Reforço com concreto e adição de armaduras
Reforço é a correção de problemas patológicos com aumento da resistência ou ampliação da capacidade portante da estrutura.
GENERALIDADES ASPECTOS DE PROJETO ASPECTOS CONSTRUTIVOS ESTUDO DE CASO
A técnica de reforço com aumento de seção, também chamada encamisamento, consiste em envolver a seção existente com concreto novo e a armadura necessária para o reparo.
O aumento de número de barras existentes em uma estrutura pode ser: Para reforço, casos em que se pretenderá adequar ou ampliar a capacidade resistente da peça. Para recuperação, quando, por corrosão, as barras existentes perdem parte de sua seção original e necessitam de complementação para que as condições de segurança e desempenho sejam restabelecidas.
É uma técnica bastante utilizada por ter preço mais acessível dos materiais e mão de obra, podendo ser realizada, também, com concreto projetado; A principal desvantagem é a interferência arquitetônica do aumento da seção dos elementos reforçados, e; Em alguns casos, o tempo prolongado para que a estrutura possa ser liberada para utilização; O sucesso do reparo depende da boa aderência entre o concreto novo e o velho, e da capacidade de transferência de tensões entre os mesmos; A incompatibilidade entre o concreto velho e o material a ser aplicado podem gerar falhas nos reparos, principalmente devido a diferenças de deformação e retração.
A aderência entre os dois materiais pode ser melhorada com aplicação de adesivo à base de epóxi na superfície de concreto previamente preparada;
É comum admitir-se alguma redução na seção transversal da armadura existente sem que isto implique, diretamente, haver necessidade de complementação; Assim, é costume adotar-se o princípio de que a necessidade de adição de uma nova barra existe sempre que a redução da seção da barra corroída tiver ultrapassado 15%, ou seja: A ou s, corr 0,85A s Sendo ϕ eq o diâmetro que teria uma barra com a mesma A s,corr 0, 90 eq s
Os projetos de reforço devem conter os detalhamentos para: cobrimento das armaduras; espaçamento entre barras; sistemas de ancoragem e emendas; ângulos de dobramento e curvatura.
No caso de pilares, a avaliação deve considerar também: se não se estará introduzindo uma excentricidade reativa, Sendo necessário julgar, criteriosamente, o que será mais conveniente: não colocar barra; adicionar uma; ou, ao invés disto, adicionar duas ou quatro (números pares).
O comprimento de emenda deve ser suficiente para garantir que sejam transferidos para a barra de complementação os esforços que solicitam a barra corroída.
A emenda deverá ocupar o menor comprimento longitudinal possível - para que não haja necessidade de remoção adicional de concreto. Deverá ocupar o mínimo espaço transversal possível - mínima obstrução para o material cimentício de complementação. Nem sempre existirá a possibilidade de soldagem, que dependerá do tipo de aço das armaduras existentes. Nos casos em que há espaço para se fazer o trespasse, este será sempre o tipo de emenda mais recomendável. A transferência de esforços aço-concreto pode ser feita por resina epoxídica ou grout, quando a amarração é feita em função do concreto são.
Para reforço com adição de armadura, é necessário que o elemento a ser reforçado seja aliviado das cargas a que está submetido, para que as armaduras existentes não estejam prétensionadas em relação às armaduras adicionadas.
Logo que a superfície do concreto existente estiver preparada, e as armaduras, se corroídas, tratadas, são adicionadas as armaduras de reforço no entorno do elemento. A armadura de reforço deverá estar bem ancorada na região próxima aos apoios. Os estribos também deverão ser dimensionados para suportar os esforços tangenciais que podem gerar deslizamento entre o substrato e o material de reforço. Assim que as armaduras de reforço forem colocadas, são fixadas as formas para concretagem.
Recomenda-se fazer furos de 20 mm para a passagem dos estribos, que devem ser preenchidos com pasta de cimento com relação água-cimento (a/c) não superior a 0,40; As armaduras de reforço devem ser posicionadas o mais próximo possível das barras existentes, para assim minimizar as distâncias dos planos dos baricentros das duas armaduras
CORTE EM VIGA ESTRUTURAL
O dano foi causado devido a demolição parcial de um trecho da viga invertida, com intuito de executar uma abertura para a passagem de tubulação de esgoto. Houve a ruptura das barras de aço longitudinais e estribos. O dano ocorrido envolveu a retirada de parte da seção de concreto da viga, em um trecho de aproximadamente 25 cm de comprimento e; O corte de três estribos da armadura transversal e de cinco barras de aço da armadura principal longitudinal.
A ocorrência afetou 20% da seção transversal da viga, reduzindo seus coeficientes de segurança de projeto, conforme cálculo do ELU - Estado Limite Último da NBR 6118.
Para retornar a condição inicial de projeto dos coeficientes de segurança é necessário substituir as barras de aço danificadas e recompor o concreto. O tipo de concreto recomendado é o micro fluido (graute) que possui características de alta resistência e alta trabalhabilidade.