Ministério dos Petróleos Decreto Executivo nº 196/08 de 16 de Setembro Considerando a necessidade do estabelecimento de disposições relativas as entidades exploradoras dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gases combustíveis da 3.ª família. Nos termos do nº 3 do artigo 114º da Lei Constitucional, determino: Artigo 1º É aprovado o regulamento sobre as entidades exploradoras dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gases combustíveis da 3.ª família, anexo ao presente decreto executivo e que dele faz parte integrante. Artigo 2º É revogada toda a legislação que contrarie o disposto no presente decreto executivo. Artigo 3º As dúvidas e omissões que se verificarem na interpretação e aplicação do presente decreto executivo serão resolvidas por despacho do Ministro dos Petróleos. Artigo 4º Este decreto executivo entra em vigor na data da sua publicação. Página 1/9
Regulamento sobre as entidades exploradoras dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gases combustíveis da 3.ª família CAPÍTULO I Disposições Gerais Artigo 1.º (Objecto) 1. O presente diploma regula o exercício da actividade das entidades exploradoras dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gás, alimentados com gases combustíveis da 3.ª família. Artigo 2.º (Definições) Para efeitos da aplicação do presente regulamento, e salvo se de outro modo for expressamente indicado no próprio texto, as palavras e expressões nele usadas têm o seguinte significado, sendo que as definições no singular se aplicam igualmente no plural e vice-versa: Família composição química medi, Poder Calorífico Inferior (PCI) e Poder Calorífico Superior (PCS). densidade relativa, grau de humidade, presença de condensados e Índice de Wobbe. Família de gases conjunto de gases combustíveis, tal como se encontra caracterizado na norma EN-437. Família de gases combustíveis classificação dada aos gases combustíveis com os mesmos constituintes principais em comum e segundo a sua capacidade de intercambialidade, existindo as 1.º, 2.ª e 3.ª famílias onde se encontram os gases de cidade, os gases naturais e os gases de petróleo liquefeitos, respectivamente, e no sentido crescente do valor do respectivo índice de Wobbe. Artigo 3.º (Atribuições) Constituem atribuições das entidades exploradoras: a) proceder à exploração técnica dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gás, bem corno à respectiva manutenção e assistência técnica, de acordo com o disposto na legislação aplicável; Página 2/9
b) Prestar, por solicitação do consumidor ou do proprietário das instalações de gás, esclarecimentos técnicos sobre a manutenção e assistência técnica das mesmas. Artigo 4.º (Classes de entidades exploradoras) Para efeitos do presente diploma, são consideradas as seguintes classes de entidades: a) Classe I entidades que abasteçam mais de 2000 consumidores ou, independentemente do número de consumidores, alimentem as suas redes e ramais por reservatórios; b) Classe II entidades que abasteçam até 2000 consumidores. através de postos de garrafas. Artigo 5.º (Condição para o exercício da actividade) A execução e a entrada em funcionamento das redes e ramais de distribuição ligados a postos de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) licenciados nos termos da legislação aplicável carecem de autorização a conceder pelo Ministério dos Petróleos ou Governo da Província da área de localização. Artigo 6.º (Inscrição no Ministérios dos Petróleos das entidades exploradoras da classe I) 1. Para a inscrição no Ministérios dos Petróleos como entidade exploradora da classe I, a entidade interessada deve apresentar requerimento dirigido ao Ministro dos Petróleos, assinado pelos responsáveis que a obrigam, acompanhado dos seguintes documentos: a) certidão de constituição da entidade exploradora e registo comercial; b) cópia autenticada da apólice de seguro de responsabilidade civil, previsto no artigo 10.º; c) termo de responsabilidade, de acordo com o Anexo I do presente regulamento emitido pelo responsável técnico da entidade exploradora; Página 3/9
d) documento comprovativo, tendo no mínimo o seguinte quadro de pessoal, constituído por profissionais devidamente reconhecidos pelo Ministério dos Petróleos: i) um licenciado em engenharia inscrito no Ministério dos Petróleos como projectista; ii) um técnico de gás; iii) um instalador de redes de gás; iv) um soldador. e) documento comprovativo da certificação emitido pelo Sistema Angolano da Qualidade (SAQ). 2. A inscrição das entidades exploradoras que cumpram os requisitos estabelecidos nas alíneas a) a e) do n. 1, é feita com duração definitiva, mantendo-se a sua validade enquanto permanecerem reunidos os requisitos que estiveram na base da mesma. 3. A inscrição definitiva é concedida pelo Ministério dos Petróleos, na sequência da instrução e análise do pedido, desde que estejam reunidos os requisitos estabelecidos no n.º1. 4. Pela instrução e análise do pedido, as entidades interessadas na inscrição como entidades exploradoras estão sujeitas ao pagamento de uma taxa ao Ministério dos Petróleos, nos termos da lei. Artigo 7.º (Inscrição no Ministério dos Petróleos das entidades exploradoras da classe II) 1. Para a inscrição no Ministério dos Petróleos como entidade exploradora da classe II, a entidade interessada deve apresentar requerimento dirigido ao Ministro dos Petróleos, assinado pelos responsáveis que a obrigam, acompanhado dos documentos referidos nas alíneas a) e c) do n. 1 do artigo anterior. 2. Para além dos documentos previstos no número anterior, o requerimento deve ainda ser acompanhado de documento comprovativo de que a entidade dispõe no seu quadro de pessoal de um técnico de gás, de um instalador de redes de gás e de um soldador, apresentar documento comprovativo da existência de um contrato de prestação de serviços com uma entidade instaladora, reconhecida pelo Ministério dos Petróleos, que assegure o cumprimento do artigo 8.º do presente regulamento. 3. À inscrição das entidades exploradoras da classe II é aplicável, com as devidas adaptações, o disposto nos n.º3 e 4 do artigo anterior. Página 4/9
