PORTARIA SMS Nº 459, DE 22-03-2017 Dispõe sobre a classificação, quanto ao risco sanitário, das atividades codificadas conforme a Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE cuja Licença Sanitária é obrigatória para funcionamento no Município de Fortaleza, e dá outras providências. A SECRETÁRIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE FORTALEZA, no uso de suas atribuições legais instituídas pelo art. 299 da Lei Orgânica do Município de Fortaleza, em especial no que lhe confere o art. 69, inciso X, da Lei Complementar n 0176, de 19 de dezembro de 2014, art. 5, inciso X do Decreto n 13.922 de 12 de dezembro de 2016 e, ainda, conforme Lei Federal n. 8080 de 19/09/90, artigos 18, IV, b, bem como Código de Saúde do Município de Fortaleza, Lei 4.950 de 30/11/77, artigos 1 e 3, c, e; CON- SIDERANDO que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, conforme estabelecido no art. 196 da Constituição Federal de 1988. CONSIDERANDO que os serviços de saúde são de relevância pública, estando sujeitos à regulmentação, fiscalização e controle pelo Poder Público, conforme preconiza o art. 197 da CF/88. CONSIDERANDO que o Sistema Único de Saúde consagrado constitucionalmente, atribui competência legal para que o Município execute ações de Vigilância Sanitária e controle de avaliação quando tais forem necessários para manutenção da qualidade dos serviços de saúde prestados. CONSIDERANDO a necessidade de manter os serviços de saúde em elevada qualidade, isentando a população de risco e outros agravos à saúde. CONSIDERANDO as diretrizes nacionais para simplificação e integração dos procedimentos de licenciamento sanitário no âmbito da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios - REDESIMPLES. CONSIDERANDO avaliação do risco no tocante à atividade desenvolvida, população exposta de consumidores e complexidade dos processos e procedimentos envolvidos. RESOLVE:
Art. 1. Estabelecer, na forma do Anexo Único desta Portaria, a classificação, quanto ao risco sanitário, das atividades codificadas conforme a Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE cuja Licença Sanitária é obrigatória para funcionamento no Município de Fortaleza. 1 - A classificação do risco sanitário realizada pela Secretaria Municipal de Saúde contempla todas as atividades previstas na CNAE que estão sob o campo de atuação da Vigilância Sanitária; 2 - As atividades econômicas cujo licenciamento sanitário não se aplica, não são objetos de atuação da Vigilância Sanitária, devendo ser observado o disposto no 3 deste artigo. 3 - Todas as atividades econômicas previstas nesta Portaria, incluindo as atividades não classificadas pela vigilância sanitária, não se eximem da possibilidade de registro e legalização por outros órgãos competentes, no que se refere aos requisitos de controle ambiental, saúde do trabalhador, prevenção contra incêndios, controle de produtos de origem animal e vegetal, metrologia, dentre outros. Art. 2 - Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; II -o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Art. 3 - A licença sanitária é o documento que formaliza o controle sanitário do estabelecimento, visando garantir boas condições de funcionamento no tocante à saúde da população. Os critérios para a sua exigibilidade e concessão são a seguir regulamentados, passando o mesmo a ser emitido por meio eletrônico. 1 - A licença sanitária será concedida para as atividades realmente desenvolvidas pelo Setor Regulado, sendo estas listadas no termo fiscal de acordo com o código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) para fins de expedição da referida licença.
