Diocese de São Carlos ESTATUTOS Manutenção Econômica dos Presbíteros Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos 1
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DIOCESE DE SÃO CARLOS ESTATUTOS DE MANUTENÇÃO ECONÔMICA DOS PRESBÍTEROS CAPÍTULO I SOBRE A JUSTA REMUNERAÇÃO ART. 1º - Entregues ao serviço de Deus, pelo desempenho do cargo que lhes foi confiado, os presbíteros são merecedores da justa recompensa, visto que o operário é digno do seu salário (Lc 10,7), e o Senhor ordenou àqueles que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho (1Cor 9,14). ART. 2º - Onde não se tiver provido de outra maneira à justa remuneração dos presbíteros, os mesmos fiéis em cujo benefício trabalham, têm verdadeira obrigação de procurar os meios necessários para que os presbíteros levem uma vida digna e honesta. ART. 3º - A remuneração de cada presbítero, tendo em conta a natureza do múnus e a circunstância dos tempos e dos lugares, seja fundamentalmente a mesma para todos aqueles que se encontrem nas mesmas condições e que lhes permita remunerar devidamente os que estão ao seu serviço como também, socorrer de alguma forma os pobres, por quem a igreja sempre teve uma grande estima. ART. 4º - Os presbíteros levem vida simples e se abstenham de tudo o que denote vaidade. Os bens que lhes advém por ocasião do exercício do ofício eclesiástico e que são supérfluos, queiram entregá-los para o bem da Igreja e para as obras de caridade (CDC canôn 282). 3
CAPÍTULO II SOBRE AS CÔNGRUAS ART. 5º - Todo presbítero provisionado como pároco receberá como côngrua a quantia de 3 (três) salários mínimos de referência nacional, assinando o respectivo recibo. Único Os reitores dos seminários se equiparam aos párocos. ART. 6º - Todo presbítero provisionado como vigário paroquial receberá como côngrua a quantia de 2½ (dois e meio) salários mínimos de referência nacional, assinando o respectivo recibo. ART. 7º - Todo presbítero provisionado como administrador paroquial receberá como côngrua a quantia de 2 (dois) salários mínimos de referência nacional, assinando o respectivo recibo. ART. 8º - O presbítero provisionado em outras funções deverá receber, da instituição à qual está servindo, as côngruas referentes à atividade realizada. Único - Aqui se enquadram, o Vigário Geral, o Chanceler da Cúria e o Ecônomo. ART. 9º - Caberá à paróquia ou instituição diocesana à qual o presbítero estiver provisionado a responsabilidade sobre sua côngrua. 1º - Tal presbítero não receberá para si as espórtulas de missas nem as ofertas pelos serviços prestados na área de sua provisão. Todas as espórtulas e ofertas pelos serviços sacramentais, litúrgicos e de ofício, além das coletas e dízimos, doações e rendimentos de festas e demais promoções, sejam dirigidos à caixa paroquial ou à instituição onde o presbítero está provisionado. 2º - Ao sair da área de sua provisão, poderá receber as espórtulas de missas ou ofertas pelos serviços prestados, com base na tabela de emolumentos da província eclesiástica de Campinas em vigor na diocese de São Carlos. ART. 10. - Todo presbítero provisionado, a cada 5 (cinco) anos de sacerdócio receberá um acréscimo de 20% (vinte por cento) do valor de 1 (um) salário mínimo nacional, até atingir o teto máximo de acréscimo de 1 (um) salário mínimo nacional, constando no recibo de côngruas. 4
