FILOZOFICKÁ FAKULTA MASARYKOVY UNIVERZITY USO DOS ANGLICISMOS NA ÁREA DE INFORMÁTICA

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1 FILOZOFICKÁ FAKULTA MASARYKOVY UNIVERZITY ÚSTAV ROMÁNSKÝCH JAZYKŮ A LITERATUR Portugalský jazyk a literatura Kateřina Zimmermannová USO DOS ANGLICISMOS NA ÁREA DE INFORMÁTICA Bakalářská diplomová práce Vedoucí práce: Mgr. Iva Svobodová, Ph.D. Brno 2009

2 Prohlašuji, že jsem bakalářskou diplomovou práci vypracovala samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury. V Brně dne...

3 Tímto bych chtěla poděkovat vedoucí své bakalářské diplomové práce, Mgr. Ivě Svobodové, Ph.D., za pomoc, trpělivost a veškerý čas, který mi věnovala.

4 ÍNDICE INTRODUÇÃO NEOLOGISMOS E NEOLOGIA Definição e classificação Neologismos por empréstimo Estrangeirismos e empréstimos linguísticos Influência de outras línguas no léxico do português Outras variantes de palavras estrangeiras ANGLICISMOS Processo de integração dos anglicismos no português Adaptações fonético-fonológicas Adaptações gráficas Adaptações morfo-sintácticas Adaptações semânticas ESTUDO DO USO DOS ANGLICIMOS NA ÁREA DE INFORMÁTICA...24 CONCLUSÃO...37 BIBLIOGRAFIA...39 ANEXO

5 INTRODUÇÃO Hoje em dia, no mundo globalizado, o inglês é considerado a língua universal. É falado quase em todo o mundo e tem enorme influência em diversas áreas, quer na científica, quer na política, cultural e outras. Influencia muitas línguas estrangeiras, portanto, não nos surpreende que enriquece também o vocabulário da língua portuguesa. Actualmente, não há dúvida, que um dos campos mais influenciados pelo inglês é o informático, pois, julgamos que merece a nossa atenção. O presente trabalho tem como objectivo o estudo de palavras de origem inglesa chamadas anglicismos. Orientar-nos-emos em anglicismos usados na área de informática. Escolhemos este tema porque nos parece interessante observar a influência do inglês no português. Dirigiremos a nossa atenção sobretudo ao alargamento do seu uso entre falantes portugueses e também quais são os factores que o determinam. O primeiro capítulo será dedicado ao fenómeno chamado neologia. Primeiro apresentaremos diversas classificações de neologismos e depois focalizaremos aos neologismos por empréstimo, tentando esclarecer algumas confusões referentes a este assunto. Também descreveremos a influência de várias línguas estrangeiras no português e aludiremos alguns exemplos. No segundo capítulo falaremos sobre o processo de integração dos anglicismos no português. Primeiro mencionaremos várias interpretações do processo referido, e, a sequir, estudaremos algumas diferenças entre as duas línguas. Portanto descreveremos algumas alterações básicas, as quais se referem ao aportuguesamento das palavras emprestadas do inglês segundo os critérios sequintes: fonético-fonológicos, gráficos, morfo-sintácticos e semânticos. No último capítulo orientar-nos-emos na pesquisa sistemática. Verificaremos o uso dos anglicismos da área de informática. A pesquisa será feita através de um questionário, com base nas respostas extraídas. Pesquisaremos quais palavras de origem inglesa utilizam-se, com que frequência, sua ocorrência na linguagem falada igualmente como na escrita, etc. Tentaremos encontrar alguns factores que têm influência em seu uso. 5

6 1. NEOLOGISMOS E NEOLOGIA De um modo geral, a língua é um sistema aberto que tem de reagir aos impulsos do mundo exterior, por isso todas as línguas têm de renovar o seu léxico. O mundo actual desenvolve-se muito rapidamente, então incessantemente aparecem novos objectos, inventos, ideias, fenómenos relacionados com progresso tecnológico ou científico. Para denominar estas realidades, até este momento desconhecidas, é preciso criar termos novos Definição e classificação O processo desta criação de palavras chama-se neologia lexical cujo produto final designamos como neologismo. Em geral, refere-se às inovações lexicais e semânticas. Magnus Bergström e Neves Reis, autores do livro Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa, definem o termo neologismo como uma palavra que deu entrada na língua no decorrer de um período recente e que ainda não foi dicionarizada. 1 Por outro lado, outras palavras já conhecidas podem começar a perder a sua importância, cair em desuso, ou deixar de ser usadas pelos seus falantes, desaparecer. Estas palavras recebem o nome de arcaísmos. Como exemplo podemos aludir o adjectivo trigoso (apressado). Estes dois processos provam uma constante mudança e movimento que ocorrem no léxico de uma língua. Como refere a autora brasileira, Maria Lúcia Mexias-Simon 2 : Os neologismos podem ocorrer por processos autóctones, dentro dos próprios recursos linguísticos; por formações onomatopaicas ou, mesmo, sinestésicas; por importação de elementos de outras línguas 3. Existem várias definições do conceito de neologismos e diferentes tipologias. Neste trabalho mencionaremos três classificações diversas. 1 Bergström, M., Reis, N. Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Notícias, 2002, pág Maria Lúcia Mexias-Simon, possui Pós-Doutorado em Filologia Românica pela Universidade de São Paulo, Brasil, tem expêriencia na área de Língua Portuguesa e Linguística. 3 Mexias-Simon, M. L. Neologismos [online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.filologia.org.br/marialuciamexias/>. 6

