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Dados Básicos. Ementa. Íntegra. Fonte: Tipo: Acórdão STJ. Data de Julgamento: 19/03/2013. Data de Aprovação Data não disponível

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Transcrição:

RECURSO ESPECIAL Nº 820.018 - MS (2006/0028401-0) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL ADVOGADO : NELSON BUGANZA JUNIOR EMENTA PENAL. EXPLORAÇÃO SEXUAL. ART. 244-A DO ECA. RÉUS QUE SE APROVEITAM DOS SERVIÇOS PRESTADOS. VÍTIMAS JÁ INICIADAS NA PROSTITUIÇÃO. NÃO-ENQUADRAMENTO NO TIPO PENAL. EXPLORAÇÃO POR PARTE DOS AGENTES NÃO-CONFIGURADA. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1.O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que o crime previsto no art. 244-A do ECA não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de exploração sexual nos termos da definição legal. Exige-se a submissão do infante à prostituição ou à exploração sexual, o que não ocorreu no presente feito. REsp 884.333/SC, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 29/6/07. 2. Recurso especial improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, "Prosseguindo no julgamento, por unanimidade, conhecer do recurso, mas lhe negar provimento. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi, Felix Fischer e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 05 de maio de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 1 de 6

RECURSO ESPECIAL Nº 820.018 - MS (2006/0028401-0) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL ADVOGADO : ABADIO MARQUES DE REZENDE E OUTRO RELATÓRIO MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA: Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça local que deu provimento ao recurso da defesa para absolver os réus do crime de exploração sexual, nos termos da seguinte ementa (fl. 1.535): APELAÇÃO CRIMINAL - INFRAÇÃO AOS TERMOS DOS ARTIGOS 244-A E 241 DO ECA - ALEGAÇÃO DE QUE AS VÍTIMAS TERIAM SIDO EXPLORADAS SEXUALMENTE PELOS AGENTES - INEXISTÊNCIA DE UM DOS CRIMES - MENORES JÁ CORROMPIDAS - PROSTITUTAS RECONHECIDAS - CONSENTIMENTO VÁLIDO - CRIME INEXISTENTE - MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO PELO CRIME DO ARTIGO 241 DO ECA - PROVIMENTO PARCIAL. Não há falar em crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente, só pelo fato de os agentes terem se relacionado sexualmente com as menores, mormente quando estas já estão corrompidas, por serem prostitutas reconhecidas. Mantém-se a condenação pelo crime do artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, quando verificado que o agente fotografou as menores desnudas em poses pornográficas, que representam atos obscenos que depõem contra o seu interesse e dignidade, podendo ser exploradas comercialmente. Sustenta o recorrente violação do art. 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente. Aduz que o fato de as vítimas menores de idade já serem corrompidas não exclui a ilicitude do crime de exploração sexual (fl. 1.713) Requer o provimento do presente feito para que seja anulado o acórdão recorrido e restabelecida a sentença de primeiro grau. 1.850/1.856). Foram apresentadas contrarrazões às fls. 1.753/1.783. O Ministério Público Federal opinou pelo provimento do recurso especial (fls. É o relatório. Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 2 de 6

RECURSO ESPECIAL Nº 820.018 - MS (2006/0028401-0) EMENTA PENAL. EXPLORAÇÃO SEXUAL. ART. 244-A DO ECA. RÉUS QUE SE APROVEITAM DOS SERVIÇOS PRESTADOS. VÍTIMAS JÁ INICIADAS NA PROSTITUIÇÃO. NÃO-ENQUADRAMENTO NO TIPO PENAL. EXPLORAÇÃO POR PARTE DOS AGENTES NÃO-CONFIGURADA. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1.O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que o crime previsto no art. 244-A do ECA não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de exploração sexual nos termos da definição legal. Exige-se a submissão do infante à prostituição ou à exploração sexual, o que não ocorreu no presente feito. REsp 884.333/SC, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 29/6/07. 2. Recurso especial improvido. VOTO MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA(Relator): Dispõe o art. 244-A do ECA, in verbis: Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2º desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual: Pena - reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa. O Tribunal de origem absolveu os réus do crime de exploração sexual de menores por considerar que as vítimas já eram iniciadas na prostituição. O acórdão ficou assim fundamentado (fl. 1.530): Evidente que a responsabilidade penal dos apelantes seria grave, caso fossem eles quem tivesse iniciado as atividades de prostituição das vítimas. Daí a submissão prevista pela ilustre Promotora acima citada, como elemento objetivo do tipo. Antes de observar apenas o fato de uma adolescente ter se relacionado sexualmente com alguém, responsabilizando este último por um crime, é preciso observar os antecedentes dessa adolescente, uma vez que neste caso deve ser aplicada a mesma regra para o estupro e o atentado violento ao pudor praticado contra menores de 14 anos de idade, com violência presumida, onde uma das questões a ser observada são os antecedentes da vítima, e que esta é que pode ter dado causa à prática do crime, consentindo no ato sexual, por ter capacidade de discernimento suficiente para esse fim. O desconforto para o julgador quanto à condenação por crime desta natureza reside exatamente nessa questão dos antecedentes da ofendida, visto que quem deve responder pelo fato de uma adolescente ter se corrompido é o corruptor, não aquele que pratica fato posterior com ela, já que nesse momento pode ser a própria menor que o atraiu para essa relação sexual, e que as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade. Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 3 de 6