CAPÍTULO III SOBRE A PREVIDÊNCIA SOCIAL ART. 11. É obrigatório o recolhimento junto ao INSS de 20% sobre o valor real do recibo de côngruas, sendo pago pela paróquia ou instituição diocesana à qual o presbítero está provisionado. Único Não é de responsabilidade da paróquia ou de outra instituição diocesana à qual o presbítero está provisionado o recolhimento de qualquer contribuição para a sua previdência privada. CAPÍTULO IV SOBRE O PLANO OU SEGURO DE SAÚDE ART. 12. Todo presbítero deverá obrigatoriamente estar filiado a um plano de assistência médica ou a um seguro de saúde. Único Cabe à paróquia ou instituição à qual o presbítero estiver provisionado a responsabilidade de recolher a taxa de seu plano ou seguro de saúde. CAPÍTULO V SOBRE OS AFASTADOS E APOSENTADOS ART. 13. Para o presbítero afastado por causa justa, o pagamento de sua côngrua, da taxa percentual do INSS e do plano de saúde será de responsabilidade e a critério da Mitra Diocesana. ART. 14. O presbítero provisionado, uma vez aposentado junto ao INSS, quer por tempo de serviço ou por idade, terá direito às côngruas, além dos rendimentos da sua aposentadoria. Único Se, aposentado junto ao INSS, se afastar do exercício do ministério paroquial ou de uma instituição diocesana, não terá direito de receber côngrua, ficando apenas com os valores de sua aposentadoria. 5
CAPÍTULO VI SOBRE A CASA PAROQUIAL E OS BENS ART. 15. A casa paroquial é a residência oficial do pároco, do vigário paroquial e do administrador paroquial. ART. 16. Caberá à Mitra Diocesana providenciar residência coletiva ou individual aos presbíteros eméritos. ART. 17. A manutenção da casa paroquial, incluindo impostos, taxas de água, luz e telefonia, compras e alimentação, utensílios domésticos e guarnições, conservação e empregado, é de responsabilidade da paróquia. Único Disponham a sua habitação de maneira que não se torne inacessível a ninguém e que ninguém, por mais humilde que seja, tenha receio de frequentá-la (PO nº 17). ART. 18. As instituições diocesanas (seminários, cúria, centro de pastoral, capelania) ofereçam também o lugar de moradia para os presbíteros que lhes prestam serviços provisionados, garantindo-lhes a completa manutenção. ART. 19. Havendo a real necessidade de o presbítero residir em outra casa que não a paroquial ou institucional, requer devida autorização do senhor bispo. Único A manutenção dessa casa aprovada ficará por conta da paróquia ou instituição a que o presbítero serve. ART. 20. O veículo, a serviço do ministério pastoral, terá sua manutenção por conta da paróquia ou instituição à qual o presbítero está provisionado. ART. 21. O presbítero tenha por escrito a relação daquilo que lhe pertence. E o que pertence à paróquia ou instituição deve ser registrado no livro de Registro de Bens Patrimoniais da paróquia. 6
CAPÍTULO VII SOBRE SERVIÇOS E VIAGENS, ESTUDOS E FÉRIAS ART. 22. O presbítero provisionado na diocese, ao auxiliar eventualmente uma outra paróquia, receberá o valor para cobrir os gastos de viagens e pelos serviços prestados (espórtulas e ofertas). ART. 23. Os gastos de viagens e impressos dos vigários episcopais, dos responsáveis pelas pastorais e comissões, da coordenação de pastoral e dos demais responsáveis, por ocasião de cursos, reuniões e encontros programados, ficam por conta das paróquias, instituições ou regiões episcopais, conforme a que se destinam respectivamente. ART. 24. Ficam por conta da Mitra Diocesana os gastos de viagens e hospedagens dos representantes, coordenadores ou assessores em encontros internacionais ou nacionais, regionais ou sub-regionais ou mesmo diocesanos, desde que convocados e a serviço da diocese. ART. 25. A Mitra Diocesana arcará com os gastos do presbítero em seus estudos e especializações de caráter filosófico-teológico e pastoral, tendo o senhor bispo ouvido o conselho de presbíteros. ART. 26. Todo presbítero tem o direito de descansar 1 (um) dia na semana e, a título de férias, ausentar-se anualmente da paróquia, no máximo por 1 (um) mês contínuo ou fracionado. 1º - Para ausentar-se da paróquia ou instituição por mais de uma semana, o presbítero tem a obrigação de comunicar ao senhor bispo por escrito. 2º - Caberá à paróquia ou instituição a manutenção do substituto no período de férias. 7
