Choque Elétrico Efeitos da corrente elétrica. Medidas de Prevenção.
O que é um choque elétrico? Choque elétrico é a perturbação que ocorre no organismo humano quando percorrido por uma corrente elétrica. A gravidade depende: - Da intensidade da corrente elétrica e da duração do choque. - Do percurso e da forma como a corrente elétrica se espalha no corpo humano. - Da freqüência de oscilação da corrente elétrica. - Da tensão (voltagem) - Das condições da pele humana e da saúde da pessoa.
O choque mais comum é aquele em que uma pessoa segura o fio FASE descascado. Neste caso a corrente elétrica descarrega para a Terra através do corpo humano que conduz eletricidade. O choque pode ser evitado se a pessoa estiver usando, por exemplo, um sapato ou tênis com solado de borracha. Muitas vezes não é necessário segurar no fio FASE para levar choques. Basta encostar a mão na carcaça do aparelho. Isto pode ocorrer, por falta de isolação ou pela ausência de fio Terra. O fio FASE pode estar encostando na carcaça metálica da geladeira, do chuveiro ou de qualquer outro aparelho eletrodoméstico.
Choque Fase/Fase O pior dos choques ocorre quando a pessoa segura 2 fios fases (220 V). A pessoa se transforma numa resistência elétrica humana. A corrente elétrica entra por um dos braços, passando ao longo do tronco, atinge o coração e sai pelo outro braço, fechando o circuito. O grande perigo é que neste caso a corrente passa pelo coração podendo produzir fibrilações e até a sua paralisia.
A RESISTÊNCIA DO CORPO HUMANO Ri2 200 Ω Ri3 100 Ω Ri1 200 Ω Rit 500 Ω INTERNA 500 Ω EXTERNA pele úmida 0 Ω pele seca de 1000 a 2000 Ω
Calculemos a quantidade de corrente que pode transitar pelo corpo humano para uma tensão residual de 110 V : E R = Resistência (Ω) E = Tensão (V) I = Intensidade de corrente (A) R I Ω = ohm. V = Volt. A = Ampére. C = contato H = humano COM A PELE SECA COM A PELE ÚMIDA Rt = RC + RH = 2000 + 500 = 2500 Ω E 110 I = = = 0,044 A ou 44 ma R 2500 Rt = RC + RH = 0 + 500 = 500 Ω E 110 I = = = 0,22 A ou 220 ma R 500
Efeitos do Choque Elétrico Os músculos se contraem sob ação de uma corrente elétrica. Dependendo da intensidade da corrente elétrica, poderá haver grande contração muscular, com efeitos diferentes, como nos dois exemplos a seguir: O choque gruda : Segurar com a mão, a fase da rede elétrica sem isolamento.a passagem da corrente elétrica provoca contração involuntária dos músculos, fazendo com que a mão aperte mais fortemente o fio, e melhore ainda mais o contato, impedindo a soltura da mesma. Neste caso, a mão fica grudada no fio. O choque joga para trás : Uma pessoa se abaixa e apenas toca na fase sem isolamento. Se houver um bom contato dos pés com a Terra, a corrente elétrica passará pelos braços, passará pelas pernas, e escoará para a Terra. Isto acontece instantaneamente ocasionando uma rápida contração dos músculos das costas e das pernas. Como conseqüência, a pessoa dá um pulo é "jogada para trás". Em ambos os casos, o fator fundamental para o choque elétrico foi o contato da mão (ou qualquer outra parte do corpo) com uma das fases da rede elétrica e o contato da pessoa com a Terra.
Térmicos Queimaduras decorrentes da grande quantidade de corrente elétrica, gerando calor (Efeito Joule). Fibrilação ventricular A grande causa de morte em acidentes com eletricidade se deve principalmente ao efeito da fibrilação ventricular, que se caracteriza por movimentos irregulares e não coordenados dos ventrículos do coração. Isto causa uma grande diminuição na ação de bombeamento sangüíneo, que se não for rapidamente restabelecido, leva o indivíduo à morte. Curiosidade É preciso dar um outro choque para anular um efeito de um choque elétrico. Um remédio para a fibrilação ventricular é a passagem de uma corrente elétrica pelo coração, por meio de um sistema chamado de desfibrilador. Este aparelho fornece correntes de aproximadamente 6 A, para tentar restabelecer o batimento cardíaco normal.
