Manejo de cultivos transgênicos

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUIZ DE QUEIROZ DEPARTAMENTO DE GENÉTICA LGN0313 Melhoramento genético. Recursos genéticos

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Transcrição:

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUIZ DE QUEIROZ DEPARTAMENTO DE GENÉTICA LGN0313 Melhoramento Genético Manejo de cultivos transgênicos Prof. Roberto Fritsche-Neto roberto.neto@usp.br Piracicaba, 29 de fevereiro e 1 de março de 2016

Introdução Os métodos convencionais de melhoramento apresentam algumas limitações: - barreira sexual entre espécies e filos - redução do pool gênico trabalhado (intraespecífico) - tempo necessário para transferir caracteres desejáveis - ligação gênica A transformação genética de plantas é uma boa alternativa para superar essas dificuldades É a introdução controlada de segmentos específicos de DNA em um genoma receptor

Convencional x Transformação CONVENCIONAL PLANTA DOADORA x CULTIVAR COMERCIAL NOVO CULTIVAR CARACTERÍSTICA DESEJADA VÁRIAS CARACTERÍSTICAS CARACTERÍSTICA DESEJADA TRANSFORMAÇÃO GENÓTIPO DOADOR CULTIVAR COMERCIAL NOVO CULTIVAR + CARACTERÍSTICA DESEJADA APENAS A CARACTERÍSTICA DESEJADA É TRANSMITIDA

Transgênicos no Brasil

Por que tem crescido tanto o seu cultivo? Considerando apenas os principais eventos disponíveis - Resistencia a insetos e a herbicidas Inúmeros os benefícios...... para o produtor... para o Meio Ambiente... para o consumidor Menor custo de produção, facilidade de manejo da cultura e maior produtividade Menor exposição a produtos químicos Conservação da biodiversidade, da qualidade da água e dos solos, etc. Facilita a adoção da agricultura autossustentável Melhor qualidade dos alimentos: menor teor de resíduos de defensivos agrícolas

Evento RR (Roundup Ready) Resistência ao herbicida glifosato Enzima EPSPS Síntese se de aminoácidos aromáticos. Ex. triptofano

Evento Bt Bacillus thuringiensis (Cry 1Ab, 1Ac, 1F, 3A, 3Bb1) Resistência a lagartas. Ex. cartucho e da espiga Convencional Milho Bt

Feijão transgênico EMBRAPA 5.1 1º OGM produzido por uma instituição pública brasileira Resistência ao mosaico dourado Perdas de 40 a 100% da lavoura Forma de Controle: Inseticidas para a mosca branca 70 pesquisadores envolvidos Estudos iniciais: 2000 Obtenção da planta: 2004 Pesquisa: 2010 Aprovação para registro da CTNBio: 2011

Efeito nos sistemas de produção Mudanças significativas nas técnicas de cultivos Principalmente devido a mudança nos tratos culturais Ex. Uso de defensivos: produto, estádio, aplicações, custo, etc. Visa também: - a sustentabilidade das tecnologias - manter a produtividade, qualidade, e rentabilidade do agricultor Tecnologias isoladas não são a salvação da lavoura! Parte do manejo integrado de pragas, doenças e daninhas

Áreas de refúgio para cultivos com o Bt Não Controlado Controlado Controlado

Recomendações gerais para o refúgio Usar um híbrido de ciclo vegetativo similar, o mais próximo possível e ao mesmo tempo em que o cultivar Bt Compor um bloco do cultivar não-bt que se encontre a menos de 800 metros do Bt Deve ser plantado na mesma propriedade do cultivo do Bt Não misturar sementes do cultivar não-bt com o Bt ATENÇÃO! Se a população de pragas-alvo atingir o nível de dano econômico no refúgio, usar inseticidas que não a base de Bt

Eventos de resistência a herbicidas Prática inadequada! Soja RR Safra 2013/14 Milho RR Safrinha 2014 Algodão RR Safra 2014/15 Controle de daninhas Alta pressão de seleção Glifosato (Roundup) Glifosato Glifosato Rotação não só de culturas, mas também de eventos e herbicidas Amônio-glufosinato, Imidazolinonas, 2,4D e Roundup

Por que manejar herbicidas? Plantas voluntárias de Milho tolerante a glifosato na Soja tolerante a glifosato

Quais as tendências do mercado? Stackeamento: cultivares com oito ou mais eventos Refúgio no saco de sementes 1 a 5% USA: mais de 24 eventos para milho - Tolerância à seca, nutricional e bioenergia Gerações de transgênicos - 1º Processo produtivo: características agronômicas - resistência a doenças, a insetos e tolerância a herbicidas - 2º Beneficia o consumidor: características nutricionais e de conservação pós-colheita - 3º Plantas como biofábricas: síntese de vacinas, hormônios, anticorpos, polímeros, etc.

Gene de Florescimento desligado Variedade - Convencional Variedade - Transgênica

2ª Geração - Exemplos Tomate Flavr Sarv. retarda o amadurecimento gene antisenso Arroz dourado alta produção de betacaroteno (provitamina A) Narciso Arroz

Pontos a evoluir... Promotor - não constitutivos - expressão apenas em regiões ou condições específicas - economia de energia plantas C3 Local de transformação Direcionamento de proteinas RNAi Codon usage

Considerações finais Toda tecnologia tem vida útil Cuidado com as conversas de vendedor Para tudo há recomendações de uso Evitar apenas o lucro momentâneo Para muitos erros não há solução fácil e barata

Referências Albrecht LP & Missio RF (2013) Manejo de cultivos transgênicos. UFPR, Curitiba, 139p. Brasileiro ACM & Carneiro VTC (1998) Manual de transformação genética de plantas. Embrapa Cenargen, Brasília. 176p. Diola V et al (2013) Prospecção de genes de interesse. In: Borem A & Fritsche-Neto R (Ed.) Biotecnologia aplicada ao melhoramento de plantas. Editora Suprema, Visconde do Rio Branco, p. 189-228. Zerbini FM et al (2013) Plantas transgênicas. In: Borem A & Fritsche-Neto R (Ed.) Biotecnologia aplicada ao melhoramento de plantas. Editora Suprema, Visconde do Rio Branco, p. 229-266.