Saúde na Região Norte
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- Lorena da Rocha de Mendonça
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1 Dezembro 2005
2 Administração Regional de Saúde do Norte Centro Regional de Saúde Pública do Norte Ministério da Saúde Saúde na Região Norte Medir para Mudar Centro Regional de Saúde Pública do Norte Dezembro 2005
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4 Saúde na Região Norte Medir para Mudar Autores Ana Maria Correia Delfina Antunes Elisabete Ramos José Rocha Nogueira Luís Castro Margarida Azevedo Maria Assunção Frutuoso Maria Neto Revisão Laurinda Queirós Capa Margarida Azevedo Edição Centro Regional de Saúde Pública do Norte Rua Anselmo Braamcamp, Porto Tel: Fax: Impressão e acabamento Papelmunde, SMG, Lda Depósito legal /06
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6 Agradecemos a possibilidade de aceder a dados não publicados dos sistemas de informação indicados no documento.
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8 Índice Índice de Figuras. xi Índice de Quadros. xix 1. Introdução 1 2. Material e Métodos População e Indicadores Demográficos Natalidade e Mortalidade Infantil Mortalidade e Morbilidade Geral Introdução Mortalidade e Morbilidade Geral.. 44 Causas Externas.. 46 Diabetes mellitus.. 49 Doenças do Aparelho Circulatório. 50 Doenças do Aparelho Respiratório 55 Doenças do Aparelho Digestivo. 56 Doença Crónica do Fígado e Cirrose 57 Total de Tumores Malignos Anos Potenciais de Vida Perdidos Mortalidade por Doenças Oncológicas. 63 Tumores do Aparelho Digestivo. 63 Tumores do Aparelho Respiratório 67 Tumores do Tecido Linfático e Órgãos Hematopoiéticos.. 68 Tumores da Mama mulheres.. 69 Tumores da Próstata 70 Tumores de Outras Localizações Anos Potenciais de Vida Perdidos por Doenças Oncológicas Doenças Infecciosas Introdução Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana Tuberculose Coberturas Vacinais - Programa Nacional de Vacinação Morbilidade Profissional Determinantes da Saúde Introdução Hábitos Tabágicos Consumo de Bebidas Alcoólicas 137 vii
9 8.4. Ingestão Alimentar Excesso de Peso e Obesidade Actividade Física/Tempos Livres Despesas Médias Anuais dos Agregados Familiares Drogas Ilícitas Considerações Finais Referências Bibliográficas viii
10 Lista de Siglas APVP - Anos potenciais de vida perdidos ARS-Norte - Administração Regional de Saúde do Norte BCG Bacilo de Calmette e Guerain CAE - Classificação Portuguesa de Actividades Económicas CID 10 - Classificação Internacional das Doenças - 10ª revisão CID 9 - Classificação Internacional das Doenças - 9ª revisão CNPDP - Centro Nacional de Protecção contra os Riscos Profissionais CRS - Complexos Relacionados com SIDA CRSPN - Centro Regional de Saúde Pública do Norte CVEDT - Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis DALYs - Anos de Vida Perdidos Ajustados para a Incapacidade DDO - Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória DGS - Direcção Geral da Saúde DOTS - Directly Observed Therapy Short-course DSIA - Direcção de Serviços de Informação e Análise DTP - Vacina da Difteria, Tétano, Pertussis Hab Habitantes Hib - Vacina do Haemophilus influenza IDI - Índice de Dependência de Idosos IDJ - Índice de Dependência de Jovens IDT - Instituto da Droga e da Toxicodependência IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde IMC - Índice de Massa Corporal INE - Instituto Nacional de Estatística INS - Inquérito Nacional de Saúde ISAE - Inquérito de Saúde dos Adolescentes na Escola NUT - Nomenclatura de Unidade Territorial OMS - Organização Mundial de Saúde PA - Portadores Assintomáticos PALOP - Países Africanos de Língua Portuguesa PNT - Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose PNV - Programa Nacional de Vacinação RN - região Norte (considera os 68 concelhos que integram a ARS-Norte) SIDA - Síndrome de Imunodeficiência Adquirida ix
11 SVIG-TB - Sistema de Informação Intrínseco do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose TB Tuberculose Td - Vacina do Tétano, Difteria TOD - Toma Observada Directamente VAP - Vacina Viva da Poliomielite VASPR - Vacina do Sarampo, Parotidite, Rubéola VHB Vacina da Hepatite B VIH - Vírus da Imunodeficiência Humana x
12 Índice de Figuras página Figura 1 - População residente nos 68 concelhos que integram a Região de Saúde 17 do Norte, resultados do censo de 1991 e do censo de 2001 Figura 2 - Pirâmide etária da população residente estimada para 2004 no Norte 18 Figura 3 - Distribuição da população residente estimada para o ano 2004 pelos 19 distritos que integram a Região de Saúde do Norte Figura 4 - Distribuição da população residente estimada para 2004 nos concelhos 19 que integram a Região de Saúde do Norte Figura 5 - Índice de envelhecimento (%), por concelhos, considerando apenas os 21 concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Figura 6 - Índice de dependência de jovens (%), por concelhos, considerando apenas 22 os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Figura 7 - Índice de dependência de idosos (%), por concelhos, considerando apenas 22 os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Figura 8 - Número de estrangeiros com estatuto legal de residente em Portugal, 23 segundo a nacionalidade Figura 9 - Número de solicitações de estatuto de residente em 2002, por NUTII-Norte 24 Figura 10 - Número de solicitações de estatuto de residente em 2002 no Norte, por 24 NUTs III Figura 11 - Taxa de variação percentual da população jovem, Portugal e 25 NUTS II Figura 12 - Taxa de variação percentual da população idosa, Portugal e 26 NUTSII Figura 13 - Índice de envelhecimento, Portugal e NUTSII, estimativas para o período Figura 14 - Evolução da taxa de natalidade (/1000 habitantes) entre 1999 e 2003, 29 total Nacional, região Norte e por distrito da região Norte Figura 15 - Evolução da proporção de nados vivos (%) entre 1997 e 2002, segundo a 31 idade da mãe em Portugal Figura 16 - Proporção (%) de nados vivos de gravidez na adolescência (idade<20 31 anos) e gravidez tardia (idade>39 anos) Figura 17 - Evolução da taxa de mortalidade infantil (/1000 nados vivos) entre 1999 e , Total Nacional e Região Norte Figura 18 - Evolução da taxa de mortalidade pós-neonatal (/1000 nados vivos) entre e 2003, Total Nacional e Região Norte Figura 19 - Evolução da taxa de mortalidade neonatal (/1000 nados vivos) entre e 2003, Total Nacional e Região Norte xi
13 Figura 20 - Evolução da taxa de mortalidade neonatal precoce (/1000 nados vivos) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Figura 21 - Evolução da taxa de mortalidade perinatal (/1000 nados vivos+fetos mortos de 28 e mais semanas) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Figura 22 - Evolução da taxa de mortalidade fetal tardia (/1000 nados vivos+fetos mortos de 28 e mais semanas) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Figura 23 - Proporção (%) e número de óbitos com menos de 1 ano, por causa de morte, 2003 Figura 24 - Taxas de mortalidade (/ hab) por sintomas, sinais e afecções mal definidas (CID 9: 46 ou CID 10: R00-R99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 25 - Taxas de mortalidade (/ hab) por todas as causas de morte, padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 26 - Taxas de mortalidade (/ hab) por causas externas (CID 9: E47- E56 ou CID 10: V, W, X, Y), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 27 - Taxas de mortalidade (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9: E471 ou CID 10: V02-V04, V09, V12-V14, V19-V79, V86- V89) e acidentes de transporte (CID 9: E47 ou CID 10: V01-V99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em homens, no período de 2000 a 2002 Figura 28 - Taxas de mortalidade (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9: E471 ou CID 10: V02-V04, V09, V12-V14, V19-V79, V86- V89) e acidentes de transporte (CID 9: E47 ou CID 10: V01-V99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em mulheres, no período de 2000 a 2002 Figura 29 - Taxas de mortalidade (/ hab) por diabetes mellitus (CID 9:181 ou CID 10:E10-14), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 30 - Taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho circulatório (CID 9:25-30 ou CID 10: ), doença isquémica do coração (CID 9:27 ou CID 10: ) e doenças cerebrovasculares (CID 9:29 ou CID 10: ), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 31 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças isquémicas cardiacas, por sexo, no período de 2000 a 2004 Figura 32 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças isquémicas cardiacas, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 Figura 33 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por enfarte agudo do miocárdio, por sexo, no período de 2000 a 2004 página xii
14 Figura 34 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por enfarte agudo do miocárdio, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 Figura 35 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças cerebrovasculares, por sexo, no período de 2000 a 2004 Figura 36 - Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças cerebrovasculares, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 Figura 37 - Taxas de mortalidade (/ hab) por doença do aparelho respiratório (CID 9: ou CID 10: J00-J99), pneumonia (CID 9: 321 ou CID 10: J12-J18), bronquite crónica não especificada, enfisema e asma (CID 9: 323 ou CID 10: J40-43, J45, J46), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 38 - Taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho digestivo (CID 9: ou CID 10: K00-K93), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 39 - Taxas de mortalidade (/ hab) por doença crónica do fígado e cirrose (CID 9: 347 ou CID 10: K70 e K73-K74), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 40 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores malignos (CID-9:08-14 ou CID 10: C00-C99), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 41 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, ambos os sexos Figura 42 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, homens Figura 43 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, mulheres Figura 44 - Taxas de mortalidade (/ hab) por localização do tumor, padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em 2002, em ambos os sexos Figura 45 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID 9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002, em ambos os sexos Figura 46 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID 9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002, em homens Figura 47 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, o período de 2000 a 2002, em mulheres página xiii
15 Figura 48 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores do aparelho respiratório (CID 9: 10 ou CID 10: C30-C39), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 49 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da traqueia, brônquios e pulmão (CID 9: 101 ou CID 10: C33-C34), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 50 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores do tecido linfático e órgãos hematopoiéticos (CID 9: 14 ou CID 10: C81-C96), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Figura 51 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da mama em mulheres (CID 9: 50 ou CID 10: C50), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 52 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da próstata (CID-9: 124 ou CID 10: C61), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 53 - Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores de outras localizações (CID 9: 13 ou CID 10: C69-C80), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Figura 54 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por localização do tumor, na população da região Norte, em homens Figura 55 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por localização do tumor, na população da região Norte, em mulheres Figura 56 - Razão entre as taxas de incidência (quinquénio ) de algumas Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória da região Norte de Portugal e do resto do País Figura 57 - Diferença entre as taxas de incidência (quinquénio ) de algumas Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória da região Norte de Portugal e do resto do País Figura 58 - Taxa de incidência (/ pessoas ano) de casos de brucelose (CID10 A23) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por concelho Figura 59 - Distribuição do número de casos de brucelose (CID10 A23) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por grupo etário e sexo Figura 60 - Taxa de incidência (/ pessoas ano) de casos de febre escaronodular (CID10 A77.1) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por concelho de residência Figura 61 - Número acumulado de casos de Tétano (CID10 A35) declarados na região Norte de Portugal, por concelho de residência página xiv
16 Figura 62 - Distribuição dos indivíduos com resultado positivo (concentração de anticorpos IgG 0,1 UI/mL) para a toxina do tétano, por grupo etário Figura 63 - Número acumulado de casos de tosse convulsa (CID10 - A37) declarados na região Norte de Portugal, por concelho de residência Figura 64 - Casos de tosse convulsa (CID10 - A37) declarados na região Norte de Portugal de 2000 a 2004, por mês de idade e ano de notificação Figura 65 - Número anual de casos de hepatite aguda por vírus B (CID10 B16) declarados em Portugal, no resto do País e na região Norte, com indicação do ano de introdução no PNV da vacina da hepatite B Figura 66 - Distribuição do número de casos de hepatite aguda por vírus C (CID10 - B17.1) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por grupo etário e sexo Figura 67 - Evolução do número de casos de Portadores Assintomáticos (PA), Complexos Relacionados com SIDA (CRS), Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e total, por ano de diagnóstico. Região Norte (casos declarados até 30/06/2005) Figura 68 - Evolução da taxa de incidência (/ ) de SIDA em Portugal e na região Norte, Figura 69 - Taxa de incidência (/ ) da infecção VIH nos distritos da região Norte, entre 1995 e 1999 Figura 70 - Distribuição do número de casos de Portadores Assintomáticos (PA) e de SIDA declarados até 30/06/2005 na região Norte, por grupo etário Figura 71 - Número de casos acumulados de infecção VIH por grupo etário declarados na região Norte até 31/12/2002 e até 30/06/2005 Figura 72 - Percentagem de casos de portadores assintomáticos (PA) declarados na região Norte até 31/12/2001 por categoria de transmissão Figura 73 - Percentagem de casos de portadores assintomáticos (PA) declarados na região Norte até 30/06/2005 por categoria de transmissão Figura 74 - Percentagem de casos de SIDA declarados na região Norte até 31/12/2001 por categoria de transmissão Figura 75 - Percentagem de casos de SIDA declarados na região Norte até 30/06/2005 por categoria de transmissão Figura 76 - Evolução do número de casos de SIDA por ano de diagnóstico e do número de óbitos por SIDA por ano de ocorrência, na região Norte, Figura 77 - Evolução do número de casos de SIDA por ano de diagnóstico e do número de óbitos por SIDA por ano de ocorrência. Portugal Figura 78 - Evolução da taxa de mortalidade (/ ) por SIDA em Portugal e na região Norte, entre 1988 e 2003 página xv
17 página Figura 79 - Evolução do número de óbitos por SIDA e por sexo na região Norte, entre e 2003 Figura 80 - Evolução do número de óbitos por SIDA segundo o grupo etário, na 102 região Norte, entre 1990 e 2001 Figura 81 - Evolução da taxa de incidência (/100000) de tuberculose em Portugal, no 105 período de 1972 a 2002 Figura 82 - Distribuição geográfica da incidência média anual (/100000) de casos de 105 tuberculose notificados entre Figura 83 - Número de novos casos de tuberculose declarados no Norte de Portugal, 106 entre 1987 e 2004 Figura 84 - Evolução do total de casos e casos novos de tuberculose notificados na 106 região Norte, entre 2000 e 2004 Figura 85 - Taxa de incidência de tuberculose (/100000) na região Norte por grupos 107 etários, total e por sexo, em 2003 Figura 86 - Evolução do número de casos de tuberculose disseminada e de 108 tuberculose do sistema nervoso central notificados na região Norte, Figura 87 - Evolução do número de casos de tuberculose em dependentes do álcool, 109 drogas intravenosas e outras drogas, na região Norte, Figura 88 - Evolução do número de casos de tuberculose/sida notificados na região 110 Norte em toxicodependentes e noutros grupos, Figura 89 - Taxa de incidência de tuberculose (/100000) nos distritos da região Norte, Figura 90 - Distribuição da morbilidade profissional por sexo 120 Figura 91 - Distribuição da morbilidade profissional por grupos de doenças 121 profissionais Figura 92 - Distribuição das doenças do aparelho respiratório por diagnóstico 122 Figura 93 - Distribuição das doenças cutâneas por diagnóstico 122 Figura 94 - Distribuição das doenças por agentes biológicos, por diagnóstico 123 Figura 95 - Distribuição das doenças por agentes físicos, por diagnóstico 123 Figura 96 - Distribuição das doenças músculo-esqueléticas por diagnóstico 124 Figura 97 - Proporção dos grupos de doenças profissionais por grupos etários 124 Figura 98 - Distribuição das doenças profissionais por actividade exercida 125 Figura 99 - Número de óbitos em 2000 por factores de risco, mundial 129 Figura Hábitos tabágicos em adolescentes de 13 anos do Porto 136 Figura Consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes de 13 anos do Porto, Figura Ingestão média diária de leite e derivados em adolescentes de 13 anos 143 do Porto xvi
18 página Figura Consumo diário de fruta e legumes (g/dia), em adolescentes de 13 anos 145 do Porto Figura Frequência de consumo de produtos de pastelaria (%) em adolescentes 146 de 13 anos do Porto, por sexo Figura Ingestão média diária de refrigerantes em adolescentes de 13 anos do 146 Porto, por sexo Figura Frequência da prática de actividades desportivas extra-escola, em 151 adolescentes de 13 anos do Porto Figura Proporção (%) de despesas médias anuais dos agregados familiares, por 152 classe de despesa da classificação do consumo individual por objectivo Figura Despesa média anual nacional em tabaco por agregado familiar com 153 despesas em tabaco, segundo o nível de instrução do representante do agregado Figura Evolução do número de utentes em primeiras consultas, Figura Distribuição do número de utentes em primeiras consultas por grupos 155 etários xvii
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20 Índice de Quadros Quadro 1 Concelhos da Unidade Territorial Norte não integrados na Região de Saúde do Norte Quadro 2 Estrutura e composição da população-padrão europeia (IARC, Lyon 1976) Quadro 3 - População estimada para o ano 2004, por distrito e por grupo etário, considerando apenas os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Quadro 4 - Número de nados vivos por local de residência da mãe, nacional, região Norte e distritos da região Norte Quadro 5 Taxa de natalidade (/1000 habitantes) por local de residência da mãe, nacional, região Norte e distritos da região Norte Quadro 6 - Número de nados vivos segundo a idade da mãe, no período de 2000 a 2002, em Portugal e na região Norte Quadro 7 - Número de óbitos e taxa de mortalidade infantil, nacional e na região Norte, por distrito de residência da mãe (/1000 nados vivos) Quadro 8 - Número de óbitos e taxa de mortalidade pós-neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) Quadro 9 - Número de óbitos e taxa de mortalidade neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) Quadro 10 - Número de óbitos e taxa de mortalidade neonatal precoce por residência da mãe (/1000 nados vivos) Quadro 11 - Número de óbitos perinatais e taxa de mortalidade perinatal, por residência da mãe (/1000 nados vivos + fetos mortos de 28 e mais semanas) Quadro 12 - Número de fetos-mortos e taxa de mortalidade fetal tardia, por residência da mãe (/1000 nados vivos+ fetos mortos de 28 e mais semanas) Quadro 13 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por sintomas, sinais e afecções mal definidas (CID 9: 46 ou CID 10: R00-R99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 14 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por todas as causas de morte, na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 15 - Óbitos e Taxas de mortalidade bruta (/ hab) por causas externas (CID 9: E47-E56 ou CID 10: V, W, X, Y), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 16 - Óbitos e Taxas de mortalidade bruta (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9:E471 ou CID 10:V02-V04, V09, V12-V14, V19- V79, V86-V89) e acidentes de transporte (CID 9:E47 ou CID 10: V01-V99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo página xix
21 Quadro 17 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por diabetes mellitus (CID 9:181 ou CID 10:E10-14), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 18 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença do aparelho circulatório (CID 9:25-30 ou CID 10: ), doença isquémica do coração (CID 9:27 ou CID 10: ) e doenças cerebrovasculares (CID 9:29 ou CID 10: ), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 19 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença do aparelho respiratório (CID 9:31-32 ou CID 10:J00-J99), pneumonia (CID 9:321 ou CID 10:J12-J18), bronquite crónica não especificada, enfisema e asma (CID 9:323 ou CID 10: J40-43, J45, J46), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 20 - Óbitos e taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho digestivo (CID 9:33-34 ou CID 10:K00-K93), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 21 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença crónica do fígado e cirrose (CID 9:347 ou CID 10:K70 e K73-K74) na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 22 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores malignos (CID-9:08-14 ou CID 10:C00-C99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 23 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do aparelho digestivo e peritoneu (CID-9:09), tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10:C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10:C18), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 24 - Razão padronizada de mortalidade, para tumores do aparelho digestivo e peritoneu (CID-9:09), tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10:C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10:C18) por distrito da Região de Saúde do Norte, em 2002 Quadro 25 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do aparelho respiratório (CID 9:10 ou CID 10:C30-C39), e traqueia, brônquios e pulmão (CID 9:101 ou CID 10:C33-C34), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 26 - Razão padronizada de mortalidade para tumores do aparelho respiratório (CID 9:10 ou CID 10:C30-C39), e traqueia, brônquios e pulmão (CID 9:101ou CID 10:C33-C34), por distrito da Região de Saúde do Norte, em 2002 Quadro 27 - Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do tecido linfático e órgãos hematopoiéticos (CID 9: 14 ou CID 10: C81-C96), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 28 - Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores da mama em mulheres (CID-9: 50 ou CID 10: C50), na região Norte, no período de 2000 a 2002 página xx
22 Quadro 29 - Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores da próstata (CID-9: 124 ou CID 10: C61), na região Norte, no período de 2000 a 2002 Quadro 30 - Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores de outras localizações (CID 9: 13 ou CID 10: C69-C80), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Quadro 31 - Casos de doenças transmissíveis de declaração obrigatória notificados na região Norte de Portugal por ano ( ) e taxa de incidência (/ pessoas ano) para o quinquénio Quadro 32 - Distribuição das notificações de infecção VIH por ano de diagnóstico e por tipo de infecção na região Norte (declarados ao CVEDT até 30 de Junho de 2005) Quadro 33 - Distribuição do número de casos de infecção VIH por distrito e da população residente, região Norte Quadro 34 - Distribuição da categoria de transmissão nos casos de infecção VIH declarados na região Norte até 30 de Junho de 2005 Quadro 35 - Número de casos de PA declarados na região Norte por categoria de transmissão Quadro 36 - Número de casos de SIDA declarados na região Norte por categoria de transmissão, Quadro 37 - Número e percentagem de casos de SIDA em que a Tuberculose foi doença indicadora (SIDA/TB) na Região Norte, de Janeiro de 2001 a Junho de 2005 Quadro 38 - Evolução do número de casos de tuberculose em profissionais de saúde da região Norte, Quadro 39 - Evolução do meio de detecção dos casos de tuberculose notificados com informação sobre o meio de detecção, na região Norte, Quadro 40 - Evolução do número total de casos de tuberculose pulmonar e de coabitantes dos casos seleccionados e rastreados, na região Norte, Quadro 41 - Proporção de casos de tuberculose pulmonar em regime de Toma Observada Directamente na região Norte, Quadro 42 - Evolução do sucesso terapêutico no total de casos de tuberculose e nos casos de tuberculose pulmonar bacilífera declarados na região Norte, Quadro 43 - Perfil da tuberculose nos distritos da região Norte, na região Norte e em Portugal Continental, 2004 Quadro 44 - Cobertura vacinal (%) aos dois anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1999 a 2002 Quadro 45 - Cobertura vacinal (%) aos seis anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1995 a 1998 Quadro 46 - Cobertura vacinal (%) aos 14 anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1987 a 1990 página xxi
23 página Quadro 47 - Evolução do número de casos das principais doenças profissionais 120 notificados entre 2000 e 2004 Quadro 48 - Número e prevalência de fumadores na região Norte, por grupos etários 131 Quadro 49 - Consumo médio de cigarros/dia na região Norte, por grupos etários 132 Quadro 50 - Número de indivíduos que fumavam na região Norte, por grupos etários 133 Quadro 51 - Consumo médio de cigarros/dia na região Norte, por grupos etários 133 Quadro 52 - Prevalência de consumo de tabaco na região Norte, por grupo etário e 135 sexo Quadro 53 - Proporção de fumadores na região Norte por categoria de número de 135 cigarros fumado por dia, por grupo etário e sexo Quadro 54 - Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas na região Norte, por 138 idade e sexo, INS 95/96 Quadro 55 - Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas na região Norte, por 139 idade e sexo, INS 98/99 Quadro 56 - Consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes da região Norte, por 140 tipo de bebida, 2002 Quadro 57 - Proporção de indivíduos na região Norte que consumiram o alimento, 141 por grupo etário, INS 95/96 Quadro 58 - Proporção de indivíduos na região Norte que consumiram o alimento, 142 por grupo etário, INS 98/99 Quadro 59 - Consumo de leite na região Norte, por grupo etário, INS 95/ Quadro 60 - Consumo de leite na região Norte, por grupo etário, INS 98/ Quadro 61 - Frequência de ingestão dos alimentos avaliados no estudo A Saúde 144 dos Adolescentes Portugueses em 1998 e 2002, total nacional Quadro 62 - Frequência de ingestão dos alimentos avaliados no estudo A Saúde 144 dos Adolescentes Portugueses em 2002, região Norte Quadro 63 - Prevalência de categorias de Índice de Massa Corporal (IMC) por 148 grupos etários, região Norte, INS 98/99 Quadro 64 - Prevalência de excesso de peso incluindo obesidade 148 Quadro 65 - Desportos mais praticados pelos jovens da região Norte 150 Quadro 66 - Prevalência de diferentes actividades de lazer, em adolescentes da 151 região Norte Quadro 67 - Prevalência da prática de actividade física em adolescentes 152 Quadro 68 - Idade da primeira experiência com drogas, nacional Quadro 69 - Tipo de droga experimentada, comparação de resultados nacionais de e 2002 Quadro 70 - Proporção de adolescentes da região Norte que já experimentou drogas, 156 por tipo de droga experimentada xxii
24 1. INTRODUÇÃO
