenientes de um local na margem do Cuanza (Jorge, 1974: 149). Nesse mesmo ano, Nery Delgado publica Quelques mots sur les collections des roches de la province d`angola par le Rev. Pe. Antunes, trabalho que marca o início do estudo do paleolítico em Angola, continuado em 1913 por Leite Vasconcelos e nos anos 30 por Rui Serpa Pinto, Santos Júnior e outros. Nos anos 40 do séc. XX, a arqueologia é impulsionada em território angolano, graças aos estudos desenvolvidos por arqueólogos e geólogos (Janmart, Breuil, Leakey e Clark), sob patrocínio da Companhia de Diamantes de Angola (Ervedosa, 1980:33). Também geólogos dos Serviços de Geologia e Minas de Angola (F. Mouta, J. Martins, Soares de Carvalho e Mascarenhas Neto) durante os seus trabalhos de campo encontraram numerosas jazidas paleolíticas e fizeram recolha de material, posteriormente estudado (Jorge, 1974: 149). Em 1959, dá-se a apresentação do trabalho conjunto de Henri Breuil e António de Almeida no IV e Congrès panafricain de préhistoire e de l` étude du quaternaire, sobre as gravuras e as pinturas rupestres do deserto de Moçâmedes (Almeida e Breuil, 1964: 167).
43 Arte Rupestre de Angola é o ano em que Desmond Clark publica o primeiro trabalho de síntese sobre as diferentes jazidas em Angola Prehistoric culture of Northeast Angola and their significance in tropical Africa. Em 1964 assiste-se à publicação do primeiro mapa com estações pré-históricas angolanas baseadas nas descobertas da Missão Antropobiológica de Angola, para o qual muito contribuíram Camarate França e Miguel Ramos. Em meados da década de 60, o Instituto de Investigação Científica de Angola e a Universidade de Luanda, criada nessa altura, dão um novo ímpeto à arqueologia angolana (Ervedosa, 1980: 34). Em 1966, Desmond Clark publica The distribution of prehistoric cultures in Angola. No ano seguinte, Machado Cruz, no Instituto de Investigação Científica de Angola, faz investigações sobre os fundos de cabanas do Morro Vermelho (Deserto de Moçâmedes) e, um ano depois, Adriano Vasco Rodrigues realiza um estudo sobre os túmulos de pedra da Quibala, altura em que é publicado Further palaeoanthropological studies in Northern Lunda, de Desmond Clark. A partir de 1970, trabalhos levados a cabo por Santos Júnior, Carlos Ervedosa e Oliveira Jorge, pela Universidade de Luanda, trazem à luz novas estações arqueológicas. Em 1991, é encontrada a Necrópole de Kapanda (Província de Malanje), resultante da prospecção arqueológica levada a cabo por Luís Manuel da Costa, sociólogo, e Virgílio Coelho, investigador e à época Delegado da Cultura da Província de Luanda. Manuel Gutierrez assume a responsabilidade da escavação (Gutierrez, 1999: 15).
44 Arte Rupestre de Angola 44 Este último investigador dedica-se ainda, na década de 90 ao estudo da arte rupestre, publicando, em 1996, L`Art Pariétal de l`angola e, em 1999, Archéologie et Antropologie de la Nécropole de Kapanda 2.Terminologia A terminologia usada para designar os períodos mais antigos do passado de toda a África subequatorial é a mesma adoptada para Angola, tendo sido proposta por Desmond Clark, em Estes termos foram apresentados no 3º Congresso Pan- Africano de Pré-história, em Livingstone, em 1955 e confirmados em 1977, no 8º Congresso Pan-Africano de Pré-história e de Estudo do Quaternário, em Nairobi: The Earlier Stone Age (ESA); The First Intermediate Period; The Middle Stone Age (MSA); The Second intermediate Period; The Later Stone Age (LSA). Carlos Ervedosa, na sua Arqueologia Angolana (1980:13) propôs a seguinte repartição, pegando nessa mesma terminologia: Quadro 2 Divisão da Terminologia, segundoervedosa Paleolítico The Earlier Stone Age The First Intermediate Period The Middle Stone Age The Second intermediate Period Mesolítico Neolítico The Later Stone Age Importa reter que os termos ESA, MSA, LSA não podem correlacionados com os Europeus Paleolítico, Mesolítico e Neolítico. Trata-se apenas de algumas comparações
45 Arte Rupestre de Angola 45 que alguns autores traçam, no sentido de uma melhor percepção cronológica. D. Lewis- Williams (1981: 47) estabeleceu um desses quadros comparativos: Quadro 3 Correlação das terminologias Europeia e Africana Europa Equivalentes tipológicos Neolítico Mesolítico Sudoeste e Centro - Sul Africano Principais divisões Subdivisões culturais Principais tipos de instrumentos Tshitolense Pontas de seta Later Stone Age Nachikufense Pontas de lança Micrólitos Pedras furadas Wilton Machados polidos Smithfiel Pontas em osso Magosiense Pontas Second Lupembo-Tshitolense Raspadores Intermediate Lâminas Micrólitos Stillbay Paleolítico Middle Stone Age Pietersburg Alguns elementos mais Lupembense pesados Alexanders-fontein Mossel Bay Mazelspoort Hagenstad Etc. Fauresmith Machados de mão First Intermediate Sangoense Machadinhas Lascas e lâminas Picos Cheller-Acheul Machados de mão Earlier Stone Age Pre-Chelles- Acheul Picos Instrumentos sobre lasca não especializados Lâminas Pebble choppers
46 Arte Rupestre de Angola 46 As peças líticas encontradas em Angola revelam problemas no que toca à sua datação, pois além de muitas vezes a estratigrafia não ser precisa, muitas provêm de recolha de superfície. No entanto, a existência desses utensílios líticos servem para provar a antiguidade da ocupação humana em Angola (por exemplo, há peças do tipo Olduvaense). 3. Sucessão cultural Os mais antigos artefactos recolhidos na bacia do Congo pertencem ao Olduvaense Evoluído e aos primeiros estádios do Acheulense. Não existem muitas estações arqueológicas acheulenses, talvez porque nesse período a população fosse diminuta e estivesse confinada a determinadas áreas, por exemplo, aos rios principais, pois os materiais dos estádios seguintes são encontrados nas vertentes acima dos 30m (Clark, 1963: 45). Há cerca de 50 mil anos a.c., com o início do Pleistoceno superior deu-se uma mudança no clima e no ambiente do Sudeste da Bacia do Congo, devido ao abaixamento geral da temperatura. Há cerca de 45 mil anos, surgem as indústrias Sangoense/Lupembense inferior. Há menor evidência de condições húmidas e a temperatura foi provavelmente mais baixa. Entre e anos ocorre o Lupembense superior contemporâneo de condições frias. A floresta das terras baixas retirou-se do Nordeste da Lunda e foi substituída por prados e savanas. O clima frio e seco e a paisagem aberta do Pleistoceno superior persistiram até ± 7000 a.c.
47 Arte Rupestre de Angola 47 Por volta dos a.c. dá-se a passagem da indústria Lupembense para a Tshitolense, tendo-se completado há ±12000 a.c. O Tshitolense Inferior que substituiu o Lupembense cobre o tempo entre e 7000 a.c. Entre 7000 e 5000 a. C. o clima foi-se tornando gradualmente mais quente. Há ± 5000 a. C., ao longo das margens dos rios desenvolveu-se a floresta, cercada por savanas e prados. Atentemos, agora mais pormenorizadamente nas diversas indústrias. No período de há 2 a 2,5 milhões de anos, desde o final do Kagueriano até início do Gambliano, predomina um clima húmido e quente, com períodos mais secos durante os interpluviais. As suas indústrias líticas aparecem limitadas às regiões de vegetação aberta (estepes e savanas). A partir dos finais do Pleistoceno médio, há cerca de 70 mil anos, assiste-se ao arrefecimento gradual da temperatura que vai caracterizar o Pleistoceno Superior. Na Earlier Stone Age, são marcantes duas grandes culturas: Olduvaense e Acheulense. A Olduvaense caracteriza-se por lascas grosseiras, toscos utensílios de corte resultantes de calhaus rolados com lascagem na extremidade de uma face choppersou alternadamente nas duas faces chopping-tools, com um gume sinuoso. Por ser uma indústria de choppers e lascas provenientes de calhaus rolados, pode tomar a designação de Pebble Culture e é atribuída aos Australopithecus, mas como representa um estádio longo do desenvolvimento surgem aqui algumas reservas se não pertencerá já ao género Homo ou até a ambos (Phillipson, 1985: 32). Apresenta ainda certas formas de protobifaces certas formas pontiagudas outras peças bifaciais grosseiras e lascas retocadas em raspadores.
48 Arte Rupestre de Angola 48 Esta indústria tem a sua fase mais evoluída há cerca de anos (Pleistoceno Inferior). Em Angola encontramos indústria do tipo Olduvaense em Catongula, Mufo, Cataila 2, Tocamai, Cassenga, na zona do Congo, bem como Palmeirinhas (Fig. 4), na zona Sudoeste (Clark, 1966: 22). Fig.4 Indústria Olduvaense das Palmeirinhas, segundo Ervedosa (1980) Quanto ao Acheulense existem dúvidas quanto ao espaço de tempo em que vigorou. Esta indústria tem como utensílio característico o biface, A evolução das indústrias durante este período permite distinguir duas fases. Uma fase mais antiga, Acheulense Inferior (± 1 milhão de anos a ± 0,5 milhões de anos), na primeira metade do Pleistoceno Médio, caracterizada por bifaces grosseiros (bordos zizagueantes ou ondulados); choppers discóides, esferóides, raspadores e utensílios mistos; percutor de
49 Arte Rupestre de Angola 49 pedra utilizado na lascagem; técnica do bloco-sobre-bloco (núcleo assente numa bigorna), daí resultando lascas espessas (Ervedosa, 1980: 14). Outra a partir de ± 500 mil anos Acheulense Superior caracterizada por percutor mais suave; lascas delgadas; bifaces com superfícies mais regulares. Começam a aparecer núcleos preparados. Surge então a técnica de Victoria West em África, que corresponde à fase da técnica Proto- Levallois da Europa. O uso de grandes lascas para a produção de bifaces dá origem ao machado; encontram-se bolas de pedra (para caçar, triturar ou moer); núcleos-raspadores, choppers, discos e raspadores de vários tipos (Ervedosa, 1980: 15) Fig. 5 Exemplares do Acheulense evoluído (Capangombe): Biface (1); Chopper (2); Machado (3); Ponta (4). Colecção arqueológica de Angola IICT. No termo do seu desenvolvimento cultural, os acheulenses da África Meridional aprenderam a arte de fazer fogo, permitindo uma mais regular utilização das cavernas e abrigos sob-rocha. No Pleistoceno Médio, as condições climatéricas quentes e húmidas, permitiram uma certa unidade cultural nas várias regiões de África, enquanto no Pleistoceno Superior (± 70 mil anos) dá-se um abaixamento geral da temperatura. Há cerca de 50 mil anos, nas regiões tropicais e subtropicais, as temperaturas médias eram 5 a 6 graus mais baixos do que as actuais e a pluviosidade maior, por isso
50 Arte Rupestre de Angola 50 regiões actualmente desérticas, ofereciam excelentes condições. No entanto, na parte ocidental, devido à acção dos anticiclones subtropicais e dos ventos que sopravam da corrente fria de Benguela, entrando na Bacia do Congo e na África Ocidental o clima é frio e mais seco. Com esta mudança climatérica, as florestas afastam-se dos planaltos para os fundos dos vales, sendo substituídas por savanas e prados, próprios das regiões secas (Clark, 1966: 41). Chega-se então ao Primeiro Período Intermédio (The First Intermediate Period), no qual se salientam duas culturas ao sul do Sahara: Fauresmith e Sangoense (Ervedosa, 1980: 16). A cultura Fauresmith (Fig. 6) vigora num período que vai desde ± 60 a ± 40 mil anos, em regiões abertas e secas, prados e planaltos do sul e do leste de África. Trata-se essencialmente da continuação da cultura Acheulense Fig. 6 - Fauresmith (Munhino 9): Biface (1); Raspador (2); Núcleo-raspador (3). Colecção arqueológica de Angola IICT. Nesta indústria os bifaces foram muito usados mas geralmente são mais pequenos que os acheulenses; os machados muito toscos; os núcleos discóides preparados tanto para a remoção de lascas (tipo levalloisiense) como para a remoção de pequenas lascas (tipo mousteriense); os raspadores côncavos e denticulados (Clark, 1966: 47).
51 Arte Rupestre de Angola 51 A cultura Sangoense, num período entre ± 46 a ± 37 mil anos, encontra-se muito disseminada pela África Central. Como instrumentos típicos apresenta picos associados a choppers, bifaces, machados, núcleos-raspadores, esferóides, grandes e pequenos raspadores e lascas (Gutierrez, 1996: 21). No Ocidente da República Democrática do Congo e em Angola aparecem também, embora em pequenas percentagens, longas pontas bifaciais, core-axe (Fig. 7), isto é, núcleos-utensílios de lados paralelos e extremidade arredondada, adelgaçada, com uma ou duas faces lascadas ( ) aparece por vezes com a designação machado nucleiforme, embora a maior parte deles tenha sido usada como enxós e outros como cinzéis ou goivas. Ervedosa e Santos Júnior utilizavam o termo machadinha para core-axe (Ervedosa, 1980: 16). Fig. 7 Machadinhas (Mavoio 5). Colecção arqueológica de Angola IICT Em relação a Angola especificamente, a cultura Fauresmith, desenvolvida no sul, apresenta uma redução do talhe das peças líticas, que poderá estar relacionada com um clima seco; contrariamente, no norte, a indústria Sangoense estará relacionada com ambientes que envolvem os afluentes do Congo (Gutierrez, 1996: 21).
52 Arte Rupestre de Angola 52 Na MSA encontram-se pontas triangulares obtidas a partir de núcleos essencialmente tipo levallois, tendo como as duas principais culturas a Stillbay e a Petersburg. Será importante realçar que o uso do termo levallois para o centro-sul africano pretende apenas fazer referência a uma técnica, sem qualquer outra relação com o levallois da Europa (Malan, 1952: 58). Por esta época, o homem povoa áreas da África Central e do Sul, até então desabitadas. No que respeita à Stillbay, subsiste cronologicamente num período entre ± 22 mil anos a ± 15 mil anos e espacialmente desde o Cabo da Boa Esperança até ao Corno de África Fig. 8- Stillbay (Munhino 10): Ponta (1); Lâmina(2); Chopping-tool(3) Colecção arqueológica de Angola IICT A indústria do Stillbay evoluído (Fig. 8) data da segunda metade do Gambliano e caracteriza-se por um cuidadoso acabamento, pontas foliformes (em forma de folha), unifaciais ou bifaciais, muitas com base reduzida para encabamento; as faces muito bem, acabadas indiciam lascagem por pressão. A tudo isso acrescem ainda raspadores, lâminas, buris, grandes crescentes, serras, furadores, facas e choppers (Cooke e Malan, 1962: 34). A cultura Pietesburg surge um pouco antes dos 40 mil anos e vai até ± 15 mil anos, especialmente em zonas de bosque. Apresenta uma grande porção e diversidade de pontas, lâminas e raspadores (Brézillon, 1969:218).
53 Arte Rupestre de Angola 53 Na fase mais antiga os utensílios são principalmente em quartzito; na fase média e superior em chert e argilitos endurecidos, por exemplo. Nas regiões florestais da República Democrática do Congo, Angola e de partes da Zâmbia e da África Oriental, a MSA foi marcada pela cultura Lupembense (±36 mil a ± 140 mil anos) (Phillipson, 1985:79). Esta última apresenta indústrias com muitas características da Sangoense choppers, picos, bifaces, machadinhas, tranchets, poliedros e muitas formas de raspadores. Como utensílio típico tem a ponta bifacial lanceolada. De salientar ainda a redução das dimensões da utensilagem (Clark, 1963: 187). The Second Iintermediate Period é marcado por duas culturas principais: a magosiense (Fig. 9) e a lupembo-tshitolense (Gutierrez, 1996: 24). A Cultura Magosiense, num período entre os ± 15 mil a ± 10 mil anos, tem início no final do pluvial Gambliano, expandindo-se pelo período seco que assinala o princípio do Holoceno. Espacialmente surge na Zâmbia, Uganda, Angola (sudeste), Zimbabwe e na Costa Ocidental desde o Cabo até ao Corno de África. Combina a técnica Levallois do núcleo preparado para a obtenção de pontas, com as novas técnicas de produção de lâminas e micrólitos. Apresenta pequenas pontas triangulares e foliformes com faces lascadas por pressão, associadas a lâminas de dorso; buris de ângulo; lâminas de bordos com retoques escamosos; micrólitos; choppers ; furadores; raspadores; tranchets (Ervedosa, 1980:18).
54 Arte Rupestre de Angola 54 Fig. 9 O Magosiense do Sul de Angola, segundo Almeida e Camarate França (1965). Crescentes normais (1); Crescentes alongados (2); crescentes com bico terminal (3); Triângulos isósceles normais (4); trapézios isósceles (6); trapézio escaleno (7); buris (8); pontas (9); raspador (10); raspadeira (11); núcleo subdiscóide (12); núcleo oval (13); furador (14); alargador (15) (Almeida e França, 1965:121). A Lupembo-tshitolense, de há ± 15 mil a ± 9 mil anos, surge na zona de floresta. Há uma diminuição do tamanho dos utensílios; o core-axe é o utensílio mais usual. Sensivelmente a meio deste período de tempo, há cerca de 10/12 mil anos d.c., no final do Gambliano, aconteceu o novo interpluvial, de condições mais secas, vindo este depois a ser comutado por um clima mais quente e húmido a partir de 7000 a. C. - pluvial Makaliano. Em Angola mantém-se a diferenciação Norte/Sul: indústria do tipo Lupembo/tshitolense (Fig. 10) na zona Congo (Matafari, Cauma, Mussologi, Mavoio,
55 Arte Rupestre de Angola 55 Quibaxe) e uma outra do tipo Magosiense nas zonas Zambeze (Menongue, Dirico, Ossi, Benfica, Bales, Palmeirinhas, Calumba, Pontas das Vacas, Caninguiri, etc.) e Sudoeste (dividida em duas regiões: terras altas e faixa litoral. Da primeira fazem parte: Galanga, Ebo, Ganda, Gruta Leba; da segunda, Tchipòpilo, Macahama, Tchitundo-hulo, Baía dos Tigres e Espinheira) (Gutierrez, 1992: 24). Fig Indústria lupembo-tshitolense (Barra do Cuanza), segundo Ervedosa (1980) A Machadinha (1); Pontas bifaciais lanceoladas (2,3 e 5); furador (4); núcleo discóide (6). Raspadores (1,2,3,4 e 6); lâmina retocada (5); biface (7). B Passamos aqui para um outro período, na LSA situado cronologicamente entre ± 10/15 mil anos. O clima apresenta-se ainda com temperaturas baixas. Há 7000 anos a.c. as temperaturas começaram a subir e a pluviosidade a aumentar, atingindo o seu máximo entre 5500 e 2500 anos a.c. (Fase Húmida de Makali). Dos fundos dos vales, as florestas sobem para os seus flancos; a savana e os prados desenvolvem-se nos planaltos (Clark, 1963: 194).
56 Arte Rupestre de Angola 56 Depois de 2000 a.c. o clima torna-se progressivamente mais frio e seco, até cerca do ano 500 a.c., altura em que a precipitação aumentou (Fase Húmida de Nacur). A indústria microlítica que caracteriza o período em causa (Phillipson, 1985: 60), aparece pela primeira vez ao sul da África Central por volta de a. C. e só depois se difundiu mais para Sul. Encontramos então micrólitos, pequenas lâminas ou segmentos de lâminas e lascas, muitas vezes de forma geométrica, usadas em várias combinações pontas de lanças, pontas de seta, lâminas, por exemplo. Os micrólitos eram fabricados, geralmente, a partir de lâminas extraídas de núcleos com o auxílio de um punção começa-se a encontrar esta técnica a partir de a.c. na África Austral ligada às indústrias magosienses. Como inovação das culturas da Later Stone Age surgem o arco e a flecha que se tornam a principal arma de caça, destronando a lança. Existem quatro grandes grupos de culturas, neste período, na África Austral: Thistolense, Nachikufesnse, Wilton, e Smithfield. A maior parte destas culturas chegou até à Idade do Ferro (Clark, 1963: 210). A Tshitolense, desde há ± anos até 4500 anos (antecede o Neolítico, em algumas áreas, noutras supõe-se que durou até à Idade do Ferro, há cerca de 2000 anos) desenvolve-se nas zonas meridional e ocidental da Bacia do Congo. O equipamento tshitolense caracteriza-se por tranchets e pontas de setas com pedúnculo para encabamento, choppers, bifaces, machadinhas, pontas bifaciais lanceoladas, lâminas e lascas, raspadores, crescentes de grande tamanho, micrólito, rebolos, pilões, pedras furadas e bigornas (Ervedosa, 1980:19). A Nachikufense, entre 8000 a.c. e 1600 a.c., aparece na Zâmbia e zonas contíguas da África Central. Trata-se de uma cultura adaptada à savana e às regiões de arborização muito aberta.
57 Arte Rupestre de Angola 57 Aparecem as pedras furadas destinadas a vários fins, por exemplo, como componentes de armadilhas de mola (ainda hoje utilizadas); pontas de osso, almofarizes, rebolos e pilões (Ervedosa, 1980:20). Esta indústria aparece associada a cerâmica da Idade do Ferro na sua fase final. As culturas que se seguem, a Wilton e a Smithfield, são ambas especializadas na caça e adaptadas a regiões de vegetação aberta. A primeira, ± 7000 a 200 anos, é a mais difundida em termos espaciais - da África Oriental até ao Sul. É essencialmente microlítica, enquanto a Smithfield (excluído a Smithfield C, que parece de influência do Wilton) é caracterizada pela existência de várias formas de raspadores com proporções macrolíticas. Em ambas as culturas foram encontradas sovelas de osso e outros utensílios do mesmo material, pedras furadas, contas de casca de ovo de avestruz e, muito ocasionalmente, machados de pedra polida. As indústrias da cultura Wilton incluem muitos crescentes, microfuradores e brocas, sendo típicos os thumb-nail scrapers, isto é, pequenos raspadores terminais em forma de unha de polegar, que eram montados em cabos e seguros por meio de resina (Phillipson, 1985: 184). No sul, a fase mais antiga data de há 3000 anos, mas os estádios mais recentes da cultura de Wilton aparecem já com cerâmica hotentote. A Smithfield apresenta três estádios (Ervedosa, 1980: 21): - Smithfield A (± a 3000 anos) caracterizada por grandes raspadeiras. As pedras furadas são também muito frequentes nesta fase; - Smithfield B (±1500 d.c. a ±200 anos) associada a gravuras rupestres e a sua ocorrência com alguns artefactos talhados em vidro de garrafa indica que persistiu até aos nossos dias;
58 Arte Rupestre de Angola 58 -Smithfield C (±3000anos) é a mais microlítica e tem sido encontrada em associação com pinturas rupestres de estilo naturalista em abrigos sob-rocha. Na orla subárida do deserto do Namibe, tanto na Namíbia como em Angola, existe uma outra cultura da Later Stone Age, a Cultura da Damaralândia, englobando elementos macrolíticos e microlíticos e que chegou à actualidade. O utensílio típico é o fabricador, pequeno núcleo de base oval, plana. O bordo tornado funcional foi aguçado por retoques a toda a volta da base do núcleo e teria várias finalidades, sobretudo para retocar os micrólitos. Estes eram talhados sobretudo em calcedónia e quartzo. Há uma certa afinidade entre os elementos micrólitos desta cultura e os da cultura Nachikufense. Para além de raspadores de vários tipos, a cultura inclui cerâmica, mós e pedras com pequenos entalhes ou ranhuras para aguçar ossos, umas, e para o fabrico de contas de casca de ovo de avestruz, outras. E ainda boquilhas de cachimbo, pequenos pendentes de material variado, fragmentos de metal europeu, utilizado em facas e pontas de setas. Todo este material aparece por vezes associado a fundos de cabanas circulares (Clark, 1966: 79). Chega-se ao Neolítico, embora ainda na LSA. Há cerca de 5000 a.c., no Norte de África encontram-se os primeiros sinais de cultivo de plantas e da domesticação de animais. Para sul do Sara., escavações na Serra Leoa, no Gana e na Nigéria revelam que foi apenas há cerca de 3000 anos a.c. que alguns povos da savana e da floresta iniciaram a produção de alimentos. Esta diferença poderá indiciar que a região forneceu alimentos em quantidade satisfatória para os seus povos; pode ainda significar que as culturas do Egipto e do Norte de África, não se desenvolveram convenientemente nos climas tropicais, pelo que devem ter sucedido ensaios durante esse período de tempo, até se encontrarem as espécies favoráveis (Ervedosa: 1980: 22).
59 Arte Rupestre de Angola 59 Apenas em três locais de Angola foram encontrados utensílios de pedra polida: Mbanza Congo (Camarate França, 1964:51 Fig. 11), mais a sul num local do rio Cuanza e ainda mais para sul, na região de Galangue (cinco machados ou enxós) (Ervedosa: 1980: 23). Fig.11 Quatro exemplares de fácies neolítica, segundo Camarate França (1964) No Nordeste de Angola, tudo leva a crer que se passou directamente do período Tshitolense para a Idade do Ferro, introduzida pelos bantos (Jorge, 1974:161). Quanto à Idade do Ferro, pouco se investigou sobre este período em Angola. Segundo Jorge (1974: 167), a tecnologia do ferro deve ter sido introduzida em Angola na segunda metade do primeiro milénio da nossa era. Já quanto às vias de penetração, poderão ser apontadas a bacias do Zambeze, por um lado, e as regiões de Moxico, Lunda e Malange, por outro. No Centro-Sul surgem recintos amuralhados inexistentes no Nordeste e uma cerâmica menos elaborada do que a da Lunda. Até ao momento, cinco estações da Idade do Ferro foram exploradas: Dundo (Nordeste), Quibaxe (Noroeste), Benfica (Luanda), Quitala e Féti (planalto do
60 Arte Rupestre de Angola 60 Huambo). Benfica e Quitala são constituídas por concheiros, as restantes localizam-se no interior (Gutierrez, 1996: 34). Os concheiros são abundantes em muitos pontos da costa angolana. O de Benfica é o que se encontra melhor estudado. Também uma grande quantidade de cerâmica foi recolhida na área, predominando uma pasta negra acinzentada, com múltiplos vestígios ornamentais: sulcos paralelos, cruzados, em espinha de peixe, folha de palmeira e pontos, por exemplo. Datação por radiocarbono de uma amostra de carvão, juntamente com ossos, espinhas e cerâmica, forneceu a idade de 1810±50 anos (Ervedosa, 1980: 206). Já em Quitala, recolheram-se, tal como em Benfica, ossos de mamíferos e peixes, carvões, cerâmicas e contas de colar. A cerâmica, de origem banta, de tipologia variada, com ornamentação incisa, estampada e em relevo, com cores variadas, desde o amarelo-pálido ao negro, passando pelo vermelho e castanho. No entanto, a cronologia absoluta está por determinar (Gutierrez, 1992: 34). Em 1944, o Féti foi inicialmente descrito por Júlio Diamantino Moura. Childs recolheu amostras de carvão dos níveis inferiores desta estação, os quais datados por radiocarbono forneceram uma idade de 1240±100 anos (Ervedosa, 1980: 210). A Idade do Ferro durou cerca de mil nos, no entanto, a linha entre a Pré-história e a História nunca foi perfeitamente definida na África Negra e muito há ainda por estudar no que respeita a este período em Angola. As mais velhas comunidades que fundiram o ferro utilizavam uma cerâmica de base côncava tipo Dimple Base com decoração canelada e estampada. Surgiram quase simultaneamente por volta dos anos 100 a 300 d. C. no Ruanda Burundi, no Quénia, na Tanzânia, na Zâmbia, no Malawi e no Zimbabwe.
61 Arte Rupestre de Angola 61 Perto de Luanda, Ervedosa e Santos Júnior recolheram num concheiro do litoral, cerâmica banta com datações que apontam para o ano 140 d. C. (Ervedosa, 1980: 23). 4. Zonas ecológicas Desmond Clark dividiu o território angolano em três grandes zonas ecológicas (Clark, 1966: 64), às quais corresponderiam, a partir do Pleistoceno Superior, três tradições culturais distintas: Zona Congo, Zona Zambeze e Zona Sudoeste (Fig.12). Fig.12 - Mapa das zonas ecológicas, segundo Clark (1966)
62 Arte Rupestre de Angola 62 Zona Congo Desde a bacia do Zaire, a partir do mar, até ao rio Cassai a leste, sendo limitada a sul pelo rio Cuanza e pela linha divisória das águas dos rios Zaire e Zambeze: - na faixa litoral: capinzais e savanas de tipos diversos; - em Cabinda ( para o interior): a floresta tropical de chuva; - da serra do Canda até abaixo de Dalatango: floresta do tipo laurissilva, com cafeeiros espontâneos; - desde as margens do Cuanza até à laurissilva : um tipo de savana, apelidada por alguns de floresta degradada ; - entre Malanje e Lunda: outro tipo de savana com abundância de andropogóneas perenes e palmeiras - Até ao Cassai: mata de panda ou floresta aberta; - nas margens dos rios: galeria florestal. Zona Zambeze Limitada a Norte pela linha divisória das águas Zaire/Zambeze e a oriente pelas zonas próximas dos rios Cuanza e Cunene: - apanha as areias do Calahari; - as suas linhas de água principais: Zambeze e seus afluentes, Lungué-Bungo, Cuando, Cubango e outros, correm para sudeste, acompanhando a inclinação do planalto; - em grande parte da zona predomina mata de panda ; - para sul: matas com acácias e ainda mais para sul, até à fronteira: matas com predomínio de mutiati Zona Sudoeste
63 Arte Rupestre de Angola 63 Limitada a norte pela zona do Congo, a oriente pela zona Zambeze e a ocidente pelo Atlântico: -abarca duas faixas distintas: a das terras baixas com cotas entre o e m, desérticas e semidesérticas e a das terras altas, subplanálticas e planálticas, com altitudes acima dos 1000 m; - aqui passam os cursos inferiores do Cuanza e do Cunene, bem como o longa, Ngunza, Queve, Catumbela, Coporolo, com direcção este-oeste. - a sul do Lobito, acentua-se a aridez, conduzindo a um xerofitismo acentuado. Apresentamos de seguida uma série de quadros que mostram os vários locais de cada uma das zonas propostas por Clark onde foram encontrados artefactos reportados aos vários períodos considerados em Angola. Quadro 4 Locais com indústrias da ESA Earlier Stone Age Zona Congo Zona Zambeze Zona Sudoeste - Fase mais evoluída do Olduvaense: Catongula, Mufo, Candombe, Cataúla 2, Caúma, Toca Mai e Cassenga; - Acheulense Superior: nas minas de Camafufo, Muazanga e Furi I; em Mufo e Toca Mai; em Luxilo 1, Chingufo e Caûma. -Não foram encontrados artefactos Olduvenses; - Acheulense: confluência dos rios Luconha e Lungué-Bungo (um artefacto). - Olduvaense: Ponta do Giraul; - Luanda (Rua Brito Godins); - Palmeirinhas; -A sul do Lobito; -Peças tipicamente acheulenses: no Baixo Cunene, no Brutei, em S. João do Sul, entre Moçâmedes e a escarpa da Chela, com destaque para a estação de Capangomb;. - Outros locais: Ponta das Vacas, Porto Alexandre, Baía Farta, Benguela e Limagens.
64 Arte Rupestre de Angola 64 Quadro 5 Locais com indústrias do FIP First Intermediate Period Zona Congo Zona Zambeze Zona Sudoeste -Sangoense/Lupembense Inferior: Mussolégi e Catongula. -Nenhuma jazida foi encontrada. - Dondo (rio Cuanza); - Ponta das Vacas; - Coporolo; -Praia do N`Hime (entre Limagens e Benguela); - Ponta do Girauld. Quadro 6 Locais com indústrias da MSA Middle Stone Age Zona Congo Zona Zambeze Zona Sudoeste -Sangoense/Lumpembense Inferior: Luaco e Dondo; - Lupembense Superior: Lunda; -Locais com artefactos tipicamente lupembenses: Marimba, Mavoio, Catete e no distrito de Malanje. - Menongue. - No interior: Chitaca Hué; rio Xissoi (Galangue); Bata Bata (Humpata); -Lubango (colecções de superfície); - Luanda (Jazida lítica pré-histórica, nº1 dos Barracões e Jazida lítica pré-histórica, nº1 do rio Capitão); -Leba (Humpata); Ontelibu (Oncocua); rio Ediva; Tando; N`giva e em Cangalongue (Jau); -ao sul de Benguela (um artefacto) ; -Ponta do Giraul, Maconge, Chicolongira, Munhino, perto de São Nicolau (8 estações), na Damba da Ponta Negra, S. João do Sul, Caraculo, Vimpongos e Capagombe. A cultura lupembo-tshitolense faz a transição da MSA para a LSA, na zona ecológica do Congo. Na Zona Sudoeste, nas suas regiões mais orientais, de terras altas, predomina ainda a cultura magosiense. No litoral vigora uma indústria de lascas adaptada às condições de vida à beiramar e que parece estender-se de Cabinda até Moçâmedes ou ainda mais para Sul.
