ENTREVISTA FORENSE EM PORTUGAL PRÁTICAS RECENTES E APLICAÇÃO DO PROTOCOLO DE ENTREVISTA FORENSE DO NICHD Carlos Eduardo Peixoto Psicólogo Forense Instituto Nacional de Medicina Legal e de Ciências Forenses Portugal! Esta comunicação é apoiada pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT)(PTDC/MHC-PAP/4295/2012) e pelo Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) (CCOMP-01-0124- FEDER-029554)
Prova testemunhal e abuso de crianças! Na maior parte dos casos de abuso sexual não existem evidências físicas e biológicas dos actos de abuso sexual, nem outro tipo de evidências (relatos de testemunhas oculares) -! Dados da Delegação Norte do INML 77,5% dos casos não há evidências físicas e em 88,9 % não há evidências biológicas. Isto acontece porque as evidências biológicas apenas se mantêm preservadas entre 8 a 72 horas e as evidências físicas entre 5 a 8 dias (Magalhães & Ribeiro, 2008).! Na maior parte dos casos, o único meio de prova é o relato da criança
Declarações para memória futura Artº 271 do Código do Processo Penal...no caso de vítima de tráfico de pessoas ou contra a liberdade e autodeterminação sexual... No caso de processo por crime contra a liberdade e autodeterminação sexual de menor, procede-se sempre à inquirição do ofendido no decurso do inquérito, desde que a vítima não seja ainda maior. é realizada em ambiente informal e reservado, com vista a garantir, nomeadamente, a espontaneidade e a sinceridade das respostas, devendo o menor ser assistido no decurso do acto processual por um técnico especialmente habilitado para o seu acompanhamento, previamente designado para o efeito. A inquirição é feita pelo juiz, podendo em seguida o Ministério Público, os advogados do assistente e das partes civis e o defensor, por esta ordem, formular perguntas adicionais.
Declarações para memória futura Limitações: presença de várias pessoas ocorre nas instalações do tribunal falta de clarificação sobre o papel do psicólogo inquirição pelo juiz
Estudo Implementação de um Protocolo de Entrevista Forense para crianças vítimas, testemunhas e ofensoras Descrição das práticas atuais de entrevista forense Adaptação e aplicação do protocolo de entrevista do NICHD
Maltez, Peixoto & Magalhães, 2013 Entrevistas realizada no âmbito de Declarações para Memória Futura (n=27) 15 meninas e 12 meninos entre os 9 e 15 anos Casos de abuso sexual
Peixoto, Almeida & Fernandes, 2013 Entrevistas com o Protocolo NICHD (N=33) Realizadas no âmbito de avaliações psicológicas forenses 27 meninas e 6 meninos entre os 4 e os 16 anos casos de abuso sexual
Protocolo de Entrevista Forense do NICHD Revista do Ministério Público 134 : Abril : Junho 2013 [ PP.??-?? ] O Protocolo de Entrevista Forense do NICHD: contributo na obtenção do testemunho da criança no contexto português [1] Carlos Eduardo Peixoto [2] Psicólogo Forense Instituto Nacional de Medicina legal e Ciências Forenses, IP Delegação Norte Catarina Ribeiro [3] Psicóloga Forense Instituto Nacional de Medicina legal e Ciências Forenses, IP Delegação Norte Docente da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Isabel Alberto [4] Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra [1] Os autores agradecem todo o apoio e colaboração fornecidos pelo Professor Michael Lamb na adaptação do Protocolo NICHD ao contexto português. Trabalho apoiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) (PTDC/MHC-PAP/4295/ 2012) e pelo Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) (CCOMP -01-0124-FEDER-029554). [2] Membro do CENCIFOR. cespeixoto@gmail.com [3] Membro do CENCIFOR. [4] Membro do CENCIFOR. RESUMO O testemunho de crianças no sistema penal constitui, ainda, um desafio que tem gerado investigação extensa na comunidade científica e a busca de formação pelos vários profissionais envolvidos no contexto judicial. Este artigo tem como objetivo apresentar um protocolo de entrevista forense do National Institute of Child Health and Human Development (NICHD). Este protocolo tem sido alvo, nos últimos 30 anos, de vários estudos de validação e de aplicação em casos reais em vários países, sendo um dos mais investigados e mais aplicados. Dada a lacuna identificada em Portugal nesta área da entrevista de crianças no âmbito judicial, este artigo visa apresentar os pressupostos subjacentes ao protocolo do NICHD, bem como a estrutura da entrevista, apresentando-a como proposta para uma boa prática em contexto judicial. PALAVRAS-CHAVE: entrevista forense, NICHD, abuso sexual de crianças Regras de comunicação Estabelecimento da relação Prática de narrativas Transição para a fase substantiva Investigação das alegações Intervalo Revelação Finalização da entrevista
Tipo de questões (percentagem) Abertas Diretivas Escolha Múltipla Sugestivas DMF DMF DMF DMF 4,3 25,95 48,4 21,36
Quantidade de informação (percentagem de número de palavras por tipo de questão) Abertas Diretivas Escolha Múltipla Sugestivas DMF DMF DMF DMF 12,92 31,14 37,87 18,08
Tipo de questões (percentagem) Abertas Diretivas Escolha Múltipla Sugestivas DMF Protocolo DMF Protocolo DMF Protocolo DMF Protocolo 4,3 50,2 25,95 12,7 48,4 34,5 21,36 2,6
Quantidade de informação (percentagem de número de palavras por tipo de questão) Abertas Diretivas Escolha Múltipla Sugestivas DMF Protocolo DMF Protocolo DMF Protocolo DMF Protocolo 12,92 67,1 31,14 7,8 37,87 23,8 18,08 1,3
Conclusões A utilização do Protocolo NICHD melhora a qualidade e quantidade de informação obtida Aplicação do Protocolo do NICHD a entrevistas realizadas no âmbito das Declarações para Memória Futura como procedimento obrigatório
nichdprotocol.com! cespeixoto@gmail.com