MINISTÉRIO DA SAÚDE. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR Diretoria Colegiada

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1 MINISTÉRIO DA SAÚDE 1 AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR Diretoria Colegiada RESOLUÇÃO NORMATIVA-RN Nº 52, DE 14 DE NOVEMBRO DE 2003 (*) Dispõe sobre os Regimes Especiais de Direção Fiscal e de Direção Técnica das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde e das Seguradoras Especializadas em Saúde. A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, no uso das atribuições que lhe confere o inciso III do art. 9º do regulamento aprovado pelo Decreto n.º 3.327, de 5 de janeiro de 2000 e a alínea "c" do inciso XLI do art. 4 da Lei n , de 28 de janeiro de 2000, na forma do disposto nos arts. 24 e 24 - A da Lei.º 9.656, de 3 de junho de 1998, em reunião realizada em 5 de novembro de 2003, adotou a seguinte Resolução Normativa e eu, Diretor - Presidente substituto determino a sua publicação: CAPÍTULO I Da Direção Fiscal Art. 1º Os Regimes Especiais de Direção Fiscal e de Direção Técnica das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde e das Seguradoras Especializadas em Saúde observarão o disposto nesta Resolução Normativa. Art. 2 A Direção Fiscal poderá ser instaurada sempre que ocorrerem uma ou mais anormalidades administrativas e/ou econômico-financeiras, de natureza grave, conforme especificado abaixo, sem prejuízo de outras hipóteses que venham a ser identificadas pela ANS: I - atraso contumaz no pagamento aos prestadores; II - desequilíbrio atuarial da carteira; III - evasão excessiva de beneficiários; IV - rotatividade da rede credenciada ou referenciada; V - totalidade do ativo em valor inferior ao passivo exigível; VI - insuficiência de recursos garantidores, em relação ao montante total das provisões técnicas;

2 2 VII - não apresentação, não aprovação ou não cumprimento do Plano de Recuperação de que trata a Resolução de Diretoria Colegiada - RDC n.º 22, de 30 de maio de 2000; VIII - obstrução ao monitoramento da capacidade técnicooperacional ou da situação econômico-financeira que possa vir a colocar em risco a qualidade e a continuidade do atendimento à saúde. Art. 3º Compete ao Diretor Fiscal: I - propor à ANS, quando for o caso: a) manifestação de veto aos atos dos administradores da operadora ou da seguradora especializada; b) afastamento dos administradores, conselheiros ou empregados que descumprirem quaisquer de suas determinações; c) providências necessárias para a responsabilização criminal de administradores, conselheiros, empregados ou quaisquer pessoas responsáveis por danos causados aos associados, acionistas, cotistas, cooperados, prestadores e operadoras congêneres, diante de indícios de conduta manifestamente ilegais; d) a execução de medidas que possam sanar as irregularidades verificadas na gestão econômico-financeira da operadora ou da seguradora especializada; e) alienação da carteira e transformação do regime de direção fiscal em liquidação extrajudicial, caso fique constatada a inviabilidade de recuperação da operadora, conforme dispõe o art. 24 da Lei n.º 9.656, de 1998; f) assessoria técnica para o monitoramento e análise da prestação de serviços pela operadora ou seguradora especializada; e g) a transformação do regime de direção fiscal em direção técnica; h) a adoção de medidas junto às instituições públicas ou privadas; e i) demais medidas que julgar cabíveis. II - requerer que seja procedida a ratificação da nomeação de todos os mandatários ad negotia ou determinar a inclusão nos atos constitutivos dos referidos mandatários como gerente delegado; III.- requisitar informações da operadora ou da seguradora especializada; IV - propor à operadora ou à seguradora especializada a convocação de reunião: a) do órgão estatutário competente que tenha elegido os administradores da operadora ou da seguradora especializada; b) de assembléia geral;

