Roteiro de Oração EDIÇÃO 106 - JANEIRO 2018
Neste ano, o Anchietanum e as demais obras que trabalham com a juventude e integram o programa MAGIS no Brasil, terão um tema comum para inspirar suas ações: Ser+ consciente. A partir deste tema, somos provocados e provocadas ao seguimento de Jesus, rezando e entendendo a realidade que nos cerca, comprometendo-nos com ela. O Papa Francisco nos recorda que (...) No íntimo de cada um de nós existe um lugar onde o Mistério se revela e ilumina a pessoa, tornando-a protagonista da sua história: a consciência (...), é este o núcleo secreto, o sacrário do ser humano, onde ele fica sozinho com Deus, cuja voz ressoa na intimidade. Diante de uma sociedade desigual, excludente e alienante, somos chamados então a experimentar processos de conscientização que nos permitam olhar criticamente não apenas para o mundo, mas para nós mesmos, nos permitindo habitar esse lugar sagrado da consciência, assumindo a posição de sujeitos humanizados e protagonistas, que desejam e sonham em ser mais para si e para os demais. Neste ano de eleições gerais, no qual a Igreja celebra o Ano do Laicato, fomenta a Campanha da Fraternidade dedicada a superação e enfrentamento da violência, em que contaremos com o Sínodo Juventude, fé e discernimento vocacional, o convite é para uma fé encarnada e ativa, que é prescindida pela conscientização com relação a nós mesmos, o mundo que nos cerca e a nossa relação com Deus e com toda a sua criação. Oração preparatória para todos os dias que todos os meus pensamentos, ações e afetos sejam puramente ordenados ao seu serviço e louvor. Faço SILÊNCIO interior e exterior. RESPIRO lentamente, suavemente. Tomo CONSCIÊNCIA de que estou na PRESENÇA de DEUS. Faço com devoção o sinal da cruz. LEIO o texto devagar, saboreando as palavras que mais me tocam. REFLITO por que esta frase, palavra, ideia me chama a atenção. CONVERSO com Deus como um amigo: falo, escuto, peço, louvo, pergunto, silencio, seguindo os sentimentos experimentados na oração. Escolho um texto bíblico. Defino a duração da oração. Busco um LUGAR tranquilo e agradável que ajude a me concentrar. Encontro uma boa POSIÇÃO corporal. PEÇO a DEUS Nosso Senhor para que todos os meus desejos, pensamentos e sentimentos estejam voltados unicamente para o seu louvor e serviço. Peço a GRAÇA que verdadeiramente DESEJO receber de DEUS. Recordo o meu ENCONTRO com DEUS. Anoto o que foi mais importante na oração: o texto mais significativo (palavras, frases e imagens); os pensamentos predominantes; os questionamentos; os sentimentos de consolação ou desolação; se houve apelos e como me senti diante deles.
PRIMEIRA SEMANA Consciência de si 31 de dez. de 2017 1 2 3 4 5 6 Festa da Sagrada Família Lc 2, 22-40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria. Solenidade de Santa Maria, mãe de Deus Lc 2, 16-21 Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. Jo 1, 19-28 Eu sou a voz que grita no deserto: Aplainai o caminho do Senhor. Memória do Santíssimo nome de Jesus Jo 1, 29-34 Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, esse é quem batiza com o Espírito Santo. Jo 1, 35-42 O que estais procurando? Jo 1, 43-51 De Nazaré pode sair coisa boa? 1 Jo 5, 5-13 Para que saibais que possuís a vida eterna. A espécie humana é a única que tem o privilégio de tecer elaborações mentais, podendo admirar a beleza e grandiosidade da criação, colocando-se diante dela enquanto imagem e semelhança do próprio Deus. Desse modo, somos chamados e chamadas a sermos conscientes com relação à nossa própria existência: sobre quem somos e em quais condições estamos inseridos. O ser humano vive em constante construção e desconstrução, de modo que, quando refletimos criticamente sobre nós mesmos, deparamonos com inúmeras questões e incompletudes que nos interpelam e nos levam a desejarmos realizar a finalidade para qual foi criado o dom de nossa existência. Assim, na medida em que ampliamos nossa consciência, podemos concretizar a vocação de nossa vida: que é ser humana, humanizada. Conscientizar-nos sobre nós mesmos é, portanto, um convite para experimentarmos um processo de mergulho em nós, em nossa história, desejos, limitações, potencialidades, relações... Nesta semana, somos provocados e provocadas a nos desnaturalizarmos, a colocarmos diante do Senhor quem temos sido, lançando sobre nós um olhar curioso e admirado, indagando-nos sobre as nossas sedes e os sentidos que damos para nossas vidas. que nos fizeste tua imagem e semelhança, dá-nos proximidade de nós mesmos.
