REQUERIMENTO N.º, DE 2008 Requeiro, nos termos do artigo 222, e de acordo com as tradições da Casa, voto de congratulações pelo 70º aniversário do teólogo, professor e escritor LEONARDO BOFF. Justificativa O teólogo, escritor e professor Leonardo Boff tem todos os méritos para ser digno da reverência do Senado Federal no momento em que completa 70 anos. A maior parte desses 70 anos foi dedicada à vida religiosa e à causa dos mais pobres. Sua importância como escritor é reconhecida na Europa e nos Estados Unidos, tendo inclusive, recebido homenagens e prêmios. Boff é também um dos teóricos da Teologia da Libertação. A formação dele começou com o curso de Filosofia em Curitiba e Teologia em Petrópolis. Doutorou-se em Teologia e Fisolofia na Universidade de Munique, Alemanha, em 1970. Ingressou na ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959. Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis e Teologia da Espiritualidade em vários centros de estudos e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa, Salamanca, Harvard, Basel e Heidelberg. Participou ativamente da reflexão que articulou um pensamento indignado frente à miséria e à marginalização com fé cristã, gênese da conhecida Teologia da Libertação. Leonardo Boff ajudou a formular uma nova perspectiva dos direitos humanos a partir da América Latina, com Direitos à Vida e os meios de mantê-la com dignidade. O trabalho como escritor e teólogo é reconhecido em vários países do mundo. Por isso é doutor honoris causa em Política pela Universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela Universidade de Lund (Suécia). Em 2001 foi agraciado com o prêmio Nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).
Na condição de pensador e religioso, viveu momentos difíceis. Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro Igreja: Carisma e Poder, foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa da Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de silencio obsequioso e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas atividades. Novamente, em 1992, foi ameaçado a uma segunda punição pelas autoridades de Roma, o que fez com que renunciasse às suas atividades de padre e se auto-promovesse ao estado leigo. Mas como ele próprio disse, mudou de trincheira para continuar na mesma luta. Em 1993, prestou concurso e foi aprovado como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Leonardo Boff é autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos. Concluo lendo trechos do texto Aos 70, oficialmente velho, contemplo os dias passados, que ele escreveu a propósito do seu septuagésimo aniversário. Diz ele: A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos de construir a existência, abrir caminhos, superar dificuldades e moldar nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. A velhice é a última chance para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. É iluminadora a palavra de são Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, rejuvenesce o homem interior"(2cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Devemos encará-la face a face. Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".
Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa: "eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida. Sala das Sessões, em 16 de dezembro de 2008. Senadora Marina Silva
REQUERIMENTO N.º, DE 2008 Requeiro, nos termos do artigo 222, e de acordo com as tradições da Casa, voto de congratulações pelo 70º aniversário de do teólogo, professor e escritor LEONARDO BOFF. Justificativa O teólogo, escritor e professor Leonardo Boff tem todos os méritos para merecer a reverência do Senado Federal no momento em que completa 70 anos. A maior parte desses 70 anos foi dedicada à vida religiosa e a causa dos mais pobres. Sua importância escritor é reconhecida na Europa e nos Estados Unidos, tendo inclusive, recebido homenagens e prêmios. Boff é também um dos teóricos da Teologia da Libertação. A formação dele começos com o curso de Filosofia em Curitiba e Teologia em Petrópolis. Doutorou-se em Teologia e Fisolofia na Universidade de Munique, Alemanha, em 1970. Ingressou na ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959. Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis e Teologia da Espiritualidade em vários centros de estudos e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa, Salamanca, Harvard, Basel e Heidelberg. Participou ativamente da reflexão que articulou um pensamento indignado frente à miséria e à marginalização com fé cristã, gênese da conhecida Teologia da Libertação. Leonardo Boff ajudou a formular uma nova perspectiva dos direitos humanos a partir da América Latina, com Direitos à Vida e os meios de mantê-la com dignidade. O trabalho como escritor e teólogo é reconhecido em vários países do mundo. Por isso é doutor honoris causa em Política pela Universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela Universidade de Lund (Suécia). Em 2001 foi agraciado com prêmio Nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).
Na condição de pensador e religioso, viveu momentos difíceis. Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro Igreja: Carisma e Poder, foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa da Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de silencia obsequioso e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas atividades. Novamente, em 1992, foi ameaçado a uma segunda punição pelas autoridades de Roma, o que fez com que renunciasse às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo. Mas como ele próprio disse, mudou de trincheira para continuar na mesma luta. Em 1993, prestou concurso e foi aprovado como professor de Ética, filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Leonardo Boff é autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos. Concluo lendo trechos do texto Aos 70, oficialmente velho, contemplo os dias passados, que ele escreveu a propósito do seu septuagenário aniversário. Diz ele: A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos de construir a existência, abrir caminhos, superar dificuldades e moldar nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. A velhice é a última chance para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. É iluminadora a palavra de são Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, rejuvenesce o homem interior"(2cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Devemos encará-la face a face. Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade". Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por
Herzer, menina de rua e poetisa: "eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. Senadora Marina Silva