65 Arte Rupestre de Angola 65 Quadro 7 Locais com indústrias do SIP Second Intermediate Period Zona Congo Zona Zambeze Zona Sudoeste - Nordeste da Lunda; - Outros locais: Mavoio (Morro do Paiol); Quibaxe (Dembos); - Faixa costeira: Macanga (Cabinda), Chinsua (Morro das Pacaças, Cabinda), Belas, Benfica e Palmeirinhas (sul de Lunada), Calumbo (vale do Cuanza), na Lagoa do Covua- Dondozel (Calomboloca). - Locais: Menongue ( Ilha dos Amores, no rio Cuebe); Dirico (na confluência dos rios Ocavango e Cuito); no Ossi (nas cabeceiras do Cunene). - Da Barra do Cuanza até Benguela, pela costa; - Ponta das Vacas. Quadro 8 Locais com indústrias da LSA Later Stone Age Zona Congo Zona Zambeze Zona Sudoeste -Tshitolense Inferior: estaçõestipo da Lunda- minas de Iondi e Lussaca; - Tshitolense Superior: Mahurra (margem direita do rio Chicapa,); -Várias pedras furadas recolhidas nas minas: Luxilo 1, Icongula, Cassanguidi, rio Chicapa, Luachimo, Chiumbe, Luana, Luembe; - No noroeste: Ncaso, Lico, Tchiconcuate e Morro das Pacaças (Cabinda); -Foz do Dande, no Cacuaco; - Luanda (Rua Brito Godins). - É a zona de Angola menos explorada por estar distante do litoral e dos grandes centros urbanos, pelo que poucas estações têm sido descobertas. - Locais: Menongue; Canaguiri, concelho de Mungo (Huambo), N`Popó (Cassinga), junto ao rio Colui (3 pedras furadas); Galange (5 pedras furadas). -Duas áreas: faixa das terras altas, com cotas acima dos mil metros e outra que vai que vai do sopé da escarpa até ao mar: - a primeira com abrigos sobrocha Galanga, Ebo e Ganda- e grutas calcárias Leba; - a segunda, forneceu material disperso à superfície do terreno (adjacente às gravuras rupestres do Tchitundo-hulo e Tchipòpilo), em abrigos sobrocha ( Tchitundo hulo Mulume e Machama) e em fundos de cabanas (Tchitundohulo Mulume).
66 Arte Rupestre de Angola 66 5.Vestígios arqueológicos 5.1. Indústria Lítica Ao longo deste trabalho fizemos referência a utensilagem lítica diversa, até porque terminologia cronológica usada para Angola assenta na natureza diversa das indústrias. Resta pois, uma breve conclusão, no que toca a este assunto. De acordo com os estudos até agora realizados, percebe-se que há concentração de sítios com indústria lítica em três grandes regiões de Angola: a região Nordeste; a região de Luanda; a região de Benguela-Namibe e planalto de Humpata. Não significa isto que as restantes áreas do País sejam estéreis em termos de utensílios líticos, mas sim que as zonas referidas são aquelas que foram mais intensivamente estudadas. No entanto, convém também ter presente que a presença de diferentes indústrias líticas (ESA, MSA, LSA) indicia uma ocupação humana contínua dessas mesmas regiões, podendo ter sido escolhidas pelas condições que ofereciam, noutros tempos. Também as condições ambientais que se faziam sentir no passado eram diferentes, consoante se vivia no Norte de Angola ou no Sul, daí que surjam diferentes indústrias que provam a capacidade de adaptação do ser humano ao meio em que está inserido Cerâmica e terracota D. Clark estudou alguns fragmentos de cerâmica recolhidos por José Redinha na estação do Dundo; R. Martins, por sua vez, dedicou parte do seu estudo à cerâmica de Quibaxe (Ervedosa, 1980: 200), no entanto, estes estudos revelam-se limitados, pois estas recolhas não permitiram aferir com segurança a origem das peças.
67 Arte Rupestre de Angola 67 Manuel Gutierrez (1996: 34) faz referência a achados cerâmicos ao sul de Luanda, em Benfica. Fragmentos de cerâmica e de um cachimbo de argila que foram atados por C14, sendo os mais antigos encontrados em Angola, até ao momento d.c. Carlos Ervedosa e Santos Júnior mostram alguns fragmentos de cerâmica recolhidos em Benfica (Ervedosa, 1980: 207) em relação aos quais é dada uma breve descrição; mostram outros encontrados na fortaleza de Caninguiri (Ervedosa, 1980: Est. CXXII / Fig. 13), em Galanga (Ervedosa, 1980: Est. XXIX), Macahama I (Ervedosa, 1980: Est. XXXIV / Fig.14), Quitala (Ervedosa, 1980: Est. LVI) usando de igual forma uma abordagem sumária. Fig. 13 Fig. 14 Fig. 13 Fragmentos de cerâmica (Caninguiri), segundo Ervedosa (1980) Fig Fragmento de cerâmica do abrigo I de Macahama, segundo Ervedosa (1980) Gutierrez (1996:33) refere também os únicos objectos em argila cozida encontrados, até ao momento, em Angola cinco estatuetas descobertas em Chilunda, a sudeste de Benguela, em 1967/68, num sítio que terá sido habitado pelos Ngambue. Essas estatuetas podem ser representações dos espíritos favoráveis associados aos reinos de Caluquembe (Kaisese) e de Celekela (Katongo). Também no que respeita à cerâmica, há pois um longo caminho a percorrer em termos de investigação.
68 Arte Rupestre de Angola Construções em pedra Fundos de cabana Os fundos de cabana são estruturas circulares (Fig. 15), compostas por lajes parcialmente enterradas no solo e com uma ligeira inclinação para o interior, que terão desempenhado o papel de habitação. Até ao momento, as que se conhecem estão na Zona Sudoeste, ao sul da Baía dos Tigres e na região da Espinheira. O diâmetro destas estruturas varia entre 1,80m e 2,20m. Alberto Machado da Cruz estudou estas estruturas, em 1967, atribuindo ao povo Ovakwambundo a autoria daquelas (Ervedosa, 1980: 165). Aquele investigador adianta um número próximo das duas centenas de fundos de cabana encontrados, mas falta levar a cabo um inventário preciso. Fig. 15 Fundo de cabana (Tchitundo-hulo Mulume), segundo Ervedosa (1980)
69 Arte Rupestre de Angola Fortificações Em Angola há que distinguir dois tipos de fortificações: os morros fortificados e os recintos amuralhados. Os morros fortificados surgem sobretudo na região subplanáltica, constituídos por pedras sobrepostas, sem qualquer argamassa e não atingem em geral mais de dois metros de altura. Fortificações deste tipo aparecem, por exemplo, no Cungo, Nganda, Samissassa, Caninguiri e Quitavava. Os recintos amuralhados encontram-se sobretudo no planalto da Huíla e caracterizam-se por possuírem uma longa muralha de pedra que cerca o recinto habitacional. Poucos são os recintos estudados, mas a título de exemplo, ficam aqui alguns destes: Eléu (Njau), Daundo, Óssi e Txipunda Txa Njimbo; primeiro estudado por um grupo de alunos da Faculdade Letras de Lubango, na década de 70 do século passado, os outros estudados por António de Almeida e Camarate França, na década de 50. Vítor Oliveira Jorge (1977:16) divide ainda em dois grandes tipos os recintos amuralhados do planalto da Humpata, na região da Huíla: uns de formas muito simples, sobretudo circulares e de dimensões restritas; outros muito maiores, de traçados mais elaborados, conjugando a necessidade de proteger grandes aglomerados populacionais, com as características topográficas do terreno, como nos casos, por exemplo, do recinto amuralhado da Huíla ou do Leo.
70 Arte Rupestre de Angola Túmulos A arquitectura funerária, em Angola, apresenta interessantes características. Vasco Rodrigues realizou o primeiro grande estudo sobre estes monumentos funerários Construções Bantas de pedra em Angola. Segundo este autor, pelo tipo de construção, nenhum é anterior ao séc. XVI Túmulos de Quibaxe Estes túmulos são constituídos por montes de pedras e como são atribuídas ao povo maquixi (povo lendário), também são denominados por casas dos maquixi, pois alguns parecem possuir uma porta, assemelhando-se a habitações. Estes sepulcros apresentam duas partes: a subterrânea e a parte superior ou mamoa, que se ergue acima do nível do solo. A primeira é a sepultura propriamente dita - um poço vertical com cerca de 2m de profundidade e pouco mais de 50 cm de largura, pelo que o corpo entra de pé. No fundo, existe uma câmara lateral, mais larga, onde é colocado o cadáver. Diversos objectos eram colocados quer sobre a mamoa, quer no seu interior, talvez pertença do morto - recipientes de barro, mós, fragmentos de escória, por exemplo (Ervedosa, 1980, 416) Túmulos da Quibala Estes sepulcros aparecem pelas vertentes, mas principalmente no cimo dos morros graníticos da província do Cuanza-Sul - na região de Calulo, Sanga, Quibala, Uaco Cungo e, para ocidente, estendem-se até às áreas de Cassongue, Ebo e Seles. Estes túmulos destinam-se aos grandes sobas ou a outras pessoas notáveis na comunidade. As pessoas mais simples são sepultadas em campa rasa. Desconhece-se quando e como foram introduzidos na região.
71 Arte Rupestre de Angola 71 Os túmulos podem ser simples ou geminados. Os simples dividem-se em, circulares e rectangulares. Os circulares podem apresentar cúpula com chapéu (Fig. 16), cúpula simples com mesa ou não têm cúpula. Os das famílias mais modestas muitas vezes estão neste último caso. Os rectangulares são normalmente simples, podendo apresentar uma cúpula com pedras sobrepostas, do tipo piramidal, em que as pedras se amontoam ao acaso. Em todos os tipos, a cobertura dos túmulos é feita pelo processo de falsa cúpula (Ervedosa, 1980: 419). Fig. 16 Túmulo da Quibala. Foto: Emmanuel Esteves Se estiverem colocados sobre em terra o cadáver é colocado numa cova; sobre rocha são sempre edificados à volta do cadáver, que pode ser depositado sentado, como no caso do Soba Grande ou deitado em decúbito. Os túmulos podem ser ainda ornamentados ou simples. No primeiro caso, ostentam motivos geométricos lineares com peças líticas, lembrando alguma ornamentação existente no grande Zimbabwe.
72 Arte Rupestre de Angola Necrópole de Kapanda Em 1992, M. Gutierrez, desenvolveu um estudo na necrópole de Kapanda, situada na margem direita do rio Kwanza. Aqui, foram encontrados vinte e três túmulos compostos por um amontoado de pedra seca, com uma só câmara (à excepção de um túmulo, o T6, que possui três câmaras), de forma e dimensão diversas, sendo, no entanto a maioria sub-rectangulares (Fig. 17). Aquele investigador concluiu que não existe uma só posição para colocar os esqueletos no interior do túmulo, bem como o número de indivíduos pode também variar (até sete). A presença de objectos de origem europeia ( pérolas de Veneza ), permitem avançar uma datação relativa para esta necrópole - séc. XVII. O estudo do material ósseo indica que os indivíduos de Kapanda eram jovens adultos dos dois sexos (Gutierrez 1999:116). Fig. 17- Um túmulo de Kapanda, segundo Gutierrez (1999)
73 Arte Rupestre de Angola Metalurgia Quando se fala em metalurgia no que respeita a Angola geralmente associa-se ao conceito de Idade do Ferro, no entanto, faltam estudos específicos sobre o tema, como já referimos anteriormente. Jorge (1974: 167) afirma que as origens da Idade do Ferro, em Angola estão estreitamente ligadas às migrações de povos para Angola no início da nossa era, embora as vias de penetração ainda estejam por comprovar. Ervedosa apresenta cinco sítios que fazem parte da Idade do Ferro : Dundo, Quibaxe, Benfica, Quitala e Féti (Fig. 18), acima referenciados. Fig. 18 Instrumentos em ferro (Féti), segundo Ervedosa (1980) 5.5.Fósseis Em 1940 foram entregues a Fernado Mouta alguns exemplares de fósseis três crânios e alguns restos de ossos recolhidos numa exploração de cal, na região da Leba, planalto da Humpata. Aquele material foi depois enviado para o Prof. Arambourg, do Museu de História Natural de Paris, concluindo tratarem-se de crânios de pequenos primatas muito semelhantes aos Dinopithecus ingens Broom encontrados nas grutas de Schurserberg perto de Pretória e associados a Australopithecines (Mouta, 1953:12).
74 Arte Rupestre de Angola 74 Na mesma pedreira, foram depois recolhidos mais crânios e esqueletos quase completos de Dinopithecus e um crânio maior que Mouta adianta poder pertencer a um Australopithecus, dada a semelhança dos depósitos geológicos com os outros sítios onde este surge. Já na década de 90, Pickford alertou para a importaância de retomar os estudos da fauna encontrada na Leba dado que esta se assemelha à do Noroeste de Botswa e das gutas do Transvaal com Australopithecus (Gutierrez, 1996:20). Muitas grutas existem nesta zona e muito há por explorar foram encontrados mais três jazigos fósseis semelhantes ao de Tchiua, mas nenhum foi estudado e por certo que a investigação levada a cabo nestes locais muito terá a oferecer à Paleontologia (humana?) Arte Rupestre Encontramos em Angola diversos sítios com arte rupestre. Dado ser o objecto central deste nosso trabalho, dedicar-lhe-emos, por inteiro, o capítulo seguinte.
75 Arte Rupestre de Angola 75 IV Arte Rupestre
76 Arte Rupestre de Angola Arte rupestre em África O incremento da pesquisa arqueológica em África se, por um lado, tem revelado resultados espantosos, por outro indicia que muito mais há por desvendar. Como temos notado ao longo deste trabalho, o continente africano é uma complexa trama de culturas, o que acaba por se reflectir na arte. A esse propósito, podemos avançar com uma primeira grande divisão de África em três zonas: Norte, Centro e Sul. No norte de África, a arte naturalista exposta tanto ao ar livre, como em grutas e abrigos, data provavelmente de há 3 a 6 milénios, atingindo o auge no Tassili-n-Ajjer, difundindo-se de um extremo ao outro do deserto do Sahara; sendo muito diversa, há muito ainda para estudar no que a ela diz respeito. Convencionalmente, encaixa-se esta arte em categorias estilísticas e cronológicas, sendo o mais antigo só de gravura e os posteriores tanto de pintura como de gravura, pela ordem que se segue: Bubaline, Bovidian, Caballine e Camelline (Lothe, 1957: 13). A zona central começa logo a seguir ao deserto do Sahara e vai até ao rio Zambeze. Esta zona é a menos estudada, mas revela grandes diferenças relativamente às outras duas grandes áreas. A arte de Kondoa, no centro da Tanzânia, distingue-se da demais arte desta zona centro-africana, quer pelos temas que apresenta, quer pelo estilo, aproximando-se mais da arte do sul da África. Em Kondoa encontramos pinturas representando zoomorfos, antropomorfos e cenas de caça, contrariamente ao que acontece no resto da região central, onde este género de representações é raro, predominando figurações de cariz geométrico, geralmente, monocromáticos (Fonte: Alimen (1955:321) define dois grandes grupos de figurações artísticas na África Central: um conjunto mais antigo, correspondendo cronologicamente a uma parte da
77 Arte Rupestre de Angola 77 Later Stone Age, no qual se encontram representações de cabanas, figuras humanas, animais, muito esquemáticos, representados por linhas incisas ou por pontuados e também por vezes pintados numa espécie de baixo-relevo; um conjunto mais recente, gravado com utensílio de metal, onde surgem, frequentemente, figurações de pés e mãos. A zona sul do continente africano, desde a fronteira entre o Zimbabwe e a Zâmbia, formada pelo rio Zambeze, até ao Cabo, apresenta uma enorme variedade de arte, desde a Matopo Hills, no Zimbabwe, às Drakensberg Mountains, na África do Sul. As pinturas encontram-se sobretudo nas zonas montanhosas; as gravuras estão, geralmente, em penhascos e rochas no interior do planalto sul-africano. São poucos os lugares que apresentam conjuntamente pintura e gravura (Fonte: Na África Austral, é das últimas fases das culturas de Wilton e de Smithfield, na Tanzânia, Zimbabwe, Namíbia e África do Sul que datam as pinturas e gravuras ao ar livre, em grutas e abrigos. Para Clark (1959: 65) a maioria destas obras não terão, talvez, mais de 2 mil anos de existência, mas é natural que os primeiros trabalhos de arte rupestre remontem ao início do Holoceno, tendo em conta a perfeição que pressupõe uma longa tradição pictórico. Estas pinturas naturalistas, repletas de dinamismo são da autoria dos bosquímanos e hotentotes, tendo sido encontrados restos osteológicos dos primeiros em estratos arqueológicos do Wilton e de Smithfield, o que permitem aferir da antiguidade das mesmas. Na África do Sul, a região do Cabo é a mais rica em pinturas; Henri Breuil e Van Riet Lowe (Malan e Cooke, 1962: 18) estabeleceram fases para as pinturas
78 Arte Rupestre de Angola 78 rupestres: uma pré-banta, dividida em estádios diversos de acordo com as composições e cores nelas utilizadas e outra fase marcada pela chegada dos bantos Em relação ao Zimbabwe, H. Breuil distingue, segundo o estilo, três fases: uma esquemática na qual as figuras aparecem primeiro em amarelo e depois em vermelho, outra impressionista, com figuras acastanhadas e uma terceira naturalista, apresentando figuras brancas e policromáticas. Na Zâmbia, as pinturas mais antigas pertencem a uma arte naturalista ou seminaturalista que se assemelha à do Zimbabwe (estádio amarelo e depois vermelho). Aparece depois um conjunto mais homogéneo, esquemático, melhor representado nas regiões ocidentais do país, enquanto, na zona oriental, a pinturas são mais recentes: estilizadas, apresentam sinais em forma de U, em I, em forma de crescentes, tectiformes, pontos e círculos (Clark, 1959: 71 e Lowe, 1948: 7). De notar que, nestas três zonas do continente africano norte, centro e sul - nem toda a arte é pré-histórica; em certas áreas continua a ser levada a cabo ainda hoje. A zona central é aquela nos merece especial interesse, pois aí se insere Angola, objecto do nosso trabalho, a par de outros países: Camarões, República Centro Africana, Guiné Equatorial, Gabão, República Democrática do Congo e República do Congo. A arte africana está profundamente ligada a aspectos da autoridade, da vida política e religiosa das comunidades. Os ritos de passagem desempenham um papel relevante nos temas reproduzidos na arte, bem como determinadas actividades (curandeiro, ferreiro, escultor, por exemplo) ou a organização social da comunidade (Milheiros, 1967:105).
79 Arte Rupestre de Angola Manifestações artísticas diversas primeiras informações Gutierrez (1996:44), refere as informações transmitidas por F. Piagafetta (1591) e por Cavazzi (1687) relativas à criação artística em Angola como importantes para se compreender que já no séc. XVI, não só existia actividade criativa, como esta estava ligada intimamente à ideologia e religião dos povos que então habitavam esta região. Animais ou plantas, talhados em madeira e em pedra ou nas rochas, com significação sagrada, vão perdendo terreno, pelo menos oficialmente, face à adopção do Cristianismo. Os próprios africanos guardaram durante muito tempo silêncio, tomando inclusive uma atitude evasiva para explicar as suas criações, quando no terreno alguns investigadores tentaram conhecer as origens ou significação da arte, nomeadamente, no que respeita à rupestre. A arte rupestre em Angola apresenta-se de modo diversificado, conforme os locais onde se encontra: sítios onde as formas geométricas estão amplamente representadas, outros onde os antropomorfos e os zoomorfos ocupam um lugar de destaque. Sítios com Caninguiri por exemplo, não apresentam vestígios da presença europeia em África, pelo que podem ser anteriores ao séc. XVII. Outros são testemunho da presença europeia através da reprodução de armas de fogo. As datações por C14 mostram que certos sítios de arte rupestre eram frequentados pelo homem há mais de anos (Caninguiri, por exemplo) e outros com pouco mais de 2000 anos (Tchitundo-hulo, por exemplo).
80 Arte Rupestre de Angola História das descobertas O estudo da arte rupestre é efectuado, inserido em contextos socioculturais da época em que é realizado, pelo que de diferentes épocas, resultam diferentes modos de ver a arte rupestre. Nesse sentido e considerando a História das descobertas, Gutierrez (1996:64), aponta os seguintes períodos: um primeiro período, no séc. XVI, em que os africanos e as suas criações eram conotados depreciativamente; num segundo período, no fim do séc. XIX, com os relatórios de viagem e a publicação dos primeiros sítios de arte rupestre, a publicação de diferentes manifestações artísticas como pinturas corporais, tatuagens e pinturas murais, por exemplo, tornam aquela visão dos africanos um pouco menos negativa, embora continuem a ser considerados como seres inferiores. Em meados do séc. XX, verifica-se um incremento das pesquisas arqueológicas, cujos resultados aparecem posteriormente em interessantes publicações, do ponto de vista científico, de que são exemplo os trabalhos de José Redinha e Camarate França. Os levantamentos, a pesquisa das técnicas, a origem étnica das obras parietais fazem parte da metodologia desta época. Surge um esforço para libertar a pesquisa da concepção astral e começam a surgir monografias dedicadas aos desenhos sobre areia e às gravuras das tampas das panelas de Kabinda (Serrano, 1993: 141). Após os anos 50 do séc. XX, com os trabalhos universitários de Santos Júnior, Carlos Ervedosa e Oliveira Jorge, o trabalho de campo, o ensino a nível superior e a publicação conhecem um fomento notável. A pesquisa sobre arte rupestre é acompanhada de escavações arqueológicas com a integração de métodos de laboratório, por exemplo, datações por C14. Tendo em conta a sequência cronológica, podemos apontar algumas datas importantes no que respeita às descobertas de arte rupestre em Angola:
81 Arte Rupestre de Angola O capitão J. C. Tuckey menciona no seu relatório um paredão na margem esquerda do Rio Zaire, com figuras em relevo a Pedra do Feitiço. A cargo do tenente Hawkey estiveram a reprodução e interpretação das figuras. Os sujeitos representados eram animais, personagens, algumas das quais armadas de espingardas, objectos e signos. O local relatado não corresponde à actual povoação com o mesmo nome (Ervedosa, 1980: 233) David Livingstone, missionário e explorador de África, menciona a existência de pegadas gravadas em Pungo Andongo (Gutierrez, 1996:85). Segundo, a tradição oral tratam-se das pegadas da rainha Ginga (que se tornou Ana de Sousa após o baptismo, tendo sido a oitava soberana de Matamba) V. L. Cameron informa-nos sobre diferentes manifestações artísticas em Angola as pinturas murais e os muros pintados das habitações, para além do rio Cuanza; os muros cobertos com uma capa de argila branca ou de um vermelho claro apresentam esboços representando cavalos, porcos, cenas da vida quotidiana. Outra manifestação da actividade artística angolana é a pintura corporal, a qual é referenciada, por exemplo, no diário de Silva Porto, a propósito das mulheres de aldeias do Bié (Gutierrez, 1996:47). 1886
82 Arte Rupestre de Angola 82 Na sua travessia de Luanda (Angola) a Tete (Moçâmbique) a célebre viagem que ficou conhecida pela designação De Angola à Contra-costa, Hermegildo Capelo e Roberto Yvens mencionam, superficialmente, as pegadas gravadas de Pungo A Ndongo, já anteriormente referidas por Livingstone (Gutierrez, 1996: 46) Na Lunda, num poço de prospecção de diamantes, foi encontrada uma pedra furada, em xisto, com gravuras esquemáticas numa das faces. Estudou-a Jean Janmart (Ervedosa, 1980: 242) José Redinha publica um estudo sobre três estações de arte rupestre: Bambala, Capelo, Calola; foi o primeiro a ocupar-se desta matéria (Santos Júnior, 1974: 4) Carlos Moita de Deus encontra as primeiras gravuras no Cuando Cubango; - Um missionário referencia um outro grupo de gravuras no Alto Zambeze (Ervedosa, 1980: 244) Camarate França publica no Mensário Administrativo um minucioso estudo sobre centena e meia de gravuras das vertentes do Tchitundo-hulo, no deserto de Moçâmedes (França, 1953). - Gladwin Murray Childs encontra pinturas rupestres num abrigo sob-rocha da Pedra de Quissanje, próximo da Quibala (Ervedosa, 1980: 233). 1954
83 Arte Rupestre de Angola 83 - Hermann Baumann chega ao Tchitundo-hulo e dá notícias das pinturas aí existentes (Almeida e Breuil, 1964:167) António de Almeida e Abbé Breuil visitaram o Tchitundo-hulo e mais ao Norte, em Camucuio, os penedos do Tchipòpilo, desenvolvendo um breve trabalho sobre gravuras e pinturas do deserto de Moçâmedes (Almeida e Breuil, 1964:167) Miguel Ramos, da Junta de Investigação do Ultramar, desce até à margem do Cunene e estuda as gravuras de Monte Negro (Ramos, 1970) Santos Júnior e Carlos Ervedosa iniciam uma série de trabalhos em conjunto: - estudaram as pinturas rupestres de Caninguiri; - copiaram as pinturas de Quissádi, no Negaje, e as da Pedra Quinhengo, na Quibala; - encontraram os abrigos com pinturas de Galanga, de Cambambi e de Uaco Cungo; - registaram mais de um milhar de gravuras que permaneciam inéditas no Tchitundo-hulo e decalcaram integralmente as pinturas dos seus dois abrigos; - visitaram os abrigos de Macahama e decalcaram as figuras principais (Ervedosa, 1980: 234) O Arq. Fernando Batalha descobre os abrigos com pinturas do Ebo (Santos Júnior, 1974: 8). 1972
84 Arte Rupestre de Angola 84 - Victor Oliveira Jorge encontra um abrigo com pinturas no alto da Serra do Hôndio (Ganda) e no litoral assinala o abrigo da Chitandalucua, próximo de Benguela (Jorge, 1974: 165) Miguel Ramos descreve as gravuras de Monte Negro (Ramos, 1979) Gutierrez faz o levantamento dos dois abrigos pintados e de três grupos gravuras rupestres em Tchitundo-hulo (Gutierrez, 1996: 65). Feita uma primeira abordagem, algo sintética, à História das descobertas de arte rupestre, em Angola, interessa, agora, compreender a evolução mais recente da investigação arqueológica neste país (séc. XX), de modo um pouco mais pormenorizado. Em 1976, J.Rudner diz-nos que um sítio de arte rupestre chamado Mbalo, com pinturas, a oeste de Nova Lisboa (Huambo) foi publicado por Schachtzabel, em 1923, no entanto, o primeiro acrescenta que até essa altura não havia sido encontrado o sítio em questão. A oeste de Huambo os sítios encontrados são a Serra de Hôndio, Cambambi e Galanga pelas suas pinturas (Gutierrez, 1996: 49). Em 1944, na Lunda, num poço de prospecção de diamantes, na mina de Luxilo I, foi encontrada uma pedra furada com gravuras esquemáticas e outras de difícil interpretação numa das faces. Jean Janmart estudou esta placa e publicou a os resultados do seu estudo três anos depois. Como a posição estratigráfica desta peça não era conhecida, Janmart fez uma sondagem na proximidade daquele local, de onde retirou pequenos pedaços de carvão de madeira e seixos talhados em quartzo (Ervedosa, 1986: 243)
85 Arte Rupestre de Angola 85 Cerca de vinte anos mais tarde, D. Clark estudou também a pedra, bem como alguns líticos encontrados na mina, mas também com estratigrafia desconhecida (Clark, 1963: 35). Em 1948, José Redinha publica um estudo sobre três estações de arte rupestre: Bambala, Capelo, Calola, no Alto Zambeze. Segundo este etnólogo, os mais antigos habitantes da região foram os Assequel, talvez de origem bosquímana e os Ambuela, mas em meados do séc. XX, as populações do local são os Lunda, que se designam a si próprios como lundas-luachinde (Redinha, 1948: 66). Em 1949, um missionário, o Padre Dâmaso Vieira, dá a conhecer, por intermédio de alguns jornais da época, por exemplo, O Apostolado de Luanda um outro grupo de gravuras no Alto Zambeze e Carlos Moita de Deus encontra as primeiras gravuras no Cuando Cubango (Ervedosa, 1980: 244). O arqueólogo Camarate França, 1953, publica no Mensário Administrativo um minucioso estudo sobre centena e meia de gravuras das vertentes do Tchitundo-hulo, no deserto de Moçâmedes. Já na época, o autor refere a erosão a que estão sujeitas as gravuras, erosão essa acentuada pelas mudanças térmicas extremas que se fazem sentir nesta região (França, 1953). O historiador Gladwin Murray Childs encontra pinturas rupestres num abrigo sob-rocha da Pedra de Quissanje, próximo da Quibala. Ao pintor Neves e Sousa foi solicitado que as reproduzisse; em 1956, este apresenta em Luanda uma exposição de pintura onde estão reproduzidas as pinturas rupestres de Quissange e as gravuras de Tchipòpilo (Santos Júnior, 1974:6). Em 1954, Hermann Baumann chega ao Tchitundo-hulo e referencia as pinturas aí existentes (Ervedosa, 1980: 233). Um ano depois, A. Almeida e H. Breuil visitam o Tchitundo-hulo e mais ao Norte, em Camucuio, os penedos do Tchipòpilo,
86 Arte Rupestre de Angola 86 desenvolvendo um breve trabalho sobre gravuras e pinturas do deserto de Moçâmedes (Almeida e Breuil, 1964: 168). Em 1961, Eduardo dos Santos publica uma Contribuição para o estudo dos ictogramas e ideogramas dos Quiocos - desenhos na areia realizados pelos Tshokwe, designados sona, que significa letras, figuras, desenhos representando animais, objectos, histórias ou valores que se pretendem transmitir. Embora estes sejam reproduzidos na areia, eles podem também ser realizados sobre cabaças, tambores, costas de cadeiras, de bancos, cachimbos. De notar que sendo, na sua maioria, complexas formas geométricas, estes desenhos aparecem, por vezes, na arte rupestre do leste angolano (Santos, 1961). Henry Breuil e António de Almeida, em 1962, fazem uma comunicação oral e apresentam um filme, no IV Congresso Panafricano de Pré-História e de estudo do Quaternário, mencionando as pinturas e gravuras do Sudoeste de Angola (Brutei). Também os sítios com pinturas e gravuras de Tchitundo-hulo são visionados. As pinturas de dois abrigos são descritas. A mais-valia da comunicação destes autores foi a de dar a conhecer à comunidade científica internacional a arte rupestre de Angola (Gutierrez, 1996: 54). Desmond Clark, em 1966, publica um artigo sobre as culturas pré-históricas de Angola de duas áreas: o Nordeste, caracterizado por gravuras geométricas e o Sudoeste, por gravuras e pinturas. As gravuras representam marcas de pés e instrumentos metálicos; as pinturas expõem formas geométricas. Segundo o autor estes sítios fazem parte da Central African Schematic Art Group, dado o seu estilo geométrico (Clark, 1966: 122). Em 1968, Miguel Ramos, da Junta de Investigação do Ultramar, desce até à margem do Cunene e estuda as gravuras de Monte Negro (Ramos, 1970).
