BuscaLegis.ccj.ufsc.br

Documentos relacionados
MULTA VALOR EM UFIR MULTA

CAPÍTULO XVI DAS PENALIDADES

RESOLUÇÃO N.º 182 DE 09 DE SETEMBRO DE 2005

LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997.

MULTA MULTA VALOR EM R$

RESOLUÇÃO Nº 169, de 17 de MARÇO de 2005.

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

LEI Nº DE 30 DE DEZEMBRO DE 1998

CASSAÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABITAÇÃO POR DIRIGIR SUSPENSO

CASSAÇÃO DA CNH CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO

PROJETO DE LEI Nº 5512, DE 2013

CÂMARA DOS DEPUTADOS

DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DE ALAGOAS - DETRAN/AL QUESTÕES SOBRE INFRAÇÃO

DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DO RIO GRANDE DO SUL DIRETORIA TÉCNICA DIVISÃO DE HABILITAÇÃO RACHA

I - Apresentar Carteira Nacional de Habilitação, categoria A, em validade, expedida há pelo menos dois anos;

CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL?

Marcelo Dullius Saturnino 13ª edição

AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL RESOLUÇÃO N 25, DE 25 DE ABRIL DE 2008.

JUSTIFICATIVA: O Código Brasileiro de Trânsito prevê as seguintes penalidades a serem aplicadas nas infrações de trânsito:

ADVOGADOS EXMA. SRA. DESEMBARGADORA MONICA SARDAS 21ª CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

I miii mil mu mu mu um um mu mi nu *D?7fi3RR9*

Prescrição da pretensão punitiva

Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Despacho n.º /2007 de 30 de Agosto

Interessado: Conselho e Administração do Condomínio. Data: 17 de Agosto de Processo: 01/2007

Copyright Proibida Reprodução.

Lei nº , de 19 de outubro de Faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

MUNICÍPIO DE GUARANIAÇU Estado do Paraná CNPJ /

Considerando o constante no Processo nº / ;

Descritivo para Instalação e Funcionamento das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações (JARIS) e o Julgamento de Recursos.

Tropa de Elite Polícia Civil Legislação Penal Especial CBT - Parte Especial Liana Ximenes

O MENSALÃO E A PERDA DE MANDATO ELETIVO

MODELO CONTRATO DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR

LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO SÉRIE A DE SIMULADOS PRIMEIRO DOS 3 SIMULADOS PREVISTOS NA SÉRIE A

O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e regimentais,

RESOLUÇÃO CFC N.º 1.389/12 Dispõe sobre o Registro Profissional dos Contadores e Técnicos em Contabilidade.

MANUAL DE UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DO TOTEM

Súmulas em matéria penal e processual penal.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA PRESIDÊNCIA RESOLUÇÃO CONJUNTA N 4, DE 28 DE FEVEREIRO DE 2014

PORTARIA CAU/SP Nº 063, DE 31 DE AGOSTO DE 2015.

O PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, no uso de suas atribuições legais,

MULTA NIC. Augustinho Souza Ferreira EMDEC S/A Campinas/SP

LEI COMPLEMENTAR N. 13, DE 8 DE DEZEMBRO DE 1987

LEI SECA. Por Sérgio Sodré 1. 1 Advogado há 17 anos; especializado em Direito do Seguro e pós-graduado em Gestão de Seguros.

RESOLUÇÃO Nº CLASSE 19 BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL

RESUMO DO DIÁRIO PUBLICAMOS NESTA EDIÇÃO OS SEGUINTES DOCUMENTOS:

Legislação e tributação comercial

DECRETO Nº DE 23 DE NOVEMBRO DE 2009

NORMA DE PROCEDIMENTOS Gratificação por dirigir veículos

(Publicada no DOU de 20/12/2012 (nº 245, Seção 1, pág. 123)

PORTARIA N 1279, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2010

Processo nº: Nome : Batalhão da Polícia Militar de Trânsito - BPMTRAN Assunto : Consulta PARECER Nº 12/09

RESOLVE expedir a presente resolução, conforme articulados abaixo:

ESCOLA DE CONDUÇÃO INVICTA (Fases do Processo de Contra-Ordenações)

Manual de utilização Totem de Autoatendimento

RESOLUÇÃO Nº INSTRUÇÃO Nº CLASSE 19 BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL

A propositura da ação vincula apenas o autor e o juiz, pois somente com a citação é que o réu passa a integrar a relação jurídica processual.

Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário

REGULAMENTO DO PROGRAMA DE CERTIFICAÇÃO DE CURSOS BÁSICOS DE ESPORTES DE MONTANHA CAPÍTULO I DO OBJETIVO

PROJETO DE LEI Nº DE 2011

ADVERTÊNCIA E SUSPENSÃO DISCIPLINAR

RESOLUÇÃO CONCEA NORMATIVA Nº 21, DE 20 DE MARÇO DE 2015

EMBRIAGUEZ EXCLUSÃO DE COBERTURA

CRIA OS FISCAIS VOLUNTÁRIOS DO MEIO AMBIENTE NO MUNICÍPIO DE VIAMÃO.

SUSPENSÃO DO DIREITO DE DIRIGIR POR SOMATÓRIA DE PONTOS Rodrigo Kozakiewicz

Marco Civil da Internet

ILUSTRÍSSIMO SENHOR PREGOEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO TOCANTINS. Pedido de Esclarecimento cumulado com Impugnação de Edital

MANUAL DOS PRAZOS PROCESSUAIS: A CONTAGEM DOS PRAZOS NO NOVO CPC 1. MUDANÇAS GERAIS APLICÁVEIS A TODOS OS PRAZOS PROCESSUAIS:

REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I. Da Finalidade

LEI Nº DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005

autoridade consular brasileira competente, quando homologação de sentença estrangeira: (...) IV - estar autenticada pelo cônsul brasileiro e

Validade, Vigência, Eficácia e Vigor. 38. Validade, vigência, eficácia, vigor

RESOLUÇÃO N. 114/2013/TCE-RO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMB. FEDERAL RELATOR 3 A TURMA DO E. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4 A REGIÃO

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONÔMICA. RESOLUÇÃO Nº 12, de 11 de março de 2015

Contratos em língua estrangeira

CONCLUSÃO Em 04/05/2015, faço conclusão destes autos a MM. Juíza de Direito, Dra. Fernanda Gomes Camacho. Eu,, Escrevente, subscrevi.

A recusa ao bafômetro e a Portaria 217 do DENATRAN. O fim do problema?

ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL DEPARTAMENTO DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO DIRETORIA DE VISTORIAS

PODERES ADMINISTRATIVOS

RESOLUÇÃO N.º 131, DE 02 DE ABRIL DE 2002

Modelo esquemático de ação direta de inconstitucionalidade genérica EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCA Secretaria de Planejamento e Gestão Econômica Divisão de Compras e Licitações Contrato nº /08

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ACRE

SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE COMAM - CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE. DELIBERAÇÃO NORMATIVA N o 19/98

LEI SECA de trânsito

DECRETO Nº , DE 20 DE FEVEREIRO DE 2009.

A Lei 6.019/74 que trata da contratação da mão de obra temporária abrange todos os segmentos corporativos ou há exceções?

Minuta de Decreto nº (XXX), de (dia) de (mês) de (ano).

DECISÕES ATUAIS CONTRA O EXAME DE SUFICIÊNCIA DO CFC, EM DETERMINADOS CASOS (2013)

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO

ANÁLISE DO EDITAL DE AUDIÊNCIA PÚBLICA SDM Nº 15/2011 BM&FBOVESPA

Transcrição:

BuscaLegis.ccj.ufsc.br A suspensão da CNH, o devido processo legal e sua renovação mesmo com pontuação Eliseu Gomes de Oliveira* Sumário: 1 Introdução. 2 - Fundamento legislativo. 3 - O procedimento de suspensão. 4 A apreensão da CNH. 5 A cassação da CNH. 6 conclusão. 7 Bibliografia. -------------------------------------------------------------------------------- 1 INTRODUÇÃO Com a entrada em vigor da Lei 9503/97, Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a Carteira Nacional de Habilitação e Permissão para Dirigir, passaram à ser alguns dos documentos mais importantes do cidadão, especialmente à aqueles que a tem como "qualificação profissional". Por outro lado, a CNH e Permissão para Dirigir, são objetos de desejo da juventude, as quais, muitas vezes, não imaginam a responsabilidade de ser um condutor de veículo automotor. Depois de sancionada a referida lei, enormes dúvidas vêm surgindo, dentre elas, o procedimento de suspensão da CNH, o qual muitas vezes não tem obedecido ao "devido processo legal" e, em inúmeras situações, condutores têm sanções e restrições ao seu direito de dirigir, sem os quesitos básicos da ampla defesa, do contraditório e do transito em julgado, em suma, sem o devido processo legal.