CAPÍTULO VIII SOBRE A POSIÇÃO DOS PRESBÍTEROS FRENTE ÀS REALIDADES MATERIAIS ART. 27. Embora se encontrando no mundo tenham sempre a consciência de que, segundo as palavras de nosso Senhor e Mestre, não são do mundo (cf Jo 17,14-16). ART. 28. Como os demais homens, os presbíteros devem cultivar os valores humanos e a valorizar os bens criados por Deus. Devem, todavia, utilizar deles como se de verdade não utilizassem (cf 1Cor 7,31). ART. 29. É necessário discernir à luz da fé todas as coisas que se apresentam, para que os presbíteros façam bom uso dos bens, conforme a vontade de Deus, e repilam tudo o que prejudica a sua missão. Dom Paulo Sérgio Machado São Carlos, 13 de setembro de 2013. Memória de São João Crisóstomo Bispo e Doutor da Igreja. 8
ESTATUTOS DO CONSELHO PAROQUIAL DE ASSUNTOS ECONÔMICOS CAPÍTULO I - Da Natureza, dos Meios e dos Fins. Art. 1º O Conselho de Assuntos Econômicos, obrigatório em cada Paróquia, é constituído de membros participantes da Comunidade para auxiliar, na administração dos bens paroquiais, ao Pároco que será de iure o Presidente (Cân 537). 1º O Conselho deve ser composto de não menos de 5 e não mais de 7 pessoas, das quais serão escolhidos um vice- presidente, um secretário e um tesoureiro. 2º Os membros sejam pessoas de formação e prática religiosa, competentes em assuntos de administração e merecedores da confiança do Pároco e da Comunidade, daí serem escolhidos pelo Pároco e apresentados à Comunidade. 3º O mandato será de dois (2) anos, renovando-se os membros na proporção de 1/3. 4º Os membros do Conselho prestarão seus serviços gratuitamente e não serão responsáveis, subsidiariamente, por obrigações contraídas em nome da Paróquia. 5º Com a mudança do Pároco, extinguem-se os mandatos. O novo Pároco pode convidá-los a permanecer provisoriamente até a formação do novo Conselho. Art.2º O objetivo maior da administração paroquial é servir à Pastoral em suas necessidades econômicas, definidas pelo Pároco junto com o Conselho Paroquial de Pastoral. 9
Art. 3º Igrejas, Capelas e Comunidades deverão constituir uma diretoria que administrará os próprios bens, em unidade com o Conselho Paroquial. Único Em cada semestre, cada Diretoria deve se reunir com o Conselho Paroquial. Art. 4º Para as eventuais promoções, pode haver uma Comissão ad hoc que, no término de cada promoção, deve prestar contas ao Conselho. CAPÍTULO II Do Patrimônio Paroquial Art. 5º Art. 6º Constituem Patrimônio Paroquial os bens móveis e imóveis adquiridos com recursos da Diocese ou da Paróquia ou ainda através de doações (Cân. 1257). Os bens imóveis devem ter escrituras públicas registradas em Cartórios de Imóveis, e devem estar em nome da Mitra Diocesana de São Carlos, seguindo o subtítulo do nome oficial da Paróquia e, se for de uma Capela, por último, o nome da Capela. Isto vale para as escrituras novas. Único Todas as escrituras devem estar transcritas no Livro de Tombo e arquivadas na paróquia, com uma cópia enviada à Curia. Ninguém poderá dispor dos bens imóveis (vender, doar, permutar, hipotecar, etc.) sem a devida procuração da autoridade diocesana (Cân. 1281). O mesmo se diga dos bens móveis, como objetos de culto (imagens, cálices, paramentos, etc.) ou objetos da Igreja, da casa paroquial, que pertençam ao patrimônio da paróquia ou capela. 1º Para cada caso, apresentar pedido por escrito ao Bispo, que consultará quem de direito: Consultores e/ou Conselho Administrativo. 10
2º Em cada pedido, expor as razões da transação e também da nova aplicação, que deve ser sempre em favor do Patrimônio, salvo, em casos urgentes, a critério do Bispo. Art. 8º Em cada Paróquia deve haver um inventário exato dos próprios bens, atualizado, sempre que houver qualquer mudança que afete o Patrimônio. Único Todo inventário deve estar transcrito no Livro de Tombo e uma cópia enviada ao Arquivo da Cúria. Art. 9º Nenhuma Igreja, Capela, Casa Paroquial e outros imóveis podem ser construídos, reformados ou alterados em sua estrutura sem autorização da autoridade diocesana (Cân. 1215). CAPÍTULO III - Da Administração Art. 10. O patrimônio paroquial é administrado em nome da autoridade diocesana, pessoalmente pelo Pároco, com a colaboração do Conselho de Assuntos Econômicos Paroquiais (Cân. 532). Art. 11. Os valores decorrentes de arrecadações, donativos, coletas, dízimo, taxas, espórtulas, campanhas e promoções, pertencem ao Caixa Paroquial e devem ser depositados em conta bancária e devidamente escriturados no Livro Caixa da Paróquia. 