SENTENÇA NO PROCESSO Nº 3.526/86 E RECURSO

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Transcrição:

SENTENÇA NO PROCESSO Nº 3.526/86 E RECURSO Sentença nos autos do Processo nº 3.526/86 declara legítima matrícula das etapas I e II. No dia primeiro de julho, depois de transcorridos mais de 26 anos de tramitação do Processo de Ação Demarcatória proposta pela Companhia Imobiliária de Brasília - Terracap o Juiz da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal, Carlos Divino, declarou por sentença, em julgamento de incidente de falsidade material e ideológica do título de Ivan Alves Correa, declarando a legitimidade da matrícula nº 13.474 do 2º RI/DF, onde estão localizadas os condomínios das etapas I e II do Setor Habitacional Jardim Botânico. Na mesma sentença julgou prejudicado o pedido de proteção possessória em razão da desistência da arguição de falsidade manifestada pela Terracap, esquecendo-se de citar que a Imobiliária de Brasília já havia perdido processo de ação possessória sobre a área em 1985, estando a empresa aí litigando de má fé. A TERRACAP fez distribuir em 17/03/1986 ação demarcatória com queixa de esbulho em desfavor de ARTUR MILHOMEN NETO e outros, alegando ser detentora do domínio relativamente ao imóvel rural denominado Fazenda "Papuda", também conhecida como Fazenda "Santo Antonio" ou "Santo Antonio do Burity", "Retiro", "Cava de Baixo'; e "Cava de Cima", onde está o imóvel cujas poligonais são o alvo da demarcação.

A área total do imóvel primitiva é estimada em 3.040,275 alqueires geométricos, porém foi dividido em 1,900 em duas áreas distintas, ficando a parte oriental com JOSÉ DA COSTA MEIRELLES e a ocidental com seu irmão JOSUÉ DA COSTA MEIRELLES. Para melhor entendimento dos fatos vale destacar as áreas dos irmãos: JOSÉ de Campo Meirelles, que originou a área que pertence aos condomínios (Delfino Machado de Araújo); JOSUÉ da Costa Meirelles, originou as áreas da Terracap com a desapropriação pelo estado de Goiás (Novacap) em 1.956 (Papuda Ocidental). Com base nos autos do processo em referência e análise de laudo elaborado por Sebastião Mathias e Gerardo Magalhães, para entendimento dos fatos que geraram a disputa pelas terras que são ocupadas pelos moradores em condomínios das etapas I e II, demonstramos alguns mapas e descrições dos fatos. MAPA DEMONSTRATIVO DAS ÁREAS EM LITÍGIO A figura à esquerda mostra os limites constantes da transcrição de nº 27, de 31/05/1902, mapa de divisão de 1900, terras que couberam a José de Campos Meirelles e foram vendidas a Delfino Machado de Araújo, que originou a matrícula nº 13.474. No mapa à direita, os limites descritos unilateralmente por Josué da Costa Meirelles, em 11/07/1903, aumentando sua área e sobrepondo seus limites às terras antes registradas, desde 1902, por Delfino Machado de Araújo.

Essa fraude iniciada por Josué da Costa Meirelles foi confirmada por seus herdeiros em 1921, no processo de inventário dos bens deixados por ele. Avançando seus limites incluiu, indevidamente, na linha perimétrica da Fazenda Papuda ocidental, todo o perímetro da Fazenda Rasgado, havida pelo inventariado na Divisão de 1900, mas que por este já havia sido vendida anos antes. A dita Fazenda Rasgado que pertencia, àquela época, a Delfino Machado de Araújo, que protestou contra a inclusão indevida das terras que lhe pertenciam, fazendo prova de seus títulos. Os erros foram contestados e corrigidos no processo da Ação Demarcatória de 1924/1926, requerida pelos herdeiros de Josué da Costa Meirelles, ação que não continha queixa de esbulho. Os títulos dos herdeiros foram severamente criticados pelo juiz da ação, ao perceber as alterações que eles continham desde o processo de inventário e os herdeiros foram derrotados em duas instâncias. A confusão da sobreposição de terras entre as áreas que hoje ocupam os condomínios das Etapas I e II tem como origem a falta de correção da divisa feita por acordo nos autos da Ação Demarcatória em cartório.