3 3 c) da diretoria, participando desta reunião, quando for o caso. V - manifestar-se contrariamente às propostas ou atos que não sejam convenientes à manutenção ou preservação do equilíbrio financeiro da operadora ou da seguradora especializada, ou, ainda, que contrariem as determinações da ANS; VI.- notificar os administradores da operadora ou da seguradora especializada, para as devidas providências, para sanar quaisquer irregularidades que comprometam o seu funcionamento; VII.- interpelar os administradores da operadora ou da seguradora especializada para que prestem esclarecimentos sobre as irregularidades de que tratam o inciso anterior; VIII - propor a adoção de providências para o recebimento de quaisquer créditos da operadora ou da seguradora especializada,inclusive de realização de capital; IX - recomendar aos administradores providências e práticas administrativas que facilitem o desenvolvimento dos negócios da operadora ou da seguradora especializada que contribuam para consolidar sua estabilidade financeira; X - requisitar a exibição de documentos relativos ao movimento financeiro da operadora ou da seguradora especializada, suas contas bancárias e aplicações financeiras, inclusive relação de todos os saques efetuados mediante pagamento de cheques ou quaisquer outras ordens de pagamento, com a finalidade de manter o perfeito controle financeiro da operadora ou da seguradora especializada; XI - proceder à auditoria das contas, tomando por base o último balancete/balanço anterior a instauração da direção fiscal, requisitando todos e quaisquer documentos necessários a efetivação das análises a serem realizadas, inclusive utilizando-se de circularização de informações junto aos credores e usuário da operadora ou da seguradora especializada; XII - requisitar os documentos comprobatórios que ratifiquem a autorização dos mandatários. XIII - praticar demais atos determinados pela ANS. Art. 4º São atribuições do Diretor Fiscal: I - remeter à ANS relatório com periodicidade mínima mensal, acompanhado dos documentos comprobatórios, quando for o caso; II - emitir instruções diretivas para as operadoras ou seguradoras especializadas; III - manter sigilo quanto às informações da operadora ou da seguradora especializada as quais tiver acesso; IV - comunicar à ANS, a constatação de fatos relevantes com relação à operadora ou à seguradora especializada;

4 V - circularizar informações junto aos credores e usuários objetivando verificar a confiabilidade dos registros contábeis da operadora ou da seguradora especializada; VI.- requerer autorização prévia para efetuar comunicações externas à operadora ou à seguradora especializada. Art. 5º O regime de direção fiscal encerrar-se-á quando: I - afastada a gravidade da insuficiência nas garantias do equilíbrio financeiro ou anormalidades econômico-financeiras; II - afastada a gravidade das anormalidades administrativas; III - convolado o programa de saneamento em plano de recuperação; IV - solicitado, pela operadora ou pela seguradora especializada, o cancelamento do registro junto à ANS, desde que atendidos os requisitos necessários e devidamente aprovado pela ANS; ou V - decretado o regime de liquidação extrajudicial. CAPÍTULO II Da Direção Técnica Art. 6º A Direção Técnica poderá ser instaurada quando da ocorrência de anormalidades administrativas graves que coloquem em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde, sem prejuízo de outras hipóteses que venham a ser identificadas pela ANS: I - não atingimento de metas qualitativas e quantitativas no procedimento de Revisão Técnica de que trata a Resolução Normativa - RN n.º 19, de 11 de dezembro de 2002; II - desequilíbrio atuarial da carteira, refletindo na queda da qualidade da rede assistencial; III - demasiada evasão de beneficiários em função da perda da credibilidade da operadora; IV - rotatividade injustificada da rede credenciada ou referenciada, trazendo como conseqüência a queda da qualidade; V - criação de óbices ao acesso dos beneficiários; ou VI - alteração da segmentação assistencial do produto sem a autorização do beneficiário. Art. 7º Compete ao Diretor Técnico : 4

5 I - propor à ANS, no decorrer do regime especial, quando for o caso: 5 a) manifestação de veto aos atos dos administradores da operadora ou da seguradora especializada; b) afastamento dos administradores, conselheiros ou empregados que descumprirem quaisquer de suas determinações; c) providências necessárias para a responsabilização criminal de administradores, conselheiros, empregados ou quaisquer pessoas responsáveis por danos causados aos associados, acionistas, cotistas, cooperados, prestadores e operadoras congêneres, diante de indícios de conduta manifestamente ilegais; d) a alienação da carteira e a transformação do regime de direção técnica em liquidação extrajudicial, caso a continuidade ou a qualidade do atendimento fique comprovadamente comprometida, conforme dispõe o art. 24 da Lei n.º 9.656, de 1998; e) a transformação do regime de direção técnica em direção fiscal, caso seja detectado indícios de problemas econômico-financeiros; e f) a adoção de medidas junto às instituições públicas ou privadas; e g) demais medidas que julgar cabíveis. II - requerer que seja procedida a ratificação da nomeação de todos os mandatários ad negotia ou determinar a inclusão nos atos constitutivos dos referidos mandatários como gerente delegado; III - propor à operadora ou à seguradora especializada a convocação de reunião: a) do órgão estatutário competente que tenha elegido os administradores da operadora ou da seguradora especializada; b) da diretoria, participando desta reunião, quando for o caso. IV - propor a execução de medidas que possam restabelecer a continuidade e a qualidade do atendimento à saúde da operadora ou da seguradora especializada; V - requisitar informações da operadora ou da seguradora especializada; VI - acompanhar os fatos manifestando-se contrariamente às propostas ou atos que não sejam convenientes ao restabelecimento da continuidade ou da qualidade do atendimento à saúde ou que contrariem as determinações da ANS; VII - notificar os administradores da operadora ou da seguradora especializada, para as devidas providências, de quaisquer irregularidades relativas à continuidade ou à qualidade do atendimento das operadoras de planos de assistência à saúde;