1º Toda conta bancária deve estar em nome da Mitra Diocesana, Paróquia tal e, se for o caso, Capela tal, portanto deve ter sempre o CNPJ da Mitra. 2º Para movimentar a conta bancária deve sempre assinar o Pároco e mais um do Conselho. 11
3º Havendo saldo significativo, este deve ser aplicado em instituições financeiras públicas, nunca particulares, para rendimento. 4º Fica proibido fazer qualquer empréstimo ou doação a terceiros, salvo para fins de caridade cristã a necessitados (Cân.1285). 5º É de se estimular a partilha entre Paróquias em melhores condições financeiras com as paróquias novas e/ou carentes, sempre através da Cúria. Art. 12. Prestem-se contas aos paroquianos, em balancetes mensais, do movimento do Caixa e das promoções. Art. 13. Além das coletas obrigatórias estabelecidas pela Santa Fé e pela CNBB, a Paróquia deve contribuir para prover às necessidades do Seminário e da Diocese, com a taxa mensal e com ao menos uma promoção anual (Cân. 246 e 1266). Art. 14. A Paróquia deve promover o sustento digno do Pároco e dos Vigários Paroquiais. Além da residência, alimentação, previdência social e hospitalar, haverá de conceder um auxílio mensal, de acordo com as Normas de Manutenção do Clero estabelecidas na Diocese. Único De acordo com as mesmas Normas, é de responsabilidade primeira da Paróquia, a digna sustentação do seu Pároco Emérito. Art. 15. Envie-se à Cúria o balancete paroquial, conforme modelo oficial da Diocese, para efeito de declaração de renda que a Mitra Diocesana por lei, é obrigada a fazer todos os anos. 12
Art. 16 As relações de trabalho com os auxiliares contratados estejam de acordo com as leis sociais e os princípios ensinados pela Igreja (Cân. 1386). Único A auxiliar, que só presta serviços domésticos na casa paroquial, por lei, deve ser contratada pelo Pároco, não pela Paróquia. Caso tenha também outros serviços, como por exemplo, limpar a Igreja, etc., é melhor que seja contratada pela Paróquia, como serviços gerais. CAPÍTULO IV Do Arquivo. Art. 17. Em cada Paróquia deve haver um arquivo bem organizado, em local reservado, para a conservação de todos os livros e documentos paroquiais (Cân. 491). Art. 18 Em repartições diversas deve haver, no Arquivo, espaço para: 1. Assuntos econômicos: a) Documentos, escrituras dos bens patrimoniais (Cân. 1284 2 nº 9). b) Documentação contábil: Livros Caixa, notas fiscais, recibos, etc. Nota: Recibos e notas fiscais deverão ser destruídos após 5 anos. 2. Assuntos Pastorais: Devem ser classificados conforme as áreas de Pastoral, incluindo-se as normas e orientações diocesanas, os planos pastorais, livretos e folhetos, etc. e atividades próprias da Paróquia (Cân. 535 4). 3. Livros de Assentamentos: a) Batizados e Casamentos: em duplicata, quando preenchidos, enviar a 1ª via para o Arquivo da Cúria. b) Tombo: Quando preenchido, enviar para o Arquivo da Cúria. c) Crisma: arquivado na Paróquia. 13
Nota 1 O pároco deve assinar pessoalmente, nunca com carimbo, os assentamentos de batismo, casamento, crisma e outros. Nota 2 O Livro de Tombo contém a história da própria Paróquia, com a finalidade de servir de fonte histórica dos fatos mais importantes ocorridos no local. Aquilo que é de cada dia, não deve ser escrito. Tudo deve ser transcrito numa linguagem nobre. Dom Paulo Sérgio Machado São Carlos, 13 de setembro de 2013. Memória de São João Crisóstomo Bispo e Doutor da Igreja. 14
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