Artigo 8.º (Deveres das entidades exploradoras) 1. São deveres das entidades exploradoras: a) Assegurar a exploração técnica das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás, bem somo a respectiva manutenção e assistência técnica, de acordo com as disposições legais e as regras técnicas aplicáveis; b) Prestar assistência técnica aos consumidores e aos proprietários das instalações de gás, sempre que para tal forem solicitadas; c) Assegurar o atendimento e a assistência técnica em situações de emergência; d) Promover, através das entidades inspectoras reconhecidas pelo Ministério dos Petróleos, a realização das inspecções periódicas das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás; e) Suspender o fornecimento de gás sempre que se verifiquem situações que ponham em causa a segurança das instalações, das pessoas e dos bens, dando de imediato conhecimento do facto ao Ministério dos Petróleos ou ao Governo da Província da área de localização; f) Manter o seguro de responsabilidade civil; g) Promover a actualização dos conhecimentos, em tecnologias do gás e de segurança, de todo o seu quadro técnico. 2. A entidade exploradora deve manter em arquivo, por um prazo de cinco anos, os certificados de inspecção e os respectivos relatórios das inspecções referidos na alínea d) do número anterior. Artigo 9.º (Incompatibilidade) As entidades exploradoras, bem como o seu pessoal, não podem exercer as actividades de inspectoras de redes e ramais de distribuição de gás e de instalações de gás, quer directamente quer por interposta pessoa. Página 5/9
Artigo 10.º (Seguro de responsabilidade civil) 1. As entidades exploradoras devem obrigatoriamente celebrar um seguro de responsabilidade civil para cobrir danos materiais e corporais sofridos por terceiros, resultantes das acções relativas à exploração das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás. 2. A garantia do seguro mencionado no número anterior deve ter um valor mínimo obrigatório de USD 2 000 000,00 para as entidades da classe I e de USD 1 000 000,00 para as entidades da classe II. 3. O valor referido no n. 2 pode ser objecto de actualização mediante despacho do Ministro dos Petróleos. Artigo 11.º (Cancelamento da inscrição) 1. A inscrição pode ser suspensa ou cancelada pelo Ministério dos Petróleos caso se verifique alteração aos pressupostos que determinaram a sua atribuição ou se verifique o incumprimento dos deveres estabelecidos para o exercício da actividade, em consequência de auditorias efectuadas, no âmbito do SAQ. 2. Nos casos de verificação das situações referidas no número anterior, a entidade exploradora será informada desse facto, sendo-lhe concedido um prazo para a regularização dessas situações, sob pena de ser cancelada a inscrição. 3. 0 Ministério dos Petróleos deve informar o Governo da Província da área de localização de todas as decisões tomadas relativas à inscrição da entidade exploradora, bem como do seu cancelamento. 4. O cancelamento deve ser comunicado pelo Governo da Província da área de localização aos proprietários dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gás. Página 6/9
CAPÍTULO II Fiscalização, Infracções e Multas Artigo 12.º (Competência) A competência para fiscalização do cumprimento das disposições constantes do presente regulamento é do Ministério dos Petróleos ou do Governo Provincial da área de localização Artigo 13.º (Fiscalização) 1. As actividades de fiscalização do disposto no presente regulamento referem-se as entidades exploradoras dos armazéns e das redes e ramais de distribuição de gases combustíveis da 3.ª família, de acordo com o seu artigo 1. 2. O Ministério dos Petróleos deve criar mecanismos adequados e eficazes que tornem efectivos os objectivos enunciados no número anterior. Artigo 14.º (Infracções e multas) 1. O exercício das actividades constantes do presente regulamento por parte das entidades exploradoras conforme o artigo 3.º sem a devida inscrição, de acordo com artigo 6.º, é punível com multa em Kwanzas equivalente a USD 700 000,00. 2. A violação das disposições do artigo 8. é punível com multa. em Kwanzas equivalente a USD 100 000,00. 3. A inobservância do prescrito no artigo 9.º é punível com multa em Kwanzas equivalente a USD 500 000,00. 4. A infracção do disposto no artigo 10.º constitui violação gravíssima, punível com multa em Kwanzas equivalente a USD 1 000 000,00, independentemente das responsabilidades civil e criminal que poderão recair sobre os seus autores. 5. Em caso de reincidência, a multa aplicável deve ser igual ao triplo do valor cominado para cada uma das infracções. 6. As multas previstas nos números precedentes são aplicadas pelo Ministério dos Petróleos, com base em processo instaurado aos infractores. Página 7/9
Artigo 15.º (Independência da aplicação das multas) A aplicação das multas não desobriga o infractor ao cumprimento das normas do presente regulamento e é independente de quaisquer outras sanções que sejam impostas por aplicação da Lei das Infracções Contra a Economia. Página 8/9
ANEXO I A que se refere a alínea c) do artigo 6.º Página 9/9