7 Por exemplo, Sheila de Carvalho Pereira 4, confirma a concepção do linguista francês Louis Guilbert (1975) e apresenta classificação em relação aos processos da formação neológica. Entenderemos neologia e neologismo como processo e produto e abordaremos, assim como o autor, quatro tipos de processos geradores da neologia lexical: neologia fonológica, semântica, sintagmática e alogenética. 5 Diferencia quatro tipos de neologia, então, quatro tipos dos neologismos lexicais. Devemos fazer uma breve explicação destes processos 6 : Os neologismos fonológicos são formados por combinação de fonemas que é completamente nova e sugerem novos significantes. A este grupo pertencem também onomatopeias, palavras cujo som tem como o objectivo interpretar ou imitar a voz do referente que as motiva - a voz de animais ou de várias coisas. Por exemplo: tinir, miar, zunzum. Os neologismos sintagmáticos, também chamados sintácticos, são os que se criam por dois processos básicos derivação e composição. Neste caso trata-se de combinação de elementos lexicais já existentes. Como exemplo podemos mencionar a palavra infelizmente (derivação) ou beija-flor (composição). Os neologismos semânticos são os que ampliam ou modificam o significado das palavras já existentes em um idioma e ocorrem sem nenhuma modificação formal. Por exemplo a palavra navegar (o primeiro significado foi viajar por mar, hoje em dia, utiliza-se também na área de informática navegar na Internet) Os neologismos alogenéticos são criados pela importação de termos de outras línguas, línguas estrangeiras, de outros sistemas linguísticos. Esta importação pode ocorrer sem e com mudança gráfica ou fonética de palavras de origem estrangeira. Este tipo de neologismos também podemos qualificar como os neologismos por empréstimo. Por exemplo: download (do inglês download) ou ecrã (do francês écran). 4 Sheila de Carvalho Pereira Gonçalves, possui Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa, actualmente professora da Universidade Presidente Antônio Carlos, Uberlândia. 5 Pereira, Sheila de Carvalho. Renovação lexical: neologismos na imprensa diária escrita brasileira [online]. In Perspecto: revista da Universidade Presidente Antônio Carlos. Ano 01, nr 01. Uberlândia: Unipac, jan-jul 2007[cit ]. Disponsível em: <http://www.institutounipac.com.br/perspecto/ano1nr1/12_renovacaolexical_neologismosnaimprensa.pdf>. 6 Ibid.. 7

8 Maria Lúcia Mexias-Simon 7 cita ainda outros tipos dos processos da formação neológica, mencionaremos apenas alguns deles. Por exemplo neologia por truncamento, neste caso ocorre redução do significante, mas sem nenhuma alteração do significado. A autora ainda acrescenta que este fenómeno realiza-se sobretudo na língua coloquial. Por exemplo: fotografia foto. O outro tipo do processo da formação neológica que Mexias-Simon menciona sucede por formação de palavrasvalise. Este fenómeno explica do modo sequinte: Caso especial de composição; parte de dois ou mais elementos, reconhecíveis, que se reúnem para formar uma palavra. 8 Como exemplo podemos apresentar a palavra portunhol (português + espanhol portunhol). O último tipo que aludiremos é a formação neológica por redobro ou reduplicação. Igualmente como o caso precedente, também este processo é tipo especial de composição. Sucede por repetição do primeiro elemento de uma palavra. Por exemplo troca-troca, como cita a autora no seu trabalho. Estes processos já não são tão frequentes e neste momento não serão o objecto do nosso estudo. A última classificação que aludiremos coincide com a classificação apresentada no livro Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa 9 de Magnus Bergström e Neves Reis. Além de neologismos morfológicos, semânticos e empréstimos, citem-se ainda neologismos terminológicos ou neónimos que definem como: "(...) palavras novas que fazem parte de vocabulários de especialidade (vocabulários técnicos e/ou científicos, como a economia, a medicina, etc.) e que surgem devido à necessidade de denominar novos objectos, novas técnicas e novas teorias: biogenética, cartão-inteligente, etc. 10 O último grupo de neologismos que os autores mencionam são neologismos literários, também chamados estilísticos. Segundo o livro Prontuário Ortográfico e guia da Língua Portuguesa: (...) são utilizados para conferir ênfase ao que se pretende transmitir e, na maior parte dos casos, ocorrem apenas uma vez (...) 11 Julgamos que 7 Mexias-Simon, M. L. Neologismos [online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.filologia.org.br/marialuciamexias/>. 8 Ibid. 9 Bergström, M., Reis, N. Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Notícias, 2002, pág Ibid., pág Ibid., pág

