DIREITO PROCESSUAL PENAL
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- Júlio Salvado
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1 DIREITO PROCESSUAL PENAL Nulidades Prof. Gisela Esposel
2 - Princípio do prejuízo: - Artigo 563 do CPP nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa pas de nullité sans grief - Assim, a desobediência às formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir a invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida pelo vício - Portanto, não se decreta a nulidade relativa e não se declara a nulidade absoluta sem que haja resultado prejuízo para qualquer das partes
3 - Exemplo: - acusado com endereço certo é citado por edital, a hipótese é de nulidade absoluta por defeito da citação. Não obstante, mesmo que equivocadamente citado, o acusado constituir advogado e apresentar sua resposta á acusação nos termos do artigo 396 A do CPP, a nulidade não será reconhecida, dada a ausência de prejuízo - Assim, seja o prejuízo evidente ou não, ele deve existir para que a nulidade seja decretada e sendo evidenciada a inexistência do prejuízo não se cogita de nulidade, mesmo se tratando de nulidade absoluta
4 - O reconhecimento e a declaração de nulidade de ato processual, será aferida a sua capacidade para a produção de prejuízos aos interesses das partes - Artigo 570 do CPP a falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação estará sanada, desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se, embora declare que o faz para o único fim de arguí-la. O juiz ordenará, todavia, a suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte
5 - As nulidades funcionam como a consequência jurídica resultante da violação da forma prescrita na lei para a realização de determinado ato processual - Todos os atos processuais previstos na lei possuem uma finalidade específica, existem em razão de um fim - Fala-se em instrumentalidade das formas para realçar exatamente a função que se lhe atribui a legislação (função de meio, de instrumento e não de fim) - Por isso, se do ato nulo não tiver decorrido qualquer prejuízo para a atuação das partes, não haverá razão alguma para o reconhecimento e declaração da nulidade
6 - No mesmo pensamento, não se reconhecerá a nulidade de ato praticado de outra forma, não prevista em lei, quando tiver ele alcançado o seu fim, sem prejuízo dos litigantes - Artigo 572 as nulidades previstas no artigo 564, III, d e e, segunda parte, g e h, e IV, considerar-se-ão sanadas: - Inciso II se, praticado por outra forma, o ato tiver atingido seu fim
7 - Princípio do interesse: - Artigo 565 do CPP nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente à formalidade cuja observância só a parte contrária interesse - Não se admite a propositura de qualquer ação penal sem que haja o interesse de agir, consubstanciado na necessidade e adequação da tutela jurisdicional - O processo é uma atividade estatal dinâmica voltado à obtenção de resultados práticos
8 - Em matéria de nulidades, a decretação da invalidade do ato também deve estar sujeita a uma apreciação sobre as vantagens que a providência possa representar para quem invoca tal irregularidade - Atenção: a posição do Ministério Público, é do ponto de vista do direito material sui generis, zelando sempre pela correta aplicação da lei. Por isso, admite-se também ao MP a legitimidade para arguir a nulidade de ato cujo proveito seja unicamente da defesa
9 - Já o contrário não será possível. A defesa, cujo interesse é exclusivamente voltado para a não condenação, não poderá alegar qualquer nulidade cuja consequência venha a beneficiar unicamente a acusação
10 - Princípio da convalidação: - A técnica processual deve ser colocada a serviço dos objetivos maiores do processo, cuja finalidade é solucionar o conflito de direito material - A grande preocupação do processualista moderno é a efetividade do processo, assim permite-se que a técnica processual seja flexibilizada, sem entraves inúteis ao atingimento do fim almejado - Mas sem indicar o sacrifício da defesa no processo penal, uma vez que forma é sinônimo de garantia para a defesa
11 - Ao mesmo tempo que prevê as hipóteses de aplicação da sanção de nulidade para os atos praticados irregularmente, o ordenamento também estabelece remédios pelos quais será possível aproveitar-se atividade processual atípica - Será possível que o ato viciado venha a produzir efeitos que dele eram esperados uma vez sanadas as irregularidades ou reparado o prejuízo - Em lugar da invalidação do ato, pode ocorrer a convalidação do ato praticado em desconformidade com o ordenamento jurídico
12 - Para tanto é fundamental que o ato, mesmo atípico, tenha atingido sua finalidade, que não tenha havido prejuízo para as partes e que o contraditório tenha sido preservado - Convalidar significa restabelecer a validade
13 - Princípio da causalidade: - Significa que a nulidade de um ato pode ocasionar a nulidade de outros que dele decorram - A lei se utiliza da expressão causará, pois a nulidade de um ato deve provocar a de outros, quando estes dele dependam diretamente ou sejam consequência natural do ato anulado - Artigo 573 parágrafo 1º do CPP a nulidade de um ato, uma vez declarada, causará a dos atos que dele diretamente dependam ou sejam consequência
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