-------------------------------------------------------------------------------- 2 - FUNDAMENTO LEGISLATIVO Art 256º A autoridade de trânsito, na esfera das competências estabelecidas neste código e dentro de sua circunscrição, deverá aplicar, às infrações nele previstas, as seguintes penalidades: III suspensão do direito de dirigir; V cassação da Carteira Nacional de Habilitação; VII freqüência obrigatória em curso de reciclagem. Art 261º A penalidade de suspensão do direito de dirigir será aplicada, nos casos previstos neste Código, pelo prazo mínimo de um mês até o máximo de um ano e, no caso de reincidência no período de doze meses até o máximo de dois anos, segundo critérios estabelecidos pelo CONTRAN. (Resolução 54/98 do CONTRAN) 1º - Além dos casos previstos em outros artigos deste Código e excetuados aqueles especificados no art 263, a suspensão do direito de dirigir será aplicada sempre que o infrator atingir a contagem de vinte pontos, prevista no artigo 259. 2º - Quando ocorrer a suspensão do direito de dirigir, a Carteira Nacional de Habilitação será devolvida a seu titular imediatamente após cumprida a penalidade e o curso de reciclagem.

Art 265º - As penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação serão aplicadas por decisão fundamentada da autoridade de trânsito competente, em processo administrativo, assegurado ao infrator amplo direito de defesa. -------------------------------------------------------------------------------- 3 O PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO Em princípio, vale salientar que, o processo administrativo de Suspensão do Direito de Dirigir somente pode ser instaurado pela Autoridade Competente, que in casu, é o diretor do DETRAN do respectivo Estado de registro do condutor. Para a instauração do procedimento que visa suspender o direito de dirigir de condutores, é necessário também que o processo referente ao mérito da autuação tenha transitado em julgado perante a Junta Administrativa de Recurso de Infrações (JARI) e, se for o caso, perante o CETRAN ou CONTRAN, respectivamente. Transitado em julgado os recursos quanto às autuações (multas), onde não caiba mais nenhum recurso, ou expirado os prazos recursais, o Diretor do DETRAN instaurará o procedimento administrativo que poderá suspender o direito de dirigir do condutor. "Quanto ao "Processo Administrativo" punitivo (é básico ao estudo jurídico) ele percorre obrigatoriamente as seguintes fases: "instauração (através da portaria ou auto de infração), instrução (para elucidar os fatos), defesa (ampla, com possibilidade de contestação e provas), relatório e julgamento final (prolatado pela autoridade competente). Reforçando esta lição, a atual constituição de 1988, no seu artigo 5, LV, garante a ampla defesa e o contraditório em qualquer processo administrativo". (1) Ao instaurar o procedimento, é(são) relacionado(s) o(s) auto(s) que deu(ram) origem ao processo, seguido(s) da(s) data(s), placa(s) e dispositivo(s) legal(is) que o(s)

fundamentou(aram), para que o condutor possa ser notificado. A notificação deve ser feita de forma à possibilitar ao administrado o prazo mínimo-integral de trinta dias para exercício de sua defesa, sob pena de anulabilidade do ato. "Da notificação deverá constar a data do término do prazo para apresentação de recurso pelo responsável pela infração, que não será inferior a trinta dias contados da data da notificação da penalidade" (art 282 4º - CTB) Realizada a notificação, o condutor terá o prazo de trinta dias para que apresente "toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna a acusação que lhe foi feita e especificando as provas que pretende produzir".(2) "Na defesa, admite-se a apresentação de quaisquer tipos de documentos ou papeis, de ordem pública ou particular. Há possibilidade, inclusive, de inquirição de testemunhas, posto que o código, embora nada prevendo a respeito, não veda a prática (...)". (3) Sendo interposta a defesa perante a autoridade de trânsito, a mesma será apreciada pela própria autoridade, que, após toda a instrução necessária, julgará a defesa optando pelo seu arquivamento, ou pela aplicação da penalidade. Julgada procedente a defesa, a autoridade de trânsito determinará a exclusão da pontuação e, por conseguinte, o arquivamento do processo. Sendo considerada improcedente a defesa, a autoridade fixará a sanção à ser imposta, que deverá, obrigatoriamente, obedecer aos princípios no art 2º, "VII"; art 50 "V", "VII" e "VIII" da lei 9784; Resolução 54/98 do CONTRAN, dentre outros pressupostos que determinem a decisão. Desta forma, se for o caso, o administrado terá pressupostos necessários para recorrer da decisão. Aplicada a penalidade, será expedida a notificação, de forma que assegure ao suposto infrator a ciência da imposição da penalidade, determinando o prazo mínimo de trinta dias para que o suposto infrator entregue sua habilitação, ou para que recorra da decisão. Salienta-se ainda que, "durante o procedimento administrativo não cabe