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26 O sistema nacional de saúde ao longo dos anos deu cumprimento ao princípio da universalidade da cobertura geográfica da prestação de cuidados, nomeadamente através do Serviço Nacional de Saúde. Este desenvolveu-se com a preocupação da acessibilidade aos serviços, da rede de referenciação, da qualidade, e da implementação de programas prioritários que melhor respondessem aos grupos de risco, entre outras. O planeamento em saúde não pode ser conduzido apenas com base na prestação de cuidados, mas sim articulado com o planeamento de base populacional. Esta opção torna imprescindível identificar os determinantes de saúde, nomeadamente os susceptíveis de modificação. Sabendo que nem sempre as necessidades expressas na procura de serviços de saúde são sobreponíveis às necessidades sentidas pela população e aos seus principais problemas de saúde, o planeamento pretende identificar prioridades, melhorar os indicadores de saúde na óptica da rentabilização dos recursos existentes. Este documento faz a análise da informação disponível relativa à região Norte, nas áreas da demografia, da mortalidade e da morbilidade. Inclui capítulos específicos sobre as doenças infecciosas, das quais se destacam a infecção pelo VIH e a tuberculose, as doenças profissionais e determinantes da saúde, que correspondem a áreas privilegiadas de intervenção em saúde pública no momento actual. Pretende este documento ser um instrumento de apoio ao planeamento em saúde. Não ambiciona fazer o completo diagnóstico da situação da população desta região, sendo apenas um contributo para o início de um processo que se pretende contínuo e dinâmico. Parafraseando o Prof. Correia de Campos (1), a saúde tem um custo de um valor sem preço, devemos verificar se há proporcionalidade na correspondência entre os custos e os ganhos em saúde para as populações, pelo que urge medir para mudar. 3
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28 2. MATERIAL E MÉTODOS
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30 2.1. Organização do Documento A decisão sobre a estrutura e organização deste documento teve em consideração os constrangimentos decorrentes dos dados disponíveis e a necessidade de conferir um sentido e uma sequência lógicos aos problemas a abordar. Os indicadores de saúde que se utilizaram abordam a Saúde na sua perspectiva negativa, pelo facto de não se encontrarem disponíveis indicadores de bem-estar. Optámos por iniciar o documento com um capítulo sobre indicadores demográficos para que fosse possível aos leitores contextualizar-se na dimensão geodemográfica da região. Recorremos, em seguida, a uma descrição e análise de indicadores de mortalidade, nos seus componentes de mortalidade geral e mortalidade infantil. No capítulo da mortalidade e morbilidade e dada a escassez de dados de morbilidade, apresentam-se, sobretudo dados de mortalidade. Dentro da mortalidade, analisam-se as taxas de mortalidade específicas, dando-se um particular relevo às doenças oncológicas. No capítulo das doenças infecciosas incluímos um sub-capítulo sobre Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória e, pela importância que assumem tanto a nível nacional como regional, dois sub-capítulos sobre infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana e sobre tuberculose. Optámos por incluir neste capítulo os resultados da aplicação do Programa Nacional de Vacinação na região pelo impacto que sabemos terem sobre as doenças infecciosas preveníveis pela vacinação. Pela importância que o ambiente de trabalho assume no padrão de morbilidade, são também apresentados, em capítulo próprio, os dados relativos às doenças profissionais. A necessidade de conhecer a distribuição de alguns factores determinantes da saúde, passíveis de intervenção, justificou a inclusão de alguns dados disponíveis em capítulo próprio. Procurámos integrar o conjunto da informação apresentada ao longo do documento num capítulo que designámos Comentários finais, no qual não se pretende tirar conclusões mas apenas destacar os aspectos mais importantes. Este documento não esgota o diagnóstico da situação de saúde da população da região, é apenas o início de um processo que se pretende dinâmico. 7
31 2. 2. Origem dos Dados As fontes utilizadas para a elaboração deste documento foram diferentes consoante os problemas abordados. Os dados cuja fonte foi o Instituto Nacional de Estatística (INE) foram obtidos através da consulta do seu sítio na internet ( Os dados sobre óbitos cuja fonte foi a Direcção-Geral da Saúde (DGS) foram obtidos por consulta das seguintes publicações: Risco de Morrer em Portugal 2000 (2), Risco de Morrer em Portugal 2001 (3), Risco de Morrer em Portugal 2002 (4, 5), Natalidade, Mortalidade Infantil, Fetal e Perinatal 1999/2003 (6). Os dados sobre internamentos hospitalares foram cedidos pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Administração Regional de Saúde do Norte. Os dados sobre Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória (DDO) tiveram como origem os dados estatísticos do sistema de informação da Direcção de Serviços de Informação e Análise da Direcção-Geral da Saúde. O diagnóstico da situação relativo à infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) foi elaborado com base nos dados fornecidos pelo Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Os dados sobre tuberculose tiveram como origem o Sistema de Informação Intrínseco do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose (SVIG-TB), da Direcção-Geral da Saúde. Para a avaliação do Programa Nacional de Vacinação (PNV) foram utilizados os dados das fichas individuais de vacinação dos inscritos em todas as unidades de saúde de cada uma das sub-regiões, e analisados no Centro Regional de Saúde Pública do Norte (CRSPN). A informação sobre doenças profissionais foi obtida através das comunicações relativas aos casos confirmados de doenças profissionais e enviadas para o Centro Regional de Saúde Pública do Norte pelo Centro Nacional de Protecção contra os Riscos Profissionais. Também se recorreu à pesquisa de trabalhos realizados em grupos específicos da população, particularmente aos dados do Inquérito Nacional de Saúde (INS) (7, 8), para obter informação sobre dados que não são recolhidos de forma sistemática por rotina. 8
32 2. 3. Definição de Conceitos A unidade geográfica Norte tal como é definida pelo INE (NUT) difere da Região de Saúde do Norte. Esta última não inclui 18 concelhos que estão integrados no NUT-Norte (quadro 1). Quadro 1 Concelhos da Unidade Territorial Norte não integrados na Região de Saúde do Norte NUT III Grande Porto Tâmega Entre Douro e Vouga Concelhos não integrados na Região de Saúde do Norte Espinho Castelo de Paiva Cinfães Resende Arouca Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis São João da Madeira Vale de Cambra Douro Armamar Lamego Moimenta da Beira Penedono São João da Pesqueira Sernancelhe Tabuaço Tarouca Vila Nova de Foz Côa Nota: Todos os concelhos das NUT III Minho Lima, Cávado e Ave estão integrados na Região de Saúde do Norte. Esta diferença dificulta a análise dos resultados que o INE disponibiliza sem desagregação por concelho, não permitindo o cálculo dos resultados para a Região de Saúde do Norte. No entanto, os dados referentes à Unidade Territorial, na sua generalidade, poderão ser considerados bons indicadores para a Região de Saúde do Norte. Neste trabalho, para facilitar a compreensão dos resultados apresentados, utilizamos a denominação Região Norte sempre que os resultados forem referentes aos concelhos que integram a Região de Saúde do Norte. Quando os dados se referem a uma área diferente da definida a mesma será especificada. 9
33 Saldo fisiológico ou Saldo natural ou Excedente de vidas Diferença entre o número de nados vivos e o número de óbitos, num dado período de tempo. Formula: SN(0,t) = NV(0,t) - Ob(0,t); NV(0,t) - Nados vivos entre os momentos 0 e t; Ob(0,t) - Óbitos entre os momentos 0 e t Variação populacional ou Crescimento efectivo da população Diferença entre os efectivos populacionais em dois momentos do tempo (habitualmente dois fins de ano consecutivos). A variação populacional pode ser calculada pela soma algébrica do saldo natural e do saldo migratório. Formula: VP = P(t)-P(0) P(t) - População no momento t; P(0) - População no momento 0. População estrangeira com estatuto legal de residente Os dados referem-se, na generalidade, aos pedidos e não às concessões, devido ao facto de os dados sobre pedidos estarem mais actualizados do que os referentes às concessões. O movimento do ano refere-se apenas às pessoas que solicitaram, pela 1ª vez, uma autorização ou título de residência. Índice de dependência de idosos (IDI) Relação entre a população idosa e a população em idade activa, definida como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Formula: IDI = [(P(65,+) / P(15,64))] * 10^ n; P(65,+) - População com 65 ou mais anos; P(15,64) - População com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Índice de dependência de jovens (IDJ) Relação entre a população jovem e a população em idade activa, definida como o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Formula: IDJ = [P(0,14) / P(15,64)] * 10^ n ; P(0,14) - População com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos; P(15,64) - População com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. 10
34 Índice de dependência total (IDT) Relação entre a população jovem e idosa e a população em idade activa, definida como o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos conjuntamente com as pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Formula: IDT = [[P(0,14) + P(65,+)] / P(15,64)] * 10^ n ; Índice de envelhecimento (IE) Relação entre a população idosa e a população jovem, definida como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. Formula: IE = [(P(65,+) / P(0,14)] * 10^n ; P(65,+) - População com 65 ou mais anos; P(0,14) - População com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. Gravidez na adolescência e Gravidez tardia Segundo a idade da mãe à data do parto, definiu-se gravidez na adolescência quando a idade era menor ou igual a 19 anos e gravidez tardia quando a idade era superior aos 39 anos. Nado vivo Produto da fecundação que após a expulsão ou extracção completa do corpo materno, independentemente da duração da gravidez, do corte do cordão umbilical e da retenção da placenta, respira ou manifesta sinais de vida, tais como pulsações do coração ou do cordão umbilical ou contracções efectivas de qualquer músculo sujeito à acção da vontade. Taxa de natalidade Número de nados vivos ocorridos durante um ano civil, referido à população média desse período (expressa em número de nados vivos por 1000 habitantes). Formula: TN = [NV(0,t) / [(P(0) + P(t))/2]] * 10^n ; NV(0,t) - Nados-vivos entre os momentos 0 e t; P(0) - População no momento 0; P(t) - População no momento t. 11
35 Taxas de mortalidade específicas As taxas de mortalidade específica por cada uma das causas de morte (c), por região (d), por sexo (s) e idade (i). Formula: TAXcdsi = Obcdsi / Pdsi Obcdsi - número de óbitos ocasionados pela causa (c), na região (d), no sexo (s) e no grupo etário (i). Pdsi - estimativa da população residente em 30 de Junho do ano a que se refere a taxa, na região (d), no sexo (s) e no grupo etário (i.) Taxa de mortalidade infantil Número de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos do mesmo período (expressa em número de óbitos de crianças com menos de 1 ano por 1000 nados vivos). Taxa de mortalidade perinatal Número de óbitos fetais de 28 ou mais semanas de gestação e óbitos de nados vivos com menos de 7 dias de idade observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos e fetos mortos de 28 ou mais semanas do mesmo período (expressa em número de óbitos fetais de 28 ou mais semanas e óbitos de nados vivos com menos de 7 dias de idade por 1000 nados vivos e fetos mortos de 28 ou mais semanas). Taxa de mortalidade fetal tardia Número de fetos mortos de 28 ou mais semanas observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos e fetos mortos de 28 ou mais semanas do mesmo período (expressa em número de fetos mortos de 28 ou mais semanas por 1000 nados vivos e fetos mortos de 28 ou mais semanas). Taxa de mortalidade neonatal Número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos do mesmo período (expressa em número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade por 1000 nados vivos). 12
36 Taxa de mortalidade neonatal precoce Número de óbitos de crianças com menos de 7 dias de idade observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos do mesmo período (expressa em número de óbitos de crianças com menos de 7 dias de idade por 1000 nados vivos). Taxa de mortalidade pós-neonatal Número de óbitos de crianças com mais de 27 dias e menos de um ano de idade observado durante um ano civil, referido ao número de nados vivos do mesmo período (expressa em número de óbitos de crianças com mais de 27 dias e menos de um ano de idade por 1000 nados vivos). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade Método directo de padronização Aplicação das taxas específicas de mortalidade por idades, de cada uma das regiões, a uma população padrão, cuja composição etária é fixa, distribuindo-se pelos mesmos grupos etários das taxas específicas. Formulas: CESPdsi = TAXdsi PPi CESPdsi - número de óbitos esperados na região (d), no sexo (s) e no grupo etário (i). TAXdsi - como definido atrás PPi - efectivo da população-padrão no grupo etário (i), no sexo (s). A taxa de mortalidade padronizada obtém-se: TAXPds = Σ CESPdsi / Σ PPi i i TAXPds - taxa de mortalidade padronizada na região (d) e no sexo (s) Σ CESPdsi - número de óbitos esperados na região (d) e no sexo (s) i Σ PPi - número de indivíduos da população-padrão i Para o cálculo das taxas de mortalidade padronizadas utiliza-se uma população-padrão artificial com o objectivo de eliminar o efeito da idade, servem, exclusivamente, para fazer comparações entre regiões. Escolheu-se a populaçãopadrão europeia (IARC, Lyon 1976). 13
37 Quadro 2 Estrutura e composição da população-padrão europeia (IARC, Lyon 1976) Grupos etário (anos) Número de Indivíduos Grupos etário (anos) Número de Indivíduos < >= Total = Razões padronizadas de mortalidade (RPM) As razões padronizadas de mortalidade foram calculadas utilizando o método indirecto de padronização. Formula: RPM = O/E O - óbitos observados E - óbitos esperados Os óbitos esperados são calculados aplicando a taxa de mortalidade específicas por grupo etário da população portuguesa, à população de cada região, também distribuída pelos mesmos grupos etários. O número de óbitos esperados para cada região obtém-se pelo somatório dos óbitos esperados em cada grupo etário. Anos potenciais de vida perdidos (APVP) Através do cálculo do número de anos potenciais de vida perdidos pretende-se fazer a análise de mortalidade precoce ou prematura. O cálculo foi realizado até aos 70 anos de idade e sem se lhes retirar os acontecidos no primeiro ano de vida. Formula: AVPP = Σ Oi Ai i Oi - número de óbitos no grupo etário (i) Ai - número de anos de vida entre a idade média do grupo etário em que ocorreu o óbito e os 70 anos. 14
38 3. POPULAÇÃO E INDICADORES DEMOGRÁFICOS
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40 3.1. Introdução Para a interpretação dos dados de saúde, quer de morbilidade quer de mortalidade, e nomeadamente para, com base nesses dados, se fazer o planeamento de recursos de modo a melhor servir a população que deles necessita, é essencial o conhecimento da população e de indicadores demográficos que a possam descrever Comparação dos Censos de 1991 e de 2001 De acordo com resultados do censo realizado em 2001, a população residente no Norte (NUT II) é de cerca de milhares de indivíduos, traduzindo um crescimento efectivo de aproximadamente 6,0% face ao recenseamento de Cerca de três quintos deste acréscimo populacional é explicado pelo saldo natural acumulado no período entre os dois censos, cabendo ao saldo migratório a responsabilidade pelos restantes dois quintos da expansão demográfica desta região. O resultado do último censo traduz uma aceleração do crescimento demográfico no Norte do país, uma vez que entre 1981 e 1991 a variação populacional observada havia sido de apenas 1,8%. Analisando a evolução da população nas subregiões do Norte verifica-se que houve diferenças entre elas. A parte ocidental da região continuou a destacar-se pelo seu maior dinamismo populacional. O Douro e o Alto Trás-os-Montes continuaram a perder população durante a última década, o que já se tinha observado entre 1981 e 1991, mas a um ritmo mais atenuado. O mesmo se verifica quando consideramos apenas o que acontece na população dos 68 concelhos integrados na Região de Saúde do Norte (Figura 1). Fonte: INE Figura 1 População residente nos 68 concelhos que integram a Região de Saúde do Norte, resultados do censo de 1991 e do censo de
41 A repartição geográfica da população residente evidencia uma litoralização da população. Também se verificou um reforço da importância demográfica dos pólos urbanos nas sub-regiões caracterizadas por menor dinamismo demográfico, traduzindo assim um processo crescente de urbanização no interior da Região Norte População Residente Estimada para 2004 A pirâmide etária da população residente estimada para o ano de 2004 no Norte (Figura 2) mostra, em ambos os sexos, uma base estreita e a área mais larga nos grupos etários dos 20 aos 49 anos. No sexo feminino, como resultado da maior esperança de vida, verifica-se um maior número de indivíduos do que do sexo masculino, sendo praticamente o dobro no grupo etário de 85 ou mais anos. Fonte: INE Figura 2 Pirâmide etária da população residente estimada para 2004 no Norte Na Unidade Territorial (NUT) Norte definida pelo INE há 18 concelhos que não integram a Região de Saúde do Norte. Considerando apenas os 68 concelhos que a integram, a estimativa da população residente para o ano 2004 é de residentes. O distrito do Porto constitui a sub-região mais populosa (55,0%), segue-se o distrito de Braga com 26,0% da população. Os restantes 19,0% de residentes 18
42 distribuem-se por Viana do Castelo (8,0%), Vila Real (6,8%) e Bragança (4,5%) (Figura 3). Vila Real Viana do Castelo Braga Bragança Porto Fonte: INE Figura 3 Distribuição da população residente estimada para o ano 2004 pelos distritos que integram a Região de Saúde do Norte A distribuição da população pelos concelhos que integram a Região de Saúde do Norte mostra que prossegue a litoralização da população, já evidenciada na década anterior (Figura 4). Fonte: INE Figura 4 Distribuição da população residente estimada para 2004 nos concelhos que integram a Região de Saúde do Norte 19
43 Além da litoralização, ao observar as estimativas de população residente por grupo etário, verifica-se uma desigualdade na proporção dos diferentes grupos etários, sendo os distritos do litoral os que apresentam uma população mais jovem (Quadro 3). Quadro 3 - População estimada para o ano 2004, por distrito e por grupo etário, considerando apenas os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Grupos etários (anos) Braga (26,0%) Bragança (4,5%) Porto (55,0%) Viana do Castelo (8,0%) Vila Real (6,8%) Total H M H M H M H M H M Total H M Fonte: INE Como consequência desta distribuição etária, os distritos do interior, Vila Real e Bragança, apresentam índices de envelhecimento muito superiores aos dos distritos do litoral (Figura 5). 20
44 Fonte: INE Figura 5 Índice de envelhecimento (%), por concelhos, considerando apenas os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Os índices de dependência de jovens e idosos também mostram assimetrias dentro da região Norte. O índice de dependência de jovens é superior nos distritos do litoral (Figura 6). Os distritos do interior, e como resultado de um índice de envelhecimento superior, apresentam maiores índices de dependência de idosos (Figura 7). 21
45 Fonte: INE Figura 6 Índice de dependência de jovens (%), por concelhos, considerando apenas os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte Fonte: INE Figura 7 Índice de dependência de idosos (%), por concelhos, considerando apenas os concelhos que integram a Região de Saúde do Norte 22
46 3.4. População Estrangeira com Estatuto Legal de Residente O total de estrangeiros residentes em Portugal cresceu de em 1997 para no ano Ao longo dos anos a proporção de residentes com nacionalidade dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) foi similar e de aproximadamente 45% do total, constituindo o maior grupo de estrangeiros residentes em Portugal. Das restantes nacionalidades, verificamos que a proporção maior é de indivíduos de nacionalidade brasileira, embora o seu contributo apresente uma tendência decrescente, devido ao aumento da proporção de residentes de outras nacionalidades, o número absoluto aumentou entre 1997 e Os residentes com nacionalidade europeia que não Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, representam o terceiro maior grupo e apresentou o maior crescimento, de 7,9% em 1997 para 9,0% em 2002, provavelmente à custa de estrangeiros provenientes dos países da Europa de Leste que não aparecem discriminados nos dados disponibilizados pelo INE (Figura 8). Os residentes de nacionalidade asiática e de países africanos que não os PALOP, embora tenham uma proporção pequena, cerca de 4% os países asiáticos e 2% os países africanos, apresentam uma tendência crescente. População estrangeira com estatuto legal de residente PALOP - ACPOL Brasil Europa* Fonte: INE Figura 8 - Número de estrangeiros com estatuto legal de residente em Portugal, segundo a nacionalidade (*outros que não Alemanha, Espanha, França e Reino Unido) Considerando a informação disponível pelo INE para o ano de 2002, verifica-se que a nível nacional existe uma assimetria no que se refere ao número de solicitações 23
47 de estatuto de residente. O maior número de solicitações é proveniente da região de Lisboa, o Norte representa apenas 10% do total de solicitações (Figura 9). População estrangeira que solicitou estatuto de residente em Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira Fonte: INE Figura 9 Número de solicitações de estatuto de residente em 2002, por NUTII- Norte No Norte, também se encontram assimetrias, sendo as regiões do Tâmega, Douro e Alto Trás-os-Montes as que apresentaram menor número de solicitações (Figura 10). Este facto poderá também contribuir para o envelhecimento das regiões do interior, uma vez que os estrangeiros que solicitam estatuto de residente são na sua maioria indivíduos que vão contribuir para o aumento da população activa da região onde residem. População estrangeira que solicitou estatuto de residente em 2002, por NUT III Minho-Lima Cávado Ave Grande Porto Tâmega Entre Douro e Vouga Douro Alto Trás-os-Montes Fonte: INE Figura 10 Número de solicitações de estatuto de residente em 2002 no Norte, por NUTs III 24
48 3.5. Projecções de População Residente, Portugal, De acordo com as projecções de população residente do Instituto Nacional de Estatística (INE), a população residente em Portugal, que em 2004 é de aproximadamente 10,5 milhões, diminuirá em As estimativas oscilam entre os 7,5 milhões, no cenário mais pessimista, e os 10,0 milhões, no cenário mais optimista, situando-se nos 9,3 milhões de indivíduos no cenário mais provável. Considerando o cenário mais provável, também no Norte se estima uma diminuição da população para cerca de 2,79 milhões de residentes. Em qualquer dos cenários considerados, Portugal terá, entre 2000 e 2050 uma redução da população jovem (dos 0 aos 14 anos de idade). O Norte do País também irá acompanhar este decréscimo (Figura 11). Figura 11 Taxa de variação percentual da população jovem, Portugal e NUTS II (retirado de: Destaque de 31 de Março de 2004, editado pelo INE, disponível em: Considerando estas previsões, apesar do decréscimo da população residente, estima-se um acréscimo da população idosa (65 ou mais anos de idade) em todas as regiões do país (Figura 12). 25
49 Figura 12 Taxa de variação percentual da população idosa, Portugal e NUTS II (retirado de: Destaque de 31 de Março de 2004, editado pelo INE, disponível em: Como resultado destas estimativas e qualquer que seja o cenário escolhido, até 2050 a população de todas as regiões envelhecerá, podendo o Índice de Envelhecimento situar-se nos 398 idosos por cada 100 jovens no cenário mais pessimista. No cenário mais provável, o valor será de 243 idosos por cada 100 jovens. Em qualquer dos cenários analisados, o ritmo de envelhecimento será particularmente acentuado na região Norte, podendo atingir os 405 idosos por cada 100 jovens se considerarmos o cenário mais pessimista (Figura 13). Figura 13 Índice de envelhecimento, Portugal e NUTS II, estimativas para o período (retirado de: Destaque de 31 de Março de 2004, editado pelo INE, disponível em: 26
50 4. NATALIDADE E MORTALIDADE INFANTIL
51
52 4.1. Introdução A taxa de natalidade e a taxa de mortalidade infantil são indicadores frequentemente utilizados na caracterização da população. O estudo da taxa de natalidade, a qual representa a relação entre nados vivos e a população residente, permite obter uma perspectiva sobre a forma como a população está a evoluir. A mortalidade infantil é geralmente analisada em função de duas componentes: a mortalidade neonatal, que se refere aos óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade, e a mortalidade pós-neonatal, relativa aos óbitos entre os 28 dias e o primeiro ano de vida. A análise destas duas componentes permite separar a mortalidade mais associada às malformações da criança ou a complicações da gravidez e do parto (mortalidade neonatal), e a mortalidade mais associada às condições de vida, deficiências sanitárias e causas externas (mortalidade pós-neonatal) Taxa de Natalidade Os distritos da região Norte que, no seu conjunto, no final da década de 90 apresentavam taxas de natalidade superiores ao total nacional, apresentaram no período entre 1999 e 2003 um decréscimo acentuado da natalidade, e em 2003 a taxa de natalidade atingiu um valor semelhante ao do total nacional (Figura 14). 16 Natalidade por residência da mãe (/1000 habitantes) TOTAL REGIÃO NORTE BRAGA BRAGANÇA PORTO VIANA DO CASTELO VILA REAL Fonte: DGS Figura 14 Evolução da taxa de natalidade (/1000 habitantes) entre 1999 e 2003, total Nacional, região Norte e por distrito da região Norte 29
53 O decréscimo no número de nados vivos e consequentemente na taxa de natalidade observada na região Norte ocorreu essencialmente à custa do decréscimo nos distritos de Braga e Porto, que são as regiões onde a taxa de natalidade é maior (Quadros 4 e 5). Quadro 4 - Número de nados vivos por local de residência da mãe, nacional, região Norte e distritos da região Norte Nacional Região Norte Braga Bragança Porto Viana do Castelo Vila Real Fonte: DGS Quadro 5 Taxa de natalidade (/1000 habitantes) por local de residência da mãe, nacional, região Norte e distritos da região Norte Nacional 11,4 11,7 11,0 11,0 10,8 Região Norte 12,3 12,5 11,4 11,4 10,5 Braga 13,5 13,7 12,5 12,1 11,4 Bragança 7,9 7,9 7,6 7,4 7,3 Porto 13,0 13,1 11,8 12,0 10,8 Viana do Castelo 9,5 9,8 9,3 9,1 8,8 Vila Real 8,9 9,4 8,7 8,9 9,3 Fonte: DGS 4.3. Nados-Vivos Segundo a Idade da Mãe Considerando o total de nados vivos em Portugal no período de 1997 a 2002, verificou-se uma diminuição da proporção de nados vivos de mães com idade compreendida entre os 20 e os 24 anos, e, pelo contrário, um acentuado aumento dessa proporção nas mães com idade compreendida entre os 30 os 39 anos (Figura 15). 30
54 Proporção de nados vivos, segundo idade da mãe (/1000 nados-vivos) Portugal Proporção de nados vivos (%) menos 19 anos De 20 a 24 anos De 25 a 29 anos De 30 a 34 anos De 35 a 39 anos 40 anos ou mais Fonte: INE Figura 15 Evolução da proporção de nados vivos (%) entre 1997 e 2002, segundo a idade da mãe em Portugal Na região Norte também se verificou uma tendência na diminuição da proporção de nados vivos de mães adolescentes, mas o aumento da proporção de nados vivos de mulheres com idade superior aos 39 anos, que no país apresenta uma tendência crescente, não foi observada na região Norte (Figura 16). 8 Proporção do total de nados vivos segundo a idade da mãe 7 6 proporção de nados vivos (%) < 20 anos > 39 anos Portugal 2000 Portugal 2001 Portugal 2002 Região Norte 2000 Região Norte 2001 Região Norte 2002 Fonte: INE Figura 16 Proporção (%) de nados vivos de gravidez na adolescência (idade<20 anos) e gravidez tardia (idade>39 anos) Apesar da tendência de redução da proporção de nados vivos de mães adolescentes, o peso relativo é três vezes superior ao das mães com idade superior 31