87 Arte Rupestre de Angola 87 Nesse mesmo ano, Joaquim Martins publica uma obra consagrada às gravuras de Cabinda. Para ele, esta criação artística típica do Norte de Angola, trata-se de uma escrita sem alfabeto, gravada nas cabaças, nas esteiras, nas tampas das panelas, nos túmulos, nos pentes, por exemplo, apresenta-se expressa pela utilização vários símbolos que podem compor uma mensagem, transmitir leis ou conceitos da comunidade. No entanto, na primeira metade do séc. XX, já poucas eram as pessoas que conseguiam ler estes símbolos (Gutierrez, 1996:56). Ainda no fim da década de 60, Santos Júnior e Carlos Ervedosa iniciam uma série de trabalhos em conjunto: estudam as pinturas rupestres de Caninguiri; copiam as pinturas de Quissádi, no Negaje, e as da Pedra Quinhengo, na Quibala; encontram os abrigos com pinturas de Galanga, de Cambambi e de Uaco Cungo; registam mais de um milhar de gravuras que permaneciam inéditas no Tchitundo-hulo e decalcaram integralmente as pinturas dos seus dois abrigos; visitam os abrigos de Macahama e decalcaram as figuras principais (Ervedosa, 1980: 234). Em 1970, J. Rudner e I. Rudner publicam uma obra consagrada à arte dos caçadores da África do Sul. No primeiro capítulo da obra é descrita a gravura de Pungo A Ndongo, em Angola; esta gravura representa uma pegada atribuída à Ginga, rainha dos Ngola. Naquela obra, são mencionados ainda dois sítios de arte rupestre no distrito de Moçâmedes (Namibe): Lungo (Tchipòpilo) ao norte de Moçâmedes e Tchitundohulo, ao sul (Gutierrez, 1996: 58). O Arq. Fernando Batalha, em 1971, descobre os abrigos com pinturas do Ebo, depois também visitados por Santos Júnior e Ervedosa (Santos Júnior, 1974: 8). Estes últimos publicam em Luanda uma brochura sobre as pinturas rupestres de Caninguiri, onde se encontram cartas, levantamentos, histogramas, tábuas, descrição do sítio, do solo e das paredes. O abrigo é localmente conhecido pelo nome de Eué Uaiola,
88 Arte Rupestre de Angola 88 que em Umbundo significa pedra pintada. Caninguiri vem do nome de uma aldeia que dista cerca de 400m do abrigo (Ervedosa, 1980: 253). No ano de 1972, Victor Oliveira Jorge encontra um abrigo com pinturas no alto da Serra do Hôndio (Ganda) e no litoral assinala o abrigo da Chitandalucua, próximo de Benguela (Jorge, 1974: 165). Ervedosa, em 1974, leva a cabo um estudo do complexo de Tchitundo-hulo, no deserto de Moçâmedes. Este complexo é formado por quatro colinas graníticas, onde a maior, Tchitundo-hulo Mulume apresenta pinturas e gravuras, a de Tchitundo-hulo Mucai, só com pinturas, a Pedra da Lagoa e a Pedra das Zebras só com gravuras (Ervedosa, 1980:310). Na base da colina foram encontrados, em escavação, fundos de cabana atribuídos aos Kuíssis, pérolas em vidro e peças líticas em quartzo; foram ainda recolhidas à superfície cerâmica e outros líticos. Em 1979, Miguel Ramos publica a descrição das gravuras de Monte Negro, situadas margem direita do rio Cunene, embora já sete anos, tivesse publicado uma nota sob o título Algumas descobertas recentes no Sudoeste de Angola. Carlos Ervedosa, em 1980, publica a obra mais importante dedicada à arqueologia de Angola - Arqueologia Angolana (1980). Nesta obra, o autor apresenta, numa primeira parte, as culturas pré-históricas de Angola, tendo por base as zonas ecológicas propostas por Clark em 1966 e, numa segunda parte, descreve a arte rupestre do país. Em 1992, Manuel Gutierrez leva a cabo uma escavação na necrópole de Kapanda, na província de Malanje, marcando uma etapa importante na arqueologia funerária angolana, sendo pela primeira vez efectuado um estudo osteológico em laboratório, fornecendo informações valiosíssimas sobre os esqueletos. Além disso,
89 Arte Rupestre de Angola 89 alguns dos objectos encontrados (vasos, conchas, pérolas, botões, etc.) em contexto funerário não só completam aquelas informações, como permitem conjecturar ligações ao poder (por exemplo, os cachimbos eram insígnias de poder para os Imbangala, no Cuango (Guiterrez, 1999:93)). Em 1996, Manuel Gutierrez publica L`Art Pariétal de l`angola (1996). Ao estudo no local, seguindo uma metodologia rigorosa, associa a tradição oral, comparando figuras e aspectos da actualidade das comunidades locais e nisso baseia o seu ensaio de interpretação para algumas das obras que surgem na arte rupestre do país 4. As Estações de Arte Rupestre Fig.19 - Mapa com a distribuição das estações de arte rupestre conhecidas até 1974 (Adaptado de Ervedosa, 1980)
90 Arte Rupestre de Angola 90 Legenda do mapa da Fig Pedra do Feitiço 2- Ambrizete 3- Quissádi 4- Samba Cajú 5- Luxilo 6- Musseque 7/8/9/10- Alto Zambeze 11- Caninguiri 12- Monte Luvé 13- Pedra Quissanje 14- Pedra Quinhengo 15/16/17/18/19- Ebo 20- Éuè ia Sineuia 21-Galanga 22- Cambambi 23- Chitandalucua 24- Serra do Hôndio 25- Cuchi 26/27- Tchipòpilo 28/29- Macahama 30/31/32/33- Tchitundo-hulo 34 Monte Negro Pela análise do mapa (Fig.19), poder-se-á supor que a arte rupestre em Angola se concentra, sobretudo, na faixa litoral, no entanto, esta representação gráfica demonstra apenas as áreas exploradas em termos arqueológicos, dada a sua mais fácil acessibilidade (proximidade das principais cidades e vias de comunicação), não correspondendo à realidade, pois muito há por explorar neste país. De seguida, descrever-se-á cada uma das estações de arte rupestre sinalizadas no mapa da figura 19. Pedra do Feitiço Esta foi a primeira estação identificada em Angola; aparece descrita na obra Narrative of na expedition to explore the river Zaire usually called the Congo in South África, in 1816 under the direction of captain J.K. Tuckey, R.N., obra esta referenciada por J. Redinha. A Pedra do Feitiço apresenta figuras delineadas na rocha; provavelmente dos fins do séc. XVII ou do séc. XVIII, altura em que se difundiu a espingarda como arma de caça entre os naturais da região (Ervedosa, 1980: 237).
91 Arte Rupestre de Angola 91 Fig. 20- Figurações da Pedra do Feitiço, reproduzidas pelo Tenente Hawkey (Ervedosa, 1980:238)
92 Arte Rupestre de Angola 92 Fig Figurações da Pedra do Feitiço, reproduzidas pelo Tenente Hawkey (Ervedosa, 1980:239)
93 Arte Rupestre de Angola 93 Não sabemos se os sujeitos reproduzidos nas duas tábuas de Hawkey estavam organizados tal como são apresentados, ou se aquele fez uma escolha das figuras que observou na Pedra do Feitiço (Figs. 20 e 21). De seguida, apresentam-se as interpretações levadas a cabo, primeiro pelo Tenente Hawkey e referenciadas por Ervedosa (Ervedosa, 1980: 238) e, depois, a interpretação mais recente de Gutierrez (Gutierrez, 1996:68). Não é possível em arte rupestre dissociarmos a arte do contexto em que está inserida ou particularizar desta forma o estudo dos elementos que a compõem, no entanto, o quadro que apresentamos, pretende ser um exercício, primeiro de reflexão, pois mais de um século separa as duas interpretações e é interessante analisar como são entendidas as figurações em épocas distintas; por outro lado, poderá servir de comparação a representações que eventualmente se encontrem noutros sítios angolanos. Quadro 9 Primeira tábua da Pedra do Feitiço interpretações Figuras Hawkey Gutierrez Um nobre na sua machila e o guarda. Três personagens e um palanquim representados dentro de um quadrado, ao qual se segue um rectângulo com uma outra personagem que parece possuir uma arma na mão. Um nobre transportado pelo seu escravo. Um indivíduo transporta um palanquim, carregando uma pequena personagem.
94 Arte Rupestre de Angola 94 Figuração não-decifrada. Antropomorfo associado a um objecto longo, que parece ser uma arma (machado?). Figuração não-decifrada. Antropomorfo com um objecto semelhante a um palanquim. Figuração não-decifrada. Antropomorfo associado a um objecto longo - uma arma. Um lagarto. Zoomorfo com uma arma associada ao nível da cabeça e do pescoço. Um jacaré. Zoomorfo. Figuração não-decifrada. Um primeiro antropomorfo virado para a direita parece transportar um objecto quadrado (?) no braço; no meio existe um outro antropomorfo estilizado e que parece ligado às duas outras personagens; o último transporta um objecto longo, atrás, semelhante ao da figura nº4.
95 Arte Rupestre de Angola 95 Figuração não-decifrada. Um antropomorfo, de face para os anteriores, transporta um objecto longo na mão e um longo instrumento sobre os ombros, virado para trás e que faz pensar numa espécie de ancinho. Um hipopótamo. Zoomorfo. Figuração não-decifrada. Uma personagem vista de perfil com um braço levantado e dobrado num ângulo de 90º e o outro baixado de forma semelhante e que possui uma espécie de chapéu constituído por duas circunferências sobrepostas. Um búfalo. Zoomorfo. Um caçador. Antropomorfo que transporta um objecto sobre os ombros. Um búfalo. Zoomorfo.
96 Arte Rupestre de Angola 96 Um pássaro. Antropomorfo em atitude de estar a golpear um zoomorfo com uma moca; uma figura ao cimo da cabeça do zoomorfo e outra que está ao seu lado apresentam-se de difícil interpretação. Figuração desconhecida. Antropomorfo visto de frente, com as mãos sobre os quadris, os braços afastados e um chapéu em V invertido. Um jacaré. Zoomorfo, um sáurio representado como sendo visto de cima. Um caçador a matar uma corça. Provável cena de caça: um indivíduo armado (com espingarda?) face a um zoomorfo.
97 Arte Rupestre de Angola 97 Quadro 10- Segunda tábua da Pedra do Feitiço - interpretações Figuras Hawkey Gutierrez Um pássaro. Zoomorfo estilizado. Um nobre na sua machila. Uma cobra. Representação não decifrada. Palanquim transportado por quatro indivíduos; o palanquim leva duas personagens e à frente um objecto não identificado; os indivíduos que estão a ser carregados têm os braços estendidos e na mão um objecto arredondado. Representação de um longo zoomorfo (serpente?); a parte central do corpo apresenta a forma de um semi-rectângulo. Antropomorfo de perfil possuindo quatro braços (adição das figuras 11 e 16?) e um chapéu de forma rectangular vertical. Um homem a caçar a tiro um pássaro. Um velho e um rapaz a matarem um jacaré. Um caçador (?) estilizado, armado com espingarda e um zoomorfo. Dois antropomorfos, junto a um zoomorfo, sendo que os primeiros (talvez armados) apontam os seus braços na direcção deste; o indivíduo de maior dimensão possui na extremidade dos braços um objecto sobre o qual está um triângulo
98 Arte Rupestre de Angola 98 Figuração desconhecida. Um caçador e um hipopótamo. Um elefante. Figuração desconhecida Um caçador, uma corça e um jacaré. Figura complexa: no centro está um quadrado preenchido por algo não decifrado; dos quatro vértices saem apêndices e por cima do quadrado existe uma figura também de difícil decifração. Duas figuras, uma sobre a outra, sendo que uma pode ser um zoomorfo e a outra representar também um zoomorfo, mas de forma estilizada. Um quadrado com um v deitado a preenchê-lo e um ponto no meio desta figura, apresentando apêndice num dos cantos superiores esternos, virado para baixo e no outro canto superior, um apêndice virado para cima. Quadrado com um apêndice no ângulo superior direito, sendo que este torna-se curvo na extremidade distal Dois zoomorfos, um visto de perfil, tendo na parte do ventre uma marca rectangular e por baixo dessa marca surge um círculo, por debaixo do qual, surge um sáurio desenhado verticalmente e com a cabeça junto ao ventre do primeiro zoomorfo; um antropomorfo parece armado, dirigindo-se na direcção dos zoomorfos, apresenta um chapéu de forma semi-rectangular e arrendado na parte de trás.
99 Arte Rupestre de Angola 99 Figuras Hawkey Gutierrez Tatuagens. Quatro figuras geométricas que surgem em dois patamares: um quadrado preenchido com cinco pontos e quatro apêndices ligeiramente curvados nas extremidades; uma figura em forma de X; por baixo destas figuras, surge um losango duplo, colocado horizontalmente, sendo que numa parte o preenchimento é feito por cinco pontos e na outra por quatro e uma cruz ao centro; ao lado, um outro losango com dois pontos em pequeno círculo no interior. Um homem e uma cobra. Um nobre na sua machila. Personagem na parte de trás de uma embarcação tradicional (?) e com a cabeça coberta por um chapéu virado para trás. Palanquim carregado por dois antropomorfos de dimensões diferentes; no palanquim está uma pequena personagem sobre um círculo preenchido por um ponto e que possui um objecto não decifrado na mão. Um barco. Veleiro com uma bandeira no cimo do mastro, com duas personagens atrás e quatro figuras à frente um zoomorfo (cão?), um grande vaso, um bastão e um signo em forma de T.
100 Arte Rupestre de Angola 100 Gutierrez avança para um total de 86 figurações (representações de antropomorfos, zoomorfos, geométricas, armas africanas, armas europeias, diversas e não-decifradas). As pinturas rupestres de Quissádi Encontram-se na face vertical de um afloramento calcário, perto de Negaje. As pinturas ficam a uns 5 metros do chão e estendem-se numa faixa de cerca de 2 metros de altura por 5 metros de comprimento (Ervedosa, 1980: 240); rondam a meia centena, predominando a cor vermelha em diversos tons, com predomínio do tipo geométrico: rectângulos, quadrados, triângulos, losangos e axadrezados (Figs. 22 e 23). Fig Pinturas de Quissádi, em vermelho ferruginoso, segundo Ervedosa (1980) Fig. 23 Pintutas de Quissádi. Foto: Santos Júnior (1974)
101 Arte Rupestre de Angola 101 Pelo menos numa cena, estão agrupados antropomorfos, zoomorfos e figuras geométricas, sendo que aquelas representações mais naturalistas, surgem a negro (Fig.24). No entanto, não sabemos exactamente em que parte da parede surge esta cena. Fig Pinturas de Quissádi, segundo Ervedosa (1980) Enquanto Ervedosa (1980: 240) adianta que nestas pinturas estão representadas uma ave poisada, de asas abertas e uma figura humana que parece segurar um arco de flechas, já Gutierrez (1996: 74) valoriza a linha horizontal que parece organizar a repartição das figuras; por baixo desta linha surge uma personagem de perfil, segurando na sua frente um objecto oval (escudo?) e com a outra mão, um objecto que parece ligado à sua perna. Acima e por detrás desta personagem, surgem linhas onduladas que descem fazendo lembrar ramos ou lianas, sendo que uma dessas linhas termina sobre um quadrado que se encontra por baixo e ligeiramente atrás dos quadris do antropomorfo acima referido. O quadrado encontra-se dividido em quatro partes triangulares dada a sua divisão em X, dentro de cada uma das quais existe um ponto. Por detrás daquelas linhas, surgem três outras paralelas em forma de U, sendo que a primeira sobe até à linha horizontal e as outras duas intrometem-se numa sequência de três rectângulos dispostos verticalmente, sendo que o primeiro apresenta
102 Arte Rupestre de Angola 102 no seu interior uma forma em V e os outros dois em X. Entre esta sequência e o quadrado sob o antropomorfo, existe uma outra forma quadrada com preenchimento em X e uma linha central vertical. Na parte de cima daquela linha horizontal acima citada, surge um zoomorfo (a ave referida por Ervedosa), parecendo que os membros inferiores estão em conexão com as linhas que saem da linha horizontal; ao nível do pescoço, existe uma espécie de apêndice. À direita desta figura e bem acima daquela linha, aparece um antropomorfo, visto de perfil, ligado a um quadrúpede, com o que parece ser uma espécie de corda (?) que se estende até ao pescoço do animal. As gravuras de Musseque A gruta de Musseque, na Lunda, é composta por uma sala de entrada e um labiríntico conjunto de sete galerias. No entanto, a sua exploração revela-se problemática, pois além da falta de ventilação, à excepção da sala de entrada e da galeria n.º 1, todas as outras só rastejando são alcançáveis. As gravuras encontram-se na parede lateral da sala de entrada. São aproximadamente cinquenta sinais, principalmente cruzes e símbolos astrais, formando um painel de concepção e execução muito pobre. Em 1962, Vicente Martins levou a cabo nesta gruta uma escavação; recolheu cerâmica e carvões que foram datados de 1483 d.c. As gravuras do Alto Zambeze As gravuras desta região, na bacia hidrográfica do Zambeze, foram encontradas por José Redinha em 1939 que, a partir daí, se dedicou ao seu estudo.
103 Arte Rupestre de Angola 103 Aquele autor aponta uma vincada percentagem de formas geométricas. Em Calola predominam os círculos, em Bambala e Capelo, os entrançados. a) As gravuras de Bambala Neste sítio existem apenas quatro figuras; a maior e mais trabalhada representa um novelo de entrançados (Fig.25), outra dois círculos concêntricos, sendo o interior preenchido por dois traços cruzados em X. As duas outras figuras, por baixo das anteriormente referenciadas são pouco claras uma figura composta por linhas curvas e linhas direitas e por dois pequenos círculos (Redinha, 1948: 12). Fig. 25 Gravura de Bambala, segundo Redinha (1948) b)as gravuras de Capelo Nove figuras de estilo idêntico às de Bambala, são as que constituem este sítio, segundo Redinha, no entanto, Gutierrez salienta que na consulta ao levantamento efectuado por aquele apenas consegue visualizar sete gravuras (Gutierrez, 1996:76). Tal como no sítio anterior, cada gravura parece valer unicamente por si, sem qualquer relação de conjunto, sendo que a maior tem uns 60 cm e a menor cerca de 8 cm.
104 Arte Rupestre de Angola 104 Por três vezes aparece uma figura, constituída por dois elos ou argolas elípticas, de traço duplo, entrecruzadas em posição cruciforme (Fig. 26 A). Ainda com figuração cruciforme, existe uma gravura de traço preciso (Fig. 26 B). Surge ainda uma figura apresentando uma estilização do tipo suástico, rodeada de uma linha circular (Fig. 26 C). Por baixo desta figura, aparece uma figuração linear de difícil interpretação (Fig.26 D). Além destas gravuras, as outras apresentam figurações não-determinadas, formas semi-circular e/ou linear, entrançados, por vezes, incompletos. Fig Gravuras de Campelo, segundo Redinha (1948) c) As gravuras de Calola Este sítio apresenta uma maior área gravada que os anteriores. Enquanto em Bambala e Capelo prevalece o enlace, aqui dominam os círculos - concêntricos, raiados, ligados por linhas (Figs. 27 e 28). Redinha agrupa as gravuras em sete grupos, sem que exista qualquer plano de conjunto entre elas, num total de 89 gravuras, das quais 82 são representações geométricas, havendo ainda 1 zoomorfo e 6 não-decifradas (Redinha: 72). O maior grupo conta com umas 40 gravuras.
105 Arte Rupestre de Angola 105 Fig. 27 Trecho das gravuras de Calola. Foto: Redinha (1948) Fig. 28 -Gravura de Calola, segundo Redinha (1948) Redinha procurou indagar junto dos locais sobre o significado e a autoria das gravuras; sempre obteve como resposta serem aquelas criação de Deus e estabelece um quadro comparativo entre os motivos representados nas gravuras, nas pinturas e nas tatuagens da Lunda (Fig. 29 / Quadro 11). O autor adianta uma tentativa de interpretação das gravuras, mas não consegue libertar-se da concepção astral, pelo que grande parte das formas geométrica circulares representadas no Alto Zambeze são consideradas por Redinha representações solares (Redinha, 1948:16).
106 Arte Rupestre de Angola 106 Quadro 11 - Comparação tatuagens da Lunda com as gravuras de Bambala, segundo Redinha (1948) Fig Quiocos do sudoeste da Lunda com pinturas contra os raios. Foto: Redinha (1948
107 Arte Rupestre de Angola 107 Pinturas de Caninguiri Estas pinturas encontram-se num abrigo com cerca de 20 metros de comprimento e são em tal quantidade e apresentam tanta variedade que tornam este sítio verdadeiramente relevante Pelo número das suas figuras, pela variedade, pelo seu estado de conservação e pela originalidade de concepção, constitui, a par do Tchitundohulo, a mais importante estação de arte rupestre angolana descoberta até à época (Ervedosa, 1980: 253). As pinturas mais antigas são figurações muito estilizadas e estranhas de zoomorfos, antropomorfos (?) e objectos (?) conseguidas por meio de linhas e pontos (dedadas). Sobrepondo-se àquelas representações, aparecem figuras, pintadas a cheio, de animais (principalmente cágados) e indivíduos armados de arco e flecha, moca e machado de ferro. Estas corresponderão à Idade do Ferro. Contam-se pelo menos 58 figuras, sendo 29 geométricas, 15 antropomorfos e 14 zoomorfos. Merece especial referência um grupo de 5 antropomorfos pintados em branco, 3 dos quais empunham armas, arco e flecha, machado e moca. As posições das pernas e dos braços daquelas figuras levam a pensar que se trata da representação de uma dança guerreira. As pinturas de Caninguiri são apresentadas em quatro grupos (Ervedosa, 1980:255), no entanto, não é apresentado um plano geral do conjunto (Fig. 30).
108 Arte Rupestre de Angola 108 Fig Ensaio de reconstituição das Pinturas de Caninguiri (Adaptado de Gutierrez, 1996) Grupo I Na descrição deste sítio, optou-se por fazer referência quer às interpretações avançadas por Ervedosa, quer às de Gutierrez, uma vez que nem sempre se assemelham. Para Ervedosa (1980:253) a grande figura branca que surge neste grupo assemelha-se a um escudo de forma elipsoidal é formada por três elipses brancas, concêntricas, preenchidas com impressões digitais brancas e amarelas, sendo que a elipse do centro se encontra cortada por quatro traços brancos horizontais. Da parte superior saem duas faixas dobradas, entre as quais surgem novas digitações a branco. Depois de uma superfície repleta de impressões digitais, segue-se um conjunto de oito figuras: união de formas semelhantes a um V e um H, lotadas de impressões digitais brancas e amarelas-oca. Surge depois um rectângulo de cantos arredondados, lotado de manchas arredondadas em branco, em sete fiadas com quatro manchas alinhadas cada. Segue-se uma figura branca, em forma de peixe sobreposta à anterior. Aparecem de seguida, cinco pinturas: quatro são estilizações da figura humana e uma animalista.
109 Arte Rupestre de Angola 109 Fig. 31 Caninguiri: Pinturas do Grupo I Segundo Gutierrez (1996: 80) este grupo de pinturas surge logo na entrada do abrigo, predominando as cores branca e amarelo, contabilizando um total de 16 figuras, além de inúmeros pontos ou manchas. A primeira figura apresenta forma oval, três traços paralelos e sete traços que a atravessam na parte superior; o traço central termina em ponta de flecha. Esta figura, preenchida por inúmeros pontos e linhas, encontra-se na categoria de não-decifrada. À direita daquela primeira figura, surgem três marcas e quatro figuras cheias de pontos figuras estas de difícil interpretação. Segue-se um rectângulo com vinte e oito pontos apresentado em quatro colunas de sete pontos cada; esta figura recobre parte da seguinte, também ela preenchida com pontos. Esta última apresenta forma ovalada, com um traço e uma oval na parte superior. Surgem depois, cinco prováveis representações de antropomorfos, sendo uma dessas representações muito estilizada (Fig.31).
110 Arte Rupestre de Angola 110 Grupo II Este grupo fica muito próximo do chão do abrigo (Fig. 32). Segundo Ervedosa neste grupo existem cinco figuras principais, todas a branco, mas já muito esbatidas. A primeira figura apresenta um corpo em forma rectangular, com um dos lados levemente curvado; todo o rectângulo está polvilhado de impressões digitais; de cada um dos seus cantos partem traços que parecem constituir os membros da figura. Entre os dois membros superiores e no meio do rectângulo, há um traço branco que parece representar o pescoço e a cabeça, sobre a qual existe um apêndice, pelo que parece uma grotesca figuração humana de braços postos ao alto (Ervedosa, 1980: 256). Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo II Ao lado daquela figura, um animal tetrápode com corpo elipsoidal, pintado de branco e com dois apêndices na cabeça. Junto àquela figura, mas estendendo-se para cima, há um rectângulo branco, estreito e comprido, riscado por traços brancos entrecruzados obliquamente.
111 Arte Rupestre de Angola 111 Em cima à esquerda desta ultima figura, existe uma outra, pequena, de pendor animalista (cágado?) e à esquerda desta outra (talvez outro cágado?). De notar as inúmeras manchas e traços brancos. Para Gutierrez este grupo apresenta seis figuras e inúmeras manchas ou pontos como preenchimento das figuras ou entre elas. Em baixo, à direita, surge uma grande figura rectangular com preenchimento quadriculado; três linhas horizontais e duas verticais saem do lado esquerdo do rectângulo tocando num dos zoomorfos. À esquerda do rectângulo, aparece um pequeno antropomorfo com os braços levantados, um apêndice sobre a cabeça e uma linha que sai da sua mão esquerda; parece estar representado de costas, sendo estas um grande quadrado, cheio de pontos. Também o pequeno zoomorfo ao lado desta figura surge com as costas preenchidas por pontos e linhas. Entre estas figuras existe uma imensidão de pontos. Na parte superior, existem dois zoomorfos que parecem estar ligados pelos membros superiores a uma linha horizontal que não é totalmente visível. GrupoIII Este grupo apresenta cinco antropomorfos, apresentados de frente e com os braços erguidos (Fig. 33 A). O primeiro, com uma das mãos bem desenhada, parece tocar, com a outra no braço do seguinte que possui um machado numa mão e um arco e flecha, na outra; o terceiro é o mais pequeno e parece não ter uma perna, bem como também não são perceptíveis as suas mãos e um dos braços é particularmente curto. O quarto antropomorfo é o de maiores dimensões e possui duas armas uma moca, numa mão, e um instrumento que termina numa espécie de forquilha, na outra. O último tem um
112 Arte Rupestre de Angola 112 machado numa das mãos, enquanto toca na cabeça com a outra. De notar que só na segunda, quarta e quinta figura são visíveis os dois pé; ausência dos pés, nas outras figuras, pode ter sido intencional ou aqueles terem desaparecido com a erosão (Gutierrez, 1996: 81). Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo III À direita daquelas figuras, surgem duas outras figurações geométricas bicolores, em vermelho e branco: nove circunferências concêntricas (quatro vermelhas e cinco brancas) e um pouco acima e à esquerda destas, uma figura em V, formada por vários traços, alternando entre o vermelho e o branco (Fig. 33 B). A reconstituição das pinturas no abrigo efectuada por Gutierrez encaixa estas figuras, em particular, numa local ligeiramente diferente daquele que se subentende na descrição de Ervedosa. À direita e ligeiramente abaixo das últimas figuras descritas, surge uma figura com quatro braços, sendo a sua base um triângulo; possui ainda duas formas arredondadas, uma na parte central, ao nível do segundo par de braços, e outra em cima. Ainda neste grupo surge uma outra figura antropomórfica, de braços levantados, de cor vermelha e sem pés.
113 Arte Rupestre de Angola 113 Grupo IV Fig Caninguiri: Pinturas do Grupo IV Trata-se do maior grupo em termo de extensão e riqueza (Fig. 34). As cinco primeiras figuras possuem um branco tão vivo, em relação a todas as demais brancas, que deixam supor tratarem-se das últimas pinturas realizadas neste abrigo. Primeiro aparece aquilo que Ervedosa designou por representação escutiforme (Ervedosa, 1980: 260) rodeado de inúmeras manchas brancas; à direita desta figura, surge outra de forma triangular, uma linha de pontos, um grupo de manchas formam um triângulo e uma figura antropomórfica muito estilizada, a qual possui um machado igualmente estilizado. Abaixo, surge um conjunto de figuras geométricas (rectângulos) e zoomorfas (dois ou três?); mais abaixo daquelas figuras geométricas, um outro conjunto constituído por sete figuras geométricas, um antropomorfo estilizado e dois zoomorfos (um sáurio e uma serpente).
114 Arte Rupestre de Angola 114 À direita outro subconjunto: cinco figurações geométricas, dois antropomorfos armados, um zoomorfo e uma figura de difícil percepção (antropomorfo?). No cimo, dois rectângulos com preenchimento linear, abaixo dão quais surgem dois círculos concêntricos parcialmente cobertos por uma figura geométrica subtriangular, com dois apêndices na base. Do lado esquerdo desta figura, um antropomorfo armado com arco e flecha e, na proximidade, um outro armado com machado, mas sem metade das pernas. Mais à direita, dois zoomorfos ( uma grande tartaruga ), com uma sobreposição de uma pequena figura entre os membros inferiores. Do lado direito desta figura, um conjunto de traços circulares, sendo que no centro surge uma figura em forma de taça de onde sai um antropomorfo (da cintura para cima) com os braços erguidos. Ao lado deste conjunto, uma figura geométrica ( losango ) preenchida por linhas e pontos, com cinco figuras paralelas na parte superior e uma na base não-decifrada. À direita, uma forma ovóide, com um apêndice para baixo, preenchida com linhas e pontos, à qual se segue uma figura abstracta cheia de pontos, na base da qual aparece uma figura linear de difícil interpretação. Um conjunto de pontos formam a última figura do conjunto, de interpretação difícil; da parte central, ligeiramente oval, partem três traços: o central termina numa forma arredondada, o da direita acaba numa espécie de cabeça zoomorfa e o da esquerda num género de forquilha com três dentes. Aparece ainda uma figura circular dividida em duas partes, a meio, da qual partem duas marcas de mão de cada lado e uma série de pontos e uma figura zoomórfica, tipo sáurio. No fundo do abrigo há referência a inúmeras impressões.
115 Arte Rupestre de Angola 115 Gutierrez contabilizou neste abrigo setenta e sete figuras. De notar, que nem todas as figuras referidas por Ervedosa, aparecem nos levantamentos, realizados por este e Santos Júnior. Ervedosa considera que as pinturas mais antigas são as figurações muito estilizadas de zoomorfos, antropomorfos e alguns objectos de difícil interpretação, obtidas por pontos digitados e linhas. A esta sobrepõem-se figuras pintadas a cheio de zoomorfos e antropomorfos armados. As pinturas da Pedra Quissanje Estas pinturas, descobertas no início da década de 50, pelo historiador Gladwin Murray Childs, foram reproduzidas pelo pintor Neves e Sousa (Fig. 35). Quinze anos depois dessa reprodução já pouco restava devido à acção das águas no abrigo, aquando da visita de Ervedosa e Santos Júnior ao abrigo). O facto de terem desaparecido num período tão curto de tempo, leva a pensar que terão sido pintadas pouco antes de Childs as encontrar. No entanto, na altura que foi efectuado o seu levantamento, eram perceptíveis cento e treze figuras. Não sabemos como estavam distribuídas as diferentes figurações na parede rochosa. A única indicação de que dispomos é que certas figuras lineares estão associadas e que certas figuras antropomórficas estão associadas a zoomorfos, sendo estes geralmente quadrúpedes, mas surge uma ave (pato, segundo Gutierrez, 1996: 87). Por detrás da Pedra Quissanje, assim como na base e noutros morros contíguos encontram-se numerosos túmulos de pedra os túmulos de Quibala. A relação destes às pinturas do abrigo é algo que ficou por confirmar (Ervedosa, 1980: 269).
116 Arte Rupestre de Angola 116 Fig Pinturas Pedra Quissange, segundo Neves e Sousa (Ervedosa, 1980) As pinturas da Pedra Quinhengo Este abrigo foi primeiramente referenciado por Redinha. Gutierrez (1996:88) diz ter contado cerca de quarenta figuras, na sua maioria antropomorfos, mas Ervedosa (1980: 271) havia avançado um número bem diferente: Contaram-se ali 220 figuras: 182 em preto; 1 castanha; 8 amarelo-oca; 29 a branco, diz. Os antropomorfos transparecem dinamismo, surgem agrupados e, por vezes, rodeando um ou vários zoomorfos. A presença de armas apontadas no sentido dos zoomorfos pode indiciar cenas de caça, ou de guerra, quando essas armas estão a pontadas a outros antropomorfos; já determinados pares de antropomorfos parecem desempenhar práticas de cariz sexual (Fig. 36). Nos pontos mais altos, observam-se alguns símbolos ( solares, diz Ervedosa) pintados a vermelho. De um modo geral, as figuras brancas estão subjacentes às negras, sendo, portanto, mais antigas; representam antropomorfos e zoomorfos. As pinturas a negro revelam melhor qualidade artística; na sua maioria apresentam 25/30cm de altura.
117 Arte Rupestre de Angola 117 Tal como na Pedra de Quissanje, também junto deste abrigo se encontram muitos túmulos de pedra. Fig Pedra Quinhengo, segundo Ervedosa (1980) As pinturas do Ebo Na província do Cuanza Sul, a região do Ebo, apresenta vários abrigos com pinturas: Quingumba, Cumbira, Caiombo e Delambira. Os abrigos do Ebo foram utilizados como oficinas de ferreiro, apresentando indícios dessa actividade (ex. escórias). O aproveitamento destes abrigos para a instalação de fornos siderúrgicos parece ter sido prática corrente em toda a região subplanáltica de Angola. Na Quingumba existem dois abrigos: o Cavundi Quizólo e o Quissanga Cuanga quissanga. O Cavundi Quizólo tem, segundo Ervedosa, pelo menos 26 antropomorfos, com 30/40 cm e 37 representações de zoomorfos (35 a branco, 1 a vermelho-tijolo e 1 a preto).