apreensão da CNH, pois tal medida configura a imposição da penalidade sem o devido processo legal". (4) Contra a decisão da autoridade de trânsito cabe recurso perante a JARI que funcione junto a respectiva autoridade de trânsito, a qual deverá julgá-lo em até trinta dias (art 285 do CTB), tendo a referida JARI, poderes para; revogar, anular, alterar ou manter a decisão proferida, pois apesar de funcionarem junto ao respectivo órgão, não são subordinados a ele (art 16 único do CTB). Sendo o recurso julgado procedente, cabe recurso por parte da autoridade de trânsito, ou, se julgado improcedente, cabe recurso por parte do suposto infrator, em ambas situações perante o CETRAN (art 288 do CTB). Enquanto não houver transitado em julgado o processo, além de ser vedado recolhimento da CNH, "improcede a recusa de renovação da CNH a pretexto da existência de autuações e multas, não estando o procedimento de suspensão concluído" (8ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, processo 166 /053.01.0026.48-0). "(...) 1.recebo como adiantamento a inicial. 2.presente os pressupostos legais, concedo a liminar pretendida, autorizando o impetrante à renovar a sua CNH, Visto que ainda não há noticias da decisão do processo administrativo" (processo 00838/02 vara civil de Jandira/SP). O entendimento jurisprudencial tem se firmado a cada dia sobre a questão; "MANDAMUS. Liminar indeferida. Impetração contra autoridade de trânsito que nega renovação de CNH por possuir nº de pontos superior ao limite legal. Equivalência à pena de suspensão, ou cassação do direito de dirigir. Necessidade de devido processo legal administrativo, no qual seja assegurado amplo direito de defesa e o ato de suspensão ou cassação decorra de decisão fundamentada (arts 5º, LV, CF/88, c/c 265 CTB). Liminar que deve ser deferida, pois relevantes os fundamentos da impetração e nítida a possibilidade de prejuízo se a segurança for concedida ao final. Recurso provido". (TJSP, Agravo de Instrumento nº 325.360.5/0 São Paulo).

-------------------------------------------------------------------------------- 4 A APREENSÃO DA CNH Quando falamos sobre apreensão, ou recolhimento do documento de habilitação, são indagadas inúmeras dúvidas e controvérsias sobre a questão. Concernentes ao assunto, são inúmeros, e diversificados os entendimentos. O CTB prevê o recolhimento do documento de habilitação como medida administrativa e, a apreensão do aludido documento em caso de suspensão do direito de dirigir; suspensão esta que só ocorrerá, após decisão fundamentada da autoridade competente (art 265º, CTB). Atualmente, em especial no Estado de São Paulo, a policia militar somente tem procedido ao recolhimento do documento de habilitação em casos específicos, como; CNH vencida à mais de trinta dias e, quando há suspeita de autenticidade. Este procedimento tem se mostrado como o mais correto e, neste sentido, tem se mostrada pacífica as jurisprudências predominantes nos tribunais; "É certo que o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro prevê como medida administrativa o recolhimento do documento de habilitação daqueles que dirigem sob influencia de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica". "Não é menos certo, porém, que o artigo 265º desse mesmo codex prevê que as penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação serão aplicadas por decisão fundamentada da autoridade de trânsito competente, em processo administrativo, assegurado ao infrator amplo direito de defesa" (TJSP, Ap Civil nº 94.193-5/0 Rel Coimbra Schmidt, 18/10/1999).

"Não cabe a apreensão enquanto ocorre o processo. Unicamente após o julgamento é que se aplica a suspensão, apreendendo-se a habilitação, na linha da jurisprudência, pronunciada pelo Tribunal Regional da 4ª Região: "A lei prevê, em caso de embriaguez, a apreensão da CNH, pela autoridade de trânsito, como medida administrativa. Tal medida não substitui, porém, o necessário procedimento administrativo, com vistas à imposição da penalidade de suspensão do direito de dirigir. Nesse procedimento, é necessário que se assegure, antes que tenha efeito a penalidade, o necessário direito de defesa, não sendo legítima a manutenção da CNH apreendida até o julgamento da consistência do auto de infração e enquanto perdurar o procedimento administrativo, pois tal procedimento configura a imposição da própria penalidade, sem o devido processo legal". (5) Sobre este ponto de vista, entendemos ser justo o recolhimento do documento de habilitação como medida cautelar, especialmente para situações como embriaguez, desde que o fato esteja devidamente comprovado no momento. A CNH deverá ser devolvida à seu titular, tão logo comprovadas condições físicas e/ou psicológicas, de modo à não oferecer risco ao trânsito, sendo então, posteriormente, instaurado o necessário procedimento administrativo que suspenderá, ou não, o direito de dirigir do condutor/infrator. "Somente após decisão definitiva da autoridade impondo a penalidade, da qual não caiba nenhum recurso administrativo, é que pode ser executada a suspensão do direito de dirigir, cujo prazo inicia a partir da apreensão da Carteira de Habilitação. Essa apreensão jamais poderá ocorrer antes da decisão definitiva impondo a penalidade". (6) Transitado em julgado e, se considerado "culpado", o condutor terá seu direito de dirigir suspenso de acordo com o artigo 261 do CTB, e sua pena arbitrada conforme a resolução 54/98 do CONTRAN. O prazo para cumprimento da Suspensão, inicia-se a partir do recolhimento do documento de Habilitação, e somente após cumprida a penalidade, que vem cumulado com o curso de reciclagem, é que o documento de Habilitação será devolvido ao condutor (art 261 2º do CTB).