55 aos 39 anos, e o número total é ainda muito elevado (n=2026 em 2002) (Quadro 6). Embora algumas gravidezes na adolescência sejam resultado de atitudes planeadas e não possam ser consideradas gravidezes indesejadas, pelas consequências que têm no desenvolvimento do recém-nascido e no projecto de vida das mães adolescentes, é de enorme importância criar e desenvolver condições que permitam a redução destes números. Quadro 6 - Número de nados vivos segundo a idade da mãe, no período de 2000 a 2002, em Portugal e na região Norte Portugal Idade da Mãe (anos) Total Ignorada Região Norte Fonte: INE 32
56 4.4. Óbitos e Mortalidade Infantil Óbitos e mortalidade infantil entre 1999 e 2003 A taxa de mortalidade infantil decresceu entre 1999 e 2003, de 5,6 para 4,2/1000 nados vivos a nível nacional. Na região Norte este decréscimo foi ainda mais acentuado, em 1999 a taxa de mortalidade infantil era superior ao nacional, tendo em 2003 atingido um valor semelhante (Figura 17 e Quadro 7). 7 Taxa de mortalidade infantil por residência da mãe (/1000 nados vivos) Total Região Norte Fonte: DGS Figura 17 Evolução da taxa de mortalidade infantil (/1000 nados vivos) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 7 Número de óbitos e taxa de mortalidade infantil, nacional e na região Norte, por distrito de residência da mãe (/1000 nados vivos) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 653 5, , , , ,2 Região Norte 247 6, , , , ,3 Braga 86 8,0 69 6,3 52 5,0 53 5,2 32 3,3 Bragança 9 7,8 5 4,3 10 9,0 5 4,6 8 7,5 Porto 128 5, , , ,0 92 4,5 Viana do Castelo 11 4,6 14 5,7 16 7,0 12 5,3 10 4,5 Vila Real 13 6,4 17 7,9 13 6,8 9 4,6 11 5,3 Fonte: DGS A mortalidade pós-neonatal está mais associada às condições de vida, deficiências sanitárias e causas externas e, por isso mesmo, mais permeável a 33
57 intervenções que permitam melhorar este indicador. Verificamos que no período em análise houve uma redução, quer nacional quer na Região Norte, situando-se em 2003 em 1,5/1000 nados vivos (Figura 18 e Quadro 8). Taxa de mortalidade pós-neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) 3 2,5 2 1,5 Total Região Norte 1 0, Fonte: DGS Figura 18 Evolução da taxa de mortalidade pós-neonatal (/1000 nados vivos) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 8 Número de óbitos e taxa de mortalidade pós-neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 236 2, , , , ,5 Região Norte 94 2,4 91 2,3 86 2,3 63 1,7 53 1,5 Braga 35 3,3 26 2,4 21 2,0 20 2,0 9 0,9 Bragança 4 3,4 1 0,9 2 1,8 2 1,8 3 2,8 Porto 45 2,0 48 2,1 49 2,3 34 1,6 29 1,4 Viana do Castelo 4 1,7 5 2,0 8 3,5 5 2,2 7 3,2 Vila Real 6 2,9 11 5,1 6 3,1 2 1,0 5 2,4 Fonte: DGS A mortalidade neonatal (óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade) está habitualmente associada a anomalias congénitas da criança ou a complicações da gravidez ou/e do parto. Na região Norte, o valor que em 1999 era muito superior ao nacional (4,7 vs. 3,6/1000 nados vivos), convergiu até 2001 para valores semelhantes aos nacionais, mantendo depois uma tendência análoga ao nacional (Figura 19 e Quadro 9). 34
58 Taxa de mortalidade neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) 5 4,5 4 3,5 3 2,5 Total Região Norte 2 1,5 1 0, Fonte: DGS Figura 19 Evolução da taxa de mortalidade neonatal (/1000 nados vivos) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 9 Número de óbitos e taxa de mortalidade neonatal por residência da mãe (/1000 nados vivos) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 417 3, , , , ,7 Região Norte 153 4, , , , ,4 Braga 51 4,3 43 3,4 31 7,2 33 2,8 23 4,7 Bragança 5 3,7 4 3,8 8 3,7 3 4,4 5 3,1 Porto 83 2,9 85 3,7 78 3,5 95 3,1 63 1,4 Viana do Castelo 7 3,4 9 2,8 8 3,6 7 3,6 3 2,9 Vila Real 7 3,8 6 3,0 7 2,1 7 2,3 6 2,1 Fonte: DGS A taxa de mortalidade neonatal pode ainda ser decomposta em neonatal precoce (óbitos de crianças com menos de 7 dias de vida). Verifica-se que na região Norte os valores foram superiores ao nacional, mas em 2003 foram semelhantes (Figura 20, Quadro 10). No entanto, deve ter-se em atenção que a análise anual pode estar sujeita a grandes variações devido ao número reduzido de óbitos que ocorre nesta idade. 35
59 Taxa de mortalidade neonatal precoce por residência da mãe (/1000 nados vivos) 3,5 3 2,5 2 Total Região Norte 1,5 1 0, Fonte: DGS Figura 20 Evolução da taxa de mortalidade neonatal precoce (/1000 nados vivos) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 10 Número de óbitos e taxa de mortalidade neonatal precoce por residência da mãe (/1000 nados vivos) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 311 2, , , , ,1 Região Norte 111 2, , , ,2 75 2,1 Braga 39 3,6 37 3,4 27 2,6 25 2,5 17 1,8 Bragança 1 0,9 4 3,4 6 5,4 3 2,8 5 4,7 Porto 61 2,7 65 2,9 60 2,9 76 3,5 46 2,3 Viana do Castelo 5 2,1 8 3,3 7 3,1 6 2,6 3 1,4 Vila Real 5 2,4 4 1,9 4 2,1 7 3,6 4 1,9 Fonte: DGS Na taxa de mortalidade perinatal, verifica-se um decréscimo durante o período analisado, mais acentuado nos últimos anos, na Região Norte essa diminuição foi ainda maior que a do global nacional (Figura 21, Quadro 11), sobretudo pela redução na taxa mortalidade fetal tardia (Figura 22, Quadro 12), o que pode reflectir uma melhoria nos cuidados assistenciais à mulher grávida. 36
60 Taxa de mortalidade perinatal por residência da mãe por 1000 (nados-vivos + fetos mortos de 28 e + semanas) Total Região Norte Fonte: DGS Figura 21 Evolução da taxa de mortalidade perinatal (/1000 nados vivos+fetos mortos de 28 e mais semanas) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 11 Número de óbitos perinatais e taxa de mortalidade perinatal, por residência da mãe (/1000 nados vivos + fetos mortos de 28 e mais semanas) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 748 6, , , , ,2 Região Norte 245 6, , , , ,3 Braga 77 7,1 73 6,7 50 4,8 48 4,7 30 3,1 Bragança 7 6,0 8 6,8 7 6,3 5 4,6 9 8,4 Porto 135 6, , , ,5 97 4,8 Viana do Castelo 16 6,7 14 5,7 14 6,1 18 7,9 8 3,6 Vila Real 10 4,9 15 6,9 13 6,7 13 6,6 6 2,9 Fonte: DGS 37
61 Taxa de mortalidade fetal tardia por residência da mãe (por 1000 nados-vivos + fetos mortos de 28 e mais semanas) 4 3,5 3 2,5 2 Total Região Norte 1,5 1 0, Fonte: DGS Figura 22 Evolução da taxa de mortalidade fetal tardia (/1000 nados vivos+fetos mortos de 28 e mais semanas) entre 1999 e 2003, Total Nacional e Região Norte Quadro 12 Número de fetos-mortos e taxa de mortalidade fetal tardia, por residência da mãe (/1000 nados vivos+ fetos mortos de 28 e mais semanas) n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa n Taxa Total 437 3, , , , ,1 Região Norte 134 3, , , ,9 75 2,1 Braga 38 3,5 36 3,3 23 2,2 23 2,3 13 1,4 Bragança 6 5,1 4 3,4 1 0,9 2 1,8 4 3,7 Porto 74 3,3 64 2,8 72 3,4 63 2,9 51 2,5 Viana do Castelo 11 4,6 6 2,4 7 3,1 12 5,2 5 2,3 Vila Real 5 2,4 11 5,1 9 4,7 6 3,0 2 1,0 Fonte: DGS 38
62 Óbitos no primeiro ano de vida em 2003 Para avaliar o peso relativo de cada causa de morte na mortalidade infantil recorremos aos dados do ano 2003 (Figura 23). Devido à impossibilidade de obter os dados sobre as causas de morte no primeiro ano de vida desagregados por concelho, apresentamos o número de óbitos ocorridos no Norte (NUT II). Verificamos que em 2003 houve 167 óbitos, a distribuição pelas diferentes causas consideradas implica um número reduzido de óbitos em algumas causas. Por este motivo a distribuição pelas diferentes causas de óbito poderá apresentar uma grande variabilidade relativamente a anos anteriores. Proporção (%) e número de óbitos de menos de 1 ano de idade por causa de morte, % Doenças infecciosas e parasitárias Tumores malignos Restante de doenças do sistema nervoso Afecções respiratórias do recém-nascido Transtornos hemorrágicos e hematológicos do feto ou do recém-nascido Factores maternos e complicações da gravidez, do trabalho de parto e do parto Restante de afecções perinatais Malformações congénitas Outras sintomas, sinais e resultados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte Todas as outras doenças Causas externas Fonte: INE Figura 23 Proporção (%) e número de óbitos com menos de 1 ano, por causa de morte, 2003 No ano referido, a maior proporção de óbitos ocorreu por malformações congénitas (27,2%), o que torna difícil a implementação de medidas para a melhoria deste indicador. 39
63 As afecções respiratórias do recém-nascido são responsáveis por 17,2% dos óbitos, particularmente o desconforto (angústia) respiratório(a) do recém-nascido (8,3%) e a hipóxia intra-uterina e asfixia ao nascer (3,6%). A existência de casos de hipoxia intra-uterina, aqui referida como causa de morte, poderá indicar que a detecção precoce de sofrimento fetal poderá melhorar a intervenção atempada de cuidado de saúde, que além de reduzir a mortalidade pode prevenir as lesões irreversíveis resultantes da anoxia cerebral. Há ainda a realçar que 9,4% dos óbitos ocorrem por doenças infecciosas e parasitárias, das quais metade, são por septicemia bacteriana do recém-nascido. A segunda causa de morte neste grupo etário foram os Factores maternos e por complicações da gravidez, do trabalho de parto e do parto, que na sua maioria (15% dos 19%) estão classificados como Transtornos relacionados com a duração da gravidez e com o crescimento fetal. Esta classificação demasiado vaga e que não permite a identificação da provável causa de morte, indispensável ao planeamento de medidas que permitissem a melhoria deste indicador, poderá ser consequência do facto de o médico assistente ter de estabelecer uma causa de morte sem ter havido uma pesquisa aprofundada da causa, nomeadamente, uma autopsia anatomopatológica, ou revelar a existência de dificuldades no preenchimento do certificado de óbito. 40
64 5. MORTALIDADE E MORBILIDADE GERAL
65
66 5.1. Introdução A criação de sistemas de informação que permitam a recolha sistemática de dados de morbilidade e mortalidade é indispensável para o estudo e vigilância da saúde das populações. Embora os dados de mortalidade estejam sujeitos a erros decorrentes do preenchimento dos certificados de óbito, e não sejam um indicador directo de incidência, são uma ferramenta extremamente útil para analisar a evolução temporal e o peso relativo de diferentes doenças/situações, identificar prioridades e podem contribuir de forma decisiva no planeamento. Assim, e face à limitada disponibilidade de estatísticas de morbilidade, na sua maioria iremos analisar dados de mortalidade. Na generalidade, os dados aqui apresentados foram obtidos dos quadros publicados pela Direcção Geral de Saúde (DGS) (2-5). A causa de óbito foi classificada de acordo com a Classificação Internacional das Doenças - 9ª revisão (CID 9) para os anos 2000 e 2001 e na Classificação Internacional das Doenças - 10ª revisão (CID 10) para A utilização dos dados de mortalidade está dependente da qualidade da informação que fornecem. Uma forma indirecta de medir a qualidade desta informação é através da proporção de óbitos cuja causa não é identificada. É possível verificar que houve, entre 2000 e 2002, uma redução acentuada da taxa de mortalidade padronizada para a idade de situações sem a identificação da causa do óbito. Na região Norte este era um problema com uma dimensão maior do que no global nacional, no entanto, nos três anos em análise houve uma redução que permitiu que o valor da taxa padronizada para a idade, em 2002, se aproximasse ao nacional (68,8/ hab. na região Norte e 62,5/ hab. no País) (Figura 24), esta redução na taxa de mortalidade padronizada resulta de uma redução do número de óbitos incluídos nesta categoria (Quadro 13). 43
67 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Sintomas, sinais e afecções mal definidas Total Geral - HM Nor te - HM Total Geral - H Nor te - H Total Geral - M Nor te - M Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 24 Taxas de mortalidade (/ hab) por sintomas, sinais e afecções mal definidas (CID 9: 46 ou CID 10: R00-R99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Quadro 13 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por sintomas, sinais e afecções mal definidas (CID 9: 46 ou CID 10: R00-R99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Sintomas, sinais e afecções mal definidas Homens , , ,3 Mulheres , , ,2 Fonte: Risco de Morrer, DGS 5.2. Mortalidade e Morbilidade Geral No período de 2000 a 2002 a evolução da taxa de mortalidade por todas as causas padronizada para a idade seguiu, na região Norte o mesmo comportamento que o total nacional. Em ambos os sexos a taxa de mortalidade padronizada para a idade foi sempre inferior aos valores nacionais (Figura 25). 44
68 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Todas as causas de morte Total Geral (HM) Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 25 Taxas de mortalidade (/ hab) por todas as causas de morte, padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Embora a taxa de mortalidade padronizada para a idade tenha diminuído entre 2000 e 2002, o número de óbitos aumentou. A taxa de mortalidade bruta na região Norte manteve-se semelhante nos três anos analisados: 868,8/ habitantes no ano 2000, 871,8 em 2001, e em ,0/ habitantes. Ambos os sexos apresentaram uma evolução semelhante (Quadro 14). Quadro 14 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por todas as causas de morte, na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Todas as causas de morte Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,1 803, ,4 804, ,2 793,6 Fonte: Risco de Morrer, DGS 45
69 Causas Externas A taxa de mortalidade por causas externas foi muito superior no sexo masculino. A taxa padronizada para a idade é inferior na região Norte do que o valor global nacional (Figura 26). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Causas externas Total Geral - HM Nor te - HM Total Geral - H Nor te - H Total Geral - M Nor te - M Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 26 Taxas de mortalidade (/ hab) por causas externas (CID 9: E47- E56 ou CID 10: V, W, X, Y), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Quando observamos os dados referentes a taxas de mortalidade padronizadas para a idade, verifica-se que a diferença entre a região Norte e o total geral é maior em 2000 e atenua-se ao longo do período em análise. Não podemos excluir a possibilidade de que a diferença inicial possa ser parcialmente explicada pela diferença existente nos óbitos cuja causa de morte foi classificada como sintomas, sinais e afecções mal definidas que no ano 2000 foi superior na região Norte. Na região Norte, verificou-se, em ambos os sexos, um aumento da taxa de mortalidade bruta no período de 2000 a 2002 (Quadro 15). 46
70 Quadro 15 Óbitos e Taxas de mortalidade bruta (/ hab) por causas externas (CID 9: E47-E56 ou CID 10: V, W, X, Y), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Causas externas Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,8 15, ,5 19, ,0 24,5 Fonte: Risco de Morrer, DGS Considerando apenas as taxas de mortalidade, padronizadas para a idade, por acidentes de transporte e acidentes de trânsito com veículos a motor, apresentaram um crescimento neste período em ambos os sexos (Figuras 27 e 28). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Acidentes de transporte e Acidentes de trânsito com veículos a motor - Homens Aci dentes de Tr anspor te - Total Ger al 20 Aci dentes de Tr anspor te - Nor te 15 Acidentes de Trânsito com Veículos a Motor - Total Ger al Aci dentes de Tr ânsi to com Veícul os a Motor - Nor te Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 27 Taxas de mortalidade (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9: E471 ou CID 10: V02-V04, V09, V12-V14, V19-V79, V86- V89) e acidentes de transporte (CID 9: E47 ou CID 10: V01-V99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em homens, no período de 2000 a
71 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Acidentes de transporte e Acidentes de trânsito com veículos a motor - Mulheres Aci dentes de Tr anspor te - Total Ger al Aci dentes de Tr anspor te - Nor te Acidentes de Trânsito com Veículos a Motor - Total Geral Aci dentes de Tr ânsi to com Veícul os a Motor - Nor te Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 28 Taxas de mortalidade (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9: E471 ou CID 10: V02-V04, V09, V12-V14, V19-V79, V86- V89) e acidentes de transporte (CID 9: E47 ou CID 10: V01-V99), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em mulheres, no período de 2000 a 2002 Os óbitos por acidentes de transporte são quase na totalidade óbitos por acidentes de trânsito com veículos a motor. Na região Norte, nos três anos apresentados, a taxa de mortalidade bruta por acidentes de transporte aumentou cerce de 2,5 vezes nos homens, enquanto nas mulheres quadruplicou (Quadro 16). Quadro 16 Óbitos e Taxas de mortalidade bruta (/ hab) por acidentes de trânsito com veículos a motor (CID 9: E471 ou CID 10: V02-V04, V09, V12-V14, V19-V79, V86-V89) e acidentes de transporte (CID 9: E47 ou CID 10: V01-V99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Causa de Morte óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Acidentes de trânsito com veículos a motor Homens Mulheres Acidentes de transporte Homens Mulheres ,7 2,0 11,0 2, ,6 5,9 21,0 6, ,2 7,9 27,3 8,4 Fonte: Risco de Morrer, DGS 48
72 Diabetes mellitus No período em análise a taxa de mortalidade por Diabetes mellitus padronizada para a idade aumentou, quer a nível nacional quer na região Norte. As taxas de mortalidade padronizadas, total e por sexo, na região Norte são inferiores às nacionais (Figura 29). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Diabetes mellitus Total Geral (HM) 20 Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) 15 Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 29 Taxas de mortalidade (/ hab) por diabetes mellitus (CID 9:181 ou CID 10: E10-14), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Na região Norte, a taxa de mortalidade bruta por diabetes mellitus aumentou de 24,5/ habitantes em 2000, para 29,2 em 2001 e ainda foi superior em 2002 (35,2/ habitantes). Durante todo o período o número de óbitos e a taxa de mortalidade foi superior no sexo feminino (Quadro 17). Quadro 17 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por diabetes mellitus (CID 9:181 ou CID 10:E10-14), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Causa de Morte óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Diabetes mellitus Homens , , ,1 Mulheres , , ,0 Fonte: Risco de Morrer, DGS 49
73 Doenças do Aparelho Circulatório A taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório, padronizada para a idade, apresenta uma tendência decrescente ao longo dos três anos analisados. O mesmo se verifica quando avaliada isoladamente a taxa de mortalidade por doenças cerebrovasculares, enquanto que a taxa de mortalidade por doença isquémica do coração, padronizada para a idade, se manteve estável (Figura 30). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Doença do aparelho circulatório, doença isquémica do coração e doenças cerebrovasculares Aparelho Circulatório - Total Geral Aparelho Circulatório - Norte Doença Isquémica do Coração - Total Geral Doença Isquémica do Coração - Norte Cerebrovasculares - Total Geral Cerebrovasculares - Norte Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 30 Taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho circulatório (CID 9:25-30 ou CID 10: ), doença isquémica do coração (CID 9:27 ou CID 10: ) e doenças cerebrovasculares (CID 9:29 ou CID 10: ), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Na região de Saúde do Norte a taxa de mortalidade bruta por doenças do aparelho circulatório foi de 310,3 / habitantes no ano 2000, 312,8 em 2001 e desceu para 303,7 em Neste contexto as doenças cerebrovasculares representam a maior fatia, sendo a taxa de mortalidade bruta mais do dobro da taxa de mortalidade por doença isquémica do coração (158,2 vs. 58,5 / habitantes, em 2002). Nas mulheres, a taxa de mortalidade por doenças cerebrovasculares é quase cinco vezes superior à taxa de mortalidade por doença isquémica do coração (Quadro 18). 50
74 Quadro 18 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença do aparelho circulatório (CID 9:25-30 ou CID 10: ), doença isquémica do coração (CID 9:27 ou CID 10: ) e doenças cerebrovasculares (CID 9:29 ou CID 10: ), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Causa de Morte óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Doença do aparelho circulatório Homens Mulheres Doença isquémica do coração Homens Mulheres Doenças Cerebrovasculares Homens Mulheres ,4 332,6 63,3 43,5 158,1 198, ,3 332,9 66,8 46, ,8 318,5 71,0 46,9 153,6 191, ,9 172,6 Fonte: Risco de Morrer, DGS A redução da mortalidade observada pode resultar de melhores cuidados de saúde e a existência actualmente de meios e técnicas que permitem a sobrevida, e não reflectirem uma redução na incidência. Para avaliar esta hipótese foi possível obter dados referentes a internamentos em unidades hospitalares por doenças isquémicas cardiacas (Figuras 31 e 32), enfarte agudo do miocárdio (Figuras 33 e 34) e doenças cerebrovasculares (Figuras 35 e 36). Doenças Isquemicas Cardíacas análise por sexo Homens Mulheres Total Fonte: IGIF Figura 31 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças isquémicas cardiacas, por sexo, no período de 2000 a
75 Doenças Isquemicas Cardíacas análise por grupo etário a 74 >=75 55 a a a 44 Fonte: IGIF Figura 32 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças isquémicas cardiacas, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 O número total de internamentos por doenças isquemicas cardiacas, no período de 2000 a 2002 (período do qual se apresentam dados de mortalidade), apresentou apenas uma ligeira subida nos indivíduos com idade igual ou superior a 75 anos, em todos os outros grupos etários houve um decréscimo. De 2002 a 2003 o número diminuiu, mas em 2004 voltou a aumentar mantendo valores próximos dos estabelecidos em Enfarte Agudo de Miocardio análise por sexo Homens Mulheres Total Fonte: IGIF Figura 33 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por enfarte agudo do miocárdio, por sexo, no período de 2000 a
76 Enfarte Agudo de Miocardio análise por grupo etário a 74 >=75 55 a a a Fonte: IGIF Figura 34 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por enfarte agudo do miocárdio, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 A análise referente ao enfarte agudo do miocárdio mostra que para ambos os sexos, e para todas as classes de idade, no período de 2000 a 2003 houve um aumento do número de internamentos por esta patologia. Entre 2003 e 2004 a tendência foi decrescente (Figuras 33 e 34) Internamentos por Doenças Cerebrovasculares análise por sexo Homens Mulheres Total Fonte: IGIF Figura 35 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças cerebrovasculares, por sexo, no período de 2000 a 2004 Embora a mortalidade por doenças cerebrovasculares apresente uma tendência decrescente, considerando as informações até 2004 sobre o número de internamentos em unidades hospitalares por doenças cerebrovasculares, verificamos que o número se manteve aproximadamente estável ao longo dos anos (Figura 35). Ao analisar por classe etária, é possível verificar que no grupo de 75 ou mais anos houve um ligeiro aumento (Figura 36). 53
77 Internamentos por Doenças Cerebrovasculares análise por grupo etário a 74 >=75 55 a a a 44 Fonte: IGIF Figura 36 Número de internamentos em unidades hospitalares da região Norte por doenças cerebrovasculares, por grupo etário, no período de 2000 a 2004 Do conjunto destes resultados podemos admitir a hipótese que a redução da taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório observada no período de 2000 a 2002, se deva à melhoria de condições de tratamento e não a uma redução da incidência. Fica por esclarecer, nomeadamente no que se refere às doenças cerebrovasculares, se esta redução na mortalidade mantendo-se a incidência, implica um aumento de sobreviventes com lesões que vão necessitar de cuidados especiais. Há ainda a considerar a necessidade de controlar a hipertensão arterial, um factor de risco reconhecido quer para as doenças cerebrovasculares quer para as doenças isquémicas cardíacas. Num estudo de âmbito nacional (5023 adultos), a prevalência de hipertensão foi de 42,1%, dos classificados como hipertensos apenas 46,1% tinha conhecimento desta situação, 39,0% tinha terapia farmacológica. Dos que estavam em terapia farmacológica apenas 11,2% estava controlado (< 140/90 mmhg) (9). Uma avaliação realizada a uma amostra representativa da população da cidade do Porto (estudo EPIPorto) (10), verificou que em indivíduos com idade superior a 39 anos a prevalência de hipertensão arterial (pressão arterial sistólica 140 mm Hg e/ou pressão arterial diastólica 90 mm Hg e/ou com terapêutica farmacológica) foi de 58,9%, dos quais 64,1% tinham conhecimento desta sua condição. A proporção dos hipertensos sob tratamento farmacológico era de 46,9%, destes apenas cerca de 14% estavam controlados. 54
78 Doenças do Aparelho Respiratório A evolução da taxa de mortalidade por doenças do aparelho respiratório, padronizada para a idade, na região Norte é semelhante à nacional. No entanto, o decréscimo que ocorreu entre 2000 e 2001 não foi tão acentuado como o nacional, pelo que em 2002 apresentava valores superiores aos nacionais (Figura 37). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Doença do aparelho respiratório, pneumonia bronquite crónica não especificada, enfisema e asma Aparelho Respiratório - Total Geral Aparelho Respiratório - Norte 40 Pneumonia - Total Geral Pneumonia - Norte Bronq Cron, Enfisema e Asma - Total Geral 30 Bronq Cron, Enfisema e Asma - Norte Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 37 Taxas de mortalidade (/ hab) por doença do aparelho respiratório (CID 9: ou CID 10: J00-J99), pneumonia (CID 9: 321 ou CID 10: J12-J18), bronquite crónica não especificada, enfisema e asma (CID 9: 323 ou CID 10: J40-43, J45, J46), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 A taxa de mortalidade bruta por doença do aparelho respiratório é superior nos homens, particularmente por bronquite crónica não especificada, enfisema e asma. As taxas de mortalidade por pneumonia são semelhantes em ambos os sexos (Quadro 19). 55
79 Quadro 19 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença do aparelho respiratório (CID 9: ou CID 10: J00-J99), pneumonia (CID 9: 321 ou CID 10: J12-J18), bronquite crónica não especificada, enfisema e asma (CID 9: 323 ou CID 10: J40-43, J45, J46), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Causa de Morte óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Aparelho Respiratório Homens Mulheres Pneumonia Homens Mulheres Bronq. Cron. não Esp., Enfisema e Asma Homens Mulheres ,5 77,4 38,9 36,7 8,6 5, ,1 69,3 37,3 32,4 9,2 5, ,1 72,7 33,6 29,9 8,9 5,6 Fonte: Risco de Morrer, DGS Doenças do Aparelho Digestivo A taxa de mortalidade por doenças do aparelho digestivo, padronizada para a idade, nas mulheres apresenta valores ligeiramente superiores na região Norte do que o nacional em todos os anos avaliados (Figura 38). A taxa de mortalidade bruta, na região Norte, aumentou de 35,7/ habitantes em 2000 para 40,3/ habitantes em 2002 e, tal como a nacional, é superior nos homens (Quadro 20). 56