118 Arte Rupestre de Angola 118 Aqui se encontram representados antropomorfos armados com espingardas, apontando a diversos zoomorfos (prováveis cenas de caça); outros segurando machados. Aparecem, isoladamente, 8 machados, pintados a vermelho. No segundo abrigo, Quissanga Cuanga quissanga, existem 24 antropomorfos e 4 zoomorfos, segundo Ervedosa, no entanto, Gutierrez apenas conta 10 antropomorfos, considerando que o levantamento corresponde apenas a uma parte do abrigo. Há uma cena de caça, com dois antropomorfos armados de espingarda, dirigida a um zoomorfo (Fig. 37) e três tipóias que outros antropomorfos carregam aos ombros. Surge ainda uma série de antropomorfos em fila, sendo que o primeiro parece possuir uma espécie de saia, carregando algo à cabeça, seguido de outros três que transportam armas nos ombros e dois que carregam, numa rede, um zoomorfo (animal abatido?) (Fig. 38). Fig Pinturas de Quissanga, segundo Ervedosa (1980)
119 Arte Rupestre de Angola 119 Fig Pinturas de Quissanga, segundo Ervedosa (1980) Outro dos abrigos do Ebo é o da Cumbira; nele se encontram três painéis ou grupos de pinturas. Num dos painéis, estão representados, sobretudo, antropomorfos e zoomorfos estilizados, do mesmo género das pinturas da Quimgumba. A maioria é pintada a branco, algumas a vermelho-tijolo e apenas três pintadas a preto. Ervedosa aponta doze antropomorfos, alguns armados de espingarda e outros com machados e dezasseis zoomorfos. No segundo painel, vêem-se dois antropomorfos com tipóia, a preto, e mais dois antropomorfos, a branco; a amarelo encontram-se duas figuras geométricas. O terceiro painel apresenta poucas figuras, todas próximas do chão. O estilo daquelas é também semelhante a todos os outros abrigos do Ebo dois antropomorfos, dois zoomorfos e um sinal geométrico, todos a branco. A vermelho-tijolo vêem-se dez sinais de difícil decifração.
120 Arte Rupestre de Angola 120 Em Delambira (Fig.39) encontra-se um abrigo, no alto de um morro, com uma grande quantidade de pinturas a branco, vermelho-tijolo e a preto, que se propagam ao longo de 61 metros de comprido por 2 metros de altura - contam-se cerca um milhar de figuras pintadas, muitas delas sobrepostas, diz-nos Ervedosa (1980:278). Estas pinturas representam cenas da vida quotidiana (antropomorfos que parecem fumar cachimbo, conversar, moer cereais no pilão), cenas de caça (antropomorfos que apontam arma a zoomorfos diversos), antropomorfos e zoomorfos agrupados ou isolados, tipóias diversas, redes (Fig. 40).. Fig Pinturas de Delambira. Foto: Emmanuel Esteves
121 Arte Rupestre de Angola 121 Fig. 40 Pinturas de Delambira. Foto: Emmanuel Esteves. O Caiombo é formado por dois buracos e uma pala; o primeiro buraco só tem uma figura um quadrado com uma diagonal, cortado por um traço maior que o trespassa. O segundo buraco apresenta segundo Ervedosa (1980: 279), bastantes figuras pintadas e algumas sobreposições zoomorfos em vermelho-tijolo, um rectângulo, antropomorfos, alguns com espingardas, quatro ou cinco sinais delidos. No entanto, Gutierrez descreve apenas as figuras que de lá vieram: um antropomorfo e cinco zoomorfos. O primeiro armado com uma longa espingarda e por baixo da arma dois zoomorfos; estas figuras estão representadas de perfil (Fig. 41 A). Os outros zoomorfos parecem tratar-se de dois sáurios, vistos de cima, associados, tocados ou trespassados por objectos; entre as partes inferiores destes, surge o outro zoomorfo, um quadrúpede, representado de perfil (Fig.41 B). A pala não apresenta qualquer figura.
122 Arte Rupestre de Angola 122 Também neste caso, desconhece-se a disposição que as pinturas tinham no abrigo. A B Fig Pinturas do abrigo do Caiombo, segundo Ervedosa (1980) As pinturas da Éuè iam Sineuia O abrigo de Éuè ia Sineuia (Fig. 42) apresenta pinturas quase todas a branco e poucas a vermelho são, na generalidade, de má qualidade (Fig 43). Trata-se de figuras geométricas (sobretudo rectângulos e quadrados, atravessados por diagonais e perpendiculares); antropomorfos e zoomorfo; e, sobrepondo-se a tudo, imensos desenhos a carvão, palavras em português, algarismos e várias sequências de algarismos (Santos Júnior, 1974: 8). Também aqui se encontram pequenos fragmentos de escória provenientes da fundição de ferro. Fig.42 - Vista parcial da Éuè ia Sineuia. Fig Figuras da Éuè ia Sineuia. Fotos: Ervedosa (1980)
123 Arte Rupestre de Angola 123 As pinturas de Galanga Este abrigo também é conhecido por D`jolé xilombo tchangoma ou D`jolé xilombo kètângua. As pinturas aqui existentes encontram-se muito delidas devido à escorrência de águas (Fig.44). Segundo Ervedosa contam-se, pelo menos, 63 figuras pintadas: 33 figuras humanas, 19 figuras de animais, 8 geométricas, 2 símbolos solares e uma mão espalmada (1980:283). Gutierrez acrescenta àquela contagem, duas espingardas e uma figura de difícil interpretação que vê nas figuras publicadas pelo próprio Ervedosa. A cor predominante das pinturas é a branca, mas surgem também em amarelooca, castanho-amarelado e em vermelho de várias tonalidades. Há só duas figuras em preto (um antropomorfo e uma rosácea cruciforme). Um primeiro conjunto mostra um zoomorfo (quadrúpede) rodeado por três antropomorfos, sendo que dois deles apontam espingardas na direcção daquela primeira figura; um terceiro antropomorfo parece passar ; todas estas figuras estão representadas de perfil (Fig. 45 A). Num outro conjunto, encontram-se seis antropomorfos associados a um quadrúpede, existindo uma larga linha semi-circular, a envolver a cena. Três dos antropomorfos agarram-se pelos ombros, formamndo uma fila impressa de dinamismo, estão apresentados de perfil: o primeiro toca coma a mão na cabeça e o último coloca a mão na cintura, apresentando ambos os membros inferiores flectidos (Fig. 46 B). Mais acima destas figuras, um antropomorfo apresenta-se sobre um quadrúpede, com uma mão na cintura e outra sobre o zoomorfo, situando-se entre dois outros antropomorfos também eles com as mãos colocadas na cintura.
124 Arte Rupestre de Angola 124 Fig. 44- Pinturas de Galanga. Foto: Ervedosa. Fig Pinturas do abrigo de Galanga, segundo Santos Júnior e Ervedosa (1978) Um antropomorfo associado a zoomorfos, neste caso duas ou três serpentes, surge num outro grupo. Uma das serpentes é agarrada pelo pescoço; a outra também junto do antropomorfo apresenta uma ligeira protuberância arredondada ao centro (Fig. 45 C). O eventual terceiro antropomorfo pode estar representado de perfil, sugerindo Gutierrez que só a cabeça parece estar pintada (1996:98) Noutra imagem, vê-se um círculo parcialmente delido, associado a uma figura de difícil interpretação; acima destas figuras, surge um quadrúpede (Fig.45 D). Num outro fragmento do levantamento, encontra-se um quadrúpede apresentado de perfil e cuja cauda trespassa um antropomorfo, representado de frente, constituído por dois losangos, sendo que o superior está dividido a meio por um traço (o tronco, os
125 Arte Rupestre de Angola 125 braços afastados, com as mãos na cintura (?); a cabeça é constituída por uma representação circular. À direita e paralelamente a esta última figura, um zoomorfo (sáurio), visto de cima (Fig. 45 E). Ervedosa refere que a meio do abrigo, há uma figura dominante, com 1,80m de altura, pintada em branco (1980: 283), mas dela não chegaram registos. Mais uma vez é difícil compreender a disposição das figuras no interior do abrigo dado que Ervedosa publica cinco trechos do levantamento, sem indicar o lugar de cada um no conjunto. As pinturas de Cambambi O sítio de Cambambi é constituído por dois abrigos com pintura. Ervedosa publicou parte do levantamento que fez do abrigo que se situa mais acima. Gutierrez fez a contagem de figuras a partir desse levantamento e encontrou pelo menos cento e quatro figuras pintadas. A maior parte das figuras estão pintadas a branco, mas existem outras a vermelho e a negro. Os antropomorfos predominam e entre estes, cerca de metade está armado com espingardas, podendo surgir sozinhos ou em grupo; aqui é raro a associação de antropomorfos a zoomorfos, podem estar próximos, mas sem ligação (Fig.46). Este sítio também apresenta alguns fitomorfos, o que é raro na arte rupestre de Angola. Na parte esquerda do levantamento, vêem-se alguns antropomorfos armados com espingardas, virados para o lado direito, enquanto na parte superior direita do levantamento, se encontram outros antropomorfos, também armados, mas virados para a esquerda.
126 Arte Rupestre de Angola 126 Na parte superior esquerda do levantamento, há quatro antropomorfos, sendo que dois possuem uma espécie de bastão virado para o solo e um encontra-se sobre um quadrúpede; junto a estes, existe um zoomorfo pintado na vertical e à sua direita, ligeiramente acima, um quadrado preenchido por uma linha vertical que atravessada por uma horizontal forma uma cruz e tendo uma lado que começa mais acima e se prolonga para lá do quadrado em si, em baixo. À direita, vê-se um antropomorfo cujo braço se estende até um fitomorfo (árvore?), por baixo do qual estão dois antropomorfos armados com espingardas, estando à frente destes um outro com uma mão na Cintra e a outra afastada do corpo, com o braço semi-fastado, como se indicasse o caminho; junto destes antropomorfos armados está um quadrúpede sem cabeça; existe um traço marcado à frente do animal (representação da cabeça cortada?); por detrás de um destes antropomorfos armados, existe uma representação linear ondulada (serpente), cuja extensão ultrapassa o limite do levantamento; esta figura está sobreposta a uma outra figura linear bastante mais grossa, e sobre a qual existe ainda sobreposta, na parte superior, uma representação em X. Um pouco abaixo desta figura, mas junto a ela encontram-se duas representações não decifradas uma grosso modo cruciforme, mas cujas extremidades apresentam formas circulares, sendo que a inferior é de maiores dimensões que as restantes; a outra figura assemelha-se a um oito deitado, mais arredondada na parte superior e mais plana na inferior. Do outro lado daquela figura linear, mas ao nível destas ultimas figurações, aparece um quadrúpede que parece estar em pé, apoiando-se nos membros posteriores unicamente.
127 Arte Rupestre de Angola 127 Mais abaixo, vê-se uma fila de antropomorfos, sendo que o primeiro leva as mãos na cintura, o seguinte com uma barriga proeminente e um braço estendido para a frente, atrás do qual parece seguir um indivíduo acéfalo e sem braços, seguindo-se um traço vertical mais três antropomorfos armados com espingardas. Por baixo deste primeiro dos três antropomorfos aramados, há um pequeno pássaro. O levantamento deixa perceber que atrás destes segue uma outra personagem, mas nada mais se pode adiantar. Por baixo destas figuras, mas um pouco mais à frente da primeira, distinguem-se dois outros antropomorfos, um até ao nível do ventre e outro até às pernas. De frente para aquela fila de antropomorfos está um zoomorfo, de corpo alongado, assente sobre o peito (tentando levantar-se ou estará a morrer?). À direita deste zoomorfo, surgem dois antropomorfos ligados pelas mãos, um outro mais à frente e acima do qual existe ainda outro armado com espingarda; acima deste outro antropomorfo de baraço levantado e virado para outro que surge com espingarda. Na parte superior aparece um pequeno quadrúpede, dois outros zoomorfos diferentes, sendo que acima de um deles surgem dois pequenos antropomorfos virados um para o outro e ligados pelos braços que se apresentam estendidos. Ligeiramente acima surgem dois antropomorfos armados com espingardas, mas agora curiosamente virados em sentido contrário (virados para a esquerda) aos que apareceram até agora armados. Continuando a subir encontram-se um zoomorfo e junto a ele dois antropomorfos, sendo que um está armado e o outro surge muito estilizado (esta parte não está bem representa na figura apresentada); mais acima destes, outros antropomorfos com cabeças estilizadas (cabeças cobertas ou enfeitadas?), ligados pelas
128 Arte Rupestre de Angola 128 mãos. No cimo desta arte central, encontra-se um grande quadrúpede, mas incompleto e ligeiramente a baixo e à direita, três antropomorfos, sendo que dois estão armados virados um para o outro e o terceiro apoia-se num fitomorfo (árvore). Próximo surge um zoomorfo com um longo pescoço. Mais abaixo dois outros antropomorfos surgem virados um para o outro, também armados com espingardas, e abaixo destes, dois outros possuindo objectos na mão. Mais à frente, um outro antropomorfo surge armado com espingarda virado para a direita, virado para um grupo de cinco indivíduos que parecem procurar protecção por detrás de algo (árvore? muro?); dois deles apontam as espingardas para a esquerda, mas um outro também armado aponta a espingarda no sentido de um daqueles. Fig.46 - Pinturas de Cambambi, segundo Ervedosa, 1980 Junto à figura que serve de protecção àquele grupo, surge uma figura não decifrada e mais abaixo uma figura semi-circular com um raiado superior e um preenchimento com outra figura semi-circular. Em cima e mais à direita existe uma forma circular colocada por acima de dois antropomorfos armados e de um outro sem arma possuindo um apetrecho na cabeça.
129 Arte Rupestre de Angola 129 Através do levantamento, Gutierrez contabilizou cento e quatro figuras no sítio de Cambambi. Também aqui encontramos escórias de ferro, indiciando que também aqui funcionou uma oficina siderúrgica. As pinturas da Chitandalucua As figuras pintadas encontram-se no cimo da entrada e no tecto de um pequeno abrigo, na margem do rio Tari (Mulola). Reduzem-se a quatro figuras pintadas a branco (três na parte de cima da entrada dois círculos e um antropomorfo estilizado num cavalo estilizado - e outra no tecto um antropomorfo, no interior do abrigo). Um dos círculos tem uma dupla circunferência, preenchida com traços, com um X no centro, fechado numa das extremidades (Fig. 47). Ervedosa considerou poder tratar-se de um machado (1980:287); Gutierrez (1996:98) designou por signo, baseado na definição dada por Leroi-Gourhan para tal palavra: figura geométrica de carácter simbólico. À direita deste círculo, existe um outro com uma dupla circunferência semelhante àquele, apresentando no seu interior uma figuração semelhante. Ainda à direita, surge uma figura composta por um traço em forma de I e à sua direita existem traços semi-circulares que se ligam ao traço principal. De notar ainda, ao cimo da figura uma longa mancha. A figura do tecto representa um antropomorfo visto de perfil e parece querer representar movimento (pernas afastadas como se deslocasse) e possui um apetrecho (espécie de chapéu ou máscara?) em forma de V invertido.
130 Arte Rupestre de Angola 130 Interessante notar que Gutierrez aponta para um outro antropomorfo (este ultimo descrito) que não foi contado anteriormente por Ervedosa, mas não descreve o outro mencionado por este autor. Fig Pinturas de Chitandalucua, segundo Gutierrez (1996) As pinturas da Serra do Hôndio Estas pinturas encontram-se também num abrigo e foram encontradas por Vítor Oliveira Jorge e por eles descritas, em Já nessa altura dava conta da destruição de muitas das pinturas provocada por fuligem das fogueiras que aí se fizeram (Ervedosa, 1980: 287). De salientar a utilização da cor branca e, num caso, de um alaranjado claro: um círculo com o diâmetro marcado verticalmente; uma figura esquemática explicável por aquele como antropomórfica; um braço em positivo e três mãos em negativo.
131 Arte Rupestre de Angola 131 Fig.48 Figuras do abrigo da Serra do Hôndio. Foto: Jorge (1974) As gravuras do Tchipòpilo Estas gravuras pertencem às duas estações de arte rupestre mais setentrionais descobertas na orla do deserto de Moçâmedes. Para Sul encontram-se as estações de Macahama (pinturas), do Tchitundo-hulo (pinturas e gravuras) e de Monte Negro (gravuras), das quais falaremos posteriormente. Uma das estações apresenta gravuras incisas em lajes horizontais de granito, estando muito patinadas; na outra estação, encontram-se gravuras de duas idades umas mais antigas, muito patinadas, outras melhor conservadas, cuja incisão se nota perfeitamente, representando instrumentos de ferro e alfaias agrícolas. Também estas foram gravadas em lajes horizontais. Vêem-se ainda podomorfos e zoomorfos (Fig.49). Das reproduções das gravuras publicadas por Ervedosa, Gutierrez enumera cento e vinte e quatro figuras. No entanto, chama a atenção para o facto de não se saber como se repartem no espaço, nem mesmo se cada figura publicada faz parte de um mesmo conjunto ou pertencem a conjuntos diferentes (Gutierrez, 1996: 98). Muitas são as figuras difíceis de compreender; dificuldade esta acentuada pelo facto de não sabermos o posicionamento específico que cada uma ocupa. Numa primeira imagem, contam-se sete figuras acima de uma linha de fractura: começando pela esquerda, aparece uma espécie de T invertido, ao qual se segue um
132 Arte Rupestre de Angola 132 género de Ω deitado ; mais acima destes, um utensílio (metálico? Uma pá?), abaixo do qual urge um figura vertical e linear com uma a linha que a atravessa e um apendículo; a esta se segue uma outra representação linear vertical, com um semicírculo de um lado e, do outro lado, próximo de uma das extremidades com um apêndice curvo. Mais à direita, um podomorfo, com cinco dedos ligados à planta do pé e virados para a parte de cima do levantamento, seguindo-se uma figura semelhante a um b, sendo longa a sua parte superior. Encontra-se depois uma linha grossa, mas curta associada a uma forma semicircular (semelhante a um d). Por baixo daquela linha de fractura assinalada no levantamento, encontram-se mais sete figuras. Começando de novo pela esquerda, a primeira trata-se de uma forma linear longa com uma forma circular numa das suas extremidades, sendo que nessa mesma extremidade, mas do lado oposto, sai um pequeno apêndice; segue-se uma outra figura de forma linear, desta vez paralelo à linha de fractura, possuindo numa das extremidades um outro traço, sendo que este tem uma pequena forma ovalada na extremidade próxima da fractura e um círculo na outra ponta; antes deste círculo, o traço é cortado por um outro mais pequeno (representação de um machado?). Por baixo desta figura vêem-se as marcas de pés, sendo o primeiro zoomórfico e o outro antropomórfico. O primeiro apresenta três dedos separados da planta; o segundo apresenta apenas quatro dedos, também eles separados da planta, sendo que o centro desta não se encontra gravado. Mais abaixo e à esquerda, uma figura formada por uma espécie de círculo e três linha descendentes, sendo que da que se encontra mais à esquerda sai uma outra pequena linha.
133 Arte Rupestre de Angola 133 À direita, mais um podomorfo, virado para baixo como o anterior, apresenta uma forma triangular e seis dedos separados da planta do pé. Esta figura encontra-se precedida por um pequeno círculo que se sobrepõe a outro um pouco maior. No segundo levantamento, contabilizam-se vinte e quatro figuras. Encontra-se primeiro à esquerda e em cima uma figura em forma de Y deitada, à qual se segue um podomorfo com cinco dedos separados do resto do pé e ao lado uma figura em Z, também deitado paralelamente ao pé, sendo que o traço central da figura é mais longo que os das extremidades. Mais à direita destas primeiras gravuras, surge uma forma linear atravessada por um traço grosso e curvo e da qual parte, ainda uma outra forma linear de menores dimensões; segue-se uma linha oval, mas aberta. Abaixo, encontra-se uma pequena linha semi-circular, associada à extremidade de um traço inclinado que na extremidade próxima daquela linha apresenta um outro pequeno traço perpendicular; mais perto da outra extremidade deste traço vê-se um outro, pequeno e mais espesso. Por baixo, surge parte de um podomordo com quatro dedos afastados da planta do pé, ao lado do qual surge uma linha espessa e ondulada que estende para cima, sendo que nessa outra extremidade se aproxima de uma outra figura em Z deitado, mais adenso que o outro acima referenciado. Segue-se uma forma linear em forma de u, embora um dos lados seja mais curto que o outro. As gravuras apresentam, nesta zona, uma disposição descendente e a seguir àquela última, encontra-se mais um podomorfo, com cinco dedos separados e sem que o centro da planta do pé esteja gravado; abaixo desta figura, vê-se uma linha semi-oval aberta e talvez, mais abaixo, um ponto. No centro, ao nível do último podomorfo citado, surge uma forma semi-circular de um dos lados, sendo o outro plano, mas aberto, onde encaixa um traço que é depois atravessado por outro perpendicular, maior mas de igual espessura (representação de um
134 Arte Rupestre de Angola 134 machado? Gutierrez (1996:100) considera tratar-se de uma pá com cabo transversal). Abaixo desta figura surge uma flecha oblíqua, com a seta virada para baixo e para a esquerda. Por baixo da forma oval já referida, existem duas linhas que formam um X, sendo que da sua intersecção sai para a direita uma outra linha semi-circular à qual está associado um semi-círculo gravado na sua parte mediana. À direita aparece uma forma linear em L. Por baixo daquelas linhas, surge uma marca circular (zoomorfa) com seis dedos separados à qual se segue uma outra mas antropomorfa, com cinco dedos também separados da planta do pé abaixo da qual se encontra outra marca circular zoomorfa, mas com cinco dedos. À frente daquela marca antropomórfica surge uma mancha circular associada a um traço que se estende no sentido do último podomorfo referenciado (Gutierrez considera a hipótese de ser uma outra marca de pé zoomorfo); à direita desta, um outro podomorfo, virado para baixo e para a esquerda, sendo mais pequeno que todos os anteriores e apresentando apenas quatro dedos. Na parte inferior direita do levantamento, surgem duas figuras, cada uma com forma semi-circulares num dos lados, sendo o outro recto; atravessadas por uma linha que as une, sendo que numa, da intersecção desse lado com esta linha, parte uma outra ligeiramente mais espessa, virada para cima. A meio, dessa linha que une as duas formas existe uma outra linha perpendicular com um apêndice virado para baixo.
135 Arte Rupestre de Angola 135 Fig.49 - Gravuras do Tchipòpilo, segundo Ervedosa (1980) As pinturas de Macahama Estas pinturas encontram-se em dois abrigos no morro de Macahama. Também em relação a estes abrigos, o que existe são levantamentos de parte das paredes e não do conjunto. No Abrigo 1, a maioria das figuras representam zoomorfos, uns isolados e outros agrupados. Também se distinguem quatro antropomorfos. Ervedosa diz tratarem-se de figuras de pequeno tamanho, em geral 15 a 30cm de comprimento, monocromáticas e pintadas a cheio. As do tecto são todas de cor negra, enquanto as da parede fundeira são, as mais altas também em negro, as mais baixas de cor branca (Ervedosa, 1980: 300).
136 Arte Rupestre de Angola 136 Gutierrez contou 24 figuras de acordo as reproduções (parciais) dos levantamentos publicadas por Ervedosa. Na primeira imagem estão presentes seis quadrúpedes (quatro zebras e um leão, segundo Ervedosa), todos de perfil; o último (o felino ) está virado para os outros, sendo que um dos primeiros da direita apenas possui a cabeça e parte do pescoço (Figs. 50 e 51). Fig. 50 Pinturas do Abrigo I de Macahama. Foto: Ervedosa (1980) Fig Pinturas do abrigo 1 de Macahama, segundo Ervedosa (1974) O levantamento da parte onde surgem os antropomorfos mostra doze figuras: três antropomorfos, sete zoomorfos, uma figura linear e outra não-decifrada. Começando pela esquerda, vê-se um pequeno quadrúpede à frente do qual surge uma figuração não-decifrada. Abaixo destas figuras, um primeiro antropomorfo parcialmente representado, com cabeça e tronco e apenas metade dos braços.
137 Arte Rupestre de Angola 137 Mais acima, encontra-se um quadrúpede de pescoço longo, parcialmente apagado; por baixo há o que parece ser a parte de trás de um zoomorfo. Por trás daquele quadrúpede, vê-se um antropomorfo acéfalo, sem braços e com apenas metade das pernas, seguindo um outro quadrúpede de corpo alongado e grandes orelhas, sem a parte inferior da cabeça, colocado de perfil. Três das suas quatro patas tocam uma linha que se prolongo para lá da parte traseira do animal. Por baixo desta linha existe uma outra paralela e mais abaixo desta, um antropomorfo com os braços esticados para os lados, sendo que o tronco deste é muito alongado e os membros ou são muito curtos ou estão representados pela metade. Acima desta última figura e um pouco mais à direita, vê-se uma espécie de zoomorfo sem orelhas nem patas, mas com um pouco da cauda. Mais à direita, dois zoomorfos diferentes: um quadrúpede e um sáurio, sendo que este toca a cabeça e o pescoço daquele (Fig. 52). Fig Pinturas do abrigo 1 de Macahama, segundo Ervedosa (1974) No Abrigo 2 existe um pequeno número de pinturas, semelhantes às do primeiro abrigo, pintadas a branco e apenas uma figura de cor vermelha, cruciforme, segundo Ervedosa (1980:302)
138 Arte Rupestre de Angola 138 Gutierrez (1996: 103) contou apenas três ou quatro figuras (sáurios e um quadrúpede muito apagado) e algumas manchas brancas (?). As pinturas de Haï A 5 km de Macahama, numa cavidade granítica, a 200m de altura, fica o abrigo de Haï. Com uma profundidade de cerca de 8m, é na parede do fundo que se encontram as pinturas, sendo que uma linha de falha parece ter sido aproveitada para dividir dois grupos: à esquerda, um composto por 22 figuras; à direita, outro composto por 2 figuras. Aqui vê-se uma forma circular com 8 cm de diâmetro pintada em vermelho claro, na extremidade esquerda da parede; todas as restantes pinturas são brancas e representações de zoomorfos, sobretudo de sáurios e quadrúpedes. O grupo do lado direito é também constituído por duas representações de zoomorfos (mangusto?). As dimensões das figuras vão desde os 8cm aos 39 cm (Gutierrez, 1998:63) As gravuras e pinturas do Tchitundo-hulo O Tchitundo-hulo constitui uma das mais importantes estações arqueológicas do Sudoeste de Angola, tendo sido objecto de estudos diversos (C. França, H. Breuil e A. Almeida, Santos Júnior e Carlos Ervedosa) último dos quais por Manuel Gutierrez, em Trata-se de um complexo formado pelo Tchitundo-hulo Mulume (Fig.53), Tchitundo-hulo Mucai (ou Opeleva, segundo Gutierrez, 1996: 119), pela Pedra da
139 Arte Rupestre de Angola 139 Lagoa e Pedra das Zebras (Fig. 54). Os povos desta região são os twa: os Kuissis, os Koroka e os Kuvale do grupo Herero. Fig. 53 Tchitundo-hulo Mulume. Foto: Emmanuel Esteves Fig Complexo do Tchitundo-hulo, segundo Ervedosa (1980)
140 Arte Rupestre de Angola 140 O Tchitundo-hulo Mulume Aqui encontram-se tanto gravuras (ao ar livre) como pinturas (em gruta). Manuel Gutierrez (1996: 106) distingue três conjuntos de gravuras no seu estudo. No primeiro conjunto (Fig.56), conta trinta e duas figuras, numa superfície de 6 metros x 7,5 metros, sendo que quase todas possuem formas circulares (Fig.55) e de dimensões diversas (de 20 cm a 83 cm); só uma de grandes dimensões (4,5 m x 0,5m) apresenta outra forma, no entanto, já pouco visível. As gravuras de forma similar apresentam porém diferenças, pois umas são radiadas e mesmo assim apresentam diferenças entre si (por exemplo, umas apresentamse raiadas no exterior, outras no interior); também o número de círculos que compõem cada figura é variável (de um a doze). No que respeita ao estado das gravuras, também este é variável de gravura para gravura. Gutierrez classificou treze como muito degradada (gravuras n os 1, 2,3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 28 e 29) e oito apresentando uma deterioração intermédia (gravuras n os 6, 11 (a outra parte da figura), 14, 17, 18, 19, 22 e 23). As restantes classifica-as como apresentando aparência fresca. De notar, no primeiro conjunto, o predomínio das formas circulares, com diversos círculos cada uma, isoladas ou compostas e/ou ligadas por traços. De acordo com o levantamento e descrição de Gutierrez, e começando pela parte inferior direita, encontra a figura por ele determinada como nº 1, relativamente isolada. Um pouco acima e à esquerda desta figura surgem as numeradas como 2, 3, 4 e 5 que se mostram pouco perceptíveis pela degradação que sofreram. A figura nº 10 surge acima e à direita destas últimas figuras, apresentando-se do mesmo modo no que respeita à deterioração.
141 Arte Rupestre de Angola 141 Seguindo para a esquerda, encontra-se um subconjunto composto pelas gravuras n os 6, 7, 8, 9, 11, 12 e 13. A gravura nº 6, também um pouco apagada, mas com alguns traços na sua parte superior, orientados no sentido das gravuras n os 8 e 11. A figura nº 7 está também pouco visível, acima da qual se encontra a nº 9, e seguindo para a direita desta, a n o 8 que apresenta, na sua parte superior, vestígios de alguns traços orientados para a figura nº 11 e na parte inferior, outros virados para a nº 6. A figura onze é composta por duas figurações ligadas entre si por traços, surge junto à nº 8 e dela parte um grande traço até esta figura e até à nº 9. A figura 13, à esquerda da anterior apresenta pelo menos dois tacos que se separam da sua parte inferior direita em direcção à nº 11. Na extremidade superior direita deste subconjunto encontra-se a figura nº 12. Ligeiramente acima e à direita da figura nº 9, surge a nº 14 que, sendo circular, apresenta diversos traços rectilíneos tanto no interior como no exterior, sendo que alguns parecem tomar a direcção da figura nº 9 e outros da figura nº 17. Um outro subconjunto desenha-se acima do descrito, composto pelas figuras n os 15, 6, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 e 27. A figura nº 15, embora parcialmente debelada, surge à esquerda e está ligada pela parte superior à nº 16, por sua vez ligada, por um longo traço, à nº 21. À direita da nº 16, surge a nº 17 também ela ligada por um traço à nº 21 e apresenta inúmeros traços para o exterior.
142 Arte Rupestre de Angola 142 Fig. 55- Gravuras do Tchitundo-hulo. Foto Emmanuel Esteves Fig Conjunto I segundo Gutierrez (1996) As figuras n os 18 e 19 estão também elas ligadas por diversos traços, existindo vários pequenos traços soltos por baixo destas gravuras. À direita destas, surge a nº 20 que apresenta alguns traços na sua parte esquerda orientados para a figura nº23 e, à sua
143 Arte Rupestre de Angola 143 direita um traço longo que a liga à nº 21, sendo que esta última ocupa uma posição central neste conjunto I. Por cima da nº 20, ligeiramente à esquerda, está a nº 23 da qual parecem partir algumas linhas na direcção da nº 20, bem como uma série de traços que se soltam da sua parte inferior esquerda À direita da figura nº 21, surge a nº 22, com vários traços raiados Acima do traço que a liga as figuras n os 20 e 21, vê-se a figura 24 que apresenta uma dilatação da sua primeira circunferência que lhe atribuiu uma forma ovalada, na parte superior. À direita desta, surgem as figuras n os 25 e 26, sendo que da primeira parte um curto traço virado para baixo e para a esquerda. Mais acima deste subconjunto encontram-se as figuras n os 28 e 29, sendo que a primeira está em avançado estado de degradação; a segunda, embora também em mau estado, permite ainda a visualização de alguns traços no interior, bem como no exterior da sua parte inferior. Na parte superior do levantamento encontram-se as gravuras n os 30, 31 e 32. A primeira, em bom estado de conservação, apresenta um traço linear na parte inferior esquerda; a segunda, à direita daquela, apresenta apenas uma circunferência e um traço exterior bipartido, virado para as outras duas figuras (n os 30 e 32); a última é uma figura circular com raios externos., em excelente estado de conservação. O segundo conjunto proposto por Gutierrez envolve 16 figuras gravadas numa superfície de 5 metros por 2 metros (Fig.58). Também aqui as formas circulares são relevantes, correspondendo a mais de metade das figurações, no entanto, encontramos outras formas, como por exemplo serpentiformes de grandes dimensões (Fig.57) ou grelhas.
