Bemisia tabaci no Brasil:

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Transcrição:

Bemisia tabaci no Brasil: histórico e aspectos gerais André Luiz Lourenção Instituto Agronômico (IAC)

O que são moscas-brancas?

Moscas-brancas Ordem Hemiptera Família Aleyrodidae mais de 1500 espécies descritas (Martin & Mound, 2007)

maioria é monófaga poucas são polífagas poucas se alimentam e se criam em monocotiledôneas

Moscas-brancas de importância agrícola

Bemisia tabaci Trialeurodes vaporariorum Aleurocanthus woglumi

Bemisia tabaci

Trialeurodes vaporariorum

Aleurocanthus woglumi

Aleurocanthus woglumi Pena et al. (2009)

Singhiella simplex Foto: J.A. Cerignoni

Foto: J.A. Cerignoni

Como as moscas-brancas se alimentam

Transmissão de vírus Trialeurodes vaporariorum (3) T. abutilonea (3) B. tabaci (128)* *Hogenhout et al. (2008)

Taxonomia de moscas-brancas

Taxonomia clássica de Aleyrodidae (Walker et al., 2010)

Bemisia tabaci (Genn.) Complexo de biótipos

Porto Rico raça Sida polífaga; geminivírus raça Jatropha monófaga; JMV

Bemisia tabaci (Genn.) Complexo de espécies (De Barro et al., 2011)

Bemisia tabaci biótipo B Bemisia argentifolii MEAM1

Situação no Brasil

1ª relato B. tabaci no Brasil: Bahia, em 1928 Surtos: SP e PR (1968 e 1972/73) soja, algodoeiro e feijoeiro

1991-92 biótipo B em São Paulo (Lourenção & Nagai, 1994) Altas infestações em todo o país soja, feijão algodão hortaliças ornamentais

Rápida disseminação pelo país 1993 DF, BA, GO, MG 1996-97 PE, PR, CE, RN, TO, RJ, MS 1999 MA 2011 AC Oficial só AM livre (será...?)

(Lourenção, Souza-Dias & Fugi, 2003)

Por que demoraram a ocorrer altas infestações de B. tabaci na cultura da batata? Seria um novo biótipo de B. tabaci?

Coleta de populações de B. tabaci em: Monte Mor (SP) Mucugê (BA) São Gotardo (MG) Campinas (SP)* Rondonópolis (MT) Brasília (DF) Immokalee (EUA)* batata soja repolho * biótipo B

Marcadores microssatélites

Conclusão Não foram verificadas diferenças em nível molecular que pudessem levar a distinguir outro biótipo nas amostras estudadas senão o biótipo B.

Biologia

ovo ninfa de 1º ínstar (móvel) ninfa de 2º ínstar ninfa de 3º ínstar pupa (4º ínstar) olhos vermelhos adulto

Ciclo de vida de B. tabaci (Walker et al., 2010)

Oviposição face inferior das folhas 70 a 300 ovos por fêmea período de ovo: 5-22 dias

Desenvolvimento ninfal 16 a 48 dias temperatura e planta hospedeira

Emergência de adultos pele dorsal da ninfa divide-se em T aparecimento da cabeça e do tórax após emergência, esticamento de asas por 10-20 minutos

(Walker et al., 2010)

Planta 28ºC±2º 14h 25ºC±8º repolho 20,5 26,7 feijoeiro 21,9 25,7 tomateiro 22,4 27,5

Dispersão vôos curtos ou longas distâncias transporte de material vegetal

Plantas hospedeiras

não apresenta diapausa explora recursos vegetais plantas cultivadas vegetação espontânea

327 espécies 63 famílias (Mound & Halsey, 1978) 506 espécies 74 famílias (Greathead, 1986) até 600 espécies (Brown, 2010) monocotiledôneas não

Joá-bravo Foto: A.L.Lourenção

Serralha Foto: A.L.Lourenção

Picão-preto Foto: A.L.Lourenção

Maria-pretinha Foto: A.L.Lourenção

Euphorbia heterophylla

Plantas invasoras como hospedeiras de vírus, o que sabemos? Muito pouco! plantas hospedeiras assintomáticas

Guanxuma com clorose infecciosa das malváceas Foto: A.L.Lourenção

Joá-bravo com TYVSV Foto: J.A.C. Souza-Dias

Leiteiro com Euphorbia yellow mosaic virus

Impacto econômico

Grandes culturas soja feijoeiro algodoeiro

Hortaliças solanáceas: tomateiro e batata cucurbitáceas: aboboreiras, melão, melancia, chuchu, pepino leguminosas: feijão-vagem

sucção de seiva injeção de toxinas desordens fisiológicas secreções açucaradas / fumagina transmissão de vírus (128)

Desordem ou anomalia fisiológica

Foto: R. Krause-Sakate

Foto: A.L. Lourenção

Foto: D.J. Cantliffe

Foto: D.N. Maynard

Foto: A.L.Lourenção

Foto: A.L.Lourenção

Foto: A.L.Lourenção

Fumagina (fungos do gênero Capnodium)

Foto: W. Kato

Fumagina em folha de pepino Foto: R. Krause-Sakate

soja

Fumagina em folhas de soja Foto: S.S. Vieira

Foto: P. Roberts

Transmissão de vírus

Estádio fenológico da planta no momento da infecção

Batata Tomato yellow vein streak virus Tomato severe rugose virus Tomato chlorosis virus

Tomato yellow vein streak virus (TYVSV) Mosaico deformante da batata Foto: A.L.Lourenção Foto: J.A.C. Souza-Dias

Tomato chlorosis virus (ToCV) Foto: J.A.M. Rezende

Similaridade com Potato leaf roll virus (PLRV)

Meloeiro Flexivirus Melon yellowing associated virus (MYaV) (CE, RN, BA e PE)

Melon yellowing associated virus (MYaV) Foto: A.C. Ávila

Foto: A.C. Ávila

African cassava mosaic virus Ainda não no Brasil!