80 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Doenças do aparelho digestivo Total Geral - HM Norte - HM Total Geral - H Norte - H Total Geral - M Norte - M Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 38 Taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho digestivo (CID 9: ou CID 10: K00-K93), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Quadro 20 Óbitos e taxas de mortalidade (/ hab) por doenças do aparelho digestivo (CID 9: ou CID 10: K00-K93), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Doenças do aparelho digestivo Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,9 27, ,8 30, ,3 31,0 Fonte: Risco de Morrer, DGS Doença Crónica do Fígado e Cirrose A taxa de mortalidade por doença crónica do fígado e cirrose, padronizada para a idade, na região Norte é maior do que a nacional, particularmente no sexo feminino (Figura 39). A taxa de mortalidade bruta, para ambos os sexos, foi de 18,0/ habitantes em 2000, 19,2 em 2001, e 17,3 em Nos homens, a taxa de mortalidade bruta é ligeiramente superior ao dobro da observada nas mulheres (Quadro 21). 57
81 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Doença crónica do fígado e cirrose Total Geral - HM Norte - HM Total Geral - H Norte - H Total Geral - M Norte - M Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 39 Taxas de mortalidade (/ hab) por doença crónica do fígado e cirrose (CID 9: 347 ou CID 10: K70 e K73-K74), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Quadro 21 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por doença crónica do fígado e cirrose (CID 9: 347 ou CID 10: K70 e K73-K74) na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Doença crónica do fígado e cirrose Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,3 11, ,6 12, ,3 10,7 Fonte: Risco de Morrer, DGS Total de Tumores Malignos A taxa de mortalidade por tumores malignos, padronizada para a idade, na região Norte é semelhante à nacional (Figura 40). A taxa de mortalidade bruta, é aproximadamente 1,5 vezes superior nos homens (Quadro 22). 58
82 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumores Malignos Total Geral - HM Nor te - HM Total Geral - H Nor te - H Total Geral - M Nor te - M Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 40 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores malignos (CID-9:08-14 ou CID 10: C00-C99), padronizadas pela idade, em ambos os sexos, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Quadro 22 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores malignos (CID-9:08-14 ou CID 10: C00-C99), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Tumores Malignos Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,8 139, ,2 147, ,8 143,7 Fonte: Risco de Morrer, DGS 59
83 5.3. Anos Potenciais de Vida Perdidos Tomando como referência a informação disponível para o ano 2002, e para perceber algum do impacto na população das causas de morte atrás descritas, apresenta-se o potencial de vida perdido considerando como limite superior os 70 anos. A utilização deste limiar, claramente inferior à actual esperança de vida à nascença para a população portuguesa (80,98 para as mulheres e 74,53 para os homens), embora possa existir erro na estimativa do número absoluto de anos perdidos, permite estabelecer a ordem pela qual as diferentes causas de morte contribuem para esta perda. Anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos na população da região Norte ambos os sexos (/ hab), 2002 TODOS OS TUMORES LESOES INTENCIONAIS ACIDENTES VEICULOS MOTOR ACIDENTES TRANSPORTE CAUSAS EXTERNAS SINAIS E SINTOMAS MAL DEFINIDOS FIGADO E CIRROSE AP DIGESTIVO BRONQUITE E ENFISEMA PNEUMONIA DOENÇA AP RESPIRATORIO DOENÇA ISQUEMICA CORAÇÃO AP CIRCULATORIO DIABETES Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 41 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, ambos os sexos A causa de morte que implicou maior número de potenciais anos de vida perdida foi o conjunto de doenças oncológicas. Seguem-se as causas externas, nas quais se incluem os acidentes com veículos a motor, representando uma elevada perda de potenciais anos de vida. As doenças do aparelho circulatório, que são a principal causa de morte, aparecem em terceiro lugar como causa potencial de anos de vida perdidos (Figura 41). 60
84 Anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos (/ hab) Homens, 2002 TODOS OS TUMORES LESOES INTENCIONAIS ACIDENTES VEICULOS MOTOR ACIDENTES TRANSPORTE CAUSAS EXTERNAS SINAIS E SINTOMAS MAL DEFINIDOS FIGADO E CIRROSE AP DIGESTIVO BRONQUITE E ENFISEMA PNEUMONIA DOENÇA AP RESPIRATORIO DOENÇA ISQUEMICA CORAÇÃO Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 42 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, homens Anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos (/ hab) Mulheres, 2002 TODOS OS TUMORES LESOES INTENCIONAIS ACIDENTES VEICULOS MOTOR ACIDENTES TRANSPORTE CAUSAS EXTERNAS SINAIS E SINTOMAS MAL DEFINIDOS FIGADO E CIRROSE AP DIGESTIVO BRONQUITE E ENFISEMA PNEUMONIA DOENÇA AP RESPIRATORIO Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 43 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por causa de morte, na população da região Norte, mulheres O papel relativo das causas de morte na perda de anos potenciais de vida é diferente em homens e mulheres. Enquanto nos homens a causa responsável por 61
85 maior potencial de anos de vida perdidos foram as causas externas, e só depois as doenças oncológicas, nas mulheres, são as doenças oncológicas as que provocaram maior perda de potenciais anos de vida. Destaca-se ainda o papel das doenças do aparelho respiratório como a segunda causa de anos potenciais de vida perdidos nas mulheres, e responsável por maior número de anos de vida perdidos nas mulheres do que nos homens. Nas mulheres as causas externas e as doenças do aparelho circulatório apresentam valores semelhantes, as doenças do aparelho circulatório por terem uma elevada taxa de mortalidade, embora em indivíduos mais velhos, e a mortalidade por causas externas por incidir em indivíduos jovens (Figuras 42 e 43). 62
86 Mortalidade por Doenças Oncológicas Pela relevância que as doenças oncológicas têm como causa de morte e anos potencias de vida perdidos, assim como pela diversidade de tumores, com as suas especificações no diagnóstico, tratamento e história natural, que são englobadas nesta classificação, apresenta-se uma descrição da mortalidade de tumores em localizações anatómicas específicas. 70 Taxas de mortalidade padronizadas para a idade, Norte Total APAR. DIGESTIVO E PERITONEU (CID 10:C15-C26) AP. RESPIRATÓRIO (CID 10:C30-C39) OSSOS, TEC. CONJUNTIVO, PELE E MAMA (CID 10:C40-C41 e C43- C44 e C50) MAMA FEMININA (CID 10:C50) COLO DO UTERO (CID-10: C53) ORGÃOS GENITURINÁRIOS (CID 10:C51-C58 e C60-C68) PRÓSTATA (CID 10:C61) TEC. LINFÁTICO E O. HEMATOPOIÉTICOS (CID 10:C81-C96) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 44 Taxas de mortalidade (/ hab) por localização do tumor, padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em 2002, em ambos os sexos Embora as taxas de mortalidade por todos os tumores região Norte e nacional sejam semelhantes, existem algumas variações quando observamos os resultados por localização do tumor. A região Norte apresenta valores superiores aos nacionais na mortalidade por tumores do aparelho digestivo e peritoneu e por tumores do aparelho respiratório (Figura 44). Como não é de esperar uma diferença na prestação de cuidados de saúde entre regiões que justifique as diferenças observadas, estes resultados podem ser interpretados como diferenças na incidência da doença. Tumores do Aparelho Digestivo Dos tumores do aparelho digestivo, as localizações que têm maior taxa de mortalidade são os do estômago e do cólon. Ao comparar as taxas de mortalidade 63
87 após padronização pela idade da região Norte com o nacional, verifica-se que as taxas de mortalidade por cancro do estômago são superiores na região Norte (Figura 45). Em ambos os sexos se verifica esta relação (Figuras 46 e 47). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumor do estômago e Tumor do cólon Estômago - Total Geral (HM) 20 Estômago - Norte (HM) Cólon - Total Geral (HM) Cólon - Norte (HM) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 45 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID 9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002, em ambos os sexos Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumor do estômago e Tumor do cólon - Homens Estômago - Total Geral (H) 20 Estômago - Norte (H) Cólon - Total Geral (H) Cólon - Norte (H) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 46 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID 9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002, em homens 64
88 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumor do estômago e Tumor do cólon - Mulheres Estômago - Total Geral (M) Estômago - Norte (M) Cólon - Total Geral (M) Cólon - Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 47 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10: C18), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, o período de 2000 a 2002, em mulheres Na região Norte, verifica-se que a taxa bruta de mortalidade é superior no sexo masculino, quer a localização seja no estômago quer no cólon. Em ambos os sexos a taxa de mortalidade por tumor do estômago é maior, no entanto é de realçar que a taxa de mortalidade por tumor do estômago está a decrescer, mas a taxa de mortalidade por tumor do cólon não apresenta a mesma tendência (Quadro 23). Quadro 23 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do aparelho digestivo e peritoneu (CID-9: 09), tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10: C18), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Aparelho digestivo e peritoneu Homens , , ,7 Mulheres , , ,9 Estômago Homens , , ,8 Mulheres , , ,3 Cólon Homens , , ,6 Mulheres , , ,2 Fonte: Risco de Morrer, DGS 65
89 Através do recurso à padronização indirecta, e utilizando os dados referentes ao ano 2002, foi calculada a razão padronizada de mortalidade para cada distrito que integra a Região de Saúde do Norte. Quando consideramos o conjunto de tumores do aparelho digestivo, a razão de mortalidade padronizada é inferior a 1 em Bragança e próxima de 1 no Porto e Braga, os distritos que apresentaram um valor superior são Viana do Castelo e Vila Real. Considerando apenas os tumores do estômago, todos os distritos apresentam razões padronizadas de mortalidade superiores a 1, o que indica uma mortalidade superior à esperada de acordo com a taxa de mortalidade do país. Os valores mais altos são agora os de Braga e Viana do Castelo, depois Porto, Bragança, e Vila Real. As razões de mortalidade padronizada referentes aos tumores do cólon mostram que apenas o distrito de Vila Real apresenta uma mortalidade superior ao esperado (Quadro 24). Quadro 24 - Razão padronizada de mortalidade, para tumores do aparelho digestivo e peritoneu (CID-9: 09), tumor do estômago (CID 9:091 ou CID 10: C16) e tumor do cólon (CID-9:093 ou CID 10: C18) por distrito da Região de Saúde do Norte, em 2002 Aparelho digestivo Estômago Cólon e peritoneu Braga 1,08 1,41 0,77 Bragança 0,96 1,13 0,76 Porto 1,10 1,24 0,92 Viana do Castelo 1,13 1,39 0,95 Vila Real 1,15 1,15 1,21 O decréscimo na taxa de mortalidade por tumores do estômago foi observado internacionalmente e atribuído à melhoria das condições sociais e económicas. Contudo o decréscimo nos países do sul da Europa foi menos acentuado. Em Portugal, no período entre 1984 e 1999 a taxa de mortalidade decresceu 2,0% nos homens e 2,2% nas mulheres, mas a variação foi diferente entre regiões e estava associada com indicadores sociais e económicos, pelo que será de esperar que a evolução acompanhe os países desenvolvidos e continue a decrescer (11). Pelo contrário, é de esperar ainda um aumento da taxa de mortalidade por tumores do cólon até à sua estabilização, como aconteceu em outros países da Europa (12). 66
90 Tumores do Aparelho Respiratório As taxas de mortalidade por tumores do aparelho respiratório resultam essencialmente das taxas de mortalidade por tumores da traqueia, brônquios e pulmão. Verifica-se que no sexo feminino a mortalidade após padronização é semelhante ao global nacional, no entanto no sexo masculino os valores da região Norte são superiores aos nacionais (Figuras 48 e 49). 70 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumores do aparelho respiratório Total Geral (HM) Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 48 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores do aparelho respiratório (CID 9: 10 ou CID 10: C30-C39), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tumores da traqueia, brônquios e pulmão Total Geral (HM) Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 49 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da traqueia, brônquios e pulmão (CID 9:101 ou CID 10:C33-C34), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a
91 Considerando os dados da região Norte, e como se tinha observado a nível nacional, a taxa de mortalidade no sexo masculino é muito superior à do sexo feminino, aproximadamente cinco vezes superior (Quadro 25). Quadro 25 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do aparelho respiratório (CID 9: 10 ou CID 10: C30-C39), e traqueia, brônquios e pulmão (CID 9: 101 ou CID 10: C33-C34), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Aparelho respiratório Homens , , ,6 Mulheres , , ,7 Traqueia, brônquios e pulmão Homens , , ,5 Mulheres , , ,4 Fonte: Risco de Morrer, DGS Através da razão padronizada de mortalidade por tumores do aparelho respiratório, verifica-se que os distritos do Porto e Viana do Castelo são os que apresentam valores mais elevados e Bragança apresenta o valor mais baixo. Considerando apenas os tumores da traqueia, brônquios e pulmão, Porto a Braga têm os valores mais elevados (Quadro 26). Quadro 26 - Razão padronizada de mortalidade para tumores do aparelho respiratório (CID 9: 10 ou CID 10: C30-C39), e traqueia, brônquios e pulmão (CID 9: 101 ou CID 10: C33-C34), por distrito da Região de Saúde do Norte, em 2002 Aparelho respiratório Traqueia, brônquios e pulmão Braga 1,09 0,70 Bragança 0,71 1,08 Porto 1,25 1,30 Viana do Castelo 1,15 0,94 Vila Real 0,94 0,93 Tumores do Tecido Linfático e Órgãos Hematopoiéticos As taxas de mortalidade por tumores do tecido linfático e órgãos hematopoiéticos, padronizada pela idade, apresentam uma evolução crescente (Figura 50). Na região Norte a taxa de mortalidade bruta foi de 11,9/ habitantes em 68
92 2000, 12,9 em 2001 e 13,7 em 2002, este crescimento representa essencialmente o crescimento que se observou no sexo feminino (Quadro 27). Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Tecido linfático e órgãos hematopoiéticos Total Geral (HM) Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 50 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores do tecido linfático e órgãos hematopoiéticos (CID 9:14 ou CID 10:C81-C96), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, em ambos os sexos, no período de 2000 a 2002 Quadro 27 Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores do tecido linfático e órgãos hematopoiéticos (CID 9:14 ou CID 10:C81-C96), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Tec. linfático e O. hematopoiéticos Homens , , ,9 Mulheres , , ,6 Fonte: Risco de Morrer, DGS Tumores da Mama - mulheres A taxa de mortalidade por tumores da mama, nas mulheres, padronizada pela idade, foi menor na região Norte do que o nacional. Na região Norte observou-se um decréscimo particularmente acentuado entre 2001 (19,8/ habitantes) e 2002 (16,2/ habitantes) (Figura 51). Considerando os valores da taxa de mortalidade 69
93 bruta o decréscimo foi de 21,9/ habitantes em 2000, para 19,8/ habitantes em 2002 (Quadro 28). 25 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Mama - mulheres Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 51 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da mama em mulheres (CID 9: 50 ou CID 10: C50), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Quadro 28 Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores da mama em mulheres (CID-9: 50 ou CID 10: C50), na região Norte, no período de 2000 a Mama óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Mulheres , , ,8 Fonte: Risco de Morrer, DGS Tumores da Próstata A taxa de mortalidade por tumores da próstata, padronizada pela idade, foi menor na região Norte do que os valores nacionais. Ambas decresceram entre 2000 e 2002, mas o decréscimo foi mais acentuado nos valores nacionais entre 2000 e 2001 (Figura 52). A taxa de mortalidade bruta na região Norte manteve-se próxima dos 24/ habitantes durante este período (Quadro 29). 70
94 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Próstata Total Geral (H) Norte (H) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 52 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores da próstata (CID-9: 124 ou CID 10: C61), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Quadro 29 Óbitos e taxa de mortalidade bruta (/ hab) por tumores da próstata (CID-9: 124 ou CID 10: C61), na região Norte, no período de 2000 a Próstata óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa Homens , , ,0 Fonte: Risco de Morrer, DGS Tumores de Outras Localizações A taxa de mortalidade por tumores de outras localizações, padronizada pela idade, manteve-se estável no global nacional, mas decresceu na região Norte. Este decréscimo poderá parcialmente ser devido a um melhor registo da informação no certificado de óbito que permita a identificação do local do tumor (Figura 53). 71
95 Taxas de mortalidade padronizadas pela idade (/ hab) Outras localizações Total Geral (HM) Norte (HM) Total Geral (H) Norte (H) Total Geral (M) Norte (M) Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 53 Taxas de mortalidade (/ hab) por tumores de outras localizações (CID 9: 13 ou CID 10: C69-C80), padronizadas pela idade, na região Norte e o global nacional, no período de 2000 a 2002 Na região Norte o valor da taxa de mortalidade bruta por tumores de outra localização manteve-se estável (14,5/ habitantes em 2000, 14,9 em 2001 e 14,3 em 2002) (Quadro 30). Quadro 30 Óbitos e taxas de mortalidade bruta (/ hab) por tumores de outras localizações (CID 9: 13 ou CID 10: C69-C80), na região Norte, no período de 2000 a 2002, por sexo Outras localizações Homens Mulheres óbitos taxa óbitos taxa óbitos taxa ,7 12, ,9 14, , ,0 Fonte: Risco de Morrer, DGS 72
96 Anos Potenciais de Vida Perdidos por Doenças Oncológicas A incidência e mortalidade dos tumores de diferentes localizações está dependente da idade, apresenta-se o potencial de anos de vida perdidos considerando como limite superior os 70 anos e tomando como referência a informação disponível para o ano A informação sobre os anos potenciais de vida perdidos é um indicador do impacto que as doenças oncológicas têm na população, e poderá ser um instrumento para a definição de prioridades pois complementa a informação sobre a mortalidade. Anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos (/ hab) Homens, 2002 PROSTATA AP. GENITURINARIO TECIDO LINFATICO E ORGAOS HEMATOPOIETICOS OSSO, TECIDO CONJUNTIVO, PELE E MAMA TRAQUEIA, BRONQUIOS E PULMAO AP. RESPIRATORIO COLON ESTOMAGO DIGESTIVO E PERITONEU Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 54 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por localização do tumor, na população da região Norte, em homens Anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos (/ hab) Mulheres, COLO DO UTERO MAMA FEMININA AP. GENITURINARIO TECIDO LINFATICO E ORGAOS HEMATOPOIETICOS OSSO, TECIDO CONJUNTIVO, PELE E MAMA TRAQUEIA, BRONQUIOS E PULMAO AP. RESPIRATORIO COLON ESTOMAGO DIGESTIVO E PERITONEU Fonte: Risco de Morrer, DGS Figura 55 - Total de anos potenciais de vida perdidos até aos 70 anos, em 2002, por localização do tumor, na população da região Norte, em mulheres 73
97 Em ambos os sexos, os tumores do aparelho digestivo, nomeadamente do estômago, são os que contribuem com maior perda de anos potenciais de vida. Nos homens os tumores do aparelho respiratório são os segundos na perda de potenciais anos de vida e existe uma enorme diferença para os restantes (Figura 54). Nas mulheres a distribuição de anos potenciais de vida perdidos pelas diferentes localizações não apresenta diferenças tão acentuadas. O tumor da mama é o responsável por maior número de anos potenciais de vida perdidos (a mama é apresentada quer no grupo osso, tecido conjuntivo, pele e mama quer separadamente em mama feminina ). O aparelho respiratório, que no sexo masculino apresenta uma elevada perda de anos potenciais de vida, nas mulheres aparece apenas depois dos tumores do aparelho geniturinario e dos tumores de tecidos linfáticos e órgãos hematopoieticos, no entanto tendo em conta a evolução já observada na taxa de mortalidade é de esperar que no futuro esta localização venha a apresentar um maior impacto (Figura 55). 74
98 6. DOENÇAS INFECCIOSAS
99
100 6.1. Introdução As doenças infecciosas têm vindo a reassumir relevância crescente a nível europeu e mundial. O aparecimento de novas doenças transmissíveis e a reemergência de outras que se supunham controladas representa um desafio para a saúde pública. Um dos principais sistemas de vigilância epidemiológica de doenças infecciosas é o sistema de Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória. É um instrumento usado pelos serviços de saúde pública para monitorizar tendências, dimensionar problemas e tomar decisões sobre estratégias de intervenção. No contexto nacional e regional a Tuberculose e a infecção pelo VIH são programas prioritários pelo que recorrendo aos sistemas de informação disponíveis, se apresenta a análise da situação epidemiológica dessas doenças de modo a tornar a intervenção mais efectiva Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória Introdução O Sistema de Declaração Obrigatória de Doenças Transmissíveis (DDO) é um sistema de informação para a vigilância de um conjunto de doenças infecciosas que teve o seu início em 1949 e cuja listagem tem sofrido alterações ao longo do tempo. A última alteração foi feita em Janeiro de 1999 (Portaria n.º 1072 de 31 de Dezembro de 1998), sendo a listagem actualmente em vigor composta por 45 doenças. Como todos os sistemas de registo de morbilidade, o sistema DDO tem problemas de subnotificação, variável de doença para doença, no entanto, a sua implantação no terreno desde há longos anos garante a possibilidade de proceder a uma análise da distribuição temporal das doenças. Para elaborar o diagnóstico da situação das DDO na região Norte (RN) analisou-se a informação estatística da Direcção-Geral da Saúde relativa ao quinquénio , período durante o qual não ocorreram alterações na lista das doenças sob notificação. Para além de uma análise geral das doenças, comparando a região Norte com o resto do País, procurou-se analisar com mais detalhe algumas outras doenças. Dentro destas, realçaram-se as zoonoses com especificidades de 77
101 distribuição no espaço geográfico da região e algumas doenças evitáveis pela vacinação, ou porque traduzem a intervenção dos serviços de saúde na sua prevenção ou porque a sua ocorrência apresenta particularidades que merecem uma reflexão mais aturada Casos declarados no quinquénio Durante o quinquénio foram declarados na região Norte um valor mínimo de 1786 casos de DDO em 2003 e um valor máximo de 3929 casos no ano 2000 (Quadro 31). Como se pode constatar pela observação dos dados do Quadro 31, a tuberculose é a doença mais expressiva, dada a importância que assume como problema de saúde pública é tratada em capítulo próprio. A diminuição do total de notificações que se observa durante o último quinquénio é essencialmente explicada pela descida no número de casos declarados de parotidite e de brucelose. Relativamente à tosse convulsa observa-se um aumento no número de casos declarados em As notificações de doenças virais exantemáticas, sarampo e rubéola, sofreram um decréscimo ao longo dos últimos cinco anos. De realçar ainda que nos últimos dois anos se observa uma diminuição acentuada no número de casos declarados de doença meningocócica (meningite e infecção meningocócica). As infecções de transmissão sexual também têm vindo a diminuir nos últimos anos. O mesmo padrão se observa na evolução do número de notificações de hepatites víricas transmitidas por via parentérica (hepatite aguda por vírus B e C), sendo mais consistente no caso da hepatite B. 78
102 Quadro 31 Casos de doenças transmissíveis de declaração obrigatória notificados na região Norte de Portugal por ano ( ) e taxa de incidência (/ pessoas ano) para o quinquénio CID-10 Designação Taxa de incidência A00 - A09 Doenças infecciosas intestinais A00 Cólera ,00 A01 Febres tifóide e paratifoide ,72 A02 Outras Salmoneloses ,35 A03 Shigelose ,02 A051 Botulismo ,21 A15 - A19 Tuberculose A15, A16 Tuberculose Respiratória ,32 A17 Tuberculose do SNC ,60 A19 Tuberculose miliar (disseminada) ,23 A20 - A28 Doenças bacterianas zoonóticas A20 Peste ,00 A22 Carbúnculo ,00 A23 Brucelose ,68 A27 Leptospirose ,17 A30 - A49 Outras doenças bacterianas A30 Doença de Hansen (lepra) ,03 A33 Tétano neonatal ,00 A35 Tétano (exclui tétano neonatal, A33) ,13 A36 Difteria ,00 A37 Tosse Convulsa ,20 A39 Infecção meningocócica (exclui meningite meningocócica, A39.0) ,02 A390 Meningite Meningocócica ,73 A481 Doença dos Legionários ,54 A492 Infecção por Haemophilus influenza (exclui meningite por Haemophilus influenza, G00.0) ,04 A50 - A64 Infecções de transmissão sexual A50 Sífilis Congénita* ,33 A51 Sífilis Precoce ,24 A54 Infecções Gonocócicas ,14 A65 - A69 Outras doenças por espiroquetas A692 Doença de Lyme ,10 A75 - A79 Rickettsioses A771 Febre Escaro-Nodular ,21 A78 Febre Q ,01 A80 - A89 Infecções virais do SNC A80 Poliomielite aguda ,00 A810 Doença de Creutzfeldt-Jakob (encefalopatia espongiforme subaguda) ,11 A82 Raiva ,00 A90 - A99 Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais A95 Febre-amarela ,00 B00 - B09 Infecções virais com lesões da pele e mucosas B05 Sarampo ,16 B06 Rubéola ,29 B15 - B19 Hepatite viral B15 Hepatite Aguda por vírus A ,49 B16 Hepatite Aguda por vírus B ,69 B171 Hepatite Aguda por vírus C ,69 B17 Hepatite por outros vírus especificados (exclui hepatite C, B17.1) ,04 B19 Hepatite por vírus não especificados ,01 B25 - B34 Outras doenças por vírus B26 Parotidite Epidémica ,38 B50 - B64 Doenças devidas a protozoários B50 a B54 Malária** ,37 B55 Leishmaníase Visceral ,06 B65 - B83 Helmintíases B67 Equinococose ,04 B75 Triquiníase ,00 Meningites bacterianas não classificadas em outra parte G00.0 Meningite por Haemophilus influenzae ,06 Infecções especificadas do período perinatal P35.0 Rubéola congénita ,00 Total DDO * por 1000 nados vivos ano Fonte: DGS ** casos importados 79
103 Comparação entre a região Norte e o resto do País De forma a comparar a situação epidemiológica das DDO entre a região Norte e o resto do País, calcularam-se razões entre taxas de incidência durante o quinquénio , por doença, cujos valores se podem observar na Figura 56. Se apenas valorizarmos as doenças em que o risco relativo foi igual ou superior a 2, será de realçar a doença de Creutzfeldt-Jakob, a doença de Lyme, a doença dos Legionários e o botulismo. As diferenças entre a região Norte e o resto do País em relação àquelas doenças, cuja característica comum poderá ser a sua potencial gravidade, podem traduzir diferenças na sua incidência. No entanto, no caso da doença de Creutzfeldt- Jakob estamos a falar de um risco relativo de cerca de 2 e num número de casos muito pequeno. Para a doença de Lyme, o valor elevado pode ser explicado pelo facto de no ano 2000 no distrito de Braga terem sido declarados 11 casos cujo ano de diagnóstico não foi apenas em 2000, mas sim no período entre 1995 e 2000, pelo que este valor não corresponde aos casos diagnosticados no período em estudo. Em relação à doença dos Legionários o valor encontrado reflecte a ocorrência de um surto no ano 2000 no concelho de Vizela, e um aumento no número de casos esporádicos declarados no distrito do Porto em Os dados referentes ao botulismo reflectem a ocorrência de surtos no ano 2000, no concelho de Paredes e Ponte de Lima, e de um surto que ocorreu em 2004 no concelho de Paços de Ferreira. Os dados relativos ao botulismo e outras salmoneloses poderão reflectir os resultados do Programa de Vigilância das Toxinfecções Alimentares Colectivas, em vigor na região Norte desde o ano de 2000, e incluídos em relatórios específicos (13, 14, 15). 80