Riscos mais casuais. 1. Superfície energizadas: a) Carcaça de motores. b) Aparelhos eletrodomésticos. c) Chão, paredes e tetos. d) Torneiras e chuveiros. e) Cercas, grades e muros. f) Caixas de controle de medição de energia. g) Postes energizados. h) Chão energizado em volta do poste. i) Luminárias energizadas. j) Painéis e conduites. 2. Fios e cabos com isolamento deficiente: a) Isolamento com defeito de fábrica. b) Isolamento velho e partido. c) Isolamento danificado por objetos pesados. d) Isolamento rompido por roedores. e) Isolamento super aquecido. 3. Redes aéreas energizadas: a) Construção em baixo das linhas. b) Sacadas próximas das redes. c) Podas de árvores. d) Antenas, guindastes, basculantes, pulverizadores. e) Empinar papagaios (linha met. e dias chuvosos). f) Bambus e outros objetos longos. (Filme) 4. Redes aéreas desenergizadas: a) Residual capacitivo. b) Gerador particular. c) Alimentação através da BT via transformador. d) Efeitos da indução de outras linhas que passam bem próximas. e) Energizamento através de manobras incorretas.
O papel do aterramento (fio terra) É conveniente que todos os aparelhos elétricos fixos como a geladeira o chuveiro elétrico e outros equipamentos sejam aterrados. Numa geladeira aterrada o risco de um choque elétrico é minimizado, pois a corrente elétrica devido à energização da carcaça metálica escoa para a terra, não pelo corpo humano, mas pelo fio terra que oferece menor resistência ao fluxo da corrente elétrica.
Figura 1 = TN-C Tipos de Aterramento Esquema TN Figura 2 = TN-S L1 L2 L3 PEN L1 L2 L3 N PE Aterramento de alimentação Massa Figura 3 = TN-CS Aterramento de alimentação Massa L1 L2 L3 PEN N A corrente de curto circuito fase / massa esta limitada na impedância interna do trafo e na impedância dos cabos. A tensão que aparece na carcaça do equipamento depende da impedância do cabo e quanto maior seu comprimento maior a tensão UF. Aterramento de alimentação Massa
Esquema TN
Tipos de Aterramento Esquema TT L1 L2 L3 N PE Aterramento de alimentação Massa Para o esquema TT, somente fazer o aterramento da massa não garante a proteção pois a tensão que surge depende da resistência do aterramento, sendo assim é necessário a instalação de dispositivo de seccionamento automático em um tempo adequado toda vez que houver uma falta fase / massa.
Tipos de Aterramento Esquema IT L1 L2 L3 N Aterramento de alimentação Massa PE Para o esquema IT, somente fazer o aterramento da massa não garante a proteção pois a tensão que surge depende da resistência do aterramento, sendo assim é necessário a instalação de dispositivo de seccionamento automático em um tempo adequado toda vez que houver uma falta fase / massa.
Esquema TT /IT
Efeitos da Corrente Elétrica Corrente (freqüência de 60Hz) Duração Efeitos prováveis 0 a 0,3 ma Qualquer Nenhum 0,3 a 0,6 ma Qualquer Limiar da percepção 1 a 10 ma Qualquer Dor Contração muscular Descontrole muscular 10 a 25 ma Minutos Contração muscular Dificuldade respiratória Aumento da pressão arterial 25 a 50 ma Segundos Paralisia respiratória Fibrilação ventricular Inconsciência 50 a 200 ma Mais de um ciclo cardíaco Fibrilação ventricular Paralisia respiratória Inconsciência Marcas visíveis Mais de 200 ma Mais de 200 ma Menos de um ciclo cardíaco Mais de um ciclo cardíaco Fibrilação ventricular Inconsciência Marcas visíveis Parada cardíaca Inconsciência Queimadura
Prevenção 1. Evitar tocar em fios sem saber se estão ligados na rede elétrica, muito menos se estiverem desencapados; 2. Aterrar os equipamentos de maior potência, como geladeira, forno de microondas e ar condicionado; 3. Revisar as instalações elétricas da casa regularmente por pessoa habilitada; 4. Evitar benjamins e não ligar vários aparelhos na mesma tomada; 5. Usar sapatos em casa, de preferência com solado de material isolante, como borracha; 6. Colocar protetores nas tomadas para prevenir choques em crianças??? 7. Desligar disjuntores sempre que for mexer na rede elétrica da casa, mesmo para trocar uma lâmpada; 8. Nunca tentar consertar aparelhos elétricos e eletrônicos em casa; 9. Nunca mexer em conexões e fios de extensão ligados na tomada; 10. Isolar as instalações do material combustível; 11. Não usar fusíveis de capacidade acima da indicada; 12. Não colocar arames ou moedas no lugar de fusíveis; 13. Nunca deve haver qualquer aparelho elétrico ao alcance de quem se encontra imerso em uma banheira ou piscina ou em banho de chuveiro; 14. Com as mãos, roupas ou calçados molhados, não mexer em eletricidade; 15. Crianças não devem soltar pandorgas perto de fios de eletricidade; 16. Não deixe ventiladores ligados ao alcance de crianças; 17. Ao sair de casa verifique se eletrodomésticos, tais como rádios, ar condicionado, aparelhos de som e aquecedores elétricos estão desligados; 18. Nunca use um fio ligado diretamente na tomada sem a flecha; 19. Nunca puxe pelo fio ao desligar aparelho da tomada.
