APLICAÇÃO DO CONCEITO DO SELO PROCEL EDIFICA EM EDIFICAÇÃO DO CAMPUS DE PALMAS/UFT Nome do autor(a): Livia Kálita Barbosa Amorim Nome do Orientador: Mariela Cristina Ayres de Oliveira Aluno do Curso de Arquitetura e Urbanismo; Campus de Palmas; e-mail: livia_gary@hotmail.com PIBIC/CNPq RESUMO Nas últimas décadas, junto com o desenvolvimento econômico do Brasil e o aumento do poder aquisitivo da população houve grande aumento do consumo de energia elétrica do país e consequentemente maior preocupação do governo a esse respeito. No Brasil, o Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Técnica dos Edifícios Comerciais, de Serviço e Públicos (RTQ-C) estabelece os requisitos mínimos de desempenho para cada tipo de edificação citada acima, referindose aos sistemas de condicionamento de ar, iluminação e envoltória. No caso das regiões quentes, como no caso de Palmas, o aumento no consumo energético ocorre principalmente pelo uso do condicionamento de ar. No entanto o consumo de energia pode ser reduzido se esse quesito for considerado ainda nas fases de projeto, alterando-se a concepção arquitetônica: forma, orientação, materiais da envoltória, sistemas de ventilação, uso da vegetação, sombreamento, climatização e iluminação artificial e natural. O edifício analisado nesse projeto foi o BALA II, Bloco de Apoio Logístico e Acadêmico II, localizado na zona bioclimática sete (NBR 15220-3 Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares. Rio de Janeiro, 2005). Objetivo desse trabalho é analisar o comportamento do edifício no que tange a sua eficiência energética, avaliando se seus componentes construtivos e envoltória atendem as normas do RTQ-C e se suas concepções arquitetônicas são satisfatórias para alcançar a qualificação máxima segundo o Regulamento ou se serão necessárias alterações para atendê-lo. Busca-se avaliar através deste estudo de casos a eficiência do edifício nos quesitos iluminação, condicionamento de ar e
envoltória, identificando as intervenções necessárias, e as diretrizes positivas e negativas adotadas na execução do projeto Palavras-chave: Selo Procel Edifica; Eficiência Energética. INTRODUÇÃO Um instrumento eficaz no incentivo a eficiência energética dos edifícios novos e existentes é a Etiquetagem dos Edifícios pelo Selo Procel, através de Regulamentos Energéticos, o RTQ-C, Regulamento Técnico de Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos e seus complementares, como o RAC-C, Regulamento de Avaliação da Conformidade de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos; Nesses regulamentos estão um apanhado de normas lançadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), as mais utilizadas nessa pesquisa são: : NBR 6488, NBR 6689, NBR 5413, NBR 5410, NBR 7256, NBR 15215, NBR 15220-2, NBR 15220-3, NBR 15569, NBR 16401. Esses regulamentos tratam de uma especificação dos requisitos técnicos necessários para a avaliação, traz as equações para os cálculos de eficiência energética, bem como os métodos para a classificação do edifício avaliado. Assim, a etiquetagem incita a criação de novos padrões construtivos voltados para a qualidade térmica e energética. Mas é a severidade nos critérios de etiquetagem que promovem sua eficácia no incentivo a eficiência energética, para que esse processo não seja utilizado apenas como estratégia de marketing. O regulamento brasileiro será significativo na contribuição da eficiência energética caso os critérios técnicos, principalmente para a classificação A, sejam bastante restritivos. Durante a avaliação dos Edifícios, o RTQ-C considera a envoltória, sistemas de iluminação e condicionamento de ar, e classifica os edifícios em cinco níveis de eficiência, de A a E. Para cada nível de classificação há exigências a serem cumpridas a fim de tornar a edificação mais eficiente. A etiqueta pode ser concedida na fase de projeto e/ou após a construção do edifício, e também pode ser concedida de forma parcial, desde que sempre contemple a envoltória do edifício (Procel Edifica, 2010). No Brasil, o processo de etiquetagem de edifícios começou em 2009, com a publicação do Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética dos Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos-RTQ-C.