"Convêm recordar que, é o sistema de pontuação o que propicia ao condutor maior tempo de reflexão e estímulo a modificar-se e aperfeiçoar-se. Bem aplicado, os resultados positivos não tardarão". (7) -------------------------------------------------------------------------------- 5 DA CASSAÇÃO DA CNH Art 263º - A cassação do documento de habilitação dar-se-á: I quando suspenso o direito de dirigir, o infrator conduzir qualquer veículo; O CTB, no artigo acima, buscou discriminar, especificamente, os casos em que, poderá ser cassado o documento de habilitação. Dentre as situações previstas, está a prevista no inciso I, quando suspenso o direito de dirigir, o infrator dirigir qualquer veículo. De acordo com o descrito no inciso I do art 263 (CTB), não é necessário que o condutor/infrator seja multado para caracterizar os respectivo ato ilícito, mas, basta apenas, que seja flagrado dirigindo. Então, a autoridade competente instaurará o necessário processo administrativo, que poderá culminar em cassação do documento de habilitação, prevista em dois anos, porém, assim como nos casos de suspensão do direito de dirigir, o condutor deverá ter seu direito de defesa resguardado, como previsto no artigo 265º do CTB e, artigo 5º LV da Carta Magna de 1988, pois do contrario, estaria configurada a penalidade sem o devido processo legal. "Este é o princípio básico assegurado pela Constituição Federal de 1988, no art 5º, inciso LV. Embora o art 265º só se reporte às penalidades de suspensão e cassação do direito de dirigir, o direito constitucional aplica-se à qualquer espécie de pena, sanção ou acusação, tais como: advertência, multas, apreensão de veículo, recolhimento de documento do veículo e de habilitação do condutor". (8)

-------------------------------------------------------------------------------- 6 CONCLUSÃO O atual Código de Trânsito Brasileiro foi sancionado de forma à possibilitar uma considerável redução nos abusos cometidos pelos maus motoristas, porém, devemos sempre estar atentos para que, a administração pública venha cumprir e fazer cumprir a legislação de trânsito, sempre nos termos da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, buscando sempre proporcionar um transito seguro e em condições dignas, tanto para pedestre, quanto para condutores e passageiros. Consideramos que as penalidades previstas no CTB, em especial as que se referem ao documento de habilitação, devem ser aplicadas, e bem aplicadas, porém, sem exageros e desde que observado o devido processo legal, para que desta forma, atenda ao objetivo principal desta lei; fazer justiça nas coisas da administração de trânsito. -------------------------------------------------------------------------------- 7 - NOTAS 1 - Dr Doorgal G Borges de Andrada Juiz de Direito em Uberaba/MG Jornal "Estado de Minas" de 09/02/2001, pg 07. 2 - Manual de Procedimento e Prática de Trânsito Desembargador Valter Cruz Swenson, 2ª edição, 2002, pg 167.

3 - Comentário ao Código de Trânsito Brasileiro Desembargador Arnaldo Rizzardo 4º edição, 2002, pg 561. 4 item 5 - Deliberação 141/2003 CETRAN/SP). 5 - Comentários ao Código de Trânsito Brasileiro Desembargador Arnaldo Rizzardo, 4ª ed, 2002, pg 554 e 555. 6 - Multas de Trânsito, Juiz Carlos Alberto M. S. M. Violante, 2001, pg 62. 7 - item 7- Deliberação 141/2003 do CETRAN/SP. 8 - Aplicação do Código de Trânsito Brasileiro Luiz Gonzaga Quixadá, Brasília, ed 2000, pg 87 * Consultor legislativo - Militante na área de trânsito Jandira/SP Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4710> Acesso em: 09 Out. 2008.