104 M eningite por Haemophilus influenzae Equinococose Leishmaníase Visceral Malária** Parotidite Epidémica Hepatite por vírus não especificados Hepatite por outros vírus especificados Hepatite Aguda por vírus C Hepatite Aguda por vírus B Hepatite Aguda por vírus A Rubéola Sarampo Doença de Creutzfeldt-Jakob Febre Q Febre Escaro-Nodular Doença de Lyme Infecções Gonocócicas Doença Sífilis Precoce Sífilis Congénita* Infecção por Haemophilus influenza Doença dos Legionários M eningite M eningocócica Infecção meningocócica Tosse Convulsa Tétano (exclui tétano neonatal, A33) Doença de Hansen (lepra) Leptospirose Brucelose Carbúnculo Tuberculose miliar (disseminada) Tuberculose do SNC Tuberculose Respiratória Botulismo Shigelose Outras Salmoneloses Febres tifoide e paratifoide -1,00 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 Razão de taxas de incidência * por 1000 nados vivos ano ** casos importados Fonte: DGS Figura 56 Razão entre as taxas de incidência (quinquénio ) de algumas Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória da região Norte de Portugal e do resto do País Calcularam-se também as diferenças entre a taxa de incidência na região Norte e no resto do País, cujos valores podem observar-se na Figura 56. As duas doenças 81
105 em relação às quais a diferença entre a região Norte e o resto do País foi maior, foram a tuberculose respiratória (analisada em capítulo próprio) e outras salmoneloses. M eningite por Haemophilus influenzae Equinococose Leishmaníase Visceral Malária** Parotidite Epidémica Hepatite por vírus não especificados Hepatite por outros vírus especificados Hepatite Aguda por vírus C Hepatite Aguda por vírus B Hepatite Aguda por vírus A Rubéola Sarampo Doença de Creutzfeldt-Jakob Febre Q Febre Escaro-Nodular Doença de Lyme Infecções Gonocócicas Doença Sífilis Precoce Sífilis Congénita* Infecção por Haemophilus influenza Doença dos Legionários M eningite M eningocócica Infecção meningocócica Tosse Convulsa Tétano (exclui tétano neonatal, A33) Doença de Hansen (lepra) Leptospirose Brucelose Carbúnculo Tuberculose miliar (disseminada) Tuberculose do SNC Tuberculose Respiratória Botulismo Shigelose Outras Salmoneloses Febres tifoide e paratifoide -4,00-2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 Diferença entre taxas de incidência por 1000 nados vivos ano; ** casos importados Fonte: DGS Figura 57 Diferença entre as taxas de incidência (quinquénio ) de algumas Doenças Transmissíveis de Declaração Obrigatória da região Norte de Portugal e do resto do País * 82
106 Zoonoses Brucelose A incidência de brucelose foi particularmente elevada em concelhos dos distritos de Bragança e Vila Real (Figura 58). Fonte: DGS Figura 58 Taxa de incidência (/ pessoas ano) de casos de brucelose (CID10 A23) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por concelho A distribuição por sexo e grupo etário evidencia que em cada três casos, dois são do sexo masculino, e que dois terços dos casos têm idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos (Figura 59) M H Grupo etário Fonte: DGS Figura 59 Distribuição do número de casos de brucelose (CID10 A23) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por grupo etário e sexo 83
107 Febre escaro-nodular A distribuição geográfica da incidência da febre escaro-nodular apresenta um padrão mais disperso do que a da brucelose. No entanto, observam-se também valores mais altos de incidência em grande parte dos concelhos do distrito de Bragança e nos concelhos do sul do distrito de Vila real (Figura 60). Fonte: DGS Figura 60 Taxa de incidência (/ pessoas ano) de casos de febre escaronodular (CID10 A77.1) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por concelho de residência Não se observou um predomínio de género na incidência de febre escaronodular. A maioria dos casos declarados (55%) tinha menos de 15 anos de idade. 84
108 Doenças evitáveis pela vacinação Dentro do grupo das doenças evitáveis pela vacinação, decidiu-se destacar o tétano pela eficácia da vacina na sua prevenção e a tosse convulsa pela sua reemergência no ano de Tétano (CID 10 A35) Durante o quinquénio foram notificados vinte e um casos de tétano na região Norte. Neste período não ocorreram casos de tétano neonatal. O que corresponde a uma redução de casos relativamente aos dois quinquénios anteriores, 65 no quinquénio e 51 no quinquénio A distribuição geográfica dos 21 casos notificados no quinquénio pode ser observada na Figura 61. Um estudo relativo aos casos de tétano notificados na região Norte entre 1993 e 2002 (16), revelou que 88% dos 91 casos pertenciam ao grupo etário entre 50 e 84 anos, e que 73,7% dos casos de idade igual ou superior a 65 anos eram do sexo feminino. Nesta série de casos, a letalidade foi de 11,8%. O mesmo estudo revelou que nenhum doente estava adequadamente vacinado e que quase todos tinham recorrido a serviços de saúde (por motivos vários) nos 10 anos anteriores à ocorrência da doença, traduzindo repetidas oportunidades perdidas de vacinação. Fonte: DGS Figura 61 Número acumulado de casos de Tétano (CID10 A35) declarados na região Norte de Portugal, por concelho de residência
109 A população portuguesa apresenta um elevado grau de imunização contra o tétano, conforme dados da Avaliação do Programa Nacional de Vacinação 2º Inquérito Serológico Nacional Portugal Continental (Figura 62). No entanto, só se elimina esta doença garantindo uma cobertura vacinal de 100% da população. Fonte: DGS Figura 62 Distribuição dos indivíduos com resultado positivo (concentração de anticorpos IgG 0,1 UI/mL) para a toxina do tétano, por grupo etário (fonte: Avaliação do PNV - 2º Inquérito Serológico Nacional - Portugal Continental ) Tosse convulsa (CID10 A37) Durante o quinquénio foram notificados trinta e dois casos de tosse convulsa (Quadro I). Contrariando a tendência descendente que vinha sendo observada nos anos anteriores, em 2004 foram notificados vinte e seis casos. O maior número de casos declarados observou-se em residentes nos concelhos limítrofes do concelho do Porto (Vila Nova de Gaia 9 casos, Maia 5 casos, Gondomar 3 casos) e nos concelhos de Póvoa de Varzim, Vila Nova de Famalicão e Guimarães (3 casos em cada concelho) (Figura 63). 86
110 Fonte: DGS Figura 63 Número acumulado de casos de tosse convulsa (CID10 - A37) declarados na região Norte de Portugal, por concelho de residência A grande maioria dos casos notificados, isto é 29 em 32 (90,6%) ocorreu em crianças de idade inferior a seis meses, não tendo portanto idade para terem completado a primovacinação com DTP. Destes, 18 tinham idade inferior a dois meses e não podiam ter sido vacinados. Todos os casos notificados em crianças com menos de dois meses de idade ocorreram em Dos três casos com mais de seis meses de idade, dois estavam vacinados (um com quatro doses e outro com cinco doses). N.º de casos >12 Mês de idade Fonte: DGS Figura 64 Casos de tosse convulsa (CID10 - A37) declarados na região Norte de Portugal de 2000 a 2004, por mês de idade e ano de notificação 87
111 Hepatites víricas transmitidas por via parentérica Hepatite aguda por vírus B (CID10 - B16) O número de casos declarados de hepatite aguda por vírus B apresentou um acentuado decréscimo na última década em todo o país (Figura 65). Durante o quinquénio foram notificados 271 casos de hepatite aguda por vírus B na região Norte. A taxa bruta de incidência foi idêntica na região Norte e no resto do País (Figuras 56 e 57). No entanto a taxa de incidência específica no grupo etário de idade inferior a 15 anos foi menor na região Norte do que no resto do País (respectivamente, 0,72 e 0,86 casos novos por pessoas ano; p <0,001). A distribuição dos casos notificados por idade e sexo revela que 66,4% estavam incluídos no grupo etário dos 15 aos 44 anos de idade e que 68,6% dos casos eram indivíduos do sexo masculino. No entanto, a razão da masculinidade aumentou com a idade, sendo no grupo etário menor do que 15 anos de 1,0, no grupo etário 15 a 44 anos de 2,2 e no grupo etário igual ou superior a 45 anos de 2, Vacinação (adolescentes) Portugal Resto do País N.º de casos R. Norte Vacinação (Recém-nascidos) Ano Font e: DGS Serviço de Epidemiologia CRSPN Fonte: DGS Figura 65 Número anual de casos de hepatite aguda por vírus B (CID10 B16) declarados em Portugal, no resto do País e na região Norte, com indicação do ano de introdução no PNV da vacina da hepatite B Em 161 dos 271 casos notificados, foi referida a não existência de actividade de risco para a doença. Em 68 casos, essa informação era omissa. Em apenas 42 88
112 casos foi referida existência de actividade de risco, tendo sido identificada a toxicodependência em 78,6% destes casos. A distribuição proporcional da origem provável da infecção, dos 98 casos em que essa informação estava disponível, foi a seguinte: a via parentérica e a via sexual, cada uma com 35,7% dos casos, foram as mais frequentes; as vias de transmissão horizontal e vertical foram responsabilizadas por 4,1% dos casos, cada; nos restantes 20,4%, foram referidas outras origens Hepatite aguda por vírus C (CID10 - B17.1) Durante o quinquénio foram notificados 271 casos de hepatite aguda por vírus C. A taxa bruta de incidência foi idêntica na região Norte e no resto do País (Figuras 56 e 57. Da distribuição por grupo etário e sexo (Figura 66), realçam-se os factos de 84,5% dos casos declarados na região Norte terem correspondido a indivíduos do sexo masculino e de 87,5% dos casos estarem incluídos no grupo etário dos 20 aos 44 anos de idade M H N.º de casos Grupo Etário (anos) Fonte: DGS Figura 66 Distribuição do número de casos de hepatite aguda por vírus C (CID10 - B17.1) declarados na região Norte de Portugal no quinquénio , por grupo etário e sexo 89
113 Em 94,4% dos 213 casos em que foi referida existência de actividade de risco, a actividade descrita foi a toxicodependência; a reclusão e toxicodependência associadas e a reclusão isolada foram responsáveis por 1,4% dos casos, cada; a prostituição foi referida em 1,9% dos casos. A origem provável da infecção, descrita em 228 casos, distribuiu-se da seguinte forma: via parentérica, em 92,5% dos casos; via sexual, em 3,9% dos casos, outras origens, em 3,5% dos casos Conclusões A distribuição preferencial das zoonoses (brucelose e febre escaro-nodular) nos distritos do interior (Bragança e Vila Real) justifica o planeamento de acções integradas específicas desses distritos e envolvendo os Serviços de Veterinária. Dada a gravidade clínica do tétano, os elevados custos associados ao tratamento e a elevada eficácia da vacina anti tetânica, deverá ser consolidado o aumento da cobertura vacinal em adultos, especialmente nos de idade superior a 50 anos, aproveitando todas as oportunidades de vacinação. O aumento do número de casos de tosse convulsa declarados em 2004, relativamente aos anos anteriores, bem como a sua distribuição etária, leva-nos a admitir a hipótese da diminuição dos níveis de anticorpos maternos protectores, como explicação dos casos notificados com idades inferiores à do início da vacinação com a DTP. Dadas as elevadas coberturas vacinais da vacina contra a hepatite B é de esperar que a curva epidémica continue a apresentar uma tendência descendente. A situação epidemiológica da hepatite C, expressa pelas DDO, não parece ser diferente da observada no resto do País. Esta doença tem impacto sobretudo na população activa do sexo masculino. Os custos associados ao tratamento são elevados e constituem mais uma razão para se investir em programas de prevenção primária. 90
114 6.3. Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana Introdução O diagnóstico da situação relativo à infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) na região Norte (RN) foi elaborado com base nos dados fornecidos pelo Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge no que se refere à morbilidade e, com base nos dados fornecidos pela Direcção de Serviços de Informação e Análise (DSIA) da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Estatística (INE) no que se refere à mortalidade Morbilidade Até 30 de Junho de 2005 foram declarados ao CVEDT 6850 casos de infecção pelo VIH em residentes na região Norte, correspondendo a cerca de 25% do total de casos declarados em Portugal (27031) (Quadro 32). Quadro 32 Distribuição das notificações de infecção VIH por ano de diagnóstico e por tipo de infecção na região Norte (declarados ao CVEDT até 30 de Junho de 2005) Ano PA* CRS** SIDA*** Total *PA - Portadores Assintomáticos **CRS Complexos Relacionados com SIDA ***SIDA Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; Fonte: CVEDT 91
115 No Quadro 32 e Figura 67 observa-se a distribuição das notificações relativas à região Norte por tipo de infecção e por ano de diagnóstico. Dado o atraso que se observa na notificação, apenas se consideraram as infecções diagnosticadas até Evolução do número de casos de PA, CRS, SIDA e total, por ano de diagnóstico PA CRS SIDA Total Fonte: CVEDT Figura 67 - Evolução do número de casos de Portadores Assintomáticos (PA), Complexos Relacionados com SIDA (CRS), Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e total, por ano de diagnóstico. Região Norte (casos declarados até 30/06/2005) A evolução temporal do total de casos de infecção VIH diagnosticados mostra um paralelismo de configuração com a curva respeitante aos diagnósticos de Portadores Assintomáticos (PA), com valores máximos atingidos nos anos de 1997 e De realçar ainda que, após o pico observado no ano 2000 e subsequente descida, nos anos posteriores o número total de casos diagnosticados sofreu um ligeiro crescimento entre 2001 e Dado o atraso na notificação, é prematuro valorizar a evolução observada em O número de casos de SIDA aumentou até ao ano de 2001, para em seguida se observar uma ligeira descida, a valorizar quando dispusermos de dados mais actualizados. A comparação da taxa de incidência de SIDA entre Portugal e a região Norte indica que, até ao ano 2000, os valores observados em Portugal foram sempre superiores aos da região, sendo que a partir desse ano a região Norte passou a apresentar valores superiores aos do País (Figura 68). 92
116 Evolução da taxa de incidência (/ ) de SIDA 120,00 100,00 80,00 60,00 P ortugal Norte 40,00 20,00 0, Fonte: CVEDT Figura 68 - Evolução da taxa de incidência (/ ) de SIDA em Portugal e na região Norte, Nos diferentes distritos da região Norte, o distrito do Porto contribui com 84% para o total de casos acumulados, seguindo-se-lhe o distrito de Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança (Quadro 33). Esta distribuição proporcional apresenta grandes diferenças em relação à distribuição percentual dos efectivos populacionais por distrito. Quadro 33 - Distribuição do número de casos de infecção VIH por distrito e da população residente, região Norte Distrito Casos infecção VIH (%) População residente (%) Estimativa INE 2004 Braga 671 (10%) (26,0%) Bragança 100 (1,5%) (4,5%) Porto 5681 (84,2%) (55,0%) Viana do Castelo 178 (2,6%) (8,0%) Vila Real 115 (1,7%) (6,8%) Total 6745 (100%) (100%) A taxa de incidência da infecção VIH observada na região Norte no quinquénio 1995/1999 foi de 179,1/ pessoas-ano, variando o valor observado nos diferentes distritos entre 288,3 no distrito do Porto e 22,6 no distrito de Bragança (Figura 69). 93
117 Taxa de incidência (/ ) da infecção VIH Legenda: Incidência por pessoas-ano >=100 Fonte: CVEDT Figura 69 Taxa de incidência (/ ) da infecção VIH nos distritos da região Norte, entre 1995 e 1999 A distribuição dos casos declarados de infecção VIH por sexo indica um claro predomínio da infecção em indivíduos do sexo masculino: do total de 6846 casos declarados até 30 de Junho de 2005 cujo sexo é conhecido, 19% são do sexo feminino e 81% do sexo masculino. Considerando os estádios extremos da infecção VIH, observa-se que a maior parte dos casos de Portadores Assintomáticos (PA) têm idades compreendidas entre os 25 e os 29 anos, enquanto que a maior parte dos casos de SIDA pertencem à classe etária dos anos (Figura 70). Nos grupos etários mais avançados o número de casos de SIDA é superior ao número de casos de PA. A frequência acumulada dos casos de infecção VIH por sexo indica que as mulheres infectadas têm idades genericamente mais baixas do que os homens. 94
118 Distribuição do número de casos de PA e de SIDA na Região Norte por grupo etário PA SIDA <1 ano 5-9 anos anos anos anos anos anos 65+ anos Fonte: CVEDT Figura 70 - Distribuição do número de casos de Portadores Assintomáticos (PA) e de SIDA declarados até 30/06/2005 na região Norte, por grupo etário A comparação entre número de casos de infecção VIH declarados até Dezembro de 2002 e o número de casos declarados até Junho de 2005 por grupo etário, indica que nestes últimos anos a maior parte das notificações de casos ocorreu nos grupos etários e anos (Figura 71). Número de casos acumulados de infecção VIH por grupo etário Jun-05 Dez <1 ano 1-4 anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos Fonte: CVEDT Figura 71 - Número de casos acumulados de infecção VIH por grupo etário declarados na região Norte até 31/12/2002 e até 30/06/
119 Do total de 6850 casos de infecção VIH declarados até 30 de Junho de 2005, em 6733 foi possível identificar a categoria de transmissão (Quadro 34), pertencendo 66% dos casos à categoria Toxicodependente, 25% à categoria Heterossexual e 7% à categoria Homo/Bissexual. Quadro 34 Distribuição da categoria de transmissão nos casos de infecção VIH declarados na região Norte até 30 de Junho de 2005 Categoria nº de casos Percentagem Hemofílico 32 0,5 Heterossexual ,1 Homo/bissexual 440 6,5 Homo/Toxicodependente 37 0,5 Mãe/filho 41 0,6 Toxicodependente ,9 Transfusionado 55 0,8 Total Fonte: CVEDT A evolução do número de Portadores Assintomáticos (PA) declarados durante os últimos anos por categoria de transmissão (Quadro 35), mostra: um aumento do número de casos de PA nas categorias Heterossexual e Homo/bissexual, após um aumento no número de casos de PA na categoria Toxicodependente entre 2002 e 2003, uma eventual estabilização do fenómeno. Quadro 35 Número de casos de PA declarados na região Norte por categoria de transmissão Categoria de transmissão Heterossexual Homo/bissexual Mãe/filho Toxicodependente Outras Total (variação em relação ao ano anterior) (+4%) 163 (+112%) Fonte: CVEDT Na Figura 72 observamos a importância relativa das principais categorias de transmissão para o total de casos de PA declarados até 31 de Dezembro de 2001, sendo de realçar que naquela data, cerca de 3 em cada 4 casos declarados pertenciam à categoria Toxicodependente. Durante os últimos anos (Figura 73) a importância relativa dos novos casos de PA declarados na região sofreu as seguintes alterações: ligeiro aumento da proporção de casos declarados na categoria 96
120 Homo/bissexual, aumento da proporção de casos declarados na categoria Heterossexual e diminuição na categoria Toxicodependente. Percentagem de casos de PA declarados, por categoria de transmissão, até 31/12/2001 2% 19% 5% Heterossexual Homo/bissexual Toxicodependente Outras 74% Fonte: CVEDT Figura 72 - Percentagem de casos de portadores assintomáticos (PA) declarados na região Norte até 31/12/2001 por categoria de transmissão Percentagem de casos de PA, por categoria de transmissão, até 30/06/2005 2% 25% 6% Heterossexual Homo/bissexual Toxicodependente Outras 67% Fonte: CVEDT Figura 73 - Percentagem de casos de portadores assintomáticos (PA) declarados na região Norte até 30/06/2005 por categoria de transmissão 97
121 A evolução do número de casos de SIDA declarados na região por categoria de transmissão (Quadro 36) indica um aumento, entre 2002 e 2003, no número de casos na categoria Heterossexual. Na categoria Homo/bissexual, após uma diminuição do número de casos entre 2002 e 2003, um crescimento durante o último ano e meio. Na categoria Toxicodependente houve uma diminuição do número de casos entre 2001 e 2002, um ligeiro crescimento em 2003 e, a manter-se a evolução no último ano e meio, poderá haver uma diminuição ou estabilização no número de casos. Quadro 36 Número de casos de SIDA declarados na região Norte por categoria de transmissão, Categoria de transmissão Heterossexual Homo/bissexual Mãe/filho Toxicodependente Outras Total (variação em relação ao ano anterior) (-19%) 315 (+20%) Fonte: CVEDT A evolução da importância relativa das principais categorias de transmissão para o total de casos de SIDA declarados na região (Figuras 74 e 75), indica um aumento da importância relativa da categoria Heterossexual em detrimento da categoria Toxicodependente. Percentagem de casos de SIDA por categoria de transmissão, até 31/12/2001 3% 22% 8% Heterossexual Homo/bissexual Toxicodependente Outras 67% Fonte: CVEDT Figura 74 - Percentagem de casos de SIDA declarados na região Norte até 31/12/2001 por categoria de transmissão 98
122 Percentagem de casos de SIDA por categoria de transmissão, até 30/06/2005 3% 26% 7% Heterossexual Homo/bissexual Toxicodependente Outras 64% Fonte: CVEDT Figura 75 - Percentagem de casos de SIDA declarados na região Norte até 30/06/2005 por categoria de transmissão A Tuberculose foi a doença indicadora de SIDA em 1730 dos 3121 casos declarados na região até 30 de Junho de 2005, representando 55% do total de casos de SIDA. Em Portugal, a Tuberculose representou, para o mesmo período de tempo, 49% (5987/12210) do total de casos declarados de SIDA. Nestes últimos anos, o contributo da Tuberculose enquanto doença indicadora para o total de casos de SIDA declarados anualmente tem variado entre um máximo de 62% em 2001 e um valor mínimo de 51% durante 2004 e o primeiro semestre de 2005 (Quadro 37). Quadro 37 Número e percentagem de casos de SIDA em que a Tuberculose foi doença indicadora (SIDA/TB) na região Norte, de Janeiro de 2001 a Junho de 2005 Ano SIDA/TB SIDA Percentagem % % % 2004 e até Junho % Fonte: CVEDT Mortalidade Na região Norte, o número de casos de SIDA por ano de diagnóstico cresceu até 2001, mostrando uma tendência para o decréscimo a partir desse ano, o número de mortes por SIDA cresceu até 2002, tendo diminuído em 2003 (figura 76). 99
123 Número de casos de SIDA e óbitos por SIDA por ano de diagnóstico Óbitos Casos Fonte: CVEDT/DSIA/INE Figura 76 - Evolução do número de casos de SIDA por ano de diagnóstico e do número de óbitos por SIDA por ano de ocorrência, na região Norte, Em Portugal, a evolução, tanto do número de casos de SIDA como do número de óbitos por SIDA, depois de ter aumentado até 1999, parece ter estabilizado após essa data (Figura 77). Número de casos de SIDA por ano de diagnóstico e número de óbitos por SIDA por ano de ocorrência. Portugal N.casos N.óbitos Fonte: CVEDT/DSIA/INE Figura 77 - Evolução do número de casos de SIDA por ano de diagnóstico e do número de óbitos por SIDA por ano de ocorrência. Portugal
124 Na grande maioria dos países da Europa Ocidental, a evolução do número de casos de SIDA e de mortes por SIDA sofreu um crescimento até ao fim da primeira metade dos anos 90 e uma descida a partir de então, sendo que nos últimos anos ambos os fenómenos parecem ter sofrido alguma estabilização (17). Este padrão, observado em todos os países à excepção de Portugal, tem sido interpretado como sendo o resultado da adopção de esquemas de terapêutica anti-retrovírica de alta eficácia. A comparação entre o risco de morrer por SIDA em Portugal e na região Norte indica que, para além do fenómeno ter uma evolução diferente, os valores observados na região têm sido sempre inferiores aos do País (figura 78). Evolução da taxa de mortalidade (/ ) por SIDA em Portugal e na região Norte , , ,00 Portugal-Mort Norte-Mort 60,00 40,00 20,00 0, Fonte: DSIA/INE Figura 78 - Evolução da taxa de mortalidade (/ ) por SIDA em Portugal e na região Norte, entre 1988 e 2003 O número de mortes por SIDA não tem evoluído, na região, da mesma forma no sexo masculino e feminino (Figura 79): no sexo masculino, após um aumento observável até 2002, houve um decréscimo em 2003, no sexo feminino observa-se um crescimento lento e gradual no número de óbitos. 101
125 Evolução do número de óbitos por SIDA e por sexo Masculino Feminino Fonte: DSIA/INE Figura 79 - Evolução do número de óbitos por SIDA e por sexo na região Norte, entre 1990 e 2003 O grupo etário em que se observou um maior número de mortes por SIDA na região Norte foi o de idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos (Figura 80), no entanto, observou-se uma diminuição do número de óbitos naquele grupo em O número de mortes por SIDA no grupo etário anos tem vindo a crescer desde 1990, sendo o crescimento mais evidente a partir de Evolução do número de óbitos por SIDA, por grupo etário. Região Norte / <15 anos anos anos anos anos 55+ anos Fonte: DSIA Figura 80 - Evolução do número de óbitos por SIDA segundo o grupo etário, na região Norte, entre 1990 e
126 Conclusões As conclusões que se podem retirar dos dados apresentados enfermam das limitações que decorrem da validade e robustez do sistema de onde se retirou a informação utilizada. O risco de contrair SIDA na região Norte tem continuado a subir, tendo já ultrapassado os valores observados em Portugal. Este facto leva-nos a ponderar a necessidade de estudar mais detalhadamente as razões deste fenómeno, tanto que, com o acesso a terapêuticas antiretrovíricas de alta eficácia, seria de esperar que tanto a incidência de SIDA como a mortalidade já tivessem sofrido o decréscimo observado nos restantes países da Europa Ocidental. Em 2003, tanto o número de casos de PA como de SIDA declarados na região Norte aumentou, sendo esse aumento mais evidente nos PA. Não sabemos se a abertura dos Centros de Rastreio Anónimo terá contribuído para diminuir o subdiagnóstico, ou se haverá, de facto, aumento da incidência. As formas de transmissão da infecção VIH sofreram, nestes últimos anos, alterações que convém sublinhar. Se considerarmos que os PA declarados correspondem a infecções mais recentes, o risco de contrair a infecção por via sexual (hetero ou homossexual) aumentou. Um outro facto nos pareceu muito preocupante: o crescimento do número de casos de PA por transmissão vertical ocorridos na região no último ano e meio. A inclusão do rastreio VIH nos exames analíticos de vigilância de gravidez e a eficácia da prevenção da transmissão vertical deveriam ter contribuído para uma diminuição do risco. Consideramos de primordial importância um estudo mais detalhado desta situação. Em relação à SIDA também se observou um aumento do risco de transmissão por via sexual (hetero e homossexual), neste caso reflexo de comportamentos ocorridos em épocas anteriores. A tuberculose é a principal doença indicadora de SIDA na região Norte, assumindo uma importância superior ao País. Este facto eventualmente reflecte o elevado nível endémico de tuberculose que se observa na região, consubstanciando a necessidade premente de estratégias integradas de luta contra aqueles problemas de saúde. No que se refere ao risco de morrer por SIDA, os dados da região apontam para uma eventual estabilização, o que, conjugado com o aumento de incidência, obriga a considerar a subida da prevalência da SIDA no planeamento dos serviços de saúde. Finalmente, dois factos importantes em relação à mortalidade por SIDA: o aumento dos óbitos no grupo etário anos e a subida, mesmo que de pequena dimensão, observada no sexo feminino. 103
127 6.4. TUBERCULOSE Introdução No Plano Nacional de Saúde , a Tuberculose (TB) é uma das prioridades identificadas, sendo referido que a estratégia a desenvolver, inserida no Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose (PNT) que data de 1995, passa pela implementação e expansão da estratégia DOTS (Directly Observed Therapy Shortcourse) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os princípios organizacionais que concorrem para aquela estratégia são (18): - Disponibilidade de uma rede de estruturas descentralizadas para diagnóstico e tratamento dos casos, baseada nos serviços de saúde existentes e integrada na rede dos Cuidados de Saúde Primários; - Boa gestão do programa de tuberculose, baseada na responsabilização e na supervisão dos profissionais de saúde; - Implementação de um sistema de avaliação da detecção de novos casos e das recidivas e análise por coortes dos resultados do tratamento. O diagnóstico da situação epidemiológica da tuberculose na região Norte (RN) foi feito com base nos dados do Sistema de Informação do PNT (SVIG-TB) Morbilidade A TB é um problema de saúde pública que assume em Portugal uma dimensão preocupante no contexto da região Europeia: em 2003, a taxa de incidência de tuberculose em Portugal foi de 38/ , valor apenas inferior ao observado nos países Bálticos. Nos últimos 30 anos a incidência de tuberculose em Portugal tem vindo a descer de forma lenta, no entanto, entre 1972 e 2002 observou-se uma redução de 57% na taxa de incidência (Figura 81). 104