9 entre este tipo de neologismos podemos contar por exemplo o vocábulo vampirar-se 12 (derivado do substantivo vampiro), feito por Mia Couto, o escritor moçambicano Neologismos por empréstimo No presente trabalho orientar-nos-emos nos neologismos por empréstimo procedentes sobretudo da língua inglesa. Geralmente, as unidades lexicais oriundas de outras línguas, de outros sistemas linguísticos, denominamos como empréstimos ou estrangeirismos. A fronteira entre estrangeirismo e empréstimo não é bem evidente e no caso de algumas palavras pode ser bastante complicado verificar de qual deles se trata Estrangeirismos e empréstimos linguísticos Agora expliquemos a diferença entre estes dois termos. Primeiro temos de tomar em conta que, todos os empréstimos foram originalmente estrangeirismos. Os autores Bergström e Reis esclarecem a sua diferença do modo seguinte: (...)o empréstimo é uma adopção de uma nova palavra, frase ou expressão de uma língua estrangeira. Nesta acepção, empréstimo e estrangeirismo podem ser coincidentes, embora contrariamente ao estrangeirismo o empréstimo esteja perfeitamente integrado no léxico da língua que o acolhe. 13 Por isso, no presente trabalho consideraremos como estrangeirismos 14 todas as palavras que não sofreram nenhuma modificação à língua recebedora, que mantêm a sua pronúncia e a sua grafia da língua original. Por outro lado, as palavras que já sofreram algumas transformações, quer ortográficas, quer outras, classificaremos como empréstimos linguísticos. De um modo geral, podemos dizer que todos os estrangeirismos, começando a ser frequentemente utilizados, por isso também muitas vezes naturalmente transformados pelos falantes da língua receptora, maioritariamente se tornam empréstimos, como afirmam muitos estudiosos 15. Se uma palavra estrangeira começa a ser mais usada pelos meios de comunicação (imprensa, televisão ou rádio), os falantes 12 Couto, M. Cronicando. 5ª ed. Lisboa : Caminho, 2000, pág Bergström, M., Reis, N. Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Notícias, 2002, pág Alguns estudiosos preferem o uso do termo xenismo. 15 Por exemplo Ieda Maria Alves, Margarita Correia, Lavouras Lopes e Rebello d Andrade etc. 9

10 já não a consideram como uma palavra rara ou não pertencente ao léxico deles. Os falantes começam a senti-la como parte da sua língua. Como refere a linguista brasileira Ieda Maria Alves, podemos diferenciar dois tipos de empréstimo o interno e o externo 16. O primeiro cria-se através de ampliação ou transformação de sentido de uma palavra já existente e conhecida, na maioria dos casos vernácula. Simplesmente, a um significado de um vocábulo já existente é introduzida uma significação nova este processo corresponde à neologia semântica. Como o exemplo apresentamos a palavra rato. Inicialmente este termo designou só o pequeno mamífero roedor. Hoje em dia, pode ser utilizado também para denominação de um dos componentes do computador. Quando uma língua usa para ampliar o seu léxico unidades lexicais de línguas estrangeiras falamos do empréstimo externo que pertence à neologia alogenética. A palavra disquete, por exemplo, tem a sua origem na língua inglesa (diskette) mas foi adaptada à fonética e ortografia da língua portuguesa. Os autores Lavouras Lopes e Rebello d Andrade acrescentam: O estrangeirismo situa-se precisamente neste segundo leque de empréstimos linguísticos, ou seja, naquele que consiste em importar lexias de uma língua A para uma língua B Influência de outras línguas no léxico do português Hoje em dia, o acrescimento da circulação de vocábulos ou termos de várias línguas estrangeiras não nos surpreende. É necessário mencionar, que a maioria destes vocábulos, os actualmente mais usados, tem a sua origem na língua inglesa. Estes estrangeirismos chamam-se anglicismos. O inglês é a língua falada por milhões de falantes de todo o mundo que o têm como língua materna. Como quase todo o mundo fala inglês, actualmente, é muito importante dominar esta língua. Enorme influência tem em âmbito de várias ciências nos ramos técnicos, económicos, informáticos, etc. (laser, boom, marketing, manager, scanner), mas também não se deve esquecer, por exemplo, de desporto (badminton, skate, doping, foul), música (country, jazz, single, punk) e outros (blazer, peppermint, tanker, palace, season). 16 Alves, I. M. Empréstimos nas línguas de especialidade: algumas considerações [online]. [cit ] Disponsível em: < 17 Lavouras Lopes, A., Rebello d Andrade, A. Primeira fase da instalação do estrangeirismo [online]. [cit ] Disponsível em: < 10