Assim, toda vez que um homem for praticar uma relação sexual com uma menor e esta já for uma prostituta, torna-se imperioso reconhecer que este apenas aderiu a uma conduta que hoje não pode ser considerada como crime, até porque prostituição é uma profissão tão antiga que é considerada no meio social apenas um desregramento moral, mas jamais uma ilegalidade penal. Esta Corte tem entendimento no sentido de que o crime previsto no art. 244-A do ECA não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de exploração sexual nos termos da definição legal. Exige-se a submissão do infante à prostituição ou à exploração sexual, o que não ocorreu no presente feito. Da análise dos autos, verifica-se que as adolescentes estavam em um ponto de ônibus, e após certificarem os réus que se tratavam de garotas de programa, as convidaram para ir até um motel, o que foi prontamente aceito. Houve o pagamento de R$ 80,00 para duas adolescentes e R$ 60,00 para uma outra. Assim, não há falar em exploração sexual diante da ausência da figura do explorador, também conhecido como "cafetão", bem como do conhecimento desse fato pelos ora recorridos. Não houve a configuração da prática do delito previsto no art. 244-A do ECA. No mesmo sentido, confira-se o seguinte julgado: CRIMINAL. ART. 244-A DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. CONFIGURAÇÃO. CLIENTE OU USUÁRIO DO SERVIÇO PRESTADO PELA INFANTE JÁ PROSTITUÍDA E QUE OFERECE SERVIÇOS. NÃO ENQUADRAMENTO NO TIPO PENAL. DESCONHECIMENTO DA IDADE DA VÍTIMA. AUSÊNCIA DE DOLO. RECURSO DESPROVIDO. I. O crime previsto no art. 244-A do ECA não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de "exploração sexual" nos termos da definição legal. II. Hipótese em que o réu contratou adolescente, já entregue à prostituição, para a prática de conjunção carnal, o que não encontra enquadramento na definição legal do art. 244-A do ECA, que exige a submissão do infante à prostituição ou à exploração sexual. III. Caso em que a adolescente afirma que, argüida pelo réu acerca de sua idade, teria alegado ter 18 anos de idade e ter perdido os documentos, o que afasta o dolo da conduta do recorrido. IV. A ausência de certeza quanto à menoridade da "vítima" exclui o dolo, por não existir no agente a vontade de realizar o tipo objetivo. E, em se tratando de delito para o qual não se permite punição por crime culposo, correta a conclusão a que se chegou nas instâncias ordinárias, de absolvição do réu. V. Recurso desprovido. (REsp 884.333/SC, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 29/6/07) Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É o voto. Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 4 de 6

ERTIDÃO DE JULGAMENTO QUINTA TURMA Número Registro: 2006/0028401-0 REsp 820018 / MS MATÉRIA CRIMINAL Números Origem: 1031015515 20050037480 PAUTA: 03/03/2009 JULGADO: 05/03/2009 SEGREDO DE JUSTIÇA Relator Exmo. Sr. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. ÁUREA MARIA ETELVINA N. LUSTOSA PIERRE Bel. LAURO ROCHA REIS AUTUAÇÃO RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL ADVOGADO : ABADIO MARQUES DE REZENDE E OUTRO ASSUNTO: Penal - Leis Extravagantes - Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) - ECA CERTIDÃO Certifico que a egrégia QUINTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Após o voto do Sr. Ministro Relator conhecendo do recurso, mas lhe negando provimento, pediu vista, antecipadamente, o Sr. Ministro Felix Fischer." Aguardam os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi e Laurita Vaz. Brasília, 05 de março de 2009 LAURO ROCHA REIS Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 5 de 6

CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUINTA TURMA Número Registro: 2006/0028401-0 REsp 820018 / MS MATÉRIA CRIMINAL Números Origem: 1031015515 20050037480 PAUTA: 03/03/2009 JULGADO: 05/05/2009 SEGREDO DE JUSTIÇA Relator Exmo. Sr. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. HELENITA AMÉLIA G. CAIADO DE ACIOLI Bel. LAURO ROCHA REIS AUTUAÇÃO RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL ADVOGADO : NELSON BUGANZA JUNIOR ASSUNTO: Penal - Leis Extravagantes - Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) - ECA CERTIDÃO Certifico que a egrégia QUINTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Turma, por unanimidade, conheceu do recurso, mas lhe negou provimento." Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi, Felix Fischer e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 05 de maio de 2009 LAURO ROCHA REIS Documento: 862718 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 15/06/2009 Página 6 de 6