128 Fonte: SVIG-TB Figura 81 Evolução da taxa de incidência (/100000) de tuberculose em Portugal, no período de 1972 a 2002 Existe uma grande variabilidade na incidência de tuberculose ao nível das diferentes unidades geográficas, com grande concentração de risco nos distritos do Porto, Lisboa e Setúbal (Figura 82) >40 Fonte: SVIG-TB Figura 82 Distribuição geográfica da incidência média anual (/100000) de casos de tuberculose notificados entre
129 No ano de 2004, a taxa de incidência de tuberculose em Portugal foi de 33,7/10 5 enquanto que na região Norte foi de 42,8. Na região Norte, entre 1987 e 2004, o número de novos casos de tuberculose decresceu 45% (Figura 83), sendo que o decréscimo médio anual durante aquele período de tempo foi de 3,7% Fonte: SVIG-TB Figura 83 Número de novos casos de tuberculose declarados no Norte de Portugal, entre 1987 e 2004 Durante o último quinquénio, o número total de casos de tuberculose notificados na região Norte atingiu o máximo em 2002, tendo decrescido a partir desse ano (Figura 84). Em relação aos casos novos observa-se o mesmo tipo de evolução. Evolução do total de casos e casos novos de tuberculose Total casos Casos novos Fonte: SVIG-TB Figura 84 - Evolução do total de casos e casos novos de tuberculose notificados na região Norte, entre 2000 e
130 A distribuição da incidência de tuberculose por grupo etário na região Norte mostra que aumenta com a idade até ao grupo etário dos 35 aos 44 anos, diminui até ao grupo anos, para voltar a subir nos idosos (Figura 85). A incidência de tuberculose no sexo masculino é superior à incidência no sexo feminino, sendo essa diferença particularmente notória no grupo etário dos anos. No sexo feminino o pico de incidência ocorre em idades mais jovens do que no sexo masculino. Taxa de incidência de tuberculose (/ ) por grupos etários e por sexo, ,0 100,0 Taxa M Taxa F Taxa MF 80,0 60,0 40,0 20,0 0, >=75 Fonte: SVIG-TB Figura 85 - Taxa de incidência de tuberculose (/100000) na região Norte por grupos etários, total e por sexo, em 2003 A maioria dos casos de tuberculose tem localização pulmonar, quer exclusiva quer associada a outras localizações, sendo que a proporção de casos com localização pulmonar tem variado no último quinquénio entre 73 e 75%. As formas graves de doença tuberculosa, disseminada e do Sistema Nervoso Central, têm sofrido, nos últimos cinco anos, um decréscimo (Figura 86), mais consistente na tuberculose disseminada. 107
131 Número de casos de tuberculose disseminada e do Sistema Nervoso Central - Região Norte, Disseminada SNC Fonte: SVIG-TB Figura 86 - Evolução do número de casos de tuberculose disseminada e de tuberculose do sistema nervoso central notificados na região Norte, A incidência de tuberculose em alguns grupos específicos merece uma atenção especial. A evolução da tuberculose em profissionais de saúde, integrados ou não no Serviço Nacional de Saúde, tem aumentado nos últimos três anos (Quadro 38), apesar do número total de casos ter sofrido um decréscimo. Quadro 38 Evolução do número de casos de tuberculose em profissionais de saúde da região Norte, Casos em Ano Total casos declarados profissionais de saúde Fonte: SVIG-TB O número de casos de tuberculose em indivíduos estrangeiros oscilou, nestes últimos anos, entre um valor mínimo de 29 casos em 2004 e um máximo de 53 casos em 2000 e 2001, oscilando entre 1,9% e 3,1% do total de casos declarados. Em cada três casos de tuberculose notificados na região Norte ao longo do último quinquénio, um é dependente do álcool ou de outras drogas (Figura 87). As oscilações 108
132 que os números têm sofrido ao longo dos últimos anos não apontam uma tendência definida. 600 Evolução do número de casos de tuberculose em dependentes do álcool e outras drogas outras drogas iv Álcool Fonte: SVIG-TB Figura 87 - Evolução do número de casos de tuberculose em dependentes do álcool, drogas intravenosas e outras drogas, na região Norte, A incidência de tuberculose em reclusos tem variado, na região Norte, entre um valor mínimo de 8 casos em 2003 e um máximo de 16 casos em O número de casos de tuberculose em indivíduos sem-abrigo variou entre 12 casos em 2001 e 36 casos em O número de casos de tuberculose notificados em indivíduos seropositivos para o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) na região Norte sofreu um ligeiro crescimento até 2003, tendo diminuído em 2004 (Figura 88). De realçar que, no contexto da co-infecção TB/VIH, a importância dos toxicodependentes tem vindo a diminuir nos dois últimos anos. Os casos de co-infecção TB/SIDA têm representado, ao longo dos últimos cinco anos, entre 13% (2004) e 15% (2003) do total de casos de tuberculose declarados na região Norte. 109
133 Evolução do número de casos de tuberculose/sida em toxicodependentes e noutros grupos, Outros Toxico Fonte: SVIG-TB Figura 88 - Evolução do número de casos de tuberculose/sida notificados na região Norte em toxicodependentes e noutros grupos, Indicadores de Progresso Meio de detecção O principal meio de detecção dos casos de tuberculose notificados na região Norte durante o quinquénio foi o rastreio passivo, variando entre 90,6% dos casos em 2004 até 93,9% em 2001 (Quadro 39). O rastreio de contactos permitiu identificar entre 2,9% dos casos em 2001 e 5,3% dos casos em Quadro 39 Evolução do meio de detecção dos casos de tuberculose notificados com informação sobre o meio de detecção, na região Norte, Ano (nº de casos) Rastreio passivo Rastreio contactos Outros Rastreio 2000 (n=1698) (n=1683) (n=1654) (n=1395) (n=1310) Fonte: SVIG-TB a. Rastreio de coabitantes A cobertura do rastreio dos coabitantes seleccionados tem vindo a descer ao longo dos últimos anos, tendo sido rastreados em 2004 apenas 36% dos coabitantes 110
134 seleccionados para rastreio (Quadro 40). O número médio de coabitantes rastreados por caso de tuberculose pulmonar variou entre 1/caso em 2004 e 2,2 em Quadro 40 Evolução do número total de casos de tuberculose pulmonar e de coabitantes dos casos seleccionados e rastreados, na região Norte, Ano Seleccionados Rastreados Total casos (69%) (70%) (75%) (53%) (36%) 1130 Fonte: SVIG-TB Toma Observada Directamente A evolução da proporção de doentes com tuberculose pulmonar em regime de Toma Observada Directamente (TOD) revela que foi em 2000 que se atingiu o valor mais elevado (85,8%). Aquele valor desceu até 2002, voltando a subir nos anos subsequentes (Quadro 41). Quadro 41 Proporção de casos de tuberculose pulmonar em regime de Toma Observada Directamente na região Norte, Ano Proporção em TOD* ,8% ,8% ,3% ,8% ,2% *Toma Observada Directamente; Fonte: SVIG-TB Sucesso terapêutico Durante os anos de 2000 a 2003, o sucesso terapêutico nos casos de tuberculose declarados na região Norte variou entre 80,5% em 2001 e 84,4% em 2003 (Quadro 42). De realçar que o sucesso nos casos de tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva foi semelhante ao sucesso obtido no total de casos. Em nenhum dos anos foi atingida a taxa de sucesso necessária para assegurar uma descida do nível endémico da tuberculose. 111
135 Quadro 42 Evolução do sucesso terapêutico no total de casos de tuberculose e nos casos de tuberculose pulmonar bacilífera declarados na região Norte, Ano Sucesso (total de casos) Sucesso (em bacilíferos) ,3% 84,4% ,5% 80,8% ,9% 83,6% ,4% 84,0% Fonte: SVIG-TB Letalidade A letalidade por tuberculose, calculada como a percentagem de casos falecidos durante o tratamento, variou, na região Norte entre 6,3% dos casos declarados em 2000 e 4,7% dos casos declarados em Perfis distritais A dimensão e o risco de tuberculose nos cinco distritos da região Norte assumem valores muito díspares (Figura 89), justificando a apresentação dos perfis de cada distrito e comparando-os com os valores observados na região Norte e em Portugal Continental (Quadro 43). Fonte: SVIG-TB Figura 89 Taxa de incidência de tuberculose (/100000) nos distritos da região Norte,
136 Cerca de 70% dos casos novos de tuberculose declarados na região Norte em 2004 residem no distrito do Porto. O risco de contrair tuberculose na região Norte variou, em 2004, entre 24,0/ para os residentes em Bragança, e 54,1 para os residentes no distrito do Porto, risco bastante superior ao observado em Portugal Continental. O distrito do Porto tem apresentado os valores de taxa de incidência de tuberculose mais elevados do país. Quadro 43 Perfil da tuberculose nos distritos da região Norte, na região Norte e em Portugal Continental, 2004 Indicadores Braga Bragança Porto Viana C. Vila Real RN* Continente Casos novos (Taxa/10 5 ) 258 (30,5) 35 (24,0) 971 (54,1) 72 (28,7) 59 (26,6) 1395 (42,8) 3524 (35,3) Recidivas Estrangeiros** 10 (3,6%) 4 (11,1%) 10 (1,0%) 2 (2,5%) 3 (4,3%) 29 (1,9%) 448 (11,8%) TB/SIDA 16 (5,8%) (15,6%) 8 (10%) 3 (4,3%) 189 (12,6%) 601 (15,8%) Microscopia (50%) 17 (47%) 612 (59%) 43 (54%) 42 (60%) 851 (57%) 2044 (54%) Cultura (57%) 22 (61%) 466 (45%) 56 (70%) 48 (69%) 748 (50%) 2055 (54%) Sucesso (2003) 83,5% 90,0% 83,6% 88,3% 94,2% 84,4% 82,4% Resistência 1ª H 18 (17,6%) 0 14 (7%) 5 (12,8) 2 (8%) 39 (10,5%) 84 (7,5%) Multirresistência 1ª 1 (1%) 0 2 (1%) 3 (7,7%) 0 6 (1,6%) 16 (1,4%) *RN: região norte; **número e % dos casos com informação Fonte: SVIG-TB A importância relativa dos estrangeiros para o total de casos de tuberculose apresenta um valor mais elevado no distrito de Bragança, sendo, no entanto, inferior ao valor observado em Portugal Continental. Em alguns países da Europa Ocidental cerca de metade dos casos de tuberculose surgem em estrangeiros, situação para a qual deverá haver uma atenção redobrada em Portugal dada a entrada de muitos estrangeiros no nosso país nos últimos anos. A importância da co-infecção TB/SIDA para o total de casos de tuberculose assumiu, em 2004, na região Norte um valor inferior ao de Portugal Continental, no entanto, foi no distrito do Porto que se observou o valor mais elevado da região. O sucesso terapêutico, indicador por excelência da efectividade do programa de luta contra a tuberculose, não atingiu, em 2004, na região Norte o valor preconizado pela OMS, sendo nos distritos de Braga e Porto que se observaram os valores mais baixos da região. Os indicadores de resistência aos anti-bacilares, nomeadamente a resistência primária à Isoniazida, revelam nos distritos de Braga, Viana do castelo e Vila Real, 113
137 valores mais elevados do que os observados em Portugal Continental. Em 2004, na região Norte, a proporção de isolados com perfil de multiresistência foi superior à de Portugal Continental, sendo que o valor mais elevado foi observado no distrito de Viana do Castelo. Deve ser realçado, no entanto, que a cobertura de testes de sensibilidade aos anti-bacilares em casos de tuberculose pulmonar atingiu, durante os anos valores que oscilaram entre 45% (2000) e 57,1% (2002 e 2004), pelo que a interpretação dos dados deve levar isso em consideração Conclusões Pela análise dos dados apresentados podemos concluir o seguinte: A região Norte e, dentro desta, o distrito do Porto, apresenta valores de incidência de tuberculose superiores ao País; O decréscimo médio anual da incidência da tuberculose não tem atingido os valores necessários à consolidação da descida do nível endémico da doença; A tuberculose atinge preferencialmente o sexo masculino e, neste grupo, as idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos de idade; As mulheres, menos atingidas, adoecem, no entanto, mais cedo do que os homens; As formas graves de tuberculose têm vindo a diminuir; O número de casos de tuberculose em profissionais de saúde tem aumentado nos últimos anos; Existe uma forte ligação entre a tuberculose e as toxicodependências consideradas na sua globalidade (álcool, drogas por via endovenosa e outras); O grupo dos toxicodependentes tem vindo a dar um contributo decrescente para o total de casos com co-infecção TB/SIDA; O rastreio de contactos apenas contribui com uma pequena proporção para o total de casos de tuberculose diagnosticados anualmente. Tem havido, nos últimos anos, um desinvestimento crescente e preocupante dos serviços no rastreio dos coabitantes dos casos de tuberculose pulmonar; As taxas de sucesso terapêutico atingidas na região nos casos de tuberculose pulmonar com microscopia positiva revelam alguma fragilidade da efectividade dos serviços envolvidos na luta contra a tuberculose. 114
138 6.5. Coberturas Vacinais - Programa Nacional de Vacinação Coberturas vacinais O Centro Regional de Saúde Pública do Norte é responsável pela coordenação do Programa Nacional de Vacinação na região de Saúde do Norte. Nos Quadro 44, 45 e 46 apresentamos os resultados das avaliações da cobertura vacinal por vacina e por coorte de nascimento avaliada. Tendo em conta o esquema vacinal recomendado para a idade, as avaliações foram feitas aos 2, aos 6 e aos 14 anos de idade pela consulta do universo das fichas contidas nos ficheiros de vacinação de todas as unidades de saúde dos centros de saúde da região de Saúde do Norte. Os resultados do estudo de avaliação da cobertura vacinal de cada uma das vacinas do esquema cronológico recomendado para a idade, nas coortes de nascimento de 1999 a 2002, aos dois anos de idade, são apresentados no Quadro 44. Quadro 44 Cobertura vacinal (%) aos dois anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1999 a 2002 Coortes de nascimento Vacinas / Doses BCG *(n.a.) 99,0 99,5 98,2 DTP 3 98,4 98,7 99,2 98,9 Hib 3 96,9 98,7 99,1 98,9 VAP 3 98,3 98,7 99,2 99,1 VHB 3 93,3 98,7 99,1 99,1 VASPR 97,6 97,4 97,7 98,4 *(n.a.) Não avaliado Os valores da cobertura vacinal avaliados nessas coortes aos dois anos de idade são elevados para todas as vacinas consideradas. Os resultados do estudo de avaliação da cobertura vacinal de cada uma das vacinas do esquema cronológico recomendado para a idade, nas coortes de nascimento de 1995 a 1998, aos seis anos de idade, são apresentados no Quadro
139 Quadro 45 Cobertura vacinal (%) aos seis anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1995 a 1998 Coortes de nascimento Vacinas DTP 94,6 94,1 95,5 96,4 VAP 94,7 94,1 95,9 98,2 VASPR 94,6 93,3 94,6 95,0 Os valores da cobertura vacinal avaliados nessas coortes aos seis anos de idade são elevados para todas as vacinas consideradas. Os resultados do estudo de avaliação da cobertura vacinal de cada uma das vacinas do esquema cronológico recomendado para a idade, nas coortes de nascimento de 1987 a 1990, aos 14 anos de idade, são apresentados no Quadro 46. Quadro 46 Cobertura vacinal (%) aos 14 anos de idade, por vacina e por coorte de nascimento, de 1987 a 1990 Coortes de nascimento Vacinas / Doses Td 95,5 96,4 96,7 96,7 VASPR II 93,4 94,5 94,2 99,0 VHB 3 92,5 91,6 92,6 95,6 Os valores da cobertura vacinal avaliados nessas coortes aos catorze anos de idade são elevados para todas as vacinas consideradas. Não estão disponíveis dados de avaliação das coberturas vacinais em adultos pela vacina anti-tetânica que desde 2000 é administrada como vacina combinada contra o tétano e a difteria, no entanto, os dados do 2.º Inquérito Serológico Nacional (19) permitem uma avaliação baseada na proporção de indivíduos com resultado positivo para anticorpos IgG contra o toxóide tetânico, por distrito da região Norte. Observou-se que nos distritos de Braga e Viana do Castelo a proporção de indivíduos imunizados contra o tétano é superior à proporção dos indivíduos imunizados a nível nacional enquanto nos distritos de Bragança, Vila Real e Porto essa proporção é inferior. Os dados epidemiológicos disponíveis indicam que o Programa Nacional de Vacinação é um programa de sucesso, com grande impacto sobre a incidência de doenças preveníveis pela vacinação. 116
140 7. MORBILIDADE PROFISSIONAL
141
142 7.1. Introdução Em Portugal, existe um sistema de vigilância epidemiológica de doenças profissionais, de base populacional, baseado na notificação obrigatória dessas patologias, sejam casos confirmados ou suspeitos. Os casos notificados são sujeitos a verificação por parte do Centro Nacional de Protecção contra os Riscos Profissionais (CNPDP), o qual, após confirmação, dá conhecimento de todos os casos confirmados aos serviços de saúde pública, para que possam ser desencadeadas medidas preventivas. Os dados a seguir apresentados referem-se aos casos de doença profissional confirmados entre Janeiro de 2000 e Setembro de 2005 para o distrito do Porto. Apenas foi considerado este distrito, uma vez que os casos correspondentes aos restantes distritos da região Norte constituem um número muito diminuto (cerca de 80 a 100 casos confirmados por ano). Os casos constantes na base de dados do Centro Regional de Saúde Pública do Norte estão codificados por doença profissional e de acordo com a Classificação Internacional de Doenças Décima Revisão (CID10) Morbilidade Ocupacional no Distrito do Porto, O número de doenças profissionais no período considerado foi de 2576 (o que equivale a uma incidência média de 430,8 novos casos por ano). É de referir que, de acordo com o documento da Organização Mundial de Saúde Global Strategy on Occupational Health for All The Way to Health at Work (20), apenas um número limitado de casos de doença profissional são objecto de notificação, o que implica que sejam necessários esforços adicionais para uma melhoria deste sistema de vigilância epidemiológica. A morbilidade no sexo masculino (1680 casos 65% do total) foi cerca de duas vezes superior ao sexo feminino (905 casos 35% do total) (Figura 90). 119
143 MORBILIDADE PROFISSIONAL POR SEXO 35% Feminino Masculino 65% Figura 90 Distribuição da morbilidade profissional por sexo No quadro 47 é apresentado o número de casos notificados e confirmados entre Janeiro de 2000 e nos primeiros nove meses de Quadro 47 Evolução do número de casos das principais doenças profissionais notificados entre 2000 e 2005 Número de casos notificados Doenças profissionais (Classificação CID-10) (Jan-Set) Intoxicações* Cancro profissional (C00-C97) Efeitos tóxicos de substâncias de origem não-medicinal (T51-T65) Doenças do aparelho respiratório* Asma profissional (J45.0) Asbestose (J61.0) Silicose (J62.8) Outras doenças pulmonares devidas a agentes externos (J60-J70)** Doenças cutâneas* Doenças da pele e do tecido subcutâneo (L00-L99) Devidas a agentes biológicos* Doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99) Devidas a agentes físicos* Transtornos dos nervos, das raízes e dos plexos nervosos (G50-G59) Surdez profissional (H83.3) Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00-M99) Outras doenças TOTAL * Grupos definidos de acordo com o Decreto Regulamentar nº6/2001 de 5 de Maio; **Excepto J45.0 e J
144 As actividades com maior número de registos de doença profissional foram as de indústrias extractivas e da construção. Mais de 60% dos casos correspondeu a doenças devidas a agentes físicos (tais como ruído e vibrações); cerca de um quarto correspondeu a doenças do aparelho respiratório e menos de 1% foram doenças devidas a agentes biológicos (Figura 91). DISTRIBUIÇÃO POR GRUPOS DE DOENÇAS PROFISSIONAIS 0,4% 0,7% 28,2% Intoxicações Doenças do aparelho respiratório Doenças cutâneas 63,6% 7,1% Doenças devidas a agentes físicos Doenças devidas a agentes biológicos Figura 91 Distribuição da morbilidade profissional por grupos de doenças profissionais Os cancros devidos à ocupação os quais estão integrados no grupo das Intoxicações correspondem a uma proporção muito reduzida. Apenas 3 casos (cerca de 0,1%) foram notificados no período em análise: 2 cancros da bexiga, relacionados com a indústria têxtil e do couro e 1 cancro das glândulas salivares, relacionado com a indústria da borracha e de matérias plásticas. Os três em indivíduos do sexo masculino, grupo etário Este valor é muito inferior ao notificado em outros países, por exemplo, em França, no ano 2003, foram reconhecidos 1281 casos de cancro profissional, o que correspondeu a 3,7% do total de doenças profissionais naquele ano (21). Estes resultados apoiam a hipótese de que em Portugal existe uma sub-notificação de casos. Das doenças do aparelho respiratório declaradas, 85% correspondiam a silicose e 13% tinham o diagnóstico de asma ocupacional (Figura 92). 121
145 DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO (N=725) 1%1% 13% Asma ocupacional Silicose Asbestose Outras pneumoconioses 85% Figura 92 Distribuição das doenças do aparelho respiratório por diagnóstico A elevada proporção de casos de silicose declarados poderá corresponder a uma falta de adopção de medidas preventivas nos locais de trabalho silicogénicos ou a uma maior notificação por parte dos médicos como resultado de uma maior tradição na associação desta patologia a actividades profissionais. Cerca de dois terços das doenças cutâneas eram dermites alérgicas e 29% dermites irritativas (Figura 93). DOENÇAS CUTÂNEAS (N=183) 28,9% 5,6% Dermites alérgicas Dermites irritativas Dermites n.e. 65,6% Figura 93 Distribuição das doenças cutâneas por diagnóstico Das doenças por agentes biológicos, a mais frequente foi a tuberculose (6 casos 50%) (Figura 94). De notar que 50% das doenças infecciosas e parasitárias se verificou em pessoal de enfermagem. 122
146 DOENÇAS POR AGENTES BIOLÓGICOS (N=12) 8,3% 8,3% 8,3% 8,3% 8,3% 8,3% 50,0% Tuberculose Brucelose Psitacose Hepatite B Hepatite C Varicela Candidíase cutânea Figura 94 Distribuição das doenças por agentes biológicos, por diagnóstico Mais de metade (54,3%) das doenças devidas a agentes físicos corresponderam a doenças músculo-esqueléticas, associadas aos seguintes factores: vibrações; pressão sobre bolsas sinoviais devida à posição ou atitude de trabalho; sobrecarga sobre bainhas tendinosas, tecidos peritendinosos, inserções tendinosas ou musculares, devida ao ritmo dos movimentos e à posição ou atitude de trabalho; pressão sobre a cartilagem intra-articular do joelho devida à posição de trabalho. As patologias causadas por pressão sobre nervos ou plexos nervosos devidas à posição ou atitude de trabalho corresponderam a 22% do total. A surdez profissional representou cerca de 24% das doenças provocadas por agentes físicos notificadas (Figura 95). DOENÇAS POR AGENTES FÍSICOS (N=1638) 21,6% 0,2% 23,9% Doenças por radiações UV Surdez profissional Doenças músculo-esqueléticas 54,3% Doenças por pressão sobre nervos ou plexos nervosos Figura 95 Distribuição das doenças por agentes físicos, por diagnóstico 123
147 Das doenças músculos-esqueléticas, 43,8% tiveram como diagnóstico entesopatia, correspondendo as patologias devidas a efeitos de pressão sobre os tecidos moles a 23,6% (Figura 96). DOENÇAS MÚSCULO-ESQUELÉTICAS (N=843) 17,7% 0,9% 43,8% Artrose Entesopatia 23,6% 14,0% Sinovites Efeitos da pressão sobre tecidos moles Outras doenças músculo-esqueléticas Figura 96 Distribuição das doenças músculo-esqueléticas por diagnóstico Os grupos etários com maior número de casos notificados foram o dos anos (874 casos 33,8%) e o dos anos (778 casos 30,1%). Verificou-se que as doenças profissionais tiveram uma distribuição diferente de acordo com os grupos etários, havendo uma maior proporção de doenças do aparelho respiratório nos trabalhadores com idade superior a 44 anos o que estará associado à necessidade de um maior tempo de exposição para desenvolvimento de doença, enquanto nos mais jovens foram as doenças por agentes biológicos que apresentaram uma maior proporção (Figura 97). DOENÇAS PROFISSIONAIS E GRUPOS ETÁRIOS % 100% 80% Doenças por agentes biológicos 60% Doenças por agentes físicos 40% Doenças dermatológicas 20% Pneumatoses 0% > 65 Intoxicações Figura 97 Proporção dos grupos de doenças profissionais por grupos etários 124
148 Os sectores de actividade com registos mais elevados de doença profissional foram as indústrias extractivas (Secção C da Classificação Portuguesa de Actividades Económicas CAE) e a construção (Secção F da CAE), com respectivamente 14% e 11% das 2564 empresas com actividade identificada pelo CNPDP. Como seria de esperar, a distribuição de casos pelos grupos de doenças profissionais foi diferente de acordo com a actividade exercida (Figura 98). DOENÇAS PROFISSIONAIS POR ACTIVIDADE % 100% 80% 60% 40% 20% Doenças por agentes biológicos Doenças por agentes físicos Doenças cutâneas Doenças do aparelho respiratório Intoxicações 0% Operários, Artífices e Trabalhadores Similares das Indústrias Extractivas e da Construção Civil Trabalhadores da Metalurgia e da Metalomecânica e Trabalhadores Similares Mecânicos de Precisão, Oleiros e Vidreiros, Artesãos, Trabalhadores das Artes Gráficas e Trabalhadores Similares Outros Operários, Artífices e Trabalhadores Similares Operadores de Instalações Fixas e Similares Operadores de Máquinas e Trabalhadores da Montagem Trabalhadores Não qualificados das Minas, da Construção e Obras Públicas, da Indústria Transformadora e dos Transportes Figura 98 Distribuição das doenças profissionais por actividade exercida 125
149 7.3. Conclusões Os resultados apresentados reflectem uma provável sub-notificação de doenças profissionais, particularmente de cancros e de doenças causadas por agentes biológicos. Isto pode traduzir a dificuldade em reconhecer a actividade profissional como determinante major da doença (por falta de colheita da história profissional, ausência de notificação, dificuldades em identificar exposições profissionais passadas, entre outras causas), e/ou que apesar de reconhecida não é notificada. Independentemente do motivo, a sub-notificação impede a quantificação do problema e limita a adopção de medidas preventivas, perpetuando-o. Dos casos notificados no período em estudo verificou-se: Maior morbilidade no sexo masculino, no grupo etário dos anos e em trabalhadores das indústrias extractivas e da construção; A patologia mais notificada foi a silicose, Cerca de 2/3 das doenças profissionais foram devidas a agentes físicos (em especial doenças músculo-esqueléticas e surdez profissional); O reduzido número de casos de cancro profissional notificados pode estar em relação com o facto de os clínicos não pesquisarem a possível relação com as exposições profissionais, particularmente nas patologias em que a exposição ocorreu muitos anos antes em relação ao diagnóstico da doença. 126
150 8. DETERMINANTES DA SAÚDE
151
152 8.1. Introdução Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) as doenças crónicas não transmissíveis constituem hoje a principal causa de morbilidade e mortalidade calculando-se, que em 2001 tenham contribuído com cerca de 75% da doença no contexto europeu. A incidência terá tendência a aumentar, estimando-se que em 2020 contribuam com cerca de 80% do total de doença expresso em DALYs (anos de vida perdidos ajustados para a incapacidade). Estas doenças são potencialmente preveníveis através de abordagens direccionadas para os factores modificáveis que as determinam, relacionados com estilos de vida, como o consumo de tabaco e álcool, os hábitos alimentares e o sedentarismo. Factores que são responsáveis por um elevado número de óbitos a nível mundial (Figura 99). Fonte: OMS, 2003 Figura 99 Número de óbitos em 2000 por factores de risco, mundial Nos países desenvolvidos os dez principais factores de risco, em percentagem do peso da doença expresso em DALYs, são: tabaco (12,2%), hipertensão (10,9%), bebidas alcoólicas (9,2%), valores elevados de colesterol (7,6%), excesso de peso (7,4%), baixa ingestão de vegetais (3,9%), sedentarismo (3,3%), drogas ilícitas (1,8%), sexo sem protecção (0,8%) e deficiência em ferro (0,8%) (22). 129