6 6 VIII - interpelar os administradores da operadora ou da seguradora especializada para que prestem esclarecimentos sobre as irregularidades de que trata o inciso anterior; IX - recomendar aos administradores providências e práticas administrativas que concorram para restabelecer a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde; e X - praticar demais atos determinados pela ANS. Art. 8º São atribuições do Diretor Técnico: I - remeter à ANS relatório com periodicidade mínima mensal, acompanhado dos documentos comprobatórios, quando for o caso; II - emitir instruções diretivas para as operadoras ou seguradoras especializadas; III - manter sigilo quanto às informações da operadora ou da seguradora especializada as quais tiver acesso; IV - comunicar à ANS, a constatação de fatos relevantes com relação à operadora ou à seguradora especializada; V - circularizar informações junto aos credores e usuários objetivando verificar a confiabilidade da prestação dos serviços de assistência da operadora ou da seguradora especializada; VI- requerer autorização prévia para efetuar comunicações externas à operadora ou à seguradora especializada. Art. 9º O regime de direção técnica encerrar-se-á quando: I - afastada a gravidade das anormalidades administrativas graves que coloquem em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde; II - por transformação iniciar-se o regime de direção fiscal, em especial quando for identificado anormalidades econômico-financeiras graves; ou III - decretado o regime de liquidação extrajudicial. CAPÍTULO III Disposições Finais e Transitórias Art. 10 A ANS poderá determinar a instauração cumulativa dos regimes de Direção Fiscal e de Direção Técnica. Art. 11. Os regimes especiais de direção fiscal ou de direção técnica observarão o prazo legal máximo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias a contar da data de sua instauração.

7 7 Art. 12. À Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras - DIOPE caberá instaurar e acompanhar o processo administrativo propondo o regime especial de direção fiscal ou de direção técnica, a partir da constatação da existência de seus pressupostos. Parágrafo único. A decisão sobre a determinação da instauração, da transformação e do encerramento do regime é de competência da Diretoria Colegiada da ANS, precedido de remessa dos autos à Procuradoria Geral da ANS. Art. 13. O Diretor Fiscal e o Diretor Técnico serão nomeados pelo Diretor- Presidente da ANS. 1º A ANS designará pessoa física de comprovada capacidade e experiência, reconhecida idoneidade moral e registro em conselho de fiscalização de profissões regulamentadas, para exercer os cargos de diretor fiscal e de diretor técnico. 2 O Diretor Fiscal e o Diretor Técnico serão investidos em suas funções mediante Termo de Posse ou documento correspondente onde deverá constar, obrigatoriamente, os atos que determinaram a instauração do regime e a nomeação. 3º O pagamento da remuneração do Diretor Fiscal e do Diretor Técnico será devido à partir da assinatura do Termo de Posse ou do documento correspondente, ou do relatório inicial de suas atividades. 4º O pagamento da remuneração do Diretor Fiscal e do Diretor Técnico deixará de ser devido a partir da ciência destes da decisão da Diretoria Colegiada da ANS encerrando o regime especial. 5 Observado o porte da operadora ou da seguradora especializada, a complexidade de seus negócios, o volume de operações ou qualquer outro justo motivo, poderão ser designados assistentes para auxiliarem o Diretor Fiscal ou o Diretor Técnico. 6º O Diretor Fiscal ou o Diretor Técnico, bem como seus assistentes, pela natureza de sua função, não poderão manter ou ter mantido com a operadora ou seguradora especializada relação de emprego ou qualquer outro vínculo. Art. 14. A requisição de informações, conforme disposto no inciso III do art. 3º e no inciso V do art. 7º desta Resolução, somente se dará por Instruções Diretivas. Art. 15. As rotinas de remuneração do Diretor Fiscal e do Diretor Técnico serão disciplinadas em normativo próprio. Art. 16. O não atendimento do disposto nesta Resolução implicará na aplicação das penalidades vigentes. Art. 17. A inobservância ao disposto no inciso III do art. 4º, no inciso III do art. 8º desta Resolução, ensejará em pena de improbidade administrativa, sem prejuízo das responsabilidades civis e penais. Art. 18. A DIOPE editará os atos que julgar necessários ao cumprimento desta Resolução.

8 8 Art. 19. Fica revogada a Resolução de Diretoria Colegiada - RDC n.º 40, de 12 de dezembro de Art. 20. Esta Resolução Normativa entra em vigor na data da sua publicação. JOÃO LUIS BARROCA DE ANDRÉA Diretor-Presidente Substituto (*) Publicada no D.O.U. de 27/11/2003, seção 1

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