144 Arte Rupestre de Angola 144 As dimensões das gravuras são variadas, desde 10 cm x 10 cm a 117 cm x 30 cm. No entanto, mas a maioria mede menos de 50 cm. Cerca de metade das gravuras apresenta um estado médio de degradação, três a um estado avançado (n os 8, 9 e 11) e cinco apresentam a tal aparência fresca ( n os 3, 4, 5, 7, e 16 Fig. 57- Gravuras dotchitundo-hulo. Foto Emmanuel Esteves Fig Conjunto II, segundo Gutierrez Na parte inferior esquerda do levantamento, encontra-se a figura nº 1, uma forma oval, à direita da qual se encontra a nº 2, uma outra gravura circular, parcialmente visível. Continuando para a direita, uma extensa gravura linear ( serpentiforme ) que termina com quatro braços na sua parte superior é a figura nº 3. Mais à direita, uma outra figura gravada com forma linear, a nº 4, que apresenta na parte inferior uma
145 Arte Rupestre de Angola 145 curvatura, subindo, a partir daí, para a direita, terminando numa espécie de forquilha muito aberta; na parte superior, possui um círculo, saindo da parte inferior direita deste um apêndice linear também para a direita. Depois deste círculo a linha da gravura prolonga-se um pouco mais, terminando numa forma sub-rectangular que sobre ela assenta. Mais acima, e próxima da extremidade da figura nº 3, existe uma gravura de forma circular, com um apêndice virado para a esquerda. Um pouco mais acima e à direita, a figura nº 6 representa uma forma circular aberta na parte superior, preenchida com duas linhas paralelas e uma vertical. Acima da última figura referida, encontra-se a figura nº7, uma forma circular, atravessada por um traço horizontal, enquanto outro traço vertical e mais curto passa a parte superior da circunferência, o que faz com que o interior da gravura apresente a forma de cruz. À direita, surge a figura nº 8, mas encontra-se fracturada, pelo que só é visível o lado esquerdo da gravura quatro sulcos paralelos convexos com um apêndice semi-circular a meio do sulco externo da gravura. Continuando a subir, surge uma outra figura circular, também ela fracturada, com cinco sulcos, em frente da qual, à esquerda surge a figura nº 9, de forma alongada, composta por duas linhas semi-paralelas, tendo na parte superior um círculo cortado por uma traço horizontal e, na parte inferior aberta com uma ligeira curvatura antes dessa abertura, também separada do corpo principal da figura por um traço. Ligeiramente mais acima e à esquerda, relativamente àquela figura, existe uma linha vertical curva e uma outra gravura linear com a extremidade superior a terminar em forquilha, abaixo da qual e à direita existe um pequeno círculo ligado à figura. Ambas compõem a figura nº 10.
146 Arte Rupestre de Angola 146 Continuando para cima, encontram as gravuras n os 12 e 13, sendo a primeira uma representação circular e a outra uma figuração oval. Por cima da nº 12, está uma outra gravura circular com um traço inclinado que não toca o círculo no interior, a nº14. Ligeiramente acima e à direita, está a gravura nº 15, de forma rectangular e aberta na parte inferior. Na parte de cima do levantamento, vê-se um círculo concêntrico composto por quatro sulcos. O terceiro conjunto (Fig.59) situa-se numa superfície mais elevada que as anteriores, próxima da gruta com pinturas que faz parte deste Complexo do Tchitundohulo. Este conjunto comporta cinco gravuras que se estendem numa superfície de 2m x 3m. As figuras representadas são muito diferentes, umas de difícil interpretação, outras de forma circular e ainda uma representação antropomórfica. Também as dimensões das figuras são variadas, mas todas inferiores a 50cm, à excepção de uma que, mesmo assim, não passa de 1m de comprimento. Quanto ao estado em que se apresentam estas gravuras, Gutierrez, classificou-as de aparência fresca. Na parte de baixo do levantamento publicado por aquele autor, a figura nº 1 apresenta uma forma circular da qual parte superior da qual sai um traço ligeiramente inclinado para a direita e que sobe até uma outra forma, circular no interior, mas que por fora se assemelha a uma estrela. Um pouco mais acima e à esquerda, a figura nº 2 é composta por um círculo concêntrico, com três traços raiados (dois saem da parte de baixo e o outro da parte superior esquerda).
147 Arte Rupestre de Angola 147 A figura nº 3 é composta por uma série de traços que de um ponto comum (o centro) partem em direcções diversas; o que está orientado na direcção da figura nº 2, apresenta uma extremidade pontiaguda e, junto dela, dois apêndices laterais de forma semelhante. Continuando para cima, mas agora mais à direita, surge a figura nº 4, um pequeno antropomorfo, mais acima da qual se encontra a figura nº 5, sendo a maior gravura deste conjunto e fazendo parte das gravuras não decifradas. Fig Conjunto III, segundo Gutierrez As pinturas Existem dois abrigos pintados em Tchitundo-hulo. Um, o Tchitundo-hulo Opeleva é um abrigo que se encontra à superfície (Fig.60); o segundo abrigo,
148 Arte Rupestre de Angola 148 Tchitundo-hulo Mulume, encontra-se num inselberg onde se localizam as gravuras rupestres. O Tchitundo-hulo Opeleva trata-se de um abrigo, num pequeno morro de granito, distando cerca de 1 Km para leste do Tchitundo-hulo Mulume. Aqui encontram-se pinturas no tecto e pelas paredes laterais (Fig.61), quase todas do tipo geométrico, embora haja algumas representações estilizadas de zoomorfos (aves, felinos, cobras, lagartos e cágados, segundo Ervedosa, 1980:326), uma figura antropomórfica e dois símbolos solares, de acordo com aquele autor. Estas pinturas surgem a branco, vermelho e negro são semelhantes às figuras pintadas no abrigo do Tchitundo-hulo Mulume. Fig. 60- Entrada do abrigo Tchitundo-hulo Opeleva. Fotos: Emmanuel Esteves Fig Abrigo Tchitundo-hulo Opeleva. O Tchitundo-hulo Opeleva compreende cinquenta e nove figuras pintadas, segundo Gutierrez (1996: 120), sendo que aproximadamente metade corresponde a representações geométricas, seguidas de várias figuras não decifradas. Encontram-se
149 Arte Rupestre de Angola 149 ainda alguns zoomorfos e apenas uma figura esquematizada de um provável antropomorfo. Quanto às cores, encontram-se quatro: o branco, o vermelho, o vermelho claro e o negro. Mais de metade das figuras são monocromáticas e entre estas, as cores branca e vermelha estão equilibradamente representadas. Um terço é bicromático e poucas possuem três cores. Apenas uma figura apresenta quatro cores (Gutierrez, 1996:120). Infelizmente a água da chuva infiltra-se no tecto da gruta, pelo que a conservação das pinturas de Opeleva é urgente. Quanto à distribuição, as pinturas concentram-se sobretudo na parede sul e no tecto do abrigo (Fig. 62). Fig Pinturas rupestres de Tchitundo-hulo Opeleva (reconstituição), segundo Gutierrez (1996) À esquerda do levantamento de Gutierrez, as figuras n os 1 e 2, representam formas lineares e apresentam-se verticalmente, sendo que já estão desgastadas pela acção da água. Aparece de seguida a figura nº 3, mais pequena e de forma sub-rectangular, pintada em vermelho, um pouco abaixo da qual se vê a figura nº 4, composta por formas
150 Arte Rupestre de Angola 150 circulares e lineares, pintada a branco e vermelho. À direita desta, a figura nº 5 compreende uma série de linhas ora vermelhas, ora brancas, com uma espécie de braço, a branco, no cimo. Mais acima, uma pequena mancha vermelha constitui a figura nº 6. Acima, um grande zoomorfo (um pássaro, segundo Gutierrez) pintado em dois tons de vermelho e em branco constitui a figura nº 7, à direita da qual se encontra a figura nº 8 pintada a branco, representando uma outra figura linear, com uma forma subrectangular, um traço vertical no centro e com vários pontos de cada lado do traço. Por baixo da figura nº 7, existe uma outra pintada em vermelho e de difícil interpretação, sendo que apresenta uma forma alongada com apontamentos algumas vezes arredondados, outras vezes pontudos, ligeiramente oblíqua, com diversos pontos no seu interior, terminando numa forma circular, trata-se da figura nº 9 (Fig.63A). Abaixo desta ligeiramente à direita, a figura nº 10, um outro zoomorfo (um felino, segundo Gutierrez), sendo que a suas patas traseiras estão associadas a traços e a semicírculos, tudo a branco. Abaixo vemos a figura nº 11, um outro zoomorfo coma boca aberta (outro felino, na opinião daquele autor) pintado a branco, rodeado de um emaranhado de linhas vermelhas, brancas e negras (Fig.63B); de notar que a sua cauda se estende até à figura nº 13. Uma pequena mancha branca, aparece a baixo e constitui a figura nº 12. A seguir à figura nº 11, aparecem alinhadas as n os 13, 14 e 15. A primeira destas, pintada a branco parece estar associada à nº11; a segunda é tricolor, mas pouco visível e a terceira, assemelha-se à primeira, sendo também em branco.
151 Arte Rupestre de Angola 151 A Fig Pinturas de Opeleva. Fotos Emmanuel Esteves. B A figura nº 16, acima da nº 15 e ligeiramente à direita, trata-se de uma forma de X deitado, pintado a vermelho e pouco visível. Ao lado da figura nº 15, a nº 18 apresenta duas séries de pequenos traços paralelos horizontais, a branco, por cima dos quais surge uma mancha vermelha. À direita desta, a figura nº 19, em vermelho e a nº 20, em branco. Abaixo daquelas figuras, a nº 21,em cor branca, apresenta um enorme apêndice ovalado, do lado direito, mas não decifrada. A figura nº 22, por baixo da anteriormente descrita, apresenta uma forma oval, pintada a vermelho, ao lado da qual se encontra uma outra também oval e em vermelho, mas incompleta, a figura nº 24. Por cima desta, vê-se a figura nº23, de forma oval, em branco (representando uma tartaruga segundo informações recolhidas por Gutierrez (1996: 126). Mais a acima e à direita, surge a figura nº 26,uma forma circular, pintada em vermelho e branco. Mais acima ainda, uma linha dupla pintada em vermelho e negro, corresponde à figura nº 25, sendo que à sua direita aparece um zoomorfo (um bovídeo, segundo Gutierrez) coam várias linhas brancas e vermelhas próximas e por cima da
152 Arte Rupestre de Angola 152 cabeça, a figura nº 27. Este zoomorfo está por baixo de uma longa figura linear, a figura nº 30, pintada em vermelho, branco e negro. A figura nº 30 estende-se até a sua parte de baixo tocar a figura nº28, uma figura oval em vermelho, enquanto a sua extremidade superior surge a figura nº 29, uma forma oval alongada, em vermelho e branco, com quatro pontas no exterior da sua parte superior e um traço no seu interior que a divide em duas partes, sendo que a parte inferior é de menores dimensões. Abaixo da figura nº 30, saem traços negros ao nível da figura nº27, abaixo da qual saem outras figuras, as n os 31, 32, 33. Junto à parte inferior da figura nº 30, uma figura longa em vermelho, branco e negro, de difícil interpretação é a figura nº 34, por baixo da qual se vê um traço em forma de Y deitado, figura nº 35. Debaixo desta, surge a figura nº 36, em negro e branco, tratando-se de uma associação de formas circulares e ovais. Mais abaixo, a figura nº 37, parcialmente apagada, apresenta uma forma oval pintada a branco. Por baixo da figura nº 34, o círculo pintado em branco e vermelho constitui a figura nº 38. À esquerda e ligeiramente abaixo, a figura nº 39, também parcialmente visível, apresenta uma forma circular, a vermelho e branco, junto à qual existe uma outra forma oval, mas incompleta, pintada em vermelho e branco, é a figura nº 40, sendo que na direita da sua parte inferior pode ver-se a figura nº 41, que não é mais que um traço horizontal; na parte superior, a figura nº 42, composta por círculos e traços, em vermelho e branco, também classificada por de difícil interpretação. Abaixo desta, surge um traço semi-circular pintado a vermelho, a figura nº 43. Mais à direita, surge a nº 44, já parcialmente delidas.
153 Arte Rupestre de Angola 153 A figura nº 45, entre a nº 38 e a 46, apresenta um alinhamento de traços brancos. Por baixo desta figura, a nº 46 é composta por uma série de linhas vermelhas e brancas, algumas das quais uma pouco apagadas. Ao lado desta, as figuras n os 47 e 48, já só em parte são visíveis, embora ainda se note as suas cores branca e vermelha. Por baixo da figura nº 43, a nº 49, é traço oblíquo. Na parte superior do levantamento, uma grande círculo concêntrico muito esbatido, com traços raiados no interior e dois apêndices no exterior, constitui a figura nº 50. Mais abaixo, uma forma oval preenchida, pintada em vermelho, mas também muito apagada, é a figura nº 51. À direita, uma série de traços vermelhos formam a figura nº 52 de um lado e a figura 54 do outro lado de uma figura oval com um círculo no centro, sendo esta a figura 53. Na parte inferior, surgem cinco figuras um pouco delidas, às quais correspondem dois zoomorfos, uma forma circular e uma figura não decifrada. O primeiro desses zoomorfos é a figura nº 55 (um sáurio, segundo Gutierrez), em branco; à esquerda, uma figura circular em vermelho, pouco visível, é a nº 56. O segundo zoomorfo (um felino, segundo o mesmo autor), pintado em branco parece ter as patas ligadas a traços vermelhos e brancos. Mais abaixo, surgem três manchas brancas e vermelhas, a que corresponde a figura nº 58, na proximidade da qual uma figura não-decifrada em vermelho assume o nº 59. Os seus pigmentos foram datados por AMS, indicando uma idade próxima dos 2000 anos.
154 Arte Rupestre de Angola 154 No outro abrigo com pinturas, o Tchitundo hulo Mulume, percebe-se que a grande maioria das pinturas encontra-se no tecto da gruta, ao longo de uma superfície com cerca de 20 m. O inventário levado a cabo por Gutierrez mostra que o sítio contém pelo menos 211 figuras pintadas, contra as 180 adiantadas por Ervedosa sendo que a maioria é representações geométricas. Aqui foram recolhidas amostras dos pigmentos das pinturas destinados à análise micro-química das mesmas. Quanto às cores usadas, encontra-se o branco, por vezes aparecendo mais carregado, e ainda a utilização de três tonalidades de vermelho, negro, laranja e uma em cinzento. A grande maioria das figuras pintadas são-no numa só cor, e destas mais de metade são em branco. Começando pela descrição, a cerca de 5 m a entrada da gruta (Fig. 64), encontrase a figura nº 1, uma figura de forma oval com quadriculado, pintada a vermelho. Um metro mais à frente, a figura nº 2, provavelmente um zoomorfo, pintada em branco, coma alguns traços em vermelho. Mais à direita, as figuras n os 3 e 4, em branco escuro; a primeira, é composta por duas formas lineares, semelhantes a bastões, a segunda, corresponde a uma oval com um apêndice na parte superior.
155 Arte Rupestre de Angola 155 Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume, segundo Gutierrez (1996) Um pouco mais ao fundo da gruta, encontramos uma forma sub-triangular, pintada a em vermelho escuro, que corresponde à figura nº 5 e a figura nº 6, semelhante a um podomorfo, coma alguns pontos nas proximidades, mas pintados em branco. A cerca de 8 m da entrada encontra-se a figura nº 7, uma série de traços, em vermelho escuro. Ligeiramente atrás desta figura, surge uma longa oval com três traços numa das extremidades, pintada a branco, que constitui a figura nº 8. A figura nº 9 surge um pouco depois daquela, sendo composta por uma série de pontos brancos, embora alguns sejam pouco visíveis. Ao lado, uma espécie de quatro bastonetes pintados em vermelho, constituem a figura nº10. Cerca de 8,5 da entrada, aparecem pontos pintados em vermelho, formando três alinhamentos semi-circulares, abertos na parte superior. À direita e um pouco mais à
156 Arte Rupestre de Angola 156 frente, a figura nº 12, um zoomorfo segundo Gutierrez (1996: 138), pintado a branco e a vermelho, por detrás do qual surge uma forma não decifrada, a branco, a que corresponde a figura nº 13. Mais atrás ainda destas figuras, surgem as figuras nº 14 e nº 15; a primeira destas é uma mancha de forma semi-circular, em vermelho escuro; a outra é um conjunto de pontos e traços pintados a branco. Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume, segundo Gutierrez (1996) Sensivelmente a 10 m da entrada (Fig.65), vê-se a figura nº 16, constituída por quatro traços pintados em vermelho, sendo um na vertical e cruzando todos os demais, apresentando alguns vestígios de pintura branca na extremidade de um dos traços horizontais e no vertical. Entre esta figura e a nº 18, surge a nº 17, um bastonete, em branco escuro; a figura nº 18 é uma longa oval com dois pequenos traços verticais ao centro e um traço horizontal que separa cada uma das extremidades desta parte central, sendo que na parte inferior, assim apartada, existem dois outros traços.
157 Arte Rupestre de Angola 157 Um pouco acima, encontra-se a figura nº 19, pintada a branco, alongada na sua forma e de grande complexidade, ao lado da qual se vê a figura nº 20, um círculo raiado no seu exterior e preenchido com linhas e pontos, pintado em vermelho escuro. A figura nº 21 é uma espécie de podomorfo, a branco, com alguns pontos de brancos à esquerda e dois pontos vermelhos à direita; à frente, uma linha semi-circular, em vermelho e com um traço rectilíneo que se expande a partir da parte superior exterior, pintado a branco. À direita desta figura, uma outra pintada em branco, com forma ligeiramente arredondada, preenchida por pontos, corresponde à figura nº ,3m depois da entrada encontra-se, já no bordo do tecto, a figura nº 23, com forma algo alongada horizontalmente em vermelho escuro. Encontra-se mais para dentro a figura nº 24 que se resume a duas linhas paralelas, sendo que quase se tocam numa das extremidades; atrás desta figura, surge uma outra pequena e não determinada, a figura nº 25, pintada a branco, ao lado da qual se encontram cinco traços cruzados também a branco, sendo que estes formam a figura nº 27. Encostada a estas figurações surge a nº 26, um círculo raiado no exterior, pintado em vermelho escuro e branco. Um pouco mais acima, uma forma semi-arredondada a branco, preenchida com linhas e pontos, corresponde à figura nº 28. Descendo no levantamento, encontra-se a figura nº 30, com forma linear, vertical, mas com alguns traços horizontais, pintada a vermelho e associada a diversos pontos da mesma cor. Acima desta, a figura nº 31 que possui forma circular pintada a vermelho e preenchida por linhas e pontos pintados a branco; junto a esta encontra-se um pequeno círculo branco, a figura nº 32. As figuras nº 33 e nº 34 estão juntas uma à outra e podem ser a representação de zoomorfos, pintadas em branco. Ao lado desta última, a figura nº 35 apresenta forma circular e um apêndice que quase se desenvolve até àquela outra figura.
158 Arte Rupestre de Angola 158 A figura nº 36 fica mesmo no fundo do tecto, sendo que do lado esquerdo apresenta um traço horizontal, na extremidade do qual surgem dois outros verticais que o atravessam perpendicularmente, do lado direito, assume a forma de uma seta dobrada em baixo. A figura nº 37, voltando abaixo, é uma forma circular, com preenchimento linear, pintada a vermelho. Mais acima, a figura nº 38, uma figura composta por formas lineares e circulares, a branco, junto à qual se encontra a figura nº 39, que pela forma de uma das suas extremidades foi classificada como sendo um zoomorfo, sendo de forma linear e também pintada a branco. A figura nº 40 é constituída por duas formas circulares ligadas, com preenchimento linear e um apêndice à direita. Acima desta figura está um círculo dividido em quatro no interior, ao qual Gutierrez não faz referência, pelo que lhe demos a designação de 41 A. A figura nº 41 representa uma forma oval com um traço vertical que a divide a meio. Um pouco mais abaixo, a figura nº 42, constituída por duas formas circulares ligadas, sendo que uma apresenta preenchimento linear, pintada a branco. Descendo de novo no levantamento, no senti do bordo do tecto, encontram-se três círculos alinhados. O primeiro corresponde à figura nº 43 e está pintado de vermelho; o segundo, é a figura nº 49, sendo raiado no interior, apresenta-se pintado a branco; o terceiro representa a figura nº 54 e está pintado a vermelho. Ligeiramente acima do primeiro, surgem uns pequenos traços, a branco, a figura nº 44. Vê-se depois a figura nº 45, de forma rectangular, na horizontal, constituída por três traços paralelos e diversos internos, pintada em duas tonalidades de branco e numa de vermelho. Acima desta, um semi-círculo, pintado a branco é a figura nº 46.
159 Arte Rupestre de Angola 159 Prosseguindo no sentido do fundo da gruta, surge a figura nº 47, uma figura não decifrada, composta por manchas circulares brancas e uma linha vermelha, próxima da qual, há uma figura de forma alongada, embora pequena, pintada de branco, a qual corresponde à nº 48. A figura nº 50 é uma forma linear pintada não determinada, a branco, ao lado da qual existe uma outra forma linear, ovalada, embora aberta, mas também pintada a branco, a figura nº 55. Segue-se uma figura ovalada preenchida por um ponto e com um apêndice exterior, pintada a vermelho, a figura nº 51. Logo depois vê-se um outro círculo, a branco, a que corresponde o nº 56. A figura nº 52 assemelha-se a um S, a branco, com uma apêndice na parte superior e um traçado mais espesso na inferior. À sua frente, três traços muito pequenos a branco têm o nº 57. Um pouco acima, a figura nº 58, pintada a branco, é composta por um reticulado, um círculo e um traço que funciona como elemento de ligação entre os elementos anteriores. Subindo um pouco mais, surge um conjunto de pontos pintados a branco, sendo estes a figura nº 59. Acima, uma série de pequenos traços pintados a vermelho, constitui a figura nº 60, sendo que logo aí se vê a nº 61, uma oval com preenchimento linear, pintada a branco e a figura nº 62 composta por múltiplos elementos, tanto lineares, como circulares, aparecendo nela tanto a cor branca como a vermelha. A figura 63, mais ao fundo, é descrita por Gutierrez como um quarto de círculo com raiado parcial interno (1996: 141). Mais abaixo, a cerca de 14 m da entrada, sensivelmente na parte central do tecto, surge a figura nº 64, pintada a vermelho claro e laranja, sendo composta por uma forma circular, outra semi-circular e três traços. Mais à direita, há um pequeno traço solto.
160 Arte Rupestre de Angola 160 Um pouco acima e à direita, existe uma série de traço paralelos, pintados a branco e vermelho, correspondendo à figura nº 65. Junto destes, surge a figura nº 66, um semi-círculo pintado a branco. Junto a estas figuras, as nº 67, nº 68, nº 69 e nº 70 formam uma associação de formas circulares e lineares, pintadas a branco. Mais à frente, encontra-se um outro grupo de pinturas brancas, o grupo III, segundo Gutierrez, porque é distinto dos anteriores (Fig.66). Aqui encontra-se a figura nº 71, acerca de 16 m da entrada em for ma de escada com duas linhas paralelas e várias travessas, junto à qual existe uma forma circular um tanto apagada, com um apêndice e preenchimento linear, a figura nº 72. Acima, a figura nº 73 corresponde a um bastonete, sendo que na sua extremidade esquerda se encontra uma fira ovalada, algo raiada no seu exterior, sendo esta a figura nº 74, acima da qual se vê um pequeno círculo, figura nº 75, e uma forma linear oval aberta, figura nº 76. Um pouco mais acima, no levantamento publicado, encontra-se a figura nº 77, constituída por quatro traços; acima desta a figura nº 78, sendo esta pintada a vermelho e branco, trata-se de um provável zoomorfo. Continuando a a subir, surge uma figura composta por traços lineares, uma forma ligeiramente oval e inúmeros pontos que se alastram no sentido do fundo da gruta; à frente possui um traço a vermelho, correspondendo à figura nº 79.
161 Arte Rupestre de Angola 161 Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume, segundo Gutierrez (1996) À esquerda vemos duas pequenas ovais, lado a lado, sendo estas as figuras nº 80 e nº 81. Um pouco acima, encontra-se uma forma alongada, com uma extremidade pontiaguda e a outra quadrangular e um traço a meio paralelo aos que limitam a figura; trata-se da figura nº 82. Mais acima, uma figura não decifrada conta com o nº 83, à qual logo se segue a nº 84, misturando um conjunto de formas lineares e pelo menos uma ovalada, a figura nº 85,uma oval e a figura nº 86, um pequeno círculo, por baixo do qual se encontra um provável zoomorfo, com chifres, orelhas, patas e cauda, correspondendo à figura nº 87. Ainda nas proximidades destas figuras, uma forma ovalada, com apêndice e preenchimento linear, pintada a vermelho, toma o nº 88.
162 Arte Rupestre de Angola 162 Subindo uma pouco mais, encontra-se a figura nº 89, de difícil interpretação, é constituída por linhas curvas, de forma irregular, apresentando alguns pontos no interior, estando pintada a vermelho. Logo acima, a figura nº 90, uma oval. Um pouco mais à esquerda, um bastonete corresponde à figura nº 91, sendo que mais para cima vemos um outro, mas uma espécie de recortes do lado esquerdo, a figura nº 92. Ao lado, umas pequenas manchas de forma semi-circular, pintadas em vermelho assumem o nº 93 e 94 e logo acima delas, duas pequenas ovais também pintadas em vermelho com o n os 95 e 96. Mesmo no fundo do tecto, surgem alinhadas: uma espécie de ancinho pintado em vermelho com os dentes a branco, sendo esta a figura nº 98; ao lado, uma forma também alongada, mas que poderá correspondera um zoomorfo, também pintado em vermelho e branco; ao lado deste, duas pequenas linhas paralelas unidas na extremidade, a vermelho e ao lado destas uma figura oval. Aqui deixamos de atribuir a numeração dada por Gutierrez dado não poder corresponder correctamente, pois por lapso na sua publicação aconteceu uma repetição de números para diferentes figuras. A figura 101 representa uma forma alongada pintada a vermelho, com um apêndice, ligada a duas linhas pintadas em vermelho e em branco, talvez outro provável zoomorfo. Acima desta está a figura 102 constituída por diversos pontos e traços pintados a vermelho. As figuras nº 103, nº 104, nº 105 e nº 106 são pontos relativamente alinhados na horizontal, sendo que entre os dois primeiros existem pequenas linhas vermelhas. Ligeiramente acima daquelas figuras, existem formas circulares, as figuras nº 107 e nº 112, uma figura não determinada, como é a nº 109, figuras constituídas por pontos como é a figura nº 111 ou por bastonetes como a nº 110.
163 Arte Rupestre de Angola 163 Descendo à direita, encontra-se a figura nº 113, uma forma sub-rectangular, pintada a vermelho e com preenchimento linear, junto à qual existe uma oval traçada a negro (é a única figura a negro), mas preenchida a branco e vermelho, correspondendo à nº 118. Ao lado desta uma forma oval, a vermelho, com um traço encurvado numa extremidade, corresponde à figura nº 123. À direita, vê-se a figura nº 125, pintada a vermelho traduz-se numa série de formas de difícil interpretação, mas que apontam para a representação de dois antropomorfos. Acima desta figura, uma outra muito comprida, a nº 124, tricolor, representa talvez um zoomorfo (serpente?). Acima desta figura, está a nº 126 composta por uma série de pontos e um círculo, tudo a vermelho, à qual se segue uma forma alongada com um traço que a acompanha no sentido do seu comprimento, a figura nº 129; segue-se a nº 127, em vermelho, branco e laranja, sendo um provável zoomorfo e depois encontra-se a nº 128, uma forma sub-rectangular, com pontos e traços no seu interior. Continuando para o fundo do tecto, encontramos um alinhamento de pontos isolados, as figuras nº 115, nº 116, nº 117 e nº 118, ou associados, a figura nº119 e linhas curvas ou não. Um pouco mais à direita, a figura nº 130, em vermelho escuro, uma forma circular, à qual se seguem as figuras nº 131, uma forma circular raiada ligada a uma outra apenas circular, a nº 132, uma forma semi-circular com dentes e a nº 133 constituída por duas formas, circular e semi-circular, sendo que a exterior apresenta três apêndices. Um pouco mais abaixo, um semi-círculo, também pintado a vermelho escuro, toma o nº 134.
164 Arte Rupestre de Angola 164 Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume, segundo Gutierrez (1996) Aproximadamente a de 21 m da entrada, a figura nº135 apresenta cinco linhas ligadas a uma mesma extremidade (Fig. 67). Acima, a figura nº 136, pintada em vermelho claro, toma uma forma alongada e com preenchimento linear. Mais ao fundo e à direita, surgem as figuras nº 137 e nº 138,de difícil interpretação, conjugando pontos e traços em vermelho. Mais abaixo, uma série de pontos e traços alinhados em tons de vermelho constituem a figura nº 139 e de formas circulares que tomam a numeração, por exemplo, nº 146.
165 Arte Rupestre de Angola 165 Fig Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume, segundo Gutierrez (1996) Um pouco mais ao lado, a figura nº 149, provavelmente a parte de um zoomorfo (parte da cabeça, cortada a meio segundo Gutierrez). Por baixo desta, três manchas brancas, a que correspondem as figuras nº 150, nº151, nº 152, sendo que ao lado desta última se encontra a figura nº 153, uma figura circular com três cores e dois apêndices. Do outro lado da figura nº 149, mais uma forma curva de um lado e repleta de dentes do outro, à qual se sege um conjunto de pequenos traços, a figura nº 155. Depois encontra-se uma forma oval, com preenchimento linear e um apêndice superior em forma de cruz, tomando a o nº 156, ao lado da qual encontramos mais uma forma em leque associada a pequenos traços brancos, com o nº 157. Um pouco abaixo, vê-se a associação de duas formas, uma semi-circular e outra alongada, em branco e laranja, a que corresponde o nº 158. Abaixo desta, um círculo raiado no exterior é a figura nº159. A partir daquela figura, encontram-se as figuras nº 160, nº 161 e nº 162 de difícil interpretação.
166 Arte Rupestre de Angola 166 A figura nº 163 é uma forma circular aberta, com preenchimento em cruz, pintada em vermelho claro, à qual e segue uma outra figura de difícil interpretação, em branco. Sensivelmente a 25, 5 m da entrada, agora numa rocha vertical, surgem as figuras numeradas de 165 a 204, predominando o vermelho e duas tonalidades de vermelho (Fig. 68). Aqui encontramos formas circulares, com preenchimento linear ou com o interior completamente pintado ou ainda raiadas. Existem também figuras lineares, zoomorfos e outras de interpretação difícil. Entre 28m e 30 m da entrada, vemos as últimas figuras: a nº 205, um bastonete branco, por baixo da qual está a nº 206, uma forma oval com apêndice; segue-se uma espécie de punhal, pintado a branco, com o nº 207. Mais abaixo, a figura nº 208, em branco e vermelho assemelha-se a um machado, ao qual se segue uma linha de pontos brancos com o nº 209 e outros pontos e manchas vermelhos com o nº 210. As pinturas terminam com a figura nº 211, uma forma oval longa pintada em pleno a vermelho.
167 Arte Rupestre de Angola 167 Pedra da Lagoa Este sítio fica também a cerca de 1 Km do Tchitundo-hulo Mulume, sendo as gravuras semelhantes, em ambos. Apresenta cento e trinta e nove gravuras mas sem representações de zoomorfos Além das figuras geométricas simples há vários labirintos e uma marca de mão (Fig.69). Fig. 69 As gravuras da Pedra da Lagoa. Foto: Ervedosa (1980) Pedra das Zebras Trata-se de um rochedo que se situa acerca de 500 m do Tchitundo-hulo Mulume. Tem trinta e quatro gravuras, todas muito patinadas com o mesmo tipo geométrico dos locais anteriores.
168 Arte Rupestre de Angola 168 As gravuras do Monte Negro Fig. 70 Gravuras do Monte Negro, segundo Gutierrez (1996) Fig.71 Gravura do Monte Negro, segundo Ervedosa (1980) Nesta região no extremo sul de Angola, encontram-se noventa e três gravuras, segundo o levantamento efectuado por Miguel Ramos. As gravuras desenvolvem-se sobre uma superfície rochosa, a céu aberto, numa superfície de 3m por 14m. As gravuras foram separadas em quatro conjuntos por aquele investigador. No entanto, mais de metade corresponde a formas geométricas.
169 Arte Rupestre de Angola 169 Assim, no grupo I (Fig.70) encontra-se como figura nº 1, uma forma labiríntica, da qual distam cerca de 12 m as figuras nº 2 e nº 3, círculos, sendo que a primeira destas possui um ponto no centro. A figura nº 4 é um outro círculo, próximo da qual se encontra a nº 5, de forma circular também, mas aberta e preenchida por traços múltiplos. A figura nº 6 é um duplo círculo, aberto na parte superior, sendo que a parte inferior é raiada. Junto a esta, surge figura nº 7,um círculo raiado por completo no exterior e a nº 8, um círculo preenchido com linhas curvas. A figura nº 9 trata-se de um zoomorfo (um leopardo segundo Ramos) que parece estar preso a uma forma semelhante a uma estrela (armadilha?) e também a uma outra linear (laço?). Atrás do animal, uma série de traços fazem supor um provável antropomorfo segurando a cauda daquele (?) e à frente as figuras nº 10 de forma circular e nº 11 de difícil interpretação (Fig. 71). Por baixo do zoomorfo, as figuras nº 12 e nº 14 correspondem a formas circulares com apêndices, separadas pela figura nº 13, em foram de Z enviesado, com um sulco que liga a parte de cima à barra central. Abaixo daquelas, aparecem as figuras nº 15, não decifrada, e nº 16, um bastonete. Vêem-se ainda as figuras nº 17 e a nº 18, de interpretação difícil, envoltas pela nº 19, também não decifrada. A figura nº 2 composta por vários sulcos lineares é na opinião de Ramos, um pássaro a voar. O grupo II surge relacionado com o anterior (Fig.72). As figuras nº 21 e nº 25 são formas circulares; a nº 24 poderá corresponder à estilização de um pássaro. Acima desta, as figuras nº 22 e nº 23 são de interpretação difícil.