153 Num estudo caso-controlo de enfarte agudo do miocárdio, efectuado na cidade do Porto (23), estimou-se a percentagem de risco atribuível para alguns factores de risco. Verificou-se para o sexo masculino e feminino, respectivamente, que a distribuição da gordura corporal (relação cintura anca) contribuiu com 75,8% e 87,8%, o índice de massa corporal com 43,3% e 28,2%, a actividade física com 37,7% e 37,8% e o consumo de tabaco com 45,8% e 8,8%. É de esperar que, se forem instituídas medidas efectivas para o controlo e prevenção destes factores de risco, poderá ser minimizada ou mesmo invertida a tendência crescente de algumas doenças crónicas. As informações sobre os determinantes de saúde apresentadas neste documento tiveram como fonte o Inquérito Nacional de Saúde (INS) (7, 8) e diversos trabalhos desenhados com diversos objectivos. A população a que se referem pode não coincidir com a população da Região de Saúde do Norte. A amostra do INS é representativa para os NUT II definidos pelo INE. O Norte relativo ao estudo A Saúde dos Adolescentes (24, 25), embora englobe algumas escolas da Região de Saúde do Centro, é na sua maioria composto por escolas da Região de Saúde do Norte. Apesar destas diferenças, em ambos os estudos a maioria da população está integrada na Região de Saúde do Norte, pelo que será utilizada a denominação região Norte sempre que se apresentarem resultados da população do Norte por eles definido. Nos resultados de estudos que se referem a grupos populacionais mais específicos dentro da região Norte, a amostra a que se refere é descrita no início dos resultados. 130
154 8.2. Hábitos Tabágicos De acordo com o INS 1995/96 (7), e tendo considerado apenas a informação sobre o consumo de cigarros porque o consumo dos restantes tipos de tabaco foi muito pequeno, nos adultos da região Norte, a prevalência de fumadores foi 16,9% (2,3% ocasionais e 14,6% fumadores diários). O número de fumadores foi superior no sexo masculino (76,6% dos fumadores ocasionais e 85,7% dos fumadores diários). Nos jovens com idade inferior a 18 anos a prevalência de fumadores diários e ocasionais era semelhante, respectivamente, 1,6% e 1,5%, e tal como nos adultos, maior no sexo masculino (Quadro 48). No entanto, será de considerar a possibilidade de estes valores poderem estar subestimados devido à metodologia de recolha de informação, que é efectuada através de um questionário à família, o que pode condicionar alguns adolescentes fumadores a não referirem o consumo de tabaco. Quadro 48 Número e prevalência de fumadores na região Norte, por grupos etários Ocasionalmente Diariamente Idade (anos) Homens Mulheres Homens Mulheres (n=1123) (n=753*) (n=518) (n=1136) (n=1904) (n=1960) (n=1732) (n=1713) (n=1276) Total n (%) Total n (%) (0,2) (0,2) (3,5) (3,7) (2,5) (12,0) (3,1) (21,5) (4,1) (27,9) (3,3) (23,4) (1,7) (17,0) (1,7) (9,4) (1,4) (6,9) (0,8) (2,6) (n=855) * um elemento não tem informação para esta variável Fonte: INS 95/96 Relativamente ao consumo médio de cigarros por dia por grupo etário, foi maior no grupo dos anos (23,5 cigarros), seguida pelos indivíduos com idades compreendidas entre os anos e os anos, respectivamente, 22,2 e 22,5. Os homens foram os que referiram maior consumo diário de cigarros (Quadro 49). 131
155 Quadro 49 - Consumo médio de cigarros/dia na região Norte, por grupos etários Idade (anos) (n=1123) (n=754) (n=518) (n=1136) (n=1904) (n=1960) (n=1732) (n=1713) (n=1276) 75 (n=855) Homens Mulheres Total 5 4 4,5 13,3 10,3 12,4 15,1 9,5 14,5 17,3 13,9 16,7 20,5 13,4 19,1 23,7 14,8 22,2 24,2 16,3 23,5 22,6 16,7 22,5 18,8 20,0 18,8 14, ,4 Fonte: INS 95/96 O Inquérito Nacional de Saúde (INS) foi de novo realizado em 1998/99 (8), o que permite avaliar a evolução dos hábitos tabágicos. No Norte, a prevalência de fumadores foi de 17,9% (30,2% nos homens e 6,8% nas mulheres). Relativamente aos dados de 95/96 a prevalência de fumadores ocasionais diminuiu de 2,3% para 2,0%, tendo aumentado a prevalência de fumadores diários de 14,6% para 15,9%. O grupo etário dos anos foi o que apresentou a maior prevalência de fumadores diários em ambos os inquéritos. Contudo o INS 95/96 e 98/99 não apresentam os mesmos critérios para a definição de grupos etários. Por este motivo, não podemos comparar os dados dos adolescentes, só sendo possível agrupar os adultos a partir dos 24 anos. Assim, a prevalência de fumadores ocasionais e diários nos indivíduos com idade igual ou superior a 25 anos foi semelhante em ambos os inquéritos, 18,9% em e 19,4% em , mas aumentou ligeiramente nos indivíduos com idade inferior a 25 anos, de 11,7% para 13,2% (Quadro 50). 132
156 Quadro 50 - Número de indivíduos que fumavam na região Norte, por grupos etários Idade Ocasionalmente (anos) Homens Mulheres (n=986) (n=2274) (n=2121) (n=2056) (n=1935) (n=1634) (n=1364) 75 (n=950) Total n (%) Homens Diariamente Mulheres Total n (%) 1 1 (0,1) 1 1 (0,1) (3,0) (15,8) (2,8) (30,0) (2,8) (25,4) (2,1) (16,0) (1,3) (9,9) (0,7) (7,1) (1,2) (2,6) Fonte: INS 98/99 Na região Norte, o consumo de tabaco foi semelhante nos dois INS. O consumo médio de cigarros por dia foi 20,2 (14,0 nas mulheres e 21,2 nos homens) em 95/96 e 19,3 (13,8 nas mulheres e 20,6 nos homens) em 98/99. O consumo foi superior no sexo masculino em todos os grupos etários exceptuando o grupo etário dos anos, 20,0 no sexo feminino e 18,8 no sexo masculino em 95/96, estes valores foram respectivamente 21,3 e 18,5 em 98/99 (Quadro 51). Quadro 51 - Consumo médio de cigarros/dia na região Norte, por grupos etários Idade (anos) Homens Mulheres Total (n=986) (n=2274) (n=2121) (n=2056) (n=1935) (n=1634) (n=1364) --- 2,0 2,0 15,1 11,5 14, ,5 18, ,6 21,6 24,6 15,1 23,4 20,8 13,2 20,3 18,5 21,3 18,6 >74 (n=950) 25,5 20,0 22,7 Fonte: INS 98/99 133
157 Segundo o estudo realizado em 1999/2000, à população da cidade do Porto (EPIPorto) com idade superior a 17 anos, a prevalência de fumadores no sexo masculino foi de 35,0% e no sexo feminino de 18,0%. O número médio de cigarros fumados por dia foi de 21,2 nos homens e 19,6 nas mulheres (26). O estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, da Faculdade de Motricidade Humana avaliou as atitudes e comportamentos de saúde dos jovens portugueses, em idade escolar. Este estudo foi realizado em 1998 (24) e em 2002 (25), e foram inquiridos alunos dos 6º, 8º e 10º anos de escolaridade de escolas públicas de Portugal Continental. Em 1998 foram inquiridos 6903 alunos e 6131 em De acordo com o estudo realizado em 1998, a proporção de jovens que já experimentaram tabaco foi no total nacional de 30,9% (28,6% nas raparigas e 33,6% nos rapazes). Os alunos da região Norte, comparados com os das outras regiões, referem mais frequentemente que nunca experimentaram fumar ou fumam menos. Verificou-se ser superior a proporção de indivíduos que escolheram a opção não fumo e menor a proporção que escolheu a opção todos os dias. Segundo os dados do mesmo estudo realizado em 2002, a proporção de jovens que já experimentaram tabaco a nível nacional aumentou para 37,1%, (36,4% nas raparigas e 37,8% nos rapazes). Na região Norte a proporção de jovens que já experimentaram fumar tabaco foi 36,2% e referiram que não fumavam habitualmente 80,4% dos jovens. O Inquérito de Saúde dos Adolescentes na Escola (ISAE) (27) foi promovido pelos Ministérios da Educação e da Saúde em 2002, com o objectivo de conhecer alguns determinantes fundamentais para a saúde nomeadamente, atitudes, comportamentos, ambientes e estilos de vida de jovens de Portugal Continental, entre os 11 e os 19 anos. Foi recolhida informação através de questionários autoadministrados a aproximadamente 9500 alunos que frequentavam os 7º, 9º e 12º anos de escolas públicas, sendo 2695 alunos da região Norte. Nesta avaliação a prevalência de fumadores a nível nacional foi de 18,9% e na região Norte foi de 21,1%, superior no sexo masculino (22,3% vs.19,9%). O número de cigarros fumado por dia foi superior no sexo masculino, 13,4% fumavam menos de 5 cigarros por dia; 43,3% entre 5 e 10; 34,1% entre 11 e 20 e 9,1% mais de 20 cigarros por dia. Nas raparigas estes valores foram respectivamente 26,5%, 43,4%, 25,9% e 4,2%. Como seria de esperar a prevalência de fumadores aumenta com a idade, particularmente no consumo diário e no sexo masculino (Quadro 52). 134
158 Quadro 52 Prevalência de consumo de tabaco na região Norte, por grupo etário e sexo Idade (anos) Não Às vezes Diariamente Rapazes Raparigas Rapazes Raparigas Rapazes Raparigas n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) 11 a (93,1) 313 (94,3) 13 (3,7) 13 (3,9) 11 (3,1) 6 (1,8) 14 a (78,0) 439 (77,3) 58 (10,8) 55 (9,7) 60 (11,2) 74 (13,0) 17 a (64,2) 366 (73,8) 50 (12,6) 45 (9,1) 92 (23,2) 86 (17,3) Fonte: ISAE 2002 Nos alunos com idade superior a 13 anos verificou-se que a proporção de alunos nas categorias de maior consumo (>10 cigarros diários) era maior nos rapazes (Quadro 53). Quadro 53 Proporção de fumadores na região Norte por categoria de número de cigarros fumado por dia, por grupo etário e sexo Idade (anos) 11 a a a 19 Nº de Cigarros Rapazes n (%) Raparigas n (%) Total n (%) <5 0 (0) 2 (33,3) 2 (12,5) 5 a 10 5 (50,0) 0 (0) 5 (31,3) 11 a 20 4 (40,0) 3 (50,0) 7 (43,8) >20 1 (10,0) 1 (16,7) 2 (12,5) <5 9 (15,0) 23 (31,1) 32 (23,9) 5 a (50,0) 29 (39,2) 59 (44,0) 11 a (26,7) 17 (23,0) 33 (24,6) >20 5 (8,3) 5 (6,7) 10 (7,5) <5 13 (13,8) 19 (22,1) 32 (17,8) 5 a (38,3) 43 (50,0) 79 (43,9) 11 a (38,3) 23 (26,7) 59 (32,8) >20 9 (9,6) 1 (1,2) 10 (5,5) Fonte: ISAE 2002 Em 2000, em 732 alunos do 9º ao 12º ano de escolaridade matriculados em escolas do Porto, a prevalência de fumadores regulares foi de 20,9%. Fumavam entre 6 e 10 cigarros por dia 8,7% dos alunos e 5,6% fumava mais de 10 (28). Dados de 1996/97 referentes a alunos do 7º, 8º e 9º ano de escolaridade, cuja média (desvio padrão) de idades era 13,9 (1,1) anos, que frequentavam escolas do 135
159 concelho de Vila Real apresentam uma prevalência de 12,3%, maior nos rapazes (15,5%) do que nas raparigas (9,1%) (29). O estudo EPITeen (30), realizado pelo Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina do Porto, avaliou 2161 adolescentes de 13 anos (nascidos no ano de 1990 e que no ano lectivo 2003/2004 estavam matriculados em escolas públicas e privadas da cidade do Porto). Dos alunos avaliados já experimentaram fumar cerca de 20%, sendo a proporção mais elevada nas raparigas do que nos rapazes (22,4% e 17,1%) (Figura 100). Hábitos Tabágicos 25% 22,4% 20% 15% 10% 17,1% Feminino Masculino 5% 0% já experimentou mas não fuma regularmente 2,0% 2,0% 1,5% fuma mas não todos os dias 0,4% fuma pelo menos 1 cigarro/dia Fonte: EPITeen 2004 Figura Hábitos tabágicos em adolescentes de 13 anos do Porto Neste estudo, foram as raparigas que referiram fumar com maior frequência: fumavam mas não todos os dias 2,0% vs. 1,5% dos rapazes e 1,3% das raparigas fumavam pelo menos um cigarro por dia, enquanto nos rapazes eram apenas 0,4%. A média (desvio padrão) de idade com que os adolescentes iniciaram o hábito foi de 12,1 (0,8) anos para as raparigas e de 11,4 (1,7) anos para os rapazes. Pelos resultados descritos nestes trabalhos, embora não comparáveis directamente, verifica-se que a prevalência de fumadores, especialmente no sexo feminino, tende a aumentar. Para definição da intervenção no âmbito da promoção da saúde, nomeadamente para o combate a este crescente da prevalência de fumadores, é essencial o conhecimento das razões que levam ao consumo de tabaco. No estudo EPITeen a razão mais referida para experimentar fumar foi a curiosidade (45,6% nos 136
160 rapazes e 48,4% nas raparigas), ter amigos que fumam foi referida por 13,6% dos alunos. O estudo ISAE avalia a razão para fumar entre os fumadores diários, e as razões mais referidas foram o hábito (20,4%) e ser viciado (16,4%), tendo ainda 16,4% referido fazê-lo por prazer Consumo de Bebidas Alcoólicas O Inquérito Nacional de Saúde avalia o consumo de bebidas alcoólicas nos 12 meses que antecederam a avaliação. Das bebidas avaliadas o vinho e a cerveja representam a maior fatia do consumo, por isso optou-se por apresentar apenas estes consumos discriminados por grupos etários. As classes escolhidas para apresentação dos resultados do inquérito não permitem obter informações pormenorizadas sobre a quantificação do consumo, pois a categoria de frequência mais elevada é várias vezes por semana, por isso optou-se por apresentar apenas os dados sobre a prevalência do consumo. Na região Norte, de acordo com os dados do INS em , a prevalência de indivíduos que consumia bebidas alcoólicas foi superior nos homens (66,9% vs. 46,9%). Considerando apenas a população adulta a prevalência foi 85,1% nos homens e 72,3% nas mulheres. Nos adolescentes (<18 anos) a diferença na prevalência de consumidores de bebidas alcoólicas entre sexos não foi tão acentuada (11,7% nos rapazes e 9,4% nas raparigas). A bebida mais consumida foi o vinho, embora no grupo etário dos anos a prevalência de indivíduos que consumia vinho foi semelhante à de indivíduos que referiram consumir cerveja. Em oposição a cerveja foi pouco consumida no grupo etário com idade igual ou superior a 65 anos representando o vinho o maior consumo (Quadro 54). 137
161 Quadro 54 Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas na região Norte, por idade e sexo, INS 95/96 Idade Alguma bebida alcoólica Vinho Cerveja <15 anos Homens (n=1356) Mulheres (n=1307) Homens (n=1356) Mulheres (n=1307) Homens (n=1356) Mulheres (n=1307) Bebeu 6,0% 6,0% 5,5% 5,5% 1,5% 1,3% anos (n=354) (n=400) (n=354) (n=400) (n=354) (n=400) Bebeu 33,6% 20,7% 24,0% 14,7% 25,7% 10,0% anos (n=4287) (n=4675) (n=4287) (n=4675) (n=4287) (n=4675) Bebeu 85,7% 59,3% 79,1% 55,6% 66,2% 19,7% 65 anos (n=910) (n=1220) (n=910) (n=1220) (n=910) (n=1221) Bebeu 81,7% 51,6% 81,0% 51,2% 33,9% 4,4% Fonte: INS 95/96 Na região Norte em (INS), a prevalência de indivíduos que consumia bebidas alcoólicas foi 53,9% (65,4% nos homens e 43,5% nas mulheres), valores semelhantes aos encontrados em Das cinco regiões avaliadas a prevalência na região Norte foi a mais elevada, particularmente nas mulheres. No grupo com idade inferior aos 25 anos, a prevalência foi de 23,9% nos homens e 11,5% nas mulheres. A bebida mais consumida foi o vinho, embora a magnitude da diferença em relação às outras bebidas alcoólicas, seja menor do que a observada em No grupo dos 15 aos 24 anos verifica-se que a prevalência de consumidores de cerveja foi superior à dos consumidores de vinho (26,5% vs. 21,8%). No grupo etário dos 25 aos 34 anos também se verifica maior proporção de consumidores de cerveja, mas apenas nos homens (Quadro 55). 138
162 Quadro 55 Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas na região Norte, por idade e sexo, INS 98/99 Idade (anos) Alguma bebida alcoólica Vinho Cerveja <15 anos Homens (n=1252) Mulheres (n=1232) Homens (n=1252) Mulheres (n=1232) Homens (n=1252) Mulheres (n=1232) Bebeu 1,7% 1,1% 1,3% 1,0% 0,6% 0,3% anos (n=1170) (n=1114) (n=1170) (n=1113) (n=1162) (n=1113) Bebeu 47,5% 22,8% 27,9% 15,2% 40,7% 11,7% anos (n=3668) (n=4076) (n=3667) (n=4075) (n=3662) (n=4075) Bebeu 88,9% 59,7% 83,3% 56,3% 69,8% 17,6% 65 anos (n=960) (n=1354) (n=960) (n=1354) (n=960) (n=1354) Bebeu 80,0% 49,9% 78,8% 49,1% 35,2% 3,7% Fonte: INS 98/99 De acordo com o estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses de 1998 (24), no total nacional, referiram ter experimentado bebidas alcoólicas 71,0% dos inquiridos (74,6% rapazes e 67,8% raparigas). A proporção foi aproximadamente o dobro aos 16 anos (88,6%) do que aos 11 anos (47,6%). Na região Norte, os alunos referiram beber mais frequentemente vinho, e consumiam significativamente menos cerveja e bebidas espirituosas. Também referiram menos frequentemente que já se embriagaram. Considerando as informações para o total nacional deste estudo realizado em 2002 (25), referiram ter experimentado bebidas alcoólicas 51,9% dos inquiridos (55,6% rapazes e 48,8% raparigas). Verifica-se que entre 1998 e 2002 a frequência de consumo todos os dias aumentou de 0,4% para 1,0% e a todas as semanas/meses aumentou de 9,6% para 11,3%. De acordo com os dados de 2002 para a região Norte, 44% dos jovens inquiridos responderam consumir ocasionalmente álcool e 7,1% responderam consumir regularmente. Referiram nunca ter ficado embriagados 77,1% dos adolescentes, 19,1% respondeu que esta situação já tinha ocorrido 1 a 3 vezes e 3,8% 4 ou mais vezes. É de realçar que as bebidas com elevado teor alcoólico (bebidas espirituosas e bebidas brancas), são as que apresentaram maior frequência de consumo (Quadro 56). 139
163 Quadro 56 - Consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes da região Norte, por tipo de bebida, 2002 Bebida Todos os dias Todas as semanas/meses Raramente/Nunca Cerveja (n=2548 alunos) Vinho (n=2532 alunos) Bebidas espirituosas (n=2575 alunos) 0,5% 6,2% 93,3% 0,8% 2,6% 96,5% 0,7% 9,5% 89,8% Fonte: A Saúde dos Adolescentes Portugueses 2002 Em alunos com média (desvio padrão) de idades de 13,9 (1,1) anos, que frequentavam escolas do concelho de Vila Real em 1996/97, o consumo de bebidas alcoólicas foi referido por 27,2% (19,8% nas raparigas e 34,7% nos rapazes) (29). No Porto, em 2000, em alunos de 16 anos (desvio padrão=1,4), a prevalência de consumo de bebidas alcoólicas foi de 59,8% (28). De acordo com o estudo EPITeen (30) que em 2003/2004 avaliou adolescentes de 13 anos de escolas da cidade do Porto, 49,2% responderam já ter experimentado bebidas alcoólicas. A proporção de indivíduos que já experimentaram bebidas alcoólicas foi semelhante em ambos os sexos (Figura 101). A média de idade em que experimentaram bebidas alcoólicas foi de 10,8 anos. O local referido como o mais frequente para beber foi a própria casa, (63,2% dos adolescentes que alguma vez beberam bebidas alcoólicas), ao contrário do que acontece com o tabaco em que a própria casa foi referida apenas por cerca de 15% dos alunos que referiram já alguma vez ter fumado. Esta informação vai de encontro ao facto de culturalmente o consumo de bebidas alcoólicas ser aceite na população portuguesa o que dificulta a percepção dos riscos associados a este comportamento e o torna uma prioridade no planeamento da prevenção. 140
164 Consumo de Bebidas Alcoólicas % ,0 45,1 3,5 5,5 só experimentou bebe menos de 1 copo/semana 1,2 1,1 bebe pelo menos 1 copo/semana Feminino Masculino Fonte: EPITeen 2004 Figura Consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes de 13 anos do Porto, Ingestão Alimentar No âmbito do Inquérito Nacional de Saúde (INS), de (7) e de (8), foi inquirido o consumo de um conjunto de alimentos relativamente ao dia que antecedeu a entrevista. Estes resultados, embora com limitações pela metodologia de recolha da informação, permitem verificar o maior consumo de carne do que de peixe, e uma redução na proporção de indivíduos que referiu o consumo de fruta, vegetais e sopa. Esta última foi mais consumida pelas crianças e pelos adultos com mais de 64 anos (Quadros 57 e 58). Quadro 57 Proporção de indivíduos na região Norte que consumiram o alimento, por grupo etário, INS 95/ anos 5-14 anos anos anos 65 anos Alimentos (n=662) (n=2001) (n=754) (n=8945) (n=2127) Sopa 77,1% 67,4% 60,0% 65,2% 82,8% Peixe 45,1% 53,8% 55,8% 55,1% 52,2% Carne 75,2% 87,4% 86,6% 85,0% 61,7% Legumes/hortaliça 71,6% 85,4% 94,6% 86,9% 84,9% Fruta 86,5% 93,9% 97,8% 89,8% 85,8% Fonte: INS 95/96 141
165 Quadro 58 Proporção de indivíduos na região Norte que consumiram o alimento, por grupo etário, INS 98/ anos 5-14 anos anos anos 65 anos Alimentos (n=674) (n=1810) (n=2286) (n=7748) (n=2314) Sopa 77,2% 62,4% 52,8% 62,7% 78,9% Peixe 42,0% 45,8% 46,3% 51,2% 50,6% Carne 76,5% 88,5% 87,1% 83,5% 71,7% Legumes/hortaliça 75,3% 80,9% 80,8% 85,4% 87,2% Fruta 82,4% 88,5% 85,3% 83,3% 79,7% Fonte: INS 98/99 Os produtos lácteos são essenciais, nomeadamente por serem uma fonte privilegiada de cálcio, que é imprescindível para a construção da massa óssea. O consumo de leite foi questionado nos INS, referindo-se ao consumo durante a semana que antecedeu a entrevista. Podemos verificar que a frequência de consumo semanal de leite, se manteve nos dois inquéritos, a maioria dos inquiridos beberam entre 6 a 7 dias por semana, mas a proporção decresce com a idade em ambas as avaliações (Quadros 59 e 60). Quadro 59 Consumo de leite na região Norte, por grupo etário, INS 95/96 nº de dias 0-4 anos 5-14 anos anos anos > 64 anos da semana (n=662) (n=2001) (n=754) (n=8960) (n=2131) 0 dias 5,7% 11,9% 21,0% 35,1% 38,9% 1 a 5 dias 4,0% 5,6% 6,1% 7,1% 6,5% 6 a 7 dias 90,1% 82,3% 71,6% 57,6% 54,5% Fonte: INS 95/96 Quadro 60 Consumo de leite na região Norte, por grupo etário, INS 98/99 nº de dias da 0-4 anos 5-14 anos anos anos > 64 anos semana (n=674) (n=1810) (n=2286) (n=7748) (n=2314) 0 dias 6,6% 6,9% 20,9% 34,1% 33,7% 1 a 5 dias 2,5% 4,8% 8,2% 8,2% 7,0% 6 a 7 dias 90,7% 88,1% 70,7% 57,5% 59,2% Fonte: INS 98/99 142
166 No estudo EPITeen (30), o consumo de alimentos foi avaliado através de um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar. Neste estudo verificou-se que 14% das raparigas e 10% dos rapazes referiram que não ingerem leite habitualmente. Estes valores são mais elevados do que os descritos para a região Norte pelos inquéritos nacionais de saúde para o grupo etário dos 5 aos 14 anos. Em relação aos derivados do leite, 17% das raparigas e 15% dos rapazes não consumiam iogurte, e o queijo não era consumido por 32% das raparigas e 27% dos rapazes. O consumo do médio diário de leite e derivados é apresentado na Figura 102. Consumo de Produtos Lácteos Leite (ml/dia) Iogurte (g/dia) Queijo (g/dia) Feminino Masculino Fonte: EPITeen 2004 Figura Ingestão média diária de leite e derivados em adolescentes de 13 anos do Porto Do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, de 1998, no total nacional, verifica-se que cerca de um quinto dos jovens inquiridos referiu ingerir diariamente, café, colas ou outros refrigerantes, e cerca de metade comer doces e bolos ou pastelaria. Os doces, bolos ou pastelaria eram mais consumidos pelos rapazes do que pelas raparigas. Os hambúrgueres, cachorros ou salsichas eram consumidos diariamente por 10% dos adolescentes, mais pelas raparigas. Aproximadamente 92% dos adolescentes, mais frequentemente as raparigas, consumiam todos os dias fruta e 61% vegetais, no entanto esta avaliação não permite quantificar o total ingerido, pelo que não é possível estabelecer se o total ingerido se aproxima do recomendado. Comparando os resultados nacionais de 1998 com os de 2002, verifica-se que diminuiu a frequência de adolescentes que comia doces/chocolates e refrigerantes todos os dias, mas o consumo diário de fruta diminuiu de forma muito mais acentuada, de 91,9% para 49,9% (Quadro 61). 143
167 Quadro 61 Frequência de ingestão dos alimentos avaliados no estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses em 1998 e 2002, total nacional Alimentos (%) (%) Fruta Raramente/Nunca Pelo menos 1 vez/semana Pelo menos 1 vez/dia Doces/Chocolates Raramente/Nunca Pelo menos 1 vez/semana Pelo menos 1 vez/dia Colas ou outros refrigerantes Raramente/Nunca Pelo menos 1 vez/semana Pelo menos 1 vez/dia Hambúrgueres, cachorros, salsichas Raramente/Nunca Pelo menos 1 vez/semana Pelo menos 1 vez/dia 5,0 3,2 91,9 22,8 19,8 57,4 24,9 26,0 49,1 5,7 45,3 49,9 16,1 60,7 23,2 20,0 45,4 34,6 38,1 43,4 51,9 46,6 10,0 10,0 Fonte: A Saúde dos Adolescentes Portugueses Relativamente aos dados de 2002, a ingestão destes alimentos pelos jovens da região Norte é semelhante aos valores do global nacional. Verifica-se uma baixa proporção de adolescentes com consumo diário de fruta (51,3%) e uma elevada proporção de adolescentes com ingestão diária de doces (21,2%) e refrigerantes (29,3%) (Quadro 62). Quadro 62 Frequência de ingestão dos alimentos avaliados no estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses em 2002, região Norte Raramente/ Pelo menos 1 Pelo menos 1 Alimentos Nº de alunos Nunca vez/semana vez/dia Fruta % 44.4% 51.3% Doces/Chocolates % 62.8% 21.2% Colas ou outros refrigerantes Hambúrgueres, cachorros, salsichas % 46.9% 29.3% % 43.3% 8.4% Fonte: A Saúde dos Adolescentes 2002 No estudo EPITeen é possível estimar a quantidade ingerida porque o consumo de alimentos foi avaliado através de um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar. Verifica-se que a fruta era mais ingerida que os vegetais e 144
168 legumes (Figura 103). A sopa de legumes poderia ser uma fonte adicional de produtos hortícolas, porém os resultados revelam que o consumo de sopa de legumes foi baixo, aproximadamente 9% dos adolescentes nunca comiam sopa de legumes e só 37% a consumiam diariamente. Ingestão de Fruta e Legumes g/dia P. Hort í colas Legumes Leguminosas Frut os Feminino M asculino Fonte: EPITeen 2004 Figura Consumo diário de fruta e legumes (g/dia), em adolescentes de 13 anos do Porto No seguimento dos resultados do inquérito nacional de saúde e do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, que permitem estimar um decréscimo no consumo de fruta, é de esperar que os legumes e hortaliças também estejam a ser menos consumidos. Assim, a ingestão será seguramente inferior ao recomendado (pelo menos 5 porções diárias) numa grande proporção de adolescentes. A diminuição do consumo de fruta e vegetais, que os dados disponíveis permitem estimar, poderão condicionar um aumento na incidência de algumas patologias. De acordo com o relatório da OMS (22), o consumo reduzido destes produtos é responsável por cerca de 19% dos cancros gastrointestinais, 31% de doença cardiovascular isquémica e 11% de enfartes do miocárdio. Cerca de 2,7 milhões de mortes poderiam ser evitadas se cada pessoa consumisse porções adequadas de frutos e vegetais. Segundo o estudo EPITeen, em relação aos produtos de pastelaria e confeitaria (bolos, bolicao,...), a ingestão foi elevada, mais de 10% dos adolescentes consumiam pelo menos 1 por dia (Figura 104). Estes valores não incluem a ingestão 145
169 de chocolates, bolachas e outros doces como gomas e rebuçados. Estes resultados são aparentemente inferiores aos descritos pelo estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, no entanto não são directamente comparáveis por as categorias não incluírem os mesmos alimentos. Ingestão de Produtos de Pastelaria % ,1 29,6 29,1 27,2 25,8 21,3 10,8 8,9 4,9 5,6 0,8 0,9 Feminino Masculino <1/sem 1/sem 2-4/sem 5-6/sem 1/dia >=2/dia Fonte: EPITeen 2004 Figura Frequência de consumo de produtos de pastelaria (%) em adolescentes de 13 anos do Porto, por sexo O consumo de refrigerantes, uma fonte adicional de açúcar, é apresentado na Figura 105, a ingestão média diária de refrigerantes foi de 290 ml por dia e o consumo foi semelhante em rapazes e raparigas. Referiram consumir refrigerantes diariamente 32,1% dos adolescentes. Estes resultados são ligeiramente superiores aos descritos no estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses de Consumo de Refrigerantes (ml/dia) Colas Ice Tea Outros Refrigerantes Feminino Masculino TOTAL Fonte: EPITeen 2004 Figura Ingestão média diária de refrigerantes em adolescentes de 13 anos do Porto, por sexo 146
170 No estudo EPITeen foi possível quantificar a ingestão de nutrientes. Destacase que a percentagem do total de energia fornecida pela gordura foi superior ao valor máximo recomendado (35% do total calórico) em 28% das raparigas e em 26% dos rapazes. Um aspecto importante na alimentação da população portuguesa compreende a ingestão de sal. A dificuldade de quantificar este consumo justifica a escassez de estudos com um elevado número de participantes. Um estudo realizado pela Universidade Fernando Pessoa no Porto, mostrou que na população hipertensa o consumo médio diário foi de 12,4 g, em operários fabris foi de 12,9 g e em estudantes universitários foi de 11,1 g. Em todos os grupos os valores excediam o recomendado pelo Organização Mundial de Saúde (Cloreto de sódio <5 g/dia) (31) Excesso de Peso e Obesidade Estima-se que, na União Europeia, a obesidade seja responsável por cerca de 7% dos custos dos cuidados de saúde, percentagem que irá aumentar dada a tendência crescente na sua prevalência (32). Em Portugal, o Inquérito Nacional de Saúde (INS) permite monitorizar alguns aspectos relacionados com a saúde, nomeadamente o excesso de peso e a obesidade. A comparação entre os resultados do inquérito realizado em 1995/96 e os dados de 1998/99 permite observar a nível nacional um aumento da prevalência neste período. Nos homens a prevalência de excesso de peso foi de 39,9% em 1995/96 e 42,5% em 1998/99, nas mulheres estes valores foram 32,2% e 32,3%, respectivamente. A prevalência de obesidade aumentou em ambos os sexos, de 10,3% para 11,5%, nos homens e de 12,7% para 14,2%, nas mulheres. Segundo o INS de 1998/99, da região Norte embora a maioria da população inquirida, em todos os grupos etários, apresente um IMC entre 20,0 e 24,9 (kg/m 2 ), a proporção de indivíduos com excesso de peso (IMC>24,9 kg/m 2 ) foi elevada, particularmente na população com idade superior a 44 anos (Quadro 63). Embora sem dados da região em 95/96 que permitam avaliar a evolução, é de esperar que tenha sido no mesmo sentido da encontrada a nível nacional. 147