11 Outros estrangeirismos ou empréstimos mais frequentes são os de origem francesa, chamados galicismos 18 (toilette, ballet, beige, soufflé, souvenir, moda, voilà), os de origem italiana, chamados italianismos 19 (macarrão, gôndola, Madona, solo, sonata, tutti frutti), ou os de origem árabe arabismos 20 (álgebra, arroz, oxalá, almofada). Devemos mencionar ainda os que não são tão frequentes, mas, que foram incorporados igualmente no léxico da língua portuguesa durante a sua história. Por exemplo algumas palavras de línguas ameríndias 21 (arara, goiaba, mandioca, abacaxi), de línguas africanas (cacimba, azagaia, moleque), de várias línguas asiáticas (bazar, bambu, sagu, divã), depois também do alemão (krach, leitmotiv, putsch), do espanhol (machete, picador, savana, poncho, puma) ou do russo (troica, cossaco). Empréstimo tomado de uma língua de cultura e de prestígio que pode ser também uma língua mãe [...] 22, e no caso do português também a é, denominamos como cultismo. 23 Apesar de ser a língua morta, o latim tem para o léxico da língua portuguesa grande importância. É muito usado sobretudo em campo de medicina mas também em outros. Alguns exemplos de cultismos: monumento, primo, reliquiae, ultra, ultimatum, virus, cama. Outra língua muito importante é a grega (energia, sistema) Outras variantes de palavras estrangeiras Para podermos acabar deste capítulo ainda devemos citar outras variantes de estrangeirismos ou empréstimos que enriquecem o vocabulário da língua portuguesa. Aos estrangeirismos também podem pertencer siglas. O Dicionário de Termos Linguísticos define a sigla como: Letra inicial ou grupo de letras iniciais que constituem a abreviatura de certas palavras que designam organismos, partidos 18 A partir do século XVIII, a maioria dos vocábulos emprestados tinham sua origem na língua francesa, por causa de seu estatuto da língua mais prestigiosa e culta naquela época. Apareceram ainda antes deste século mas naquele tempo não tinham muita importância. Sua influência perdura até hoje, sobretudo em campo de moda e culinária. 19 Emprestados sobretudo na época do Renascimento. 20 Os árabes dominaram a Península Ibérica a partir do ano 711 e a sua dominação durou por muito tempo, por isso tanta influência no léxico. 21 Incluindo brasileirismos. 22 Mateus, M. H., Xavier, M.F. Dicionário de Termos Linguísticos. Lisboa: Edições Cosmos, 1992, pág Ibid., pág

12 políticos, associações, etc. 24 A grande parte das siglas é emprestada sobretudo do inglês (C.I.A. Central Intelligence Agency, N.A.S.A. National Administration for Space and Aeronautics, laser light amplifer by stimulated emission of radiation, CD- ROM compact disk read-only memory, WC water closet), mas também de outras línguas (TGV train à grande vitesse 25, KGB Komitet Gosudarstvennoi Bezopasnosti 26, P.S. post-scriptum 27 ). Outra forma de estrangeirismos é a forma híbrida. O hibridismo é: Palavra formada por composição cujos elementos constituintes provêm de línguas diferentes 28. Uma das combinações mais comuns é o composto de elemento grego com elemento latino. 29 Mas claro que existem também outras combinações. Alguns exemplos 30 : grego e latim: automóvel ( autós + mobile) latim e grego: sociologia (sociu + lógos) alemão e grego: zincografia (zink + graph) Último tipo de palavras oriundas de línguas estrangeiras que apresentaremos neste trabalho designamos como decalque. O Dicionário de Termos Linguísticos define o decalque como: Caso de empréstimo lexical que se apresenta como uma importação do significado e da estrutura de uma forma estrangeira através de uma combinação original de elementos nativos 31. A maioria de decalques procede do inglês (supermercado supermarket, homem de negócios businessman, cachorroquente hot dog), mas também pode proceder de outras línguas (guerra-relâmpago Blitzkrieg 32, ponto de vista point de vue 33, couve-flor cavolfiore 34 ) 24 Mateus, M. H., Xavier, M.F. Dicionário de Termos Linguísticos. Lisboa: Edições Cosmos, 1992, pág Emprestado do francês. 26 Emprestado do russo. 27 Emprestado do latim. 28 Ibid., pág Kehdi, V. Formação de palavras em português. São Paulo: Editora Ática, 2003, pág Ibid., pág Mateus, M. H., Xavier, M.F. Dicionário de Termos Linguísticos. Lisboa: Edições Cosmos, 1992, pág Do alemão. 33 Do francês. 34 Do italiano. 12