170 Arte Rupestre de Angola 170 Fig. 72 Gravuras do Monte Negro, segundo Gutierrez (1996) Acima, a figura nº 26, uma forma linear com dois braços antes de uma das extremidades dá-lhe um aspecto semelhante a uma cruz. Mais à direita desta, as figuras nº 27, nº 28, nº 29, nº 30 e nº 31 são formas circulares. A figura nº 32 é semelhante à nº 26, embora tenha mais a forma de Y deitado. A figura nº 33 é uma forma circular, mas apresenta uma outra figuração no seu interior que pode ser um antropomorfo (?); abaixo desta a figura nº 34, em forma de V invertido com um pequeno apêndice na parte superior esquerda, ao qual se segue, também em baixo, a figura nº 35 formada por duas linhas semi-circulares. Mais à frente desta e para baixo, termina este conjunto com as figuras nº 36, uma linha semi-circular, a nº 37, nº 38 e nº 39 todas com formas circulares. O grupo III aparece como um conjunto distinto dos anteriores e do que se segue (Fig. 73).
171 Arte Rupestre de Angola 171 A figura nº 63, a maior deste subconjunto, apresenta uma forma sub-circular aberta com um traço que a divide a meio e ligada a um pequeno círculo por um apêndice; à frente desta figura surgem cerca de vinte e sete figuras, sendo a maioria marcas de pés antropomórficas ou zoomórficas. A figura nº 40, no cimo, conta-se entre as não decifradas, seguindo-se a nº 41, uma outra forma circular aberta com um círculo no centro ligado àquela outra parte que o envolve. Fig. 73 Gravuras do Monte Negro, segundo Gutierrez (1996). A figura nº 46 assemelha-se a um bastonete, a nº 48 apresenta uma forma em U, a nº 49 uma linha semi-circular e um círculo e a nº 50 um pequeno bastonete. A figura nº 54 poderá representar um provável zoomorfo (uma tartaruga, segundo Ramos), sendo que junto a esta se encontra a figura nº 52, em forma de F. Abaixo a nº 55 representa um pequeno círculo. Seguindo para a esquerda, encontra-se a figura nº 58, semelhante a uma estrela, mas tendo um dos raios muito
172 Arte Rupestre de Angola 172 comprido, abaixo do qual surge uma fora em V que toma o nº 59, ao lado da qual se vê a figura nº 60, um círculo ligado a uma marca provavelmente de mão. A seguir ao círculo uma pequena marca de pé com o nº 61 e logo depois a nº 62 que se revela de difícil interpretação. Abaixo da figura nº 63, encontram-se as figuras nº 70 e nº 71 que poderão corresponder a quadrúpedes estilizados. Já no grupo IV (Fig.74) fica a figura nº 79, uma forma circular com dois sulcos. As outras figuras da nº 80 até à nº 92 parecem organizar-se em torno de uma figura, a nº 90, um zoomorfo (ovicaprino, segundo Ramos), na sua maioria formas circulares, sendo de salientar que a nº 82, um círculo aberto, possui na parte inferior exterior quatro raios; a nº 83 possui ainda um longo apêndice dobrado na extremidade distal, sendo também um círculo; a nº 82, mais uma forma circular com dois apêndices associada a uma linha curva. Todas as restantes são círculos com preenchimento circular, à excepção das figuras nº 91, uma pequena linha curva com dois apêndices e a nº 92, uma linha semicircular que se encontram à frente do zoomorfo. Na extremidade deste conjunto, a figura nº 93, afastada das anteriores, apresenta uma forma oval com muitos sulcos e dois apêndices (representação estilizada de uma tartaruga, segundo Ramos).
173 Arte Rupestre de Angola 173 Fig Gravuras de Monte Negro, segundo Ramos (1979) A pedra gravada do Luxilo Este é um dos dois objectos que podem ser considerados arte móvel encontrados em Angola até hoje. Trata-se de uma pedra furada, em xisto, com gravuras do tipo geométrico numa das faces, encontrada na Lunda, em 1944 (Fig.75) Jean Janmart foi incumbido de a estudar. Segundo ele, a perfuração central foi obtida por picotagem; já para os desenhos parece-lhe ter sido usada a incisão. Esse mesmo investigador avança com a seguinte interpretação das figuras gravadas nesta placa: 1- figura humana com chapéu emplumado; 2- vulva; 3- figura oblonga do tipo geométrico; 4- falos; 5- homem sentado ao lado de uma personagem de sexo não identificado;
174 Arte Rupestre de Angola ziguezague múltiplo; 7- homem de pé, com uma mão na cinta; - e várias linhas rectas e curvas que se interceptam. Fig A pedra gravada do Luxilo, segundo Janmart (1947)
175 Arte Rupestre de Angola Datação da Arte Rupestre Muitos foram os critérios utilizados pelos investigadores para proceder à elaboração de uma cronologia relativa para a arte rupestre em África. Nesse sentido foram tidos em conta o estilo e as sobreposições (por exemplo, Lhote para as gravuras e pinturas de Tassili-n- Ajjer), as cores (Fosbrook para as pinturas rupestres da Tanzânia), as cores e as sobreposições (Pager a partir de sobreposições e cores das pinturas da região de Ndedema). Para datar arte rupestre podem ainda estabelecer-se paralelos entre objectos encontrados em escavação, por exemplo arte móvel, e as pinturas ou gravuras. Em relação à arte móvel em Angola, até hoje foram encontrados apenas dois objectos: o primeiro, a Pedra de Luxilo, acima referenciado; o outro trata-se de um fragmento de uma escultura de uma figura zoomorfa (zebra?) em madeira, encontrada numa escavação na Bacia do Congo (Gutierrez, 1996: 172). No que respeita à datação relativa das obras parietais em Angola, poder-se-á dizer que as abordagens efectuadas até ao momento são muito genéricas. H. Breuil, por exemplo o, aquando da sua comunicação no Congresso Pan- Africano de Pré-História e Estudo do Quaternário, disse que as pinturas de Tchitundo-hulo Mucai devem considerar-se como muito antigas (Breuil e Almeida, 1964: 173); D. Clark diferencia dois períodos para as pinturas e gravuras de Angola: um mais antigo, com animais e homens e outro mais recente que inclui, entre outros motivos, as reproduções de machados metálicos, pelo que aponta como critério mais fiável para Angola a presença da metalurgia na região das gravuras rupestres (Clark, 1966: 87). No entanto, a Idade do Ferro é um período ainda pouco estudado (Jorge, 1974:166). Um outro critério de datação relativa das pinturas e gravuras de Angola é o que diferencia dois grandes grupos de pinturas: certos sítios de arte rupestre em Angola
176 Arte Rupestre de Angola 176 apresentam antropomorfos armados de espingardas. Estas apareceram nesta parte de África a partir da chegada dos Europeus, no fim do séc. XV, pelo que as pinturas e gravuras que não comportam armas de origem europeia, são possivelmente anteriores ao séc. XVI, permitindo estabelecer uma carta de arte rupestre como apresenta Gutierrez (Fig.76). Fig Estações de arte rupestre com representações de armas de fogo, segundo Gutierrez (1996) Quanto à datação directa em arte rupestre, este é um problema ainda não resolvido. Os sítios onde a arte rupestre não apresenta depósitos de cobertura datáveis ou lajes pintadas em estratigrafia mantêm-se como problemas a resolver do ponto de vista da datação absoluta. Ainda assim, em Angola, Gutierrez tomou oito amostras das pinturas da gruta de Opeleva (3 de pintura branca; 3 de pintura vermelha e 2 de pintura negra).
177 Arte Rupestre de Angola 177 Na gruta de Tchitundo-hulo Mulume realizou uma amostragem bem mais vasta: vinte e uma amostras. A análise físico-química dos pigmentos das grutas de Opeleva e Tchitundo-hulo mostram que são de variadíssimos tipos. Em Opeleva, a cor negra foi obtida a partir de carvão de madeira, a vermelha a partir de hematite e a branca, num momento indeterminada, poderá ser carbonato de magnésio. A cor vermelha foi obtida a partir de hematite pura em cristais, mas também a partir de hematite micáceada em plaquetas; uma outra amostra mostra que esta cor também foi obtida a partir de quartzo vermelho; a cor amarela a partir de ocre; a cor branca apresenta cálcio, fósforo e um pouco de magnésio, o que corresponde à composição do marfim. O que torna tudo muito interessante, pois o quartzo para a cor vermelha é raro e a presença de marfim moído é única para elaboração da cor branca. A amostra de Opeleva foi enviada para o laboratório do Professor Marvin Rowe, no Texas para datação por carbono 14. Esta datação absoluta de pinturas rupestres da gruta Opeleva permitiu aferir que datam do início da nossa era. Com bases nos dados que recolheu, Gutierrez (1996: 92) elaborou uma proposta de datação relativa para a arte rupestre de Angola baseada, portanto, em três critérios: a representação de objectos de origem europeia, indiciando que as essas figurações foram realizadas após 1500; a figuração de objectos metálicos, indício da existência da metalurgia, conhecida nesta parte de África por volta do I milénio d.c.; as datações de pigmentos. Usando esses critérios, estabeleceu o quadro cronológico que se segue.
178 Arte Rupestre de Angola 178 Fig Cronologia relativa da Arte Rupestre de Angola, segundo Gutierrez (adaptado) 6.Conclusões Podemos concluir que em Angola existem estações de arte rupestre de idades e culturas diferentes. A arte rupestre traduz diferentes modos de expressão: encontram-se formas geométricas num grande número de sítios de pinturas e gravuras (ex. Bambala e Capelo a Tchitundo-Hulo), bem como a presença de armas sobretudo em pinturas (Caninguiri, Pedra Quinhengo, Pedra Quissanga). Às vezes só as armas africanas estão presentes (Caninguiri) ou acompanhadas de armas europeias (Pedra Quinhengo). As espingardas parecem estar associadas à caça (Pedra Quissanga) ou aos conflitos entre pessoas (Cambambi). O inventário elaborado por Gutierrez (1996:159) mostrou que as tonalidades mais usadas são o branco, o vermelho, o negro, o laranja e o cinzento. As cores são
179 Arte Rupestre de Angola 179 utilizadas sozinhas ou em combinações diversas. Ex: Em Chitandalucua todas as figuras estão pintadas em branco. Na Pedra Quissanje, os signos não decifrados estão pintados em vermelho e os antropomorfos e zoomorfos, em negro. No Tchitundo-hulo contam-se, pelo menos quatro tipos de combinações de cor. O grupo vermelho-branco aparece, no entanto, como a combinação mais frequentemente empregue. Nos sítios de gravuras rupestres, encontramos um grande número de composições à base de formas geométricas. No entanto, em Monte Negro, as gravuras contêm um grande número de formas geométricas, mas os zoomorfos parecem ocupar um lugar central. Os sítios de pinturas também são diferentes do ponto de vista da composição dos painéis. Em Cananguiri, por exemplo, os antropomorfos estão presentes em situações difíceis de determinar e com dois modelos morfológicos diferentes. Em Cambambi, por seu turno, todos os antropomorfos estão em acção e a sua morfologia, naturalista é análoga. No Norte, a Pedra do Feitiço, embora apresente figuras de difícil compreensão (ex. fig. nº25), também possui outras facilmente identificáveis: palanquins (ex. fig. nº1), antropomorfos isolados (ex. fig. nº4) ou associados (ex. fig. nº8), com espingardas (ex. fig. nº29), zoomorfos (ex. fig. nº 14), barcos (fig. nº 33) No entanto, embora reconhecíveis, a sua significação pode ser complexa por exemplo, os palanquins podem estar relacionados com o poder, o prestígio, a autoridade (Gutierrez, 1996:233), aparecendo figurações deste tipo também nas tampas gravadas de Cabinda (Serrano, 1993: 137) e nos desenhos na areia (Fontinha, 1983:55). Além do mais
180 Arte Rupestre de Angola 180 também não se conhece a verdadeira disposição das figuras o que dificulta o seu entendimento. Em Quissádi, também ao norte, encontram-se sobretudo formas geométricas pintadas a vermelho e peculiares representações de antropomorfos e zoomorfos pintadas a negro (ver figs. 22 e 23). No Nordeste de Angola, os sítios de Bambala, Capelo e Calola apresentam figurações gravadas predominantemente geométricas os entrançados, círculos isolados ou ligados por linhas, formas circulares e lineares. Também aqui parece existir uma semelhança estilística e, provavelmente, em termos de significação, entre as gravuras, os desenhos na areia, as tatuagens da Lunda (Redinha, 1948: 74). No Centro- Oeste encontra-se um dos sítios mais ricos em termos de arte rupestre, quer pela sua extensão, quer pela qualidade e quantidade de figuras. No entanto, não existe um levantamento total deste sítio. Aqui não existem representações de armas europeias, mas representações de antropomorfos, de zoomorfos, geométricas, algumas não-decifradas em percentagens aproximadas e uma pequena percentagem de figurações de armas africanas (Ver figs. 31 a 34). Ainda nesta zona centro-oeste, à excepção do sítio anterior, é de notar que a constante presença de armas de fogo em situações diversas: associadas a armas africanas (ex. Pedra Quinhengo), em cenas de caça (ex. Pedra Quissanga e Galanga) ou representando conflitos armados entre indivíduos (ex. Cambambi). Na Pedra Quinhengo (pinturas) a maior parte das figuras são antropomorfos, mas aqui se encontram também zoomorfos, representações de armas africanas e europeias (ver fig. 36). Em Quissanga (ver figs. 37 e 38) também existem em grande número as figurações de antropomorfos, sendo que alguns surgem armados com espingardas e
181 Arte Rupestre de Angola 181 poucos zoomorfos. Também aqui se encontram representações de palanquins um associado à caça, outro ligado à hierarquia local (?) (Gutierrez, 1996: 265). Em Caiombo os zoomorfos surgem como representações predominantes, sendo que apenas existe um antropomorfo armado com espingarda. Os zoomorfos parecem trespassados por armas tradicionais. Em Galanga, predominam os antropomorfos, mas também ocupam uma percentagem considerável os zoomorfos e as representações geométricas; as representações de armas europeias são ínfimas e não existem armas africanas (ver figs 44 e 45). Cambambi apresenta também uma elevada percentagem de antropomorfos representados, metade dos quais se encontra armado com espingardas em direcção a outros indivíduos armados (representação de um conflioto armado?). Existem ainda diversos zoomorfos associados àqueles ou entre eles, bem como alguns fitomorfos (ver fig. 46). No Sudoeste angolano existe uma predominante representação de formas geométricas e de figuras não decifradas, de zoomorfos e de singulares antropomorfos. Em Chitandalucua existem pintados a branco um antropomorfo, um zoomorfo (cavalo?), círculos, sendo que um possui um X no seu interior (ver fig.47). Esta cavidade, segundo informações orais recohidas por Gutierrez (1996: 275) terá estado ligada a inumações de autoridades locais. Em Tchipòpilo existem uma grande percentagem de figuras não-decifradas (pontos, figuras em forma de letras, linhas, traços), no entanto, também se vêem diversas marcas de pés de antropomorfos e zoomorfos, utensílios e objectos em ferro (ver fig.49). Muitos desses objectos parecem estar ligados ao prestígio e ao poder (Almeida e Breuil, 1964:172).
182 Arte Rupestre de Angola 182 Em Macahama predominam os zoomorfos e figuras não-decifradas (ex. figuras lineares ou manchas) associadas àqueles. Dos poucos antropomorfos que aqui surgem (3), apenas um está representado na íntegra e parecem ocupar apenas um lugar de espectadores em relação aos zoomorfos. No Tchitundo-hulo existem pinturas e gravuras. As gravuras apresentam figurações circulares ligadas por traços ou formas soltas círculos raiados - conjunto I (ver fig. 56); formas circulares, semi-circulares e serpentiformes - conjunto II (ver fig. 58); uma figura não decifrada e até um provável antropomorfo (Gutierrez, 1996: 284) conjunto III (ver fig.59). As pinturas de Tchitundo-hulo Opeleva são na sua maioria formas geométricas ou de interpretação difícil, havendo também zoomorfos e um provável antropomorfo estilizado (Gutierrez, 1996: 286). As pinturas surgem a branco, vermelho e negro, sendo na maioria monocromáticas (ver figs. 62 e 63). O Tchitundo-hulo Mulume, também com pinturas, apresenta mais de metade de figuras são formas, mas também existem algumas representações de zoomorfos e numa percentagem muito reduzida, alguns prováveis antropomorfos e de armas africanas. As cores mais usadas são o branco, o vermelho, o laranja, o preto e o cinzento, mas a maioria das pinturas é monocromática (ver figs 64 a 68). O Monte Negro é composto maioritariamente por formas geométricas, embora também as figuras não-decifradas sejam numerosas, bem como os zoomorfos. Existe apenas um antropomorfo e várias marcas de pés (ver figs. 69 a 73) De tudo o que se disse se depreende que os autores da arte rupestre em Angola foram diferentes, com diferente percepção e criação artística diversificada ao longo do tempo.
183 Arte Rupestre de Angola 183 As pesquisas actuais privilegiam a concepção da arte no seu todo, a compreensão dos diversos conjuntos que são parte desse mesmo todo, o estudo dos pigmentos e as datações directas das pinturas por AMS. O estudo da arte implica igualamente a interligação à tradição oral regional, tendo em conta o peso que esta continua a ter nas comunidades africanas (por exemplo, pelos depoimentos recolhidos, as figuras circulares gravadas de Virei teriam um carácter funcional serviam de orientação no espaço físico (Santos Júnior, 1974:13). A fragilidade das pinturas, o acesso fácil, a proximidade das povoações tornam os sítios vulneráveis, pelo que a protecção e a conservação são urgentes. A acumulação de dados sobre a arte rupestre angolana, no entanto, suscita mais questões do que permite retirar conclusões. Os métodos de registo são demasiados díspares, a contextualização arqueológica não é sistemática e faltam elementos de compreeensão cronológica relativa e absoluta. A principal conclusão deste estudo é, assim, a elaboração de um projecto de investigação que se pretende desenvolver nos próximos três e que de seguida se apresenta.
184 Arte Rupestre de Angola 184 V Projecto de Investigação -Proposta-
185 Arte Rupestre de Angola 185 Introdução É certo que qualquer teoria arqueológica assenta no trabalho de campo, mas também não é menos verdade que antes de partir para o terreno o investigador deve documentar-se. Uma vez que este projecto se baseia num levantamento bibliográfico, sofrerá, por certo, de vicissitudes muitas das obras em que se baseou foram escritas há várias décadas; as metodologias usadas pelos investigadores no passado, nem sempre foram as mais adequadas aos objectivos do estudo ou ao local pesquisado, afectando consequentemente as conclusões que daí se lavraram; as realidades históricopatrimoniais poderão ter mudado num país devastado pela guerra. No entanto, este será um dos aspectos interessantes do processo de estudo que se seguirá avaliar até que ponto se mantém o que foi publicado até agora sobre arqueologia angolana, acrescentar novos dados ou até mesmo rectificar/actualizar os já existentes. Passamos a apresentar a proposta de investigação arqueológica em Angola.
186 Arte Rupestre de Angola 186 Localização Geográfica Fig.78 Angola- Localização geográfica Fonte: Google Earth Imagem Nasa: 2008 Europa Technologies Fig. 79 Mapa de Angola. Porto Editora (2005)
187 Arte Rupestre de Angola 187 Proposta de investigação: I parte - o Projecto 1. Identificação do Projecto a) Área científica principal: História, Antropologia e Herança Cultural. b) Área científica secundária: Ciências da Terra. c) Título Mapeamento e Registo da Arte Rupestre da Zona Centro-ocidental de Angola. d) Palavra-chave: 1. Arte Rupestre; 2. Georeferenciação; 3. Etnoarqueologia. e) Objectivos sócio-económicos: Inventariação do património arqueológico; Promoção e conservação do património histórico-cultural; Turismo Cultural. f) Data de início do projecto: 01/01/2009 g) Duração: 36 Meses h) Objectivo Geral: Reconhecimento territorial, mapeamento e registo dos sítios arqueológicos. Os registos que hoje se possuem sobre arte rupestre de Angola contam já com várias décadas. Assim sendo, pretende-se visitar os sítios existentes na área: Luanda/ Benguela/ Huambo/ Luanda, visando a descrição pormenorizada, a inventariação e o registo detalhado dos mesmos com auxílio a fichas de
188 Arte Rupestre de Angola 188 registo preparadas para o efeito e contando com utilização de meios de georeferenciação. i) Objectivos específicos - Reconhecimento/verificação das realidades arqueológicas e geológicas; - Inventariação, registo e levantamento dos sítios com arte rupestre; - Mapeamento rigoroso dos sítios; - Produção de uma base de dados informatizados; - Promoção e conservação do património arqueológico; - Gestão do património: conservação, divulgação e fruição do mesmo. - Preparação do dossier para candidatura a Património Mundial de zonas com património arqueológico. 2. Instituições Participantes: a) Instituição Proponente: Instituto Politécnico de Tomar (IPT) / Grupo de Quaternário e Pré- História do Centro de Geociências (unidade I&D apoioada pela FCT e sedeada na FCTUC). b) Instituições Participantes: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD); Instituto Nacional do Património Cultural (Angola); Universidade Agostinho Neto (Angola). c) Instituição de Acolhimento: Museu Nacional de Arqueologia de Angola;
189 Arte Rupestre de Angola Orçamento a) Instituição Proponente: Instituto Politécnico de Tomar (IPT) Descrição Total Recursos Humanos Missões Consultores Aquisição de serviços e manutenção Outras despesas correntes Despesas gerais Equipamento Total b) Instituição Participante: Universidade de Trás-o-Montes e Alto Douro Descrição Total Recursos Humanos Missões Consultores Aquisição de serviços e manutenção Outras despesas correntes Despesas gerais Equipamento Total
190 Arte Rupestre de Angola 190 c) Orçamento Global Descrição Total Recursos Humanos Missões Consultores Aquisição de serviços e manutenção Outras despesas correntes Despesas gerais Equipamento Total Financiamento a) Plano de financiamento Descrição Total Solicitado à FCT Finaciamento Próprio Outro financiamento???? público Outro finaciamento???? privado Total b) Apoios diversos - Solicitação de apoio logístico ao governo angolano;
191 Arte Rupestre de Angola Possibilidade de financiamento complementar por parte de outras entidades públicas e privadas com ligações aos PALOP`s; - Possibilidade de apoio logístico por parte de entidades não-governamentais. 5. Justificação do orçamento a) Justificação dos recursos humanos Tipo (BI) Bolsa de Investigação. Justificação O projecto contempla a investigação no quadro de doutoramento na área de Arqueologia e Arte Rupestre. Nº de pessoas 1 Duração 36 Meses Custo Euros b) Justificação de missões Tipo Trabalho de campo Local Angola
192 Arte Rupestre de Angola 192 Nº de deslocações /Custo Mobilidade de 4 pessoas : - viagens para Angola : 3000 Euros/pessoa Total: 12000/Ano - acomodação: 600 Euros/pessoa Total: 2400/ano - deslocação dentro do país: 600 Euros/Ano Custo : Euros/Ano Justificação O projecto, pelos objectivos que possui, visa um intensivo trabalho de campo envolvendo os membros da equipa no terreno. Tipo Participação em congressos Local Vários Nº de deslocações / Custo 6 Deslocações (Viagens + acomodação) Custo: 6000 Euros Justificação Participação num mínimo de 2 eventos científicos internacionais no tempo de duração do projecto. Custo total: Euros
193 Arte Rupestre de Angola 193 c)justificação de aquisição de serviços e manutenção Tipo Manutenção de equipamentos Custo 2000 Euros Justificação Manutenção dos equipamentos de georeferenciação e fotografia usados no projecto. Tipo Datação de amostras de pinturas rupestres Custo: 6000 Justificação: O projecto pretende estabelecer uma decrição completa de todos os sítios com arte rupestre considerados para a área considerada; essa descrição pretende englobar as datações das pinturas aí presentes, tornando-se tão minuciosa quanto possível. Custo Total: 8ooo Euros d) Justificação de outras despesas correntes Tipo de despesa Produtos para o trabalho de campo ou a ele associados: - Lápis, borrachas, réguas, afia-lápis, papel branco, papel milimétrico, bolsas plásticas com fecho para guardar amostras, marcadores para bolsas de
194 Arte Rupestre de Angola 194 plástico, CDs, DVDs, tinteiros para impressora, canetas de tinta permanente, capas para guardar documentos e materiais; - Memória para câmara fotográfica digital; - Rolos fotográficos; - Revelação dos rolos; - Bolsas para conservar o material fotográfico; - Bisturis, lamelas, caixinhas de vidro e luvas para recolha de amostras (condicionado pela possibilidade de enviar estes materiais a laboratórios especializados). Custo 6000 Euros Justificação Actividades relacionadas com o trabalho desenvolvido no campo levantamento de arte rupestre, registro dos sítios, recolha de amostras. Tipo Bibliografia Custo 5000 Euros Justificação Aquisição de referências bibliográficas que suportem o trabalho prático. Custo total Euros
195 Arte Rupestre de Angola 195 e) Justificação do equipamento Equipamento já disponível para o projecto (?) GPS; Geo-Radar; Câmara Profissional Fotográfica; Câmara Digital 8 e 10 mega-píxels; Equipamento fotográfico: tripé e filtros; Clinómetro; Bússola; Metro e escala; Computador; Programa de computador para retoque digital e desenho de fichas de registro; Scanner profissional de alta resolução. Equipamento a adquirir: (?)
196 Arte Rupestre de Angola Equipa de investigação a) Equipa coordenadora: - Luiz Miguel Oosterbeek (IPT - Portugal); - Emmnuel Esteves (UAN Angola) b) Lista de membros Nome Luiz Miguel Oosterbeek Função Investigador responsável Grau Académico Doutoramento % Tempo 30 Nome Maria Emília Simões de Abreu Função Investigador Grau Académico Licenciatura % Tempo 30 Nome Emmanuel Esteves Função Investigador responsável Grau Académico Doutoramento % Tempo 30 Nome Pierluigi Rosina Função Investigador Grau Académico Doutoramento % Tempo 30
197 Arte Rupestre de Angola 197 c) Lista de membros a contratar durante a execução do projecto Membro da equipa Cristina Augusta Pombares da Silva Martins Função Bolseiro de Investigação Duração 36 meses % Tempo Indicadores previstos Descrição Total Livros Publicações Artigos Revistas Nacionais Artigos Revistas Internacionais Comunicações Relatórios Organização de seminários e conferências Formação avançada Teses de Doutoramento Anexo técnico a) Resumo: A área definida para estudo forma sensivelmente um triângulo: Luanda/ Benguela/ Huambo/ Luanda. Limitada a oeste pelo Oceano Atlântico, a norte pela cidade de Luanda, a sul pela estação de Baía Farta, a leste pela cidade de Huambo
198 Arte Rupestre de Angola 198 seguindo, a partir daí, em linha curva até tocar de novo na cidade de Luanda. Esta linha corresponde quase à delimitação da zona Sudoeste efectuada por Clark (Clark, 1966: 71), nesta parte da região, embora integremos na nossa aérea de estudo Luanda, que segundo a divisão de Clark ficaria na Zona Congo, mas que pretendemos inserir no nosso estudo pela continuidade ou semelhança de alguns contextos que de Luanda se estendem para a zona sudoeste, ao longo da costa ou pela proximidade a sítios relevantes (ex: Palmeirinhas). Angola apresenta, no que à Arqueologia diz respeito, um conjunto de problemas. Começando pelas indústrias líticas, logo se percebe que nem sempre o seu estudo se revela fácil: ou resultaram de recolha de superfície, ou de sítios de estratigrafia alterada ou ainda fazem parte de colecções de museus sendo desconhecida a sua origem e estratigrafia (Ervedosa, 1980: ). Os métodos de escavação usados constituíram em si um problema, pois nem sempre se revelaram os mais correctos (por exemplo, (Gutierrez, 1996: 17) escavações em abrigos com pinturas não foram suficientemente minuciosas para recuperar possíveis resquícios de pigmentos que jazessem no solo e com isso muita informação se perdeu). Também ao nível da metalurgia, carece-se de uma metodologia própria que se prende com a inexistência de um verdadeiro estudo, por exemplo, sobre os fabricantes desses objectos. Arte Rupestre Angola tem, por sua vez, um longo caminho para se integrar nos registos internacionais, no que respeita ao seu estudo e divulgação. Os registos de arte rupestre que nos chegam de Angola contam já várias décadas o que por si só merece uma revisão. Além do trabalho desenvolvido por
199 Arte Rupestre de Angola 199 Manuel Gutierrez desde a década de 90, mais ninguém, de momento, se dedica a este assunto. Este investigador visitou Chitandalucua, fez os levantamentos e o inventário dos sítios de Tchitundo-hulo, mas como percebemos ainda há muito trabalho para fazer e apenas contando com os sítios que já se conhecem, pois muitos outros existirão ainda não referenciados. Assim sendo, pretendemos visitar os sítios existentes na área tida em consideração para este estudo, visando a descrição pormenorizada, a inventariação e o registo detalhado dos mesmos com auxílio a fichas de registo preparadas para o efeito e contando com utilização de meios de georeferenciação. Depois de precisar o posicionamento no espaço, pretendemos fazer o levantamento rigoroso de cada sítio, pois em relação a muitos dos locais, chegaram até nós levantamentos parciais ou imperfeitos, desconhecendo-se, por exemplo, como se distribuíam pela parede as diferentes pinturas não existe visão de conjunto dos diferentes painéis (Ervedosa, 1980: ). Importante será igualmente o registo do contexto etnográfico em que se insere cada sítio, pois em Angola muitas vezes os vestígios arqueológicos ainda estão relacionados com as populações actuais ou quando isso não acontece há a memória que se perpetua pela oralidade, fonte histórico-cultural por excelência (Fontinha, 1983: 43), se bem que o investigador deve ter sempre presente que é um elemento estranho à comunidade, pelo que aquilo que lhe é oferecido pode não corresponder por inteiro à realidade. Para uma descrição completa de cada sítio, este trabalho deverá ter uma base pluridisciplinar, pelo que contará com a colaboração de disciplinas como a História, a Arqueologia, a Etnoarqueologia, a Geologia, a Paleoecologia, a Zooarqueologia, a Antropologia, por exemplo.
200 Arte Rupestre de Angola 200 b) Objectivos do projecto: -Fazer o reconhecimento/verificação das realidades arqueológicas e geológicas da área delimitada, uma vez que os os dados actualmente disponíveis contam já com diversas décadas e podem não corresponder à realidade. - Inventariação, registo e levantamento dos sítios com arte rupestre: levantamentos rigorosos, completos e boa fotografia; - Mapeamento rigoroso dos sítios: produção de cartografia com qualidade; - Produção de uma base de dados informatizados: facilidade de articulação e comparação com a arte rupestre de outros países no mundo (criação de um website com arquivo digital fotográfico e fichas técnicas dos sítios); - Gestão do Património: conservação, divulgação e fruição do património arqueológico (contribuição para o fomento de legislação de protecção/conservação do património; sugestão de uma entidade supervisora para reforço dessa mesma legislação) - Preparação do dossier para candidatura a Património Mundial de zonas com património arqueológico, integrada numa visão que contemple a gestão do território. c) Metodologias Uma vez em Angola, o reconhecimento territorial deverá começar pela prospecção com auxílio de instrumentos diversos (ex.gps), a par da cartografia existente para localização e mapeamento de sítios. No entanto, não se tratará apenas de listar e registar sítios, mas simultaneamente de colocar questões que permitirão compreender/reconstituir o passado, articulando as nossas informações com o registo oral das populações locais, que ainda hoje, em África, tem um papel preponderante na transmissão da cultura entre gerações.
