Os Mandamentos da Igreja Por Marcelo Rodolfo da Costa Os mandamentos da Igreja situam-se na linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta CIC 2041 Os Mandamentos da Igreja tem como objetivo garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor e do próximo. Os mandamentos da Igreja são cinco "preceitos" ordenados pela instituição religiosa católica criada por Jesus Cristo, que tem como objetivo, instruir e admoestar os fiéis cristãos sobre os seus deveres para com a Igreja, relacionados ao plano espiritual e material (missa, confissão, comunhão, jejum e dízimo).os mandamentos da Igreja levam o individuo a uma participação mais assídua na Igreja e na comunidade da qual ela participa. Com esta parte introdutória vamos aos mandamentos: 1. Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho. Exige aos fiéis que participem na celebração eucarística, em que a comunidade cristã se reúne, e se abstenham dos trabalhos e negócios que impeçam o culto, a alegria e o devido repouso do espírito e o do corpo, no dia em que se comemora a Ressurreição do Senhor, e nos principais dias de festa em honra dos mistérios do Senhor, da Virgem Maria e dos Santos, que a Igreja declara como sendo de preceito. Faltar à missa aos domingos e dias santos sem nenhum motivo que impeça de assisti-la ou de ir até o Templo do Senhor é considerada falta grave pela Igreja, a Santa Missa é o Santo Sacrifício de Cristo que foi consumado no Calvário, sendo renovado e celebrado do nascer ao pôr-do-sol em todo o mundo pela salvação da humanidade, ficando, portanto, o fiel cristão impedido de receber a comunhão ou eucaristia. Os dias santos de guarda 1, que a Igreja preserva são quatro: 1 O domingo tem uma consideração especial. Por isso, celebra-se em toda a Igreja, sem exceção. Os outros dias festivos podem ceder a considerações particulares. No Brasil, por determinação da CNBB, com aprovação da Santa Sé, além dos domingos, são ditos festivos unicamente de Santa Maria Mãe de Deus (1º de janeiro), do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), da Imaculada Conceição (8 de dezembro), e do Natal do Senhor Jesus Cristo (25 de dezembro). No 1
- 1º de janeiro (Festa da santa Mãe de Deus); - Festa do Corpo e Sangue de Jesus (Corpus Christi (a data varia, de acordo com o calendário litúrgico da igreja); - 8 de dezembro - Festa da Imaculada Conceição de Maria; - 25 de dezembro - Festa do Natal em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo na pobre gruta de Belém, ou seja, da vinda do Salvador ao mundo. Este mandamento vai nos levar a uma conscientização de nossa responsabilidade enquanto cristão e enquanto comunidade que se reúne pelo mesmo objetivo, de agradecer ao nosso Deus por nossa vida, nosso trabalho, nossa família, nossas vitórias e alegrias; mas também entregar nas mãos de nosso Deus, a tristeza, o cansaço, as derrotas, os desafios etc. 2. Confessar-se pelo menos uma vez por ano. Recorda ao fiel a obrigação de confessar os pecados 2, sejam eles veniais ou mortais e de assegurar a preparação para a Eucaristia, mediante a recepção do sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão. E é através deste sacramento que a Igreja de Cristo proporciona ao homem a reconciliação com Deus e com os irmãos, libertando dos males espirituais com o perdão dos pecados. "Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!" (Isaías 1, 18). A Santa Madre Igreja é sabia! Ele pede aos seus fies o mínimo, sabendo que aqueles que realmente professam a sua fé, e não escondem seu batismo, jamais confessará uma vez apenas no ano. O fato de a Igreja colocar apenas uma vez a confissão para os seus fieis, demonstra que a Igreja pede o mínimo para a pessoa, mesmo sabendo que ela não se domingo e nos dias de festa de guarda, os fies têm a obrigação de participar da missa. (Direito do Código Canônico, 1246 1247). 2 O fiel tem a obrigação de confessar-se, quanto a espécie e ao numero, todos os pecados graves de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelas chaves da Igreja, nem acusados em confissão individual. Recomenda-se aos fieis que confessem também os pecados veniais. Todo fiel depois de ter chegado a idade da discrição (07 anos), é obrigado confessar-se pelos seus pecados graves, pelo menos uma vez ao ano. (Código de Direito Canônico 988 989) 2