Uso da Extra Baixa Tensão de Segurança A NBR-5410 no item 5.1.2.5, trata do uso da extra baixa tensão como proteção básica, dispensando o uso de barreiras ou invólucros se; a) a tensão nominal do sistema SELV ou PELV não for superior a 25V, valor eficaz, em corrente alternada, ou a 60V em corrente contínua sem ondulação, e o sistema for usado sob condições de influências externas cuja severidade, do ponto de vista da segurança contra choques elétricos, não ultrapasse aquela correspondente à situação 1 do anexo C;ou b) a tensão nominal do sistema SELV ou PELV não for superior a 12V, valor eficaz, em corrente alternada, ou a 30V em corrente contínua sem ondulação, e o sistema for usado sob condições de influências externas cuja severidade, do ponto de vista da segurança contra choques elétricos, não ultrapasse aquela correspondente à situação 2 do anexo C;e c) adicionalmente, no caso de sistemas PELV, se as massas e ou partes vivas cujo aterramento for previsto estiverem vinculadas, via condutores de proteção,à equipotencialização principal.
Índices referente a aplicação da extra baixa tensão conforme normas NBR-5410 Anexo C. Anexo C (normativo) - Resumo da aplicação: Influências externas e proteção contra choques elétricos Influências externas determinantes Anexo C BB = resistência elétrica do corpo humano (tabela 19); BC = contato das pessoas com o potencial da terra (tabela 20). NOTA: As outras condições de influências externas praticamente não têm influência no quadro da proteção contra choques elétricos, mas são particularmente consideradas no que diz respeito à seleção dos componentes. Situações 1, 2 Definem-se, em função das influências externas BB (tabela 19) e BC (tabela 20), as situações 1, 2 caracterizadas na tabela C.1. Para uma combinação de influências externas BB e BC, a situação a ser considerada é a mais severa ditada por qualquer das influências externas (BB ou BC) isoladamente. Tabela C.1 Situações 1, 2 Condição de influência externa Situação BB1, BB2 Situação 1 BC1, BC2, BC3 Situação 1 BB3 Situação 2 BC4 Situação 2
4.2.6.2 Utilização 4.2.6.2.2 Resistência elétrica do corpo humano Tabela 19 Resistência elétrica do corpo humano Código Classificação Características Aplicações e exemplos BB1 Alta Condições secas Circunstâncias nas quais a pele está seca (nenhuma umidade, inclusive suor) BB2 Normal Condições úmidas Passagem da corrente elétrica de uma mão à outra ou de uma mão a um pé, com a pele úmida de suor, sendo a superfície de contato significativa BB3 Baixa Condições molhadas Passagem da corrente elétrica entre as duas mãos e os dois pés, estando as pessoas com os pés molhados ao ponto de se poder desprezar a resistência da pele e dos pés
4.2.6.2.3 Contato das pessoas com o potencial da terra Tabela 20 Contato das pessoas com o potencial da terra Código Classificação Características Aplicações e exemplos BC1 Nulo Locais não condutivos Locais cujo piso e paredes sejam isolantes e que não possuam nenhum elemento condutivo BC2 Raro Em condições habituais, as pessoas não estão em contato com elementos condutivos ou postadas sobre superfícies condutivas BC3 Frequente Pessoas em contato com elementos condutivos ou postadas sobre superfícies condutivas BC4 Contínuo Pessoas em contato permanente com paredes metálicas e com pequena possibilidade de poder interromper o contato Locais cujo piso e paredes sejam isolantes, com elementos condutivos em pequena quantidade ou de pequenas dimensões e de tal forma a probabilidade de contato possa ser desprezada Locais cujo piso e paredes sejam condutivos ou que possuam elementos condutivos em quantidade ou de dimensões consideráveis Locais como caldeiras ou vasos metálicos, cujas dimensões sejam tais que as pessoas que neles penetrem estejam continuamente em contato com as paredes. A redução da liberdade de movimentos das pessoas pode, por um lado, impedi-las de romper voluntariamente o contato e, por outro, aumentar os riscos de contato involuntário
Referências - NBR-5410 Instalações Elétricas de Baixa Tensão