201 Arte Rupestre de Angola 201 O registo fotográfico e os levantamentos rigorosos de arte rupestre farão parte da metodologia usada para um registro meticuloso dos sítios. A informação será organizada em fichas técnicas que terão também formato digital (ficha do sítio: rocha, estado de conservação, contexto paisagístico, manifestações associadas, etc.). 9. Justificação Geral do Projecto: Necessidade da proposta para o País: - o estudo aprofundado do património historico-cultural visará a sua divulgação interna e internacionalmente, podendo contribuir para que as diferentes etnias o valorizem, funcionando como ponto de união que fomente a identidade e unidade nacional; - colocar Angola no quadro da investigação internacional. 10. Resultados e repercussões a) Divulgação de resultados - Divulgação dos dados recolhidos no terreno a nível nacional e intenacional (seminários, congressos); - Website de Arqueologia e Arte Rupestre de Angola; - Publicações várias. b) Repercussão - Aperfeiçoamento do conhecimento num assunto ainda pouco estudado Arte Rupestre de Angola do qual resultará uma tese de doutoramento;
202 Arte Rupestre de Angola Possibilidade de decrições minuciosas dos sítios, com produção de cartografia, registro e fotografia de qualidade. - Reinício da investigação arqueológica em Angola de modo continuado; - Articulação da investigação científica União Europeia África/ Portugal Angola; - Apresentação da candidatura a Património Mundial. Angola é um dos países que ainda não tem qualquer sítio considerado Património da Humanidade. No entanto, poderá possuir potencial para isso, tanto no respeita à arte rupestre como às construções de pedra (ex: túmulos de Quibala), além do muito que por certo ainda está por explorar neste país. Averiguar essa possibilidade será um dos nossos grandes objectivos e caso se obtenha resultados positivos, poder contribuir, em parceria com as autoridades competentes, para a elaboração de um dossier completo, devidamente fundamentado que permita a candidatura a tal desígnio. Até aí, provavelmente, o País terá que criar, corrigir ou melhorar legislação no que respeita à conservação e protecção do património para se provar meritório de tal título. 11. Referências bibliográficas (projecto) Amaral, I.(2000) Rio Cuanza (Angola), da Barra a Cambambe: reconstituição de aspectos geográficos e acontecimentos históricos dos sécs. XVI e XVII. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Antunes, M. (1964) O Neocretácio e o cenozóico do litoral de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Clark, D. (1963) - Prehistoric Cultures of Northeast Angola and their
203 Arte Rupestre de Angola 203 significance in tropical Africa. In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Clark, D. (1966) - The distribuition of prehistoric culture in Angola. In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Cruz, J. (1940) Elementos de climatologia: o clima de Angola. Lisboa [s.n.], Ervedosa, C. (1980) Arqueologia Angolana. Lisboa: Edições 70. Estermann, C. (1983) Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro), Colectânea de artigos dispersos. Vol. 1. Lisboa: Instituto de investigação Científica e Tropical. Estermann, C. (1983) Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro), Colectânea de artigos dispersos. Vol. 2. Lisboa: Instituto de investigação Científica e Tropical al. 1996, p Gutierrez, M. (1996) - Subsaharan Africa: The Rock Art of Angola. In Rock Art Studies. [S.I.], Gutierrez, M. (1996) - L`Art Pariétal de l`angola, Paris: L`Harmattan. Jorge, V.O. (1974) - Breve introdução à Pré-história de Angola. Revista de Guimarães. Guimarães. 84, p
204 Arte Rupestre de Angola 204 Proposta de investigação II Parte: Descrição da área delimitada para estudo a) Localização A nossa investigação começará por abranger a faixa Luanda-Benguela, com incursões um pouco mais para o interior Benguela-Huambo/ Luanda Huambo (Fig. 57), mas que posteriormente se estenderá a outras zonas de Angola ou até mesmo do Continente Africano. Ainda assim tratar-se-á de um área extensa (por exemplo, de Luanda a Benguela contam-se 692 km), mas que poderá ser redefinida à medida que a investigação for avançando. O critério da escolha desta área prende-se com o objecto de estudo propriamente dito a arte rupestre de Angola pois na parte central desta faixa Luanda- Benguela encontram-se alguns dos sítios, por exemplo, Pedra Quinhengo, Ebo, Cambambi, Chitandalucua, como veremos mais à frente, daí ser um área relativamente extensa para poder abarcar alguns desses locais já conhecidos (Fig. 81).
205 Arte Rupestre de Angola 205 Fig Localização e pormenor da zona delimitada
206 Arte Rupestre de Angola 206 Fig Mapa com a distribuição das estações de arte rupestre conhecidas até 1974, (Adaptado de Ervedosa, 1980) O critério seguinte foi prende-se com as parcerias que obviamente temos que fazer com instituições angolanas para levarmos o projecto a bom termo. A esse respeito muito nos apraz que por intermédio do Professor Doutor Emmanuel Esteves tenha sido dada a conhecer a nossa intenção de estudo em Angola ao Ministério da Cultura, que nos respondeu por intermédio do Senhor Director Geral Francisco Xavier Yambo do Instituto Nacional do Património Cultural de Angola manifestando interesse e disponibilidade em nos receber para trabalhar em parceria com o Museu Nacional de Arqueologia de Angola.
207 Arte Rupestre de Angola 207 Deste modo, também aqui temos que definir uma área inicialmente circunvizinha daquela instituição, a partir da qual irradiarão os nossos percursos de investigação. Num último critério caberão as acessibilidades e a maior facilidade de deslocação (por exemplo, de Luanda a Benguela, um voo tem a duração de 45 minutos e o Huambo, que dista 600 km de Luanda, também tem aeroporto). b)geomorfologia A área por nós delimitada insere-se na parte superior da Zona Sudoeste definida por Clark (Clark, 1966: 64) limitada a oriente por uma linha curva que começa na foz do Cuanza e passa pelas cidades de Huambo e N`giva, acabando na fronteira com a Namíbia; a ocidente está limitada pelo Oceano Atlântico. Esta zona apresenta duas partes bem distintas: a das terras baixas (entre os 0-500m), desérticas ou subdesérticas, que começam juntam ao mar; a das terras altas, planálticas ou subplanálticas, com altitudes acima dos 1000m. Esta faixa litoral de terras baixas apresenta uma largura bastante variável (desde os 15 a 20 km a sul de Benguela, até aos 200 km na bacia do rio Cuanza). A faixa costeira é formada por sedimentos de origem marinha, depositados desde o Cretácico ao Terciário, quando o mar invadiu parte do continente, criando dois grandes golfos Luanda e Namibe que cobrem o antigo soco Pré-câmbrico (Amaral, 2000: 78). Junto a Luanda, a costa cai bruscamente para o mar, enquanto noutras zonas como Porto Amboim, N Gunza, Lobito, Benguela e Baía Farta existem terraços marinhos.
208 Arte Rupestre de Angola 208 Desde Luanda até um pouco mais a sul (Barra do Cuanza), existem dois tipos de terraços: uns com cotas até cerca dos 100m e outros com cotas na ordem dos 20m. Nos primeiros encontrou-se indústria do Olduvaense evoluído e do Acheulense antigo; nos segundos, indústrias do Second Intermediate Period e estações da Idade do Ferro (Benfica e Quitala concheiros). Mais a Sul em N`Gunza: terraços baixos formados por areias argilosas, com cerca de 10m de espessura; terraços altos apresentando geralmente cotas superiores a 100m compostos por areias soltas com cascalhos de quartzo e grés. Entre N`Gunza e o Lobito (região Egito-Praia) existem terraços baixos com cotas na ordem dos 30m. Na parte ocidental desta área existe uma plataforma plistocénica com 2 a 3 km de largura, sobre a qual existem depósitos de terraço ( Ervedosa, 1980: 39). Na região Lobito Benguela existe um nível de terraços com cotas superiores a 120m, posto em evidência pelas arribas fósseis, seguidas por plataformas que se desenvolvem sobre calcários do Cretácico e terraços postos em evidência por depósitos com cotas máximas de 20m. A sul, entre a estrada Dombe Grande Benguela e Baía Farta Dombe Grande e a sul da Ponta do Sombreiro existem depósitos dos terraços altos, com cotas de cerca de 155m. Próximo a Baía Farta encontram-se depósitos dos terraços baixos com altitudes na ordem dos 20m. Existem ainda depósitos vasosos (entre os terraços baixos e Baía Farta) e depósitos arenosos (Ex: depósitos arenoso grosseiros a Sudeste do Cuio) (Ervedosa, 1980: 43).
209 Arte Rupestre de Angola 209 Seguindo para o interior surgem as zonas subplanálticas com uma série de aplanações escalonadas e depois a região planáltica. Na província do Huambo encontram-se elevações importantes. A pluviosidade anual é reduzida, mas não se encontra vegetação com xerofitismo acentuado, embora acuse a escassez de água; a sul da cidade do Lobito a aridez acentuase, pelo que aí surgem espécies de folhagem reduzida e caduca (Nogueira, 1968: 79). c)grupos étnicos Angola apresenta uma pluralidade de grupos étnicos. Na zona delimitada encontramos os grupos Ambundu e Ovimbundu. Os Ambundos constituem um dos principais grupos étnicos; vivem na parte central do país e ao longo da costa entre Luanda e Benguela. Os Ovimbundos, outro grupo étnico numeroso, ocupam sobretudo os planaltos de Benguela. Ambos são grupos banto. Os Ovimbundos expressam-se em Umbundo (a língua nacional mais falada) e os Ambundos usam o Quimbundo (Estermman, 1983:16). Sobre este aspecto não nos alongaremos muito mais, pois existem diferenças abismais entre os diversos grupos étnicos quer em termos culturais, quer em termos linguísticos e muitas vezes essas diferenças não foram tidas em contas pelos pesquisadores, dando origem a imprecisões diversas que depois se reflectem na carta étnica. Para exemplificar uma dessas incorrecções, o sociólogo angolano Paulo de Carvalho (Angolaxyami.com notícias de Angola, Março de 2008) salientou o facto de os Khoisan corresponderem a dois grupos diferentes e não a um só, como tem sido considerado os Khoi-Khoi e os San.
210 Arte Rupestre de Angola 210 Adianta ainda aquele sociólogo que urge elaborar uma nova carta étnica pois até agora foi o interesse colonial e alguma comodidade que ditaram as fronteiras etnolinguísticas em Angola. d) Estações arqueológicas Na área delimitada encontramos as estações com arte rupestre de Pedra Quissanje (nº13), Pedra de Quinhengo (nº14), do Ebo Quingumba, Cumbira, Delambira e Caiombo (nº s 15 a 19), Éuè ia Sineuia (nº20), Galanga (nº21), Cambambi (nº22), Chitandalucua (nº23) e Serra do Hôndio (nº24). De notar que todas estas estações possuem apenas pinturas. Em relação è Pedra Quissanje, situada na estrada Dondo-Quibala (a 12km de Quibala) foi visitada em 1970 por Santos Júnior e Carlos Ervedosa que deram conta do estado bastante delido em que se encontravam as pinturas dada a forte escorrência de águas das chuvas. Dizem ainda aqueles investigadores que o chão do abrigo não forneceu qualquer tipo de depósito, mas que nas proximidades que existem os túmulos de Quibala. Existirá alguma relação entre as pinturas e os sepulcros? Eis uma questão que merecerá ser tida em conta. A partir de 1970, não houve registo de outra visita a este local. A Pedra Quinhengo, na estrada Quibala-Calussinga (a 17km da Quibala) apresentava também já na década de 70 algumas pinturas desbotadas. Também nas suas cercanias se encontram túmulos de pedra. O abrigo parecia servir de abrigo a pastores e ao gado, pois apresentava excrementos de animais no chão. Poder-se-á aqui estabelecer uma relação destas
211 Arte Rupestre de Angola 211 pinturas com a pastorícia que desempenha um papel importante na vida destas comunidades? E com os túmulos? Poder-se-á colocar a questão anterior aqui também? Também em relação a este local não existem registos posteriores aos dos anos 70. A vila do Ebo (11º 2` 45`` S 14º 41` 45`` E) fica na província do Cuanza Sul. Aqui encontramos uma série de abrigos. Quingumba fica a 3 km a sul do Ebo e possui dois abrigos. Ambos apresentavam restos de fogueiras que em parte já haviam afectado, pelo fumo, as pinturas. O abrigo da Cumbira fica perto da aldeia com o mesmo nome, a alguns quilómetros (?) a oeste do Ebo. Depois desta ultima aldeia, encontra-se o outro abrigo, Delambira, sendo de difícil acesso pois fica numa vertente. No chão do abrigo existiam fragmentos de cerâmica, escórias de ferro e lascas de quartzo, tendo sido efectuada uma escavação pelo Arq. Fernando Batalha. No entanto, não se mais encontraram registos. Perto da aldeia do Caiombo, o abrigo com o mesmo nome. Além das pinturas, foram encontrados alguns fragmentos de cerâmica. Os abrigos do Ebo podem, pelos vestígios que apresentavam estar ligados à actividade siderúrgica; podem existir também aqui uma relação das pinturas com esta actividade? Resta dizer que depois de 1972, ano em que Santos Júnior e Ervedosa visitaram estes sítios, não houve mais registos. O próprio Ervedosa revela que apenas foi feito (durante três dias) o reconhecimento geral dos abrigos (Ervedosa, 1980: 274). A Éuè ia sineuia é um abrigo a 50 metros da estrada Uaco Cungo - Alto Hama (a cerca de meio caminho destas duas localidades). Aqui foram encontrados
212 Arte Rupestre de Angola 212 também fragmentos de cerâmica e escórias de ferro. Nenhuma escavação foi aqui efectuada. O abrigo da Galanga (11º 59`15`` S 15º 3`25`` E) fica no concelho de Cassongue (Província do Huambo). Aqui Ervedosa realizou uma escavação que lhe permitiu recolher muitas escórias de ferro, concordando com as informações das populações locais que diziam que lai se faziam coisas de ferro armas, enxadas, setas, etc. (Santos Júnior e Ervedosa, 1978: 11). A escavação da parte central do abrigo forneceu nas camadas inferiores peças microlíticas e resíduos de lascagem de pedra sobretudo em quartzo e quartzito, cinzas, carvões e fragmentos de ossos. A camada mais profunda foi datada em 4115±66anos e a camada média em 2600±50 anos (Ervedosa, 1980: 286). Não se obteve datações para a camada superior. A cerca de 1 km da aldeia de Cambambi, fica o conjunto de dois abrigos (a 40 km da Galanga). Também aqui parece ter funcionado uma oficina de ferreiro pela quantidade de escórias de ferro nas proximidades do abrigo. Perto de Dombe-Grande, em Benguela, as pinturas de Chitandalucua foram visitadas por Vítor Oliveira Jorge na década de 70, mas não foi efectuada qualquer escavação. Este abrigo foi visitado já na década de 90 por Manuel Gutierrez (Gutierrez, 1996: 96). Oliveira Jorge encontrou em 1973 num abrigo da Serra do Hôndio pinturas algumas muito degradadas pelo fumo das fogueiras que aí se fizeram (Jorge, 1974: 152). A par destas estações com arte rupestre, existem outras estações arqueológicas existentes na área que se pretende estudar, associadas ao diversos períodos - Earlier Stone Age (Luanda; Palmeirinhas; Ponta das Vacas, Baía Farta,
213 Arte Rupestre de Angola 213 Benguela), First Intermediate Period (Dondo, Ponta das Vacas, Praia do N`Hime), Middle Stone Age (Luanda, a sul de Benguela) Second Intermediate Period (Ponta das Vacas, Belas, Benfica e Palmeirinhas, Calumbo) e Later Stone Age (Galanga, Ebo, Ganda). Juntamos todas as informações relevantes para a nossa investigação: estações de arte rupestre, estações arqueológicas com indústria lítica dos diversos períodos e a zona onde se encontram diversas construções em pedra (por exemplo: os túmulos da Quibala ou o povoado fortificado da Quitavava, Ganda) e criamos o mapa que se apresenta a seguir (Fig. 82). Fig Mapa da área de investigação com localização dos pontos de interesse arqueológico.
214 Arte Rupestre de Angola 214 Conclusão A arqueologia, sobretudo aquela que respeita às primeiras ocupações humanas na África Ocidental, continua a ser mal conhecida. É bem provável que esta zona até tenha sido habitada pelos primeiros hominídeos, tal como se sabe que aconteceu na parte Leste. Podem os restos daqueles não se terem conservado ou então ainda não terem sido descobertos. Esta será uma dúvida válida também para o território angolano. Angola terá muito para dar a conhecer e independentemente de no seu território existirem ou não fósseis humanos; as outras riquezas arqueológicas que nos oferece (e oferecerá) são por si só inestimáveis. Aqui se inclui a arte rupestre. Pese embora a magnificiência do seu património, até agora existiu uma pobre metodologia que nem sempre se revelou a mais adequada para as diferentes áreas em estudo. No que respeita à arte rupestre, por exemplo, os levantamentos que chegaram até nós ou são parciais ou não revelam a posição do painel no sítio não existe um estudo de conjunto; a documentação está também muito dispersa e fraccionada. Além do estudo de Carlos Ervedosa (Arqueologia Angolana, 1980), de Manuel Gutierrez (L`Art Pariétal de l`angola, 1996) e do trabalho aqui apresentado nada mais existe que sintetize o que se conhece sobre a arte rupestre de Angola. Será importante a par do registo rigoroso que se pretende levar a cabo, encontrar estratégias para a conservação dos sítios, sendo que alguns há várias décadas arrolam problemas. A tradição oral não poderá ficar de fora desse registo, pois é uma fonte de informação por excelência que passa de geração em geração e que, ainda hoje, em África, tem um valor considerável na transmissão cultural.
215 Arte Rupestre de Angola 215 Todos os dados obtidos no terreno serão informatizados e depois de trabalhados disponibilizados na Internet, numa página própria, funcionando não só para divulgar o património do país, como também para estabelecer correlações com outros países. Tão vastas quanto a imensidão daquele país poderão ser as dificuldades com que se debate a arqueologia angolana. No entanto, Angola está a crescer em diversos domínios e por certo não deixará a sua História para trás. Os seus altos dignatários têm, inclusive, demonstrado interesse pelo passado remoto de Angola e apelado ao seu estudo. É pois o momento de contribuir para que este país promova um dos seus grandes bens - o património no quadro da investigação internacional. No que respeita especificamente à arte rupestre angolana, são mais as questões levantadas do que as conclusões retiradas. Como vimos, Os métodos de registo são demasiados díspares, a contextualização arqueológica não é sistemática e faltam dados de compreeensão cronológica relativa e absoluta. A principal conclusão deste estudo é, assim, a elaboração de um projecto de investigação que se pretende desenvolver nos próximos três.
216 Arte Rupestre de Angola 216 Bibliografia Allichin, B. (1964) - A preliminary survey of Stone Age sites of the Serra- Abaixo. In Estudos sobre a Pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar.50, p Alimen, H. (1955) Préhistoire de l`afrique, Paris: Editions N. Boubee et Cie. Almeida, A., Corrêa, A. e Rego, A.(1955) Estudos Ultramarinos. Vol.V.Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Almeida, A. e França, C.(1964) Notícia sobre o Paleolítico do território de Cabinda (Angola.). In Estudos sobre a Pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p Almeida, A. e França, C. (1965) Le Magosien du Sud de l`angola. Actes du V e Congres Panafrican de Prehistoire et de l`etude du Quaternaire.Tenerif: Museo Arqueológico de Tenerife. Almeida, A. (1994) Os Bosquímanos de Angola, Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Alves, M. (1968) Estudo geológico e petrológico do maciço alcalinocarbonatítico do Quicuco, Angola. Lisboa: [s.n.] 1968.
217 Arte Rupestre de Angola 217 Amaral, I.(1983) Estudo de geografia das regiões tropicais. Lisboa: Junta de Investigação do Ultramar. Amaral, I.(2000) Rio Cuanza (Angola), da Barra a Cambambe: reconstituição de aspectos geográficos e acontecimentos históricos dos sécs. XVI e XVII. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Antunes, M. (1964) O Neocretácio e o cenozóico do litoral de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Barbosa, G.(1970) Carta Fitogeográfica de Angola. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola. Barradas, L. (1964) Concheiros da antiga Baía de Lourenço (Moçambique). In Estudos sobre a pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p Bayle des Hermes, R. (1967) Premier aperçu du Paléolithique Inférieur en République Centrafricaine. In L'Anthropologie. Paris. 71: 5-7, p Bayle des Hermes, R. (1981), Prospections et fouilles préhistoriques en République Centrafricaine. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar.
218 Arte Rupestre de Angola 218 Bethencourt, F. e Chaudhuri K. (1998) História da Expansão Portuguesa. Vol.I. Navarra: Círculo de Leitores. Brézillon, M.(1969) Dicionário de Pré-história, Lisboa: Edições 70. Breuil, H. e Almeida, A.(1964) Das gravuras e das pinturas rupestres do deserto de Moçâmedes (Angola). Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. Breuil, H. e Almeida, A.(1964) Introdução à Pré-história de Angola. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Breuil, H. e Janmart, J. (1950) Les Limones et graviers de l`angola du Nort- Est et leur contenu archéologique. Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Cardoso, S. (2005) Angola: anatomia de uma tragédia, 6ª Edi. Lisboa: Oficina do Livro Chipunza, K. (1994) - A diachronic analysis of the architecture of the Hill Complex of Great Zimbabwe. Sweden: Societa Archaeologica Upsaliensis. Clark, D. (1959) - The Prehistory of Southern Africa. Austrália: Penguim Books.
219 Arte Rupestre de Angola 219 Clark, D. (1963) - Prehistoric Cultures of Northeast Angola and their significance in tropical Africa. In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Clark, D. (1966) - The distribuition of prehistoric culture in Angola. In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Clark, D. (1969) - Kalambo Falls, Prehistoric Site. Vol. I. Cambridge: Cambridge University Press Clark, D. (1973) Pré-história da África, Lisboa: Verbo. Clark, D. (1974) - Kalambo Falls, Prehistoric Site. Vol. II. Cambridge: Cambridge University Press. Coelho, V. (1998), Imagens, símbolos e representações Quiandas, Quitutas, Sereias : imaginários locais, identidades regionais e alteridades. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo. 8 p Cooke, H. e Malan, B. eds(1962) The contribuition of C. Van Riet Lowe to Prehistory in Southern Africa. Claremont: The South African Archaeological Society. Crowder, M., ed (1984) - The Cambridge History of Africa. Vol. 8. Cambridge: Cambridge University Press.
220 Arte Rupestre de Angola 220 Cruz, J. (1940) Elementos de climatologia: o clima de Angola. Lisboa [s.n.], Delibrias, G., Giresse, P., Lanfranchi, R. e Le Cocq, A. (1983) Datation des dépots holorganiques quaternaires sur la bordure occidentale de la cuvette congolaise: corrélations avec les sediments marins voisins. Paris: C.R. Acad. Sc. Paris. Série II. Ervedosa, C. (1980) Arqueologia Angolana. Lisboa: Edições 70. Estermann, C. (1983) Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro), Colectânea de artigos dispersos. Vol. 1. Lisboa: Instituto de investigação Científica e Tropical. Estermann, C. (1983) Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro), Colectânea de artigos dispersos. Vol. 2. Lisboa: Instituto de investigação Científica e Tropical Fage, J.D. e Oliver R.A., eds (1964) - The journal of African History. Vol. V. Cambridge: Cambridge University Press. Flint, J.E., ed(1976) - The Cambridge History of Africa. Vol. 5. Cambridge: Cambridge University Press
221 Arte Rupestre de Angola 221 Fontinha, M. (1983) Desenho na Areia dos Quiocos. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical França, J.C. (1953) As gravuras do Tchitundo-hulo (Deserto de Moçâmedes. Separata do Mensário Administrativo. Luanda. França, J.C. (1960) Primeira nota sobre a Jazida Magosiense de Vila Serpa Pinto (Angola). Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. França, J.C. (1964) Nota preliminar sobre uma gruta Pré-histórica do Planalto da Humpata (Angola). In Estudos sobre a pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p França, J.C. (1964) Nota sobre uma jazida quaternária do Bom-Jesus (Angola). In Estudos sobre a pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p França, J.C.(1964) - Quatro exemplares, de fácies neolítica, do Norte de Angola. In Estudos sobre a pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p França, J.C. (1964) Contribuição para o estudo da Pré-história da região de S. salvador do Congo (Angola). In Estudos sobre a pré-história do Ultramar. Lisboa: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. 50, p
222 Arte Rupestre de Angola 222 Guerreiro, M. V. (1974) Novos Contos Macondes. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Guerreiro, M. V. (1997) Povo, Povos e Culturas (Portugal, Angola, Moçambique). Lisboa: Colibri. Gray, R., ed (1975) - The Cambridge History of Africa. Vol.4. Cambridge: Cambridge University Press. Gutierrez, M. (1996) - Subsaharan Africa: The Rock Art of Angola. In Rock Art Studies. [S.I.],1996, p Gutierrez, M. (1996) - L`Art Pariétal de l`angola, Paris: L`Harmattan. Gutierrez, M. (1998) - L`Art Parietal au sud de l`angola. In Archéologia. [S.I.], , p Gutierrez, M. (1999) Archéologie et Anthropologie de la Nécropole de Kapanda. Paris: L`Harmattan. Hall, M. (1987) - The Changing Past, Farmers, Kings & Traders in Southern Afric, Cape Town & Johannesburg: David Philip. Janmart, J. (1946) Les stations paléolitiques de l`angola Nort-Est e Analyse géologique, climatologique et préhistoric d`un sondage fait en bordure
223 Arte Rupestre de Angola 223 de la rivière Luembe (Angola du Nort-Est).In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Janmart, J. (1948) «La station préhistoric de Candala (District de la Lunda, Angola du Nort-Est)». In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Jonsson, S. (1983) - Archaeological Research, Co-operation between Somália and Sweden. Estocolmo: Central Board of National Antiquities/ Somali Academy of Sciences and Arts. Jorge, V.O. (1974) - Breve introdução à Pré-história de Angola. Revista de Guimarães. Guimarães. 84, p Jorge, V.O. (1975), Novas estações arqueológicas do sudoeste de Angola. Revista de Guimarães. Guimarães.85, p Jorge, V.O. (1977) - Alguns elementos para o estudo dos recintos amuralhados do Planalto de Humpata, Região da Huíla, Sudoeste de Angola. Revista de Guimarães. Guimarães. 87, p Kleindienst, M.R. (1961) - Variability Within the Late Acheulian Assemblage in Eastern Africa. Cambridge: Cambridge University Press.
224 Arte Rupestre de Angola 224 Kouyoumontzakis, G., Lanfranchi, R. e Giresse, P. (1985) - Les datations radiometriques du qauternaires de la Republique Populaire du Congo e des régions avoisinantes (Iles du Golfe de Guine, Angola). [S.I.: s.n.], p Lanfranchi, R., Peyrot, B. (1979) - Les pseudo-gravures de Kila Ntari (République Populaire du Congo). Notes Africaines. [S.I.], , p Lanfranchi, R. (1981) - La Préhistoire du Congo. Revista Africa Zamani. Camarões.14-15, p Lanfranchi, R. (1985) - Note sur les abris ornés de la region de Bouansa. Nice: Actes du Colloque Enseignement du Français, p Leakey, L.S.B. (1949) Tentative study of Pleistocene climatic changes and Stone-age culture sequence in Nort-eastern Angola. In Subsídios para a História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Leakey, L. S. B. (1967) - Olduvai Gorge Cambridge: Cambridge University Press. Leakey, M. D. (1971) - Olduvai Gorge, Excavation in beds I &II, Cambridge: Cambridge University Press. Leakey, M. D. (1984) - Disclosing the Past. London: Weidenfel and Nicolson.
225 Arte Rupestre de Angola 225 Les Recherches Archéologiques dans les états d`afrique au sud du Sahara et a Madagascar balanço do Centre de Recherches Archéologiques du C.N.R.S. [S.I.: s.n], Lewis-Williams, J.D. (1981) - Believing and Seeing, symbolic meanings in Souther San Rock Paintings. London: Academic Press. Lothe, H. (1957) - Peintures préhistoriques du Sahara: mission H. Lothe au Tassili. Paris: Musée des Arts Décoratifs. Lowe, V.R. (1948) - Pinturas Rupestres e a cultura do Zimbabué. In Boletim da Sociedade de Estudos de Moçambique. Lourenço Marques: Sociedades de Estudos de Moçambique , p Lowe, V.R. (1951) - L`age et l`origine des peintures rupestres d`afrique du Sud. [S.I.:s.n.], Malan, B.D. (1952) - The Final Phase of the Middle Stone Age in South Africa. Oxford: Basil Blackwell. Martins, J. V. (1981) - Pedras furadas do Nordeste de Angola. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Martins, J. V. (1993) - Crenças, adivinhação e medicina tradicionais dos Tutchokwe a Nordeste de Angola. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical.
226 Arte Rupestre de Angola 226 Meijer, G. e Birmingham, D. (2004) - Angola from past to present. In Accord. Vol.15. London: Conciliation Resources. Medeiros, C.L. (1981) - Vakwandu, History and Systems of production of Herero People of Southwest Angola. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Mendonça, F.(1943) - Contribuição para o conhecimento da flora de Angola. Lisboa: Bertrand. Milheiros, M. (1967) - Notas de Etnografia Angolana, 2ª Edição. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola. Mouta, F. (1934) - Contribuição para o estudo da Pré-história angolense. Lisboa: Direcção Geral das Minas e serviços Geológicos. Mouta, F. (1952) - Sobre o Paleolítico do distrito de Malange. Actes du II e Congres Panafrican de Prehistoire II e session.alger : [s.n.], Mouta, F. (1953) - Possibilidade de existência de Pré-Hominídeos no Sul de Angola (Leba/Humpata). Lisboa: Instituto de Medicina Tropical. Nogueira, I. (1968) - Aditamentos à flora de Angola. Alcobaça: Tip. Alcobacense.
227 Arte Rupestre de Angola 227 Oliveira, C. R. (1970) Carta Étnica de Angola. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola. Oliveira, C. R. (1976) - Os tawaras do Vale do Zambeze. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Oliver, R., ed (1977), The Cambridge History of Africa. Vol.3. Cambridge: Cambridge University Press. Oslisly, R.(1993) - Rock Art in Gabon: Petroglyphs in the Ogooué River Valley. In Rock Art Research., Australian Rock Art Research Association (AURA) and Internacional Federation of Rock Art Organization (IFRAO). 10 :1, p Parreira, A. (1993) - Documento nº 5 da caixa nº 1, Angola, Manuscrito avulso depositado no Arquivo histórico Ultramarino. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Pirelli, M.(1964) - A fauna de Angola. In Boletim do Instituto de Angola. Lisboa. 20, p Phillipson, D.V. (1985) - African Archaeology. Cambridge: Cambridge University Press Ramos, M. (1970) - Algumas descobertas recentes no Sudoeste de Angola. Actas das I Jornadas arqueológicas de Lisboa. Lisboa: [s.n.], 1970.
228 Arte Rupestre de Angola 228 Ramos, M. (1979) - Gravuras Rupestres de Monte Negro. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Ramos, M. (1980) - Le Gisement Acheuleen de Capangombe St. Antonio (Angola), Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Ramos, M. (1980) - Nota acerca de um esferóide do tipo bola, encontrado na área do Hoque (Provícia do Lubango Angola). Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Ramos, M. (1982) - Le Paléolithique du Sud-Ouest de l`angola vue d`ensemble. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Redinha, J. (1948) - As gravuras do Alto Zambeze e a primeira tentativa da sua interpretação. In Subsídios para História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Redinha, J. (1953) Paredes Pintadas da Lunda. In Subsídios para História, Arqueologia e Etnografia dos Povos da Lunda. Lisboa: Diamang. Redinha, J. (1965) - Os Bena- Mai da Lunda. [S.I.]: Edição do fundo de Turismo e Publicidade, 1965.
229 Arte Rupestre de Angola 229 Redinha, J. (1968) - A caça, seus processos e mitos entre os povos angolanos. [S.I.]: Edição do CITA, Redinha, J. (1969) - Distribuição étnica da Província de Angola, 5ª edição. [S.I.]: Edição do Centro de Informação e Turismo de Angola, Rocha, M.C. (2006) - Arte da representação: as estátuas de Tshibinda Ilunga. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo , p Rudner, J. e Grattan-Belew, P. (1964) - Archaeological sites along Southern coast of South West Africa. [S.I.:s.n.], Sacco, M., ed. (2005) - Geografia Universal. Vol.1. [S.I.]: De Agostini editore, Santos, E. (1969) - Religiões de Angola, Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. Santos, E. (1995) - Angolana (Documentação sobre Angola). Vol. IV. Lisboa: Instituto de Investigação Científica e Tropical. Santos Júnior, J. R. (1974) - Arte Rupestre em Angola. Porto: Instituto de Antropologia Dr. Mendes Corrêa. Santos Júnior, J.R. (1974) - As gravuras rupestres do Tchitund- hulo. Barcelos: Companhia Editora do Mundo.
230 Arte Rupestre de Angola 230 Santos Júnior, J.R., Ervedosa, C. (1978), As pinturas rupestres da Galanga, Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar. Santos Silva, E. (1995), Jogos de Quadrícula do tipo Mancala com especial incidência nos praticados em Angola, Lisboa: Instituto de investigação Científica e Tropical. Serrano, C.(1993), Símbolos do poder nos provérbios e nas representações gráficas Mabaya Manzanga dos Bawoyo de Cabinda Angola, Revista de Arqueologia e Etnologia, 3: , S.Paulo. Sousa, L. A. (1971), Sobre a Mulher Lunda-Quioca (Angola), Lisboa: memórias da Junta de Investigações do Ultramar. The Journal of African History (1964), edited by R.A. Oliver e J.D: Fage, Vol. V, nº3, Cambridge University Press. The Contribution of C. Van Riet Lowe to prehistory in Southern Africa, edited by B.D. Malan and H.B.S. Cooke (1962). Tobias, P.V. (1967), Olduvai Gorge, The cranium of Australopithecus (Zinjanthropus) Bosei, Cambridge: Cambridge University Press.