conformará com o mínimo, mas como o gênero humano tem uma natureza, digamos, corrupta devido a herança do pecado original cometido pelos primeiros pais (Adão e Eva) no início da criação, o espírito necessita de uma "limpeza espiritual" constante para não acumular muitas faltas ou pecados graves (mortais) que comprometem a salvação da alma, mas sim crescer na abundancia do sacramento e da graça recebida. 3. Receber o sacramento da Eucaristia ao menos uma vez pela Páscoa da ressurreição. Celebrar a Páscoa recebendo a comunhão ou Eucaristia significa o encontro e comunhão com Jesus Cristo que liberta de todo o mal, ou seja, é celebrar a libertação ou "passagem" de uma vida de escravidão no pecado para uma vida nova com Cristo. Garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor, em ligação com as festas pascais, origem e centro da liturgia cristã. Este mandamento está intimamente ligado com o anterior. Sabemos que a Igreja vive da Eucaristia, e não obstante nós vivemos também da Eucaristia. É fundamental ter esta consciência de que podendo comungar todos os dias podemos fazê-lo; agora, é nosso papel de cristão comungar todos os domingos, justamente pelo fato de comemorarmos no domingo a ressurreição de nosso Senhor. Sabemos que o cristão praticante não se basta apenas com uma comunhão ao ano, aí encontramos novamente a sabedoria da Igreja em pedir o mínimo aos seus fies, e justamente na Páscoa da ressurreição do Senhor. 4. Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja. A santa Igreja prescreve no quarto mandamento que a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira da Paixão são dias de se fazer jejum do corpo ou de alimentos com abstinência de carnes nestes dias, em respeito à morte de Jesus Cristo na cruz e como meios de penitenciar o corpo e o espírito, a fim de que os "canais da graça" sejam liberados da mancha dos pecados do egoísmo e do orgulho.assegura os dias de ascese e de penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; o jejum e a abstinência contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração. O jejuar e o abster-se de alimento não é somente um preceito dado pela Igreja, mas também é uma forma de cuidar do corpo e da alimentação. 3
5.Ajudar a Igreja em suas necessidades Aponta aos fiéis a obrigação de conforme as suas possibilidades, "prover às necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros CIC 2042 2043, pois o operário merece o seu sustento" (Mateus 10, 10). Devemos ajudar nossa Igreja no que ela precisa 3, seja na contribuição do dizimo, mas deve ser cumprido com certa constância e freqüência, de preferência, mensalmente, se o nosso trabalho é remunerado mês a mês, de conformidade com os valores ou quantias recebidas individualmente de cada salário, economia ou produção, cumprindo o preceito da Igreja com certo grau de generosidade, bondade, alegria, espontaneidade (sem constrangimentos) e discrição, uma vez que o "Divino Mestre" disse que se deve fazer as boas obras em segredo, esperando a recompensa e o louvor somente de Deus, porque Ele é poderoso e fiel para cumular-nos de todas as bênçãos de que necessitamos. "Cumpri vossa tarefa antes que o tempo passe e, no devido tempo, Ele vos dará a recompensa" (Eclo 51, 38), seja em outras contribuições que a mesma necessite; manter, construir ou conservar o Templo erguido em honra a Deus; assim como, auxiliar a instituição religiosa católica através dos seminários, na formação dos sacerdotes para prestarem serviço a Deus e ao seu Povo. "A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe" (Mateus 9, 37-38). A Igreja não é do padre, do bispo; mas é nossa; o padre muda, o bispo muda um dia, contudo a Igreja sempre ficará em nossa comunidade. O dízimo é uma oferta ou oferenda que reservamos para Deus, em sinal de gratidão e reconhecimento pelos inúmeros benefícios (a chuva, o sol, a terra, o ar, a água, as árvores, os animais, etc.); do "fruto" do trabalho (salários); e das "benesses" espirituais, morais, físicas ou materiais que recebemos da generosidade de Deus. 3 O fieis devem tem a obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros. (Código Direito Canônico, 222) 4
Bibliografia - Catecismo da Igreja Católica - Bíblia Sagrada Ave Maria - Código do Direito Canônico 5