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Transcrição:

Estrelas binárias e estrelas variáveis Laurindo Sobrinho 24 de novembro de 2012 1

Sistemas binários: Aparentes as duas estrelas estão apenas na mesma linha de visão mas não têm qualquer relação entre si. Visuais conseguimos ver as duas estrelas. Espetroscópicos não conseguimos ver as duas estrelas mas sabemos que estão lá... 2

Binário visual Universidade da Madeira Sistema binário 70 Ofiúco com período próximo de 88 anos. http://www.physics.unc.edu/~evans/pub/a31/lecture16-stars/ 3

Binário espetroscópico A partir do espetro e tendo em conta o efeito Doppler podemos obter diversa informação sobre o sistema: http://www.physics.unc.edu/~evans/pub/a31/lecture16-stars/ 4

Binário eclipsantes Se o plano orbital do sistema binário estiver de frente para nós então podemos observar eclipses que podem ser totais ou parciais. Isso acontece tanto no caso dos binários visuais como no caso dos binários espectroscópicos. Da curva de luz resultante de um eclipse podemos obter informação sobre as órbitas, os raios das estrelas, as suas massas, atmosferas, composição,... 5

http://www.physics.unc.edu/~evans/pub/a31/lecture16-stars/ Sistema binário com eclipses totais Neste exemplo a estrela mais pequena é a mais brilhante. Quando esta se esconde completamente por detrás da estrela maior temos um eclipse total e o brilho do sistema cai bastante. 6

http://www.physics.unc.edu/~evans/pub/a31/lecture16-stars/ Sistema binário com eclipses parciais A estrela azul é a mais brilhante. Neste caso os eclipses são parciais pois a curva de luz ao atingir o valor mais baixo começa logo a subir. Uma das estrelas nunca esconde completamente a outra. 7

Binário próximo Universidade da Madeira Binário próximo - sistema binário em que as estrelas estão de tal forma próximas uma da outra que as forças de maré são capazes de alterar a própria estrutura de cada uma das estrelas. A energia utilizada no processo é proveniente da energia rotacional do par. Eventualmente as órbitas acabam por se tornarem, circulares e as duas estrelas por manter sempre a mesma face virada uma para a outra (rotação sincronizada). http://nrumiano.free.fr/pagesu/elexique.html 8

Superfícies equipotenciais num sistema binário. No ponto de Lagrange L1 a atração das gravítica das duas massas cancelamse mutuamente. Pelo ponto L1 pode ocorrer a transferência de massa. http://astro1.panet.utoledo.edu/~lsa/_inter/sie13.htm 9

Diferentes tipos de binários próximos: Universidade da Madeira Destacado Contacto Semi-destacado Contacto saturado http://user.physics.unc.edu/ evans/pub/a31/lecture18-stellar-evolution/ 10

Se a orientação do plano orbital for a adequada os binários próximos também podem ser binários eclipsantes. Algol é um binário próximo semi-destacado e eclipsante A estrela mais pequena é uma gigante vermelha que já transferiu no passado muita da sua massa para a sua companheira (uma estrela da sequência principal). http://user.physics.unc.edu/ evans/pub/a31/lecture18-stellar-evolution/ 11

Beta-Lyra é um binário próximo semi-destacado e eclipsante Semelhante aos binários do tipo Algol mas aqui existe a transferência de massa da estrela maior para a mais pequena em torno da qual se forma um disco de agregação de matéria. A curva de luz revela a existência do disco. http://user.physics.unc.edu/ evans/pub/a31/lecture18-stellar-evolution/ 12

W UMa é um binário próximo saturado e eclipsante As duas estrelas partilham as altas camadas das suas atmosferas http://user.physics.unc.edu/ evans/pub/a31/lecture18-stellar-evolution/ 13

Gigante vermelha + anã branca - se a transferência de matéria entre a gigante vermelha e a anã branca for gradual então podem ocorrer ocasionalmente explosões termonucleares, designadas por Novas, sobre a anã branca. Se o processo se repetir regularmente então temos uma Nova Recorrente http://chandra.harvard.edu/photo/2001/v1494aql/ 14

Gigante vermelha + anã branca - se a transferência de matéria entre a gigante vermelha e a anã branca for muito intensa com a massa desta a ultrapassar 1.4 massas solares então existe uma explosão que desintegra completamente a anã branca. Esta explosão designa-se por Supernova Ia. http://chandra.harvard.edu/xray_sources/supernovas.html 15

Binários de raios X - Sistemas binários em que uma das componentes é uma estrela de neutrões ou um buraco negro. Esta componente ao atrair gás da outra estrela forma um disco de agregação de matéria ao seu redor. As altas temperaturas verificadas neste disco levam à emissão de raios X. http://imagine.gsfc.nasa.gov/docs/science/know l2/black holes.html 16

Estrelas variáveis Estrelas variáveis do tipo Mira: gigantes vermelhas em fase terminal. Estas estrelas perdem massa a bom ritmo. No processo elas ora expandem-se ora contraem-se por períodos que podem ir de poucos meses a mais de um ano podendo variar bastante em brilho. A variável do tipo Mira Chi Cyg) http://chandra.harvard.edu/edu/formal/variable_stars/bg_info.html 17

RR Lyrae - São estrelas velhas que já consumiram todo o hidrogénio estando nesta fase a queimar o hélio. Com a fusão do hélio já não se atinge um bom equilíbrio hidrostático como na fase de sequência principal. É esta falta de equilíbrio a responsável pelas pulsações. Todas as RR Lyrae têm a mesma magnitude absoluta pelo que são um bom indicador para o cálculo de distâncias. http://spiff.rit.edu/classes/phys230/lectures/mw_size/mw_size.html 18

Cefeides estrelas variáveis que apresentam uma relação entre o seu período de pulsação e a respetiva luminosidade (ou magnitude absoluta). Sabendo o período de uma Cefeide e o seu brilho aparente podemos assim determinar a sua distância. http://zebu.uoregon.edu/~soper/milkyway/cepheid.html 19

Estrelas variáveis e o diagrama HR: As Cefeidas e as RR Lyra encontram-se sobre a chamada faixa de instabilidade. As Mira são as mais comuns no grupo das variáveis de período longo. http://user.physics.unc.edu/ evans/pub/a31/lecture18-stellar-evolution/ 20

http://chandra.harvard.edu/edu/formal/variable_stars/bg_info.html 21

http://www3.uma.pt/investigacao/astro/grupo/index.htm astro@uma.pt (c) da Universidade da Madeira 2012 22