PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 22/2011



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Transcrição:

PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 22/2011 Altera o Regimento Interno para dispor sobre o Procon-Assembléia e atribuir à Comissão de Defesa do Consumidor a defesa da Livre Concorrência, da Economia Popular e do Contribuinte. A DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO R E S O L V E Art. 1º. A Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009, Regimento Interno da Assembléia Legislativa, terá alterado o inciso III do seu art. 40, que passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 40. -------------------------------- III- de Defesa do Consumidor e do Contribuinte (NR). ------------------------------------------- Art. 2º. A Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009, Regimento Interno da Assembléia Legislativa, vigorará acrescida, ao seu art. 42, de um parágrafo único, com a seguinte redação: Art. 42. --------------------------- Parágrafo único: As matérias relacionadas à economia popular, assim considerada a disciplina da ordem econômica em proteção à livre concorrência, defesa do Consumidor ou do Contribuinte são de competência da Comissão de que trata o inciso III do artigo 40 deste Regimento.

Art. 3º A Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009, Regimento Interno da Assembléia Legislativa, terá alterado o caput do seu art. 44, e, ainda, será acrescida dos incisos XIII, XIV e XV, que vigorarão com a seguinte redação: Art. 44. À Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte compete opinar sobre: (NR) ---------------------------- XIII- proteção à livre concorrência, combate às infrações à ordem econômica e defesa da economia popular e do contribuinte. XIV- ajuizamento, por parte do Procon- Assembléia, de ação civil pública ou coletiva em defesa dos consumidores, da livre concorrência, combate a infrações à ordem econômica e defesa da economia popular. XV- produção e consumo. Art. 4º. - A Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009, Regimento Interno da Assembléia Legislativa, fica acrescida do art. 44-A e, com a seguinte redação: Art. 44-A. O Procon-Assembléia, criado e regido por Resolução específica, fica vinculado à Comissão Permanente de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, competindo ao seu Presidente dirigir o referido órgão. 1º O Procon- Assembléia, sem prejuízo das atribuições previstas na Resolução específica, defenderá em juízo, a título coletivo, os consumidores, a livre concorrência, combaterá as infrações à ordem econômica e defenderá a economia popular.

2º O capítulo XIII do Título VIII deste Regimento será aplicado subsidiariamente a este artigo, no que couber, assegurada a autonomia do Procon- Assembléia na defesa dos interesses e direitos difusos e coletivos de interesses dos consumidores, da livre concorrência e combate às infrações à ordem econômica e à economia popular. 3º O ajuizamento de ação civil pública ou coletiva, pelo Procon Assembléia, em defesa do consumidor, da livre concorrência e combate às infrações à ordem econômica e à economia popular se dará por decisão da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, mas será precedida do direito de defesa, no âmbito administrativo, observado o que demais dispuser a Resolução específica. (NR) Art. 5º. É de competência da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa fixar o pessoal e a estrutura administrativa para viabilizar o regular funcionamento do Procon-Assembléia. Parágrafo único. Enquanto não estabelecido o pessoal e estrutura administrativa, o Procon- Assembléia funcionará com o apoio da estrutura da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte. Art. 6º. Revogam-se o inciso XVIII do art. 42 e o parágrafo único do art. 44 da Resolução 2.700, de 15 de julho de 2009. Art. 7º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Sala das Sessões, 20 de junho de 2011. DEPUTADO GILSINHO LOPES

J U S T I F I C A T I V A É necessário colocar em pleno funcionamento, para o prestígio da ALES e defesa dos consumidores, o Procon Assembléia, já previsto no Regimento Interno. Para que possamos dar um exemplo, o Procon Assembléia de Minas Gerais, subordinado à Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, já atendeu, desde que foi constituído, mais de 1 milhão de consumidores, conforme disponibilizado em relatórios no site daquela Casa. - http://www.almg.gov.br/procon/relatorios/relatorio2010.pdf O Regimento Interno da ALES necessita alteração, pois ao mesmo tempo que submeteu o Procon- Assembléia à Comissão de Consumidor, o ajuizamento de ações coletivas ficou atrelado à Mesa Diretora. Ocorre que a lei de regência da ação civil pública não admite que a ALES ajuíze ação coletiva em defesa do Consumidor, o que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, pode ser feito pelo Procon- ALES. Veja-se: Lei 7.347/85, Lei de Regimento da Ação Civil Pública: Art. 5 o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: I - o Ministério Público; II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; V - a associação que, concomitantemente:

a)esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; (...) Lei 8.078/90, Código de Defesa do Consumidor: Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: I - o Ministério Público, II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código;

IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. (...) (destacamos) Portanto, o eventual ajuizamento de ações civis e coletivas não pode ser feito pela ALES, pois é prerrogativa do Estado, ou seja, do Poder Executivo (PGE), ou então dos Procons, mesmo que sem personalidade jurídica própria. Desta forma, considerando que a ALES não pode ingressar com ações em defesas dos consumidores, enquanto que os PROCONS podem, a aprovação deste Regimento possibilitará a efetiva defesa do Consumidor por parte de entidade vinculada a esta Casa. Além disso, amplia os trabalhos da Comissão, pois não é possível defender plenamente o Consumidor sem defender a livre concorrência, combater as infrações à ordem econômica e os atentados à economia popular. A opinião sobre produção e consumo, hoje atribuída à Comissão de Finanças, é transferida para a Comissão de Defesa do Consumidor, que passa a se chamar Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte. O Regimento Interno passa a esclarecer que a defesa da economia popular versa sobre os aspectos econômicos ligados à defesa da ordem econômica em proteção à livre concorrência e defesa do Consumidor. Portanto, não se confunde com a defesa econômica em geral, que continua sendo da competência da Comissão de Finanças.

Finalmente, a Comissão que atualmente defende o Consumidor passa a defender, também de modo permanente, o contribuinte. A defesa do contribuinte é de muita importância, sendo que o Congresso Nacional está em vias de aprovação de um Código de Defesa do Contribuinte. Mesmo enquanto não existir um Código de Defesa dos Contribuintes, é sabido que estes possuem vários direitos previstos nas Constituições Federal e Estadual, bem como na legislação, de modo que a Comissão deve opinar sobre as matérias sob a ótica da defesa dos seus interesses. As mudanças aqui propostas darão à ALES o reconhecimento social que decorre da eficiência dos serviços públicos que passará a prestar.