Métodos de controle Químico Práticas culturais Resistência varietal Físico Controle biológico

Práticas culturais Natureza preventiva (MIP) períodos sem cultura no campo datas de plantio rotação de culturas destruição de restos culturais / plantas daninhas ESCALA REGIONAL

Resistência varietal ao inseto ao vírus transmitido

B. tabaci biótipo B melão: Neve abóboras: Menina Brasileira, Exposição, Novita, Caserta batata: Achat, Baraka, BACH 4

B. tabaci biótipo B soja: IAC-17, IAC-19, IAC-24 feijoeiro: IAC-Alvorada, Canário 101, Arc-3 tomate: Solanum pennellii, S. habrochaites, S. peruvianum

Geminivírus em tomateiro (gene Ty-1) Dominador (Agristar/Zeraim) Forty (Syngenta) Tucson (Syngenta) Lenda (Clause) Paty (Seminis) Ellen (Feltrin/De Ruiter) Império (Clause)

Métodos físicos

(Hilje & Stansly, 2000)

Controle biológico parasitoides predadores entomopatógenos Brasil: conhecimentos restritos

Parasitoides vespinhas do gênero Encarsia (E. formosa) e Eretmocerus uso em casa de vegetação ou outras formas de cultivo protegido (EUA e Europa)

Ninfa sadia de Bemisia tabaci Foto: A.L.Lourenção

Encarsia pergandiella Foto: A.L.Lourenção

Encarsia luteola (escura) e E. pergandiella Foto: A.L.Lourenção

Encarsia formosa

Predadores Coleoptera: Coccinellidae Hemiptera: Anthocoridae Neuroptera: Chrysopidae Diptera: Syrphidae

Delphastus davidsoni

Delphastus davidsoni Baldin et al. (2011)

Orius sp. (Anthocoridae) Foto: IFAS/UFL

Geocoris sp. (Lygaeidae) Foto: IFAS/UFL

Entomopatógenos Isaria fumosorosea (Paraná 95/96) Aschersonia goldiana (São Paulo 97/98) Lecanicillium lecanii (Maranhão 1999/2000) (sempre em soja)

Isaria sp. Foto: IFAS/UFL

Controle químico Neonicotinoides: acetamiprid clothianidin (IRAC: Grupo 4) imidacloprid thiacloprid thiamethoxam

Reguladores de crescimento pyriproxyfen (IRAC: grupo 7) buprofezin (IRAC: grupo 16) Inibidores da síntese de lipídeos spiromesifen (IRAC: grupo 23) spirotetramat (IRAC: grupo 23)

Diamida antranílica cyantraniliprole (IRAC: grupo 28) Bloqueador de alimentação flonicamid (IRAC: grupo 9)

Outros inseticidas com eficiência endosulfan (IRAC: grupo 2) cartap (IRAC: grupo 4) azadirachtin (IRAC: grupo 18) sulfoxaflor (IRAC: grupo 4)

Ação sobre ovos pyriproxyfen (ação translaminar) cartap

Ação sobre ninfas pyriproxyfen buprofezin spiromesifen spirotetramat

Ação sobre ninfas acetamiprid clothianidin imidacloprid thiacloprid thiamethoxam

Ação sobre ninfas cyantraniliprole flonicamid azadirachtin

clothianidin testemunha (água) spiromesifen

Ação sobre adultos acetamiprid clothianidin imidacloprid thiacloprid thiamethoxam

Ação sobre adultos cartap (IRAC: grupo 4) endosulfan (IRAC: grupo 2) fenpropatrin (IRAC: grupo 3) pimetrozine (IRAC: grupo 9) cyantraniliprole (IRAC: grupo 28)

Populações de mosca-branca resistentes a inseticidas 1999: Arizona, EUA pyriproxyfen 2001: Marrocos imidacloprid e cipermetrina; deltametrina, thiamethoxam e metomil 1999-2003: Israel thiamethoxam e acetamiprid

Populações de mosca-branca resistentes a inseticidas 2006: Bahia e Goiás, Brasil thiamethoxam e imidacloprid

Para evitar o desenvolvimento de populações de mosca-branca resistentes a inseticidas: USO CRITERIOSO DE INSETICIDAS rotação de inseticidas (grupos diferentes) uso da dosagem correta

Manejo Culturas em que há transmissão de vírus: tomateiro, feijoeiro, meloeiro, batata proteção desde o início da cultura variedade resistente tratamento de sementes

Tomateiro cultivares resistentes a geminivírus proteção na produção de mudas destruição de restos culturais manejo de plantas invasoras uso criterioso de inseticidas

OBRIGADO!!! André Luiz Lourenção Instituto Agronômico (IAC) (19) 3202-1734 andre@iac.sp.gov.br