171 Quadro 63 Prevalência de categorias de índice de massa corporal (IMC) por grupos etários, região Norte, INS 98/99 Idade (anos) IMC kg/m >64 (n=1588) (n=2087) (n=2025) (n=1900) (n=1602) (n=2221) <18,0 2,8% 2,0% 0,4% 0,5% 0,7% 1.6% 18,0-19,9 13,0% 6,3% 3,5% 2,3% 2,2% 4,0% 20,0-24,9 65,0% 54,5% 45,0% 36,3% 34,3% 38,0% 25,0-26,9 10,5% 16,7% 20,3% 18,9% 21,0% 17,5% 27,0-29,9 6,1% 13,7% 19,6% 24,1% 24,0% 23,0% 30,0 2,0% 6,5% 11,0% 17,6% 17,5% 15,0% Fonte: INS 98/99 Além dos dados do INS existem alguns trabalhos realizados na região Norte, embora com menores tamanhos amostrais, que avaliaram grupos etários diferentes e de locais diferentes. No quadro 64 são apresentados valores relativos à prevalência de excesso de peso/obesidade, segundo alguns estudos efectuados na região Norte. Podemos verificar que na maior parte dos estudos os valores são superiores a 20%, qualquer que seja a idade considerada. Quadro 64 Prevalência de excesso de peso incluindo obesidade Autor Ano Local Idade F Sexo M Total Queirós L (33) 1999 Distrito Porto anos 21% Afonso C. (34) 2002 Grande Porto >14 anos 34,0% Santos AC, Barros H (35) 2002 Cidade Porto >17 anos 26,1% 13,9% 21,3% Matos, M et al (25) 2002 Região Norte Alunos 6º, 8º, 10º anos de escolaridade 16,3% Carracedo MA (36) 2003 Concelho Braga anos 24,8% 21,1% 22,8% Projecto EPITeen (37) 2004 Cidade Porto 13 anos 26,7% 148
172 8.6. Actividade Física/Tempos Livres As informações disponíveis sobre a actividade física são reduzidas e de difícil comparabilidade por serem recolhidas de forma dispersa e não sistematizada, com suportes de informação e definições diferentes. Segundo os dados da região Norte do Inquérito Nacional de Saúde (INS) de 95/96 (7) a proporção de indivíduos com idade superior a 17 anos que referiu habitualmente estar sentado ou andar pouco foi de 31,9% (27,5% nos homens e 35,8% nas mulheres), nos adolescentes (idade entre 15 e 17 anos) estes valores foram 46,7% (37,4% nos rapazes e 55,0% nas raparigas). Dos adultos 5,7% referiram praticar exercício físico regular (8,2% nos homens e 3,4% nas mulheres), nos adolescentes estes valores foram 26,8% (34,0% nos rapazes e 20,3% nas raparigas). Também na avaliação da população adulta (>17 anos) da cidade do Porto (EPIPorto), se verifica que as mulheres têm actividades mais sedentárias. Das mulheres avaliadas 86% eram sedentárias e 79% dos homens. Considerando apenas as actividades de lazer, 84% dos indivíduos foram classificados como sedentários (38). Num estudo realizado a nível nacional verificou-se que 70,0% das mulheres não praticavam actividade física, esta proporção era de 49,5% nos homens. No mesmo estudo a proporção de indivíduos do grande Porto que não praticavam exercício físico era de 53,6% (o global nacional foi de 60,0%). Foram também evidenciadas diferenças regionais, na região Norte e Centro litoral 66,2% não praticavam nenhuma actividade física, na região Norte e centro interior a proporção foi de 58,8% (34). Apesar de haver uma grande proporção de indivíduos que não praticava exercício físico, os dados nacionais mostram que 21,4% referiram que a prática de exercício físico serve para se manter mais saudável e 17,6% para aliviarem a tensão/relaxar (34). De acordo com o estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, de 1998 (24), considerando o total nacional, 48,2% dos jovens praticava actividade física fora da escola 1 a 3 dias por semana. Só 38,3% responderam fazê-lo 4 a 7 dias e 13,5% responderam praticar actividade física uma vez por mês ou menos. Relativamente ao tempo dispendido diariamente a ver televisão, 71,6% responderam menos de 3 horas e 28,4% responderam mais de 4 horas. Ainda segundo este estudo, relativamente ao número de horas de prática de actividade física, os jovens do Norte distinguem-se por referir uma maior proporção de adolescentes que assinalaram a opção uma a três horas por semana. 149
173 Nos dados do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses de 2002 (25), ouvir música foi a actividade de tempos livres mais referida pelos jovens da região Norte (98%). Quanto à prática de actividade física 36,8% referiu que pratica 4 a 7 dias por semana, 47,5% um a três dias por semana e 15,7 uma vez ou menos por mês. Os cinco desportos mais referidos no total nacional foram futebol, ginástica, natação, basquetebol e ciclismo/btt, sendo o futebol o desporto mais praticado (49%) pelos jovens do norte (Quadro 65). Quadro 65 Desportos mais praticados pelos jovens da região Norte Desporto Sim Futebol 49,0% Ginástica 18,1% Natação 17,4% Basquetebol 16,8% Ciclismo/BTT 13,6% Fonte: A Saúde dos Adolescentes Portugueses 2002 Dos dados recolhidos na região Norte no âmbito do Inquérito de Saúde dos Adolescentes na Escola (ISAE) em 2002/03, podemos verificar que a prática de actividade física é menor no sexo feminino. Referiram praticar actividades leves (1 ou 2 dias por semana 54,7% nas raparigas e 42,4% nos rapazes; 3-5 dias por semana 25,2% nas raparigas e 32,4% nos rapazes e 6 dias 9,1% nas raparigas e 16,8% nos rapazes) e exercício físico regular (1 ou 2 dias por semana 50,0% vs. 38,0%; 3-5 dias 17,7% vs. 37,7% e 6 dias 4,5% vs. 12,3%, respectivamente para raparigas e rapazes). Dos adolescentes inquiridos, 42% dos jovens dedicavam cerca de 6 ou mais vezes por semana a actividades sedentárias, e 44% praticavam exercício físico regular 1 a 2 vezes por semana. Nunca praticaram exercício físico regular 20% dos inquiridos e 10% nunca praticaram actividades leves (Quadro 66). 150
174 Quadro 66 Prevalência de diferentes actividades de lazer, em adolescentes da região Norte Actividades Nunca 1 a 2 vezes 3 a 5 vezes 6 vezes Actividades sedentárias (ler, ver TV, jogar computador, etc.) 5,3% 23,6% 29,1% 42,0% Actividades leves (passear, andar de bicicleta,etc.) 9,8% 48,8% 28,6% 12,8% Exercício físico regular 20,3% 44,2 27,2% 8,2% Fonte: ISAE 2002 Os resultados do estudo EPITeen apresentaram a mesma tendência, em que as raparigas praticavam com menor frequência actividade desportiva extra-escolar, 60,6% das raparigas refere que nunca praticavam nenhuma actividade desportiva, enquanto nos rapazes esta proporção foi de 39,3% (Figura 106). Actividade Desportiva 70% 60% 60,6% 50% 40% 30% 20% 10% 39,3% 2,2% 2,5% 11,7% 10,6% 18,3% 29,3% 2,8% 8,3% 4,4% 10,0% feminino masculino 0% Nunca Menos de 1 vez/semana 1 vez por semana 2 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Quase todos os dias Fonte: EPITeen 2004 Figura 106 Frequência da prática de actividades desportivas extra-escola, em adolescentes de 13 anos do Porto A elevada proporção de adolescentes que não praticam exercício físico foi também descrita em outros dois estudos realizados em adolescentes de diferentes locais da região Norte (Quadro 67). Podemos verificar que em ambos menos de 5% da população inquirida referiu praticar actividade física mais de cinco vezes por semana. 151
175 Quadro 67 Prevalência da prática de actividade física em adolescentes Autor Ano Local Idade (anos) <3 vezes/sem 3 a 5 vezes/sem 6 vezes/sem Queirós L. (33) 1999 Distrito do Porto ,0% 47,0% 4,0% Carracedo MA* (36) 2003 Concelho de Braga ,8% 22,3% 3,2% * os restantes (44,7%) não responderam ou assinalaram que não sabiam 8.7. Despesas Médias Anuais dos Agregados Familiares A informação disponibilizada pelo Inquérito aos Orçamentos Familiares realizado pelo INE em 2000 permite relacionar o peso de alguns destes determinantes no orçamento familiar. No Norte verificou-se que se gasta uma proporção maior das despesas médias anuais do agregado familiar em bebidas alcoólicas e tabaco, e em oposição gasta-se uma proporção menor que a média nacional em saúde, ensino, lazer, distracção e cultura (Figura 107) Portugal Norte 5 0 Transportes Ensino Fonte: INE, Inquérito aos Orçamentos Familiares
176 Figura Proporção (%) de despesas médias anuais dos agregados familiares, por classe de despesa da classificação do consumo individual por objectivo Embora seja possível que as diferenças sejam parcialmente explicadas por diferenças nos preços, estas diferenças reflectem assimetrias reais na distribuição do dinheiro disponível pelo agregado familiar. No Norte as escolhas privilegiam hábitos nocivos para a saúde tabaco e bebidas alcoólicas em detrimento do ensino que poderia fornecer conhecimentos importantes para apreender e compreender mensagens relacionadas com a saúde. Esta questão torna-se ainda mais relevante quando se verifica, no total nacional, que embora os indivíduos com nível de instrução mais alto tenham valores superiores de despesa total, na despesa relacionada com o consumo de tabaco a relação é inversa, quer em valor absoluto quer considerando a proporção do total de despesas do agregado (Figura 108) ,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 Despesa em tabaco ( ) % de despesa em tabaco 0 Nenhum Até 1º ciclo 2º ou 3º ciclo Secundário Superior 0,0 Fonte: INE, Inquérito aos Orçamentos Familiares 2000 Figura Despesa média anual nacional em tabaco por agregado familiar com despesas em tabaco, segundo o nível de instrução do representante do agregado A despesa em tabaco efectuada pelos agregados cujo representante completou ensino superior (621 ) foi aproximadamente 76% do valor observado nos agregados cujo representante não completou qualquer nível de instrução (816 ), sendo que, para estas famílias, o tabaco foi especialmente expressivo no total da sua despesa (7,5%). Embora estes sejam resultados nacionais, será de esperar que a região Norte apresente o mesmo comportamento. 153
177 8.8. Drogas Ilícitas De acordo com o relatório anual de 2003 do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) podemos verificar que o número de utentes em primeiras consultas, na região Norte entre 1996 e 2000 foi semelhante e a partir de 2001 verifica-se uma diminuição acentuada (Figura 109). Utentes em Primeiras Consultas, segundo o ano, na Delegação Regional do Norte Fonte: IDT 2003 Figura Evolução do número de utentes em primeiras consultas, Existe uma maior proporção de utentes do sexo masculino (88,6%). Os grupos dos anos e dos anos apresentaram um maior número de utentes (45%) (Figura 110). 154
178 Utentes em Primeiras Consultas, segundo o grupo etário, na Delegação Regional do Norte Desc. 1,0% 3,7% 12,8% 20,5% 24,5% 16,5% 9,8% 4,1% 6,7% Nº Total de Utentes = 1479 Font e: IDT 2003 Figura Distribuição do número de utentes em primeiras consultas por grupos etários De acordo com os dados nacionais do estudo A Saúde dos Adolescentes de 1998 (24), 5,2% dos jovens referiram que consumiam drogas (7,6% dos rapazes e 3,1% das raparigas), em 2002 estes valores praticamente duplicaram, 10,3% (13,9% dos rapazes e 6,9% das raparigas). O grupo etário mais referido como sendo o da primeira experiência com drogas foi o dos 13 aos 15 anos (Quadro 68). Quadro 68 Idade da primeira experiência com drogas, nacional anos anos anos anos 6,4% 18,1% 66,0% 9,5% Fonte: A Saúde dos Adolescentes 1998 Ainda segundo este estudo, os jovens da região Norte em 1998, referiram menos que o global nacional que já experimentaram drogas. Quando confrontados com afirmações sobre as razões para as pessoas se drogarem, os alunos do Norte escolhem menos a opção que refere o gostar dos efeitos da droga e sentirem-se bem. Quanto às razões para não se drogarem, os jovens do Norte escolhem menos o não querer e mais o nunca terem pensado nisso. 155
179 A nível nacional, a proporção de indivíduos que consome cocaína/heroína, e estimulantes manteve-se semelhante nos dois anos avaliados, mas a proporção de consumidores de haxixe/erva praticamente triplicou (Quadro 69). Quadro 69 Tipo de droga experimentada, comparação de resultados nacionais de 1998 e 2002 Droga Cocaína/heroína 1,3% 1,8% Haxixe/erva 3,8% 9,2% Estimulantes 2,7% 3,5% Fonte: A Saúde dos Adolescentes Portugueses Em 2002, nas questões sobre experimentação de drogas, 10,8% dos alunos da região Norte, responderam já ter experimentado. Quanto ao tipo de droga experimentada, a cocaína/heroína foi a menos referida (2,0%) e o haxixe/erva a que foi referida por uma proporção maior (9,2%) (Quadro 70). Quadro 70 Proporção de adolescentes da região Norte que já experimentou drogas, por tipo de droga experimentada Tipo de Droga % que já experimentou Cocaína/heroína (n=2509) 2,0% Haxixe/erva (n=2558) 9,2% Usadas como medicamento (n=2420) 3,7% Estimulantes (n=2536) 3,6% Fonte: A Saúde dos Adolescentes Portugueses 2002 Numa avaliação de alunos do Porto com idade média semelhante à do estudo A Saúde dos Adolescentes, em 2000, a prevalência de consumo de haxixe foi de 17,7%, 4,1% de tranquilizantes, 2,1% de estimulantes e 2,9% de substâncias inalantes (28). Este trabalho verificou também que estes comportamentos se agregam e é muito frequente a utilização simultânea de duas ou mais substâncias, por exemplo, 87,6% dos fumadores também consomem bebidas alcoólicas e 55,6% haxixe. 156
180 Comentários Finais Após caracterização dos determinantes descritos neste trabalho, concluímos que há necessidade de intervenção nestes determinantes, através de medidas populacionais e individuais, prevenção e controlo do consumo de tabaco e álcool, definição de estratégias para reduzir a obesidade e o excesso de peso, aumento do consumo de fruta e vegetais, e promoção da actividade física, particularmente no sexo feminino. A idade em que os jovens iniciam o consumo de tabaco ou de drogas ilícitas, na sua maioria entre os 13 e os 15 anos, indica que as medidas preventivas e de informação devem começar antes desta idade para poderem evitar o início do consumo. Verifica-se que as raparigas e as mulheres apresentam hábitos mais sedentários. Deve ter-se em conta que o investimento no incentivo da prática de exercício físico em crianças e adolescentes irá promover adultos mais activos. Há ainda a considerar se os desportos disponíveis são atractivos para as raparigas. Assim, esta situação não se deve reger pela lei da procura e da oferta, mas sim criar propostas que possam ter melhor adesão entre o sexo feminino mesmo que isso implique a sua subutilização inicial. 157
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182 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
183
184 A ausência de uma cultura que valorize a recolha sistemática de dados dificulta a obtenção de informação pertinente para o planeamento dos serviços de saúde. Como exemplo, podemos analisar o que acontece com a informação sobre as causas de morte que são registadas no certificado de óbito, apesar de se assistir a uma redução no número de óbitos classificados como Sintomas, Sinais e Afecções mal Definidas, o número ainda é demasiado elevado. Assim, é emergente a necessidade de investir na formação sobre a importância da recolha de dados sobre saúde, não só sobre os óbitos, mas também sobre os restantes acontecimentos de saúde (ex: doenças de declaração obrigatória, doenças profissionais). Neste âmbito, e com o objectivo de rentabilizar a informação e o tempo que os profissionais utilizam no preenchimento dos suportes para a sua recolha, é fundamental a uniformização desses suportes. O envelhecimento da população, associado à melhoria dos cuidados de saúde, permite a sobrevivência de indivíduos que após episódios de doença, nomeadamente no acidente vascular cerebral, passam a ter necessidades especiais. A sobrevivência mais prolongada está frequentemente associada a incapacidade e dependência em grau variável, em particular entre os idosos. Isto tem determinado a carência de serviços de saúde especializados (ex. unidades de retaguarda, cuidados continuados, apoio domiciliário), e de recursos humanos, nomeadamente de equipas multiprofissionais (ex. médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) responsáveis pela prestação dos cuidados no domicílio para assegurar a estes utentes melhor qualidade de vida. Com a previsível evolução da população, esta situação tende a agravar-se. O protelar da decisão de procriar, que se observa actualmente na população em idade fértil, implica necessidades acrescidas no âmbito dos cuidados de saúde materno-infantil, pois vai condicionar um incremento no número de gravidezes de risco. Este fenómeno, conjugado com o facto de a principal causa de mortalidade infantil serem as malformações congénitas, poderá dificultar a melhoria deste indicador de saúde. No entanto, há ainda um vasto leque de causas mal definidas, que devem ser esclarecidas, e de causas externas, que podem ser alvo de eventuais medidas para as minimizar. O aumento da prevalência de fumadoras em idade fértil, esperado de acordo com os resultados das avaliações realizadas em adolescentes, poderá condicionar, além de diminuição da fertilidade, o prognóstico da gravidez. Estes factores poderão contribuir também para um aumento das necessidades no âmbito dos cuidados pré e 161
185 peri-natais. A promoção da adesão às consultas pré-concepcionais tem de ser dinamizada. Atendendo à maior mobilidade de pessoas entre países, e tendo em conta o número crescente de estrangeiros residentes em Portugal (aproximadamente 45% provenientes dos PALOP e a aumentar os de países do leste da Europa), é necessário preparar os Serviços para a possibilidade do aumento da incidência de doenças que há já algum tempo não aparecem na população Portuguesa ou que são muito raras (ex. malária crónica). Por outro lado os residentes de outras nacionalidades podem necessitar de apoio específico, nomeadamente por doenças mentais consequentes à necessidade de adaptação a uma nova cultura. O aumento de residentes provenientes de outros países representa também um desafio para se manterem, e quando possível, melhorarem as coberturas vacinais, pois só assim será possível garantir a manutenção da imunidade de grupo, mesmo com a entrada de novos residentes não vacinados. As doenças oncológicas são um ónus muito grande, quer em termos humanos, para os doentes oncológicos e as respectivas famílias, quer em termos de recursos consumidos no diagnóstico, tratamento e prestação de cuidados. Na região Norte a taxa de mortalidade por tumores do aparelho respiratório e digestivo foi superior ao global nacional. Dos tumores do aparelho digestivo, a taxa de mortalidade por tumor do estômago foi a maior, no entanto esta taxa está a decrescer enquanto a taxa de mortalidade por tumor do cólon apresenta uma evolução crescente. Por outro lado, verificaram-se diferenças entre distritos. Nos distritos de Braga e Viana do Castelo os tumores do estômago apresentam especial relevância, enquanto no distrito de Vila Real são os do cólon que apresentam maior razão padronizada de mortalidade. O tumor do estômago foi o responsável por maior número de anos potenciais de vida perdidos pelo que deverá dar-se prioridade à intervenção nos determinantes destes tumores e à sua detecção precoce. Nas mulheres, o cancro da mama é o terceiro cancro em anos potenciais de vida perdidos. O rastreio, utilizando o método da mamografia, permite a detecção de cancros em fase precoce, e a eficácia do tratamento permite o aumento da esperança de vida das doentes em muitos desses casos. O cancro do colo do útero também pode ser rastreado de modo a minimizar as suas consequências; o teste de Papanicolau é o método utilizado no rastreio. Os benefícios dos programas de rastreio só podem ser alcançados se a cobertura for elevada em todos os grupos alvo definidos, assim a 162
186 utilização esporádica dos métodos indicados para o rastreio não permite alcançar a efectividade desejada. Relativamente às doenças infecciosas, das quais destacamos a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana e a tuberculose, verifica-se que a incidência de SIDA na região Norte tem continuado a subir, tendo ultrapassado o nível nacional em 2001, assumindo a transmissão por via sexual (hetero e homo) e a transmissão vertical uma grande importância. Em face do aumento da incidência e da diminuição da mortalidade, os serviços de saúde (cuidados diferenciados e continuados) devem preparar-se para um aumento da prevalência e consequente aumento da necessidade de cuidados de saúde. Paralelamente deverá ser feito um investimento na promoção de conhecimentos e na mudança de comportamentos. Os resultados do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses realizado em 1998 e 2002 revelam que os adolescentes da região Norte estavam menos informados relativamente às formas de contágio, e apresentavam uma atitude menos tolerante para com as pessoas portadoras do VIH que a manter-se, poderão contribuir para o aumento da incidência. No que se refere à tuberculose, a incidência na região Norte é muito elevada, particularmente no distrito do Porto. Sendo necessário investir na identificação e tratamento precoce dos casos, no acompanhamento do cumprimento dos tratamentos prescritos e no rastreio dos contactos. Os dados revelam a necessidade de uma abordagem integrada da tuberculose e da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, em conjunto com outros problemas de saúde (ex. toxicodependências) e de uma abordagem que envolva todos os sectores da saúde e os diferentes níveis de cuidados. As causas de mortalidade mais relevantes em Portugal têm como principais determinantes comportamentos passíveis de intervenção, como o consumo de tabaco, o abuso do álcool, dietas pouco saudáveis, a condução rodoviária de risco, toxicodependência e a inactividade física. Os indicadores relativos aos determinantes de saúde apontam para a importância de valorizar estratégias activas de promoção da saúde e de prevenção da doença. O aumento da prevalência de excesso de peso e obesidade que os dados recolhidos permitem estimar, indicam que o aumento da mortalidade por diabetes mellitus que se verificou entre 2000 e 2002, na região Norte, como a nível nacional, pode vir a acentuar-se. Dado que a mortalidade é a consequência extrema, o incremento observado na mortalidade, permite supor que a morbilidade associada a esta patologia está também em crescendo, implicando aumento dos custos em saúde 163
187 e uma redução da qualidade de vida dos pacientes. Esta hipótese é extensível a outras patologias crónicas, nomeadamente às doenças cardiovasculares, para as quais a obesidade é um factor de risco reconhecido. Dos dados apresentados sobre a ingestão alimentar verifica-se que o consumo de fruta, hortaliças e legumes parece estar a decrescer e é inferior ao recomendado. Por outro lado, os adolescentes apresentam consumos elevados de refrigerantes, doces e produtos de pastelaria. Estes dados em conjunto com a falta de hábitos regulares da prática de exercício físico, particularmente no sexo feminino, podem condicionar o aumento das doenças crónicas, nomeadamente as cardiovasculares e oncológicas. Assim, é essencial que se criem incentivos a uma alimentação mais saudável e à prática de exercício físico, de modo a obterem-se mudanças de comportamento que possam contribuir para a redução da obesidade nesta população. Também a intervenção para redução do número de fumadores e de novos fumadores é essencial para melhorar os indicadores de saúde. Apesar do relevo dado a estes factores, a promoção da saúde deve ser abordada de modo a integrar os vários determinantes de saúde. Verifica-se que na região Norte alguns indicadores melhoraram, no entanto, existe ainda um largo campo de acção. O desenvolvimento de intervenções preventivas, baseadas na evidência científica, e aplicáveis na região Norte, podem diminuir uma parte importante da morbilidade e mortalidade observadas. 164
188 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
189
190 Referências Bibliográficas 1 - Correia de Campos A. Saúde o custo de um valor sem preço. Lisboa: Editora Portuguesa de Livros Técnicos e Científicos Direcção de Serviços de Informação e Análise, Divisão de Epidemiologia. Risco de Morrer em Portugal, Lisboa: Direcção-Geral da Saúde; Disponível em: Direcção de Serviços de Informação e Análise, Divisão de Epidemiologia. Risco de Morrer em Portugal, Lisboa: Direcção-Geral da Saúde; Disponível em: Direcção de Serviços de Informação e Análise, Divisão de Epidemiologia. Risco de Morrer em Portugal, Lisboa: Direcção-Geral da Saúde; Volume I. Disponível em: Direcção de Serviços de Informação e Análise, Divisão de Epidemiologia. Risco de Morrer em Portugal, Lisboa: Direcção-Geral da Saúde; Volume II. Disponível em: Direcção-Geral da Saúde/Divisão de Estatística. Natalidade, Mortalidade Infantil, Fetal e Perinatal 1999/2003. Disponível em: Ministério da Saúde. Inquérito Nacional de Saúde 1995/1996. Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Lisboa: Ministério da Saúde; Ministério da Saúde. Inquérito Nacional de Saúde 1998/1999. Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Lisboa: Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; Macedo ME, Lima MJ, Silva AO, Alcantara P, Ramalhinho V, Carmona J. Prevalence, awareness, treatment and control of hypertension in Portugal: the PAP study. J Hypertens 2005;23: Lunet N, Barros H. Diferenças entre sexos no tratamento da hipertensão arterial: um estudo comunitário no Porto. Rev Port Cardiol 2002;21: Lunet N, Pina F, Barros H. Regional trends in Portuguese gastric cancer mortality ( ). Eur J Cancer Prev 2004;13: Fernandez E, La Vecchia C, Gonzalez JR, Luchini F, Negri E, Levi F. Converging patterns of colorectal cancer mortality in Europe. Eur J Cancer. 2005;41: Centro Regional de Saúde Pública do Norte, Serviço de Epidemiologia. Relatório do programa de vigilância das TAC, na região Norte, em Porto, 2002 (não publicado). 167
191 14 - Centro Regional de Saúde Pública do Norte, Serviço de Epidemiologia. Epidemiologia das Toxinfecções Alimentares na Região Norte em Porto, Maio de 2003 (não publicado) Centro Regional de Saúde Pública do Norte, Serviço de Epidemiologia. Epidemiologia das Toxinfecções Alimentares na Região Norte em Porto, Maio de 2004 (não publicado) Castro L, Gonçalves G, Catarino J. Caracterização epidemiológica dos casos declarados de tétano Oportunidades perdidas de vacinação. Acta Med Port 2004; 17: Hamers FF, Downs AM. The changing face of the HIV epidemic in western Europe: what are the implications for public health policies? Lancet 2004; 364: World Health Organization. Treatment of Tuberculosis Guidelines for National Programmes, Second Edition 1997 (WHO/TB/97.220) Ministério da Saúde. Avaliação do Programa Nacional de Vacinação. 2º Inquérito Serológico Nacional Portugal Continental Lisboa: Direcção Geral de Saúde; World Health Organization. Global Strategy on Occupational Health for All. The Way to Health at Work. (WHO/OCH/95.1). Geneva; Caisse Nationale de l'assurance Maladie des Travailleurs Salariés. Construire un plan d'action de prévention des cancers professionnels [consultado em Dezembro 2005] Disponível em: URL: The World Health Report Reducing Risks, Promotion Healthy Life. Geneva: WHO; Azevedo A, Lopes C, Barros H. Population attributable risk estimation from a casecontrol study on myocardial infarction in Porto, Portugal. In: Proceedings of the XVI International Scientific Meeting of the International Epidemiological Association, Kaunas: Matos MG, Simões C, Carvalhosa SF, Reis C, Canha L. A Saúde dos Adolescentes Portugueses. Estudo Nacional da rede Europeia HBSC/OMS. Aventura Social & Saúde. Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana Matos MG, et al. A Saúde dos Adolescentes Portugueses. Estudo Nacional da rede Europeia HBSC/OMS. Aventura Social & Saúde. Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana Santos AC, Barros H. Smoking patterns in a community sample of Portuguese adults, Prev Med 2004;38:
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