2 - A licença sanitária deverá ser afixada em local visível ao público, observando sua validade, conforme prevista em lei, devendo ser renovada por períodos iguais e sucessivos. 3 - A renovação da licença sanitária deverá ser requerida para atividades classificadas como alto risco sanitário, até 30 (trinta) dias antes do término do seu prazo de validade. 4 - A licença sanitária será expedida eletronicamente e produz todos os efeitos previstos na legislação, cabendo a qualquer interessado verificar sua autenticidade através do sítio da Prefeitura Municipal de Fortaleza na internet. 5 - Mesmo durante o prazo de validade, a licença sanitária poderá ser cassada, após decisão proferida em processo administrativo sanitário instaurado em virtude de infração às normas sanitárias. Art. 5 - Para os fins de licenciamento das atividades econômicas sujeitas à vigilância sanitária têm-se as seguintes disposições: I - Atividade econômica: o ramo de atividade identificada a partir da Classificação Nacional de Atividades Econômicas -CNAE regulamentada pela Comissão Nacional de Classificação - CONCLA;, II - Risco: nível de perigo potencial de ocorrência de danos à integridade física e à saúde humana, ao meio ambiente ou ao patrimônio em decorrência de exercício de atividade econômica. Risco potencial diz respeito à possibilidade de ocorrência de evento que poderá ser danoso para a saúde; ou seja, refere-se à possibilidade de algo - produto, processo, serviço, ambiente - causar direta ou indiretamente dano à saúde. III - Risco sanitário: probabilidade de ocorrência de um agravo ou dano, que pode ameaçar a saúde de pessoa ao consumir um produto ou ao utilizar determinado serviço. IV - Perigo é uma condição ou um conjunto de circunstâncias que têm o potencial de causar ou contribuir para uma lesão ou morte. Um perigo é um agente químico, biológico ou físico ou um conjunto de condições que apresentam uma fonte de risco. V - Atividade econômica de alto risco: as atividades econômicas, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, que exigem vistoria prévia por parte do Órgão de Vigilância Sanitária responsável pela emissão de licença sanitária.
VI - Atividade econômica de baixo risco: atividade econômica que permite o início de operação do estabelecimento sem a necessidade da realização de vistoria prévia para a comprovação do cumprimento de exigências, por parte do Órgão de Vigilância Sanitária responsável pela emissão de licença sanitária, conforme relação CNAE disposta no Anexo Único desta Portaria; a) Para as atividades de baixo risco, o licenciamento será automático com o preenchimento de formulários e envio de documentações e declarações on line, por meio de um sítio (endereço eletrônico) do poder público em sistema eletrônico via web rede mundial de computadores. b) O fornecimento de informações e declarações prestadas implica na responsabilização do empresário, pessoa física ou jurídica, na implementação e manutenção dos requisitos de segurança sanitária, sob pena de aplicação de sanções cabíveis. c) A classificação do baixo risco sanitário tem finalidade de proporcionar maior agilidade ao inicio de uma atividade. Porém, o cumprimento das normativas está mantido e a inspeção poderá ocorrer a qualquer momento, desencadeando medidas legais cabíveis. VII - Inspeção sanitária: ato administrativo, decorrente do exercício do poder de polícia, pelo qual a vigilância sanitária, verifica "in loco", se as exigências ao exercício da atividade de interesse à saúde estão condizentes com as normas sanitárias; VIII - Entende-se por autoridade sanitária fiscal o servidor público efetivo com poder de polícia e competência na área de saúde, com poderes legais para executar ações de fiscalização no âmbito de abrangência da Vigilância Sanitária no Município de Fortaleza. IX - Boas Práticas sanitárias: conjunto de medidas que devem ser adotadas a fim de garantir a qualidade sanitária e a conformidade dos produtos e serviços com os regulamentos técnicos; X - O setor regulado é composto por prestadores de serviços e de estabelecimentos no âmbito de abrangência da Vigilância Sanitária; XI- Gerenciamento de risco: conjunto de técnicas de abordagem, com vistas à análise qualitativa e quantitativa dos eventos, para identificação, avaliação, comunicação e tratamento dos riscos;
XII - Monitoramento pós uso: ações de monitoramento de produtos e serviços com vista à prevenção do risco sanitário. Ações de verificação da conformidade dos produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária poderão ser realizadas por meio de inspeções, análises laboratoriais e de rotulagem e levantamento e gestão de denúncias e informações recebidas para a prevenção de riscos e agravos à população. Art. 6 - Após a concessão da licença sanitária, o interessado deverá empenhar- se para cumprir a legislação sanitária, ficando sujeito a fiscalizações na forma da lei. Art. 7 - O Anexo Único desta Portaria estará sujeito a revisão, conforme decisão fundamentada desta Secretaria com vistas ao pleno desenvolvimento de seu cumprimento. Art. 8 - O não cumprimento dos dispositivos deste instrumento implicará na aplicação das penalidades previstas na Lei Municipal N. 8.222, de 28 de dezembro de 1998 ou em lei que venha alterá-la ou substituí-la. Art. 9 - Esta portaria entrará em vigor na data de sua Publicação. Ficando revogada a Portaria SMS n 186/2012 e demais normas com disposições em contrário. Registre-se, publique-se e cumpra-se. Fortaleza/CE, 22 de março de 2017. Joana Angélica Paiva Maciel - SECRETÁRIA MUNICIPAL DA SAÚDE.