MATERIAL E MÉTODOS Esse trabalho foi feito com base nas normas de aplicação do RTQ-C, lançadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Primeiramente, o edifício deve se enquadrar nos pré-requisitos necessários para obtenção do Selo Procel. O RTQ-C determina que o edifício tenha área total útil de pelo menos 500m² (o edifício tem área de 1325,12 m²) e/ou tensão de abastecimento superior a 2,3kV. Após a análise dos pré-requisitos, o edifício foi avaliado em relação ao desempenho da envoltória, à eficiência do sistema de iluminação, segundo RTQ-C; NBR 5413 Iluminância de Interiores, Rio de Janeiro, 1992; e NBR 15215 Iluminação Natural, Rio de Janeiro, 2005; e eficiência do sistema de condicionamento de ar, segundo NBR 16401 Instalações de Ar Condicionado Sistemas centrais e unitários, Rio de Janeiro, 2008; de maneira a encontrar um valor equivalente a cada um desses quesitos e aplicá-los a equação de envoltória, iluminação e condicionamento de ar, determinando qual a classificação de eficiência energética em cada um desses quesitos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Por meio do estudo do Bloco BALA II, Bloco de Apoio Logístico e Acadêmico do Campus de Palmas da UFT, através de visitas ao edifício, contagem de aparelhos dos sistemas de iluminação e condicionamento de ar, análise dos projetos arquitetônicos e complementares e aplicação desses dados nas normas estabelecidas pelo RTQ, o edifício obteve classificação geral, além C para o sistema de iluminação, A para o sistema de condicionamento de ar e C para a envoltória de acordo com a aplicação da Etiquetagem do Selo Procel. Quanto à iluminação, percebe-se que o Bloco recebeu uma classificação ruim, resultado obtido pelo uso exagerado de iluminação artificial em relação à área do edifício. Essa situação poderia ser amenizada com o aproveitamento da iluminação natural. No entanto, o sistema de condicionamento de ar foi classificado no nível A, o mais eficiente. Esse resultado foi garantido devido a utilização de aparelhos avaliados pelo INMETRO com o nível de eficiência A. Porém, o número de aparelhos
poderiam ser reduzidos com a utilização de recursos arquitetônicos condizentes com a zona climática em que o edifício está localizado. Com relação à envoltória, o edifício foi classificado no nível C. O BALA II é o espelhamento do edifício BALA I construído anteriormente em frente ao primeiro. Percebe-se portanto que não houve preocupação com a influência da incidência solar nas fachadas do edifício, nem com o estudo da direção dos ventos da região. LITERATURA CITADA ASSOCIACAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS ABNT - NBR 6488 Componentes de construção Determinação da condutância e da transmitância térmica Metódo da caixa quente protegida. Rio de Janeiro.1980. NBR 5413 Iluminância de Interiores. Rio de Janeiro. 1992. NBR 15 220-2 Desempenho térmico de edificações Parte 2: métodos de cálculo da trasmitância térmica, do atraso térmico e do fator solar de elementos e componentes de edificações. Rio de Janeiro, 2005. NBR 15 220-3 - Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Rio de Janeiro, 2005. NBR 16401 Instalações de ar condicionado Sistemas centrais e unitários. Rio de Janeiro, 2008 CALDEIRA, NORMA do N. B. A Concepção Arquitetônica para a Eficiência Energética de Edificações - O Caso da Etiquetagem no Brasil. Abril/2011. 213p. Tese (doutorado) - UFRJ/COPPE/ Programa de Planejamento Energético, 2011.Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2011.
BRASIL. Decreto n. 4.059, de 19 de dezembro de 2001. Regulamenta a Lei n. 10.295,de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia DIRETRIZES PARA OBTENÇÃO DO NÍVEL A PARA EDIFICAÇÕES COMERCIAIS, DE SERVIÇOS E PÚBLICAS ZONA BIOCLIMÁTICA 7. NC Núcleo de Edificações Comerciais, de Serviços e Públicas. Dezembro de 2012. 68p. PORTARIA INMETRO n 372 de 20 de maio de 2010, publicada no Diário Oficial da União de 21 de maio de 2010, seção 01, pagina 163. FROTA, A.B, SCHIFFER, S. R. Manual de Conforto Térmico: Arquitetura,Urbanismo. 2006. 7ª edição, Editora Studio Nobel AGRADECIMENTOS Agradeço o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq Brasil e a Universidade Federal do Tocantins, especialmente ao Departamento de Obras e Construções, que disponibilizou parte do material necessário pra realização deste trabalho. Além do apoio e orientação da professora Mariela Cristina e das colegas de pesquisa Nathália Canêdo e Nathália Valadares.