PARECER CME nº 03/07



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Transcrição:

PARECER CME nº 03/07 Interessados: Professores de Educação Física e pais de alunos da rede municipal de São José do Rio Preto. Assunto: Admissão de especialistas em Educação Física, através de concurso público, para ministrar aulas nas Escola Municipais de Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Relatores: Andréa Ferreira, Carlota Rodrigues de Faria, Maria José Garcia Diniz Marques, Rosycarmen Pontes Gestal Alvares e Vera Lucia de Souza Góes. Histórico: Trata o presente de resposta à consulta feita por professores especialistas de Educação Física sobre denúncia do não cumprimento do art 26, 3º da Lei nº 9394/96 pelas escolas da rede municipal de São José do Rio Preto e reivindicação de Concurso Público Municipal para esta área de Ensino. A consulta desdobra-se em duas solicitações: 1 -... ao cumprimento da Grade Curricular no que se refere às aulas de Educação Física, junto aos diretores das Escola Municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental, Ciclos I e II, através da Secretaria Municipal da Educação. 2 -... a garantia do direito ao cumprimento do artigo 85 da Lei 9394/96, reinvidicando o concurso público na Disciplina Educação Física, através do qual teremos profissionais de Educação Física ministrando aulas na Educação Infantil e Ensino Fundamental. Apreciação: Analisando a legislação vigente bem como as normatizações do Conselho Nacional de Educação, a comissão responsável, tomou como base o Parecer CNE/CEB nº 16/2001, o qual recomenda que:

A princípio deve-se diferenciar a Educação Física, entendida como conjunto de atividades relativas às dimensões ética, estética e lúdica, à mobilidade do corpo, à manutenção do tônus muscular, da coordenação motora, da higidez, etc..., que constituem um conjunto de saberes e habilidades que configuram um componente curricular da escola básica, de outros tipos de atividades físicas, como as práticas desportivas. Embora não sejam mutuamente excludentes, deve-se lembrar que constituem conjunto distinto de atividades as práticas esportivas de tipo recreativo ou voltadas ao desempenho olímpico, de competição, de esporte amador ou profissional. A organização das aulas e dos conteúdos da Educação Física nas séries iniciais alimentam a antiga discussão sobre quem está mais habilitado a conduzir as aulas nessa fase do ensino fundamental: professor/a licenciado/a na área específica ou "unidocente"? A questão posta dessa forma acaba deixando em segundo plano um elemento fundamental para a sobrevivência dessa área no currículo, ou seja, a dimensão pedagógica e cultural das práticas corporais nos projetos político-pedagógicos das escolas. O relator Nélio Marco Vincenzo Bizzo, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), ofereceu importantes contribuições, no parecer citado, sobre o significado e as relações existentes entre um componente curricular obrigatório e uma disciplina escolar específica do ensino básico. Ele toma como base a discussão estabelecida no âmbito da educação física, mas que, sem dúvida, também auxilia no debate sobre a concepção mais ampla de ensino e currículo. Esse parecer reafirma que a educação física é um componente curricular obrigatório e que deverá constar nas séries iniciais do ensino fundamental de forma integrada. A docência, nessa fase escolar, deve ter um caráter interdisciplinar e abrangente, ou seja, não pode ser confundida com uma disciplina específica, e muito menos se configura em uma atribuição exclusiva de um profissional especializado. Diante de tal quadro, seria mais produtivo pensar a inserção da educação física escolar nas séries iniciais a partir de outras bases. Antes de discutirmos quem deve ou não ministrar as aulas nesta fase, é preciso reivindicar um lugar compatível com os demais componentes curriculares obrigatórios no trabalho escolar cotidiano. As crianças, por exemplo, aprendem língua portuguesa e matemática não com lingüistas ou matemáticos, e sim com professores/as unidocentes que se apropriam do conhecimento pertinente a cada uma dessas áreas para melhor ensinarem seus alunos e alunas. Ou seja, o valor de ambas não está na presença física de docentes especialistas nos primeiros anos do ensino fundamental, mas no fato de serem vistas como duas importantes áreas do conhecimento humano.