13 2. ANGLICISMOS Como já referimos acima, no presente trabalho orientar-nos-emos em estudo de palavras de origem estrangeira, sobretudo as emprestadas da língua inglesa, denominadas anglicismos que podem ser importadas ao português ou directamente da língua inglesa ou através de outra língua estrangeira. Saliente-se o facto de que o inglês, apesar de ter uma enorme influência em outras línguas, tem no seu vocabulário muitas palavras emprestadas de outras línguas estrangeiras, como prova o exemplo da palavra opera de origem italiana ou da palavra zero de origem árabe Processo de integração dos anglicismos no português É comum que a maioria das palavras emprestadas, para se adaptarem ao sistema linguístico de uma língua receptora, sofrem algumas alterações. Como exemplo podemos apresentar a palavra rali (do inglês rally) ou sítio (do inglês site). Algumas palavras sofrem mudanças mais profundas do que as outras, para serem incorporadas ao léxico de uma língua que as acolhe (por exemplo: gangster gângster x whisky uísque). Por outro lado, há palavras que não sofrem nenhuma alteração linguística, e que nem sempre são utilizadas e ampliadas pelos falantes de uma língua receptora, por causa de sua raridade linguística, caindo em desuso. Mas também encontramos muitas palavras deste tipo, pois, sem nenhuma assimilação à língua receptora, que se utilizam com muita frequência (por exemplo upgrade ou walkman). Por outro lado, segundo a nossa opinião, quanto mais a palavra se adequa à estrutura do sistema linguístico do idioma receptor, tanto mais provável será a sua aceitação por novos falantes e a sua incorporação no vocabulário de uma língua. É verdade, que hoje em dia, o uso das palavras inglesas na sua forma original é sempre maior. Com o crescimento da influência do inglês no mundo, cresce também número dos falantes que o dominam. Em comparação com tempos passados, actualmente, o conhecimento da língua inglesa considera-se natural, porém sempre há muitos falantes que não a dominam ou o seu conhecimento não é suficiente bom. Por isso supomos que, embora a penetração das palavras inglesas na sua forma original cresça com maior velocidade do que em tempos passados, assimilação de uma palavra à língua 13

14 receptora aumenta a probabilidade da sua aceitação pelos falantes. Mas também julgamos que este assunto depende de muitos factores (por exemplo: a idade do falante, o seu conhecimento do inglês, a sua formação e experiências, etc.) e, portanto, é individual. Mas esta questão não é o objectivo do presente capítulo e dedicaremos a nossa atenção a ela no capítulo seguinte. O processo de assimilação linguística é chamado aportuguesamento. O linguista alemão Jürgen Schmidt-Radefeldt denomina como aportuguesamento os processos e os resultados intermédios e finais da integração, da adaptação de elementos linguísticos de línguas estrangeiras na língua portuguesa (...) 35. Este processo pode ocorrer em vários graus e pode ser muito demorado. A definição do processo de integração dos estrangeirismos no português (assim como do próprio termo estrangeirismo ) não é homogénea existindo várias teorias relativa a esta questão. Apresentaremos, a seguir, duas teorias diferentes sobre este assunto. Os investigadores do ILTEC (Instituto de Linguística Teórica e Computacional) Tiago Freitas, Maria Celeste Ramilo e Elisabete Soalheiro são da opinião de que o processo de integração decorre em três fases 36 e distinguem-no em: Transformações imediatas; Transformações progressivas; Integração no léxico. Relembremos apenas alguns fenómenos 37 principais de cada fase: Na primeira fase são incluídos os fenómenos seguintes: adaptação fonética imediata, adaptação morfo-sintáctica imediata, monossemia: manutenção do significado com o qual a palavra é importada, grafia da língua de origem, hesitação nos tipos gráfico. Na segunda fase mencionam estas adaptações: 35 Schmidt-Radefeldt, J. O fenómeno linguístico do aportuguesamento das palavras inglesas [online]. [cit ] Disponsível em: < 36 Freitas, T., Ramilo M. C., Soalheiro E. O processo de integração dos estrangeirismos no português europeu[online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.apl.org.pt/xviii-encontro-nacional-daassociacao-portuguesa-de-linguistica.html>. 37 Ibid. 14