SEGUNDA SEMANA Consciência do outro Nesta semana somos convidados e convidadas a rezarmos e nos deixarmos tocar pelas pessoas que nos cercam. A vida em grupo é fundamental para a existência humana, é impossível sobreviver sozinho neste mundo. Somos o tempo todo interpelados pelas marcas do outro em nossas vidas, e é somente a partir do outro que podemos nos perceber como diferentes, únicos, queridos e amados por Deus em nossas peculiaridades. Desse modo, a conscientização sobre nós mesmos perpassa a consciência que somos capazes de ter com relação aos outros, aos nossos próximos. A vida cristã nos faz questionar: Quem é meu próximo?. Jesus andava no meio do povo, a ouvir, acolher, ensinar, conversar, cuidar, Ele afetivamente restaurava a dignidade das pessoas mais empobrecidas e marginalizadas e nos exorta sempre a refletir sobre as belezas e os desafios da alteridade, da diferença, da diversidade. Somos convidados e convidadas a estabelecer relações de sensibilidade, cuidado, empatia, que reconheçam o outro na condição de sujeito, portador de direitos, dignidade, valor e liberdade, transcendendo assim a lógica do uso e descarte a qual nossa sociedade individualista nos impõe. Reconheçamos que, se por um lado cada ser humano é único e distinto, por outro, a condição humana e de filhos de Deus nos une a todos e todas. dai-nos a graça de nos reconhecermos no outro e de sermos empáticos para com os irmãos. 7 8 9 10 11 12 13 Solenidade da Epifania do Senhor Ef 3, 2-6 Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz. Festa do batismo do Senhor Mc 1, 7-11 Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer. 1 Sm 1, 9-20 Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos. 1 Sm 3, 1-10 Fala, que teu servo escuta. Mc 1, 40-45 Cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: Eu quero: fica curado! Mc 2, 1-12 Por que pensais assim em vossos corações? Mc 2, 13-17 Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.
TERCEIRA SEMANA Consciência da realidade socioambiental 14 15 16 17 18 19 20 2º ingo do Tempo Comum Jo 1, 35-42 Rabi, onde moras? Mc 2, 18-22 Vinho novo em odres novos. Mc 2, 23-28 O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Memória de Santo Antão Mc 3, 1-6 Jesus, então, olhou ao seu redor cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração. Mc 3, 7-12 Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Mc 3, 13-19 Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. Mc 3, 20-21 Diziam que estava fora de si. A busca pela conscientização nos leva a compreender a realidade em que estamos inseridos. Estamos presentes no mundo, fazemos parte de uma sociedade, vivemos num determinado contexto histórico, tecemos uma infinidade de relações. É imprescindível olhar para essa realidade e perceber como fazemonos presentes e como somos afetados por ela. Esse olhar para a realidade revela, por um lado, a presença de Deus, Criador de todas as coisas. A natureza, as pessoas, as relações humanas, gestos de fraternidade e solidariedade, tantas coisas que, de alguma forma, revelam o amor de Deus para com sua criação. Mas esse olhar, por outro lado, também precisa considerar as formas como o mundo é afastado do amor de Deus. Não podemos ser ingênuos nem omissos diante das relações de dominação e escravização, da dinâmica do capitalismo e do consumismo, dos processos de alienação e exclusão social, da destruição do meio ambiente. Em nossa oração, somos convidados a crescer na consciência da realidade, com coragem e misericórdia, superar a indiferença e a ingenuidade, para considerar como somos chamados a colaborar no Reino, na transformação da realidade. ajuda-me a olhar para a realidade, descobrir seu amor e também tomar consciência dos processos de exclusão.