Deve-se ressaltar o emprego do termo "área de conhecimento" e não "disciplina". Isso não deve ser visto como acidental, uma vez que o espírito da própria LDB é o de conferir autonomia pedagógica às escolas, de maneira a induzi-las a elaborar projetos pedagógicos que estejam adequados a sua própria realidade (...) conclui-se, portanto, que não existe vinculação direta entre componente curricular, mesmo obrigatório e disciplina específica no currículo de ensino. A Secretaria Municipal da Educação de São José do Rio Preto em cumprimento às Diretrizes Curriculares Nacionais, Resolução CNE/CEB nº 02/98 e Parecer CNE/CEB nº 04/98 estabeleceu a matriz curricular para anos iniciais do Ensino Fundamental, sendo destinadas, para a Educação Física, 04 (quatro) aulas semanais no primeiro ano de escolaridade, neste Município, denominado Etapa Básica, e 02 (duas) aulas semanais nas demais etapas do Ciclo I e Ciclo II do Ensino Fundamental. Não há, portanto, nenhuma escola da rede municipal que possa deixar de adotar esta norma. O importante é que essas aulas não sejam vistas como atividades meramente recreativas ou como horas de descanso do professor docente, e, sim, como uma forma de fazer acontecer o projeto político pedagógico elaborado pelos diferentes segmentos da escola. Cabe à própria Secretaria Municipal da Educação a competência de supervisionar seus estabelecimentos de ensino, conforme dispõe o artigo 11, IV da Lei nº 8053 de 04 de setembro de 2000, que instituiu o Sistema Municipal de Ensino,. Outra questão trazida pelo consulente é sobre a admissão de especialistas em Educação Física, através de concurso público, para ministrar aulas nas escolas municipais de Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A Lei nº 9394/96 em seu artigo 62 dispõe que: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, admitida como formação mínima, para o exercício do magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. O Conselho Nacional de Educação, por meio dos Pareceres CNE/CP nº 05/2005, de dezembro de 2005, e CNE/CP nº 3/2006, de fevereiro de 2006, que tratam das Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia, determina que: O curso de licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental de 09 (nove) anos, no Ensino Médio, na modalidade Normal de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas na quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. Além disso, a Resolução CNE/CP nº 01, de 15 de maio de 2006 em seu artigo 5º, inciso VI estabelece que o profissional do curso de Pedagogia deverá ser capaz de:

ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano. O Parecer CNE/CEB nº 04/98 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental orienta: IV Em todas as escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso dos alunos a uma Base Nacional Comum de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional; a Base Nacional Comum e sua Parte Diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular que visa estabelecer a relação entre o ensino fundamental com: como: a) a vida cidadã por meio da articulação entre vários de seus aspectos, tais 1. a saúde; 2. a sexualidade; 3. a vida familiar e social; 4. o meio ambiente; 5. o trabalho; 6. a ciência e a tecnologia; 7. a cultura; 8. as linguagens. b) as áreas do conhecimento: 1. Língua Portuguesa 2. Língua Materna (para populações indigenas e migrantes); 3. Matemática; 4. Ciências; 5. Geografia; 6. História; 7. Língua Estrangeira; 8. Educação Artística; 9. Educação Física; 10.Educação Religiosa (na forma do art.33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Assim, essa articulação permitirá que a Base Nacional Comum e a Parte

Diversificada atendam ao direito de alunos e professores terem acesso a conteúdos mínimos de conhecimentos e valores, facilitando, dessa forma, a organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas das escolas, como estabelecido nos arts. 23 a 28, 32 e 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Conclusão dos relatores: Verifica-se que os Professores de Educação Básica I, da rede municipal de São José do Rio Preto, concursados e devidamente habilitados, estão aptos a ministrar, as aulas de Educação Física, na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, garantindo a oferta desses conhecimentos aos alunos, como princípio inerente à sua profissão, de acordo com o prarágrafo 3º do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Recomenda-se que as atividades desenvolvidas devem ajustar-se às faixas etárias e às condições da população escolar Evidencia-se, assim, que o Poder Público Municipal não está descumprindo o artigo 85 da Lei 9394/96. Na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental, principalmente devido à ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos, é de todo interesse pedagógico que atue um único professor para que ocorra o tratamento interdisciplinar dos conteúdos. Recomendamos à Secretaria Municipal da Educação que os docentes sejam capacitados para se apropriarem dos conhecimentos construídos ao longo dos anos, em Educação Física, e efetivamente incorporados em suas práticas docentes. São José do Rio Preto, 14 de junho de 2007. Andréa Ferreira, Maria José Garcia Diniz Marques, Rosycarmen Pontes Gestal Alvarez, Carlota Rodrigues de Faria, Vera Lucia de Souza Góes. O presente Parecer foi aprovado por unanimidade pelos Conselheiros

titulares em reunião realizada na data supra. Presentes os Conselheiros Andréa Ferreira, Antonio Carlos Tozzo, Cenira Blanco Fernandes Lujan, Elisabeth Maria Amantéa Rocha, Elso Drigo Filho, Emília Cristina Naime Rugiero, Maria José Garcia Diniz Marques, Nilce Elisabeth Paranhos Arruda, Rachel Thomaz Arid, Rosycarmen Pontes Gestal Alvares, Sandra Buissa Mussi, Valdelir Elvira Perez Brognaro, Vera Lúcia de Souza Góes e Vera Lucia Morais Bechuate. Encaminha-se ao Gabinete da Senhora Secretária, São José do Rio Preto, 14 de junho de 2007. Vera Lucia Morais Bechuate Presidente VOTO EM SEPARADO Voto favoravelmente ao Parecer CME nº 03/07 com ressalva para que se proponha uma capacitação específica aos docentes da rede municipal de ensino, voltada para práticas esportivas, consolidando a importância e os resultados positivos da atividade física para o desenvolvimento integral e harmonioso da criança. Atenciosamente, Nilce Elisabeth Paranhos Arruda