15 adaptação fonética progressiva, adaptação morfo-sintáctica progressiva, possibilidade de formação de novas palavras: composição e prefixação, formas concorrentes a nível gráfico, atestação lexicográfica (normativizada ou não). A última fase, integração no léxico, caracteriza-se segundo os autores por: estabilização fonológica: fixação do acento, plena integração morfo-sintáctica: fixação do género e da forma de plural, integração no sistema morfológico da língua: possibilidade de derivação, polissemia: tendência para extensão, restrição ou modificação do significado da forma original, atestação lexicográfica normativizada. Os autores da teoria referida consideram as fases segundo os aspectos fonológicos, semânticos, morfológicos e gráficos. Estes aspectos servirão de base ao nosso trabalho. Para demonstrar a variabilidade da interpretação do conceito de assimilação linguística de palavras estrangeiras, apresentemos mais uma teoria. Os autores da segunda teoria, Ana Rebello de Andrade (investigadora do ILTEC) e António Lavouras Lopes (Prof. Adjunto do ISCE Instituto Superior de Ciências Educativas), diferenciam quatro fases do processo de integração dos estrangeirismos. Segundo estas fases, denominam e caracterizam as palavras de modo seguinte 38 : primeira fase estrangeirismos (substituição dos fonemas na língua receptora, atribuição de marcas de género e número, hesitação nos tipos gráficos por exemplo basketball, sandwich, scanner) ; segunda fase peregrinismos (proposta de formas concorrentes a nível ortográfico os autores citam como exemplo a palavra inglêsa chintz chinteze, schintz, chintz); 38 Lavouras Lopes, A., Rebello d Andrade, A. Primeira fase da instalação do estrangeirismo [online]. [cit ] Disponsível em: < 15

16 terceira fase neologismos de importação (lexia que exibe conformidade com o sistema da língua receptora, podendo coexistir com o estrangeirismo julgamos que a este grupo pertence por exemplo a palavra sedã sedan) ; quarta fase empréstimos (lexia de forma definitivamente estável exibindo conformidade com a língua receptora por exemplo bife, queque ). Como não há regras explícitas para o aportuguesamento de anglicismos nem outros estrangeirismos, só podemos descrever alguns fenómenos referentes às mudanças que ocorrem durante este processo. Como já referimos anteriormente, no trabalho apresentado, consideraremos estes fenómenos, ou pelo menos alguns deles, segundo os critérios fonético-fonológicos, gráficos, morfo-sintácticos e semânticos Adaptações fonético-fonológicas Em geral, todas as palavras provenientes de outras línguas, durante o processo de integração, primeiro mantêm os rasgos iguais como na língua original, sobretudo a sua pronúncia e grafia. Há duas possibilidades como podem entrar na língua de acolhimento ou por meio da linguagem falada ou por meio da linguagem escrita. Hoje em dia, os estrangeirismos entram em uma língua ou estendem-se principalmente por meios de comunicação social, pois igualmente através da linguagem falada como a escrita. Se um falante que utiliza um anglicismo já tem alguma experiência com o inglês, geralmente mantém a pronúncia autêntica de uma palavra. Por outro lado, se um falante que usa um anglicismo não domina o inglês ou o seu conhecimento não é suficiente, em geral começa a ampliar uma palavra estrangeira com certas modificações referentes sobretudo à pronúncia. Isso acontece nos casos, em que a pronúncia de uma palavra estrangeira não condiz com o sistema linguístico da língua portuguesa. O som de uma palavra pode ser considerado estranho pelos falantes nativos do português ou a pronúncia pode ser muito difícil, por causa de sistemas fonológicos diferentes. Lavouras Lopes e Rebello d Andrade referem que cada estrangeirismo tem a sua imagem acústica e que é mesmo esta imagem, a mais vulnerável, aquela que sofre 16