Mesmo com o acordo e transitada em julgado a Ação Demarcatória de 1.926, em 1956, por acordo com os herdeiros de Josué, foi feita a desapropriação, desrespeitando a linha divisória traçada pela Demarcatória, que restitua a linha divisória de 1900, incluindo na desapropriação a área que até hoje é objeto de litígio em nova demarcatória e que os moradores lutam para provar que é particular, como de fato é. O juiz julgou procedente a pretensão demarcatória, julgando como a linha divisória aquela definida pela desapropriação de 1.956, sem se ater aos fatos exaustivamente apresentados quanto a demarcatória de 1.926; a posse da área e a legitimidade do título mais antigo e com limites mais antigos e bem definidos. Reconhece que a desapropriação amigável de 1.956 seja inapta para criar, modificar ou transferir direito real e ter um certo grau de aleatoriedade, que se traduz numa inequívoca e nova situação criada de fato, estabelecida em 1.956, alegando, inclusive que não houve oposição à desapropriação e que por não ter havido registro da demarcatória de

1.926 a mesma só tem validade entre as partes e não tem efeito para terceiros. Sem cumprir os ritos processuais indispensáveis ao regular andamento do feito, foi exaustivamente chamado à ordem pelo nobre causídico Mário Gilberto quanto ao atendimento ao artigo 956 do Código de Processo Civil que estabelece: "concluídos os estudos, apresentarão os arbitradores minucioso laudo sobre o traçado da linha demarcanda, tendo em conta os títulos, marcos, rumos a fama da vizinhança, as informações dos antigos moradores do lugar e outros elementos que coligirem. Ao laudo pericial o agrimensor anexará a planta da região e o memorial das operações de campo, os quais serão juntos aos autos, podendo as partes, no prazo de 10 (dez) dias, alegar o que julgarem conveniente.", para só então o juiz decidir. Em seu relatório preliminar, diz que a nova perícia nos autos dizia respeito tão somente ao incidente de falsidade e não a demarcatória em questão, assim não haveria por que fazer as nomeações requeridas. A Terracap desistiu da perícia e do incidente de falsidade mas os réus, que nos representam nos autos, decidiram prosseguir com a perícia para definir a demarcatória. Reconhece que a perícia realizada excedeu aos fins e limites a que se destinava e alega que os atos realizados devem ser aproveitados, por fim nomeia os profissionais exigidos em lei e apresenta quesitos aos mesmos sem, no entanto, se reportar a perícia realizada no Processo.

Mesmo decidindo por sentença que a primeira matrícula de nº 13.474 é legitima, melhor posse, divisa original está preservada pela posse desde sua origem em 1.900 (113 anos), confirmada em 1.903 e em 1.926 pela Ação Demarcatória transitada em julgado o magistrado não reconhece a linha divisória nela constante. Diante de tantos fatos e provas incontestáveis, restou a TERRACAP desistir de ambas as ações, já que foram propostas por razões meramente protelatórias em razão de interesses patrimoniais de grande valor econômico e querer haver lucros com a licitação/venda direta de lotes que não lhes pertence, como foi feito com a Etapa I, em total desrespeito às leis e aos princípios que regem a Administração Pública. No pedido que formulou a desistência da ação demarcatória (fls. 1.923 do Processo) alegou que, em face de outra perícia realizada nos autos nº 2006.01.1.008100-6, em trâmite neste mesmo juízo especializado, revelou-se que já foi julgada uma outra Ação Demarcatória anterior, em 1.926, a qual transitou em julgado e assim resolveu a questão posta a julgamento nestes autos. Reconheceu que... com o advento da Ação Demarcatória de 1926 concluiu-se que o limite descrito na Transcrição nº 7.949, do Cartório do Registro de Imóveis de Luziânia GO, esta em desacordo com a Sentença que transitou em julgado em 1926. Neste momento, a posição técnica da Terracap, frente a Ação 8.100-6, contradiz a proposta inicial da Ação 3.526/86. (fl.1.926).

Os réus, que também nos representam, se manifestaram por continuarem a ação em seu interesse. O Ministério Público, que anteriormente havia solicitado a perícia, disse que não iria mais intervir na causa. Fonte: Processo nº 3.526/86 Análise pelo Adv Mário Gilberto do Laudo elaborado por Sebastião Mathias e Gerardo Magalhães