QUARTA SEMANA Consciência do Chamado de Deus ndo compreendemos e assumimos nossa condição de filhos e filhas de Deus, chamados à vida em abundância, somos convidados a viver na intimidade com o participar de sua criação, construir relações pautadas na justiça e no amor ao próximo. ndo tornamo-nos mais conscientes da realidade em que estamos, tanto do mundo criado por Deus como dos processos que corrompem a criação, continuamos sendo chamados a atuar nesse mundo, colaborando em processos de reconciliação. Dessa forma, rezemos o chamado que Deus faz a cada um/ uma. O chamamento nos lembra de Jesus, a forma como ele se aproxima das pessoas e as chama para segui-lo. ndo Cristo encontra seus discípulos e amigos, ele não faz preferência pelos mais sábios ou mais ricos, nem escolhe um grupo social em detrimento do outro. Jesus, olhando com misericórdia para nós, chama homens e mulheres, santos e pecadores, para segui-lo. Apesar de nossas dificuldades, nossos medos e erros, Cristo insiste em nos convidar, de forma livre, para aderir ao Reino. dá-nos a graça não sermos surdos ao teu chamado, mas prontos e diligentes para seguir-te. 21 22 23 24 25 26 27 3º ingo do Tempo Comum Mc 1, 14-20 ui-me e eu farei de vós pescadores de homens. Dia de São Vicente Mc 3, 22-30 Diziam: Ele está possuído por um espírito mau. Mc 3, 31-35 Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Mem. de São Francisco de Sales - Mc 4, 1-20 Aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto. Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo At 22, 3-16 Tu serás a sua testemunha, diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. Memória de São Timóteo e São Tito 2 Tm 1,1-8 Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Mc 4, 35-41 Vamos para a outra margem!
QUINTA SEMANA Consciência e compromisso 28 29 30 31 1º de fev. 2 de fev. 3 de fev. 4º ingo do Tempo Comum Mc 1, 21-28 Ensinava como quem tem autoridade. Mc 5, 1-20 Vai para casa, para junto dos teus, e anuncia-lhes tudo o que o em sua misericórdia, fez por ti. Mc 5, 21-43 Jesus então o acompanhou. Memória de São João Bosco Mc 6, 1-6 Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares Mc 6, 7-13 Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois. Memória da Apresentação do Senhor Lc 2, 22-40 Luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel. Mc 6, 30-34 Teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Uma caminhada de conscientização provoca o conhecimento de si, da realidade e do também é um forte convite ao compromisso com o Reino e com a pessoa de Jesus Cristo. Alguém que busca crescer nesse processo de conhecimento íntimo se sente interpelado por Deus a se engajar com o projeto do Reino. Esse compromisso se concretiza em diversas ações no mundo: denunciar injustiças, lutar pela vida e pelos direitos, praticar os atos de misericórdia, promover a reconciliação, construir relações pautadas no amor ao próximo, anunciar o Reino, ser mais humano e mais solidário, sobretudo com os mais excluídos. O processo de conscientização não se restringe à intelectualidade, mas provoca uma ação, como fizeram os profetas e como nos inspira o jeito de Jesus Cristo. Numa realidade pautada pela busca de riquezas e honras, Cristo propõe a liberdade, a gratuidade, a humildade e a vida em plenitude através das bemaventuranças. Onde há relações de dominação e escravização, Cristo provoca relações de amor e serviço. Onde há exclusões e indiferença, Cristo é sensível em acolher e amar o próximo. Comprometer-se com o Reino é ser profeta e crescer no amor e no serviço a Deus, através da pessoa do próximo. dai-nos o desejo de conhecer-te para nos comprometer com teu Reino, com as ações de justiça e de misericórdia. Ilustrações: Cláudio Pastro Textos: Thaís Augusto e Davi Caixeta Projeto Gráfico: Rodrigo TZK D