17 o primeiro impacto na nova língua 39. Então afirmam que a primeira mudança que uma palavra emprestada sofre por meio do processo da sua assimilação sucede na pronúncia, enquanto que a grafia se mantém. Uma das mudanças mais comuns que ocorrem durante a integração de uma palavra inglesa é a adição da vogal no final da palavra que termina em consoante forte. Como no português as palavras geralmente não terminam em consoantes fortes, tem de suceder este fenómeno. Schmidt-Radefeldt cita os exemplos 40 seguintes: vampe (vamp P +), críquete (cricket T +), grogue (grog G +), clube (club B +), recorde (record D +), bife (beef F +) ou lanche (lunch S +). Outro fenómeno é a pronúncia da letra h- no início de uma palavra inglesa. Este grafema no português, é mudo, ao contrário do inglês. Lavouras Lopes e Rebello d Andrade explicam: A aspiração inicial desaparece com o alargamento de uso, passando a soar artificial ou afectada a pronúncia com a sua manutenção. 41 Como um exemplo podemos citar as palavras sequintes: hardware [ ]ardware, hobby [ ]obby ou hacker [ ]acker. Os autores mencionam ainda outro exemplo da mudança corrente na pronúncia: (...)whisky e whist, em que a sequência inicial (semivogal vogal) é estranha ao sistema fonológico do português. A adaptação é então imediata, começando por se substituir a semivogal pelo som que lhe está mais próximo a vogal [u]. 42 Ainda devemos acrescentar que relativamente à pronúncia, a sequência inicial das palavras referidas, então semivogal vogal, não é ao sistema fonológico da língua portuguesa tão estranha como os autores referem, porque na língua referida faz parte de ditongos e tritongos como provam os exemplos seguintes: mau (m[aw]) ou quaisquer (q[waj]squer). Nenhum dos autores referidos que se dedicam ao aportuguesamento das palavras inglesas menciona a pronúncia da consoante w em outras posições, apesar de ser muito frequente nas palavras inglesas (software, hardware). Por isso julgamos que 39 Lavouras Lopes, A., Rebello d Andrade, A. Primeira fase da instalação do estrangeirismo [online]. [cit ] Disponsível em: < 40 Schmidt-Radefeldt, J. O fenómeno linguístico do aportuguesamento das palavras inglesas [online]. [cit ] Disponsível em: < 41 Lavouras Lopes, A., Rebello d Andrade, A. Primeira fase da instalação do estrangeirismo [online]. [cit ] Disponsível em: < 42 Ibid. 17

18 em todas as posições é realizada como a vogal [u] que corresponde ao sistema fonético do português. Como o inglês não diferencia qualidades vocálicas, durante o processo de aportuguesamento, geralmente, esta distinção qualitativa é neutralizada (por exemplo a palavra dealer d[i:]ler d[i]ler 43 ). Uma das alterações ocorre com as consoantes [dʒ] e [t ] 44. Como em português estes fonemas não existem, sucede, neste caso, uma simplificação, perdendo-se o seu elemento inicial implosivo, o que leva a realização palatal [ʒ] e [ ]. Por exemplo, a palavra jackpot, na língua de origem realizada como [dʒ]ackpot, durante a sua integração sofreu uma alteração fonética para ser mais aceitável para os falantes da língua receptora, e é realizada como [ʒ]ackpot. O exemplo seguinte é a palavra chip, primeiro pronunciada como [t ]ip, mais tarde simplificada e pronunciada como [ ]ip. Para finalizar esta parte referente aos aspectos fonológicos ainda devemos mencionar o último fenómeno a acentualização. Ao contrário do que acontece no português, o acento do inglês não tende a incidir sobre a última vogal do radical dos nomes e adjectivos. 45 Por isso não nos surpreende que algumas palavras aportuguesadas revelam uma alteração acentual. Veja-se os seguintes exemplos: 'check-up check-'up, 'football fute'bol ou 'homepage home'page Adaptações gráficas Não há dúvida, que a grafia de alguns vocábulos emprestados do inglês é completamente diferente da grafia portuguesa. De um modo geral podemos dizer que em comparação com o inglês, o português é mais rico em vogais, por outro lado o inglês possui mais consoantes do que a língua portuguesa. Por isso, em algumas palavras podem aparecer fonemas desconhecidos ou a sua posição ou combinação pode resultar alheia ao sistema linguístico do português. Portanto é preciso adaptar a grafia de algumas palavras para poderem ser incorporadas com mais facilidade no 43 Freitas, T., Ramilo M. C., Soalheiro E. O processo de integração dos estrangeirismos no português europeu[online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.apl.org.pt/xviii-encontro-nacional-daassociacao-portuguesa-de-linguistica.html>. 44 Ibid. 45 Freitas, T., Ramilo M. C., Soalheiro E. O processo de integração dos estrangeirismos no português europeu[online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.apl.org.pt/xviii-encontro-nacional-daassociacao-portuguesa-de-linguistica.html>. 18