231 Arte Rupestre de Angola 231 Van Neer, W., Lanfranchi, R. (1985), Étude de la faune decouverte dans l`abri Tshitolien de Ntadi Yomba (République Populaire du Congo) in L`Antropologie. Westphal, E.O.J. (1957), Notes about some rock paintings from Peka, Basutoland, Lisboa: Instituto Superior de Estudos Ultramarinos.
232 Arte Rupestre de Angola 232 Anexos
233 Arte Rupestre de Angola 233 Est. I Carta Hipsométrica de Angola (1940) Departamento de Ciências da Terra Universidade de Coimbra
234 Arte Rupestre de Angola 234 Est. II Esboço meteorológico de Angola Chuva Média Anual (1940) Departamento de Ciências da Terra Universidade de Coimbra
235 Arte Rupestre de Angola 235 Est.III Esboço meteorológico de Angola Temperatura Média Anual (1940) Departamento de Ciências da Terra Universidade de Coimbra
236 Arte Rupestre de Angola 236 Est.IV Carta Fitogeográfica de Angola Fonte:EuDASM (European Digital Archive of Soil Maps)
ÍNDICE. Prefácio. História. Divisão Política e Administrativa. Dados Gerais 13. População e Habitação. Educação. Economia
ÍNDICE Prefácio 2 História 5 Divisão Política e Administrativa 9 Dados Gerais 13 Clima 17 População e Habitação 21 Educação Saúde 33 Economia 27 41 Angola em Números 2015 Prefácio A ideia de publicar,
Prefácio. Camilo Ceita Director-geral do INE
ÍNDICE Prefácio 3 História 5 Divisão Política e Administrativa 11 Dados Gerais 15 Clima 19 Demografia 23 Educação 29 Condições Sociais 35 Saúde 39 Economia 47 Prefácio Esta publicação acresce-se ao leque
REPÚBLICA DE ANGOLA ASSEMBLEIA NACIONAL
REPÚBLICA DE ANGOLA ASSEMBLEIA NACIONAL SÍNTESE DO RELATÓRIO DE BALANÇO DA 5.ª SESSÃO LEGISLATIVA DA III LEGISLATURA (2016-2017) LUANDA, 15 DE AGOSTO DE 2017 INTRODUÇÃO A 5.ª Sessão Legislativa da Assembleia
PRODUTOS ESPECIALMENTE DESENVOLVIDOS PARA ASFALTOS E EMULSÕES EM TODO O MUNDO
PRODUTOS ESPECIALMENTE DESENVOLVIDOS PARA ASFALTOS E EMULSÕES EM TODO O MUNDO Produzido na Alemanha... fazemos melhores estradas C uchi i TECNOLOGIA INOVATIVA ALEMÃ PARA ADITIVOS Lândana Cabinda POR TODO
SETOR FINANCEIRO. Portugal Espanha Angola Moçambique Brasil PARTICIPAÇÕES RELEVANTES EM IMPORTANTES INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
SETOR FINANCEIRO 2013 SETOR FINANCEIRO PARTICIPAÇÕES RELEVANTES EM IMPORTANTES INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O Grupo Américo Amorim detém relevantes participações em instituições financeiras domiciliadas na
SETOR FINANCEIRO. Portugal Espanha Angola Moçambique Brasil. Setor Financeiro 1
SETOR FINANCEIRO Diversificação e internacionalização dos ativos financeiros do Grupo Américo Amorim, com especial enfoque nos países de língua oficial portuguesa. O Grupo Américo Amorim detém participações
RECURSOS HÍDRICOS EM ANGOLA. Por: Manuel Quintino Director Nacional de Recursos Hídricos Luanda, 07 de Fevereiro de 2011
RECURSOS HÍDRICOS EM ANGOLA Por: Manuel Quintino Director Nacional de Recursos Hídricos Luanda, 07 de Fevereiro de 2011 Área, Precipitação Média Annual, Evaporação Potencial e Escoamento Médio Anual Área
NOVO MAPA NO BRASIL?
NOVO MAPA NO BRASIL? Como pode acontecer A reconfiguração do mapa do Brasil com os novos Estados e Territórios só será possível após a aprovação em plebiscitos, pelos poderes constituídos dos respectivos
REPÚBLICA DE ANGOLA ASSEMBLEIA NACIONAL
REPÚBLICA DE ANGOLA ASSEMBLEIA NACIONAL RELATÓRIO DE BALANÇO DA 5.ª SESSÃO LEGISLATIVA DA III LEGISLATURA (2016-2017) LUANDA, 15 DE AGOSTO DE 2017 INTRODUÇÃO A 5.ª Sessão Legislativa da Assembleia Nacional
Conheça as candidatas ao título de "Sete Maravilhas de Angola"
Conheça as candidatas ao título de "Sete Maravilhas de Angola" por Por Dentro da África - terça-feira, outubro 22, 2013 http://www.pordentrodaafrica.com/cultura/conheca-as-candidatas-ao-titulo-de-sete-maravilhas-de-angola
RESULTADOS PRELIMINARES
RESULTADOS PRELIMINARES RECENSEAMENTO GERAL DA POPULAÇÃO E HABITAÇÃO - 2014 Resultados Preliminares do Censo 2014 1 FICHA TÉCNICA Director Geral Camilo Ceita Editor Instituto Nacional de Estatística Subcomissão
Public Disclosure Authorized E1041. Public Disclosure Authorized. Public Disclosure Authorized. Public Disclosure Authorized CONSULTOR :
E1041 Public Disclosure Authorized Public Disclosure Authorized Public Disclosure Authorized ANGOLA HAMSET PROJECT Pllano Esttrrattégiico de Gesttão de Resííduos hospiittallarres em Angolla DRAFT 2 Public
Abrange os estados: AM, PA, AP, AC, RR, RO, MT, TO, MA. Planícies e baixos planaltos. Bacia hidrográfica do Rio Amazonas
MÓDULO 04 PARTE II LOCALIZAÇÃO RELEVO PREDOMINANTE Abrange os estados: AM, PA, AP, AC, RR, RO, MT, TO, MA Planícies e baixos planaltos HIDROGRAFIA SOLO CLIMA VEGETAÇÃO Bacia hidrográfica do Rio Amazonas
potência instalada de 60 MW.
ELECTRICIDADE ANEXO CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO E TRANSPORTE SISTEMA NORTE Principais características A. Hidroeléctricos A. H. de Capanda O empreendimento dispõe de uma potência instalada de
1. INTRODUÇÃO... 4 2. CARATERIZAÇÃO GERAL DO PAÍS... 5
Market Research & Intelligence - Angola 1. INTRODUÇÃO... 4 2. CARATERIZAÇÃO GERAL DO PAÍS... 5 2.1 CONTEXTO HISTÓRICO... 5 2.2 GEOGRAFIA... 6 2.3 PONTOS DE INTERESSE... 7 2.4 TRANSPORTE... 7 2.5 DEMOGRAFIA...
Informação útil sobre Angola
adso Comunicação Informação útil sobre Angola Este documento e o seu conteúdo são da responsabilidade do autor. A ADSO disponibiliza-o como suporte de informação às potencialidades do mercado angolano.
Oferecimento Fábrica de Camisas Grande Negão
Oferecimento Fábrica de Camisas Grande Negão PROFº CLAUDIO F GALDINO CONTINENTE AFRICANO A África é um continente! Ela, assim como os demais continentes, é resultado da separação da PANGEA, devido aos
Biomas / Ecossistemas brasileiros
GEOGRAFIA Biomas / Ecossistemas brasileiros PROF. ROGÉRIO LUIZ 3ºEM O que são biomas? Um bioma é um conjunto de tipos de vegetação que abrange grandes áreas contínuas, em escala regional, com flora e fauna
SITUAÇÃO E PERSPECTIVAS DO INSTITUTO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS
SITUAÇÃO E PERSPECTIVAS DO INSTITUTO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS Por: Manuel Quintino Director-Geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos 3º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas
INTRODUÇÃO Angola é conhecida no mundo como um dos países de maiores potencialidades económicas da África, com recursos naturais agrícolas e minerais
RELATÓRIO FINAL M5 INTRODUÇÃO Angola é conhecida no mundo como um dos países de maiores potencialidades económicas da África, com recursos naturais agrícolas e minerais que se estendem por todo o seu território
Escola EB, 2,3, DE Aranguez Ano lectivo de 2009/2010. Disciplina de Geografia 7ºano
Escola EB, 2,3, DE Aranguez Ano lectivo de 2009/2010 Disciplina de Geografia 7ºano Portugal Continental localiza-se no extremo Sudoeste da Europa, a Oeste do continente Asiático a Norte do continente
REPÚBLICA DE ANGOLA MINISTÉRIO DA ENERGIA E ÁGUAS
REPÚBLICA DE ANGOLA MINISTÉRIO DA ENERGIA E ÁGUAS SUB-SECTORES DA ENERGIA E ÁGUAS Engº José Alves Salgueiro 1. Sub-sector Eléctrico 1.1. Caracterização Programa de Transformação do Sector Eléctrico (PTSE)
República de Angola Ministério da Juventude de Desportos Instituto Angolano da Juventude
República de Angola Ministério da Juventude de Desportos Instituto Angolano da Juventude CONTEÚDOS 1.Sumário do Projecto 3 2. Parceiros & Entidades Implementadoras 3 2.1 Titular do Projecto 3 2.2 Parceiros
GEOGRAFIA - 2 o ANO MÓDULO 64 OCEANIA
GEOGRAFIA - 2 o ANO MÓDULO 64 OCEANIA Como pode cair no enem (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre a Austrália. I) A Austrália não recebe fluxos migratórios significativos, apesar de ser considerado
ESTUDO ANGOLA ENQUADRAMENTO SÓCIO-ECONÓMICO, PERSPECTIVAS DO PAÍS E POTENCIALIDADES DE PARCERIA PORTUGAL/ANGOLA
ESTUDO ANGOLA ENQUADRAMENTO SÓCIO-ECONÓMICO, PERSPECTIVAS DO PAÍS E POTENCIALIDADES DE PARCERIA PORTUGAL/ANGOLA EDIÇÃO E PROPRIEDADE ANEME Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Electromecânicas
ANGOLA, PASSOS RECENTES DO SECTOR DAS ÁGUAS
Título da sessão ANGOLA, PASSOS RECENTES DO SECTOR DAS ÁGUAS Pontes e Parcerias nos Países de Língua Portuguesa Local, 27 de Junho de 2016 Lucrécio Costa, Director Nacional de Águas do Ministério de Energia
Ásia de Monções: Quadro Natural (módulo 06 Livro 01 Frente 03 página 219)
Ásia de Monções: Quadro Natural (módulo 06 Livro 01 Frente 03 página 219) Corresponde á Ásia de Monções: China, Índia, Indonésia, Malásia, Nepal entre outros países do sudeste asiático. ÁSIA ASPECTOS CLIMÁTICOS
ÁFRICA Aspectos Naturais
GEOGRAFIA/Frente C SÉRIE: 8º ÁFRICA Aspectos Naturais Professor: Hércules Nunes ÁFRICA DIVISÃO POLÍTICA Divisão Regional Domínios Naturais Vegetação e Clima África Mediterrânea Ao norte do território africano
FÓRUM DE INVESTIMENTOS INVESTE HUAMBO Huambo, 28 de Setembro 2018
FÓRUM DE INVESTIMENTOS INVESTE HUAMBO 2018 Huambo, 28 de Setembro 2018 A MISSÃO DA AIPEX Missão Implementar políticas governamentais para atrair Investimentos Privados nacionais e estrangeiros e promover
UNIDADE 5 AMÉRICA DO NORTE. Os Estados Unidos Tema 1
UNIDADE 5 AMÉRICA DO NORTE Os Estados Unidos Tema 1 ORIGEM (resumo): Formação territorial no século XVI; Independência 04/07/1776; Colônias de povoamento as treze colônias costa leste do país e se expandiu
DOTAÇÃO ORÇAMENTAL POR ORGÃO
87 Órgão Assembleia Nacional DESPESAS POR NATUREZA ECONÓMICA 31.009.902.021,00 100,00 Civil Para A Segurança Social Bens Serviços Transferências Correntes DESPESAS POR FUNÇÃO 31.009.902.021,00 100,00 18.510.643.354,00
DOTAÇÃO ORÇAMENTAL POR ORGÃO
Página : 1 Órgão: Civil Para A Segurança Social Bens Serviços Transferências Correntes Aquisição De Bens De Capital Fixo Compra De Activos Intangíveis Natureza Serviços Públicos Gerais Órgãos Legislativos
ANEXOS ELECTRICIDADE ÁGUAS ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO - ENERGIA E ÁGUAS
ANEXOS ELECTRICIDADE ANEXO 1 - CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO E TRANSPORTE ANEXO 2 - CENTRAIS TÉRMICAS DE ANGOLA - Plano de Emergência e de Substituição da Capacidade Alugada ANEXO 3 - NOVAS CENTRALIDADES
Clique para editar o estilo
BACIAS HIDROGRÁFICAS DA REPÚBLICA DE ANGOLA Manuel Quintino Director-Geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos Luanda, 24 a 27 de Setembro de 2013 CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE ENERGIA E ÁGUAS
Instituto Nossa Senhora das Dores. Aluno: Turma:81 Professor Jose Apolinário Fixação de Geografia-Simulado Assinatura do responsável:
Nota: Valor: Instituto Nossa Senhora das Dores. Aluno: Turma:81 Professor Jose Apolinário Fixação de Geografia-Simulado Data: / /. Assinatura do responsável: A África no contexto mundial - Exercícios de
ATIVIDADE Nº 23 SITE PADOGEO.COM/8ºANOS EXERCÍCIOS 2 - CONTINENTE AFRICANO - POPULAÇÃO. A sua pontuação é 100%. Resposta Correta Verificar
ATIVIDADE º 23 SITE PADOGEO.COM/8ºAOS EXERCÍCIOS 2 - COTIETE AFRICAO - POPULAÇÃO Resposta Correta Analise as frases se Verdadeiras ou Falsas a partir do texto "E a população africana? Como está distribuída?"
GEOGRAFIA REVISÃO 1 REVISÃO 2. Aula 25.1 REVISÃO E AVALIAÇÃO DA UNIDADE IV
Aula 25.1 REVISÃO E AVALIAÇÃO DA UNIDADE IV Complexos Regionais Amazônia: Baixa densidade demográfica e grande cobertura vegetal. 2 3 Complexos Regionais Nordeste: Mais baixos níveis de desenvolvimento
É a superfície coberta por água o que corresponde a 70% da mesma; Encontrada em: - Oceanos; - Mares; - Águas continentais (rios, lagos e geleiras);
É a superfície coberta por água o que corresponde a 70% da mesma; Encontrada em: - Oceanos; - Mares; - Águas continentais (rios, lagos e geleiras); - 97,5% é água salgada - 2,5% apenas é água doce Distribuição:
A Bacia do rio Okavango cobre uma superfície hidrologicamente activa com cerca de 323 192 km2, compartilhada por três países da África Austral:
A Bacia do rio Okavango cobre uma superfície hidrologicamente activa com cerca de 323 192 km2, compartilhada por três países da África Austral: Angola, Namíbia e Botswana. O seu caudal principal resulta
Recentes - Angola
Menongue PT&q=menongue Kuando Kubango Centro de exploração de plantas medicinais cura 50 doentes mentais http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/saude/kuando- Kubango-Centro-exploracao-plantas-medicinais-cura-doentesmentais,a08584d4-d26f-4bd4-bb68-1371c3f478ac.html
PROFª. MÔNICA GUIMARÃES GEOGRAFIA - 8º ANO
PROFª. MÔNICA GUIMARÃES GEOGRAFIA - 8º ANO CARACTERÍSTICAS NATURAIS E CULTURAIS CARACTERÍSTICAS NATURAIS DO CONTINENTE AFRICANO A ÁFRICA APRESENTA ASPECTOS FÍSICOS DIVERSOS: RIOS CAUDALOSOS; EXTENSOS
DOTAÇÃO ORÇAMENTAL POR ORGÃO
Página : 110 Órgão: Natureza Civil Para A Segurança Social Bens Serviços Transferências Correntes DESPESAS POR FUNÇÃO Serviços Públicos Gerais Órgãos Legislativos Órgãos Executivos 30.351.711.003,00 22.123.591.331,00
DOTAÇÃO ORÇAMENTAL POR ORGÃO
Página : 76 Órgão: 311 - Despesas Com O Pessoal Civil 321 - Contribuições Do Empregador Para A Segurança Social 331 - Bens 332 - Serviços 352 - Transferencias Correntes 411 - Aquisição De Bens De Capital
REVISÃO DE GEOGRAFIA 15/07/2017
REVISÃO DE GEOGRAFIA 15/07/2017 O Brasil apresenta predomínio de climas quentes devido à sua localização no planeta, com grande porção de terras na zona intertropical. A diversidade climática do país é
PLANO DE ACÇÃO DO SECTOR DE ENERGIA E ÁGUAS
PLANO DE ACÇÃO DO SECTOR DE ENERGIA E ÁGUAS 2018-2022 i Resumo Executivo O Sector da Energia e Águas assume-se como uma peça fundamental da estratégia do Governo para o desenvolvimento económico e social
Desertos, montanhas, estreitos, canais e mares
Desertos, montanhas, estreitos, canais e mares Regiões desérticas: Ø Saara/Calaari/Australiano/Atacama/Patagônia/Califórnia Ø Os desertos tem como causa: o A saída dos ventos alísios pois estão localizados
Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) 2014
Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) 2014 Resultados Preliminares 16 de Outubro 2014 Estrutura da apresentação 1 2 Contexto Enquadramento metodológico a b Conceitos chave Processo de apuramento
História e Geografia Aula 02
História e Geografia Aula 02 De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais PLURALIDADE CULTURAL NA FORMAÇÃO DO BRASIL Este conteúdo trata de como se constituiu, por sua permanente reelaboração,
ANGOLA E A SUA MODERNIZAÇÃO AEROPORTUÁRIA
ANGOLA E A SUA MODERNIZAÇÃO AEROPORTUÁRIA 4ª Conferência de Aeroportos da China e dos Países de Língua Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea E.P. 1 ANGOLA UM PAÍS EM FRANCO DESENVOLVIMENTO
GUERRA E PAZ PORTUGAL /ANGOLA
W. S. VAN DER WAALS GUERRA E PAZ PORTUGAL /ANGOLA 1961-1974 Tradução de Helena Maria Briosa e Mota com colaboração de Ricardo de Saavedra Tábua de Conteúdos Abreviaturas....................................
... 241. A educação bilingue em Angola e o lugar das línguas nacionais Mateus Chicumba NOTA INTRODUTÓRIA
NOTA INTRODUTÓRIA A educação bilingue em Angola e o lugar das línguas nacionais Mateus Chicumba O presente trabalho tem como proposta para a discussão o tema sobre A Educação Bilingue em Angola e o Lugar
A PENÍNSULA IBÉRICA NA EUROPA E NO MUNDO
A PENÍNSULA IBÉRICA NA EUROPA E NO MUNDO Limites da Península Ibérica Como qualquer península, a Península Ibérica está rodeada por mar com exceção de um lado chamado istmo. Tem como limites naturais:
A profundidade do oceano é de 3794 m (em média), mais de cinco vezes a altura média dos continentes.
Hidrosfera Compreende todos os rios, lagos,lagoas e mares e todas as águas subterrâneas, bem como as águas marinhas e salobras, águas glaciais e lençóis de gelo, vapor de água, as quais correspondem a
ATIVIDADE DE RECUPERAÇÃO
Escola Estadual Virgínio Perillo Avenida José Bernardes Maciel, 471 Marília, Lagoa da Prata-MG Fone: (37) 3261-3222 / E-mail: [email protected] ATIVIDADE DE RECUPERAÇÃO DISCIPLINA GEOGRAFIA
Ásia Capítulo 14. Ásia
Grande diversidade de paisagens, povos e culturas Área desértica: pessoas concentradas ao longo dos rios Tigre e Eufrates (Mesopotâmia) e Jordão (limite entre Israel e Jordânia). Essa região foi conhecida
REPÚBLICA DE ANGOLA Governo Provincial da Huíla. INVEST HUÍLA 2015 Fórum de Negócios e Oportunidades de Investimento OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO
REPÚBLICA DE ANGOLA Governo Provincial da Huíla INVEST HUÍLA 2015 Fórum de Negócios e s de Investimento OPORTUNIDADES SECTOR TURISMO ÍNDICE IH.TU001 IH.TU002 IH.TU003 IH.TU004 IH.TU005 IH.TU006 IH.TU007
GEOGRAFIA 9 ANO ENSINO FUNDAMENTAL PROF.ª ANDREZA XAVIER PROF. WALACE VINENTE
GEOGRAFIA 9 ANO ENSINO FUNDAMENTAL PROF.ª ANDREZA XAVIER PROF. WALACE VINENTE CONTEÚDOS E HABILIDADES Unidade I Tempo, espaço, fontes históricas e representações cartográficas. 2 CONTEÚDOS E HABILIDADES
Domínios Florestais do Mundo e do Brasil
Domínios Florestais do Mundo e do Brasil Formações Florestais: Coníferas, Florestas Temperadas, Florestas Equatoriais e Florestas Tropicais. Formações Herbáceas e Arbustivas: Tundra, Pradarias Savanas,
GUIA DE NEGÓCIOS EM ANGOLA
GUIA DE NEGÓCIOS EM ANGOLA FICHA TÉCNICA: Título Guia de Negócios em Angola Autor Gabinete de Advogados António Vilar e Associados António Vilar (Org.) Rua de Ceuta, 118-2º 4050-190 Porto Tel.: 00 351
Os Serviços de Água em Angola
Os Serviços de Água em Angola Pontes e Parcerias nos Países de Língua Portuguesa Esposende, 27 de Junho de 2017 Fátima Martins Secretária Geral do Ministério da Energia e Águas Agenda 1. Introdução 2.
DESENVOLVIMENTO LOCAL E AUTARQUIAS Menongue, Cuando Cubango
DESENVOLVIMENTO LOCAL E AUTARQUIAS Menongue, Cuando Cubango Por: Belarmino Jelembi, 25.02.2016 1. Quando falamos em desenvolvimento, o que é que nos ocorre? Sentimos que estamos no caminho certo? 2. Qual
TERCEIRÃO GEOGRAFIA FRENTE 4A AULA 11. Profº André Tomasini
TERCEIRÃO GEOGRAFIA FRENTE 4A AULA 11 Profº André Tomasini ÁGUAS CONTINENTAIS Os oceanos e mares cobrem 2/3 da superfície do planeta. Águas Oceânicas : Abrange oceanos e mares. Águas Continentais: Rios,
SÍNTESE DO PROGRAMA DE INVESTIMENTOS PÚBLICOS DO MINISTÉRIO DA ENERGIA E ÁGUAS
SÍNTESE DO PROGRAMA DE INVESTIMENTOS PÚBLICOS DO MINISTÉRIO DA ENERGIA E ÁGUAS LUANDA, 18 DE NOVEMBRO 2011 1. Avaliação da execução global do programa Breve descrição das principais acções desenvolvidas
Localização. à Ásia na sua extremidade nordeste pelo. Seus pontos extremos distam: Norte-Sul: km, da ; Oeste-Leste: 7.
Localização Parte integrante do separada da Europa pelo, a África está e ligase à Ásia na sua extremidade nordeste pelo. Seus pontos extremos distam: Norte-Sul: 8.000 km, da ; Oeste-Leste: 7.400 km, no
Exercícios sobre Continente Americano - 8º ano - cap. 10
Exercícios sobre Continente Americano - 8º ano - cap. 10 Para realizar as atividades, consulte os Slides sobre Continente Americano (Ativ. nº 25 - Site padogeo.com) ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tempo & Clima. é o estado físico das condições. atmosféricas em um determinado momento e local, podendo variar durante o mesmo dia.
Climatologia É uma parte da que estuda o tempo e o clima cientificamente, utilizando principalmente técnicas estatísticas na obtenção de padrões. É uma ciência de grande importância para os seres humanos,
A GEOGRAFIA DA ÁFRICA
A GEOGRAFIA DA ÁFRICA A Geografia da ÁFRICA África: Aspectos Gerais Estreito de Gibraltar A África é o terceiro maior continente do mundo. É um continente triangular, com litoral retilíneo, banhado pelos
O CONTINENTE AMERICANO
O CONTINENTE AMERICANO Possuindo uma área de 42.560.270 Km2 o continente americano é o segundo maior continente da Terra ocupando 28 % das terras emersas, ficando atrás apenas do continente asiático. Mapa-múndi
1 - Introdução. o meio geográfico e sua influência no continente africano. Felippe Jorge Kopanakis Pacheco
1 - Introdução o meio geográfico e sua influência no continente africano Felippe Jorge Kopanakis Pacheco SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros PACHECO, FJK. Introdução: o meio geográfico e sua influência
GEOLOGIA GERAL E TIPOS DE VEGETAÇÕES MUNDIAIS. Prof ª Gustavo Silva de Souza
GEOLOGIA GERAL E TIPOS DE VEGETAÇÕES MUNDIAIS Prof ª Gustavo Silva de Souza O que é a Geologia? A palavra geologia vem do grego e significa: ESTUDO DA TERRA. Geólogo é como chamamos quem estuda a geologia.
Domínios Florestais do Mundo e do Brasil
Domínios Florestais do Mundo e do Brasil Formações Florestais: Coníferas, Florestas Temperadas, Florestas Equatoriais e Florestas Tropicais. Formações Herbáceas e Arbustivas: Tundra, Pradarias Savanas,
Clima, rios e vegetação da península Ibérica. História e Geografia de Portugal 5.º ano
Clima, rios e vegetação da península Ibérica Quais são as zonas climáticas que definem as diferentes regiões da Terra? O planeta Terra apresenta três grandes zonas climáticas: as zonas frias, mais próximas
Região Sudeste. Aspectos naturais humanos e econômicos.
Região Sudeste Aspectos naturais humanos e econômicos. Quadro natural: Relevo Do litoral para o interior, sucedem-se: planície costeira, com grandes baixadas, costas altas, praias, dunas, restingas, lagoas
GEOGRAFIA DO RIO GRANDE DO SUL
GEOGRAFIA DO RIO GRANDE DO SUL 1. Posição e situação geográfica. O Rio Grande do Sul é o estado mais meridional do Brasil, localiza-se no extremo sul do país. Tem um território de 282.062 km 2, ou seja,
ANGOLA CLUSTER DA ÁGUA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS
ANGOLA CLUSTER DA ÁGUA U M A E S T R AT É G I A C O L E T I VA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS ANGOLA CLUSTER DA ÁGUA U M A E S T R AT É G I A C O L E T I VA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FICHA TÉCNICA Título Cluster
ADPP ANGOLA AJUDA DE DESENVOLVIMENTO DE POVO PARA POVO
ADPP ANGOLA AJUDA DE DESENVOLVIMENTO DE POVO PARA POVO RELATÓRIO ANUAL 2016 CONTEÚDO EDUCAÇÃO SAÚDE COMUNITÁRIA 6-29 30-37 Formação de Professores 7 Agentes Comunitários de Saúde 31 -Empoderamento de Mulheres
Colégio Santa Dorotéia
Colégio Santa Dorotéia Área de Ciências Humanas Disciplina: Geografia Série: 8 a - Ensino Fundamental Professora: Joyce de Lima Atividades para Estudos Autônomos Data: 03 / 10 / 2016 Aluno(a): N o : Turma:
é a herança para os nossos filhos e netos com a sua atmosfera rica em oxigénio, permite-nos respirar com a camada de ozono, protege-nos das radiações
é a herança para os nossos filhos e netos com a sua atmosfera rica em oxigénio, permite-nos respirar com a camada de ozono, protege-nos das radiações ultravioletas com a água evita a desidratação com as
Expansão Banta. Origem Culturas Tradições UNILAB. Manual Prático
Expansão Banta Origem Culturas Tradições UNILAB Manual Prático povo Bantu Os Povos Bantos são originários da África meridional, mais precisamente da Nigéria, da região do médio Bénoué e do Chade, todos
Recursos hídricos. Especificidade do clima português
Recursos hídricos Especificidade do clima português Recurso insubstituível e suporte de Vida A água é fundamental para os sistemas naturais, para a vida humana e para as atividades económicas. O Tejo,
GEOGRAFIA ETAPA. Questão 31. Questão 33. Questão 32. Questão 34. alternativa D. alternativa A. alternativa C
GEOGRAFIA Questão 31 Esta região, com uma população superior a 500 milhões de habitantes, tem a maior taxa de crescimento demográfico e a menor expectativa de vida do mundo. Dos 50 países mais pobres do
LEI DE INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FISCAIS AO INVESTIMENTO PRIVADO Lei nº 17 / 03 de 25 de Julho
LEI DE INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FISCAIS AO INVESTIMENTO PRIVADO Lei nº 17 / 03 de 25 de Julho a) Critérios de Aplicação sector de actividade zonas de desenvolvimento zonas económicas especiais b) Objectivos
ESTRUTURAS E FORMAS DE RELEVO
O relevo terrestre pode ser definido como as formas da superfície do planeta. O relevo se origina e se transforma sob a interferência de dois tipos de agentes: os agentes internos e externos. endógenos:
Atividades. As respostas devem estar relacionadas com o material da aula ou da disciplina e apresentar palavras
Atividades As respostas devem estar relacionadas com o material da aula ou da disciplina e apresentar palavras chaves importantes. Aula 11 4.1. Solos da Amazônia A região da Amazônia, em sua maior parte,
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP -
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP - Área de Preservação Permanente - APP (definição do Código Florestal-Lei 4771/65) Área protegida nos termos dos arts. 2º e 3º desta Lei, COBERTA OU NÃO POR VEGETAÇÃO
REPÚBLICA DE ANGOLA ASSEMBLEIA NACIONAL PROGRAMA DE DIVULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA NOS MUNICÍPIOS DA PROVÍNCIA DE LUANDA
REPÚBLICA DE ANGOLA PROGRAMA DE DIVULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA NOS MUNICÍPIOS DA PROVÍNCIA DE LUANDA N.º DATA DELEGAÇÃO MUNICIPIO ACTIVIDADE 1 FRANCISCO DE CASTRO MARIA- RUTH ADRIANO
Tocantins. A Formação e Evolução do Estado
Tocantins A Formação e Evolução do Estado A Formação Política Os movimentos pela independência do território tocantinense, frente a sua estrutura política vinculada ao Estado de Goiás remonta o período
PLANO ESTRATÉGICO NACIONAL DE DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS
REPÚBLICA DE ANGOLA MINISTÉRIO DA SAÚDE DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA Departamento de Controlo de Doenças Secção Nacional de Controlo das Doenças Tropicais Negligenciadas PLANO ESTRATÉGICO NACIONAL
Tipos de Chuvas. Chuvas Orográficas: é quando as massas de ar são barradas pela ocorrência do relevo(planaltos ou montanhas).
CLIMAS DO MUNDO ;;. V jlóyufrdcdf Latitude Tipos de Chuvas Chuvas Orográficas: é quando as massas de ar são barradas pela ocorrência do relevo(planaltos ou montanhas). Chuvas Frontais: é resultado do encontro
AULÃO UDESC 2013 GEOGRAFIA DE SANTA CATARINA PROF. ANDRÉ TOMASINI Aula: Aspectos físicos.
AULÃO UDESC 2013 GEOGRAFIA DE SANTA CATARINA PROF. ANDRÉ TOMASINI Aula: Aspectos físicos. Relevo de Santa Catarina Clima de Santa Catarina Fatores de influência do Clima Latitude; Altitude; Continentalidade
Fatores climáticos altitude. Inversão de proporcionalidade em relação à temperatura
Clima Fatores climáticos altitude Inversão de proporcionalidade em relação à temperatura Maior altitude menor temperatura 23 0 C 30 0 C Altitude Brasil Relevo de pequena variação altimétrica Pequena influência
INAMET INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA E GEOFÍSICA
ACTUALIZAÇÃO DA PREVISÃO SAZONAL PARA A ÉPOCA 2013/2014 REFERENTE AO PERÍODO DE JANEIRO-FEVEREIRO-MARÇO DE 2014 JANEIRO, 2014 LUANDA-ANGOLA 1 1. INTRODUÇÃO Os peritos da área do clima dos países da Comunidade
Centro Educacional Colúmbia 2000
Discente: Centro Educacional Colúmbia 2000 1º Tri/2016 Docente: Data: / / Ens. Médio Dependência Turma:1 ano Disciplina: Geografia Nº Dependência Trimestral de disciplina Apostila de dependência do primeiro
REGIÃO NORDESTE 3 BIMESTRE PROFA. GABRIELA COUTO
REGIÃO NORDESTE 3 BIMESTRE PROFA. GABRIELA COUTO ASPECTOS FÍSICOS Dentre todos os aspectos físicos presentes na região Nordeste, os que mais se destacam por suas peculiaridades são o clima e a vegetação.
ANTÓNIO MANUEL TEIXEIRA
CURRICULUM VITAE A IDENTIFICAÇÃO 1. Nome: ANTÓNIO MANUEL TEIXEIRA. 2. Local e data de nascimento: Longonjo, 16 de Junho de 1961. 3. Filiação: Manuel Maximino Teixeira e Helena da Silva. 4. Estado civil:
