OFICINA DE CONSERVAÇÃO DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS Iuri Rocio Franco Rizzi Professor Assistente Curso de Biblioteconomia Universidade Federal de Alagoas Alfenas-MG 5 jun. 2013
PLANO DA OFICINA: Parte I: um pouco de teoria 1. Introdução 2. Conceitos e definições 3. Suportes: papel 4. Fatores de degradação do papel 5. Medidas de conservação de acervos bibliográficos Parte II: vamos à prática! 1. Higienização de documentos Encerramento 2
INTRODUÇÃO Biblioteconomia informação registrada (suporte) Paradigmas: Preservação X Acesso 3
PRESERVAÇÃO DE DOCUMENTOS: 1 Conservação preventiva 2 Pequenos reparos 3 Restauração Conservar ou restaurar? 4
PRESERVAÇÃO [...] elaboração das políticas que irão ser adotadas para gerir a Conservação (LUCCAS e SERIPIERRI, 1995, p. 9). Envolve todos os assuntos e ações que buscam minimizar a deterioração dos documentos. (THE BRITISH..., 2003, p. 9). 5
CONSERVAÇÃO Oferece subsídios para que o documento permaneça em condições físicas de utilização, levando-se em conta o controle climático, condições construtivas, limpeza, reparos. (LUCCAS e SERIPIERRI, 1995, p. 9). [...] Define-se como um conjunto de medidas específicas e preventivas necessárias para a manutenção da existência física do documento. (THE BRITISH..., 2003, p. 9). 6
RESTAURAÇÃO [...] compreende as medidas aplicadas para reparar os documentos já deteriorados ou danificados. (THE BRITISH..., 2003, p. 9). Restaurar é devolver ao documento características mais aproximadas do seu estado original. Requer a utilização de equipamentos adequados, infra-estrutura, laboratório e sobretudo especialistas. (LUCCAS e SERIPIERRI, 1995, p. 9). 7
SUPORTES E TIPOS DE INFORMAÇÃO Argila Papiro Madeira Papel Couro Metais Tecidos Fita K7, disco de vinil Filmes fotográficos e cinematográficos Mídias digitais Textos Imagens, figuras, ilustrações Gráficos Fotografias Músicas Filmes Obras de arte etc. 8
PAPEL Inventado na China, por volta de 105 d. C. Chega à Europa no século XII. Matéria-prima: algodão, juta, linho, talos de trigo e arroz; fibras vegetais ricas em celulose. No final do século XX, a principal substância usada na fabricação do papel é a celulose; tem aspecto branco e leitoso; insolúvel em água. Composição: fibras vegetais, carboidratos, amido e lignina (polímero orgânico de caráter ácido, que impregna as fibras da celulose e diminui a resistência do papel. (LUCCAS e SERIPIERRI, 1995, p. 16). 9
FATORES DE DEGRADAÇÃO DO PAPEL Há livreiros que, por questão de princípio, só vendem exemplares perfeitos. Quando compram um lote de livros escolhem osmelhoreserevendemosquejulgamindignosdesuaclientelaa um colega menos exigente. No Brasil, onde o comércio de livros raros é insignificante, nenhum livreiro pode selecionar com tanto rigor os livros que compra e vende. É obrigado, por falta de mercadorias, a ficar com muitos volumes em mau estado. Mas não ésomenteporestemotivoqueaseleçãoépoucorigorosa:éporque os livros, se não forem muito bem cuidados, estragam-se se com incrível rapidez neste clima nefasto aos livros. Os estragos são de proporções tais que um livro estrangeiro, importado há poucos anos e conservado sem cuidado, acaba fatalmente arruinado. Uma obraimpressanobrasil,noséculoxix,isentadefurosdebichoé coisa rara. (MORAES, 2005, p. 35, grifo meu). 10
FATORES DE DEGRADAÇÃO DO PAPEL Fatores intrínsecos: estão ligados diretamente aos elementos constituintes do papel: composição, tipo de fibra, de encolagem, resíduos químicos e partículas metálicas. Fatores extrínsecos: estão ligados diretamente a agentes físicos e biológicos: manuseio, radiação ultravioleta, temperatura, umidade, poluentes atmosféricos, microorganismos, insetos e roedores (LUCCAS e SERIPIERRI, 1995, p. 9). E mais os desastres naturais e acidentais. 11
FATORES INTRÍNSECOS Suporte Material utilizado Composição química Fabricação 12
FATORES INTRÍNSECOS A acidez é um dos maiores fatores de degradação do papel. Ela ataca o papel alterando suas características químicas e coloca em risco sua durabilidade. Dependendo do processo de fabricação, um papel pode conter maior ou menor concentração de ácidos em sua composição. Quanto menos ácida sua composição mais alcalino é o papel e, portanto, melhor sua qualidade. Deve-se levar em conta que, como os ácidos migram do papel de qualidade inferior para qualquer papel que esteja em contato direto torna-se importante separá-los daqueles de menor qualidade. 13
FATORES EXTRÍNSECOS Agentes mecânicos: Guarda inadequada Manuseio incorreto Desastres Agentes físicos: Luz Temperatura e umidade relativa Disposição arquitetônica 14
FATORES EXTRÍNSECOS Agentes químicos: Poluição ambiental Poeira Agentes biológicos Microorganismos: fungos e bactérias Insetos Roedores 15
FATORES EXTRÍNSECOS Manuseio: 16
CUIDADOS NO USO DOS LIVROS: Não colocar clips e demais objetos metálicos no livro; flores ou folhas de plantas; recortes de jornais ou papelão de baixa qualidade; Retirar e devolver às prateleiras corretamente; Não dobrar páginas ou fazer orelhas para marcar as páginas; Não debruçar-se em cima dos livros ou usá-lo como apoio; Evitar transportar o livro sem invólucro protetor. Usar pastas, bolsas ou mochilas que possam acomodá-los adequadamente; Não virar as páginas com os dedos umedecidos com saliva; Não usar fitas adesivas para consertos de qualquer tipo; Lavar as mãos ao folhear as obras; 17
AGENTES FÍSICOS: Condições climáticas ideais: Temperatura ideal para reservas técnicas sem circulação contínua de pessoas: 12 C. Em áreas de consulta: 18 C a 22 C. Umidade relativa do ar (UR): 40 a 50%. 18
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS NO BRASIL: Em Alfenas-MG, hoje (CLIMATEMPO, 2013): Temperatura: mín. 14 C e máx. 23 C. UR: 66 a 100%. Nascer do sol: 06h36 Pôr do sol: 17h29 Índice UV: Muito Alto Em Maceió-AL, hoje (CLIMATEMPO, 2013): Temperatura: mín. 23 C e máx. 28 C. UR: 60 a 96%. Nascer do sol: 05h34 Pôr do sol: 17h09 Índice UV: Alto O importante é, então, buscar se aproximar do ideal, mas dentro das limitações de cada instituição. Variações via de regra devem ser evitadas. 19
AGENTES FÍSICOS. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Controle de temperatura e umidade por meio de equipamentos e aparelhagem adequados. Não sendo possíveis, algumas medidas de conservação: Em regiões úmidas (litoral): Não abrir janelas em dias úmidos (acima da média). Não deixar no local do acervo guarda-chuvas, capas molhadas e plantas. Em regiões secas (sertão): Espalhar recipientes contendo plantas (inclusive aquáticas) Não abrir as janelas em dias mais secos do que a média. 20
AGENTES BIOLÓGICOS. INSETOS: 21
INSETOS: 22
INSETOS: 23
INSETOS: 24
INSETOS: Cupim: 25
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO: Limpeza constante dos ambientes da biblioteca. Não varrer ou aspirar o piso da biblioteca. Limpar diariamente com pano umedecido em água e desinfetante. Não consumir alimentos nos ambientes dos acervos. Inspecionar freqüentemente o acervo e separar imediatamente, para local adequado, os documentos com sinais de infestação de insetos. Fechar as aberturas e frestas dos assoalhos, portas, batentes e paredes. 26
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO: Vedar ralos e orifícios de escoamento de água. Realizar a dedetização do prédio, mas não aplicar os produtos químicos diretamente ou perto dos livros e documentos. Observar freqüentemente os móveis de madeira e de preferência optar por madeiras tratadas ou resistentes a insetos. Não deixar estes móveis encostados nas paredes ou próximos a janelas. Procurar revestir o solo no entorno da biblioteca, evitando principalmente chão de terra (sem cobertura vegetal). 27
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO: Usar cadarço sarjado para amarrar os livros que estiverem desmontando ou com folhas soltas, posicionando o nó no lado do corte. Havendo cobertura vegetal no entorno do prédio da biblioteca, procurar manter o corte do mato e a poda da vegetação. Examinar minuciosamente os livros recebidos por doação e higienizar os que serão inseridos no acervo da biblioteca. Armazenar livros grandes ou volumosos horizontalmente e não empilhar mais do que 2 itens. 28
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO: Usar bibliocantos para amparar os volumes nas prateleiras. Não usar pisos em carpete. Evitar mobiliário em madeira. Por último e o mais importante: a medida de conservação mais eficiente é o uso! Claro, o uso correto dos acervos bibliográficos! 29
FATORES EXTRÍNSECOS: Desastres naturais e acidentais: Incêndios. Inundações. [Terremotos ou] deslizamento de terras. Medida preventiva: Plano de Gerenciamento de Riscos. Outros fatores de risco para os acervos: Furtos e roubos. Medida preventiva: conscientização dos usuários; Política de educação de usuários e exposição de danos causados aos documentos pelos próprios usuários. Sistema de segurança anti-furto. 30
HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS
HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS A higienização é uma das tarefas mais importantes para a preservação dos acervos bibliográficos! 32
PARTES DO LIVRO: 33
PARTES DO LIVRO: 34
HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS Os livros devem ser mantidos limpos, isto aumenta significativamente sua vida útil. A organização de um projeto de limpeza e os procedimentos a serem adotados com os livros e prateleiras varia de acordo com diversos fatores, dentre eles: Condições físicas dos livros. Quantidade e tipo de impurezas a serem removidas. Natureza do livro: valor informativo, histórico, artístico, raro e outros. Alcance da limpeza: determinada área ou coleção ou toda a biblioteca; tempo, prazo. Recursos humanos e materiais e estrutura física. 35
HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS Seqüência: Retirar livro cuidadosamente o livro da estante; Retirar papeis e objetos dos livros; Higienizar os livros; Limpar a estante; Devolver nas prateleiras. Importante: Treinamento e orientação da equipe. 36
HIGIENIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DE ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS Cuidados com a limpeza de livros e prateleiras: Manter os pisos dos locais de armazenagem limpos. Aspirar e não varrer, quando possível. Nunca usar espanadores. Ao limpar os livros, é importante segurá-los firmemente fechados para evitar que a sujeira deslize para dentro, por entre as folhas. A parte superior deve ser limpa primeira. Os panos de limpeza devem ser trocados freqüentemente, e aqueles utilizados nas prateleiras nunca devem ser utilizados em livros. 37
REFERÊNCIAS E FONTES CONSULTADAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENCADERNAÇÃO E RESTAURO. ABER. Disponível em: <http://www.aber.org.br/>. Acesso em: 5 out. 2011. CASSARES, Norma; TANAKA, Ana Paula (org.). Preservação de acervos bibliográficos: homenagem a Guita Mindlin. São Paulo: ABER, 2008. 81 p. CLIMATEMPO. Previsão do tempo para Maceió - AL. Disponível em: <http://www.climatempo.com.br/previsao-do-tempo/>. Acesso em: 29 maio 2013. COSTA, Marilene Fragas. Noções básicas de conservação preventiva de documentos.. [Rio de Janeiro?]: FIOCRUZ, 2003. 17 p. Disponível em: <http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br/normasconservacao.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2010. LUCCAS, Lucy; SERIPIERRI, Dione. Conservar para não restaurar: uma proposta para preservação de documentos em bibliotecas. Brasília: Thesaurus, 1995. 125 p. MORAES, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz : prosa de um velho colecionador para ser lida por quem gosta de livros... 4. ed. Brasília: Briquet de Lemos; Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005. 207 p. THE BRITISH LIBRARY NATIONAL PRESERVATION OFFICE. Preservação de documentos: métodos e práticas de salvaguarda. Apresentação de Robert Howes. Tradução de Zeny Duarte. 2. ed. Salvador : EDUFBA, 2003. 137 p. 38
Grato pela atenção! 39