19 vocabulário da língua portuguesa. De um modo geral, esta adaptação, apesar de não ser decisiva, aumenta a possibilidade de aceitação de uma palavra inglesa pelos falantes portugueses e, a sequir, até a sua inclusão no léxico. Este processo é denominado progressivo. Igualmente como nas adaptações fonéticas, nem nesta área encontramos regras explícitas. Algumas palavras mantêm a sua grafia original sem que sejam consideradas estranhas, outras têm de passar pelo processo de adaptação gráfica para perderem o seu estatuto da palavra estrangeira. Mencionaremos só algumas mudanças básicas. Um dos exemplos mais comuns é a palavra futebol (inicialmente football). Neste exemplo, para manter a representação dos fonemas originais, ocorreu a adaptação na grafia portuguesa (oo u, a o). Outra mudança que podemos observar no mesmo exemplo é simplificação das consoantes duplas no fim da palavra (ll l). Esta modificação pode ser realizada também em outras posições. Como o exemplo podemos citar a palavra scâner (do inglês scanner; nn n). A última mudança referente à grafia que ocorreu na palavra futebol é a introdução da fonema -e-, introduzido na posição intervocálica, mas este e protético pode ser bem introduzido no fim ou no início de uma palavra. Mas julgamos que este fenómeno pertence mais à pronúncia. Outra mudança interessante é a intercalação de um fonema que é desconhecido pela língua receptora (no caso da língua portuguesa mencionemos a consoante k ), o que prova o exemplo da palavra disquete (do inglês diskette). Como referem Lavouras Lopes e Rebello d Andrade: (...)num primeiro momento, todos os estrangeirismos são normalmente assinalados com aspas ou escritos em itálico. 46 Segundo os autores esta assinalação ocorre quando uma palavra não é sentida como vernácula, mas é sentida como nova e estranha. Este sentimento pode desaparecer com o alargamento do seu uso ou com a sua adaptação gráfica. A assinalação sempre depende do falante que a utiliza. Uma palavra pode ser assinalada em um texto, mas em outro já pode aparecer sem qualquer sinal de novidade, pois sem assinalação gráfica. Depende da sensação de cada autor. Como já mencionámos acima, algumas palavras não sempre sofrem mudanças gráficas para serem usadas e incorporadas no léxico do português. Há palavras sem 46 Lavouras Lopes, A., Rebello d Andrade, A. Primeira fase da instalação do estrangeirismo [online]. [cit ] Disponsível em: < 19

20 nenhuma assimilação gráfica mesmo muito usadas. Em geral, este fenómeno ocorre sobretudo nas línguas especiais, portanto, na maioria dos caso trata-se dos termos técnicos (muitas vezes internacionais). Como exemplo podemos aludir as palavras software ou laser. Também há palavras que sofreram adaptações gráficas, mas os falantes sempre usam também a sua forma gráfica original. Por outras palavras, a forma aportuguesada convive com a forma original inglesa (por exemplo: hamburger x hambúrguer) Adaptações morfo-sintácticas Como afirmam os investigadores do ILTEC: Quanto às propriedades morfosintácticas, importa referir em primeiro lugar que a fixação do género e da forma do plural é uma condição necessária para que as palavras possam ser consideradas integradas. 47 Por esta razão, achamos muito importante e necessário incluir um breve esclarecimento destes fenómenos no presente trabalho. Uma das principais dificuldades que surge durante o processo do aportuguesamento de alguns substantivos ingleses é a atribuição do género gramatical. Na língua portuguesa podemos distinguir dois géneros o masculino e o feminino. Todos os substantivos têm de pertencer a um destes géneros. Mas o que se refere à língua inglesa, a classificação dos géneros é diferente. De um modo geral podemos dizer que ao contrário do português, o inglês não diferencia os géneros gramaticais mas só os géneros naturais. A distinção dos géneros naturais é dependente do sexo. Então é natural que o masculino representa os machos e o feminino as fêmeas. Pois, os dois casos apresentam os seres animados. Mas o problema aparece no caso dos objectos inanimados. Durante a sua integração têm de receber um dos dois géneros gramaticais existentes no português. É comum que os substantivos de origem inglesa recebam o género masculino. Como referem Freitas, Ramilo e Soalheiro, isso acontece quando: [...] não existe qualquer tipo de motivação formal ou semântica, para atribuir o traço [+ fem] à 47 Freitas, T., Ramilo M. C., Soalheiro E. O processo de integração dos estrangeirismos no português europeu[online]. [cit ] Disponsível em: <http://www.apl.org.pt/xviii-encontro-nacional-daassociacao-portuguesa-de-linguistica.html>. 20

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